Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Meditação diária

abril/2020

  • Em torno do silêncio

    Os nossos sentidos espirituais abrem-se e maturam melhor no silêncio. Mergulhemos nele os trilhos de nosso caminho. É esse o conselho que os mestres espirituais cristãos unanimemente nos fazem…

    O conselho de Arsênio era este: “Foge. Cala-te. Permanece no recolhimento”. Poemen garantia: “Se fores realmente silencioso, em qualquer lugar em que estiveres, encontrarás repouso. João Clímaco, na primeira metade do século VII, escreveu: “O amigo do silêncio aproxima-se de Deus e, encontrando-se com ele em segredo, recebe a sua luz”. Isaac de Nínive prescrevia aos que o procuravam: “Ama o silencio acima de todas as coisas: ele te concede um fruto que à língua é impossível descrever… Dentro de nosso silêncio nasce alguma coisa que nos atrai ao silêncio. Que Deus te conceda perceber aquilo que nasce do silêncio”.

    Fonte: José Tolentino Mendonça, “O tesouro escondido”, Paulinas, p. 11-12

  • Quase no fim da Quaresma

    A Quaresma é ocasião de refletir sobre o que se possui, sobre o que é verdadeiramente necessário, sobre os bens a serem partilhados com aqueles que têm necessidade. Não se trata tanto de cumprir gestos de “caridade” que se tornam quase naturais, pois o clima em que alguns vivem é de abundância, mas de nos colocar de verdade diante de Deus Pai, e ao lado daqueles que, como nós, somos seus filhos e, portanto, nossos irmãos. Sim, o cristianismo é exigente e sempre colocou em evidência a conexão entre a caminhada na fé em seguimento ao Senhor e o modo de comportar com os bens deste mundo. Basílio Magno lembrava que “o casaco entregue às traças no teu armário não pertence a ti, mas ao pobre”. E Gregório de Nissa advertia: “… aquele que possui demais não é um irmão, mas um ladrão”.

    Enzo Bianchi

  • Uma prece

    Ó Jesus que abristes os olhos de Bartimeu, vós os abristes porque tinham sido feridos de cegueira contra a vontade. Abri os nossos olhos que se tornaram cegos com nosso consentimento, para que seja exaltada a tua glória. A lama que formaste nos revela bem que sois filho daquele que nos plasmou. Quem é semelhante a vós com respeito à nossa pessoa? Cuspiste na terra e não em nosso rosto, para nos exaltar, mas cuspi também, Senhor, nossa face e abri os olhos que nossa livre vontade fechou.

    Hino de Santo Efrém, diácono – Lecionário Monástico II, p. 383

  • Tua alegria é minha alegria

    O meu coração enche-se de alegria,
    quando sinto que o teu está em paz.
    A tua alegria gera a minha
    e a explosão de tua alegria dá saúde à alma.
    Que prazer entreter-me contigo sobre estas coisas,
    em pessoa e não por carta.
    A bem dizer, lamento minhas ocupações, quando me impedem de te ver,
    e eu sou tão feliz quando me permitem fazê-lo.
    É verdade que, muitas vezes tal oportunidade não surge, mas embora aconteça raramente, sinto então um grande prazer, porque prefiro ver-te, mesmo que só de vez em quando, do que nunca te ver.
    Espero fazer-te em breve uma visita, encontro-me em viagem, e experimento antecipadamente uma grande alegria.

    Carta de Bernardo de Claraval a sua amiga Hermengarda – Fonte: Ermes Ronchi – “Os beijos não dados”, Paulinas de Portugal, p.33

  • Ramos

    Acompanhemos o Senhor que corre apressadamente para sua Paixão e imitemos os que foram ao seu encontro. Não para estendermos à sua frente, no caminho, ramos de oliveira ou de palma, tapetes ou mantos, mas para nos prostrarmos aos seus pés com humildade e retidão de espírito, a fim de recebermos o Verbo de Deus que se aproxima (…). Em vez de mantos ou ramos sem vida, em vez de folhagens que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu verdor, prostremo-nos aos pés de Cristo, revestidos dele próprio – vós todos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl 3, 27) – prostramo-nos a seus pés como mantos estendidos.

    Santo André de Creta – Lecionário Monástico II, p. 511-512

  • 2ª feira Santa

    Meu caro judas por que te irritas com o gesto desta mulher que quebrou um frasco de perfume e que o “gastou” comigo. Ela está fazendo isso em vista de minha sepultura. Estou na iminência de terminar minha caminhada. Esse final não se apresenta suave, mas cheio de doloridas apreensões. Quero ser fiel e o serei. Quando estive junto do túmulo de Lázaro chorei. Era meu final que via no meu amigo morto e que cheirava mal. Está sendo duro. Espero que compreendas o gesto desta mulher ao beija meus pés e espargir perfume. Judas, ela está fortemente sintonizada com as batidas de me coração. Que bom que ela sinta comigo e entre em comunhão com os apertos do coração de teu Mestre, Judas. Por que te irritas?

  • 3ª feira Santa: Esse Jesus que nos encanta

    Jesus, sendo imortal, não recusa tornar-se mortal, para que inocente, morresse pela salvação dos culpados. O Senhor é batizado pelo servo; assim, o que haveria de perdoar os pecados, não recusa lavar seu corpo no banho da regeneração. Jejua durante quarenta dias e através desse jejum os outros são alimentados; sente fome para que os que estiverem com fome da palavra e da graça se saciem com o pão celeste. Enfrenta o demônio que o tenta e contenta-se de ter vencido tão forte inimigo que em nada reage além das palavras.

    Tratado sobre o Bem da Paciência de São Cipriano – Lecionário Monástico II, p. 545

  • 4ª feira Santa: Quanto o Senhor se afadigou

    Ó homem, é obvio que Deus pagou por ti um enorme preço: Senhor, ele se fez escravo; rico, tornou-se pobre; Verbo se fez homem; Filho de Deus não hesitou em tornar-se filho do homem. Lembra-te doravante de que ele te criou do nada, não te resgatou sem nada. Em seis dias, Deus criou todas as coisas, dentre as quais tu também. Mas durante trinta anos completos ele trabalhou para tua salvação. Quanto afadigou-se! Às necessidades da carne e às tentações do Inimigo, juntaram-se a ignomínia da cruz e o horror da morte! Sim, foi preciso tudo isso.

    Dos Sermões sobre o Cântico dos Cânticos – São Bernardo, abade – Lecionário Monástico II, p.537

  • 5ª feira Santa: Adorável quinta-feira

    A Eucaristia e o lava-pés são duas ações diferentes, dois atos sacramentais, duas cenas que dizem a mesma realidade. Jesus oferece sua vida e, livremente e por amor, vai para a morte fazendo-se escravo. Por isso, bem como ao gesto eucarístico, faz sequência ao lava-pés um mandamento: “Como eu vos lavei os pés, fazei-o vós também” ( Jo 13, 15). Se a Igreja quer ser a Igreja do Senhor, é assim que deve fazer, por obediência ao seu mandado: partir o pão, oferecer o vinho, lavar os pés na assembleia dos fiéis e na história dos homens.

    Enzo Bianchi

  • Sexta-feira da Paixão do Senhor: O suave perfume da cruz

    Senhor, quero sentir o perfume da tua cruz, como o ladrão que disse: Senhor, lembra-te de mim quando entrares em teu reino (Lc 23,42). Será que este ladrão te viu restituir a vista aos cegos e ressuscitar os mortos? Será que ele não te adorou? Mas, quando te vê suspenso no madeiro, ele te adora: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. O que teus milagres não puderam fazer, o fez a tua cruz. Ele te reconheceu com maior certeza e mais perfeitamente sobre a cruz do que na pregação e nos milagres. Ó poder da cruz, ó triunfo do crucificado! Desde que viu o madeiro, o homem reconheceu teu reino. Vendo-te crucificado compreendeu que eras rei. Ó perfume da cruz, que dissipas as dúvidas! Senhor! – exclama o ladrão, vendo com seus olhos o preço com que Deus o resgatou.

    Das Orações de Santo Anselmo – Lecionário Monástico II, p. 594-595

  • Sábado Santo: Que está acontecendo hoje?

    Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Grande silêncio, porque o Rei está dormindo; e a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

    De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo
    Lecionário Monástico II, p. 606

  • Páscoa do Senhor: A noite brilhava como o dia

    Um só grão foi semeado e o mundo inteiro alimentado.
    Imolado como homem, voltou à vida como Deus, dando a vida ao universo.
    Como ostra foi esmagado e como pérola adornou a Igreja.
    Como ovelha foi sacrificado e, como um pastor com o cajado, expulsou com a cruz a tropa dos demônios.
    Como uma lâmpada no candelabro, extinguiu-se na cruz e, como o sol, levantou-se do túmulo.
    Presenciou-se um duplo prodígio:
    Enquanto Cristo estava sendo crucificado, o dia era encoberto pelas trevas; e, enquanto ressurgia, a noite brilhava como o dia.

    Das homilias de Santo Astério de Amaseia, bispo – Lecionário Monástico III, p. 21

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