Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Trânsito de São Francisco comove participantes no segundo dia da 14ª CFJ

05/07/2026

Notícias

Foram 29 km percorridos na força da fé em nove horas de caminhada, em companhia de Francisco e de Nossa Senhora Penha, permitindo aos jovens caminheiros a participação num verdadeiro retiro itinerante que culminou com a chegada ao Mosteiro da Santíssima Trindade, das Irmãs Clarissas. Neste ambiente marcado pela atmosfera orante e devota, todos participaram de uma celebração/encenação que reviveu, de forma realística e mística, a passagem de São Francisco para a vida eterna, o trânsito do “Seráfico Pai”, conforme se diz na linguagem da Família Franciscana. Num momento marcado pela eloquência de gestos profundamente simbólicos, os participantes presenciaram as palavras e gestos que emolduraram o segundo dia da 14ª Caminhada Franciscana da Juventude. Numa reflexão profunda e acessível, Frei Tiago Soares, junto com a equipe de espiritualidade e liturgia, traçou um paralelo entre Cristo e Francisco, apresentando-os como modelo e inspiração para os jovens do tempo atual.

O texto pode ser lido na íntegra abaixo:

Pode o amor acabar? Não… o amor desconhece fronteiras e barreiras. O amor desconhece cansaço… ele tudo suporta… não mede distâncias em favor do outro. O amor supera toda divisão… ele é paciente… benigno… o amor tornou possível tudo o que existe de bom… os astros, estrelas mil… o universo… e quis esse amor morar conosco.

Sim, o amor se fez pessoa… seu nome é Jesus, o jovem galileu… filho de Maria, filho de José… Filho do Pai Amoroso.
O Jovem galileu falava de um mundo novo… de fraternidade… de um Pai companheiro… mostrou que é possível o pão em todas as mesas… afirmou que, o amor é capaz de perdoar sempre… e deixou bem claro que, a vida não se deixa nas beiras… a vida ocupa um lugar especial… tão especial assim, de modo que, Deus a tornou plena…

O jovem galileu chamou doze companheiros… amou-os até o fim… o jovem galileu sonhou… sorriu… brincou… festejou a vida … sobretudo, junto dos mais sofredores… quis Ele compartilhar o céu com aqueles que são da terra… para tanto, se fez menor… a fim de elevar a condição humana. Uma vez que é Eterno, quis Ele para si, o Todo-poderoso, cada criatura… desde toda a eternidade… especialmente você… ser humano.

Assim, quis Deus ser como você… ser um de nós… e para isso… deixou a sua morada eterna… adentrou o tempo. Portanto, se o amor foi capaz de realizar tudo isso… logo, o tempo já não mais importa… tampouco, o fim do tempo… o fim da nossa história… a morte corporal… visto que, o amor não morre… o amor triunfa… e com ele, a vida também…
Foi este amor que cativou, um certo dia, um jovem de Assis… Pelas ruas de sua cidade, este jovem imitava Jesus de Nazaré. Quis para si somente uma túnica, sandálias, capuz e cordão.

O Santo Evangelho observou de maneira fiel… tanto que, não queria outra coisa. Uma vez que foi tão intenso na observância da Sagrada Doutrina, outros desejaram trilhar o mesmo caminho… assim foi com Bernardo, Pedro, Egídio, Silvestre, Leão, Rufino, Ângelo. Logo vieram depois também Clara e Antônio.

A exemplo de Cristo, levou uma vida de obediência, castidade e pobreza… Tinha um grande amor para com todos, sobretudo, os menores desta terra. Com as próprias mãos restaurou a igrejinha de São Damião… e não parou por aí… Fora dos muros da sua cidade de origem, este pequeno grande homem levou a paz e a esperança, num tempo marcado por contradições e grandes conflitos.

Enfim, em Francisco de Assis, a luz de Cristo visitou a humanidade mais uma vez… E tudo isso realizou, pois viveu a minoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo… Eis aqui, portanto, o ponto alto da sua espiritualidade…

Numa época marcada pela busca de glórias e prestígios, títulos e posses, o Santo Evangelho revelou a Francisco, que o Senhor dos senhores se fez menor… O Altíssimo se fez pequeno… Aquele que é rico se fez pobre… e desta forma viveu junto dos homens. Deus não quis outra coisa, senão, a salvação do gênero humano.

Deus se fez pequeno para tornar o homem participante da glória eterna… Quem mais poderia amar a humanidade dessa forma? Quem mais daria a própria vida em favor dos seres humanos? Num universo de incontáveis galáxias… Deus fixou os seus olhos para nós… O que é o ser humano para ser tão amado por Deus?

Entretanto, num mundo marcado pela força econômica, pelos títulos e posses, pelo acúmulo dos bens, pelo o espírito da maioridade… onde estará esse amor? Onde estará o cuidado para com os diferentes sistemas de vida que habitam esse Planeta? Para muitos, a vida com Deus ou sem Ele permanece a mesma coisa… para tantos, Jesus sequer tem relevância.

Portanto, como fazer valer a verdade presente no Antigo e no Novo Testamento?

Nessa direção, as perguntas são tantas. Contudo, não será a razão disso tudo, a própria alienação da humanidade? O homem se esqueceu de quem ele é, por conseguinte, se esqueceu da comunhão consigo mesmo, com a criação, com os outros e com o Criador. Deus é fiel, entretanto, a humanidade tem observado a fidelidade a si mesma?

Talvez, seja por isso que a vida de Francisco de Assis continua a provocar diferentes gerações. Não será ele, o pobrezinho de Assis, a resposta para a magna questão: o que é o homem?

Uma coisa é certa… aqueles que trilharam o caminho aberto por Francisco de Assis, fizeram a experiência do amor de Deus… visto, na capacidade de ser fraternidade, no cuidado consigo e com os outros, no serviço em favor da vida presente em todas as coisas. Nesta feliz direção, a construção de um mundo novo é possível… não mais utopia.

Não há maior prova da existência de Deus fora do amor… Quem ama, conhece a Deus verdadeiramente… e onde Deus é amado, a vida é sempre mais. Estes filhos benditos, não conhecem a morte… isto é, não temem tal destino, pois bem sabem, que a vida dos justos está nas mãos de Deus.

E, por ventura, Deus é Senhor dos mortos? Não, Ele é a própria vida, alegria dos homens, destino feliz daqueles que amam… daqueles que promovem a paz e o bem. Portanto, para eles, a morte corporal não é um mal, mas sim uma irmã.

O que hoje meditamos e celebramos, recorda a seguinte certeza… O ser humano só será feliz na perfeita comunhão com Jesus Cristo… verdadeiro Deus, verdadeiro homem. A excelência da vida está escondida junto do Filho de Deus. Quem observar fielmente a vida de Jesus, terá junto de si a vida que vem do céu…

Esse é o tesouro que Deus preparou para aqueles que o amam, pois, o seu mandamento é vida, e vida em abundância.
Portanto, Frei Francisco vivo está! Ele é o vivente em Cristo, irmão de todos. E nesta noite, te pedimos, servo bom e fiel do Deus vivo e verdadeiro, que nos ensine a imitar Jesus, seguir os seus passos, encarnar o seu amor em favor dos homens, para que, no final da nossa jornada, possamos também celebrar a passagem desta vida na feliz certeza da ressurreição.


Também marcante foi o testemunho, em nome das Irmãs Clarissas, da Irmã Agnes Maria, apresentando à juventude a beleza e a profundidade da vocação que vivem, numa proposta de entrega radical a Deus na vida de oração, na convivência fraterna e no trabalho simples. “Se alguém quiser se tornar uma Clarissa, pode vir falar comigo; ou se quiser ser frade, pode conversar com um dos freis”, brincou ao concluir a reflexão. Ao final, o Ministro Provincial, Frei Paulo Roberto Pereira, que participou do percurso na segunda metade do dia, abençoou a todos com a Bênção de São Francisco.

Percurso teve início na Comunidade de Santo Antônio, no Povoado de Baunilha

A partir das 6h, os mais de 200 caminhantes começaram a chegar ao ponto de partida. Pelas 6h45, tiveram um breve momento de oração, onde foram convidados a tocar com a mão direita o solo sobre o qual começariam a caminhar, recordando a história e o povo de Colatina, cidade que acolhe esta edição da CFJ. Realizando um breve alongamento, o grupo em seguida se pôs em marcha, num percurso que, até a hora do almoço, dividiu-se entre o asfalto e a estrada de chão, com pausas para hidratação e, pelas 9h, um reforçado café da manhã, com direito às tradicionais banana-da-terra e batata doce cozidas cultivadas na região, além de uma farta mesa de doces, salgados e frutas oferecidos com generosidade pela equipe de alimentação.

Reabastecidos pelo saboroso e farto café, os caminhantes enfrentaram uma das partes mais desafiadoras do itinerário, marcada por um grande trecho de subida em estrada de chão, seguindo por declives que também desafiavam a força da gravidade e os joelhos dos participantes. O belo cenário, reunindo montanhas, árvores e a beleza do céu, certamente compensou o empenho físico exigido. Às 11h30, houve a chegada ao Sítio do Vovô Arlindo, onde foi servido o almoço, com a possibilidade de um descanso de duas horas num espaço amplo, bonito e acolhedor.

Nossa Senhora da Penha também se fez caminhante

Na parte da tarde, com os caminheiros alimentados e descansados, tece início a segunda etapa do percurso em direção ao Mosteiro da Santíssima Trindade. Mantendo o clima de animação e fé, o grupo teve também a oportunidade de acolher e caminhar junto à imagem peregrina de Nossa Senhora da Penha, Padroeira do Espírito Santo, que veio do Convento Franciscano dedicado à Senhora das Alegria, em Vila Velha, para se unir em peregrinação aos jovens caminheiros que, além de Francisco, tiveram a chance abençoada de seguir caminho da companhia da mãe. Neste momento, a CFJ se tornou também um verdadeiro ato de fé e devoção à Virgem da Penha, num espírito de profunda reverência e sintonia com a fé do povo capixaba.

14ª CFJ reúne ampla rede de apoio

Desde a sua idealização até a realização, a 14ª CFJ tem contado com o apoio consistente da Paróquia Santa Clara e da Fraternidade Santo Antônio de Santana Galvão, além da dedicação das múltiplas equipes de trabalho designadas previamente. Também merece destaque o apoio da Prefeitura Municipal de Colatina, na oferta de ambulância para acompanhar o percurso, banheiros químicos, escolta da guarda civil e melhoria das vias que fizeram parte do itinerário. Além de apoiar uma iniciativa que promove a saúde e valores humanos, estas iniciativas certamente vão deixar boas lembranças do Município de Colatina nos jovens de diferentes regiões do Brasil que vieram à cidade para participar da Caminhada. A 14ª edição da CFJ se encerra neste domingo, dia 05 de julho, com partida prevista para as 7h30, na Praça da Catedral de Colatina em direção à Matriz da Paróquia Imaculado Coração de Maria, no bairro de São Silvano onde, às 10h30 será celebrada a missa de encerramento, presidida pelo Ministro Provincial, Frei Paulo Roberto Pereira.


Equipe de Comunicação da CFJ 2026