Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Meditação diária

agosto/2019

  • A consciência é como luz

    “A consciência é como a luz, ninguém a nota. No entanto, ela ilumina tudo” (Alex Gabriel Madrigal).

    A consciência é a capacidade ou habilidade de estarmos presente em nós mesmos. A consciência não pode ser conhecida pela mente, pois esta, é tão-somente uma manifestação da própria consciência. Aos poucos vamos descobrir, pela experiência, que não é nós que temos a consciência, mas é ela quem nos possui… A consciência vai iluminado nossa vida e nossas escolhas; assim vamos experimentando maior leveza, bem estar, alegria e felicidade verdadeira.

    A consciência não pode ser obtida pelo esforço da mente ou do ego. O esforço é algo que pensamos ter que fazer a todo custo. Na consciência não há esforço, mas abertura total e completa para receber e permissão para tudo aquilo que o universo quer nos presentear. A consciência, como luz, vai iluminando tudo e nos guiando na jornada da vida para podermos ser o melhor de nós…

    Abraços,
    Frei Paulo Sérgio, ofm

  • Consolação

    Consolação, aquilo que provoca alívio, que toma as coisas mais leves, que permite que não fiquemos tão carregados com alguma coisa que nos amargure, que nos entristeça. A consolação precisa ser procurada à medida que retira de nós uma aspereza maior para viver, para pensar.

    A consolação não pode ser falsa, quimérica, fantasiosa. Não é fingir, não é brincar de Poliana, para achar que tudo está do melhor jeito. Mas a consolação, em última instância, é o que atenua qualquer tipo de desgaste ou sofrimento que se possa ter.

    Ambrose Pierce, em seu irônico Dicionário do diabo, diz que consolação é “o fato de se saber que alguém melhor do que nós está mais infeliz do que nós”, isto é, alguém que é melhor em termos de capacidade, de condição econômica, de reconhecimento, está mais infeliz do que nós.

    Essa ironia carrega um grande humor, mas há pessoas que ficam mais consoladas quando percebem que alguém que é muito melhor está infeliz e, nesse sentido, é alegria pela tristeza alheia.

    Há uma frase antiga que diz que a “melhor coisa numa fila comprida é olhar para trás”. Uma fila comprida, quando você olha para trás e ela continua comprida, consola; contudo é uma consolação claudicante e quase vingativa.

    Mario Sergio Cortella, “Pensar bem nos faz bem”, Editora Vozes.

  • Cumprir a missão que Deus confia a você

    “Todo dia sobre a Terra é um ótimo dia” (Marco Antônio Porto de Godói).

    Eu espero que o seu amanhecer tenha sido belo e que você tenha despertado sorrindo. E que, sorrindo, tenha seguindo o seu caminho, apreciando a beleza que pôde contemplar ao seu redor. Que tenha iniciado a jornada do trabalho com gratidão a Deus pela saúde, pela disposição e por estar em perfeitas condições.

    Todo dia sobre a Terra é um ótimo dia, pois estamos na posse da vida, podemos fazer coisas grandiosas e atingir as pessoas por meio do bem e do amor. Por isso, é preciso (necessário) tomar posse de cada sopro, de cada momento e de cada dia. Cumprir a missão que Deus confia a você com a certeza de que a vida é preciosa demais para ser desperdiçada…

    Tenha um excelente fim de semana!
    Frei Paulo Sérgio, OFM

  • Sofrimento e misericórdia

    No sofrer compartilhado, podemos ver a beleza e a estatura de uma pessoa e de uma cultura. A compaixão é o termômetro que indica a saúde de um povo e de uma Igreja. (…) Pessoas sem compaixão, humanidade destroçada e aniquilada. O sofrer e o compadecer são revelações do absoluto de Deus e de seu amor. Há na dor uma Palavra que não é de morte, mas uma Palavra plena de vida! Ao mergulhar no sofrimento, nós o ultrapassamos. A misericórdia é a porta do amor infinito de Deus.

    Fernando Altemeyer Junior, “Silhuetas de Deus”, Editora Vozes

  • A ira

    A ira, a raiva exagerada, é entendida por uns como um dos sete pecados capitais. Vez ou outra, dizemos: “que raiva que me dá”, “que raiva ter que sair para trabalhar”, “que raiva desse trânsito”, “que raiva de ter que fazer isso que eu não quero fazer”.

    A ira não chega para as pessoas do mesmo modo. Ela é uma emoção, mexe com a gente. Emovere, aquilo que nos movimenta. Há situações que deixam as pessoas extremamente iradas e outras, nem tanto. A Psicologia busca estudar isso.

    A Medicina também, até para saber se uma pessoa é mais ou menos irada frente a algumas situações, por razões que nasceram com ela, isto é, se ela tem uma tendência congênita a ser mais irada ou mais calma.

    Há controvérsia em relação a essa temática, inclusive no que se refere a outros animais. Até cães e gatos que são da mesma família, um deles na ninhada sai menos espaventado, menos emocionado e o outro sai mais raivoso. A ciência ainda não sabe, com toda clareza, o que é que nos move nessa direção. O poeta norte-americano Ralph Waldo Emerson, num dos seus ensaios no século XIX, escreveu: “Fervemos a graus diferentes”.

    Portanto, não dá para imaginar a ira como sendo algo que venha do mesmo modo para todas as pessoas, em qualquer lugar. Cada um é um e “fervemos a graus diferentes”.

    Mario Sergio Cortella, “Pensar bem nos faz bem”, Editora Vozes.

  • Quem olha para dentro acorda

    “Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração. Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda” (Carl Jung).

    A visão não está somente na capacidade de enxergar com os olhos do corpo, pois esta é limitada pela experiência espaço-tempo e até pela limitação física do corpo. A verdadeira visão é enxergar além das manifestações físicas, além das montanhas, além dos limites impostos pela realidade dual a qual estamos aprisionados… A visão aqui é estar iluminado pela consciência e transcender o mundo físico.

    Quem olha para dentro acorda, no ensina Jung. Este “dentro” aqui também não é no corpo, mas na consciência. Dentro da experiência que nos faz ver e perceber a vida fluindo em si mesma, como um rio que vai seguindo o seu curso, superando obstáculos, caindo em cachoeiras, no seu fluxo em direção ao grande Mar… Quem olha pela consciência vai além, transcende e dá o salto para a Grande Visão da Vida!

    Tenha uma ótima e abençoada semana!

    Frei Paulo Sérgio, OFM

  • O amor nos ensina como somos carentes

    O verdadeiro amor é um empreendimento muito solitário. Nós sempre queremos mais do que podemos esperar da outra pessoa. E sempre damos menos do que o necessário ou esperado, mesmo quando pensamos que estamos dando tudo o que temos.

    O amor não é simplesmente vir a ser atraído por outro ser humano. Na grandiosa cosmologia eterna da vida, o amor opera mais para nos aprofundar em nós mesmos do que para nos levar ao interior do desconhecido “outro”. O amor nos ensina como realmente somos carentes. Ou, talvez, ainda mais impactante pois, na verdade, não nos interessamos por ninguém além de nós mesmos.

    Joan Chittister, “Entre a escuridão e a luz do dia”, Editora Vozes

  • Valores evangélicos

    Não é a fé em Deus que importava para Jesus. A fé é um dom, e muitos não o receberam. O importante para ele era se a pessoa vivia, ainda que sem fé, os valores humanos (que coincidem com os valores evangélicos): amor ao próximo, justiça aos oprimidos, solidariedade, tolerância e compaixão. Quem assim age faz o que Deus espera de cada um de nós.

    Frei Betto, em “Fé e Afeto”, da Editora Vozes

  • Vivenciar o mistério da vida

    “A vida segue acontecendo nos detalhes, nos desvios, nas surpresas e nas alterações de rota que não são determinadas por você” (Martha Medeiros).

    Quando as coisas estão difíceis não devemos pedir a Deus que mude a situação, mas, sim que Ele nos transforme, que Ele nos dê sabedoria para enfrentar nossas fraquezas. O Espirito Santo ilumina nossas vidas se permitimos sua ação transformadora, se deixamos de resistir ao seu poder… Tudo vai depender de nossa abertura, de nossa permissão à Sua luz!

    A vida é um mistério em si. Não devemos perder tempo tentando entender (racionalmente) este mistério. O melhor mesmo é vivenciar, experimentar, permitir que a vida mesma se mostre e se revele… O melhor mesmo é permitir que a Sabedoria possa nos guiar, abrindo-nos às mudanças que devemos celebrar, às transformações que precisamos passar, galgando as montanhas que precisamos subir…

    Abraços,
    Frei Paulo Sérgio, OFM

  • Os solitários

    Olhando superficialmente, os solitários são uma espécie rara. Quase todo mundo parece estar ligado a alguém de alguma forma. A um melhor amigo ou a um confidente. Com um amante, parceiro ou cônjuge. Mas, como diz Eric Hoffer, “nós mentimos mais alto quando mentimos para nós mesmos”. Essas chamadas conexões são, muitas vezes, apenas um verniz superficial sobre as dimensões sociais da vida. São uma máscara da coisa real. Porém, relacionamentos reais exigem compromisso e preocupação, afeição e verdade, independência e apoio. Os solitários são os amigos que vêm a todas as festas, mas que nunca estão por perto quando se precisa deles.

    Joan Chittister, “Entre a escuridão e a luz do dia”, Editora Vozes.

  • Ascetismo do silêncio

    O silêncio é um estado de espírito, bem como uma profunda atividade de amor. Caminhar de forma progressiva na escola do silêncio pede que estejamos sintonizados com Deus e sua revelação. Esse percurso é difícil, mas realizável. Foi chamado pelos místicos como o ascetismo do silêncio. Existem obstáculos no caminho que devem ser identificados. Estão fora e dentro de cada um de nós. Os obstáculos externos são aqueles superficiais que nos desviam do reto caminho.

    São como ruídos que prejudicam o foco e a comunicação verdadeira. Distraem e enervam, levando-nos ao estresse ou à repressão de medos e fantasmas. Exigem um olhar arguto e persistência mesmo depois de quedas. Os internos são aqueles obscuros e muitas vezes desconhecidos. É preciso contar com a graça de Deus para enfrentá-los e resistir. Exigem conversão e misericórdia, pois o silêncio interior favorece a comunicação e sua identidade veraz.

    Fernando Altemeyer Junior, “Silhuetas de Deus”, Editora Vozes.

  • O joio que está na alma

    Queremos ser bons. Mas então descobrimos em nós a inclinação para o mal. Queremos ser apenas afetuosos, mas descobrimos em nós o ódio e sentimentos de vingança. Horrorizamo-nos diante desse joio e gostaríamos de arrancá-lo. Mas então arrancamos também o trigo. O joio ao qual Jesus se refere aqui é o azevém que envenena. Ele é semelhante ao trigo e as suas raízes se entrelaçam com as raízes do trigo.

    A pessoa que, por perfeccionismo, quisesse arrancar de sua alma todo o joio não conseguiria colher o trigo. Sua vida se tornaria infrutífera. A fertilidade de nossa vida nunca é expressão de uma pura ausência de erros, mas consequência da confiança que o trigo será mais forte do que o joio e que o joio pode ser separado do trigo.

    O incômodo dos servos quanto ao joio espelha o nosso incômodo. Incomodamo-nos com o lado sombrio. Queremos ser somente bons, mas não se pode ignorar o joio que está em nossa alma.

    Anselm Grün, “Reconciliar-se com Deus”, Editora Vozes

  • Paz inquieta

    “Paz não significa ausência de conflitos ou de aflições. A paz está onde existe lugar para Deus e para o amor reinar” (Fr. Paulo Sérgio, ofm).

    Ter sabedoria para lidar com as situações mais difíceis e exigentes da vida é um dom precioso que precisamos desenvolver em nós. A sabedoria deve ser desejada, buscada e trabalhada dentro de nós. Diz-nos a sabedoria de Israel que “quem por ela madruga não se cansará: há de encontrá-la sentada à sua porta” (Sb 6,12).

    Na busca pela sabedoria vamos criando em nós também o espírito da paz. A paz não é ausência de conflitos, mas a certeza da bênção de Deus. A paz ajuda-nos a encontrar saídas e soluções, sem que percamos o equilíbrio emocional. A paz do cristão é uma “paz inquieta”! Essa paz não se conforma com o mal, com o sofrimento e a morte… Essa paz deseja a justiça do Reino de Deus. É a paz dos bem-aventurados!

    Abraços,
    Frei Paulo Sérgio, ofm

  • Os pobres e o dom de Deus

    “Os pobres têm maiores possibilidades de converter o mundo, porque não fazem sua força consistir nem nas riquezas, nem na técnica, nem na beleza humana, nem sequer na reputação social, mas na pobreza. Quem é pequeno, que é pobre sabe que, se fez algum bem, isto lhe vem de Deus, pois sozinho não seria capaz. Privando os outros da alegria de descobrir que os valores são de Deus, podemos também ofuscar esses valores, porque, manipulando-os com nossas mãos, deixamos neles os vestígios da nossa pequenez e isto pode estragar sua beleza. Quando somos internamente livres, desapegados, este vestígio que deixamos habitualmente sobre as coisas não existe e distingue-se melhor o dom de Deus”.

    Dom Luciano Mendes de Almeida

  • Graça de viver, acreditar, esperar e amar

    Quando não temos mais razão alguma para viver, começamos a viver de verdade, gratuitamente, sem nos preocupar com o sentido; é no momento em que não temos mais nenhuma razão para acreditar, que começa a fé. Será que podemos falar de fé enquanto tivermos provas e razões para acreditar? É quando não temos mais nenhuma razão para esperar que começa a esperança. Quando não temos mais nenhuma razão para amar começa o verdadeiro amor, a graça de amar. O que chamamos de absurdo ou desespero é apenas a perda da nossa razão e das nossas razões para acreditar, esperar e amar.

    Como passamos das nossas razões de viver, acreditar, esperar, amar à graça de viver, acreditar, esperar, amar? Pela decisão, a pura decisão, o ato livre liberto de todas as suas razões para viver, acreditar, esperar e amar.

    Jean-Yves Leloup, “O Cântico dos Cânticos”, Editora Vozes

  • Assim seja!

    Muitas vezes, substituímos o Amém pelo Assim seja, uma expressão bem mais fraca do que o Amém. Porque Assim seja expressa um desejo de que as coisas sejam ou aconteçam como acabei de professar, independentemente se elas me envolvem ou não. Enquanto que o Amém confirma com força o que acabei de professar e reconhece que as verdades que recitei dizem respeito a mim, eu as aceito tais quais são e farei com que elas entrem em minha vida, em meu modo de ser e de fazer, sejam carne de minha carne e alma de minha alma. Em outras orações, tanto faz dizer Assim seja ou Amém. No Credo direi sempre Amém.

    Frei Clarêncio Neotti, “Creio”, Editora Santuário

  • A serviço da humanidade

    A experiência pascal desencadeia a missão. É o que enfatizam os relatos de encontros com o Ressuscitado. As comunidades de testemunhas se compreendem a si mesmas como fundadas na experiência pascal, mas enviadas ao mundo. A missão implica uma dinâmica de movimento. Exige “ir”, “mover-se em direção ao outro”, “sair de si mesmo”. Os textos insistem uma e outra vez: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio”; “Ide e fazei discípulos a todos os povos”; “Ide por todo o mundo e proclamai a Boa-nova a toda a criação”.

    Este movimento para fora é constitutivo do testemunho. A razão de ser das comunidades não está dentro, mas fora de si mesmas. A Igreja, que nasce da experiência pascal, não vive para ela, mas para o mundo. Não tem outra justificação. No entanto, este “ir em direção ao outro”, longe de ser um caminho de conquista, é um caminho de serviço. Ir em direção ao outro é abrir-nos aos seus problemas e interrogantes, compartilhar seus sofrimentos e esquecer-nos dos próprios interesses. Este “movimento para fora” é o que descentra as comunidades cristãs de si mesmas, as liberta de inércias, e abre nelas um espaço para comprometer-se a serviço da humanidade.

    José Antonio Pagola, “Recuperar o projeto de Jesus”, Editora Vozes

  • Maria, lugar privilegiado na vivência da liturgia

    Maria Santíssima ocupa um lugar privilegiado na vivência da liturgia durante o Ano Litúrgico. Como nas festas dos santos, nas solenidades, festas e memórias da Santíssima Virgem Maria, a Igreja celebra o mistério pascal revelado e realizado nos santos em geral e, particularmente, em Maria.

    Também aqui o mistério de Cristo está no centro. Deus realizou maravilhas em Maria. Ela é modelo de realização do mistério de Cristo e é intercessora junto ao Filho. Na celebração, ela revela o mistério de Cristo e conduz a ele. Assim, as festas marianas são sempre festas pascais e eclesiais. A Igreja dá graças ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo, pelas maravilhas da graça realizadas em Maria, Mãe de Deus, a cheia de graça, a imaculada e gloriosa sempre Virgem Maria. Nela, a Igreja contempla e vive a vocação, a missão e o destino de cada ser humano.

    Frei Alberto Beckhäuser, “O jeito franciscano de celebrar”, Editora Vozes

  • Desejo que jamais é preenchido

    Não estar satisfeito com aquilo que vemos nem com aquilo que ouvimos é o começo da sabedoria, antes de aceitarmos que veremos apenas o visível do invisível e ouviremos apenas o ruído ou a música do silêncio. Enquanto aguardamos, é preciso suportar aquilo que em português chamamos de saudade, que não significa apenas “nostalgia” ou falta de alguém; nada nos falta e, no entanto, alguma coisa nos falta, “tu estás aqui e, no entanto, sinto tua falta”. Há em nós um desejo que jamais é preenchido por um objeto do desejo, há um desejo sem objeto, assim como há uma alegria sem objeto, uma contemplação sem objeto, um amor sem objeto. Como aceitar este desejo, que se obstina em permanecer desejo, este puro desejo?

    Jean-Yves Leloup, “O Eclesiastes”, Editora Vozes

  • Para ver além das montanhas

    “Voe sem medo. Os ventos contrários fortalecem o poder das suas asas” (Tânia Santana).

    Até mesmo uma grande águia nasce bem pequena, precisa ser alimentada e cuidada pela água-mãe. No ninho ela vai crescendo e ganhando penas e asas… Até que chega o dia que a mãe-águia a empurra abismo abaixo, pois chegou o dia de voar! E, de agora em diante, a pequena águia saberá que o lugar dela não é mais o ninho, mas o céu imenso e infinito!

    Da mesma forma, faz-se necessário despertar em nós a capacidade de voar! Para isso é preciso romper com tudo aquilo que nos aprisiona ao chão, com todos os fardos e apegos da terra! A consciência que habita em nós vai nos conduzir deste momento em diante, pois já não mais teremos medo da liberdade de voar e conquistar o céu. Voar, aqui, é romper com tudo aquilo que nos faz pequenos e permitir que a VIDA mesma se manifeste, iluminando nossos olhos para vermos além das montanhas…

    Tenha uma ótima e abençoada semana!
    Frei Paulo Sérgio, ofm

  • Cultivar as virtudes

    Não digas que o tempo passado foi melhor que o presente; são as virtudes que fazem os bons tempos e os vícios que os tornam tão ruins” (Santo Agostinho, bispo de Hipona, filósofo e teólogo da Argélia, 354-430).

    “É de nosso coração que saem as coisas boas ou ruins” (Jesus). É nossa maneira de ver as coisas que dará o sentido de nosso viver. O filósofo chinês ensina que uma árvore toda torta e feia pode ser ruim para quem quer derrubá-la para fazer tábuas, mas para um peregrino cansado de andar ao sol, a sombra dela é um abrigo maravilhoso. Tudo depende da maneira de olhar. Assim, quem em sua vida cultiva as virtudes, sempre achará uma forma de ver o bem em todas as coisas, e quem pensa só em si e cultiva os vícios, tudo parecerá sem sentido fora de seu interesse.

    Bom dia e Bom trabalho!
    Reflexão feita por José Irineu Nenevê
    Facebook: http://www.facebook.com/bomdiaebomtrabalho

  • Fingimento

    Fingimento das ideias, fingir como pessoa, gente que finge princípios.

    O jornalista francês Aurelién Scholl disse que “a fidelidade é uma forte coceira com proibição de coçar”.

    É muito difícil exercer a fidelidade aos princípios, às pessoas e às ideias, exercê-la na sua completude. Ser difícil não significa ser impossível. No entanto, tal qual a coceira intensa aparece quando se diz que é proibido coçar (“não vá coçar essa ferida”, “não vá coçar essa parte do corpo”, “não vá coçar dentro do gesso”) , é quando se está imobilizado pela interdição que dá vontade de fazê-lo.

    O fingimento é aquele momento em que disfarçamos e vamos coçar o que não deve e que está proibido de fazê-lo. Nós temos que lembrar a dificuldade (mas não da impossibilidade) que é ser fiel às ideias, às pessoas, aos princípios, às religiões, às normas da ciência, ao convívio na família, no casamento, na empresa.

    É proibido coçar e aí é que várias vezes a dificuldade de fazê-lo vem à tona, porque queremos fazê-lo.

    Mario Sergio Cortella, “Pensar bem nos faz bem – 2”, Editora Vozes

  • Sem eventos
  • O mistério da Mãe de Deus

    A Mãe de Deus nos ajuda: a Theotokos, que gerou o Senhor, gera-nos para o Senhor. É mãe e gera sempre de novo, nos filhos, a maravilha da fé. A vida, sem nos maravilharmos, torna-se cinzenta, rotineira; e de igual modo a fé. Também a Igreja precisa renovar a sua maravilha por ser casa do Deus vivo, Esposa do Senhor, Mãe que gera filhos; caso contrário, corre o risco de assemelhar-se a um lindo museu do passado. Mas, Nossa Senhora introduz na Igreja a atmosfera de casa, de uma casa habitada pelo Deus da novidade. Acolhamos maravilhados o mistério da Mãe de Deus, como os habitantes de Éfeso no tempo do Concílio lá realizado! Como eles, aclamemos a «Santa Mãe de Deus»! Deixemo-nos olhar, deixemo-nos abraçar, deixemo-nos tomar pela mão… por Ela.”

    Papa Francisco

  • Culpa e perdão

    Muitos cristãos ouviram continuamente em sua infância a mensagem de que eram maus e culpados. Nós associamos a culpa sempre com uma profunda contrição: precisamos nos arrepender profundamente da culpa.

    o arrependimento é extremamente importante. Mas arrependimento não significa me dilacerar e passar a vida como penitente. Não devemos entreter constantemente um sentimento ruim e nos condenar interiormente porque cometemos um erro. Jesus fala de maneira bem mais sóbria sobre a culpa e o perdão. Para Ele, a culpa é parte do amadurecimento. Ele nos mostra um caminho para lidarmos com nossa culpa sem perder nosso amor-próprio.

    Anselm Grün, “Reconciliar-se com Deus”, Editora Vozes.

  • O amor dos animais de estimação

    Os animais de estimação nos ensinam a brincar, a viver mais livremente as nossas próprias vidas. Eles trazem o experimentar para onde havia apenas o pensar. Eles atormentam os homens e as mulheres de negócios e os fazem deixar os negócios um pouco de lado, por algum tempo, para arejarem suas almas e para aprenderem que há sempre mais de uma maneira de fazer as coisas.

    Eles nos ensinam a amar e a desfrutar de coisas que nunca tivemos tempo para ver antes: uma nervura na folha de uma planta se torna um deleite, um espelho em um cabo de madeira se torna um caso de amor, um rolo de papel higiênico se torna uma peça valiosa de maquinaria. A vida se torna uma aventura e não um problema de matemática. As pessoas se tornam amigas em potencial, e não potenciais inimigas. Cada dia se torna outra possibilidade de fazer as coisas de maneira diferente, melhorá-las, fazê-las com frequência, fazê-las com abandono.

    “Antes de ter amado um animal”, escreveu Anatole France, “parte da nossa alma permanece desacordada.” É o despertar dessa alma que é, de fato, a única coisa realmente racional sobre estar vivo.

    Joan Chittister, “Entre a escuridão e a luz do dia”, Editora Vozes.

  • Plenitude do ser e da vida

    Minha fé não precisava ser burra nem obtusa. Deus ama a inteligência humana e quer nossa superação. Um Deus grande que pisa na humanidade não tem nada de cristão nem de divino. Isto seria um ciumento por ninharias. Deus ama o homem que quer conhecer a verdade e ser parceiro dessas descobertas. O mistério divino ilumina nossa inteligência. Deus não é barreira, mas horizonte aberto. E creio que chegará a hora em que a humanidade despertará desse sono de fracasso de valores e de utopias para viver uma nova era em que o encontraremos na plenitude do ser e da vida e não na dialética mecânica das necessidades e das indigências. Não creio em um Deus das lacunas, mas no Deus que sustenta a vida; sem Ele
    nada seríamos.

    Fernando Altemeyer Junior, “Silhuetas de Deus”, Editora Vozes.

  • Espiritualidade e religião

    Todos temos espiritualidade, ainda que desprovidos de fé religiosa. Não se deve confundir espiritualidade e religião. Esta é uma instituição; aquela, uma vivência. Há práticas religiosas que não são fontes de espiritualidade, como há espiritualidades que não são religiões, como o budismo.

    A espiritualidade é a força interior, cultivada na oração ou na meditação, que nos mantém vivos. É alimentada também pelo amor que nos une à família, a autoestima profissional, os valores que regem nossas atitudes e esperanças (sonhos, projetos etc) e movem os nossos passos em direção ao futuro.

    Frei Betto, “Fé e afeto, Espiritualidade em tempos de crise”, Editora Vozes.

  • Força do amor

    Todos conhecemos a resposta dada por Jesus ao fariseu que lhe perguntou qual o preceito mais importante: “Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo” (Mt 22,37-39). É interessante notar aqui de que maneira o amor a Deus é apresentado. O amor marca o coração, a alma e o pensamento. Todas as forças da alma unificam-se na pessoa pela força do amor.

    Anselm Grün, “Amar é a única revolução”, Editora Vozes.

  • Solidariedade global

    Devemos contribuir a partir das comunidades cristãs para propiciar uma cultura de solidariedade em nível mundial, pensando nos direitos e necessidades dos últimos. Para isso é necessário abrir os olhos e aprender a olhar o mundo a partir dos que vivem e morrem de modo injusto e cruel nos países de fome, guerra e miséria. Esta solidariedade global não é interesseira. Não é para defender nosso bem-estar. Ao contrário, vai inevitavelmente contra nossos interesses e nos exige rever nosso modo de viver nas sociedades do bem-estar, para renunciar àquilo que não precisamos e para partilhá-lo com os que precisam. Por isso devemos escutar o grito de Jesus: os últimos devem ser sempre os primeiros.

    José Antonio Pagola, “Recuperar o projeto de Jesus”, Editora Vozes.

  • Amor divino e maternal

    Deus não é um senhor distante que habita solitário nos céus, mas o Amor encarnado, nascido como nós de uma mãe para ser irmão de cada um. Está nos joelhos de sua mãe, que é também nossa mãe, e de lá derrama uma nova ternura sobre a humanidade. Nós compreendemos melhor o amor divino, que é paterno e materno, como o de uma mãe que não cessa de crer nos filhos e nunca os abandona. O Deus-conosco nos ama independentemente dos nossos erros, dos nossos pecados, do modo como fazemos caminhar o mundo. Deus crê na humanidade, da qual sobressai, primeira e incomparável, a sua Mãe.”

    Papa Francisco