Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Meditação diária

abril/2019

  • Utopia a realizar

    Muitos conhecem a palavra “utopia” entendida como a projeção de uma vida, de um tempo, de um lugar, de um futuro que sejam positivos; existe também a expressão “distopia”, que é a previsão de algo que não desejamos.

    É curioso, porque o Brasil, em seus mais de 500 anos de história, foi chamado habitualmente de “o país do futuro”. Esse é, inclusive, o título de uma obra do austríaco Stefan Zweig. Fugido do nazismo na Europa, ele veio para o Brasil com a esposa, aqui viveu até morrer. E aqui escreveu várias obras importantes, entre elas, “Brasil, o país do futuro”. Desde que foi publicada, ainda antes do final da Segunda Guerra Mundial, nós acabamos nos referindo ao nosso país como o país do futuro. Isso é para nós uma utopia, ou seja, a percepção de um tempo, uma época, um momento que será de positividade, de alegria, de fartura.

    A ideia de fartura, uma sociedade em que não haveria carência alguma, no mundo medieval, era chamada de “cocanha”. Aliás, em algumas regiões do Brasil, no período junino, o pau de sebo é chamado de cocanha, porque é algo em que é difícil subir, mas, quando se chega lá no alto, tem doce, dinheiro, alguma coisa boa.

    E o nosso país, como ainda é uma bela utopia, precisa ser construído no dia a dia, escorregando e voltando a subir …

    Mario Sergio Cortella, “Pensar bem nos faz bem”, Editora Vozes. 

  • Re-conectar com nossa essência

    “A paz traz a alegria. A alegria traz o Amor. O Amor traz a liberdade que te faz voar para o infinito” (Sri Prem Baba).

    Cada um de nós é um SER infinito, trazemos dentro de nós uma essência divina que nos conecta ao amor infinito… o problema é que esquecemos isso, nos perdemos nos labirintos do ego e da personalidade. Passamos a viver a vida como uma luta, a “matar ou morrer”, a ter que matar um leão por dia… Isso é o total esquecimento de quem somos, desconexão de nossa essência!

    Então, faz-se necessário parar um pouco, aquietar o coração, meditar e re-conectar com a nossa essência. Trazemos em nós a consciência que nos guia, orienta e ilumina… É preciso silenciar a mente inquieta dentro de nós e permitir a expansão da consciência… Somente o AMOR, a fonte plena, a presença do divino em nós permitirá essa re-conexão… Comece a praticar: sinto muito; me perdoe; eu te amo; sou grato (a)!

    Tenha uma ótima e abençoada semana!
    Frei Paulo Sérgio, ofm

  • Resposta com amor

    Na era do terrorismo, rompendo com todos os critérios humanos e desprezando inclusive o menor traço humanitário, a mensagem do amor fica parecendo uma fuga da realidade cruel de nosso mundo. No entanto, é justamente nessa situação que seria importante compenetrar-se da necessidade do amor. Sentimos frequentemente em nós a vontade de vingança, ao ouvirmos notícias de atentados bárbaros. Ao mesmo tempo, porém, sabemos que a violência não pode ser superada com violência. Violência sempre gera violência. Só poderá ser superada com amor. É o que vemos na cruz de Jesus. Ele não respondeu à violência do poder militar romano com ódio ou sentimentos de vingança, mas sim com amor.

    Anselm Grün, Gerald Hüther e Maik Hosang, em “Amar é a única revolução”, Editora Vozes.

  • Alienação

    A palavra “alienação” é usada por vezes no campo da propriedade. Por exemplo, em um financiamento de um objeto móvel ou imóvel, muitas vezes ele vem com o registro de alienação, isto é, a pessoa tem o uso, mas não a posse, a propriedade está alienada. A palavra “alienação”, inclusive, foi usada até o século XIX como sinônimo de demência, de doença mental ou, até, como se chamaria mais tarde, de loucura. Tanto que o especial Machado de Assis (1839-1908) tem um conto clássico chamado O alienista. Hospício, como diríamos em português, é asilo de alienados, portanto, a expressão “alienados” significa aquele que não pertence a si mesmo.

    Fala-se, também, em alienação política, em relação àquele ou àquela que não toma consciência do que acontece à sua volta, e, quando toma, age de acordo com a manada, não tem uma percepção clara daquilo que precisa fazer, apenas segue o bando.

    O escritor florentino Dante Alighieri (1265-1321), na última parte de sua obra clássica Comédia, em que há o Paraíso, bradou: “Sede homem, sim, mas não obtuso gado”.

    A obtusidade costuma acompanhar a conduta como bando.

    Mario Sergio Cortella, “Pensar bem nos faz bem”, Editora Vozes.

  • Adoração

    A adoração é, pois, o único ato religioso que não pode ser oferecido a mais ninguém, em todo o universo, nem sequer a Nossa Senhora, mas apenas a Deus. Aqui está a sua dignidade e força única.

    A adoração (proskunesis) no início indicava o gesto material de prostrar-se ao chão diante de alguém, como sinal de reverência e submissão. Neste sentido plástico a palavra ainda é usada nos Evangelhos e no Apocalipse. Neles a pessoa diante da qual se prostrar, na terra é Jesus Cristo e na liturgia celestial o Cordeiro imolado ou o Onipotente. Só no diálogo com a samaritana e em 1 Cor 14,25 é que aparece agora dissolvida do seu significado exterior e indica uma disposição interior da alma para com Deus. Este se tornará cada vez mais o sentido ordinário do termo e, neste sentido, no credo, dizemos do Espírito Santo que “adorado e glorificado” com o Pai e o Filho.

    Para indicar a atitude externa correspondente à adoração, prefere-se o gesto de dobrar os joelhos, a genuflexão. Este último gesto também é reservado exclusivamente para a divindade. Podemos estar de joelhos diante da imagem de Nossa Senhora, mas não fazemos genuflexão diante dela, como fazemos diante do Santíssimo Sacramento ou do Crucifixo.

    Texto da quarta meditação do Frei Cantalamessa para a Quaresma 2019

  • Eu amo quando cuido

    “O Espírito Santo é luz, é fogo, é poder que nos faz levantar e seguir a jornada da vida. É o amor de Deus que habita em nós” (Frei Paulo Sérgio, OFM).

    Deus habita em nós, somos o templo de Deus e do Santo Espírito, pois sendo nós seus filhos somos herdeiros e portadores da sua divindade. Por isso, cuidar de nosso corpo e da nossa mente é cuidar deste valioso presente que Deus nos deu.  Só quem ama cuida, por isso somos convidados a amar, antes de tudo, a nós mesmos, zelar pelo nosso corpo, e fazer dele a morada Deus.

    Depois passamos para a ação de cuidar das pessoas, de amá-las como Jesus nos ensina. E esse AMOR não é sentimento, mas ação, prática, demonstração. Eu amo demonstrando amor em minhas atitudes. Eu amo quando cuido, valorizo, empodero as pessoas para que sejam livres e capazes de assumir sua própria vida e missão!

    Tenha um ótimo dia e um excelente fim de semana!
    Frei Paulo Sérgio, ofm

  • Forças

    Pai celestial, graças te dou,
    porque a minha aflição
    não pode ser maior do que o teu auxílio,
    e o meu pecado maior
    do que o poder de Jesus, meu Salvador.
    Não há razão para temer.
    Tenho um Deus que me ajuda e me dá forças.
    Graças te dou,
    porque na minha aflição não sou esquecido.
    Tu conheces todas as minhas dificuldades,
    sabes todos os meus sofrimentos,
    e teu coração amoroso deseja o bem para mim.
    Tu me tens nas mãos,
    me levantas do meu desânimo,
    e no teu amor nunca me abandonas.
    Assim seja.

    Antônio Francisco Bohn, “Orações e Preces, Editora Vozes

  • Ser menor

    O Minorismo dentro da Igreja tem importância tal, a ponto de nós podermos dizer que, sem ele, a Igreja se apresentaria igual às outras instituições do mundo, com suas estruturas e tudo o mais. Dentro do minorismo, a Igreja começa a ser autêntica, portadora de esperança e da Boa Nova. Sempre penso que os franciscanos devem entrar lá onde ninguém entra, sendo mesmo espécie de “tapa-buracos”. Esta é uma missão formidável na história! Missão de mãe, pai, irmão e irmã daqueles que assumem a comunidade e fazem com que ela nunca se sinta desprovida daquilo que é assencial. São as coisas pequeninas que fazem o amor aparecer, assim como tudo o que é íntimo e pessoal.

    Dom Paulo Evaristo Arns, “Olhando o mundo com São Francisco”, Edições Loyola.

  • Amizade requer cuidado

    “O amor passa, a amizade volta, mesmo depois de ter dormido um certo tempo” (George Sand).

    A verdadeira amizade é uma planta de crescimento lento, e deve experimentar e resistir os choques das adversidades e dos contratempos de todo relacionamento. A amizade requer cuidado, atenção, rega na medida certa: ela precisa do dia para se fortalecer e da noite para se resguardar! A amizade é feita de encontros, de intensidade e também de ausências…

    Procure ser cortês com todas as pessoas, pois isso é uma atitude nobre. A gentileza deve perpassar seus gestos e atitudes, porém seja íntimo de poucos, pois essa intimidade da alma deve ser compartilhada somente com as pessoas que participam da sua eleição. É nesse espaço sagrado da alma que se constrói relações de amor, de carinho e de amizade…

    Tenha uma ótima e abençoada semana!
    Frei Paulo Sérgio, ofm

  • O nosso interior

    “A felicidade é interior, não exterior; portanto, não depende do que temos, mas do que somos” (Henry Van Dyke, poeta e escritor americano, 1852-1933).

    O exterior é um reflexo do interior. Jesus fala de um tesouro em nosso interior. Quando é bem cuidado, irradiamos mais beleza que os esteticistas possam reproduzir. O que vem deste tesouro alimenta todo o nosso ser. Ele vai se formando a medida que filtramos o que vem a nós, impedindo que entre “lixo” em nosso ser, ou seja, tudo o que ruim, desde músicas, imagens, pensamentos ou atitudes, devem ser impedidos e somente o que for bom é que deve ser armazenado em nosso tesouro. Vamos assim, dia a dia, passo a passo, construído a verdadeira felicidade baseada no que somos e no que acreditamos. Tudo isso se reflete em nosso semblante alegre e em nossas atitudes positivas diante da vida. Seja feliz.

    Bom dia e Bom trabalho!

    Reflexão feita por José Irineu Nenevê
    Facebook: http://www.facebook.com/bomdiaebomtrabalho

  • Simplicidade e maturidade

    A simplicidade franciscana não é a espontaneidade tão natural da criança. Ela é fruto de uma maturidade espiritual. Não somos originariamente simples, mas antes duplos, ou múltiplos. Quem não representa um personagem ou até vários ao mesmo tempo? Quem não se disfarça ou mascara? Mais profundamente, qual é a pessoa humana que não quer dirigir por si mesma sua própria vida segundo seu modo de ver, seus projetos, segundo o ideal de perfeição que forjou para si mesma?  Ora, enquanto nos obstinamos em querer conduzir nossa vida por nós mesmos, não somos simples. Permanecemos sendo pelo menos duplos. Há Deus e nós. O ser humano não se torna verdadeiramente simples senão quando deixa de debater-se na barra de seu destino e se abandona totalmente a Deus.

    A “santa e pura simplicidade” é fruto da disponibilidade interior, do despojamento que deixa inteiramente nas mãos de Deus a iniciativa de conduzir-nos a ele por seus caminhos. “Quando eras jovem – diz Jesus a Pedro – tu te cingias e ias onde querias. Quando envelheceres estenderás as mãos e será outro que te cingirá e te levará aonde não queres” (Jo 21,18).

    Francisco fez esta experiência. Deixou-se despojar de toda vontade própria. Incompreendido, frustrado em seu ideal, teve que continuar apesar de tudo com seus irmãos, em vez de tomar-se inflexível e fechar-se na solidão e na amargura. Colocou acima de tudo a comunhão fraterna.

    Éloi Leclerc, “O Sol nasce em Assis”, Editora Vozes.

  • O exemplo de Maria Madalena

    “As mulheres nunca medem sacrifícios; nem os seus, nem dos outros” (Germaine de Stael, escritora e intelectual francesa, 1766-1817).

    Demonstrar força contra quem não pode se defender é covardia. Pensar que nos dias de hoje existem punições severas contra as mulheres, só pelo fato de serem mulheres, parece até absurdo. No Irã, Nasrin Sotoudeh foi condenada a 148 chicotadas e quatro décadas de prisão por ter lutado pacificamente pelos direitos das mulheres. Na Arábia Saudita, Loujain al-Hathloul, foi presa e torturada simplesmente por querer dirigir! São alguns casos que vieram a público. E quantos mais existem no silêncio pacifico dos covardes. Maiores atrocidades acontecem com quem quer expressar sua fé em regimes totalitários. São tratados como animais destinados a matadouros. Nestes países o regime impede que os casos sejam divulgados. Mas as mulheres decididas sempre mostraram sua força no decorrer da história. Quem primeiro chegou ao túmulo de Jesus foi uma mulher corajosa, Maria Madalena, que não teve medo nem dos soldados romanos nem do sinédrio. Conhecendo a alma humana, Jesus nos deu sua mãe para nos ajudar na caminhada de fé, “eis aí tua mãe” (João 19).

    Bom dia e Bom trabalho!

    Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê
    Facebook: http://www.facebook.com/bomdiaebomtrabalho

  • Conversão ecológica

    “A Quaresma é tempo de limpar e enfeitar a casa por dentro. Convém que vivamos sempre de modo sábio e santo, dirigindo nossa vontade e nossas ações para aquilo que sabemos agradar a Deus” (São Leão Magno).

    Este tempo especial da Quaresma é particularmente apropriado para os exercícios espirituais, onde devemos aprender a criar uma nova maneira de viver no mundo. Na sua epístola, Pedro instrui-nos a viver de maneira sóbria e vigilante (1Pd 5,8). Como cristão devemos evitar uma vida cara ao planeta, não ceder ao consumismo e nos alimentar sem excessos…

    A conversão ecológica urge neste tempo! Não podemos continuar vivendo da mesma maneira… Como cristãos devemos viver de uma maneira mais integrada com a natureza, sem explorar, sem exceder… Somos os guardiães da vida e, como tal, devemos aprender a cuidar mais e melhor da natureza e da vida, seja ela em qualquer expressão. Sejamos, pois, sóbrios e vigilantes guardiães da vida extraordinária que Deus nos concedeu!

    Tenha um excelente fim de semana!
    Frei Paulo Sérgio, ofm

  • Imagens de Deus

    Nossa experiência de Deus e nossa vivência quanto a nós mesmos dependem de imagens que trazemos em nós sobre Deus e sobre nós mesmos. As imagens foram inculcadas em nós, e as carregamos conosco. Não podemos criá-las. Assim, é preciso olhar essas imagens, analisá-las, dissolvê-las e substituí-las por imagens melhores. Não podemos arrancar as imagens antigas. As imagens sempre voltarão. Só podemos substituí-las ao internalizar novas imagens e eliminar ou transformar lentamente as velhas imagens. Entretanto, precisamos estar sempre cientes de que as novas imagens não correspondem nem a Deus nem a nós mesmos. Elas só são mais próximas da verdade. São mais saudáveis. Mas Deus está além de todas as imagens. Elas são janelas através das quais olhamos para Deus. Podemos limpar as janelas para olhar melhor para Deus, mas Ele não é janela. Deus torna-se às vezes visível e tangível. Mas, nesse caso, Ele também nos escapa. Imagens saudáveis não podem fixar Deus. Nosso Eu verdadeiro só pode ser experimentado e visto aos poucos.

    As imagens velhas sobre Deus só podem ser transformadas quando não as recusamos simplesmente, sem dar-lhes atenção. Há um grãozinho de verdade nas imagens velhas. O que ocorre é que elas são demasiado unilaterais. Obscureceram a janela através da qual olhamos para Deus. Mas, apesar de todo obscurecimento, conseguimos olhar através dela e intuir um pouquinho de Deus, o que é perfeitamente normal. Assim, eu gostaria de ver primeiro as imagens velhas sobre Deus e sobre nós mesmos e descrever como elas podem lentamente se transformar.

    Anselm Grün, “Reconciliar-se com Deus”, Editora Vozes

  • O amor se manifesta no perdão

    Em que consiste essa força que nasce em nós e pela qual podemos enfrentar vitoriosamente o mal? O segredo da superioridade da nossa solidariedade no bem sobre a nossa solidariedade no mal está na força criadora do amor que Deus consegue desencadear no coração dos homens pelo perdão que Ele nos concede dos nossos pecados. “Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em termos Ele amado primeiro e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados” (1Jo 4,10). Também Jeremias coloca a base do novo relacionamento com Deus no perdão: “Então, ninguém terá o encargo de instruir seu próximo ou irmão, dizendo: ‘Aprende a conhecer o Senhor’, porque todos me conhecerão, grandes e pequenos; porque a todos perdoarei as faltas, sem guardar nenhuma lembrança de seus pecados” (Jr 31,34). Este amor que se manifesta no perdão reconduz o homem a si mesmo. O homem se encontra, desperta para o seu valor e renasce, superando a força do mal que o mantinha preso dentro de si no seu egoísmo. Essa nova consciência, ele a recebe de Deus e a ratifica no batismo.

    Carlos Mester, “Paraíso terrestre”, Editora Vozes

  • As dores do coração do mestre

    Estamos ainda, em João, participando do discurso de despedida ao longo da ceia. O evangelista afirma que Jesus estava profundamente comovido. Declara que alguém estava na iminência de traí-lo. Conseguimos sentir menos dor quando um estranho nos faz mal. No caso presente o que haveria de trair a Jesus estava ali, à mesa. Era aquele que comia um pedaço de pão molhado no vinho.

    Judas sai. O evangelista faz questão de dizer que era noite. Noite das trevas, da incompreensão, noite de dor e de abandono. Jesus fala de abandono. Diz também que chegou a hora de sua glorificação.

    Há um linguajar de ternura nos lábios de Jesus, segundo João: “Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco”. Depois da ressurreição haverá uma outra maneira de presença por parte de Jesus.

    Chegamos ao ponto de protesto de fidelidade veemente por parte de Pedro. Quer saber para onde está indo seu Mestre. Declara estar pronto para dar a vida por Jesus. Não se dá conta de que, no momento em que as trevas descerem, haverá de faltar-lhe a coragem. “O galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”. Mais tarde, diante de uma funcionária do templo, ele haveria de negar o Mestre que dizia tanto amar. Sairia do pátio do governador para fora. O evangelista também haveria de lembrar que era noite.

    Para refletir

    Durante a própria paixão e cruz, antes que chegasse à crueldade da morte e efusão do sangue, Jesus ouviu pacientemente as injúrias das palavras e tolerou as blasfêmias. Recebeu daqueles que o insultavam, escarros – ele que, com saliva, pouco antes, abrira os olhos ao cego. Foi flagelado quem, pela força do próprio nome, flagela o diabo com seus anjos. Foi coroado de espinhos que, com flores eternas coroa os mártires. Sofreu açoites na face, com palmas, quem concede verdadeiras palmas aos vencedores. Foi despojado da veste terrena quem aos outros veste com a imortalidade. Foi alimentado com fel quem oferece alimento celeste. Foi com vinagre saciado em sua sede, quem brindou os outros com uma bebida salutar.

    Tratado sobre o Bem da Paciência, de São Cipriano, bispo / Lecionário Monástico II, p. 546

    Frei Almir Guimarães

  • As trevas que envolveram Judas

    Judas, figura enigmática. Terrível quando alguém designa alguém de traidor: “Não tenho mais confiança em ti! Tu és um judas!”
    Não conseguimos compreender as razões pelas quais esse discípulo tomou a decisão de entregar o Mestre.
    Muito já se escreveu, se refletiu. Acertos e desacertos.
    Temos vontade de dizer que não é possível que tal traição tivesse de fato acontecido.
    Nunca conseguiremos desvendar totalmente o mistério.
    Judas fora chamado para o seguimento do Senhor, como os outros.
    Ouviu suas palavras, acolheu seus projetos, esteve junto do povo que escutava o Mestre de fala encantadora.
    Esperaria ele um Mestre marcado pelo poder, pela força, pelo prestígio?
    De repente, tão frágil, tão dolente, tão sujeito a ser colocado no mais baixo das categorias sociais, perseguido por meia dúzia de homens da religião tão medíocres.

    Nós, de nossa parte, ouvimos o Ressuscitado de múltiplas maneiras.
    Nascidos numa família cristã ou tendo descoberto o Mestre um pouco mais tarde.
    Andamos experimentando seu encanto e sua beleza na oração, numa transfiguração interior. Sentimos que continuávamos sua missão levantando os caídos à beira do caminho.
    Mas… o tempo da vida é longo…as noites sem claridade… as dúvidas… o tentador… tudo isso vai fazendo com que o brilho do Mestre perca sua luminosidade.
    Falta de vigilância, de atenção, busca frenética de lucro em tudo.
    Nos negócios, no meio dos homens, em prazeres que vão embotando o coração.

    Não vendemos, nós também, o Senhor por meia dúzia de moedas que já até perderam o valor? Quem tiver coragem que atire a primeira pedra! As trevas que envolveram Judas podem também nos envolver.

    Frei Almir Guimarães

  • Exercitar a humildade

    “O caminho rumo à unidade começa com uma transformação do coração, com uma conversão interior” (Papa Francisco).

    Converter-se significa reconhecer que somos criaturas, que dependemos de Deus, do seu amor, e somente “perdendo” a nossa vida n’Ele podemos ganhá-la. Isto exige trabalhar as nossas escolhas à luz da Palavra de Deus; exige também a humildade de pedir a Deus a luz do Espirito Santo…

    Ao que pede, recebe ensina-nos Jesus. O pedir cura-nos do orgulho de não precisar de ninguém… Nem de Deus! Somente o humilde consegue dobrar os joelhos diante de Deus e pedir… Somente o humilde consegue pedir ajuda às pessoas; o orgulhoso, não! Então, procure exercitar sua humildade neste dia e perceberá o quanto DEUS é bondoso e misericordioso!

    Tenha um abençoado dia e uma Semana Santa de muito crescimento espiritual!

    Frei Paulo Sérgio, OFM

  • O amor se derrama desde a cruz

    Como cristãos acreditamos que, na cruz de Jesus Cristo, a Redenção se torna visível em sua maior pureza e clareza. O Evangelho de Jesus vê como essencial na Redenção o fato de que Cristo na cruz nos amou em toda a plenitude. Na cruz, seu amor impregnou e transformou todo o ser humano, mesmo a maldade dos assassinos, tal como esta se tornou visível na cruz. João refere que, na cruz, Jesus foi glorificado. Eis o paradoxo: a glória de Deus, a beleza de Deus se revela justamente no fato de que alguém é barbaramente assassinado. Mas, para João, beleza e amor são idênticos. Ora, a beleza e o amor aparecem exatamente lá onde reina desenfreadamente o ódio entre as pessoas. Essa é a força revolucionária
    do amor, atingindo inclusive a extrema brutalidade em seu próprio âmago, transformando-a.

    O amor se derrama sobre todo o mundo desde a cruz e do lado aberto pela lança do soldado. Plenamente visível na cruz para todo mundo, o amor de Jesus se espalhou por toda parte e transformou desde então a consciência humana.

    Anselm Grün, Gerald Hütler e Maik Hosang, “Amar é a única revolução”, Editora Vozes.

  • Ele desceu à mansão dos mortos

    Dia de silêncio, de recolhimento, de meditação. São João Damasceno nos fala da visita que o Senhor fez à mansão dos mortos. Texto esplendoroso que pode provocar em nós lágrimas de arrependimento e vontade de começar tudo de novo.

    Cristo está na cruz: aproximemo-nos dele, participemos de seus sofrimentos para ter parte em sua glória. Cristo jaz entre os mortos: morramos ao pecado a fim de viver para a justiça. Cristo repousa num túmulo novo; purifiquemo-nos do velho fermento, tornemo-nos uma massa nova e sejamos para ele um lugar de repouso. Cristo desce à mansão dos mortos: desçamos também com ele pela humilhação que exalta, a fim de ressuscitarmos, sermos exaltados e glorificados com ele, sempre vendo e sendo vistos por Deus. Vós que sois do mundo, sede livres; vós que estais amarrados, saí; vós que estais nas trevas, abri os olhos para a luz; vós que estais no cativeiro, libertai-vos; cegos, levantai os olhos. Desperta, Adão que dormes, levanta-te de entre os mortos, pois Cristo nossa ressurreição apareceu!

    Aquele que se assenta sobre os querubins (cf. Sl 79,2) foi pregado numa cruz como um condenado. Embora sendo a vida dos homens, os assassinos de Deus não acreditaram ao vê-lo suspenso no madeiro. Aquele que plasmou o homem com suas mãos divinas estendeu o dia inteiro, suas mãos puras a um povo rebelde que seguia um caminho mau, e entregou sua alma nas mãos do Pai. Com uma lança perfuraram o lado daquele que criara Eva do lado de Adão; jorraram água e sangue, bebida de imortalidade e batismo de regeneração. Por isso o sol se escureceu não suportando ver maltratado o Sol da justiça. A terra estremeceu, aspergida com o sangue do Senhor, purificada da idolatria e saltando de alegria por essa purificação.

    Aquele que soprara a vida em Adão para dele fazer um ser vivente foi depositado num túmulo, morto, sem vida. Aquele que condenara o homem a voltar à terra foi contado entre os esquecidos da terra. As portas de bronze são quebradas, as barras das portas destruídas, as portas eternas se abrem, o guardião da mansão dos mortos se apavora. Aquele que não tem pecado está entre os mortos. Aquele que desfizera as ligaduras de Lázaro é envolvido com ataduras, para desatar as amarras do homem morto por causa do pecado e enredado em seus laços, a fim de torna-lo livre. Agora o rei da glória desce à casa do tirano, ele o Forte nos combates sai de um extremo do céu e no outro termina a sua corrida, alegrando-se como um atleta a percorrer seu caminho.

    Agora a mansão dos mortos torna-se o céu, o Hades é iluminado, as trevas, que outrora amedrontavam, vão-se embora, e os cegos recobrem a vista. Pois o Sol nascente, luz do alto, visita os que jazem nas trevas e na sombra da morte estão sentados (cf. Lc 1,78-79).

    Escutemos, nós que não vemos, e acreditamos na boa nova dos que anunciam a paz. Porque o braço de Deus e seu poder nos foram revelados. Se escutarmos, seremos glorificados, contemplando na humilhação, como num espelho, a glória do Senhor, e vendo, em seu aspecto desfigurado, a beleza que ultrapassa toda beleza. Se o vemos preso ao madeiro, sem beleza nem glória, morrendo por todos nos homens, ele é, no entanto, o Esplendor da glória do Pai. Ele dá sua túnica aos soldados que a repartem mas, ressuscitado dos mortos, enviará diante das nações os discípulos que escolheu, e ele mesmo será a túnica do batismo para os fiéis. Pois, vós todos batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl 3, 27).

    Acima de tudo, tende os mesmos sentimentos de Cristo Jesus que nos amou quando ainda éramos inimigos. Pois a antiga liberdade nos será devolvida, nós celebraremos o Êxodo Senhor Deus e a Igreja estará em paz. Então, com nossas lâmpadas acesas iremos ao encontro do Esposo imortal vencedor da morte. E com o rosto descoberto, contemplaremos como num espelho, a glória do Senhor, cuja beleza haveremos de gozar. A ele sejam dadas, honra, adoração e glória em união com o Pai e o Espírito Santo, agora e sempre, e por todos os séculos. Amém.

    Lecionário Monástico II, p, 621-623

  • O futuro do homem em Cristo ressuscitado

    Não se deve colocar o problema dos dons em termos de passado. Isto é, não se deve apresentar as coisas como se Adão tivesse perdido para todos nós aquela felicidade para a qual fomos criados. Nós é que somos Adão e Eva. Nós é que perdemos aqueles dons a cada momento. Mas podemos readquiri-los a cada instante. Não se trata tanto de um estado inicial ou experimental do qual o homem teria caído, perdendo-se em seguida no primitivismo, constatado pela ciência arqueológica e paleontológica. Trata-se daquela possibilidade real que Deus abriu e ainda abre sobre o horizonte futuro da existência humana. O paraíso é uma profecia do futuro, projetada no passado. A certeza que temos desse nosso futuro, Deus a confirmou pela Ressurreição de Jesus Cristo. Em Cristo ressuscitado, o futuro do homem está plenamente realizado: justiça, imortalidade, integridade, felicidade, ausência de todos os males.

    A perda dos dons sobrenaturais e pretenaturais não deve ser entendida como uma queda de um estado que existia anteriormente. Mas é queda livre e responsável de todos nós, quando nos afastamos do caminho que conduz àquele estado futuro de paz e de felicidade, descrito no paraíso e confirmado, antecipadamente, pela ressurreição.

    Carlos Mesters, “Paraíso Terrestre, saudade ou esperança?”, Editora Vozes

  • O trigo será mais forte que o joio

    Queremos ser bons. Mas então descobrimos em nós a inclinação para o mal. Queremos ser apenas afetuosos, mas descobrimos em nós o ódio e sentimentos de vingança. Horrorizamo-nos diante desse joio e gostaríamos de arrancá-lo. Mas então arrancamos também o trigo. O joio ao qual Jesus se refere aqui é o azevém que envenena. Ele é semelhante ao trigo e as suas raízes se entrelaçam com as raízes do trigo.

    A pessoa que, por perfeccionismo, quisesse arrancar de sua alma todo o joio não conseguiria colher o trigo. Sua vida se tornaria infrutífera. A fertilidade de nossa vida nunca é expressão de uma pura ausência de erros, mas consequência da confiança que o trigo será mais forte do que o joio e que o joio pode ser separado do trigo.

    Anselm Grün, “Reconciliar-se com Deus”, Editora Vozes.

  • A grande descoberta de Francisco

    Francisco fez a grande descoberta de Deus como Pai, e de todos os seres como irmãos e irmãs no seu íntimo encontro com Jesus Cristo. Ele é Verbo feito homem, é o Filho de Deus encarnado. No Filho se espelha toda a criação e, de modo particular, a criatura humana, criada à imagem e semelhança de Deus. Pelo mistério da encarnação, Maria fez nosso irmão o Senhor da majestade (cf. 2 Cel 198; LM 9,3). O Verbo, o Filho de Deus, assumiu a nossa natureza, elevando-nos à condição de filhos e filhas no Filho.

    Esta solidariedade com a humanidade foi até à morte e morte de Cruz. Assim, ele nos tornou irmãos e irmãs também na ordem da redenção. Ele é o primeiro dos irmãos ressuscitados. Seu sangue circula nas veias de cada redimido. Daí a fraternidade universal. Daí a fraternidade como vocação de toda a criação, de toda a humanidade. Cristo Jesus nos leva a fazer parte da família de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.

    Frei Alberto Beckhäuser, “Rezar a vida”, Editora Vozes.

  • A força da fé

    Quando eu não tenho qualquer raiz, facilmente o meu ambiente de vida torna-se árido. Tão logo os problemas externos me tocam, eu reajo indefeso e depressivo. Não tenho como reagir contra isso. Os rituais me põem em contato com as energias de minha fé, com a qual meus antepassados enfrentaram as adversidades da vida. Mesmo a sua vida não foi sempre fácil.

    Eles atravessaram a vida em meio a guerras, doenças, necessidades e pobreza. E conduziram suas vidas apesar de tudo com sucesso por meio da fé.

    Anselm Grün, “Onde eu me sinto em casa”, Editora Vozes.

  • Viver em ação de graças

    Desde as origens, a humanidade tende a buscar um bem aparente, falaz. Inverte a ordem das coisas. Onde o ser humano é chamado a ser filho, torna-se rebelde; quer apropriar-se da vida como um direito, negando sua condição de criatura em relação a Deus. Onde é chamado a ser senhor, acaba tornando-se escravo dos bens materiais, esquecendo-se de que o Bem verdadeiro é o próprio Deus. Onde é chamado a ser irmão, torna-se tirano, inimigo. O que ele deveria buscar como bem, acaba transformando-se em mal. Isto é pecado. No fundo, é este o único mal. É negar-se a viver em ação de graças.

    As realidades criadas apresentam-se muitas vezes como o bem absoluto. É a tentação de substituir Deus, o único Bem verdadeiro, por bens aparentes: são os ídolos, aparências do Bem, de Deus. E como todo bem vem de Deus, somente com sua graça poderemos aderir a ele.

    Frei Alberto Beckhäuser, “Rezar a vida”, Editora Vozes.

  • Desligar a conexão

    Redes sociais são magníficas para situações de conectividade, simultaneidade, instantaneidade e mobilidade. Elas podem, entretanto, agregar também um nível de superficialidade e imediatismo nas relações, fazendo com que haja mais contentamento com o mundo virtual, do qual basta desligar a conexão quando não se gosta do que se vive. Mas o mundo concreto exige lidar com as agonias e alegrias consigo e com os outros.

    Minha objeção não é ao uso de tecnologias, mas ao comportamento obsessivo em relação a elas, a dependência exagerada e a alienação eventual que podem acarretar. Afinal, como dizemos nós, os caipiras, “mundo de poeta não tem pernilongo”.

    Mario Sergio Cortella, “Filosofia, e nós com isso?”, Editora Vozes

  • Graças a Deus

    Para o povo brasileiro, dizer “graças a Deus” não é só uma interjeição em resposta à pergunta: “Você está bem?” É a afirmação substantiva de que estamos vivos graças a Alguém. Vivemos graças a Deus e somos devedores desse presente maravilhoso. Sem mérito de nossa parte pelo amor ablativo desse Deus que nos quer bem. Até Jesus deu graças a seu Pai por tudo o que d’Ele recebia gratuitamente. Agradece os sinais de Deus revelado aos pobres. Agradecer é sempre reconhecer as dádivas dadas e imerecidas. Um mal-agradecido é alguém desprezível que não enxerga o óbvio. A graça é sinônimo de benquerença, de misericórdia, de charme e de beleza.

    Fernando Altemeyer Junior, “Silhuetas de Deus”, Editora Vozes

  • Serviço, essência do amor

    O Senhor do céu e da terra não só se esvaziou de sua divindade, mas assumiu a nossa humanidade e, dentro dela, a condição de servo! Isto é realmente inexplicável aos olhos da lógica e da fé, mas é o sumo, a essência mesma do amor.
    Aliás, o amor não tem lógica da razão, mas possui a lógica da existência e da consideração pela pessoa, do fascínio por ela. E foi isso que Deus fez. Não veio ser companheiro apenas, mas Ele nos fez senhores, sendo Ele o nosso escravo!
    E todos aqueles que seguem a Jesus bem de perto não têm receio nenhum de usar a palavra “escravo”. “Eis a escrava do Senhor”.
    Por isso, São Francisco teve um cuidado enorme em servir a noviços, quando ele já era o homem conhecido de reis, papas e príncipes. São Francisco tem o cuidado de servir até a natureza, o cordeirinho, as formigas e as aves.

    Cardeal Arns, “Olhando o mundo com São Francisco”, Edições Loyola.

  • A imagem de Nossa Senhora

    O tempo estraga as imagens. Elas requerem muito cuidado. Devem ser protegidas contra os ladrões que conhecem o seu grande valor. Devem ser restauradas, para que apareça novamente a beleza que o artista nelas colocou. Tudo isso é um símbolo e vale como comparação. O tempo andou estragando a Imagem que o povo tem de Nossa Senhora. Os responsáveis não tiveram o cuidado suficiente. Ladrões vieram e roubaram as suas jóias. Já não é tão fácil reconhecer toda a beleza que Deus, o artista, nela colocou quando disse: «Eis aí a sua mãe!» (Jo 19,27). Se fosse possível restaurar e renovar a Imagem de Nossa Senhora, sem destruí-la e sem deformá-la!. ..

    Restaurá-la de tal maneira, que nela transparecesse melhor a mensagem de Deus ao povo e que aparecesse bem claramente, aos olhos de todos, o testemunho que Maria nos deu da sua fé em Deus e da sua dedicação à vida!
    Renová-la de tal maneira, que ela se transformasse num espelho limpo e não embaçado, para o povo poder contemplar a sua cara de gente, de filho de Deus, e descobrir nela a sua missão no mundo de hoje! Se fosse possível limpar este espelho! …

    Um dia, este sonho vai tornar-se realidade! Mesmo que, por ora, ainda não sejamos capazes de enxergar toda a beleza da Imagem de Nossa Senhora, a gente sabe que, dentro dela, esta beleza existe e intui que ela contém um segredo muito importante para a nossa vida.

    Por isso, o povo carrega-a consigo para onde quer que vá e a protege pela sua devoção. Não joga fora o que ainda não entende. Sabe que a vida é maior do que a sua compreensão. Aguarda o dia em que alguém o ajude a descobrir todo o segredo da Imagem de Nossa Senhora!

    E esse dia, quando chegar, será o dia do grande milagre, jamais acontecido, que fará coincidir a Sexta-Feira da Paixão com o Domingo da Páscoa e transformará a grande procissão do Senhor Morto numa procissão festiva de Ressurreição e de Vida!

    Nossa Senhora do Livramento, rogai por nós!
    Nossa Senhora das Vitórias, rogai por nós!

    Carlos Mesters, “Paraíso Terrestre, saudade ou esperança?”, Editora Vozes

  • Celebrar e viver os sacramentos

    Estamos por demais acostumados a falar em “administrar” os sacramentos, em “receber” os sacramentos. A verdadeira compreensão dos sacramentos deveria mudar o nosso modo de falar e, consequentemente, a nossa compreensão a respeito deles. Somos chamados a celebrar e viver os sacramentos. Importa tirá-los dos arquivos do nosso inconsciente e transformá-los em fontes de inspiração de vida cristã na ação da caridade. Tirá-los dos baús para ostentá-los como ações simbólicas proféticas da vida e do amor de Deus que se manifestou à humanidade em Cristo e por Cristo Jesus. Assim, poderemos superar uma compreensão mágica dos sacramentos.

    Frei Alberto Beckhäuser, “O jeito franciscano de celebrar”, Editora Vozes.