Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Meditação diária

agosto/2026

  • “Hoje estarás comigo no Paraíso”

    Ao ser assassinado; ele dá a vida.  Nos últimos instantes em que tudo se cumpria, quando seus olhos ainda conseguiram discernir o rosto desumano de seus inimigos marcado de ódio e desprezo, sua última palavra  o situa no mais alto grau do amor e da liberdade:  “Pai, perdoa-lhes”.

    Este é o desafio e a aposta do Evangelho de  Jesus.  Face à  hostilidade  do mundo, diante  do ódio e da mentira, da zombaria de seus  opressores, no desespero dos oprimidos  os cristãos não se amedrontam.  Colocam-se de pé,  como  Jesus, diante de Pilatos, com amor, doçura e o perdão como o  mais  prestigioso  de todos  os poderes.

    Jacques Leclercq


    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

  • Pelos formadores

    Um antigo e precioso livro de espiritualidade que tive diante de  meus olhos sugeria a seguinte prece:  Por todos os que formam e orientam os outros: professores, pensadores, romancistas, jornalistas e políticos.  Confesso que fiquei com vontade de rezar por eles, o que não deixei de fazer.

    Formadores das novas gerações (pais, orientadores nos seminários): que não se enganem nem os engane. “Percam” tempo. Amem seus educandos. Imaginem o de melhor para eles. Caminhem com eles sem abafá-los. Mostrem claridade. Não sigam apenas manuais de coisas certinhas.

    Professores… sei que sua vida não é fácil.  Com seu jeito de falar, de  olhar…  de…  não sei o que… transmitam alegria e confiança na vida.  Que seus alunos não se apequenem.  Professores mas também testemunhas vivas de confiança  no amanhã.


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  • Isolamento do ato de morrer

    São muitos os familiares, os sacerdotes e os amigos do enfermo que se esforçam em acompanhá-lo de perto, para de alguma  forma  aliviar a sua dura experiência. Contudo, o ato de morrer vai se tornando cada vez  mais um acontecimento solitário e privatizado. Já não se morre no ambiente familiar do lar, mas no hospital. A morte  vai ficando confinada ao mundo dos profissionais. Hoje, em geral, rodeado de uma assistência técnica cada vez mais sofisticada, mas mais privado da proximidade e do afeto de seus entes queridos.  Esta solidão do moribundo, abandonado a si mesmo com seus medos, incertezas e angústias, é uma das consequências mais cruéis  de uma morte “tecnicizada”  que vai provocando cada vez mais interrogações.

    José Antonio Pagola


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  • Dignidade humana

    Século XXI, progressos em cima de progressos.  Estamos  bem longe de tanta precariedade vivida no passado.  Quase não acreditamos que vivemos tão simples, modesta e pobremente na década de  50 do século passado.  Ouvimos muitos elogios aos tempos modernos.   Não podemos esquecer, no entanto, que a dignidade da pessoa humana, de muitos modos e maneiras, vem sendo  grandemente desrespeitada:  violência, indiferença, pisoteamento.

    “Só há uma norma pela qual  uma época  pode ser justamente julgada: em que medida ela permitiu o desenvolvimento da dignidade humana”. (Romano Guardini)


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  • Bem perto de todos

    Não podemos viver encastelados em nosso mundo. Existimos na medida em que nos relacionamos. Nem sempre, é verdade, conseguimos desvencilharmos de nós mesmos. Será imprescindível buscar os outros quando for  conveniente e possível.  Sempre rezar por eles.  Colocá-los junto do coração de Deus.


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  • Oração, experiência de amor

    Na oração, trata-se de pressentir de que amor somos amados.  Não somos nós  que nos achegamos à oração. Nada mais fazemos do que  responder a um pedido de  Deus. Rezar é fazer a experiência do amor,  deixar  espaço para  Deus, deixá-lo ser Deus em nós  como ele nos deixa ser homens.  Isso pede tempo,  muito mais do que uma ou duas  horas por dia. A oração é uma questão  para toda a vida.

    Uma religiosa carmelita


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  • Francisco, o homem do futuro

    O que me importa na vida de Francisco é o que ela nos traz, sua mensagem para hoje. Numa vida, nem tudo tem a mesma importância. Nem tudo é igualmente original e criador. Há na vida de Francisco aspectos que refletem pura e simplesmente seu tempo. Ele pertenceu a uma época e por ela foi marcado. Mas o que me interessa nele é o homem do futuro, o homem que vê além de seu tempo. É a imensidade de sua visão que ultrapassa os limites de uma época.  Tomás de Celano, seu primeiro  biógrafo escreveu: Parecia  um outro homem, um homem e outro mundo. É esse homem que me interessa profundamente.

    Éloi Leclerc, OFM, “O sol nasce em Assis”,  Vozes, p. 53.


    Organização: Frei Almir Guimarães

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  • Realmente um homem novo

    Um grande historiador  francês escreveu estas  audaciosas  palavras:  “De parceria com Cristo,  foi  Francisco  o grande herói da história cristã.  Pode-se afirmar sem exagero  que o que hoje resta do cristianismo vivo,  provém diretamente dele”

    George  Duby,  “Le temps des  cathédrales”, Gallimard,  1976, p.  170.


    Organização: Frei Almir Guimarães

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  • Celano descreve Francisco (I)

    Que belo, que magnífico  e glorioso era ele na inocência de sua vida, na  simplicidade de suas  palavras, na pureza do  coração, no amor a Deus, na caridade fraterna, na obediência pronta, no trato cortês e afetuoso, na candura angélica do semblante! Tinha maneiras finas, era meigo, afável, oportuno em exortar, fidelíssimo em cumprir, avisado e arguto no aconselhar, eficaz no agir, a tudo imprimindo graciosidade. Espírito sereno e sóbrio, alma delicada, de índole  contemplativa e oração constante, em tudo punha entusiasmo e fervor. Tenaz nos propósitos, firme na virtude, perseverante na graça e sempre igual a si mesmo. Pronto para o perdão, tardo para a ira, engenho arguto, memória feliz discorria com sutileza, era ponderado nas decisões  e simples em tudo. Rigoroso consigo próprio, indulgente com os demais, discreto com todos.

    1Celano 83


    Organização: Frei Almir Guimarães

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  • Francisco, o santo mais interpretado

    E  por  isso  mesmo o mais desfigurado,  convertendo-se assim num  santo enigmático. O Pobrezinho causa impacto por sua simpatia,  simplicidade,  humanidade e bondade, inclusive por suas contradições.  Evoca serenidade,  humanidade e poesia.  Cativa por sua  nobreza, ternura e desprendimento.  Soube sincronizar admiravelmente  santidade com poesia, canto com sofrimento, alegria com pobreza. Amabilidade com austeridade. Evangelho  com humanidade.  Imanência  com transcendência.  Mística com  ação.  Religião com os problemas mais sangrentos da vida.

    Frei José  Antonio Merino, OFM, Encarte  da  Revista Vida Nueva, Madri, n.2663


    Organização: Frei Almir Guimarães

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  • Celano descreve Francisco (II)

    Eloquente por natureza, de aspecto jovial e acolhedor,  jamais foi indolente ou arrogante. Média estatura, mais baixo que alto, cabeça regular e redonda,  rosto um tanto comprido e saliente,  testa plana e pequena,  olhos regulares, negros e límpidos, cabelo escuro, sobrancelhas  retilíneas,  nariz equilibrado e afilado,  orelhas sobressaídas mas pequenas, têmporas achatadas.

    1Celano  83


    Organização: Frei Almir Guimarães

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  • Francisco, querido de todos

    Amigo de todas as criaturas e de toda a criação, Francisco espalhou tanta solicitude, compreensão fraternal a todos, caridade no sentido mais elevado, quer dizer, amor que a história como que lhe deu, troca a mesma simpatia e admiração afetuosa e geral. Todos os que falaram dele ou sobre ele escreveram – católicos, protestantes, não cristãos, incréus – foram tocados e frequentemente fascinados por seu encanto.

    Jacques  Le Goff, “São  Francisco de Assis”, Record, p.44


    Organização: Frei Almir Guimarães

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  • Celano descreve Francisco  (III)

    Língua pacificadora, ardente e penetrante, voz vibrante e doce, clara e sonora; dentes compactos, alinhados e brancos; lábios pequenos e finos; barba negra e rala, pescoço esguio, ombros direitos, braços curtos, mãos finas, dedos compridos, unhas acaneladas; pernas delgadas, pés pequenos, pele fina e enxuto de carnes. Vestia rudemente, dormia pouco e era extremamente generoso. Humilde como era mostrava-se manso com todos, a todos os feitios se acomodava. Sendo o mais santo de todos os santos, entre os pecadores era como um deles.

    1Celano 85


    Organização: Frei Almir Guimarães

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  • Quando o menino nasceu  (I)

    Aconteceu que  no ano do Senhor 1182 (ou, segundo a opinião de outros, 1181), Dona Pica deu à luz um menino em  Assis,  ocasião em que  seu marido viajava lá pelo país dos  franceses. A mãe decidiu colocar o nome de João no garoto. No dia desse acontecimento um velho peregrino que ninguém conhecia entrou na casa e pediu para ver a criança. Tomou-a em seus braços, contemplou-o  com ternura e arrebatamento e o cumulou de elogios que todos puderam ouvir, predizendo para o recém-nascido  grande e glorioso  destino. Pouco depois, o menino foi batizado  na catedral com o nome de João (Giovanni).

    Hemann Hesse, “François d’Assise”, Ed.  Salvator,  Paris, p. 19-20


    Organização: Frei Almir Guimarães

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  • Quando o menino nasceu (II)

    Quando  Pietro  Bernardone voltou de viagem, pouco tempo depois do nascimento do menino, chamou-lhe de Francisco e ele guardou este nome para sempre. O pai lhe deu esse nome, pode-se supor, pela sua “queda” pelo país da França e pelo estilo francês. Francisco aprendeu desde muito cedo a língua gaulesa da qual mais tarde se serviu  de bom grado.

    Hemann  Hesse, “François d’Assise”, Ed.  Salvator,  Paris, p. 20


    Organização: Frei Almir Guimarães

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  • A instrução de Francisco

    O garoto cresceu  sem receber grande instrução. Ensinaram-lhe os rudimentos da escrita e do latim. Quem  sabe, sem  muita  profundidade. Ao longo de sua vida deve ter pegado a caneta meio a contragosto e sempre com muita dificuldade. Não fora feito para ser um sábio e apreciava muito mais os prazeres de seus jovens anos e olhava impávido cada dia o que Deus fazia porque tinha um temperamento alegre e luminoso e um coração aberto a tudo o que era belo e festivo.

    Herman  Hesse, “François d’Assise”, p. 21


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  • Assis que Francisco contemplava

    A geografia e a história da Assis de Francisco com naturalidade lhe compuseram o cenário e o meio ambiente  íntimos que mostram com nítida evidência as ligações profundas que o uniam à sua terra: a cidade, Assis à beira das estradas, em contato com a planície e a montanha, ao alcance do homem e perto da solidão; à sua Úmbria propícia  às caminhadas por montes e por vales, cheia de silêncio e de ruído, de luz e de sombra, agrícola e mercante, fervilhante de um povo  simples e profundo, tranquilo e apaixonado, ardente por dentro, mas às vezes soltando  bruscas fagulhas, afinado com as árvores, a terra, os rochedos, os riachos sinuosos, rodeado por um mundo de animais  nobres e familiares – os carneiros, os bois, os burros, os pássaros  -, entre os quais especialmente a pomba, a gralha, a gralha miúda à qual ele pregava, o falcão, o faisão, as laboriosas abelhas e a cigarra humilde que vinha cantar na sua mão.

    Jacques Le Goff, “São  Francisco de Assis”, Record,  p. 44


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  • Admirado por todos

    Gérard Guitton,  frade menor francês, reuniu num delicioso opúsculo opiniões de uns outros sobre  Francisco. O agnóstico  Ernest Renan  diz: “Deve-se dizer  que depois de Jesus,  Francisco de Assis  foi o único cristão  perfeito”.  Outro autor agnóstico,  André Malraux: “Será que se pode  dizer que Francisco de Assis na história da Igreja tenha sido  o ultimo  gigante em santidade? Sem dúvida, depois dele, houve outros, mas nenhum deles conseguiu unicamente por sua força espiritual revolucionar o mundo ocidental e a civilização com ele fez inspirando um arte completamente  nova”. Guitton cita ainda Lenine, o líder soviético: se tivesse encontrado três ou quatro Francisco de Assis não teria havido razão para a revolução na Rússia. Clemenceau teria afirmado que gostaria de ter em seu sangue  algumas gotas do sangue de  Francisco.

    Gérard  Guitton, “Découvrir Saint  François”, Salvator,  Paris,  p  10


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  • Francisco é um mistério

    Francisco já o era para seus contemporâneos, continua sendo para nós. Um mistério não pode ser desnudado  levianamente. Do contrário se se destruiria o enigma e, com ele, a realidade. Ele mesmo disse que as graças que ele recebeu não podiam ser expostas. Era precisa guardar os segredos do Rei. O mistério haverá de ser respeitado em sua insondável profundidade e tensão. Diante do mistério é preciso calar, entrar em contacto com ele.

    Joseph  Lortz


    Organização: Frei Almir Guimarães

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  • A cidade onde nasce Francisco

    Quando um historiador se põe a redigir um texto sobre Francisco precisa lembrar-se de muitos detalhes, mais do que detalhes. Jacques  Le Goff nos situa Francisco em seu tempo: Era na Itália dilacerada entre o papa e o imperador, cidades voltadas umas contra as outras, nobreza e povo, tradições rurais e o progresso de uma economia cada vez invadida pelo dinheiro, e que também o ligavam à sua época, esse tempo trepidante do avanço urbano, da inquietude herética, do ímpeto prestes a ser quebrado pela Cruzada, da poesia sensível, também dilacerada entre a brutalidade  das paixões e os sentimentos refinados.

    Jacques Le Goff, “São  Francisco de  Assis”, Record, p 45


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  • Francisco, o homem dos desejos

    São Boaventura  definiu Francisco o “varão dos desejos”. O desejo é um impulso inacabado de ação e de projeção para horizontes insuspeitados. O jovem assisense se sentia habitado por um irresistível desejo de glória, de fama, de chegar a um lugar importante. É a expressão evidente do desejo de um ser imortal. Não se sentia nada bem com a mediocridade. Essa erva  cresce abundante no homem trivial e cômodo. O anseio de eternizar-se leva as pessoas a ações heroicas e  insuspeitadas loucuras. Quem sente esse desejo “eternizante” se mete a caminho rumo ao inédito e o inesperado. Sempre arrisca e não deixa de  sonhar. Francisco era um grande sonhador e rico em fantasias oníricas.

    Frei  José  Antonio Merino,  OFM, Encarte da revista  Vida Nueva,  Madri, n. 2663


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  • Francisco, o multifacetado

    Francisco é uma dessas figuras das quais a humanidade sempre sentirá orgulho. Suas qualidades forçam simpatia;  seus defeitos, se os tem, são atraentes; sua santidade nada tem de exotérico, afetado ou ameaçador; seus dons  naturais suscitam admiração; e seus ensinamentos exalam tal frescor, poesia e serenidade, que mesmo Os espíritos embotados podem encontrar nele razões de amar a vida e crer na bondade divina.

    Vida de São  Francisco de  Assis, “Omer Englebert”, Edições  EST,  Porto  Alegre,  p. 9


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  • Operários da messe

    Cumpridos 1207 desde a encarnação do Senhor, no dia 16 de abril, vendo Deus que seu povo redimido pelo sangue  precioso de seu Filho único, esquecera os seus preceitos e correspondia aos benefícios com a ingratidão; tendo compaixão dele por largo tempo,  ainda que fosse digno de morte, mas a sua conversão e vida; movido pela sua clementíssima misericórdia, resolveu mandar obreiros para a sua messe.

    Iluminou um homem, que vivia na cidade de Assis, de nome Francisco e mercador de profissão, dissipador fútil das riquezas deste mundo.

    Anônimo Perusino, 3


    Organização: Frei Almir Guimarães

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  • Muitos falaram de Francisco

    Poderá alguém ter a pretensão de descobrir tudo a respeito de São Francisco? Incontáveis biografias de antigamente e de nossos dias. Filmes a seu respeito foram mostrados nas grandes salas de cinema. O Poverello (como ele mesmo gostava de se chamar) tem uma particularidade: vai muito além de sua popularidade ou de sua legenda (também de sua lenda). Faz parte de uma espécie de imaginário cristão. Mesmo sem terem lido sua vida, muitos acreditam conhecê-lo e o designam por diferentes nomes: o Pobrezinho de Assis, o Poverello, o santo da perfeita alegria, o que falou aos pássaros e converteu o lobo de Gubbio e também o primeiro cristão que encontrou um sultão muçulmano pacificamente no curso de uma Cruzada no Egito.

    Gérard  Guitton, “Découvrir Saint  François  d’Assise”, Ed.  Franciscaines  p.11-12


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  • Aspirações do pai de Francisco

    Nas aspirações paternas, Francisco estava destinado a tomar, no momento oportuno, as rédeas da grande atividade comercial da família. Como parece resultar da Legenda  dos Três Companheiros, a mais próxima de Assis e das aventuras  da cidade. Francisco nos é apresentado como um ativo e hábil colaborador do pai, um comerciante já bem estabelecido (…). Na Idade Média, estava-se maduro para a vida política, militar e à dos negócios muito mais cedo  do que hoje: pelos vinte anos já se considerava homem feito, já se tinha completado a formação. E isto acontece com  Francisco na loja do pai, onde vende, age, trabalha – parece com plena e completa autonomia e harmonia com a família.

    “São  Francisco de Assis”, Raoul Manselli, Vozes  p. 41-42


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  • Francisco, uma obra de arte

    Francisco é como  uma obra de arte. Uma obra de arte não pode ser entendida através de uma simples descrição.   Quem não a viu, ouviu ou tocou, não formará dela uma ideia adequada. Com toda explicação que se possa dar não se conseguirá transmitir a um cego de nascença, a um surdo, ou a um homem privado do olfato um conceito adequado daquilo que significa cor, som e perfume.

    Joseph  Lortz


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  • Francisco, uma figura ímpar

    Da Idade Média a nossos dias, a figura de Francisco de Assis exerceu imensa influência no que se refere às artes  e à literatura. Particularmente numerosos e diferentes constituem os ecos  do “pai seráfico” (pater seraphicus), na literatura moderna. Essa influência se estende da ideologia e da mística próprias a um Rainer Maria Rilke à visão ética e estética de Hermann  Hesse, passando pelo alegoria simbólica de Carl Zuckmayer, apologética cristã de  Gilbert Keith Chesterton, a atitude espiritual e religiosa de Felix Timmermans e a consciência cristã presente em   Reinold Schneider.

    François d’Assise et  Hermann Hesse in Herman  Hesse
    François d’Assise  Salvator  Paris, p.121


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  • Começando a entender Francisco

    Francisco é filho de um grande burguês comerciante de tecidos e viveu lucidamente todo conjunto das transformações na sociedade de sua época. Depois de seu encontro com Cristo em São Damião que transformou sua vida, toma consciência de que a única revolução possível, duradoura, é a do Evangelho, única capaz de inventar uma  nova maneira de viver. Filho de comerciante, filho do movimento comunal vai conservar consigo o gosto pela liberdade, a audácia, a novidade, a fraternidade e a mobilidade. Desvia-se, no entanto, da armadilha maior da nova sociedade: a corrida ao poder, a dominação do dinheiro. Esta a explicação de suas escolhas fundamentais:  fraternidade, igualdade, pobreza e minoridade.

    Michel  Hubaut, “Chemins d’intériorité  avec  saint François”, Ed  Franciscaines,  Paris, p.11


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  • Pelas poeirentas estradas da Toscana

    Dizer Francisco de Assis é remeter-se ao espírito de fraternidade cósmica, sentindo-se irmão e irmã de todas as criaturas. É pensar na santa humanidade de Jesus, no espírito das bem-aventuranças, no presépio, na Eucaristia, no Crucificado de  São Damião. É pensar nos hansenianos e nos pobres com quem se identificou. É pensar na peregrinação pelas poeirentas estradas da Toscana anunciando o Evangelho na linguagem popular. É pensar na alegria de viver, no Cântico do irmão sol, no irmão lobo com quem fala, nas cotovias com que reza, na morte chamada de irmã. Todo o universo feito de encantamento, de cuidado e de ternura marca a vida e a trajetória deste santo chamado de “o primeiro depois do Único e o “último cristão” de verdade.

    Leonardo Boff, “Prefácio ao livro A harpa de São Francisco”, Felix Timmermans, Vozes,   p.  9


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  • Francisco é de todos (I)

    Ele não pertence só a uma família religiosa. É um singular cristão da Igreja  que o considera como um grande fiel  que serve de modelo a quem quer viver a utopia do Evangelho. Mais ainda: é um gênio religioso no qual as demais religiões veem o grande irmão universal como o demonstram os encontros religiosos em Assis. Inclusive é  patrimônio do gênero humano uma vez que entrou no mundo da cultura e do imaginário social como inspirador de cultura e de nova humanidade. Os católicos tradicionalistas ponderam sua grande fidelidade à Igreja. Os progressistas sublinham a sensibilidade demonstrada por ele para com os pobres. Os ecologistas acentuam sua grande sintonia com todas as criaturas.

    Frei  José  Antonio Merino, OFM, Encarte da revista  Vida Nueva,  Madri, n.2263


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  • Francisco é de todos (II)

    Os laicistas de diversas tendências admiram sua simplicidade e o modo de ser cristão numa postura de grande liberdade frente às instituições, às estruturas e o modo de celebrar a liturgia. Os de direita realçam seu respeito pela hierarquia e pelas leis vigentes. Os de esquerda destacam seu amor pelos deserdados e pobres. Os chamados pensadores de fronteira veem nele a capacidade de poder viver na ortodoxia no limiar da heterodoxia.

    Frei José Antonio Merino, OFM, Encarte da Revista  Vida Nueva,  Madri,  n. 2663


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