Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Meditação diária

maio/2026

  • A graça do trabalho

    Eu trabalhava com minhas mãos e quero ainda trabalhar: e firmemente quero que todos os irmãos trabalhem em mister honesto. E os que não sabem, aprendam; não pela cobiça de receber o preço do trabalho, mas para dar bom exemplo e para repelir a ociosidade.

    São Francisco de Assis –  Testamento

    Que graça poder trabalhar.  O trabalho pode ser penoso e o é.   Basta ver esses operários a quebrar o asfalto em pleno e escaldante verão, esses estivadores a carregar pesos de um lado para o outro, essas mulheres sem máquinas lavando bacias de roupas à beira de um rio.  Com esse trabalho, as pessoas vivem e sobrevivem. O trabalho, porém, tem aspectos gratificantes.  O ator de teatro entrega sua alma ao personagem e arranca lágrimas da plateia. Um tal desempenho custou esforço, disciplina, perseverança. Há o trabalho de preparar uma refeição festiva e experimentar a alegria da mãe de família introduzir na sala o bolo de nozes… Tudo é trabalho.  Nosso trabalho pode fazer os outros felizes.


    Organização: Frei Almir Guimarães

    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

  • Jesus que tudo muda

    Os simples e pobres se deram conta que com a presença de Jesus acabava sua solidão.

    Esse homem (Jesus) que, com sua doutrina e milagres, entusiasma as multidões em todo o país, não é de modo algum um revolucionário violento. Apesar disso torna-se inquietante e perigoso. Porque está em vias de mudar tudo. Os pobres,  os ignorantes, os pecadores, os escorraçados da sociedade, todos agora andam  de cabeça erguida. Ao pé Jesus sentem uma felicidade inesperada.  A sua presença  constitui para eles um encontro extraordinário. Acabou-se o tempo da solidão, da vergonha e do desprezo. Agora ei-los acolhidos, restituídos a uma dignidade  em que não se  atreviam a acreditar.  Descobrem que eles são amados por Deus.

    Éloi  Leclerc OFM, “O Reino  Escondido”, Ed.  Franciscana,  Braga  (Portugal) p. 109


    Organização: Frei Almir Guimarães

    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

  • Quando os idosos são esquecidos

    Em sua sabedoria, os idosos veem os menos idosos, apressados, sérios,  projetando-se para o futuro, tentando  provar seu valor para o amanhã e  o depois de amanhã.  Há idosos que são muito indulgentes para com aqueles que raramente pensam neles e pouco os visitam, filhos, netos e conhecidos.  Costumam desculpá-los:  eles têm sua vida e suas ocupações.  As pessoas não se interessam pelo patrimônio de vida dos que envelhecem.  Talvez se interessem pela herança.  Os idosos têm vontade de transmitir a sabedoria de vida a outros. Escolhem um herdeiro de fora que vai receber seus bens e acolher o tesouro de sua sabedoria, talvez um cuidador ou um  empregado da padaria que todos os dias  dizia:  “Muito  bom dia, meu  Senhor”.


    Organização: Frei Almir Guimarães

    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

  • Chegou o tempo da ternura de Deus

    Com a pregação de Jesus “homens e mulheres pressentem, como por instinto, que com este novo profeta se passa qualquer coisa de decisivo e irreversível.  Oferece-lhes uma proximidade divina nunca antes explorada, toda ela perdão e amor.  Qualquer coisa que é ao mesmo tempo forte e exaltante, como o marulhar das ondas em dias de tempestade e por outro lado doce e terno como uma carícia.  Sim.  Eis, finalmente, chegado o tempo da ternura de Deus com a terra.


    Organização: Frei Almir Guimarães

    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

  • Esperança e consolação

    Mãe Imaculada, que és para todos um sinal de esperança certa e de consolação, faz com que nos deixemos atrair pela tua candura imaculada. A tua Beleza Tota Pulchra, cantamos hoje assegura-nos que a vitória do amor é possível; aliás, que é certa; garante-nos que a graça é mais forte que o pecado e portanto que é possível o resgate de qualquer escravidão. Sim, ó Maria, Tu ajudas-nos a acreditar com maior confiança no bem, a apostar na gratuidade, no serviço, na não-violência, na força da verdade; encoraja-nos a permanecer acordados, a não ceder à tentação de fáceis evasões, a enfrentar a realidade, com os seus problemas, com coragem e responsabilidade. Assim fizeste tu, jovem mulher, chamada a apostar tudo na Palavra do Senhor. Sê mãe amorosa para os nossos jovens, para que tenham a coragem de ser “sentinelas da manhã”, e concede esta virtude a todos os cristãos, para que sejam a alma do mundo neste não fácil período da história. Virgem Imaculada, Mãe de Deus e nossa Mãe, Salus Populi Romani, intercede por nós!

    Papa emérito Bento XVI


    Organização: Frei Almir Guimarães

    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

  • Reconstruir, duro labor!

    Chega uma hora em que a crítica ao passado simplesmente não basta. Chega um novo momento na vida  em que devemos nos dedicar à criação do futuro.  E isso é difícil.  É trabalho árduo  (…).  Os reconstrutores  são artistas da alma  que moldam um pedaço da criação humana e deixam a produção no forno do tempo.  Eles não pretendem ter todas as respostas. Pretendem honrar as questões.  Estão preparados para flutuar, para sempre se necessário,  para  descobrir um mundo melhor,  para moldar uma peça mais fina no planeta.

    Joan Chittister, OSB


    Organização: Frei Almir Guimarães

    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

  • Oração de São João Paulo II a Maria

    “Ó Mãe dos homens e dos povos, vós que conheceis todos os seus sofrimentos e as suas esperanças, vós que sentis maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas que abalam o mundo contemporâneo, acolhei o nosso clamor que, movidos pelo Espírito Santo, elevamos diretamente ao vosso coração. Abraçai, com amor de Mãe e de Serva do Senhor, esse nosso mundo, o qual vos confiamos e consagramos, cheios de inquietude pela sorte terrena e eterna dos homens e dos povos.

    De modo especial, entregamos a Ti aqueles homens e aquelas nações que desta entrega e desta consagração têm particularmente necessidade.

    “À vossa proteção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus! Não desprezeis as súplicas que se elevam de nós que estamos na provação!”

    “Encontrando-nos hoje diante Vós, Mãe de Cristo, diante do vosso Imaculado Coração, desejamos, juntamente com toda a Igreja, unir-nos à consagração que, por nosso amor, o vosso Filho fez de Si mesmo ao Pai: ‘Eu consagro-Me por eles — foram as Suas palavras — para eles serem também consagrados na verdade’” (Jo 17,19).

    Queremos nos unir ao nosso Redentor, nesta consagração pelo mundo e pelos homens, a qual, no seu coração divino, tem o poder de alcançar o perdão e conseguir a reparação.

    Neste Ano Santo, bendita sejais acima de todas as criaturas, Serva do Senhor, que obedecestes da maneira mais plena ao chamamento divino. Louvada sejais vós, que estais inteiramente unida à consagração redentora do vosso Filho!

    Mãe da Igreja, iluminai o povo de Deus nos caminhos da fé, da esperança e da caridade. Iluminai, de modo especial, os povos dos quais vós esperais a nossa consagração e a nossa entrega. Ajudai-nos a viver na verdade da consagração de Cristo por toda a família humana do mundo contemporâneo.

    Confiando-vos, ó Mãe, o mundo, todos os homens e todos os povos, nós vos confiamos também a própria consagração do mundo, depositando-a no vosso coração materno.

    Oh, Imaculado Coração, ajudai-nos a vencer a ameaça do mal, que se enraíza tão facilmente nos corações dos homens de hoje e que, nos seus efeitos incomensuráveis, pesa já sobre a vida presente e parece fechar os caminhos do futuro.

    Da fome e da guerra, livrai-nos!
    Da guerra nuclear, de uma autodestruição incalculável, e de toda a espécie de guerra, livrai-nos!
    Dos pecados contra a vida do homem desde os seus primeiros instantes, livrai-nos!
    Do ódio e do aviltamento da dignidade dos filhos de Deus, livrai-nos!
    De todo o gênero de injustiça na vida social, nacional e internacional, livrai-nos!
    Da facilidade em calcar aos pés os mandamentos de Deus, livrai-nos!
    Da tentativa de ofuscar nos corações humanos a própria verdade de Deus, livrai-nos!
    Da perda da consciência do bem e do mal, livrai-nos!
    Dos pecados contra o Espírito Santo, livrai-nos, livrai-nos!

    Acolhei, ó Mãe de Cristo, esse clamor carregado do sofrimento de todos os homens, carregado do sofrimento de sociedades inteiras. Ajudai-nos, com a força do Espírito Santo, a vencer todo o pecado: o pecado do homem e o pecado do mundo; enfim, o pecado em todas as suas manifestações.

    Que se revele uma vez mais, na história do mundo, a força salvífica infinita da Redenção: a força do amor misericordioso. Que ele detenha o mal, transforme as consciências e manifeste para todos, no vosso Imaculado Coração, a luz da esperança!

    Amém!


    Organização: Frei Almir Guimarães

    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

  • Senhor, escuta nossa oração

    Senhor,
    coloca em nossas mãos as chaves do teu Reino.
    Esperamos tua generosidade.
    Que possamos chegar até a ti.
    Ilumina nosso olhar para que possa te contemplar.
    Faze com abaixemos nossos olhos
    para afastá-los daquilo que não é tu.
    Quando tivermos sede, mata nossa sede.
    Quando formos frágeis, fortifica-nos.
    Quando formos tortos,  endireita-nos.
    Quando estivermos perto de ti, dá-nos tua hospitalidade.
    Quando estivermos doentes, cura-nos.
    Quando estivermos confusos,  clarifica-nos.
    Quando estivemos manchados,  purifica-nos.
    Quando cairmos na corrupção, dá-nos novamente a integridade.
    Quando te recusarmos, faze com que conheçamos a ti.
    Quando te ignorarmos, dá-nos teu  ensinamento.

    Al Tawhidi, Místico muçulmano, 932-1023


    Organização: Frei Almir Guimarães

    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

  • Dificuldade em se saber amado

    O homem atual experimenta imensa dificuldade  em se  saber amado.  No plano humano primeiramente.  A enormidade das grandes cidades,  a dureza e o anonimato das grandes cidades  dão  sobretudo a imagem de  um  mundo indiferente e sem amor. Num  mundo ampliado e gelado seriam necessárias provas e afirmações de  amor se multiplicassem e é justamente o contrário que  ocorre. A educação se torna difícil e cheia de lacunas.  A maioria das pessoas dão a impressão  de não ter  recebido  sua porção vital de amor no começo da vida,  a partir do que  poderiam  multiplicar amor.

    Albert-Marie  Besnard, dominicano


    Organização: Frei Almir Guimarães

    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

  • Mil razões para viver

    Faze com alma
    o que na vida
    te for dado fazer.
    Mas não esqueças nunca
    de integrar-te
    nos grandes planos de Deus.

    Vive o mistério da Criação
    fazendo de cada dia
    um cântico das criaturas
    e tendo a confiante audácia
    de exercer
    tua incrível missão
    de co-criador.

    Vive o mistério da Encarnação Redentora

    Dom Hélder Camara


    Organização: Frei Almir Guimarães

    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

  • Um autêntico frade menor

    Francisco, desabafando certo dia com um companheiro, exprimia-se assim: “Não me considero um autêntico frade menor enquanto não me sentir numa situação que vou te descrever: Suponhamos que na qualidade de superior dos irmãos vou a um Capítulo, faço uma palestra, dou umas admoestações, e no fim me vêm dizer: ‘Desculpa mas não possuis as qualidades mínimas necessárias; não tens cultura, nem facilidade de falar, és um idiota e um imbecil’. Finalmente sou expulso com injúrias e vilipendiado por todos. Digo-te se eu não ouvir estas palavras com o mesmo semblante, com a mesma alegria de espírito e com o mesmo propósito de santidade de maneira alguma sou um frade menor”.

    São Boaventura, Legenda Maior VI, 5

  • A dignidade dos pobres

    Amar os pobres, significa em primeiro lugar, respeita-los e reconhecer sua dignidade. Neles, justamente pela falta de outros títulos e distinções secundárias, brilha com luz mais viva a radical dignidade do ser humano. Em uma homilia de Natal em Milão, o Cardeal Montini declarou: “A visão completa da vida humana à luz de Cristo enxerga no pobre algo mais do que um necessitado apenas; enxerga nele um irmão misteriosamente revestido de uma dignidade que obriga a tributar-lhe reverência, acolhe-lo com presteza, compadecer-se dele além do mérito”.

    Frei Raniero Cantalamessa, OFM. Cap, “Apaixonado por Cristo”.

  • Respeito pela pessoa

    Ser menor não é uma questão de humildade, mas de respeito total pela pessoa. É pobreza, mas pobreza que não se situa no espaço das coisas materiais, mas no espaço do relacionamento estre as pessoas. É fraternidade também, não só porque a pobreza dá origem à partilha, mas porque na fraternidade franciscana, o respeito pela liberdade é algo vital. A dialética entre liberdade e unidade, individual e coletivo, liberdade e ordem cívica é um dos problemas mais difíceis da vida. Infelizmente os homens não souberam viver a síntese paradoxal dos dois valores, vivida por Francisco e latente na alma da Fraternidade Franciscana – a Ordem dos Irmãos Menores. “Irmão menor” é tratado de liberdade e de… democracia.

    Frei David Azevedo, OFM, Francisco de Assis. Fé e Vida, Ed. Franciscana

  • O essencial de uma fraternidade

    Escrevia São Francisco de Assis, dirigindo-se a seus irmãos e irmãs para lhes propor uma forma de vida com sabor a Evangelho. Destes conselhos, quero destacar o convite a um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço; nele declara feliz quem ama o outro, “o seu irmão, tanto quando está longe, como quando está junto de si”.] Com poucas e simples palavras, explicou o essencial de uma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra onde cada uma nasceu ou habita. Este Santo do amor fraterno, da simplicidade e da alegria, que me inspirou a escrever a encíclica Laudato si’, volta a inspirar-me para dedicar esta nova encíclica à fraternidade e à amizade social.

    Papa Francisco, “Fratelli tutti”

  • Jesus que tudo muda

    Esse homem (Jesus) que, com sua doutrina e milagres, entusiasma as multidões em todo o país, não é de modo algum um revolucionário violento. Apesar disso torna-se inquietante e perigoso. Porque está em vias de mudar tudo. Os pobres, os ignorantes, os pecadores, os escorraçados da sociedade, todos agora andam de cabeça erguida. Ao pé Jesus sentem uma felicidade inesperada. A sua presença constitui para eles um encontro extraordinário. Acabou-se o tempo da solidão, da vergonha e do desprezo. Agora ei-los acolhidos, restituídos a uma dignidade em que não se atreviam a acreditar. Descobrem que eles são amados por Deus.

    Éloi Leclerc OFM, “O Reino Escondido”, Ed. Franciscana

  • Senhor, escuta nossa oração

    Senhor,
    coloca em nossas mãos as chaves do teu Reino.
    Esperamos tua generosidade.
    Que possamos chegar até a ti.
    Ilumina nosso olhar para que possa te contemplar.
    Faze com abaixemos nossos olhos
    para afastá-los daquilo que não é tu.
    Quando tivermos sede, mata nossa sede.
    Quando formos frágeis, fortifica-nos.
    Quando formos tortos, endireita-nos.
    Quando estivermos perto de ti, dá-nos tua hospitalidade.
    Quando estivermos doentes, cura-nos.
    Quando estivermos confusos, clarifica-nos.
    Quando estivemos manchados, purifica-nos.
    Quando cairmos na corrupção, dá-nos novamente a integridade.
    Quando te recusarmos, faze com que conheçamos a ti.
    Quando te ignorarmos, dá-nos teu ensinamento.

    Al Tawhidi, Místico muçulmano, 932-1023

  • Esperança e consolação

    Ó Mãe Imaculada, que és para todos um sinal de esperança certa e de consolação, faz com que nos deixemos atrair pela tua candura imaculada. A tua Beleza Tota Pulchra, cantamos hoje assegura-nos que a vitória do amor é possível; aliás, que é certa; garante-nos que a graça é mais forte que o pecado e portanto que é possível o resgate de qualquer escravidão. Sim, ó Maria, Tu ajudas-nos a acreditar com maior confiança no bem, a apostar na gratuidade, no serviço, na não-violência, na força da verdade; encoraja-nos a permanecer acordados, a não ceder à tentação de fáceis evasões, a enfrentar a realidade, com os seus problemas, com coragem e responsabilidade. Assim fizeste tu, jovem mulher, chamada a apostar tudo na Palavra do Senhor. Sê mãe amorosa para os nossos jovens, para que tenham a coragem de ser “sentinelas da manhã”, e concede esta virtude a todos os cristãos, para que sejam a alma do mundo neste não fácil período da história. Virgem Imaculada, Mãe de Deus e nossa Mãe, Salus Populi Romani, intercede por nós!

    Papa Bento XVI

  • Somos carentes

    O amor não é simplesmente vir a ser atraído por outro ser umano. Na grandiosa cosmologia eterna da vida, o amor opera mais para nos aprofundar em nós mesmos do que para nos levar ao interior do desconhecido “outro”. O amor nos ensina como realmente somos carentes. Ou, talvez, ainda mais impactante pois, na verdade, não nos interessamos por ninguém além de nós mesmos.

    Joan Chittister, “Entre a escuridão e a luz do dia”, Editora Vozes

  • Valores evangélicos

    Evangelizar não consiste em apenas angariar adeptos para a instituição eclesiástica. Consiste sobretudo em incutir nas pessoas os valores evangélicos elencados no Sermão da Montanha: despojamento, luta pela paz, misericórdia, pureza de coração, fome e sede de justiça, confiança sob perseguições etc. Mais do que a profissão de fé que possam expressar, interessa a capacidade de amar, de se doar à causa dos pobres, à busca de libertação, de uma nova sociedade, um “outro mundo possível”, no qual todos vivam com liberdade, justiça, dignidade e paz.

    Frei Betto, “Fé e afeto”, Editora Vozes

  • Espiritualidade do amor

    A espiritualidade cristã é, antes de mais nada, uma espiritualidade do amor. O que a espiritualidade almeja é que nos deixemos impregnar cada vez mais pelo amor de Jesus. Teilhard de Chardin usa a expressão “diáfanos”, ou seja, transparente para o amor de Cristo. Este amor deve se manifestar em seguida no amor ao próximo, e também, justamente, no amor ao inimigo. O amor deve superar toda inimizade. Jesus compara o amor ao inimigo com o sol que brilha por igual para bons e maus.

    Anselm Grün, “Amar é a única Revolução”, Vozes.

  • Razões para viver

    Dar um significado à sua vida é encontrar razões para viver. É tentar responder, mesmo que provisoriamente, à pergunta: Por que tenho vontade de continuar a viver? Esta pergunta é tanto mais forte quando somos confrontados com a proximidade da morte: no fundo, será que eu luto apenas para sobreviver, de maneira instintiva e por medo da morte, ou antes será que desejo ainda viver plenamente?

    Frédéric Lenoir, “Viver, um manual de resiliência para um mundo imprevisível”, Vozes.

  • Francisco e a simplicidade

    Francisco não é profeta somente pela sua entrega mística a Deus. Amou também os homens de uma forma original, cativante e, por vezes, tocante. Basta ler superficialmente a sua vida para se notar que no seu amor se destacava justamente aquilo que o coração humano deseja: simplicidade, calor e bondade irradiante. Tudo era tão natural que ninguém tinha a sensação de íncomodá-lo. Nisso tinha Francisco uma visão pouco comum: ele devia ajudar, devia dar-se aos homens, pois se julgava sempre o menor de todos.

    N.G. Van Doornick, “Francisco de Assis, profeta de nosso tempo”, Vozes.

  • Mistério insondável de compaixão

    Somente a partir das vítimas poderemos aceder à verdade do Deus encarnado e manifestado em Jesus, o Deus crucificado, um Deus que não é poder, mas mistério insondável de compaixão que reclama justiça para os que sofrem, um Deus que tem um projeto para humanizar o mundo e nos chama a colaborar com Ele seguindo Jesus.
    Por outra parte, somente a partir dos excluídos, e não dos centros de poder, se conhece bem o mundo, sua verdadeira realidade, tudo o que nos falta para sermos humanos. São nossas vítimas as que mais nos ajudam a conhecer o que somos. Ninguém pode nos interpelar com mais força. Ninguém tem mais poder para arrancar-nos de nossas cegueiras e indiferenças.

    José Antonio Pagola, “Recuperar o projeto de Jesus”, Vozes.

  • Felicidade

    A felicidade é algo mais do que o que conquistamos na vida. Deve-se tanto ao que fomentamos dentro de nós quanto aos benefícios físicos e sociais que fazemos florescer no decorrer dos anos. Este é o porquê de a acumulação de coisas pouco ou nada contribuir para a felicidade. As pesquisas revelaram, por exemplo, que irrisórios pontos decimais separam motoristas de táxi e milionários nas escalas de felicidade.
    A felicidade é aquela outra parte de nós, aquela parte mais profunda de nós, aquela autoavaliação que nos direciona para além do mundano e nos conduz ao status de anjos. Na felicidade vislumbramos um lampejo do que significa ser mais do que matéria – e também ser o espírito que nos faz plenamente humanos.

    Joan Chittister, “O Livro da Felicidade”, Vozes.

  • Presente de Deus

    A fé é uma relação direta com Deus, e uma relação desinteressada e verdadeira. É uma graça e um presente de Deus vivendo em nosso coração que manifesta a beleza da vida e irrompe em nosso corpo e alma de forma efetiva e irrefutável. A fé mais profunda é sempre a maior inteligência de Deus. Não é posse acadêmica, clerical ou construção lógica. É amor vivido e ofertado pelas mais simples das criaturas. A fé é um estar em Deus e crer n’Ele. Cremos porque somos e passa-
    mos a ser aquilo que cremos nessa mescla simbiótica entre a existência e a essência de nosso ser vital. Assim, pode-se dizer que a fé não se cultiva, mas ela se dá e se oferece a nós.

    Fernando Altemmeyer Junior, “Silhuetas de Deus”, Vozes.

  • Amor inexplicável

    Quanto mais abandono minhas imagens sobre Deus, mais Deus se revela para mim como o mistério inexplicável. Mas o Deus inexplicável é, acima de tudo, Amor, um amor inexplicável, que está além de todas as minhas ideias sobre o amor.

    Anselm Grün, “Reconciliar-se com Deus”, Vozes

  • Autenticidade

    Uma das coisas que gera felicidade é autenticidade. Você fica feliz quando é o que faz, o que fala e o que mostra. Isso lhe deixa inteiro, a vida vibra com mais força. A inautenticidade conduz ao sofrimento. Afinal de contas, autêntico é aquele que coincide consigo mesmo.

    Mario Sergio Cortella, “Felicidade foi-se embora”, Vozes

  • Amor que nos purifica

    E hoje, nesta Missa da Quinta-feira Santa, a Igreja pede que o sacerdote lave os pés de doze pessoas, em memória dos Doze Apóstolos. Mas devemos ter a certeza no nosso coração, devemos estar certos que o Senhor, quando nos lava os pés, nos lava por inteiro, nos purifica, nos faz sentir mais uma vez o seu amor.

    Papa Francisco, Santa Missa da Ceia do Senhor (2 de abril de 2015)

  • Cultivar a experiência mística

    A experiência da felicidade não é ausência de dores, inquietações ou preocupações. Mas, em meio a tudo isso, é arrebatadora. A experiência mística não é uma coisa que se adquire, e pronto. É cíclica, e deve ser cultivada pelo amor ao próximo, à natureza e a Deus, nutrido através da oração e de exercícios de meditação.

    Frei Betto, “Felicidade foi-se embora”, Vozes

  • Manifestação da bondade do Altíssimo

    O amor de Francisco pelas criaturas é real, profundo e religioso. Estas são para ele, cada uma a seu modo e pelo seu próprio ser, uma manifestação do poder, da beleza ou da bondade do Altíssimo, manifestação que, por vezes, o lança no arrebatamento.

    Eloi Leclerc, “O cântico das criaturas”, Vozes.

  • Sem luta não há vitória

    A tentação obriga-nos a lutar. Porque sem luta não há vitória. Vencer, porém, jamais é mérito nosso. Nós precisamos fazer a experiência de que, por meio da luta, Cristo age em nós e, de repente, nos liberta da luta constante e nos dá uma profunda paz.

    Anselm Grün, “O céu começa em você”, Vozes.