Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Meditação diária

abril/2026

  • A força do coletivo

    A força que nos impulsiona ao coletivo é parte da condição humana, ao lado de outros aspectos puramente humanos que insistimos em tentar não vivenciar, como a fragilidade, a imperfeição e a pequenez. Há um preconceito, uma construção de inadequação, de medo, com resistências que nos impedem de vivermos esses aspectos, que continuam a nos pressionar internamente, exigindo mudança.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • Chamados à conexão

    Fazemos parte de uma coletividade sem a qual não podemos existir, por isso é fácil identificar que há uma força que nos conduz para conexões que extrapolam o ego. Somos impulsionados a criar uma conexão maior, a fazer parte da sociedade de uma forma que a maioria ainda não descobriu.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • A alma coletiva clama

    Estamos desconectados, e a alma coletiva está pedindo mais vida e mais consciência. Ninguém aguenta mais o egoísmo que produz a guerra. Contudo, poucos de nós compreendem que esses grandes acontecimentos são parte do nosso legado, são o resultado da realidade egoísta, exterior, superficial e limitada que alimentamos a todo momento.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • Reconhecer o coletivo

    O reconhecimento do coletivo é profundamente transformador, primeiro porque dá um senso de pequenez que regenera nossa identidade de um modo inimaginável, e depois, porque amplia a noção de importância e responsabilidade que temos com o outro, em um processo muito mais amplo e recompensador do que até então vivemos.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • O verdadeiro encontro com o outro

    Todo indivíduo que se sente muito grande ou importante não se dá verdadeiramente ao outro. Ele quer, na verdade, ser visto, desejado, centralizado pelas outras pessoas. Mas, à medida que o sujeito se conhece, aprofunda-se em si mesmo e entra em contato com sua condição humana, a descentralidade egoica em que ele vive o abre para uma verdadeira relação com o outro. Com isso, há o entendimento de que as pessoas não estão ali para mim, nem eu estou em uma obrigação estéril para com o outro, em uma assimetria relacional. Nós estamos juntos!

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • Somos fruto das relações

    Se dependemos uns dos outros e, se uma parte do que somos é construída a partir desse coletivo, então a ideia de legado que obtivemos e que oferecemos está muito mais presente do que supomos. Não existe possibilidade de sobrevivência de qualquer indivíduo se ele não tiver quem o ampare no minuto após o seu nascimento e durante a maior parte da sua vida. O ser humano se constrói a partir das relações, das intenções, daquilo que lhe é legado.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • O legado da desconexão

    Se fazemos essa opção por não enxergarmos o outro, se nos desconectamos daquela energia de transcendência, deixamos um legado muito parecido com o que recebemos: de escassez interior, de pobreza de alma e de coletividade, de esvaziamento do sentido da vida.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • Repetição de padrões

    Os filhos muitas vezes são vitrines para seus pais, precisando demonstrar bom desempenho, bom comportamento, bons resultados. Para a nossa geração, a educação significou “colocar as crianças na linha”. Hoje temos revisto essa concepção de educação e a finalidade dela, mas ainda temos muita dificuldade em perceber que todas essas preocupações e concepções de vida são legados que nos deixaram, com ou sem intenção, e que reproduzimos irrefletidamente.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • Indiferença e vaidade

    Tanto o padrão da indiferença como o da vaidade são um pouco consequência de não sabermos como lidar com o impulso para a coletividade, seja na introversão da energia e no fechamento pessoal por medo dos riscos e das consequências, seja pelo exibicionismo que dá uma sensação de grandiosidade e pertencimento. Esses perfis de indiferença e de vaidade, embora possam parecer opostos, têm aqui a mesma base egoísta.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • A ilusão das relações perfeitas

    Nos relacionamentos, somos tão indiferentes ao outro que quando somos atendidos em alguns aspectos, mas não em outros, tendemos a descartar a pessoa, na ilusão de que encontraremos alguém que atenderá perfeitamente a todas as nossas expectativas. Obviamente tais pessoas vivem a dor da solidão, mas não porque não há ninguém que deseje se relacionar com elas, e sim porque estão tão fechadas em si mesmas que não conseguem estabelecer conexões.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • A indiferença social

    Somos indiferentes aos problemas do nosso próprio país – a seca em algumas regiões, a falta de emprego em outras – e nos afetamos com o crescimento desordenado das cidades, desejando que os “problemas” não se aproximem de nós. Em resumo: somos mais indiferentes do que supomos.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • A incapacidade de considerar o outro

    A indiferença revela a nossa incapacidade de considerar o outro, de dar um lugar e um tempo para ele em nossas vidas, por ser o outro quem ele é, um outro ser humano, independente de nós. Nossas atitudes estão tão baseadas nesse padrão que não conseguimos nem pensar fora desse enquadramento, como se esse distanciamento em relação ao outro fosse uma das regras da vida.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • Reconhecer-se humano

    A identificação do humano nos tira desses extremos prejudiciais, afinal, quem se inferioriza, se diminui, desmerece a própria identidade e não consegue se ver como parte desse mundo, do mesmo modo que o indivíduo que se idealiza também perde o contato com a realidade da qual faz parte.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • O que temos a oferecer

    Ao não se perguntar qual é o seu legado, vulgarmente falando, você dá um tiro no próprio pé. Ao mesmo tempo que nega que tenha algo de seu para ser ofertado ao outro (seu tesouro), também se recusa às conexões com as pessoas e com o futuro, que são essenciais para o seu próprio bem-estar psicológico e social.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • A responsabilidade do legado

    Sem perceber, estamos nutrindo uma sociedade cada vez mais autocentrada, pois, na exata medida em que não me sinto importante nem pertencente a algo, preciso fazer tudo por mim mesmo. E aqui é outro indiferente que se lança ao mundo, em uma sensação de desamparo e constrangimento do tipo: “se eu não fizer por mim, ninguém fará”. A sociedade assim tem sobrevivido, com o outro se sentindo como um náufrago, à deriva, em busca do mínimo para sua sobrevivência psíquica, tão atordoado com a sua desconexão e os seus conflitos que também se faz indiferente aos demais.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • A sociedade autocentrada

    A vaidade se pauta no forte desejo de admiração, sendo sinônimo de ostentação e exibicionismo. Por isso afirmei que não faz sentido alguém dizer que “Todos precisam de uma certa dose de vaidade”. Todos certamente precisam de asseio, de autocuidado, mas não de vaidade, embora ela esteja presente na vida de praticamente todos nós.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • O perigo da vaidade

    A vaidade se pauta no forte desejo de admiração, sendo sinônimo de ostentação e exibicionismo. Por isso afirmei que não faz sentido alguém dizer que “Todos precisam de uma certa dose de vaidade”. Todos certamente precisam de asseio, de autocuidado, mas não de vaidade, embora ela esteja presente na vida de praticamente todos nós.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • Os danos invisíveis da vaidade

    A vaidade, assim como a indiferença, tem um legado pesado, que é deixado sem ser percebido. Quando somos movidos pela vaidade, produzimos mais danos do que supomos, mas, como eles são psicológicos, emocionais, parece que podem ser despistados – obviamente que só a curto prazo. O centramento no desejo de ser visto produz um esvaziamento do lugar que damos ao outro e a nós mesmos.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • A perversão dos valores

    O legado da vaidade tem sido a perversão dos próprios valores, pois a meta a ser alcançada é o elemento principal, e parece que quase tudo é válido para se obter a meta. Quando desejamos nos promover por meio de um legado, o centramento está em nós, muito mais do que no outro, e por isso há uma perversão da própria definição de legado.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • O custo do destaque

    O legado da vaidade é o empoderamento dos grandes à custa das relações, em um “salve-se quem puder” que também produzirá danos para nós mesmos. A busca pelo destaque e pela conquista que repercutirão no tempo e nos farão ser lembrados ao longo dos anos deixa um outro legado silencioso que precisa ser reconhecido por todos nós.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • A realidade que negligenciamos

    Esses são só alguns exemplos para explicitar um pouco do nosso funcionamento e da forma como empenhamos o conhecimento e a inteligência. Tendemos a dar mais atenção àquilo que não é comum ou que está distante de nós, com grandes dificuldades de enxergarmos a verdadeira realidade de que fazemos parte, a que estamos submetidos e que construímos todos os dias, negligenciando graves problemas psíquicos, relacionais e sociais e, por fim, normalizando-os.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • Feridas que se repetem

    Os adultos trazem inconscientemente suas feridas não curadas, seus medos, suas dores, e projetam seus conteúdos nos filhos, sem conseguir realmente perceber o que poderia ser diferente. Não existe nem a concepção de “o meu ou o seu jeito”, pois é considerada apenas a MINHA forma de agir como a correta. Então, “para o bem do outro,“será assim e pronto!”

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • O diálogo que não acontece

    Muitas relações não têm mais do que conversas infrutíferas, porque a preocupação não é adentrar o mundo da pessoa com que se dialoga para compreender seus sentimentos e o que é estar na pele dela. Queremos expor nosso próprio ponto de vista e esperamos que o outro acolha isso. Desejamos provar para o outro nossa própria tese, e quem tem melhores argumentos e maior poder de persuasão que vença a batalha.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • Submissão não é transformação

    Submeter-se não é o mesmo que transformar-se. Há pessoas que estão se submetendo, e por isso, estão se machucando muito mais do que imaginam, por vezes até se traumatizando. Elas levam a relação entre ganhos e perdas, sem aprender uma dinâmica interior mais saudável, quase em um “bate e apanha”, cansativo e desgastante, que ao longo dos anos termina por esvaziar a relação.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • A ajuda que alimenta o ego

    Oferecer algo ao outro pode ser também uma forma de alimento para o nosso egoísmo: eu me sinto melhor por ser o que ajuda, por estar em um lugar de superioridade, por ser o maior ou o melhor. Afinal, se o outro não nos reconhecer, ou não nos agradecer, ficamos um tanto desapontados, quando não enraivecidos.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • A naturalização do egoísmo

    Somos egoístas. Isso para mim é inegável após anos analisando o comportamento humano e acompanhando a vida de centenas de pacientes. O que ainda me assusta não é isso, mas sim a naturalização do egoísmo, fazendo com que ele se torne invisível e, por consequência, inatingível.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • Aprender a suportar

    É necessário utilizarmos os recursos ao nosso alcance para não sermos destruídos por alguns pensamentos que destrambelham o ser humano, especialmente em determinadas fases mais críticas da vida. No entanto, ao mesmo tempo que não podemos ser simplesmente dragados por eles, não podemos querer eliminá-los por completo, achando que a adaptação comportamental tem o poder de transformar a dinâmica psíquica. Precisamos achar um equilíbrio para transitar por essas forças que estão em nós, sem negá-las e sem sermos tomados por elas. Em alguma medida, devemos aprender a nos sustentar em determinados lugares existenciais, mesmo com angústia ou com desconforto – é o que tanto eu falo do “aprender a suportar”.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • A pobreza interior do egoísmo

    O egoísmo revela um estado de pobreza interna, de falta, de escassez. Não é a maldade, e nem sei se essa maldade realmente existe. O egoísta, no fim, é um desconhecido de si mesmo, que nem sequer acredita ter o que dar e por isso age desesperadamente, na tentativa de se nutrir com algo que nem ele sabe direito que lhe falta, e por isso se atrapalha tanto nas relações, buscando preenchimento e centralidade em tudo.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • Usar o outro para existir

    Podemos dizer que o egoísta vive um estado de descentralidade interior tão grande que é capaz de usar do outro, mesmo daqueles que ama, para sentir-se importante, para ter uma sensação de centro, de valor, de existência. Se assim não o fosse, ele simplesmente ofereceria o que tem, sem jamais se ressentir ou esperar recompensa ou retribuição.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)

  • A fome insaciável do egoísmo

    O egoísmo faz querer para si desgovernadamente, como o animal faminto que, movido pelo instinto, não raciocina, em busca de sobrevivência. Contudo, como nada de fora o alimenta, diferentemente do animal, que saciado se torna inofensivo, o egoísta nunca se sente saciado, e por isso se perde cada vez mais, contrariando em atitudes até os conhecimentos que tem ou a filosofia de vida que assumiu.

    Qual é o seu legado? Compromisso, entrega e autodescobrimento (Marlon Reikdal, 2022)