Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Meditação diária

novembro/2022

  • Os sinos

    Os sinos têm por finalidade lembrar-nos que Deus só é bom, que a ele pertencemos, que não vivemos para este mundo. Invadem nossas ocupações, de maneira a nos recordar que tudo passa e que nossas preocupações são sem importância. Falam-nos da nossa liberdade, que as responsabilidades e os cuidados passageiros nos fazem esquecer. São a voz de nossa aliança com Deus do céu. Os sinos nos dizem que somos o verdadeiro templo do Senhor. Chamam-nos à paz com Ele no mais íntimo de nós mesmos. No final da bênção dos sinos das igrejas, lê-se o evangelho de Maria e Marta para que se possa recordar todas essas coisas. Dizem os sinos: os negócios não têm importância. Repousa em Deus e regozija-te, pois esse mundo é apenas figura e promessa de um mundo futuro, e só os que são desapegados das coisas transitórias podem possuir a substância de uma promessa eterna.

    Thomas Merton, Na liberdade da solidão, Vozes

  • Jesus abriu a porta da esperança

    “O Dia de Finados tem esse duplo sentido: primeiro, o sentido da tristeza. O cemitério é triste, nos lembra os nossos entes queridos que morreram e nos recorda o futuro: a morte. A esta tristeza nós trazemos flores como sinal de esperança. Esta tristeza se mistura com a esperança. É o que todos nós sentimos hoje nesta celebração. A recordação de nossos entes queridos e a esperança. Mas também sentimos que essa esperança se ajuda porque também nós devemos fazer este caminho, todos nós, antes ou depois, mas todos. Com dor, mais dor ou menos dor, mas com a flor da esperança. Com aquele fio forte ancorado ao lado de lá. Esta âncora, a esperança da ressurreição não decepciona.Quem percorreu primeiro este caminho foi Jesus. Nós percorremos o caminho que Ele percorreu. Com a sua Cruz ele nos abriu a porta da esperança, nos abriu a porta para entrar onde contemplaremos Deus”.

    Papa Francisco, Dia de Finados, 2016

  • A novidade do Evangelho

    Para vinho novo, odres novos! A novidade do Evangelho. Que nos traz o Evangelho? Alegria e novidade. Para a novidade, novidade; para o vinho novo, odres novos. E não tenhais medo de mudar as coisas segundo o Evangelho. Por isso, a Igreja pede-nos a todos nós algumas mudanças. Pede-nos que ponhamos de lado as estruturas caducas: não prestam! E que tomemos os odres novos, os do Evangelho. O Evangelho é novidade! O Evangelho é festa! E só se pode viver o Evangelho com um coração alegre e com um coração renovado. Demos espaço à lei das bem-aventuranças, à alegria e à liberdade que a novidade do Evangelho nos traz. Que o Senhor nos dê a graça de não permanecermos prisioneiros, a graça da alegria e da liberdade que nos traz a novidade do Evangelho.

    Papa Francisco, Meditação matutina na capela de Santa Marta, 2014

  • Os pobres de Javé

    A característica fundamental da espiritualidade dos Pobres de Javé, conforme vem expressa nos salmos, consiste antes de mais nada num profundo sentido de Deus. Quase sempre desprezados pelos ricos e poderosos, esses pobres só tinham como único recurso o próprio Javé. O Onipotente constituía para eles a única riqueza, o único refúgio. Por isso lhe expunham a sua angústia e se entregavam totalmente a ele. Na adoração do Único, encontravam paz, acolhimento e força

    Éloi Leclerc, Caminho de Contemplação, Editorial Franciscana de Braga(Portugal)

  • Participar da Missa e comungar

    Entendem bem os fiéis que julgam incompleto participar da Eucaristia sem comungar. O normal é que todos os que vêm à celebração eucarística tenham no seu interior o desejo de comungar e com ele a disposição fundamental de arrependimento dos pecados e a vontade de comunhão com toda a comunidade. Por isso é normal que todos comunguem. Não tem muito sentido vir à missa por pura obrigação e ficar nela como se assistisse a uma cerimônia estranha à sua interioridade e vivência. Ainda pesa certa compreensão mágica do ritual da Eucaristia cujo efeito se produz independente das disposições subjetivas da pessoa. Cumpre-se um dever kantianamente, como se paga uma dívida na farmácia, até mesmo a contragosto.

    J.B. Libânio, “Como saborear a celebração eucarística?”, Paulus

  • Diante do enfermo

    O doente é um ser cujo corpo está ferido, deteriorado, debilitado, mas nem por isso esse corpo perde a sua dimensão sacramental. Este corpo mal tratado, dolorido, talvez agonizante, continua a ser para o doente um grande meio de expressão e de comunhão e de encontro com os outros. Através de seu olhar, dos seus olhos suplicantes, de seu rosto marcado pela dor, das lágrimas, da sua respiração entrecortada ou de seu sorriso o enfermo revela-se e comunica com os que o rodeiam. Mais: precisamente porque se encontra numa situação-limite, os gestos do homem doente podem adquirir uma força expressiva particular. Se, por um lado, o doente está a viver talvez experiências únicas na sua vida ( incerteza, desamparo, medo, insegurança, necessidade de acolhimento e compreensão, proximidade do fim…), por outro, o seu corpo vai se debilitando e deteriorando cada vez mais. Precisamente por isso, os menores gestos, os olhares e os movimentos mais imperceptíveis podem, frequentemente, adquirir uma densidade sacramental e uma força expressiva ainda maiores.

    José Antonio Pagola, “Ide e curai – Evangelizar o mundo da saúde e da doença”, Paulus

  • Parar, olhar, escutar

    Parar, olhar, escutar, diziam placas de aviso nos antigos cruzamentos de trilhos de trem na cidadezinha em que nasci.
    É uma boa sugestão quando lidamos com gente, em especial com os filhos pequenos e adolescentes. (Com o parceiro e a parceira também.) O equilíbrio entre duas posturas é, como sempre, ideal e difícil: nem aflitos demais transmitindo insegurança, nem demais alienados, dando a impressão de desinteresse. A intuição, melhor que qualquer outra coisa, pode nos ajudar a encontrar o meio-termo mais positivo. (Se fosse preciso optar, eu preferiria rigor a omissão.)
    Porém, pensamos que basta nos importarmos com o desenvolvimento do filho: peso, altura, saúde, alimentação. Quanto muito além disso uma boa educação e gentileza – e já é um luxo, porque ignoramos que os filhos, mesmo pequenos, são capazes de ter civilidade.
    Temos medo de lhes pedir demais, temos pena de que tenham que ser treinados a usar o vaso sanitário e escovar os dentes. Por alguma razão, julgamos os nossos filhos uns pobrezinhos e incapazes; nem nos ocorre observar o suficiente para ver: uma criança distingue e analisa, e, mais que isso, pensa – atividade enfadonha que atribuímos aos adultos.

    Lya Luft, “Múltipla escolha”, Record, 2010

  • Encontrar a resposta

    A vocação humana transcende qualquer profissão e qualquer posição de liderança. O exercício de quaisquer profissões e a ocupação dos melhores cargos da estrutura organizacional ainda não será nada se não tivermos plena consciência de quem somos e de qual é o nosso propósito neste mundo. Cada ser humano tem uma missão a cumprir e, certamente, ultrapassa as fronteiras das organizações onde se trabalha; é imensamente maior do que se pode supor. É preciso, portanto, que cada um de nós perscrute, interrogue-se a si mesmo, como fazia Francisco de Assis em suas longas reflexões e questionamentos a Deus: “Senhor, que queres que eu faça?” Devemos encontrar a resposta sobre nossa missão a fim de que, ao final da jornada, possamos ter a consciência de que fizemos o que era para ser feito e de que o mundo ficou melhor porque passamos por aqui.

    Robson Santarém, “A Perfeita Alegria, Francisco de Assis para líderes e gestores”, Vozes

  • Humildade

    A humildade é o fundamento de todas as outras virtudes, portanto, na alma em que essa virtude não existe, não pode haver nenhuma outra virtude, exceto na mera aparência.

    Santo Agostinho

  • Criador inefável

    Tu que és a fonte verdadeira da luz e da ciência, derrama sobre as trevas da minha inteligência um raio da tua claridade. Dá-me inteligência para compreender, memória para reter, facilidade para aprender, sutileza para interpretar, e graça abundante para falar.

    Meu Deus, semeia em mim a semente da tua bondade. Faz-me pobre sem ser miserável, humilde sem fingimento, alegre sem superficialidade, sincero sem hipocrisia; que faça o bem sem presunção, que corrija o próximo sem arrogância, que admita a sua correção sem soberba, que a minha palavra e a minha vida sejam coerentes.

    Concede-me, Verdade das verdades, inteligência para conhecer-te, diligência para te procurar, sabedoria para te encontrar, uma boa conduta para te agradar, confiança para esperar em ti, constância para fazer a tua vontade.
    Orienta, meu Deus, a minha vida, concede-me saber o que tu me pedes e ajuda-me a realizá-lo para o meu próprio bem e o de todos os meus irmãos. Amém.

    São Tomás de Aquino

  • Que eu seja generoso

    Ó Verbo de Deus,
    ensina-me a ser generoso,
    ensina-me a te servir
    como mereces ser servido,
    a dar sem calcular,
    a cuidar de curar as feridas,
    a trabalhar sem procurar repouso,
    a gastar meus dias sem esperar como
    recompensa outra coisa senão
    a alegria de ter feito a
    tua vontade. Amém.

    Santo Inácio de Loyola

  • O que realmente importa

    A maior parte de nossa vida está cheia de “coisas”. Gastamos nosso tempo e nossa energia comprando, economizando e buscando coisas na esperança de que nos façam felizes. Ainda assim São Paulo sugere que, se o nosso amor crescer, começaremos a entender o que realmente importa. As coisas que juntamos ou desejamos – sejam elas objetos, experiências, títulos ou poder – não nos farão felizes por muito tempo. As nossas verdadeiras “riquezas” podem ser encontradas somente em Deus e no seu amor por nós.

    Joan Guntzelman, “Buscando a Deus em momentos difíceis”, Vozes

  • Pai dos Pobres (Pater Pauperum)

    Vem, Espírito Santo.
    Ensina-nos a olhar a vida, o mundo
    as pessoas de nova maneira.
    Que aprendamos a olhar como Jesus olhava
    os que sofrem, os que caem, os que vivem sós e esquecidos.

    Se nosso olhar mudar, mudará também o nosso coração
    e o rosto de nossa Comunidade.
    Como discípulos de Jesus,
    Irradiaremos melhor sua bondade,
    compreensão e solidariedade para com os mais necessitados.
    E nos tornaremos mais parecidos
    com nosso Mestre e Senhor.

    Vem Espirito Santo.
    Faze de nós uma Igreja de portas abertas,
    coração compassivo e esperança contagiante.
    Que nada nem ninguém nos distraia
    ou desvie do projeto de Jesus:
    construir um mundo mais justo e digno,
    mais amável e feliz, abrindo caminhos
    para o Reino de Deus. Amém.

    José Antonio Pagola, Dia Mundial dos Pobres

  • Deus amigo da felicidade

    “É muito raro em nossos dias ouvir pregar sobre a felicidade. Há tempos que ela desapareceu do horizonte da teologia. Ao que parece, esqueceu-se aquela explosão de júbilo que viveu nas origens o cristianismo e acabamos ficando exclusivamente com as exigências, a lei e o dever. A impressão global que os cristãos dão hoje é de uma fé que estreitaria e angustiaria a vida do homem, que alienaria sua ação e mataria seu prazer de viver. A acusação de Friederich Nietzche, em geral, não está longe da verdade. Não temos feições de “redimidos”; parecemos pessoas mais acorrentadas do que libertadas por seu Deus. Um dos fracassos mais graves talvez seja de não saber apresentar o Deus como amigo da felicidade do ser humano”.

    José Antônio Pagola, “É bom crer em Jesus”, Vozes

  • Em torno do compromisso

    Sempre podemos encontrar desculpas para não nos comprometermos, mas o compromisso, entendido como doação a uma causa maior que o nosso eu, é um exercício de grande valor, é a base do progresso social e da melhoria das condições de vida daqueles que mais precisam. Sem compromisso não há futuro possível. O compromisso não é uma palavra da moda. Muitas vezes as pessoas o veem como uma barreira para sua liberdade e independência. Comprometer-se significa envolver-se, e consequentemente renunciar a certos territórios de liberdade pessoal, mas só por meio do compromisso a liberdade pode tornar-se realidade.

    Francesc Torralba, “O valor de ter valores”, Vozes

  • O testemunho

    A Boa Nova há de ser proclamada, antes de mais, pelo testemunho. Suponhamos um cristão ou grupo de cristãos que, no seio da comunidade humana em que vivem, manifestam sua capacidade de compreensão e de acolhimento, a sua comunhão de vida e de destino com os demais, a sua solidariedade nos esforços de todos para aquilo que é nobre e bom. Assim, eles irradiam, de modo absolutamente simples e espontâneo, a sua fé em valores que estão além dos valores correntes, e a sua esperança em qualquer coisa que não se vê e que não seria capaz de imaginar. Por força deste testemunho sem palavras, estes cristãos fazem aflorar no coração daqueles que os veem viver, perguntas indeclináveis: Por que é que eles são assim? Por que é que eles vivem daquela maneira? O que é ou quem é que os inspira? Por que é que eles estão conosco?

    Evangelli nuntiandi, n. 21

  • Crise vocacional

    “O fato é que não temos uma crise de vocações. Deus nunca deixa de confortar as pessoas. Não, não temos uma crise de vocações: temos uma crise de espiritualidade e de significado. Nenhum programa vocacional no mundo pode sobreviver a esta situação”

    Joan Chittister, OSB, “Fogo sob as cinzas”, Paulinas, São Paulo

  • Irradiemos a paz

    Não usemos bombas nem armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A paz começa com um sorriso. Sorria pelo menos cinco vezes por dia para as pessoas a quem você normalmente não daria um sorriso. Faça isso pela paz. Irradiemos a paz de Deus e tornemo-nos o reflexo de Sua luz para extinguir no mundo e no coração dos homens toda espécie de ódio e o amor pelo poder. Sorria junto com os outros, embora isso nem sempre seja fácil.

    Madre Teresa de Calcutá

  • Liderança franciscana

    O fundamento da liderança franciscana é a vida fraterna, o que significa a consciência de que todos – homens e mulheres – são irmãos e irmãs e, nesse sentido devem ser respeitados em sua dignidade e integridade. É com esta premissa que Francisco erige uma comunidade na qual ele, como líder fundador, coloca-se como servidor de todos. Ninguém sabe tudo e esta é a premissa para que permaneçamos como aprendizes durante toda a vida. Estar atento em ouvir cada um pessoalmente, levando em consideração seus conhecimentos e experiências significa respeitar e acolher contribuições que trazem para a vida de toda a comunidade. Consciente disso era muito comum Francisco ouvir seus companheiros para tomar decisões, pedir conselhos e buscar a opinião dos demais quando sentia necessidade.

    Robson Santarém, “A perfeita alegria”, Vozes

  • Cristo deve reinar no centro

    No silêncio, trata-se em última análise de uma sucessão de trono. Não sou eu que devo estar sentado no trono, não sou eu quem devo planejar como minhas ações piedosas e meus ideais religiosos poderão trazer-me um aumento de riqueza espiritual, mas é Cristo que deve reinar em mim. Não sou eu nem minhas necessidades espirituais que devem ocupar o centro, mas sim Cristo a quem eu me abandono quando me desapego de mim mesmo no silêncio, quando lhe entrego o roteiro de minha vida e quando deixo que ele atue em mim. Deixo de atribuir a mim tanta importância, desisto de agarrar-me a mim mesmo e de construir meu próprio monumento ou de pintar meu retrato ideal. Meu ideal já não é tão importante para mim. A única coisa que importa é que em mim possa agir o espírito de Deus.

    Anselm Grün, “As exigências do silêncio”, Vozes

  • Mariama

    Mariama, Nossa Senhora, mãe de Cristo e Mãe dos homens!
    Mariama, Mãe dos homens de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da Terra.
    Pede ao teu filho que esta festa não termine aqui, a marcha final vai ser linda de viver.
    Mas é importante, Mariama, que a Igreja de teu Filho não fique em palavra, não fique em aplauso.
    Não basta pedir perdão pelos erros de ontem. É preciso acertar o passo de hoje sem ligar ao que disserem.
    Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão. É Evangelho de Cristo, Mariama.
    Claro que seremos intolerados.
    Mariama, Mãe querida, problema de negro acaba se ligando com todos os grande problemas humanos.
    Com todos os absurdos contra a humanidade, com todas as injustiças e opressões.
    Mariama, que se acabe, mas se acabe mesmo a maldita fabricação de armas. O mundo precisa fabricar é Paz.
    Basta de injustiça!
    Basta de uns sem saber o que fazer com tanta terra e milhões sem um palmo de terra onde morar.
    Basta de alguns tendo que vomitar para comer mais e 50 milhões morrendo de fome num só ano.
    Basta de uns com empresas se derramando pelo mundo todo e milhões sem um canto onde ganhar o pão de cada dia.
    Mariama, Senhora Nossa, Mãe querida, nem precisa ir tão longe, como no teu hino. Nem precisa que os ricos saiam de mãos vazias e o pobres de mãos cheias. Nem pobre nem rico.
    Nada de escravo de hoje ser senhor de escravo de amanhã. Basta de escravos. Um mundo sem senhor e sem escravos. Um mundo de irmãos.
    De irmãos não só de nome e de mentira. De irmãos de verdade, Mariama.

    Dom Hélder Câmara, Apresentação de Nossa Senhora

  • Igreja parecida com o rosto de Jesus

    O elemento decisivo não é resignar-se a viver um cristianismo sem conversão. Não importa nossa idade, nosso lugar ou responsabilidade no interior da comunidade cristã. Todos nós podemos contribuir para que na Igreja se sinta, se viva e se ame a Jesus de maneira nova. Podemos fazer com que a Igreja seja mais de Jesus e que seu rosto seja mais parecido com o dele. Ninguém tem mais força do que Ele para transformar-nos.

    José Antonio Pagola

  • Renovação paroquial

    A renovação paroquial requer novas atitudes dos párocos e dos padres que atuam nas comunidades. Em primeiro lugar, o pároco precisa ser um homem de Deus que fez e faz uma profunda experiência de encontro com Jesus Cristo. Sem essa mística, toda renovação ficará comprometida. Essa vivência de discípulo fará o pároco ir ao encontro dos afastados de sua comunidade; caso contrário contentar-se-á com aspectos da administração e promoverá uma pastoral de conservação.

    Estudos da CNBB, “Comunidade de Comunidades: uma nova Paróquia”

  • O silêncio que fala

    O silêncio em um momento de tristeza, fala muito mais do que as palavras. Quando perdemos um ente querido, frases de condolência são de completa impotência. Queremos confortar o outro com nossa ternura e delicadeza, mas nossas tentativas serão em vão. No melhor dos casos expressarão gentileza e afeto pessoal, mas não têm poder curativo que possui o silêncio. Nessas horas, um abraço silencioso diz mais do que qualquer protocolo ou fórmula praticados na presença do corpo daquele que se foi.

    Frencesc Torralba, “O valor de ter valores”, Vozes

  • Nacionalismo e racismo

    Uma forma muito atual de distorções coletivas da autoconfiança humana ocorre num nacionalismo ou racismo proclamado em alta voz, que propaga a pureza ou até mesmo supremacia da própria nação ou raça. Hoje em dia voltamos a ouvir argumentações genéticas ou biologistas que justificam a elevação própria e a depreciação dos outros. O fato de que tais depreciações podem levar à exclusão, à violência e até mesmo à expulsão – em casos extremos, à privação do direito de viver, ao homicídio e à aniquilação – é uma experiência histórica amarga também na Alemanha. O racismo do nacional-socialismo na Alemanha e nas regiões conquistadas pela Wehrmacht custou a vida de milhões.

    Nikolaus Schneider e Anselm Grün, “Confiança, sinta sua força vital!”, Editora Vozes

  • Falta sentimento religioso

    No Brasil, a maioria é cristã. Cristãos avulsos, sem vínculos paroquiais ou comunitários. Por isso, profanamos a Semana Santa. Em vez do lava-pés na quinta-feira, lavamos a alma em dúzias de cerveja e o corpo em mares e piscinas. Em vez da memória do Senhor morto na sexta-feira, o churrasco no quintal e a sofreguidão de quem acredita que felicidade é a soma de pequenos prazeres. Em vez da Páscoa, a mais importante festa cristã, um domingo de lazer no qual se espera apenas que o sol ressuscite dentre as nuvens e nos conceda a glória de seu brilho.

    Temos perdido a memória das datas emblemáticas e dos ritos de passagem. Muitas de nossas crianças crescem no ateísmo prático, como se Deus fosse um camafeu guardado por suas avós em uma caixa forrada de veludo. Se não há quem as leve à igreja, faça-as participar do lava-pés e da procissão da cruz, e cantar aleluias pela ressurreição de Jesus, como esperar que cresçam com algum sentimento religioso?

    Frei Betto, “Fé e afeto”, Editora Vozes

  • Opção pelos pobres

    A “opção pelos pobres” não é invenção dos teólogos da libertação nem uma moda posta em circulação após o Concílio Vaticano II. É a opção do Espírito de Deus, que anima a vida inteira de Jesus na procura do Reino de Deus e sua justiça. Deus não pode reinar no mundo sem fazer justiça aos últimos.

    Também hoje, para os seguidores de Jesus, os últimos hão de ser os primeiros. O caminho para o mundo mais digno e feliz para todos começa a se construir a partir deles. Esta primazia é absoluta. Deus a quer. Não deve ser menosprezada por nenhuma política, ideologia ou religião. Desde essa opção devemos trabalhar em nossas paróquias e comunidades.

    José Antonio Pagola, “Recuperar o projeto de Jesus”, Editora Vozes

  • Pessoas santas

    Na Antiguidade, só um tipo muito especial de pessoas era considerado santo: sacerdotes, xamãs, curandeiros, profetas. Ainda hoje existe a necessidade de ter pessoas santas. Hoje em dia, porém, não são mais necessariamente pessoas que exercem uma função específica, mas que irradiam pessoalmente algo como santidade. Quando falamos com elas, temos a impressão de que elas não só possuem uma sabedoria de vida profunda, mas que irradiam algo sagrado, porque tiveram um encontro com o sagrado.

    Anselm Grün, Caderno de Espiritualidade – Descubra o sagrado em você”, Editora Vozes

  • Reconciliação

    Durante uma caminhada, você pode repassar sua raiva, seu ódio e talvez também a sua alegria para a terra, por meio de suas pernas e de seus pés. Você pode desfrutar e se alegrar com sua alegria ou gratidão. Você pode expressá-las num quarto de seu apartamento por meio de movimentos livres (dançar, pular, cantar).  Após a meditação escrita e a expressão ativa de seus sentimentos, reserve mais um tempo para você mesmo. Tente estar atento aos seus sentimentos mais uma vez. Algo mudou? Você continua sentindo raiva, os ferimentos? Existem situações ou pessoas que não lhe saem da cabeça, porque elas o feriram ou magoaram, ou porque você se sente humilhado?

    Se seus sentimentos estiverem vinculados a uma pessoa concreta, você pode lhe escrever uma carta. Aqui você pode e deve expressar tudo: as mágoas, sua raiva, sua irritação, o quanto tudo aquilo ainda o ocupa, mas também sua gratidão, sua alegria. Se essa pessoa ainda estiver viva, você pode pensar em lhe enviar a carta ou em convidá-la para uma conversa. O importante nesse caso é que você formule a carta de tal forma que o outro compreenda que você deseja se reconciliar para seguir seu caminho em liberdade.

    Zacharias  Heyes, “Em casa comigo mesmo”, Editora Vozes

  • Compaixão não é uma habilidade

    A disciplina na vida cristã não pode jamais ser entendida como um método rigoroso ou uma técnica precisa para se atingir a compaixão. A compaixão não é uma habilidade que podemos conquistar através do treinamento árduo, anos de estudo, ou cuidadosa supervisão. Não podemos obter um Mestrado ou um Doutorado em compaixão. A compaixão é um dom divino, e nunca o resultado de um estudo ou esforço sistemático. Numa época em que muitos cursos são criados para ajudar a nos tornar mais sensíveis, perceptivos e receptivos, precisamos ser lembrados continuamente que a compaixão não é conquistada, mas dada. Ela não é o resultado do nosso trabalho dedicado, mas é o fruto da graça de Deus. Na vida cristã, disciplina significa o esforço humano para revelar aquilo que estava escondido, para trazer à luz o que se encontrava oculto, e para colocar a luz na lamparina, e não debaixo de um cesto. É como retirar as folhas que cobrem os caminhos do jardim de nossas almas. A disciplina permite a revelação do espírito divino de Deus em nós.

    Henri Nouwen, Donald McNeil e Douglas A. Morrison, “Compaixão, uma reflexão sobre a vida cristã”, Editora Vozes