Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Meditação diária

junho/2019

  • Presença divina

    Muitas vezes corremos o risco de colocar o relato bíblico no passado, e nos esquecemos da presença divina em nós, mesmo quando estamos diante de um mar de problemas, tendo às nossas costas um exército de dificuldades. O AMOR IMPOSSÍVEL continua a abrir o mar. Continua a iluminar a noite escura para que possamos prosseguir, mas Deus não nos violenta, não entra em nossa história se o coração estiver fechado.

    O Deus que nos criou por amor, que nos convidou a viver com Ele uma aliança, está sempre ao nosso lado quando o convidamos para ser conosco, para caminhar ao nosso lado, para ser “nosso refúgio e proteção” (SI91,2).

    Nossa vida não é diferente da vida do povo de Israel, somos cabeças-duras, perdemo-nos muitas vezes no deserto, encontramo-nos tantas e tantas vezes diante de um mar fechado de exércitos a nos perseguir prontos para arrancar de nós o que temos de mais precioso que é a fé e o amor de Deus. Coragem! Ponha-se a caminho! Ele combate em nosso favor.

    Enio Marcos de Oliveira, “Crer no Deus do Amor”, Editora Vozes.

  • Humanidade livre

    A história estará tanto mais próxima do Reino quanto mais a humanidade for livre. O Deus de Jesus Cristo é o Deus que manifesta o amor a seu povo libertando-o da opressão do Egito. Com efeito, servir a Deus é realizar a justiça. É libertar as pessoas de todas as consequências do pecado: fome, ignorância, trabalho alienado, dor e morte. Pela ressurreição, Cristo se tornou senhor da vida. Qualquer obstáculo à sua livre expansão é incompatível com o desígnio de Deus.

    Frei Betto, “Fé e afeto, espiritualidade em tempos de crise”, Editora Vozes

  • Vida no lugar da morte

    A Igreja está chamada a colocar vida onde se produz a morte. Esta luta pela vida humana deve ser firme e coerente em todas as frentes. O campo é amplíssimo: mortes provocadas violentamente, genocídio de povos do Terceiro Mundo, destruição lenta pela fome e a miséria, aborto, eutanásia ativa, destruição da natureza. A tarefa das comunidades cristãs, embora às vezes fique manchada ou encoberta por outras muitas coisas, é contribuir para uma vida mais
    digna e mais feliz para todos.

    José Antonio Pagola, “Recuperar o projeto de Jesus”, Editora Vozes.

  • O amor no centro de tudo

    O futuro de uma espiritualidade que ligue todas as pessoas umas às outras está na mística. Mística existe em todas as religiões. E, em todas as religiões, os místicos fazem experiências similares, muito embora as interpretem na respectiva linguagem de sua própria religião. Mas a experiência fundamental de qualquer místico é, em última instância, a mesma: no fundo do ser encontra-se o amor.

    Anselm Grün, Gerald Hüther, Maik Hosang, “Amar é a única revolução”, Editora Vozes.

  • Dimensão franciscana

    DIA DA ECOLOGIA

    São Francisco foi proclamado o ‘Padroeiro dos ecologistas’ por São João Paulo II. Esta ligação de Francisco com a ecologia, que nós modernos fazemos, é justificada pela relação especial que ele teve com todas as criaturas e que é bem documentada por seus Escritos e pelas suas biografias.

    É antes de tudo o Cântico do Irmão Sol que testemunha o olhar contemplativo de Francisco diante das criaturas, aquelas do céu e aquelas da terra, nas quais reconhece antes de mais nada que ‘de ti, Altíssimo, carregam significação’. Nesta afirmação, colocada no início do Cântico, encontramos a primeira e mais importante razão do respeito por todas as criaturas: cada realidade reenvia a Deus seu criador.

    Francisco sabe que o único artífice e Senhor de tudo é Deus e isto o conduz a contestar a lógica mundana do poder e da propriedade, que coloca o homem como dono de tudo. Nós não somos os donos, mas os beneficiários de um dom gratuito de Deus, dado indistintamente a todos os homens. Dessa ‘lógica do dom’ nasce o respeito à criação, sinal do seu amor, nasce a capacidade de partilhar com os outros este dom, pois não posso considerá-lo minha propriedade exclusiva, nasce inclusive o reconhecimento de uma ligação fraterna, que induz Francisco a dar o nome de irmão e irmã a cada criatura.

    Subsídio da Ordem dos Frades Menores “O Grito da Terra e o Grito dos Pobres”.

  • Controlar a mente

    Quinhentos anos antes de Cristo, Buda descobriu que o sofrimento se centra na mente. Sofremos porque deixamos o nosso espírito se impregnar de ódio, amargura, raiva, vingança, inveja etc. Sofremos por alimentar ambições desmedidas. Sofremos por dar asas à imaginação e acalentar desconfiança e preconceito. Sofremos por nos ancorar no passado ou ceder à ansiedade de futuro, sem viver o presente como presente. Buda ensinou que, pela meditação, somos capazes de controlar a mente, “a louca da casa”, na expressão de Teresa de Ávila. Ao livrar a mente de fantasias e inquietações, nosso espírito se pacifica e a paz inunda o coração.

    Frei Betto, “Fé e afeto, espiritualidade em tempos de crise”, Editora Vozes.

  • Resistência pacífica

    Nas nossas cidades não tem sido incomum situações de violência inacreditável- mas não o será para sempre. Ficamos imaginando como um ser humano é capaz de fazer aquilo. E aí vem desejo de vingança, de colocar em cena o famoso” olho por olho, dente por dente”, a clássica Lei de Talião, que é uma expressão que vem do latim, do “tal e qual”. Tal isso, tal aquilo. Talião não era um lugar, mas uma expressão latina tal e qual, talis (tal, igual).

    O desejo de dar o troco aparece no mundo da universidade, no mundo da concorrência e em vários outros. O líder indiano Mahatma Gandhi foi uma pessoa que pensou na possibilidade de enfrentamento sem violência, de resistência pacífica – não a inação, o conformismo, mas o combate à violência sem o uso de uma violência idêntica. Ele dizia: “Olho por olho e o mundo fica cego”. Nós precisamos ter mais inteligência para enfrentarmos situações que nos levem a pensar que a única alternativa seja dar o troco.

    Não. É preciso uma percepção da justiça, da punidade, que nos impeça que o absurdo que alguns cometem seja por nós reproduzido.

    Mario Sergio Cortella, “Pensar bem nos faz bem”, Editora Vozes.

  • Semeadores de esperança

    O Espírito Santo não nos torna capazes só de esperar, mas também de ser semeadores de esperança, de sermos também – como Ele e graças a Ele – “paráclitos”, ou seja consoladores e defensores dos irmãos, semeadores de esperança. Um cristão pode semear amargura, pode semear perplexidade, e isso não é cristão, e quem faz isso não é um bom cristão. Semeia esperança: semeia óleo de esperança, semeia perfume de esperança e não vinagre de amargura e desesperança. O Beato Cardeal Newman, em seu discurso, dizia aos fiéis: “Instruídos por nosso próprio sofrimento, pela nossa própria dor, mais ainda , pelos nossos próprios pecados, temos a mente e o coração exercitados com toda obra de amor para aqueles que precisam.

    Papa Francisco

  • Espírito de Deus

    Para experimentar o Espírito de Deus, é preciso abandonar-se e viver um “silente deserto de Deus” (Mestre Eckhart) ou “a noite escura d’alma” (São João da Cruz) para que se esvazie a mente e Deus resplandeça, como dizia o apóstolo Paulo: “Nihil habentes et omnia possidentes – nada tendo, embora tudo possuamos!” (2 Cor 6,10). E o místico espanhol São João da Cruz: “No entardecer da vida seremos julgados no amor”. O povo dos pobres, no silêncio e na simplicidade de suas vidas, conhece e ama o Espírito de Deus e crê na promessa da felicidade completa. Eles vivem de Deus e em Deus, pois só Deus lhes basta. Como indigentes e, não obstante, enriquecendo a muitos! “O Espírito do Senhor está sobre mim, para evangelizar os pobres, proclamar a remissão, a recuperação, a restituição e o ano de graça”. Assim Jesus manifesta seu júbilo ao Pai na presença amorosa de seu Espírito. E nós, cristãos, murmuramos uma prece no Espírito de Jesus: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso Amor ( .. .)”.

    Fernando Altemeyer Junior, “Silhuetas de Deus”, Editora Vozes

  • Servidão voluntária

    Ora, não é a tecnologia que torna uma mente moderna; é que uma mente moderna não recusa tecnologia quando ela é necessária. Reafirmando: não é a tecnologia que moderniza a mente, mas a mente modernizada é aquela que acolhe a tecnologia quando tem cabimento.

    Por isso, antes de mais nada, é saudável se distanciar de qualquer forma de informatolatria (a adoração tecnológica) e de informatofobia (a rejeição tecnológica). Encrenca maior? A profanação do nosso escasso tempo livre com uma conectividade que, em nome do prático, adentra o território da servidão voluntária.

    O uso obsessivo de certas plataformas digitais invade a totalidade de muitos corpos e espíritos, procurando deixar sem lugar os espaços liberados do indivíduo, transformando qualquer átomo em bit e, desse modo, ocupando-o de forma cronocida e topocida (que mata o tempo e o lugar!), ou seja, tempos e espaços são anulados.

    Saída? Aplicar o ensinamento de Millôr Fernandes: “O importante é ter sem que o ter te tenha”.

    Mario Sergio Cortella, “Filosofia, e nós com isso?”, Editora Vozes.

  • Um celebrar cristocêntrico

    A espiritualidade franciscana não se inspira tanto em doutrinas e teorias. É, antes, um cultivo personalizado, o celebrar uma pessoa. Trata-se de um encontro pessoal de Francisco com a pessoa de Jesus Cristo. Como diria São Paulo: “Sei em quem acreditei” (2Tm 1,12); ou: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo quem vive em mim” (GI 2,20).

    Francisco entendeu que o Pai nos deu seu Filho como Irmão. E como ele amava, respeitava e imitava o Deus Filho, feito homem, Jesus Cristo! E amava-o, sobretudo, nos mistérios em que mais se manifestava o amor do Pai: na encarnação, inventando o presépio, mais tarde, celebrada pela oração do Angelus; na Paixão, inventando o Ofício da Paixão. Era arrebatado pelo amor de Deus; pensando na cruz de Cristo, chegava ao ponto de se debulhar em lágrimas. Nessa linha da meditação da Paixão do Senhor surgiu, mais tarde, a devoção da via crucis.

    Frei Alberto Beckhäuser, em “O Jeito franciscano de Celebrar”, Editora Vozes.

  • Humildade

    “Quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza” (Rabindranath Tagore).

    Virtude, força, caráter: Este é o primeiro degrau para um rumo certo, para uma vida digna, respeitosa e feliz. Quem trata as pessoas com arrogância e manipula o orgulho sem medidas, arrasta a vaidade e o egoísmo para o fundo de um buraco negro, aonde a luz é impenetrável e a benção se torna impossível. Aprender a ser humilde é viver sem fronteiras, sem preconceitos, mas sempre com respeito, com consideração ao valor da outra pessoa.

    Humildade é uma virtude. E virtude é força, energia, poder. Humildade é reconhecer-se humano como as outras pessoas. É respeitar o sagrado que existe em toda manifestação de vida. É ser capaz de estender a mão e colocar de pé quem está caído; é investir o melhor que se tem no pior do outro; é ser gente de verdade no respeito, na cordialidade, na alegria: é celebrar a vida com um coração alegre e cheio de gratidão!

    Tenha uma ótima e abençoada semana!
    Frei Paulo Sérgio, ofm

  • Seguir a Jesus

    Jesus disse: Vós que me seguistes (Mt 19,28). Não disse: que deixastes, mas que me seguistes, o que é próprio de apóstolos e de perfeitos. Muitos deixam as suas coisas, todavia não seguem a Cristo, porque, por assim dizer, não se dão a si mesmos. Se queres seguir e conseguir, importa que te deixes. Aquele que segue a outro no caminho, não olha para si, mas para aquele a quem constituiu guia da sua vida (Cn 4).

    Santo Antônio, em Seleção de Textos de Frei Clarêncio Neotti.

  • Barulho nos separa de Deus

    O fato de que Deus só pode ser vivenciado no silêncio é algo que nos ensina a famosa história do Profeta Elias. Até então, ele acreditara que Deus só se manifesta nas situações barulhentas, na tempestade; por exemplo, no fogo ou no terremoto. Mas então Deus o leva para a sua escola e se revela a ele no sussurro do vento, na voz do silêncio esvaecente, como Martin Buber traduz essa passagem (1Rs 19,12). O silêncio é necessário para vivenciarmos Deus. O barulho dos nossos pensamentos nos separa dele. Mas não é só o barulho que precisa se calar. Enquanto refletirmos sobre Deus, não somos um com Ele; precisamos soltar nossos pensamentos para nos tornarmos um com Deus.

    Anselm Grün/Leonardo Boff, “O Divino em nós”, Editora Vozes.

  • Idoso não é peça descartável

    No Dia Mundial de Combate à Violência contra o Idoso, um pensamento do Papa Francisco para refletir:

    “Em uma civilização em que não há lugar para os idosos, são descartados, porque criam problemas, esta sociedade leva consigo o vírus da morte. A cultura do lucro insiste em fazer os velhos parecerem um peso e o resultado disso é que os idosos acabam sendo descartados. A Igreja não pode e não quer se conformar com uma mentalidade de impaciência e tão pouco de indiferença e desprezo com relação à velhice. “Onde não há honra para os idosos, não há futuro para os jovens”.

  • Presença da Trindade

    O Papa Francisco, em sua encíclica ecológica, tira as consequências da natureza trinitária do Deus cristão, afirmando: “Para os cristãos, acreditar num Deus único que é comunhão trinitária, leva a pensar que toda a realidade contém em si mesma uma marca propriamente trinitária (p. 239). “As Pessoas divinas são relações subsistentes; o mundo criado segundo o modelo divino é uma trama de relações. As criaturas tendem para Deus; e é próprio de cada ser vivo tender, por sua vez, para outra realidade, de modo que, no seio do universo, podemos encontrar uma série inumerável de relações constantes que secretamente se entrelaçam [ … ]. Tudo está interligado e isso nos convida a maturar uma espiritualidade da solidariedade global que brota do mistério da Trindade” (p. 240)”.

    Porque Deus é relação, tudo no universo está relacionado com tudo em cada ponto e em cada momento. A espiritualidade ecológica cria em nós um olhar mediante o qual entrevemos, em todas as coisas que coexistem e se relacionam, um sinal da presença da Trindade.

    Anselm Grün/Leonardo Boff, “O Divino em nós”. Editora Vozes.

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