Cultura franciscanaEntrevistas › 17/07/2018

Rio de Paz: Um pastor na luta contra a violência

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Entrevista com o pastor presbiteriano Antônio Carlos Costa. Jornalista, teólogo, escritor e fundador da ONG Rio de Paz.

São Paulo (SP)Aos 56 anos, o pastor presbiteriano Antônio Carlos Costa é uma das vozes na luta pelos direitos humanos no Rio de Janeiro. Em 2006, ele fundou a ONG Rio de Paz, a partir de uma manifestação feita na praia de Copacabana e que ficou conhecida em todo o mundo. Contra a chacina que vitimou 19 pessoas, os manifestantes colocaram 19 cruzes na areia da famosa praia. Era também o início de uma transformação no ministério do pastor da Igreja Presbiteriana da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. “Ali, tomei a decisão de ir para a rua. Eu deixei de ser um teólogo voltado para o ensino da Teologia e passei a ser um militante de direitos humanos”, conta o pastor.

Autor dos livros “Convulsão protestante: Quando a teologia foge do templo e abraça a rua” e “Teologia da trincheira: Reflexões e provocações sobre o indivíduo, a sociedade e o cristianismo”, ambos pela Editora Mundo Cristão, ele acompanha as famílias vítimas da violência e testemunha o descaso com estas pessoas, que sofrem com a perda e indiferença do Estado e da sociedade. “O contato com essas famílias faz com que a gente não saia das ruas”, assegura. Com relação à intervenção federal na segurança pública, ele conta que a sociedade do Rio de Janeiro ainda não sentiu a diferença. Sobre a violência no país, ele declara: “Estamos vivendo hoje um banho de sangue no Brasil”.

Sobre a resistência de diversos cristãos com o trabalho social, ele afirma: “Não há nenhuma justificativa para o fato de os cristãos brasileiros não verem a luta pela defesa dos direitos humanos como sinal característico da verdadeira santidade de vida”. Para ele, estar ao lado dos mais pobres é ser um sinal de Jesus Cristo.

Acompanhe a entrevista concedida a Érika Augusto no programa Sala Franciscana.

Franciscanos – Qual das suas vocações nasceu primeiro: jornalista, pastor ou escritor?

Antônio Carlos - No final da minha adolescência, meu desejo era ser jornalista. Naquele mesmo período, a minha mente começou a se envolver com as grandes questões da vida, passei a me preocupar com aquilo que até então não me preocupava, as grandes perguntas da Filosofia, quem somos, de onde viemos, para onde vamos. E essas perguntas me levaram para a fé cristã. Pela primeira vez me tornei um discípulo de Cristo. Passei, então, a viver com o propósito de me submeter, moral e intelectualmente, ao Evangelho. Só que as respostas que encontrei no cristianismo foram tão fascinantes, foi algo que me empolgou tanto, me comoveu em tal extensão que falei: vou me dedicar a isso a partir de agora. Vou consagrar minha existência a tornar esta mensagem conhecida pelo maior número possível de pessoas, porque é muito difícil viver sem esperança. Acredito que as respostas do Evangelho atendem às principais demandas do espírito humano.

Então, me envolvi com o trabalho pastoral, só que no contato com as Escrituras Sagradas, conheci não apenas o Deus cristão, mas também o ponto de vista do Evangelho sobre o ser humano. O cristianismo exalta muito o homem e a mulher, a ponto de dizer que ambos foram criados à imagem e semelhança de Deus, portanto, devem ser objeto do nosso amor. Por conta dessa antropologia do Novo Testamento, passei a me sentir profundamente incomodado com a violência no Rio de Janeiro e administrei durante muitos anos uma crise, produto do contato com a violência através dos meios de comunicação, sem que me insurgisse contra aquele estado de coisas e procurasse, juntamente a outros cidadãos cariocas, cristãos e não cristãos, fazer oposição à barbárie. No dia 28 de dezembro de 2006, traficantes mataram 19 pessoas no Rio de Janeiro, sendo que destas, 8 pessoas foram queimadas vivas. Ali tomei a decisão de ir para a rua. Deixei de ser um teólogo voltado para o ensino da Teologia e passei a ser um militante de direitos humanos.

Atribuo à graça de Deus a ideia que tivemos, que abriu muitas portas, ao fazer uma manifestação que entrou para a história do país. Nós montamos um cemitério, com cruzes pintadas de preto na praia de Copacabana. E, desde aquele dia, os meios de comunicação cobrem as nossas manifestações. Nós usamos desse privilégio, dessa confiança, para dar voz aos sem voz, para dar visibilidade àqueles cuja agonia não é do conhecimento da sociedade, aos que são ignorados pelo Poder Público. Aí, então, nessa dinâmica, surge o desejo de escrever. Passei a escrever para jornais do país e também nas redes sociais. Veio, então, o interesse por apresentar os pressupostos intelectuais da minha militância no campo dos direitos humanos, através de dois livros: “A convulsão protestante”, que foi essa mudança súbita que me levou a protestar nas ruas e “Teologia da trincheira”, que foram os artigos que eu escrevi durante este período em que me senti na trincheira. São 11 anos nas ruas protestando contra a violência e defendendo os direitos humanos, entrando em favela, indo a cemitérios, chorando com os parentes de vítimas. Nesse período, escrevi muito, e esses artigos foram agrupados e se transformaram em livro. Eu tenho três paixões na vida: o amor pela produção de livros, e livros que possam trazer esperança e mobilizem as pessoas para a ação; a paixão pelo jornalismo, de contar histórias, de falar a respeito destas pessoas cuja dor ninguém conhece; e também a pregação do Evangelho, que é uma coisa radicada na minha vida e o encanto continua até hoje.

Franciscanos – Quais são as principais atividades realizadas hoje pela ONG Rio de Paz?

Antônio Carlos – O Rio de Paz atua em duas áreas: primeiro, a filantropia. Prestamos ajuda aos necessitados, aos pobres, moradores de favelas no Rio de Janeiro. Distribuímos alimentos, cestas básicas, oferecemos ajuda para reconstruir residências, damos cursos profissionalizantes, entre outras atividades. É lamentável ter que dizer isso, mas é um trabalho prejudicado pela violência das favelas, porque as operações policiais ocorrem subitamente e, muitas vezes, chegamos em meio ao tiroteio. Por conta disso, tememos enviar voluntários por receio deles serem vítimas de bala perdida. Já vivemos situações muito aflitivas. Poderíamos estar fazendo muito mais na área da filantropia, porque tem muita gente que nos procura querendo trabalhar em comunidade, mas em razão dos confrontos, não temos feito o que poderíamos e gostaríamos de fazer.

O trabalho da ONG que é mais conhecido são as manifestações de rua, que têm como objetivo denunciar a violação de direitos, o abuso de poder, a desigualdade social. Já fizemos várias, em São Paulo, Brasília, Recife, Belo Horizonte, sendo que a maioria está concentrada no Rio. Essas manifestações são o carro-chefe porque são as que dão mais visibilidade para tudo o que fazemos e os efeitos são extraordinários, porque, com a filantropia, a gente oferece uma ajuda pontual aqui e ali. Quando conseguimos, através de uma manifestação, fazer o Estado agir, é diferente. A ação do Estado produz resultados muito mais amplos do que aqueles que nós alcançamos, mas que estão muito aquém do que esse ‘mar de gente’ pobre carece.

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Franciscanos – Você ministra numa igreja na favela do Jacarezinho e o púlpito que você usa tem marcas de balas. Qual é o sentimento de pregar a Palavra de Deus num símbolo como este?

Antônio Carlos - É muito triste. São pessoas que tentamos ajudar e que são ignoradas pelo Poder Público. A sociedade civil toma a decisão de fazer alguma coisa, nós, como nós cristãos, paralelo à defesa dos direitos humanos, através das manifestações e da filantropia, levamos o Evangelho. Estando ali, decidimos ter reuniões regulares para falar de Jesus Cristo àquelas pessoas. No decurso de um 1 ano e 10 meses, em 8 operações policiais, a nossa igrejinha levou 300 tiros de fuzil e pistola e o púlpito onde prego foi atingido por 3 disparos de arma de fogo. Isso também é algo que nos limita profundamente e que gera muita incerteza, porque nunca se sabe quando vai começar o tiroteio e tememos muito pela vida dos moradores, especialmente das crianças. São muitas crianças frequentando esses cultos nas tardes de domingo.

Franciscanos – Vocês estiveram no enterro do adolescente Guilherme Henrique, morto no dia 20 de junho na Vila Vintém e também acompanham diversas famílias das vítimas da violência. Como estas famílias ficam diante de uma situação como esta?

Pastor Antônio Carlos Costa - É uma devastação. Vemos famílias destroçadas, desconjuntadas. É difícil encontrar um adjetivo que traduza, que nos ajude a ter uma ideia do que estas pessoas experimentam. Já vivi situações onde a mãe de uma criança de 1 ano, morta com um tiro de pistola no peito, trouxe o corpo da filha no peito para amamentar, no seu desespero. Já vi gente se jogar dentro da sepultura para arrancar o caixão, recusando-se a enterrar o filho. As pessoas não conseguem voltar a trabalhar, passam a conviver com uma depressão latente. Elas se sentem ignoradas pela sociedade, abandonadas pelo Estado. A autoria do homicídio, em geral, não é elucidada. É um descaso completo. Como se não bastasse o absurdo da perda de um parente querido, essas pessoas têm que lidar com a indiferença de todos. Dependendo do caso, se tiver muita repercussão, as famílias vivem intensamente este tempo, com entrevistas, presença da imprensa, do noticiário e aí passa-se uma ou duas semana e pronto, acabou! Ninguém se lembra mais, vem outro caso, que faz com que esqueçamos do anterior e pronto. Você tem essas vidas marcadas para sempre. Algumas destas pessoas vivem o drama da ideia fixa de ver os criminosos punidos. Então acabam sofrendo muito com isso, e mais ainda com a impunidade. Algumas não conseguem se livrar desse sentimento, que é uma coisa difícil de compreender para quem não passou por essa experiência. A gente observa um forte desejo de ver quem praticou o crime punido pelo que fez.

Em geral, esse sentimento de justiça não encontra satisfação no Brasil porque nossas polícias revelam uma grande falta de recursos, de estrutura, para fazer um trabalho investigativo à altura. Por isso, o Brasil é um país que pune muito, e pune mal. Esses que praticam crimes contra a vida, que são os crimes mais graves, como latrocínio, execução extrajudicial, esses não vão para trás das grades porque não se descobre o crime que praticaram. O contato com essas famílias faz com que a gente não saia das ruas. Se hoje você me perguntasse qual é o meu sonho, entre outros é de não ver mais famílias passando pelo que essas famílias, que conheci muito bem, passaram. É uma dor incalculável.

Franciscanos – O que você percebe que mudou no Rio de Janeiro depois da intervenção federal na segurança pública?

Antônio Carlos - Até agora a sociedade não percebeu mudança. Não estou falando tão somente de um sentimento de insegurança. Esse é generalizado. Mas, muitas vezes, pode ser um sentimento produzido artificialmente, porque as pessoas estão preocupadas com aquilo que não deveria preocupá-las. Quando se vê as estatísticas do Instituto de Segurança Pública, percebe que os números são assustadores.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece 10 homicídios por 100 mil pessoas por ano como limite. Mais de 10 mortes por 100 mil pessoas por ano é considerado um quadro endêmico pela OMS. O Rio de Janeiro hoje tem 30 pessoas mortas a cada 100 mil, ou seja, estamos atravessando uma endemia. No Brasil, a estatística é a mesma. Tem cidades nordestinas com 90 homicídios a cada 100 mil pessoas. Estamos vivendo hoje um banho de sangue no Brasil. O Rio de Janeiro não é um caso isolado e nem é o Estado mais violento da União. O Nordeste hoje é a região que está atravessando o quadro mais dramático.

No Rio, percebe-se que não houve mudança, as pessoas estão ainda sem entender qual é o sentido da intervenção. Não se conhece metas, cronogramas, não há prestação de contas. Sentimos que a interlocução com a sociedade civil também está muito aquém das exigências da democracia e também não estamos vendo mudanças nas estruturas da Polícia Civil e Militar. E o principal, não temos investimento nas favelas, implementação de políticas públicas que tenham como objetivo diminuir a desigualdade social que é a grande causadora dessa desgraça toda.

Pode ser que tenha alguma coisa em curso, que esteja oculta aos nossos olhos, até espero que seja isso, porque acredito que as Forças Armadas não estejam brincando com a população. Inclusive há pessoas que passam para as pessoas seriedade. Olhando de longe, parece que há nas Forças Armadas quadros excelentes, de pessoas honestas, gente que passou pelo Haiti, com uma experiência exitosa. Por isso alguns setores da sociedade receberam de bom grado a intervenção federal, acreditando que o êxito no Haiti seria também implementado no Rio de Janeiro. Mas até agora não houve mudança e os números estão aí para provar.

Franciscanos – O Papa Francisco, muitas vezes, é taxado como comunista por causa de sua postura, quando se coloca ao lado das pessoas mais necessitadas e cobra esta postura da Igreja. Você também enfrenta essa questão. Na sua opinião, por que alguns setores das Igrejas cristãs e da sociedade veem com maus olhos os cristãos que defendem as causas sociais e os direitos humanos?

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Foto: Eduarda Rosa | Blog Argumentandum

Antônio Carlos - As respostas são as mais variadas. Não há uma única causa para essa oposição ao movimento de direitos humanos. Não há nenhuma justificativa para o fato de os cristãos brasileiros não verem a luta pela defesa dos direitos humanos como sinal característico da verdadeira santidade de vida. São vários os motivos. Poderia enumerá-los e vou fazer sem seguir uma ordem de importância.

Do ponto de vista do protestantismo, percebo uma influência muito grande da Teologia norte-americana. Os pastores, em geral, leem livros produzidos nos Estados Unidos e há setores do protestantismo americano muito contrários ao combate à desigualdade social, à luta pelos direitos humanos, porque trata-se de uma Igreja que não está vivendo o drama da América Latina. São pessoas que não conhecem os problemas sociais que enfrentamos. Muitas vezes, os pastores importam problemas dos Estados Unidos, da cultura americana, e deixam de tratar os problemas do nosso país.

Um pastor de uma igreja de classe média americana não tem, no caminho da sua casa pra igreja, que cruzar cinco favelas. Ele não vê corpos estendidos no chão, cravados de balas. Ele não sabe o que é o telefone tocar às 10 horas da noite ter que sair correndo para uma favela, a fim de fazer mediação entre policial e morador. Não têm 62 mil homicídios dolosos nos Estados Unidos. As igrejas sofrem uma grande influência desse tipo de mentalidade.

Também faz parte dessa cultura que a função da igreja é somente pregar o Evangelho e que, portanto, essas atividades, que são tidas como seculares, devem ser exercidas por pessoas que não têm as preocupações espirituais que temos. Não tenho a menor dúvida que a missão número um da igreja é pregar o Evangelho. Tanto os nossos amigos católicos e os amigos protestantes, todos nós sabemos que Cristo morreu e esta mensagem tem que ser anunciada, e só nós fazemos isso. Se deixarmos de fazê-lo, ninguém mais o fará.

A pergunta que precisa ser respondida é a seguinte: o que esperamos que saia do resultado da catequese, da pregação do Evangelho, do que é ensinado na missa, no culto? Nós esperamos que saiam ‘pequenos Cristos’, pessoas com a identidade de Cristo, parecidas com Jesus, que revelem a beleza de Jesus. Revelar o caráter de Cristo é amar o necessitado, compadecer-se do pobre, do oprimido. Nós vemos Jesus Cristo fazendo isso o tempo inteiro. Sua atividade pública é praticamente dedicada aos oprimidos. Do ponto de vista da cultura protestante do nosso país, esse é o nosso grande pecado, não vemos a luta pela justiça, o combate à violação de direitos, o enfrentamento da desigualdade social como sinais característicos de uma vida autenticamente cristã.

Some-se a isso também o desejo de ver a Igreja crescer. Isso é triste. Há uma preocupação profícua de aumentar o número de fiéis. Então, muitos temem que ao se dedicarem a essas tarefas, vão estar impedindo a Igreja de crescer, o que é um contrassenso. Que Igreja vai ter o respeito da opinião pública, da sociedade, se ela se mantiver alheia a estas questões que, muitas vezes, despertam a compaixão até de ateus? Ocorre também muito medo, porque lidar com estas questões é diferente de lidar com o tema do aborto. Estou entre aqueles que creem na santidade do embrião, na santidade do feto. Contudo, ir para as redes sociais e condenar o aborto, fazer manifestação de rua, não põe sua vida em risco. É diferente de condenar aquele que, com arma na mão, está executando pessoas. É uma esquizofrenia muito grande. Quando essa vida nasce, cresce, se transforma num menino negro, morador de favela com 16 anos, você ignora, você não se preocupa com a educação dessa criança, você não se preocupa se essa criança está sofrendo maus tratos ou se ela é vítima de bala perdida. Por que não lutar pelo respeito à santidade da vida humana em todas as fases em que essa vida transcorre?

Outra causa que percebemos dessa alienação na sociedade brasileira é uma onda de conservadorismo. Isso é um fenômeno não somente no nosso país, mas em parte da Europa e muito mais nos Estados Unidos. Trata-se de uma febre de conservadorismo de direita muito forte. O discurso dos direitos humanos, do combate à desigualdade, da luta pelos direitos da classe trabalhadora, essas pautas ficaram muito identificadas com a esquerda, elas sempre foram vistas como bandeiras da esquerda. Quando você, portanto, sai em favor dessas demandas do direito e da justiça, você acaba sendo rotulado como marxista, comunista. As pessoas acham que o comunismo e o marxismo são compatíveis com o cristianismo, o que eu discordo. Eu não sou marxista e muito menos comunista. Contudo, as críticas que foram feitas ao capitalismo são críticas que, em parte, qualquer profeta do Antigo Testamento faria. Não vejo por que, com a mente aberta, com o Evangelho em uma das mãos e o jornal na outra, como diz a Carta de Paulo aos Tessalonicenses, não se pode reter o que é bom destas ideologias. Até mesmo no capitalismo, creio que há aquilo que se pode ser aproveitado, aquilo que promova a riqueza, sem dilapidar os recursos naturais e legitimar a exploração do homem pelo homem.

Estamos enfrentando hoje uma onda conservadora de direita, que faz com que tudo aquilo que pareça como ideologia de esquerda seja visto com maus olhos. Fazendo isso, estamos deixando de incorporar à práxis cristã algo que está tão presente no discurso dos profetas maiores, dos profetas menores e, acima de tudo, no Sermão da Montanha.

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