Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Meditação diária

janeiro/2021

  • Voltar a Jesus

    Ano novo! Retomar o fôlego. Para onde a vida está nos levando? Vamos fazer o propósito de conviver com o Senhor Jesus!

    Voltar a Jesus é reavivar nossa relação com ele. Deixar-nos alcançar por sua pessoa. Deixar-nos seduzir não só por uma causa, um ideal, uma missão, uma religião, mas pela pessoa de Jesus, pelo Deus vivo nele encarnado. Deixar-nos transformar pouco a pouco por esse Deus apaixonado por uma vida mais digna, mais humana, mais feliz para todos, a começar pelos últimos, os mais pequenos, indefesos e excluídos.

    José Antonio Pagola, “Voltar a Jesus”, p. 47


    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

  • Procurar o Senhor

    Ele, o Senhor  gosta de brincar de esconder com os  homens. Ou será que nós é que não o procuramos?

    Um dia, o neto do Rabi  Baruch brincava de esconde-esconde  com outro menininho.  Ele se esconde,  mas o outro se recusa a procurá-lo e vai embora.  A  criança, em prantos, vai se queixar  ao seu avô. Então, também com os olhos cheios de lágrimas,  Rabi  Baruch exclamou: “Deus diz a mesma coisa:  Eu me escondo, mas ninguém vem me procurar”.


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  • Eles vieram de longe…

    Os  Magos  chegaram  e  adoram o  Senhor

    Nós os chamamos de Magos, Reis, pessoas  importantes. Chegam de longe guiados  por uma claridade que foi  projetada em seu interior.  Trazem interrogações, perguntas. Será que Deus pode aparecer na terra dos homens? Uma estrela os guiou.  Encontram Deus no rosto de uma frágil criancinha,  com os lábios molhados de leite do seio da  Senhora  Maria. Fixaram seus olhares no Altíssimo que viera viver a nossa vida. Deixaram-lhe  os presente:  ouro, incenso e mirra e voltaram para suas terras…

    Que estrela anda guiando nossa vida?


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  • Presentes para o Menino

    Em seguida os  Magos abriram seus cofres e ofereceram-lhe  presentes:  ouro, incenso e mirra.

    Aquele  que  quis nascer para nós  não quis ser ignorado  por nós.  Por isso, manifestou-se para que o grande mistério de seu amor não desse ocasião a um grande erro.

    Hoje, os magos que o procuravam resplandecente nas estrelas, o encontraram num berço. Hoje, os Magos veem claramente, envolvido em panos aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros.

    Hoje, os magos contemplam maravilhados no presépio o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem, e incluído no corpo  pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos presentes: incenso  a Deus, ouro ao rei e mirra ao que haveria de morrer.

    São Pedro  Crisólogo,  bispo


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  • As feridas de Deus

    Nosso Deus tem as mãos, os pés e o lado com feridas…

    Para mim, não existe outro caminho, não existe outra porta senão aquela que é aberta por uma mão ferida e um coração traspassado. Não posso clamar “meu Senhor e meu Deus” sem ver a ferida que alcança o coração. Se credere (crer) provier de cor dare (dar o coração), então preciso confessar que meu coração e minha fé só podem pertencer ao Deus capaz de mostrar suas feridas. Minha fé e meu amor são um, e ninguém pode tirar de mim o amor pelo crucificado, que é a resposta ao seu amor por mim. O que poderia me separar do amor de Cristo? Do amor legitimado por suas feridas? Não sou capaz de dizer as palavras “meu Deus” se eu não enxergar as suas feridas!

    Tomás Halik, “Toque as feridas”, Vozes, p. 13


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  • Francisco de Assis, o incomparável

    Esse Francisco de Assis continua vivo. Parece que vamos encontrá-lo numa das esquinas por aí…

    Francisco de Assis foi um ser original, um ser único. Por isso muitas de suas reações e comportamentos não têm ponto de comparação. Joseph Lortz escreveu um livro sobre o Poverello e intitulou-o de “Francisco, o incomparável”. O Poverello nos deixou apenas poucas páginas de um preço inestimável, louvores, exortações e bênçãos. Espontâneo, lírico, compressivo, resistente e duro consigo mesmo, capaz de dançar diante de Deus e de chorar as feridas do amado. Extasia-se de um cordeiro e torna os lobos criaturas mansas. Sua simplicidade é de tal ordem que seu corpo é transparente. Não temos condições de descreve-lo. Ele foi uma obra de arte a ser sempre de novo contemplada com o sol da manhã, o esplendor do meio do dia e a suave claridade do esmaecer do dia.


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  • O que se diz a respeito da oração

    Rezar é uma atividade profundamente importante. Precisamos sempre cultivar nossa intimidade com o Mistério que nos envolve.

    – A oração de alguns quando procede de corações unidos tem mais chances de chegar a Deus do que a prece de uma multidão onde não reina harmonia. Quando rezamos não rezamos por um só, mas por todo o povo, porque somos um com todo o povo. Deus que reúne em sua casa os que têm um mesmo coração admite nas mansões divinas e eternas somente os que rezam em comum uns com os outros.
    São Cipriano

    –  O contemplativo que procura aprisionar Deus em seu coração, torna-se prisioneiro de seus estreitos limites e o Senhor toma suas distâncias e o deixa em sua prisão, reclusão é um recolhimento morto. Quem entrega sua liberdade a Deus o adora e assim vive a liberdade dos filhos de Deus. Ama como o Senhor ama e será arrebatado, cativo da invisível liberdade divina
    Thomas Merton


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  • Dos que trabalham à noite

    Dizem que eles se acostumam. E são muitos de verdade. Trocam o dia pela noite. Dormem pela manhã ou à tarde. Se é que conseguem. Interminável a lista deles todos: motoristas, pilotos de aviação, médicos, os que fabricam o pão, os operários que fazem a recapagem das vias urbanas, os vigilantes, os que recolhem o lixo de madrugada, alguns radialistas, os policiais e a lista não termina. Prestam grande serviço à humanidade. São nossos benfeitores. Merecem respeito.

    Encontrei uma bela e simples prece pelos que trabalham à noite:

    Escuta nossa prece, Senhor Deus,
    por todos os que trabalham durante a noite
    a serviço dos homens;
    que sejam recompensados!
    Por Cristo, nosso Senhor, Amém.


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  • Valores

    Não se educa sem que educando e educadores se apaixonem pelos valores.

    Os valores são como pequenas sementes que vivem no íntimo do ser humano. Estão lá, mas nem sempre somos conscientes disso. Seu maravilhoso potencial percebe-se apenas quando traduzido em atitudes,  ações, obras, palavras e feitos. A solidariedade é intangível, mas sabemos reconhecer ações solidárias, empresas solidárias, organizações que encarnam a solidariedade.  Além disso, com nossos olhos podemos ver ações que nos enchem de júbilo, que mostram o potencial de todo ser humano, sua generosidade, solidariedade e criatividade.

    Francesc  Torralba


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  • Uma prece

    Curta esta oração, mas dá vontade de rezá-la a cada instante, de repeti-la até penetre em nós.

    Senhor Jesus, ensina-nos a ser generosos,
    a te servir como mereces ser servido,
    a dar sem calcular,
    a combater sem medo das feridas,
    a trabalhar sem ficar pensando em descanso,
    a nos desgastar sem esperar recompensa
    a não ser a consciência de que fizemos
    tua santa vontade.
    Assim seja!


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  • A beleza de Cristo

    Numa palestra muito antiga, antes de ser o Papa Bento, o Cardeal  Ratzinger escreveu:

    Ser atingido e dominado pela beleza de Cristo constitui um conhecimento mais real, mais profundo, do que a mera dedução racional.   É claro que não devemos subestimar a importância da reflexão teológica,  do pensamento teológico exato e preciso;  ele continua absolutamente necessário. Mas daí a desdenhar ou rejeitar o impacto produzido pela resposta do coração ao impacto da beleza, considerada como uma autêntica forma de conhecimento seria empobrecer-nos, esgotar a nossa fé e a nossa teologia. Precisamos redescobrir esse modo de  conhecer, é essa uma necessidade urgente de nossos dias.

    A beleza salvará o mundo!


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  • Deus é sempre novidade

    Como seres humanos e como cristãos somos convidados a sair de nosso pequeno cercado. Sair…ir em frente, rumo às periferias.

    Deus é sempre novidade, que nos impele a partir sem cessar e a mover-nos para ir mais além do conhecido, rumo às periferias e aos confins. Leva-nos aonde se encontra a humanidade mais ferida e aonde os seres humanos, mesmo sob a aparência da superficialidade e do conformismo, continuam à procura de resposta para a questão do sentido da vida. Deus não tem medo! Não tem medo! Ultrapassa sempre os nossos esquemas e não lhe metem medo as periferias. Ele próprio se fez periferia. Por isso, se ousarmos ir às periferias, lá o encontraremos. Ele já estará lá. Jesus antecipa-se no coração daquele irmão, na sua carne ferida, na sua vida oprimida, na sua alma sombria. Ele já está lá.

    Papa Francisco, “Gaudete et Exsultate” n. 135


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  • Sede de Deus

    Um salmo e nada mais

    Senhor, responde-me,
    sou pobre e infeliz.
    Protege-me Senhor, eu sempre te fui fiel,
    salva teu servo
    que se abandona em teus braços.

    Aguardo tua benevolência
    eu que te chamo todo dia.
    Dá a este seu servo a alegria
    porque me volto para ti.

    Deus de indulgência e de bondade,
    Deus de ternura para os que o invocam,
    escuta minha oração, Senhor
    sê atento a esta voz que te implora.

    Salmo 85, adaptado


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  • Amigo não é um intruso na vida

    Tema sempre bem-vindo, sempre bonito, esse tema da amizade

    Um amigo não representa um intervalo na vida. Um amigo é a cola de minha vida, o ponto central que mantém tudo o que a sustenta e que avalia a sua essência. A amizade é um jogo de padrões elevados e excessiva abundância onde tudo é possível, mas apenas o melhor de nós dois passa no teste do aceitável. Amigos não desaprovam – eles questionam. Amigos não impedem – eles habilitam. Amigos não controlam – eles cuidam. Amigos não dominam – eles estimulam o melhor em mim, até que nenhuma impureza permaneça. Amigos não me sufocam – eles me libertam. Amigos não me amam por causa deles mesmos – eles me amam por minha causa. Eles me amam do jeito que eu quero ser amado, não do jeito que querem me amar. Um amigo é o outro lado da minha alma. O amigo não é uma intrusão na vida.

    Joan Chittister, “Para tudo há um tempo”, Vozes, p 40


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  • Orar, rezar…

    Rezar em qualquer situação, em qualquer espaço.

    A mulher que cuida da cozinha ou que se ocupa de costurar uma peça de roupa, o jovem que se dirige à faculdade e a moça que trabalha de servir café num bar, o deputado federal e vendedor de balas podem ter o coração sempre voltado para o Senhor. Não são necessárias muitas palavras. Deus não ocupa espaço. Basta caminhar ou permanecer na presença dele. Ele me enxerga. Eu sou dele. Ele é meu amado. Depois, depois o Amado quer mais. Que ele ocupe o primeiro lugar. O Senhor não aceita um amor pela metade. É um Deus ciumento.


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  • Quando tudo chegava ao final

    Ele vai ser assassinado. Ele, por sua vez, dá sua vida. Até o último instante quando tudo estava se realizando, enquanto ele via o rosto de seus inimigos mostrando desdém e ódio sua última palavra o coloca no mais algo grau do amor e da liberdade: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”…

    Este é o desafio e a aposta do Evangelho de Jesus. Diante da hostilidade, diante da ira e da mentira, do deboche dos opressores, o desespero dos oprimidos os cristãos permanecem de pé como Jesus diante de Pilatos, com amor, doçura e o perdão como o mais prestigioso dos poderes.

    Jacques Leclerc


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  • No silêncio da noite

    Os mistérios das noites.  Noites de inverno com céu estrelado. Noites frias, janelas fechadas.  Cobertores e edredons. Cortinas espessas . Silêncio. Noites de chuva fina. Noites em que nem um pio de coruja se ouve. Lâmpada de mesa acesa.  Um salmo ruminado, deliciosamente repetido.  Cantarolado baixinho para não incomodar ninguém.  Alguém se aproxima.  “Se me amam viremos a ele e faremos nele nossa morada”. Noite de silêncio.  Noite revestida de amor.  Noite mais luminosa do que o meio do dia.

    Pai que quiseste a noite vestida de silêncio vem tornar encantador seu silêncio  e fala ao nosso coração.


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  • Sempre de novo Jesus

    Jesus! Não nos cansamos de buscá-lo. Ou não deveríamos nos cansar.
    Sempre será sequiosamente buscado.

    O Jesus dogmático mesmo sendo um belo assunto de tese não pode ser atingido pelo coração do homem. As coisas da fé são muitas vezes intelectuais e abstratas fazendo com que se perca o efeito de escândalo e de loucura que caracteriza as comunidades apostólicas. A fé na ressurreição exige encarnação. Os homens de nosso tempo procuram, antes de tudo, um rosto e o testemunho lhes vale mais do uma prova.

    Jacques Leclerc, “Debout le soleil”


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  • Dos peregrinos de São Tiago

    Uma prece de despedida à visita ao Santuário de São Tiago de Compostela

    Ó Deus, tu que fizeste Abraão partir de seu país
    e o conservaste são e salvo ao longo de suas viagens,
    dá a teus filhos a mesma proteção.
    Guarda-nos dos perigos e faze que nossos passos sejam mais leves.
    Sê uma sombra contra o sol, um manto contra a chuva e o frio.
    Carrega-nos quando estivermos cansados
    e defende-nos de todos os perigos.
    Sê o bastão que evita as quedas
    e o porto que acolhe os náufragos:
    assim guiados por ti, conseguiremos nossos objetivos
    e chegaremos sãos e salvos à casa.


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  • O que é o paraíso?

    Olivier Clément, grande teólogo ortodoxo,
    escreve a respeito do que vem a ser o paraíso.

    Queres explicar a um jovem o que é o paraíso, o que é o inferno? Fala a linguagem do amor. O namoro é uma experiência mística, a única para a maioria de nossos contemporâneos. Quem namora, bem sabe o que é o paraíso: é ter uma amada após ter sido deixado só ou perdido; é aquele abraça o abraço desejado. E também sabe bem o que é o inferno: é o afastamento, uma perda.


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  • O que vem a ser a fé?

    Uma grande escritora francesa da atualidade, Sylvie Germain, ganhadora de vários prêmios literários assim, escreve sobre a fé:

    A fé é uma criança que não dá descanso, que não se acomoda a hábito algum, a rotina alguma, sobretudo à inércia e à tibieza. Não aceita comprometimentos. É uma criança rebelde e ao mesmo tempo temerária, meditativa e sempre aventureira. Uma criança que nasceu na noite mas não feita para a noite sempre buscando e desejando a luz.


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  • Deus onipotente no amor

    Os  homens certinhos condenavam uma pecadora apontando-lhe o dedo… “Quem   te apontou o dedo?”

    Um Deus nu, na cruz, que perdoa, que não esmaga ninguém, mas se esmaga a si mesmo, será o gesto mais original e necessário para uma desativação das bombas sobre as quais a humanidade de senta.  Não temos um  Deus onipotente, mas um Deus “omni-amante”. Nunca mais o dedo apontado,  mas ao qual  tu escreves sobre a pedra de teu  coração: “Senhor tu sabes que eu te amo”.

    Ermes  Ronchi


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  • A sarça ardente

    Moisés ficou impressionado com aquele arbusto que queimava sem parar.   Havia ali um mistério ou o Mistério.

    Temos que descobrir a cada dia a sarça ardente, descalçando-nos diante do santuário de nós mesmos. É ela que dá o fundamento da dignidade do ser humano. Somos invioláveis porque somos o santuário de uma Presença   que nos sacraliza e   nos confere um valor absoluto e infinito.   Nascer continuamente da presença escondida em nós. Nunca o ser humano teve tanta necessidade de ser sacralizado com o diálogo com essa Presença. O que devemos fazer de mais essencial é criar em nós uma verdadeira  humanidade.

    Maurice Zundel


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  • Coisas simples que valem

    Há pessoas muito arruinadas física ou interiormente. Trapos  humanos, joguete dos grandes.   Vivem num deserto social

    Deserto pode ser lugar de recolhimento, de interiorização, de paz.  Mas pode-se também viver num deserto social em que ninguém conhece ninguém, ninguém se interessa por ninguém.  Não somos reconhecidos. Em nosso mundo é preciso bondade.  Nada de discursos pomposos.  Mas coisas simples. Presença em centros de acolhimento da população de rua, casa de crianças recolhidas, velhos jogados em casa ou num lar de idosos, trabalho de recuperação de drogados, reinserção de delinquentes, grupo de advogados que se ocupe de pessoas enganadas por espertalhões, estar  perto de pessoas que  não sabem ler e escrever. Não esquecer os destruídos pelo consumismo e pelo cinismo de alguns.  Coisas simples que muito valem.


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  • Tempo de abraçar

    Joan Chittister escreve linhas cativantes sobre o tema o abraço. Vejam só:

    – Abraçar o outro, levar o desconhecido para nossas vidas, confiar que o outro seja motivado pelos mesmos cuidados que nos guiam, redesenha a raça humana. Assim que abrimos a nossa mente para a ideia de que o outro sente os nossos sentimentos, os japoneses deixam de ser sinistros, os negros deixam de ser perigosos, os brancos não são os incorrigíveis ditadores coloniais do mundo.

    – A razão se tornou o pecado humano; a independência e o individualismo a nossa patologia. Fatos, nós os temos em grande quantidade. É o sentimento o que nos falta.

    – O tempo de abraçar é agora, antes que autonomia destrua a comunidade e nos deixe menos humanos, ao final de nosso processo evolutivo, do que quando começamos. A adoração do racional não funcionou. Apenas o abraço pode agora nos salvar.


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  • Os que despertam a aurora

    Meu coração está pronto, meu Deus,
    está pronto o meu coração!
    Vou cantar e tocar para vós:
    desperta minha alma desperta.
    Despertem a alma e a lira,
    eu irei acordar a aurora!
    Sl 56(57)

    Seis horas da manhã. Com ou sem despertador levantamos. A vida retoma seu ritmo. Levantar, lavar o rosto, ver que roupas vamos usar. Abrir as janelas. Ainda não é dia. Pássaros voando. Montes e florestas tingidas de róseo como róseas são as nuvens, os fiapos de nuvens. Nosso canto de abertura das cortinas é de louvor ao Amado que nos deu mais um dia. Estamos prontos para a jornada. Temos uma obrigação: vamos acordar a aurora. “Despertem a harpa e a lira, eu irei acordar a aurora”.


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  • Perto do Senhor

    Francisco de Assis é conhecido como o seráfico,
    aquele que, como os serafins, se coloca
    pertíssimo de Deus.

    Assim os biógrafos de São Francisco falam de seu amor inflamado pelo Senhor Jesus:

    – A partir do momento em que foi tocado pelo Senhor seu coração estava ferido como a se derreter. Tal se dava principalmente quando ele se lembrava da Paixão do Senhor.

    – O Senhor derramou sobre ele uma alegria indizível que o iluminou de intensa claridade. Queimado com este ardor, ele ficou cheio de alegria no meio das chamas em que o lançava o fogo divino.

    – Seu amor por Deus era tão ardente e profundo que mal e mal ouvia o seu nome todo ele estava como que derretido interiormente… arrastado por Deus devido ao seu ardor seráfico. A ternura de sua compaixão fazia com que ele viesse a se revestir da forma do crucificado.

    – Francisco foi progredindo ao acolher o que Deus nele realizava nele através de um rio de amor, como se ele não se possuísse mais, como se estivesse surdo ou embriagado do amor divino. Estava fortemente invadido pela doçura divina de tal modo que não podia falar e era incapaz de dar sequer um passo.


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  • O amor conjugal

    Pode-se dizer que o amor seja de fato o valor central do casamento desde que seja trabalhado por outros valores e realidades no seio do casal e para o mundo de fora. O amor há de ser centrado e descentrado. Centrado no amor ágape. Descentrado rumo a outras finalidades ao exterior do mesmo amor. O amor não é seu próprio fim, embora haja os que tal afirmem. Sua própria finalidade a isso se oporia porque ele é dom, consistindo a ir além de si mesmo, esquecer-se no movimento para o outro Sua finalidade é avida do outro, dos outros, das crianças da comunidade, da Igreja, da humanidade.

    Xavier Lacroix


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  • Reservatório de certezas

    Deus, sê Deus em mim.
    Ensina-me a ser discípulo, fiel à escuta,
    à sugestão do Espírito, à aprendizagem da Palavra,
    disponível para suas implicações históricas
    O teu nome, ó Deus, é um não nome,
    É um desafio para me colocar cada dia
    à escuta do teu nome.
    Que eu não me tranque por dentro,
    num confortável reservatório de certezas,
    mas olhe com frescor os caminhos
    esperados e inesperados que tu me apontas.

    José Tolentino Mendonça 


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  • Sobre o perdão

    Perdoar significa doar através dos sofrimentos e do mal sofrido. Fazer também do mal recebido a ocasião de um dom. No perdão não se trata de atenuar a responsabilidade de quem cometeu o mal:  o perdão perdoa aquilo que não é desculpável, aquilo que é injustificável – o mal cometido –  e como tal permanece.  O perdão não tira a irreversibilidade do mal sofrido,  mas o assume como passado, e fazendo prevalecer  uma relação de graça sobre uma relação de justiça  cria  as  premissas  de uma renovação entre   ofensor e ofendido.

    Luciano  Manicardi


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  • Os reconstrutores

    Os reconstrutores são artistas da alma que moldam um pedaço da criação humana e deixam a produção no forno do tempo. Eles não pretendem ter todas as respostas.  Pretendem honrar as questões.  Estão preparados par flutuar para sempre, se necessário para descobrir um  mundo melhor, para moldar a peça mais fina do planeta  (…).

    A alma de um reconstrutor está fundamentada na capacidade de olhar com carinho para o nada e saber que ali existe alguma coisa que valha a pena dar esta vida, de modo que a vida daqueles que os sucedem possa ser melhor ainda.

    Joan Chittister, “Para tudo há um tempo”, Vozes, p.  104-105


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