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“Hoje estarás comigo no Paraíso”
Ao ser assassinado; ele dá a vida. Nos últimos instantes em que tudo se cumpria, quando seus olhos ainda conseguiram discernir o rosto desumano de seus inimigos marcado de ódio e desprezo, sua última palavra o situa no mais alto grau do amor e da liberdade: “Pai, perdoa-lhes”.
Este é o desafio e a aposta do Evangelho de Jesus. Face à hostilidade do mundo, diante do ódio e da mentira, da zombaria de seus opressores, no desespero dos oprimidos os cristãos não se amedrontam. Colocam-se de pé, como Jesus, diante de Pilatos, com amor, doçura e o perdão como o mais prestigioso de todos os poderes.
Jacques Leclercq
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Pelos formadores
Um antigo e precioso livro de espiritualidade que tive diante de meus olhos sugeria a seguinte prece: Por todos os que formam e orientam os outros: professores, pensadores, romancistas, jornalistas e políticos. Confesso que fiquei com vontade de rezar por eles, o que não deixei de fazer.
Formadores das novas gerações (pais, orientadores nos seminários): que não se enganem nem os engane. “Percam” tempo. Amem seus educandos. Imaginem o de melhor para eles. Caminhem com eles sem abafá-los. Mostrem claridade. Não sigam apenas manuais de coisas certinhas.
Professores… sei que sua vida não é fácil. Com seu jeito de falar, de olhar… de… não sei o que… transmitam alegria e confiança na vida. Que seus alunos não se apequenem. Professores mas também testemunhas vivas de confiança no amanhã.
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Isolamento do ato de morrer
São muitos os familiares, os sacerdotes e os amigos do enfermo que se esforçam em acompanhá-lo de perto, para de alguma forma aliviar a sua dura experiência. Contudo, o ato de morrer vai se tornando cada vez mais um acontecimento solitário e privatizado. Já não se morre no ambiente familiar do lar, mas no hospital. A morte vai ficando confinada ao mundo dos profissionais. Hoje, em geral, rodeado de uma assistência técnica cada vez mais sofisticada, mas mais privado da proximidade e do afeto de seus entes queridos. Esta solidão do moribundo, abandonado a si mesmo com seus medos, incertezas e angústias, é uma das consequências mais cruéis de uma morte “tecnicizada” que vai provocando cada vez mais interrogações.
José Antonio Pagola
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Dignidade humana
Século XXI, progressos em cima de progressos. Estamos bem longe de tanta precariedade vivida no passado. Quase não acreditamos que vivemos tão simples, modesta e pobremente na década de 50 do século passado. Ouvimos muitos elogios aos tempos modernos. Não podemos esquecer, no entanto, que a dignidade da pessoa humana, de muitos modos e maneiras, vem sendo grandemente desrespeitada: violência, indiferença, pisoteamento.
“Só há uma norma pela qual uma época pode ser justamente julgada: em que medida ela permitiu o desenvolvimento da dignidade humana”. (Romano Guardini)
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Bem perto de todos
Não podemos viver encastelados em nosso mundo. Existimos na medida em que nos relacionamos. Nem sempre, é verdade, conseguimos desvencilharmos de nós mesmos. Será imprescindível buscar os outros quando for conveniente e possível. Sempre rezar por eles. Colocá-los junto do coração de Deus.
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Oração, experiência de amor
Na oração, trata-se de pressentir de que amor somos amados. Não somos nós que nos achegamos à oração. Nada mais fazemos do que responder a um pedido de Deus. Rezar é fazer a experiência do amor, deixar espaço para Deus, deixá-lo ser Deus em nós como ele nos deixa ser homens. Isso pede tempo, muito mais do que uma ou duas horas por dia. A oração é uma questão para toda a vida.
Uma religiosa carmelita
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Francisco, o homem do futuro
O que me importa na vida de Francisco é o que ela nos traz, sua mensagem para hoje. Numa vida, nem tudo tem a mesma importância. Nem tudo é igualmente original e criador. Há na vida de Francisco aspectos que refletem pura e simplesmente seu tempo. Ele pertenceu a uma época e por ela foi marcado. Mas o que me interessa nele é o homem do futuro, o homem que vê além de seu tempo. É a imensidade de sua visão que ultrapassa os limites de uma época. Tomás de Celano, seu primeiro biógrafo escreveu: Parecia um outro homem, um homem e outro mundo. É esse homem que me interessa profundamente.
Éloi Leclerc, OFM, “O sol nasce em Assis”, Vozes, p. 53.
Organização: Frei Almir Guimarães
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Realmente um homem novo
Um grande historiador francês escreveu estas audaciosas palavras: “De parceria com Cristo, foi Francisco o grande herói da história cristã. Pode-se afirmar sem exagero que o que hoje resta do cristianismo vivo, provém diretamente dele”
George Duby, “Le temps des cathédrales”, Gallimard, 1976, p. 170.
Organização: Frei Almir Guimarães
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Celano descreve Francisco (I)
Que belo, que magnífico e glorioso era ele na inocência de sua vida, na simplicidade de suas palavras, na pureza do coração, no amor a Deus, na caridade fraterna, na obediência pronta, no trato cortês e afetuoso, na candura angélica do semblante! Tinha maneiras finas, era meigo, afável, oportuno em exortar, fidelíssimo em cumprir, avisado e arguto no aconselhar, eficaz no agir, a tudo imprimindo graciosidade. Espírito sereno e sóbrio, alma delicada, de índole contemplativa e oração constante, em tudo punha entusiasmo e fervor. Tenaz nos propósitos, firme na virtude, perseverante na graça e sempre igual a si mesmo. Pronto para o perdão, tardo para a ira, engenho arguto, memória feliz discorria com sutileza, era ponderado nas decisões e simples em tudo. Rigoroso consigo próprio, indulgente com os demais, discreto com todos.
1Celano 83
Organização: Frei Almir Guimarães
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Francisco, o santo mais interpretado
E por isso mesmo o mais desfigurado, convertendo-se assim num santo enigmático. O Pobrezinho causa impacto por sua simpatia, simplicidade, humanidade e bondade, inclusive por suas contradições. Evoca serenidade, humanidade e poesia. Cativa por sua nobreza, ternura e desprendimento. Soube sincronizar admiravelmente santidade com poesia, canto com sofrimento, alegria com pobreza. Amabilidade com austeridade. Evangelho com humanidade. Imanência com transcendência. Mística com ação. Religião com os problemas mais sangrentos da vida.
Frei José Antonio Merino, OFM, Encarte da Revista Vida Nueva, Madri, n.2663
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Celano descreve Francisco (II)
Eloquente por natureza, de aspecto jovial e acolhedor, jamais foi indolente ou arrogante. Média estatura, mais baixo que alto, cabeça regular e redonda, rosto um tanto comprido e saliente, testa plana e pequena, olhos regulares, negros e límpidos, cabelo escuro, sobrancelhas retilíneas, nariz equilibrado e afilado, orelhas sobressaídas mas pequenas, têmporas achatadas.
1Celano 83
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Francisco, querido de todos
Amigo de todas as criaturas e de toda a criação, Francisco espalhou tanta solicitude, compreensão fraternal a todos, caridade no sentido mais elevado, quer dizer, amor que a história como que lhe deu, troca a mesma simpatia e admiração afetuosa e geral. Todos os que falaram dele ou sobre ele escreveram – católicos, protestantes, não cristãos, incréus – foram tocados e frequentemente fascinados por seu encanto.
Jacques Le Goff, “São Francisco de Assis”, Record, p.44
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Celano descreve Francisco (III)
Língua pacificadora, ardente e penetrante, voz vibrante e doce, clara e sonora; dentes compactos, alinhados e brancos; lábios pequenos e finos; barba negra e rala, pescoço esguio, ombros direitos, braços curtos, mãos finas, dedos compridos, unhas acaneladas; pernas delgadas, pés pequenos, pele fina e enxuto de carnes. Vestia rudemente, dormia pouco e era extremamente generoso. Humilde como era mostrava-se manso com todos, a todos os feitios se acomodava. Sendo o mais santo de todos os santos, entre os pecadores era como um deles.
1Celano 85
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Quando o menino nasceu (I)
Aconteceu que no ano do Senhor 1182 (ou, segundo a opinião de outros, 1181), Dona Pica deu à luz um menino em Assis, ocasião em que seu marido viajava lá pelo país dos franceses. A mãe decidiu colocar o nome de João no garoto. No dia desse acontecimento um velho peregrino que ninguém conhecia entrou na casa e pediu para ver a criança. Tomou-a em seus braços, contemplou-o com ternura e arrebatamento e o cumulou de elogios que todos puderam ouvir, predizendo para o recém-nascido grande e glorioso destino. Pouco depois, o menino foi batizado na catedral com o nome de João (Giovanni).
Hemann Hesse, “François d’Assise”, Ed. Salvator, Paris, p. 19-20
Organização: Frei Almir Guimarães
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Quando o menino nasceu (II)
Quando Pietro Bernardone voltou de viagem, pouco tempo depois do nascimento do menino, chamou-lhe de Francisco e ele guardou este nome para sempre. O pai lhe deu esse nome, pode-se supor, pela sua “queda” pelo país da França e pelo estilo francês. Francisco aprendeu desde muito cedo a língua gaulesa da qual mais tarde se serviu de bom grado.
Hemann Hesse, “François d’Assise”, Ed. Salvator, Paris, p. 20
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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A instrução de Francisco
O garoto cresceu sem receber grande instrução. Ensinaram-lhe os rudimentos da escrita e do latim. Quem sabe, sem muita profundidade. Ao longo de sua vida deve ter pegado a caneta meio a contragosto e sempre com muita dificuldade. Não fora feito para ser um sábio e apreciava muito mais os prazeres de seus jovens anos e olhava impávido cada dia o que Deus fazia porque tinha um temperamento alegre e luminoso e um coração aberto a tudo o que era belo e festivo.
Herman Hesse, “François d’Assise”, p. 21
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Assis que Francisco contemplava
A geografia e a história da Assis de Francisco com naturalidade lhe compuseram o cenário e o meio ambiente íntimos que mostram com nítida evidência as ligações profundas que o uniam à sua terra: a cidade, Assis à beira das estradas, em contato com a planície e a montanha, ao alcance do homem e perto da solidão; à sua Úmbria propícia às caminhadas por montes e por vales, cheia de silêncio e de ruído, de luz e de sombra, agrícola e mercante, fervilhante de um povo simples e profundo, tranquilo e apaixonado, ardente por dentro, mas às vezes soltando bruscas fagulhas, afinado com as árvores, a terra, os rochedos, os riachos sinuosos, rodeado por um mundo de animais nobres e familiares – os carneiros, os bois, os burros, os pássaros -, entre os quais especialmente a pomba, a gralha, a gralha miúda à qual ele pregava, o falcão, o faisão, as laboriosas abelhas e a cigarra humilde que vinha cantar na sua mão.
Jacques Le Goff, “São Francisco de Assis”, Record, p. 44
Organização: Frei Almir Guimarães
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Admirado por todos
Gérard Guitton, frade menor francês, reuniu num delicioso opúsculo opiniões de uns outros sobre Francisco. O agnóstico Ernest Renan diz: “Deve-se dizer que depois de Jesus, Francisco de Assis foi o único cristão perfeito”. Outro autor agnóstico, André Malraux: “Será que se pode dizer que Francisco de Assis na história da Igreja tenha sido o ultimo gigante em santidade? Sem dúvida, depois dele, houve outros, mas nenhum deles conseguiu unicamente por sua força espiritual revolucionar o mundo ocidental e a civilização com ele fez inspirando um arte completamente nova”. Guitton cita ainda Lenine, o líder soviético: se tivesse encontrado três ou quatro Francisco de Assis não teria havido razão para a revolução na Rússia. Clemenceau teria afirmado que gostaria de ter em seu sangue algumas gotas do sangue de Francisco.
Gérard Guitton, “Découvrir Saint François”, Salvator, Paris, p 10
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Francisco é um mistério
Francisco já o era para seus contemporâneos, continua sendo para nós. Um mistério não pode ser desnudado levianamente. Do contrário se se destruiria o enigma e, com ele, a realidade. Ele mesmo disse que as graças que ele recebeu não podiam ser expostas. Era precisa guardar os segredos do Rei. O mistério haverá de ser respeitado em sua insondável profundidade e tensão. Diante do mistério é preciso calar, entrar em contacto com ele.
Joseph Lortz
Organização: Frei Almir Guimarães
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A cidade onde nasce Francisco
Quando um historiador se põe a redigir um texto sobre Francisco precisa lembrar-se de muitos detalhes, mais do que detalhes. Jacques Le Goff nos situa Francisco em seu tempo: Era na Itália dilacerada entre o papa e o imperador, cidades voltadas umas contra as outras, nobreza e povo, tradições rurais e o progresso de uma economia cada vez invadida pelo dinheiro, e que também o ligavam à sua época, esse tempo trepidante do avanço urbano, da inquietude herética, do ímpeto prestes a ser quebrado pela Cruzada, da poesia sensível, também dilacerada entre a brutalidade das paixões e os sentimentos refinados.
Jacques Le Goff, “São Francisco de Assis”, Record, p 45
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Francisco, o homem dos desejos
São Boaventura definiu Francisco o “varão dos desejos”. O desejo é um impulso inacabado de ação e de projeção para horizontes insuspeitados. O jovem assisense se sentia habitado por um irresistível desejo de glória, de fama, de chegar a um lugar importante. É a expressão evidente do desejo de um ser imortal. Não se sentia nada bem com a mediocridade. Essa erva cresce abundante no homem trivial e cômodo. O anseio de eternizar-se leva as pessoas a ações heroicas e insuspeitadas loucuras. Quem sente esse desejo “eternizante” se mete a caminho rumo ao inédito e o inesperado. Sempre arrisca e não deixa de sonhar. Francisco era um grande sonhador e rico em fantasias oníricas.
Frei José Antonio Merino, OFM, Encarte da revista Vida Nueva, Madri, n. 2663
Organização: Frei Almir Guimarães
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Francisco, o multifacetado
Francisco é uma dessas figuras das quais a humanidade sempre sentirá orgulho. Suas qualidades forçam simpatia; seus defeitos, se os tem, são atraentes; sua santidade nada tem de exotérico, afetado ou ameaçador; seus dons naturais suscitam admiração; e seus ensinamentos exalam tal frescor, poesia e serenidade, que mesmo Os espíritos embotados podem encontrar nele razões de amar a vida e crer na bondade divina.
Vida de São Francisco de Assis, “Omer Englebert”, Edições EST, Porto Alegre, p. 9
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Operários da messe
Cumpridos 1207 desde a encarnação do Senhor, no dia 16 de abril, vendo Deus que seu povo redimido pelo sangue precioso de seu Filho único, esquecera os seus preceitos e correspondia aos benefícios com a ingratidão; tendo compaixão dele por largo tempo, ainda que fosse digno de morte, mas a sua conversão e vida; movido pela sua clementíssima misericórdia, resolveu mandar obreiros para a sua messe.
Iluminou um homem, que vivia na cidade de Assis, de nome Francisco e mercador de profissão, dissipador fútil das riquezas deste mundo.
Anônimo Perusino, 3
Organização: Frei Almir Guimarães
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Muitos falaram de Francisco
Poderá alguém ter a pretensão de descobrir tudo a respeito de São Francisco? Incontáveis biografias de antigamente e de nossos dias. Filmes a seu respeito foram mostrados nas grandes salas de cinema. O Poverello (como ele mesmo gostava de se chamar) tem uma particularidade: vai muito além de sua popularidade ou de sua legenda (também de sua lenda). Faz parte de uma espécie de imaginário cristão. Mesmo sem terem lido sua vida, muitos acreditam conhecê-lo e o designam por diferentes nomes: o Pobrezinho de Assis, o Poverello, o santo da perfeita alegria, o que falou aos pássaros e converteu o lobo de Gubbio e também o primeiro cristão que encontrou um sultão muçulmano pacificamente no curso de uma Cruzada no Egito.
Gérard Guitton, “Découvrir Saint François d’Assise”, Ed. Franciscaines p.11-12
Organização: Frei Almir Guimarães
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Aspirações do pai de Francisco
Nas aspirações paternas, Francisco estava destinado a tomar, no momento oportuno, as rédeas da grande atividade comercial da família. Como parece resultar da Legenda dos Três Companheiros, a mais próxima de Assis e das aventuras da cidade. Francisco nos é apresentado como um ativo e hábil colaborador do pai, um comerciante já bem estabelecido (…). Na Idade Média, estava-se maduro para a vida política, militar e à dos negócios muito mais cedo do que hoje: pelos vinte anos já se considerava homem feito, já se tinha completado a formação. E isto acontece com Francisco na loja do pai, onde vende, age, trabalha – parece com plena e completa autonomia e harmonia com a família.
“São Francisco de Assis”, Raoul Manselli, Vozes p. 41-42
Organização: Frei Almir Guimarães
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Francisco, uma obra de arte
Francisco é como uma obra de arte. Uma obra de arte não pode ser entendida através de uma simples descrição. Quem não a viu, ouviu ou tocou, não formará dela uma ideia adequada. Com toda explicação que se possa dar não se conseguirá transmitir a um cego de nascença, a um surdo, ou a um homem privado do olfato um conceito adequado daquilo que significa cor, som e perfume.
Joseph Lortz
Organização: Frei Almir Guimarães
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Francisco, uma figura ímpar
Da Idade Média a nossos dias, a figura de Francisco de Assis exerceu imensa influência no que se refere às artes e à literatura. Particularmente numerosos e diferentes constituem os ecos do “pai seráfico” (pater seraphicus), na literatura moderna. Essa influência se estende da ideologia e da mística próprias a um Rainer Maria Rilke à visão ética e estética de Hermann Hesse, passando pelo alegoria simbólica de Carl Zuckmayer, apologética cristã de Gilbert Keith Chesterton, a atitude espiritual e religiosa de Felix Timmermans e a consciência cristã presente em Reinold Schneider.
François d’Assise et Hermann Hesse in Herman Hesse
François d’Assise Salvator Paris, p.121
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Começando a entender Francisco
Francisco é filho de um grande burguês comerciante de tecidos e viveu lucidamente todo conjunto das transformações na sociedade de sua época. Depois de seu encontro com Cristo em São Damião que transformou sua vida, toma consciência de que a única revolução possível, duradoura, é a do Evangelho, única capaz de inventar uma nova maneira de viver. Filho de comerciante, filho do movimento comunal vai conservar consigo o gosto pela liberdade, a audácia, a novidade, a fraternidade e a mobilidade. Desvia-se, no entanto, da armadilha maior da nova sociedade: a corrida ao poder, a dominação do dinheiro. Esta a explicação de suas escolhas fundamentais: fraternidade, igualdade, pobreza e minoridade.
Michel Hubaut, “Chemins d’intériorité avec saint François”, Ed Franciscaines, Paris, p.11
Organização: Frei Almir Guimarães
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Pelas poeirentas estradas da Toscana
Dizer Francisco de Assis é remeter-se ao espírito de fraternidade cósmica, sentindo-se irmão e irmã de todas as criaturas. É pensar na santa humanidade de Jesus, no espírito das bem-aventuranças, no presépio, na Eucaristia, no Crucificado de São Damião. É pensar nos hansenianos e nos pobres com quem se identificou. É pensar na peregrinação pelas poeirentas estradas da Toscana anunciando o Evangelho na linguagem popular. É pensar na alegria de viver, no Cântico do irmão sol, no irmão lobo com quem fala, nas cotovias com que reza, na morte chamada de irmã. Todo o universo feito de encantamento, de cuidado e de ternura marca a vida e a trajetória deste santo chamado de “o primeiro depois do Único e o “último cristão” de verdade.
Leonardo Boff, “Prefácio ao livro A harpa de São Francisco”, Felix Timmermans, Vozes, p. 9
Organização: Frei Almir Guimarães
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Francisco é de todos (I)
Ele não pertence só a uma família religiosa. É um singular cristão da Igreja que o considera como um grande fiel que serve de modelo a quem quer viver a utopia do Evangelho. Mais ainda: é um gênio religioso no qual as demais religiões veem o grande irmão universal como o demonstram os encontros religiosos em Assis. Inclusive é patrimônio do gênero humano uma vez que entrou no mundo da cultura e do imaginário social como inspirador de cultura e de nova humanidade. Os católicos tradicionalistas ponderam sua grande fidelidade à Igreja. Os progressistas sublinham a sensibilidade demonstrada por ele para com os pobres. Os ecologistas acentuam sua grande sintonia com todas as criaturas.
Frei José Antonio Merino, OFM, Encarte da revista Vida Nueva, Madri, n.2263
Organização: Frei Almir Guimarães
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Francisco é de todos (II)
Os laicistas de diversas tendências admiram sua simplicidade e o modo de ser cristão numa postura de grande liberdade frente às instituições, às estruturas e o modo de celebrar a liturgia. Os de direita realçam seu respeito pela hierarquia e pelas leis vigentes. Os de esquerda destacam seu amor pelos deserdados e pobres. Os chamados pensadores de fronteira veem nele a capacidade de poder viver na ortodoxia no limiar da heterodoxia.
Frei José Antonio Merino, OFM, Encarte da Revista Vida Nueva, Madri, n. 2663
Organização: Frei Almir Guimarães
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