Carisma - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Santos franciscanos

março/2021

  • São Francisco Fahelante

    Mártir japonês da Terceira Ordem (+1597).
    Canonizado por Pio IX em 6 de junho de 1862.

    Nascido em uma família pagã. Depois de um longo catecumenato foi batizado. Com entusiasmo viveu a sua fé, ingressou na Ordem Terceira Franciscana e tomou o nome de Francisco, por sua devoção a São Francisco de Assis. Ele ajudou os missionários na pregação do evangelho, como catequista na preparação para o batismo dos neófitos, assistência e cuidado dos doentes em hospitais que havia sido erguido ao lado dos conventos de Meaco, Osaka e Nagasaki; em escolas onde se acolhiam muitas crianças cristãs e pagãs, às quais recebiam uma educação sólida. A direção desses trabalhos foi confiada ao terceiro.

    Então veio a perseguição que, como um furacão, tudo destruiu. Foi grande o sofrimento dos cristãos quando viram os pais e terceiros vinculados como criminosos e presos entre a brutalidade dos soldados e os insultos dos monges. São Pedro Batista, ao abandonar sua amada igreja de Santa Maria dos Anjos, testemunhou com tanto fervor de oração: “Ave, Maria, virgem sublime, exaltada sobre os anjos”. Quando a procissão chegou aos hospitais em São José e Sant’Ana, a emoção atingiu o seu auge.

    Quando os pacientes curados, assistidos pelo amor dos frades e agora levados à morte, caíram em prantos: “E agora, o que será de nós? Quem vai nos ajudar a cuidar de nós? Quem irá confortar-nos em nosso sofrimento? Eles eram para nós, pais, benfeitores e anjos da guarda! ”

    São Pedro Batista os consolou: “Coragem, meus filhos, lembrem-se que no céu há um Deus que é Pai, especialmente dos pobres e humildes. Confio-os à nossa Mãe Maria. Adeus, queridos filhos, adeus. Até o céu!”. Entre Osaka e Nagasaki aumentou o grupo com dois novos companheiros, Francisco e Pedro, que a princípio não eram do número dos mártires, mas foram convidados a acompanhá-los e ajudá-los durante a viagem. Eles tiveram que sofrer os insultos dos soldados, mas não quiseram ir embora, e, consequentemente, foram acorrentados e crucificados, no dia 05 de fevereiro de 1597.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Santa Inês de Praga

    Clarissa da Segunda Ordem (1205-1282).
    Canonizada por João Paulo II no dia 12 de novembro de 1989.

    Também conhecida como Santa Agnes de Praga. Nasceu em 1205 em Praga, República Tcheca. Era filha do Rei da Bohemia, hoje República Tcheca e foi educada em Trebniz pelas freiras Cistercienses. Era apenas uma garota e já demonstrava fervor e desejo de se consagrar a Deus e viver intensamente a fé cristã. Por ser muito jovem e bonita não foram raros os rapazes que desejavam desposá-la. Porem, os seus planos para o futuro eram outros. Inês recusava a todos com gentileza declarando que o seu único compromisso era com Jesus.

    Porém um dos homens que deseja tê-la como esposa era o Imperador Frederico II. Ele era o mais insistente dos pretendentes, chegando às vezes a abordá-la para pedi-la em casamento. Como Inês percebeu que apenas suas palavras não seriam suficientes, passou a entregar-se a suas orações com mais fervor, e provar a ele e a todos que a desejassem desviá-la do seu caminho que Deus era o seu maior desejo.

    Mas eram tantos os que vinham interceder a favor do Imperador que Inês viu-se obrigada a escrever ao Papa Gregório IX para que intercedesse por ela e a ajudasse a livrar-se desse tormento. O Papa ficou admirado com a tenacidade e a fé de Santa Inês e enviou um de seus mais hábeis assessores para pessoalmente defender Inês, desencorajando o Imperador apaixonado. A firmeza com que o religioso e Santa Inês explicaram o que significava consagrar-se a Deus finalmente convenceram a Frederico II a renunciar o seu amor de homem, e ele tornou-se inclusive uma pessoa de fé inabalável.

    Santa Inês pode então ficar livre para abraçar a sua verdadeira vocação. Suas primeiras ações foram construir um hospital para os pobres, um Convento para os Franciscanos e distribuir a sua riqueza para os pobres.

    Logo em seguida fundou o Convento de São Salvador, cujos cinco primeiros membros a ingressar na Instituição foram enviados por Santa Clara de Assis. Santa Inês de Praga tomou seu hábito em 1234 e ingressou na Ordem das Clarissas. Algum tempo depois, devido a sua competência, humildade e bondade foi convidada para exercer a posição de Abadessa. A principio não queria a posição, mas mais tarde devido à insistência de Santa Clara aceitou. Dedicou 50 anos a expandir o Convento e a Ordem das Clarissas. Ela gostava de cuidar dos pobres e remendava pessoalmente as roupas dos leprosos e cuidava deles, e milagrosamente, nunca contraiu a terrível doença. Ela tinha o dom da profecia e curava vários doentes apenas com seu toque e oração e às vezes tinha visões. Apesar de nunca terem se encontrado, Santa Clara de Assis e ela trocaram extensas cartas durante duas décadas e várias dessas cartas ainda existem até hoje, e provam uma sabedora fora do comum no entendimento da Fé e de Jesus.

    Faleceu em 6 de março de 1282 no Convento São Salvador, em Praga, de causas naturais. Beatificada em 1874 pelo Papa Pio IX e canonizada em 12 de novembro de 1989 pelo Papa João Paulo II. Seu túmulo logo se tornou um local de peregrinação e vários milagres foram atribuídos a sua intercessão.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Inocêncio Berzo

    Bem-aventurado Inocêncio Berzo

    Sacerdote da Primeira Ordem (1844-1890).
    Beatificado por São João XIII no dia 12 de novembro de 1961.

    Inocêncio, filho de Pedro Scalvinoni e de Francisca Poli, nasceu no dia 19 de março de 1844 em Valcamonica (Brescia), no batismo foi chamado João. Ele ficou órfão cedo de pai. Entrou para o seminário e foi ordenado sacerdote em 02 de junho de 1867. Coadjutor da paróquia, distinguiu-se pelo seu desapego das coisas, presença regular no confessionário e sua caridade para com os pobres, cuidar dos doentes e pregação humilde.

    Nomeado pelo seu bispo vice-reitor do Seminário, um ano mais tarde foi novamente destinado ao trabalho pastoral paroquial em Berzo, onde desenvolveu uma intensa atividade apostólica, baseada na oração, bom exemplo e uma pregação simples e paternal, acompanhamento individual às pessoas para conduzi-las a Deus. Mas o Senhor o chamava para uma vida mais austera. Após a preparação espiritual mais intensa, superando muitas dificuldades, pediu para ser admitido entre os Frades Menores Capuchinhos, onde ingressou em 1874, com o nome de Frei Inocêncio, quando tinha 30 anos.

    Viveu em Albino. Depois, foi para o convento da Santíssima Anunciata, como vice mestre de noviços. Em 1880, foi-lhe confiada à redação dos Anais Franciscanos, em Milão. Partiu para Crema, levando, por toda a parte, o brilho da sua santidade. Transferido outra vez para o convento da Santíssima Anunciata. Encontrou, no eremitério do Convento, a forma de se submergir na união com Deus que era própria do seu temperamento, de saciar a sua ânsia de sacrifício, de penitência e vida escondida. Seu ideal era atuar sem estar em evidência, o exercício de prolongadas horas de oração e contemplação, desempenhar os mais humildes serviços do Convento, tais como, pedir esmola de porta em porta com a pregação do bom exemplo e de boas palavras. A beleza da sua alma transparecia em todas estas manifestações.

    Pregou retiros aos seus irmãos, a quem inundava com a abundância do seu espírito seráfico. Neste ministério da pregação teve de fazer muita violência sobre si mesmo, sobretudo, porque não se considerava capaz.

    Morreu com 46 anos de idade, aos 3 de março de 1890, na enfermaria do convento de Bergamo, quando estava pregando retiro aos seus irmãos. O Senhor chamou a Si o servo bom e fiel que viveu na humildade e na pobreza. Os seus conterrâneos de Berzo reclamaram para si o seu corpo. Os documentos mais valiosos da sua vida são os seus escritos, especialmente, os seus Diários, onde apresenta longa série de ditos dos Santos com os quais alimentava especialmente o seu espírito. A sua devoção era o Santíssimo Sacramento e a Via Sacra.

    Em 1961, aos 12 de novembro, o Papa São João XXIII inscreveu-o no Catálogo dos Beatos. No discurso da sua beatificação, o Sumo Pontífice afirmou: “eis aqui um santo original que exteriormente não faz história, que não tem coisas para se contar, que se move no meio de acontecimentos sem importância, mas que é precisamente um santo moderno, um santo para o nosso tempo; quer porque viveu entre nós, quer porque é um modelo de oração e de austeridade”.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Cristóvão de Milan

    Bem-aventurado Cristóvão de Milan

    Sacerdote da Primeira Ordem (1400-1485).
    Aprovou seu culto Leão XIII no dia 26 de julho de 1890.

    Cristóbal Macassoli nasceu em Milão em começos do século XV. Transcorreu sua infância na inocência e na bondade, sob os cuidados solícitos de seus pais. Fazia os 20 anos quando se fez franciscano, quando São Bernardino de Siena (1389-1444) percorria as cidades de Itália pregando incansavelmente o evangelho, e suscitando uma profunda mudança nas almas, com grandiosas conversões, e trabalhava intensamente para voltar a Ordem Franciscana à primitiva observância da regra como a havia ditado e praticado São Francisco de Assis.

    Cristóvão, ardendo em amor a Deus e aos irmãos, percorrendo o caminho da virtude, com pureza de coração, com uma viva confiança em Deus, na austera observância da pobreza, se colocou no caminho luminoso de São Bernardino, místico sol do século XV. Ordenado sacerdote, foi insigne por sua pregação e santidade, e por sua entrega generosa e sem medida ao ministério apostólico. Sua fama foi crescendo, já pelas numerosas conversões que obrou, já pelos poderes taumatúrgicos que se lhe atribuíram. Com o exemplo e com a palavra edificou a Igreja de Cristo.

    Com o Beato Pacífico Ramati de Cerano fundou o convento de Santa María das Graças em Vigevano, cuja admirável igreja foi construída por Galeazzo Sforza e consagrada em 1476. Ali fixou sua residência depois de uma vida de grande atividade apostólica. Pronto a fama de sua santidade se estendeu tão amplamente, que ainda de partes longínquas chegavam a ele numerosos fieis para pedir sua oração e escutar sua palavra sempre cheia de caridade e compreensão, para que bendissesse aos enfermos e às crianças. Deus a miúdo glorificou a santidade de seu servo fiel com prodígios.

    Morreu em 5 de Março de 1485, aos 85 anos de idade. Seu corpo, rodeado da veneração de seus devotos, foi sepultado na igreja de Santa Maria das Graças, na capela de São Bernardino. Em 1810 suas relíquias foram trasladadas à catedral de Vigevano. Um antigo testemunho do culto que lhe foi rendido é o quadro do altar de Santa Maria das Graças de 1653, no qual o Beato é representado junto com São Bernardino ao lado da Virgem. Leão XIII aprovou seu culto em 25 de Julho de 1890.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • São João José da Cruz

    Sacerdote da Primeira Ordem (1654-1734).
    Canonizado por Gregório XVI no dia 26 de março de 1839.

    São João José da Cruz nasceu na ilha de Ischia, a 15 de agosto de 1654, na cidade de Ponte, Itália, filho de José Calosinto e Laura Gargiulo. Seu nome de batismo foi Carlos Caetano Calosinto e seus primeiros estudos foram no colégio dos padres agostinianos, ai mesmo na ilha. Aos quinze anos optou pela vida religiosa, ingressando na Ordem dos Franciscanos Descalços da Reforma de São Pedro de Alcântara, conhecidos também como Alcantarinos.

    Devotíssimo da Paixão de Cristo, flagelava-se até se ferir. Tomou o nome de João José da Cruz e fez o noviciado sob a orientação do padre José Robles. Foi o mais jovem dos doze frades que, em 15 de julho de 1674, assumiram a direção do Santuário de Santa Maria de Occorrevole, onde ele resolveu construir um convento.

    Diante das dificuldades encontradas no local, ele logo deu o exemplo. Não hesitou em juntar as pedras com suas próprias mãos, depois usando cal, madeira e um enxadão fez os alicerces. Estimulou assim os outros sacerdotes e o povo, que no começo acharam que ele era louco. Em pouco tempo construíram um grande convento. João José da Cruz ordenou-se sacerdote em 1677.

    Ao completar vinte e quatro foi nomeado mestre dos noviços em Nápoles e, quase ao mesmo tempo, guardião da ordem do convento. João José da Cruz era muito austero, comia pouco, só uma vez ao dia, dormia poucas horas e tinha o hábito de se levantar de madrugada para agradecer a Deus pelo novo dia. Tornou-se famoso entre o povo por sua humildade e foi venerado ainda em vida pela população por causa de sua extrema dedicação aos pobres e doentes. Seu modelo de vida foi São Francisco de Assis.

    Foi eleito provincial no Capítulo de Grumo, em 1703. Abriu muitas casas em Nápoles, atraindo uns 200 religiosos à observância e reorganizou os cursos. Terminado o seu mandato, o arcebispo Francisco Pignatelli o convocou para dirigir 73 mosteiros e retiros, ainda em Nápoles. Semelhante tarefa recebeu do cardeal Inácio Caracciolo na diocese de Aversa. Diversas pessoas ilustres do clero o procuravam para pedir conselhos. Também recorreram a ele São Francisco de Jerônimo e Santo Afonso Maria de Ligório.

    Morreu no dia 5 de março 1734, portanto, com 80 anos de idade. Foi beatificado pelo papa Gregório XVI, em 1839. Suas relíquias foram transferidas para o convento franciscano da ilha de Ischia, sua terra natal.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Jeremias de Valáquia

    Bem-aventurado Jeremias de Valáquia

    Religioso da Primeira Ordem (1556-1625).
    Beatificado por São João Paulo II no dia 30 de outubro de 1983.

    Beato Jeremias de Valáquia, batizado com o nome de Jon Stoika, nasceu a 29 de Junho de 1556, em Tzazo, na região de Valáquia, na Romênia, no seio de uma família que se distinguia pela sua fé católica numa região marcada pela heresia.

    Após uma infância e juventude vividas cristãmente, quando tinha 18 anos, deixou a sua pátria e veio para Itália, segundo confidenciou à sua mãe, por ser uma terra de bons cristãos. A sua mãe, Margarida Barbato, católica fervorosa, tinha-lhe segredado diversas vezes: “Vês, Jon, aquelas avezinhas que rasgam os céus na direção do sul e dão a impressão de pequeninos monges a esvoaçar? Tu mesmo abrirás voo para a Itália, terra abençoada, onde os habitantes são bons cristãos e todos os religiosos são santos”.

    Depois de ter atravessado os Caparzi, chegou a Alba Real, então capital da Transilvânia e ali ficou ao serviço do Príncipe Estevão Bathery. Após dois anos de espera, acompanhou um célebre médico italiano que se dirigia para Bari. Aqui, encontrou-se com um amargo desmentido de tudo aquilo que lhe dissera a mãe: não encontrou bons cristãos. Naquele movimentado porto de mar encontrou, pelo contrário, gente da pior espécie: blasfemos, borrachos, ladrões, comerciantes e policiais corruptos. Quando pensava empreender viagem de regresso à sua terra natal, foi aconselhado a ficar em Nápoles num momento em que o tempo era propício para a vida de piedade.

    Decorria a Quaresma de 1578. Tempo de penitência: igrejas repletas de fiéis, procissões muito devotas, gente atenta a ouvir a Palavra de Deus. Conclui que aqui há bons cristãos. Haverá também, aqui, aqueles religiosos santos de que lhe falou a sua mãe? Tendo entrado na igreja dos Capuchinhos, assistiu com devoção às celebrações litúrgicas realizadas pelos irmãos capuchinhos. Ficou comovido e, ali mesmo, tomou a decisão : “Vou ser um deles”.

    Apresentou-se ao Ministro Provincial, Fr. Urbano de Giffoni que, depois de ter experimentado a vocação do jovem, acolheu o seu pedido e mandou-o para Aurunna a fim de iniciar o noviciado. Mudou, então, o nome de Jon pelo de Frei Jeremias de Valáquia. Fez a primeira profissão religiosa a 8 de Maio de 1579, quando tinha 23 anos de idade. Depois de 4 anos de indescritíveis emigrações encontrou, finalmente, a sua casa na Ordem dos Capuchinhos.

    A partir daquele momento empenhou-se vivamente em percorrer o caminho da santidade seguindo as pegadas de São Francisco. Depois de ter prestado serviço como cozinheiro, hortelão, sacristão e também de esmolar para os irmãos em vários conventos da Campania, no ano de 1585, acabou por ser mandado para Santo Euframo Novo, em Nápoles, como encarregado de assistir os doentes na grande enfermaria da Província. Seria aqui, neste ofício de bom samaritano, que iria revelar o seu carisma muito particular e onde se doaria totalmente por amor de Cristo. Reservava para si o cuidado dos mais necessitados, dos que tivessem maiores chagas ou feridas, dos mais difíceis e de pior trato e até dos mais desequilibrados. Mãe alguma teria cuidado o seu filho com tanta ternura como Frei Jeremias cuidava dos seus pobres irmãos.

    A fama da sua santidade espalhou-se por toda a parte. As pessoas vinham de todas as partes ter com ele. Realizou milagres, distinguia-se pela sua caridade com os pobres, ensinava o catecismo aos pequeninos que se sentiam atraídos por ele. Foi profundamente devoto de Nossa Senhora.

    Ali viveu a cuidar os seus doentes cerca de 40 anos, num serviço generoso, sempre de rosto alegre e sereno. Rezava, frequentemente, dizendo: “Senhor, eu te dou graças porque sempre estive a servir e nunca fui servido, sempre fui súbito e nunca mandei em ninguém”.

    Manteve-se no seu posto de trabalho e de sacrifício até a morte que o visitou na noite de 5 de março de 1625 quando tinha 69 anos de idade. Morreu, precisamente, vítima do amor e da obediência, quando, em Torre de Grecco, tinha ido visitar um doente que ali se encontrava.

    Amado por ortodoxos e por católicos, este humilde capuchinho constitui, hoje, a glória e a esperança da sua Pátria, a Romênia. A 30 de Outubro de 1983, o Papa São João Paulo II, com motivo do Ano Santo da Redenção, inscreveu-o no Catálogo dos Beatos.

     Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • São Pedro Sukeyiro

    Mártir japonês, da Terceira Ordem (+1597).
    Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.

    Pedro Sukeyiro havia se tornado cristão e franciscano secular em Meaco, com os missionários franciscanos, aos quais tinha prestado toda a colaboração na qualidade de catequista para a instrução e formação dos neófitos, na assistência aos enfermos nos hospitais da missão e na educação dos meninos das diversas escolas.

    Quando, em 1596, desencadeou-se a perseguição de Hideyoshi que, como furacão, se abateu sobre homens e instituições, tudo destruindo, os missionários e os terciários japoneses de Meaco e Osaka foram aprisionados e levados a Nagasaki, a fim de serem crucificados.

    Durante a viagem Pedro Sukeyiro e Francisco Fahelante, dois cristãos originários de Meaco, a quem os missionários tinham como colaboradores inscritos na Ordem Terceira de São Francisco, quiseram acompanhar os prisioneiros para servi-los e apoiá-los, ajudando-os nas dificuldades do caminho.

    Ocupados com esse serviço voluntário, fizeram-no tão perfeitamente, que impressionaram um dos guardas, que exclamou: “Os cristãos são realmente valentes, unidos entre si com laços de verdadeira caridade e fraternidade.”

    Em vista de sua persistência neste serviço, também a eles foi decretada a ordem de captura. E dessa maneira foram associados aos outros prisioneiros e martirizados com eles. Na manhã de 5 de fevereiro de 1597 os santos mártires chegaram a Nagasaki.

    Escolheu-se como lugar de suplício uma parte plana de uma colina próxima do mar, que se parece muito com o Calvário, tanto na forma como nas sendas tortuosas por onde se chega a ela e de onde se pode ver a cidade.

    O governador tinha feito levantar 26 cruzes: as seis do meio para os franciscanos e as outras para os japoneses. Daquele dia em diante o local passou a ser chamado “Monte dos Mártires” ou “Colina Santa”, pelo sangue de cristãos derramado por quase meio século.

    Nas primeiras horas da noite, Fazamburo tinha publicado um edito no qual anunciava a execução dos mártires e se proibia a todos, sob pena de morte sair da cidade para acompanhar os condenados. Nas portas da cidade foram colocados soldados com a ordem de não deixar passar ninguém. Precauções inúteis!

    Quando se soube que os condenados estavam chegando, todos, cristãos e pagãos, precipitaram-se até as portas da cidade e como torrente envolveram os guardas, precipitando-se para os mártires, a fim de acompanhá-los ao local do suplício.

    Pedro Sukeyiro e os demais companheiros, na manhã de 5 de fevereiro de 1597, como invictos heróis, cantando, sofreram o martírio da crucifixão.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • São Miguel Kosaki de Isco

    Mártir japonês, da Terceira ordem (+1597).
    Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.

    Miguel Kosaki, originário de Isco, Japão, era um fervoroso cristão da terceira ordem; era um ativo catequista no serviço missionário de Meaco. Seu filho, Tomás, viveu com os franciscanos desde a idade de quinze anos, trabalhando como acólito e catequista.

    Na perseguição religiosa, Miguel com o seu filho Tomás, franciscanos e outros terciários foram presos e condenados à crucifixão. Enquanto eles subiam a Santa Colina, os cristãos se prostraram diante deles pedindo que não os esquecessem quando chegassem diante de Deus. Uns enxugavam o sangue que escorriam dos condenados; outros se tornavam cristãos e pediam que fossem martirizados.

    São Pedro Batista, ao ver a Colina, disse aos companheiros: “Filhinhos, louvemos ao Senhor do céu e da terra. Com alegria, podemos repetir com o apóstolo das gentios:  Combatemos o bom combate, chegamos ao fim da carreira, agora nos aguarda a coroa da justiça, que será colocada em nossas frontes pelo Justo Juiz, por amor do qual vamos morrer. Um pouco de sofrimento e logo seremos felizes na companhia dos eleitos!”

    Os companheiros responderam: “Amém!” e cantaram hinos de ação de graças ao Senhor. O governador, surpreendido pela alegria dos condenados, dirigiu a São Pedro Batista: “Por que estão eles tão contentes com a condenação à morte na cruz?” Ele assim respondeu: “Para entender isso, será necessário ser também cristão. Cristo disse:  Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Os pagãos nunca podem compreender os tesouros da religião de Cristo!”

    Então, os mártires subiram para o calvário, mansos como cordeiros, absortos em Deus. Miguel, com o seu filho e demais companheiros, ao chegar na Santa Colina, colocou-se junto à sua cruz, na qual foram atados os pés, mãos e as costas, sendo o pescoço preso por um aro de ferro.

    A cruz foi levantada e assim permaneceu à espera do cumprimento do mesmo ritual de todos. As vítimas puseram-se a cantar o “Te Deum” e o bispo abençoou um por um. Os soldados com suas lanças, transpassaram-lhes o coração e abriram-lhes as portas do céu.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • São Luís Ibaraki

    Mártir japonês, terceiro Franciscano (1586-1597).
    Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.

    Luís de Ibaraki, menino de 11 anos, é como a obra mestra pedagógica da escola de São Pedro Batista e de seus coirmãos. Órfão de pai e mãe, tinha vivido com seus tios, que o acolheram em casa como filho. Logo foi recomendado aos santos Leão Karasuma e Paulo Ibaraki, que foram seus preceptores.

    Desejando fazer-se franciscano e sacerdote, foi recebido no seminário. Foram seus grandes amigos e colegas de martírio S. Antônio de Nagasaki, de treze anos e Santo Tomás de Kosaki, quinze anos. Sereno, cordial, afável passou como um meteoro de luz. Viveu como um anjo. Sempre o primeiro na oração, era acólito, cantor, servia com fervor na Santa Missa e ensinava catecismo aos meninos menores que ele, São Pedro Batista, deu-se conta rapidamente de sua boa índole e o mantinha sempre consigo nas celebrações litúrgicas e nas obras de assistência e de evangelização.

    Seu fervor suscitava admiração até mesmo nos pagãos. A um nobre que tentou persuadi-lo a afastar-se da fé, respondeu: “Jamais me afastarás de minha fé, que me está muito arraigada. Antes, por que não te fazes cristão? Encontrarás o segredo da felicidade!”

    A 3 de janeiro de 1597 começou a difícil viagem até Nagasaki. Em várias cidades foi exposto com os demais à burla do povo. No entanto, muita gente mostrava simpatia pelos mártires, especialmente pelo menino. Em Corazu, no caminho de Nagasaki, o governador Fazamburo tratou de convencer Luís a abandonar a fé e lhe ofereceu riquezas e honras para fazê-lo apostatar.

    Ele respondeu que estava feliz por renunciar à sua vida e morrer por Jesus. Nos últimos dias os padres Francisco Pasio e João Rodrigues o assistiram. Recusou uma nova tentativa do governador que o incitava a renegar a Cristo em troca da vida e de riquezas. Ele respondeu: “De maneira alguma abandonarei a este Cristo que me está abrindo as portas do céu e me envia seus anjos para colocar em minha cabeça uma coroa de fúlgida glória. Fica tu com tuas riquezas que não quero. Contento-me somente com as do céu”.

    Chegando à santa Colina de Nagasaki, beijou a cruz na qual deveria ser atado e martirizado. Recitou com Antônio e Tomás o salmo: “Louvai, meninos ao Senhor – Laudate pueri Dominum…”.  Antes de ser atravessado pelas lanças dos soldados, gritou: “Paraíso! Paraíso!”

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Mártires da Etiópia

    Sacerdotes missionários na Etiópia, mártires da Primeira Ordem.
    São João Paulo II os proclamou bem-aventurados na Basílica Vaticana,
    no dia 20 de novembro de 1998, solenidade de Cristo Rei.

    Liberato Lourenzo Weiss: nasceu em Konnersreuth, Baviera, a 4 de janeiro de 1675. Aos 18 anos tornou-se franciscano. Ordenado sacerdote foi enviado como missionário a Etiópia.

    Samuel Antonio Francisco Marzorati: nascido em Biuno Superior, perto de Varese, a 10 de setembro de 1670, tornou-se franciscano aos 22 anos a 5 de março de 1792, em Lugano, Suíça. Ordenado sacerdote, depois de um período de apostolado em sua pátria, foi enviado como missionário a Etiópia, onde sofreu o martírio.

    Miguel Pio Fasoli: nasceu em Zerbo, perto da Parvia, a 3 de maio de 1676. Feito franciscano e sacerdote, exerceu seu apostolado em sua pátria por algum tempo e depois partiu como missionário para a Etiópia. Sofreu o martírio com os outros dois companheiros.

    Três vidas semelhantes e diferentes, três franciscanos que teriam percorrido caminhos diferentes se a Providência Divina não os tivesse unido para sempre no caminho do martírio.

    Há muito tempo a Igreja Católica se esforçava para restabelecer a comunhão plena e a união com a Igreja Copta, sem sucesso. Em 20 de janeiro de 1697, a Santa Sé abriu de novo a missão na Etiópia e encomendou-a aos franciscanos. O Ministro Geral da Ordem fez então um chamado aos frades, buscando voluntários para a missão e muitos se ofereceram, entre eles os três beatos. A missão tinha como objetivo unificar a Igreja Copta do Egito com a Igreja de Roma.

    Os freis Liberato e Miguel Pio foram destinados a Etiópia; o Frei Samuel a Ilha de Socotra, no Oceano Índico, mas não atingiu o objetivo, regressando ao Cairo, onde se uniu a expedição dos outros companheiros.

    No ano de 1705, um grupo de franciscanos saiu do Egito, junto a uma caravana de mercadores. Chegaram ao Sudão e presenciaram uma revolta militar contra o rei de Sennar. Não puderam prosseguir o caminho e se estabeleceram em Allefun, cidade respeitada por seu famoso santuário muçulmano. Em 1708, o rei, que havia vencido os rebeldes, chamou os missionários a Sennar. Pouco a pouco, dos oito franciscanos que haviam saído do Cairo só restavam dois, Frei Liberato e Frei Miguel. Os demais voltaram ao ponto de partida ou morreram. Os dois beatos regressaram ao Cairo em 1710, sem conseguir chegar a Etiópia.

    Frei Samuel, com outros companheiros, não sabendo nada sobre os cristãos da ilha do Oceano Índico, evangelizada por São Francisco Xavier, foram em direção ao Cairo.

    A Santa Sé decidiu então que tentaria novamente a viagem apostólica a Etiópia, desta vez seguindo pela rota do Mar Vermelho e, em 20 de abril de 1711, encarregou os freis Liberato como Prefeito Apostólico, Miguel Pio e Samuel, que colocaram-se a caminho para cumprir a missão encomendada. Saíram do Cairo em 3 de novembro de 1711. Chegaram a Gondar, então capital da Etiópia, em julho de 1712. O rei Justus os acolheu amistosamente, mas a situação do reino não era pacífica, os europeus não eram gratos à população e a oposição ao rei era forte. Por isso, pediu aos missionários que esperassem a situação melhorar e passassem despercebidos, sem discutir com os coptas sobre as questões religiosas, nem se declarassem romanos. O rei temia por sua continuidade no trono.

    Os frades levavam uma vida simples e pobre, viviam da profissão que haviam aprendido, ajudavam os doentes e aprendiam os dialetos locais. Contudo, a população local começou a difundir mentiras contra os missionários, o que dificultou a convivência. O rei Justus, para evitar males maiores, enviou os franciscanos a outra Província, Tigré.

    Entretanto, a crise política se agravou, o rei Justus ficou doente e seus adversários aproveitaram a situação para destroná-lo e coroar um novo rei, David, filho de outro rei. Os missionários foram localizados e enviados a Gondar para o tribunal. Foram acusados de heresia contra a Igreja Copta da Etiópia, declararam abertamente que eram cristãos e que tinham sido enviados pelo Sumo Pontífice para ensinar a verdadeira fé cristã. Contra as crenças dos coptas, proclamaram, entre outras coisas, a natureza divina e humana de Cristo e afirmaram a presença real de Cristo na Eucaristia. Os coptas não conseguiram que os franciscanos renunciassem a fé católica. Por isso, foram condenados a morte, trasladados a um lugar chamado Amba-Abo e apedrejados em 3 de março de 1716.

    A notícia do martírio chegou imediatamente a Europa, por escritos de testemunhas presenciais dos fatos. Contudo, o processo de beatificação atrasou consideravelmente por diversas circunstâncias. São João Paulo II os beatificou em 20 de novembro de 1988.

    Na ocasião, São João Paulo II afirmou: “Profundamente convencidos de não serem donos do que possuíam, os mártires beatificados se viam como administradores e mensageiros dos dons que haviam recebido de Cristo. Entendiam que tinham sido enviados por Ele às tribos do povo da Etiópia. Com espírito de disponibilidade e diálogo fraterno, mas com firmeza e absoluta fidelidade de consciência, anunciaram a fé católica. Com amor admirável e entrega total, converteram-se em testemunhas vivas da Igreja e de Jesus Cristo. Em sua atividade missionária em sua paixão e morte, os mártires Liberato, Samuel e Miguel Pio são um esplêndido exemplo de como se pode anunciar e viver a verdade”.

  • João de Fabriano

    Bem-aventurado João Batista Righi de Fabriano

    Sacerdote da Primeira Ordem (1469-1539).
    Seu culto foi aprovado por Leão XIII no dia 7 de setembro de 1903.

    Nasceu em Fabriano, na nobre família Righi, por volta de 1470, João viveu a espiritualidade cristã no seio da família, num ambiente verdadeiramente medieval.

    Desejoso de uma vida mais perfeita, leu a vida de São Francisco e, de imediato, reconheceu nele seu próprio ideal, que nem os anos nem as circunstâncias poderiam apagar ou afastar. Foi assim que se fez frade menor, viveu muitos anos em um convento retirado, em Forano, ocultando o fogo de sua alma sob o hábito da humildade e obediência.

    Para subir um grau mais na perfeição, fez-se eremita em Massaccio, “La Romita” (a ermida), dedicando-se sobretudo à contemplação da Paixão do Senhor. Foi um frade simples, mas não ignorante, que soube franciscanamente tirar proveito da cultura adquirida em sua juventude e continuada na vida de convento. Ainda que fosse sábio, não era soberbo e sua sabedoria não servia para afastá-lo do próximo. Pelo contrário, sua sabedoria o ajudava a fazer o bem. Dedicou-se sobretudo no serviço aos demais.

    Morreu em 1539 e está sepultado na igreja franciscana de São Tiago della Romita em Ancona, onde é venerado.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Angela Salawa

    12Bem-aventurada Angela Salawa

    Terceira franciscana (1881-1922).
    Doméstica, beatificada no dia 13 de agosto de 1991 por São João Paulo II, em Cracóvia.

    Filha de um casal de agricultores pobres, mas muito religiosos, Ângela nasceu em uma região árida e improdutiva situada a uns 18 quilômetros de Cracóvia.

    Era a mais nova de nove irmãos e, além disso, nasceu e cresceu mal nutrida, fraca e enfermiça. Quanto a qualidades morais, era um tanto desobediente e caprichosa. Frequentou na escola da cidade os dois anos de estudo possíveis, e aí mal aprendeu a ler menos mal, mas mal aprendeu a escrever. Ficou a gostar de ler bons livros, sobretudo livros de piedade. Aos 12 anos começou a empregar-se em trabalhos domésticos em casas da vizinhança.

    Aos 16 anos, em busca de melhores condições de trabalho, foi para Cracóvia, onde já residia uma sua irmã, Tereza, que a ajudou a arranjar o primeiro emprego. Os primeiros tempos, contudo, foram difíceis, e viu-se obrigada a mudar de ocupação com frequência. Resolveu então inscrever-se na Associação de santa Zita, das empregadas domésticas. De início levou uma vida pouco exemplar, pois era vaidosa, frívola e pouco piedosa, ao contrário da irmã, que, toda se esforçava por seguir o caminho do céu; ela também queria chegar lá, mas mais devagar… Não obstante, continuou mais ou menos assídua às práticas de piedade e fiel no cumprimento dos deveres religiosos, talvez mais por rotina que por convicção.

    Os conselhos da irmã e a morte prematura da mesma levaram-na a mudar de conduta e a tomar a vida mais a sério. Foi pondo de parte a frivolidade nas diversões e a vaidade no modo de se apresentar, conservando apenas aquela dignidade própria de uma filha de Deus. Fez também progressos na vida de piedade, chegando a ser a orientadora de algumas companheiras. Chegou mesmo a pensar em entrar num mosteiro. Consultado o confessor a esse respeito, optou por fazer simplesmente um voto de castidade perpétua. Foi descobrindo pouco a pouco que a sua vocação era sofrer com Cristo, e embora consciente da sua debilidade, aceitou-a. Deliciava-se em longas orações diante do SS. Sacramento; lia livros de mística tomando nota de passagens mais interessantes. Por ordem do confessor, começou escrever um diário, para anotar as suas vivências místicas, facilita as consultas e abreviar as confissões.

    Tendo encontrado por fim condições favoráveis de trabalho, empregada de um casal sem filhos, com eles viveu oito anos. Por outro lado, foi alvo de vexames incríveis, por exemplo o do ser esbofeteada em plena igreja por uma mulher, e o de o seu confessor habitual, cansado com intrigas de pessoas invejosas, e até com calúnias levantadas contra Ângela, se negar sem mais nem mesmo a atendê-la em confissão, e em público a obrigar a retirar-se da fila do confessionário. Ângela suportou com paciência estas dolorosas humilhações.

    A senhora em cuja casa ela trabalhava adoeceu gravemente e morreu, assistida por ela. Depois disso, vieram viver com o viúvo duas mulheres seus parentes, que começaram a criar dificuldades à vida e ao trabalho de Ângela. Sentindo-se abandonada, ouviu Jesus a dizer-lhe: “Minha filha, porque te preocupas? Eu não te abandonei”. Tomou então como diretor espiritual um padre jesuíta, que acompanhou o seu processo até o fim. E para seguir mais de perto Cristo pobre e crucificado, fez-se terceira franciscana, cuja regra professa em 1913.

    Enquanto se encontra em condições de trabalhar, ajuda os doentes nos hospitais, socorre os pobres e as suas companheiras necessitadas. Mas no outono de 1916 é expulsa do emprego, acusada de roubo. Sente-se destroçada por doenças, necessidades, invejas, insultos e calúnias. Apenas consegue alguns biscates passageiros, e no ano seguinte deixa de poder trabalhar. Resolve então recolher-se no hospital da Santa Zita, de que tinha sido sócia. Mas como nem aí a deixam em paz a calúnia e a inveja, resolve ir viver sozinha, num pequeno cubículo alugado. Mas foi aí, no meio dos sofrimentos, que teve visões de Jesus a confortá-la e corrigi-la. Raramente e com grande dificuldade pode ir à igreja comungar; muitas vezes fica privada do pão do céu, pois tinha sido acusada por uma invejosa de se fingir doente, e essa calúnia fizera com que os padres franciscanos se recusassem a levarem-lhe a comunhão em casa. Ângela oferece todos os sofrimentos pela libertação da Polônia, sua pátria.

    Em 1920 com imensa dificuldade participa de uma peregrinação ao santuário mariano de Chestochowa; e desde finais desse ano até meados do ano seguinte sofre dores tão atrozes que quase a levam ao desespero. Mas aceita todos esses “queridos tormentos” para se unir aos sofrimentos de Cristo. Na última etapa da vida, é alternadamente atormentada por tentações diabólicas de orgulho e presunção e confortada por Cristo com visões celestiais. Numa dessas visões passou a experimentar a felicidade do céu, a 12 de março de 1922.

  • Angelo de Pisa

    Bem-aventurado Angelo de Pisa

    Sacerdote da Primeira Ordem (1194-1236).
    Leão XIII aprovou seu culto no dia 4 de setembro de 1892.

    Agnelo de Pisa é a glória não só de Pisa, sua cidade natal, senão de Oxford, onde morreu em 1236. Percorrer, através de seus pés descalços seu itinerário entre o Arno e o Tamesis é seguir uma das etapas mais importantes da difusão do franciscanismo na Europa. O jovem Agnelo conheceu São Francisco em Veneza e foi um dos muitos atraídos por sua palavra e exemplo. Seguindo-o descalço, por amor da Dama Pobreza, logo mostrou seus dotes de ótimo organizador e realizador, apesar da modéstia de verdadeiro franciscano, que conservou durante toda a sua vida.

    Por isso foi enviado muito jovem para a França pelo mesmo São Francisco, com um grupo de irmãos destinados a fundar os primeiros conventos franciscanos em Paris. Frei Agnelo foi o primeiro custódio, o superior das casas ali fundadas por ele, dando provas de grande zelo e de exemplar sabedoria.

    Por isso, no Capítulo Geral de 1223, São Francisco o incumbiu de uma tarefa todavia mais exigente: a conquista espiritual de todo um país, a Inglaterra, fundando ali uma Província Franciscana.

    Frei Agnelo desembarcou em Dover com oito companheiros, a 10 de Setembro de 1224. Já nos finais daquele ano dois conventos haviam sido fundados por ele; um em Cornhill, perto de Londres, outro em Oxford. Nos anos seguintes as casas franciscanas se multiplicaram na Inglaterra a despeito de todas as previsões.

    Frei Agnelo compreendeu a importância dos estudos e do ensino para o porvir da Ordem e de sua Província de Oxford, onde ele havia fundado o segundo convento, era e ainda hoje permanece – o maior centro universitário do país.

    Os Dominicanos já haviam ali uma casa de estudos; o mesmo fizeram poucos anos depois os franciscanos com Frei Agnelo, que convidou a ensinar teologia ali o próprio chanceler da Universidade, Roberto Grossatesta. A escola franciscana de Oxford logo adquiriu grandíssimo destaque e assim permaneceu nos séculos que seguiram.

    Toda a província franciscana da Inglaterra adquiriu renome por sua virtude e doutrina. Tanto êxito, no entanto, não diminuíram a humildade de Frei Agnelo, que não se ensoberbeceu, nem mesmo ao ser escolhido conselheiro do Rei Henrique III, ou ainda ao se tornar o sábio mediador nas controvérsia políticas e diplomáticas. Por obediência aceitou a ordenação sacerdotal.

    Como padre provincial foi a Assis para o capítulo de 1230, voltando em seguida para a Inglaterra. Pouco depois morreu com a idade de 42 anos, em Oxford, no ano de 1236. Sua fama de santidade prontamente rodeou esse inglês de Pisa, símbolo vivente da unidade espiritual dos dois países.  Leão XIII a 4 de Setembro de 1892 aprovou seu culto.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Josefina Gabriela Bonino

    Bem-aventurada Josefina Gabriela Bonino

    Fundadora das Irmãs da Sagrada Família de Savigliano (1843-1906).

    Nasceu em Savigliano, no Piemonte, e, sob a proteção da Sagrada Família de Nazaré fundou uma congregação religiosa para educar órfãos e assistir aos enfermos pobres.

    Educada religiosamente no seu lar, aprende, com as palavras e o exemplo dos pais, o amor, o respeito e a generosidade para com os pobres e os necessitados.

    Indo morar para Turim, recebe a educação com as Irmãs de S. José, progredindo na sua vida espiritual com a oração e os sacramentos. De novo em Savigliano, cuida do seu pai doente até que ele morra e continua as suas práticas de vida cristã.

    Aos 18 anos fez voto temporal de castidade; então, com o desejo de desprender-se mais das comodidades familiares, ingressa na Ordem Terceira Carmelita e, pouco depois, na Oedre Terceira Franciscana. Dedicou-se a colaborar nas obras paroquiais. Doente com uma neoplasia na coluna vertebral, submeteu-se a uma dolorosa cirurgia sem que produzisse efeito a anestesia aplicada. A sua cura foi considerada milagrosa, e foi a Lourdes em ação de graças à Santíssima Virgem. Depois da morte da sua mãe, consagra-se à obra “Colombo” em favor das meninas órfãs de Savignano, trabalho que é criticado pela “gente bem” da sua terra natal.

    Finalmente decide-se a fundar um instituto religioso para a educação das órfãs, para a sua formação escolar e religiosa, e para o serviço dos enfermos pobres. Com a idade de 38 anos vem a ser Superiora do seu Instituto, cargo que desempenhará com prudência e sabedoria até à morte.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Andrés Carlos Ferrari

    Bem-aventurado Andrés Carlos Ferrari

    Cardeal Arcebispo de Milão, da Terceira Ordem (1850-1921).
    Beatificado por João Paulo II no dia 10 de maio de 1987.

    Andrés Ferrari nasceu em Lalatta, diocese de Parma, no dia 13 de agosto de 1850. De pais humildades, frequentou o seminário, ordenou-se padre a 19 de dezembro de 1873.

    Como pároco, teve especial cuidado com a juventude. Pouco tempo esteve à frente do trabalho paroquial, pois foi nomeado professor e reitor do seminário de Parma. Distinguindo-se por sua piedade, doutrina e direção de almas, Leão XIII nomeou-o Bispo de Gustalla, no dia 23 de Junho de 1890, não contando ainda 40 anos de idade. Foi tal o seu proceder à frente da pequena diocese que o mesmo Sumo Pontífice resolveu transferi-lo para outra maior e mais importante, a de Como.

    Nos anos em que permaneceu nessa diocese, percorreu-a de lés a lés, visitando todas as freguesias, por menores e remotas que fossem. Empenhou-se sobremaneira na formação do clero e desenvolvimento da Ação católica. No consistório de 18 de maio de 1894, Leão XIII, que estimava o Bispo de Como, inclui-o no número de Cardeais, e três anos depois confiou-lhe o governo da Arquidiocese de Milão.

    No dia em que foi nomeado Arcebispo dessa cidade, o Servo de Deus acrescentou o nome de Carlos ao de André, que recebera no batismo, para honrar S. Carlos Borromeu, Pastor imortal e glória da igreja milanesa. O que ele fez neste novo campo de apostolado, é-nos referido por João Paulo II na homilia que proferiu no dia da beatificação do Cardeal, a 10 de maio de 1987; «Cristo foi a “porta” da santidade para o cardeal André Carlos Ferrari que, depois de ter sido Bispo de Guastalla e de Como, dirigiu por cerca de 27 anos a Arquidiocese de Milão, seguindo com fervor apaixonado as pegadas dos grandes predecessores, Ambrósio e Carlos.

    Sustentado por fé robusta e zelo iluminado, ele soube indicar com tino seguro o caminho a percorrer entre novas e difíceis realidades emergentes no contexto religioso e social do seu tempo. Soube ver os problemas pastorais, que as circunstâncias históricas apresentavam, com o olhar do Bom Pastor, indicando os modos para os enfrentar e resolver.

    Visitou quatro vezes a vasta arquidiocese ambrosiana, indo às localidades mais distantes e inacessíveis, mesmo a cavalo e a pé, onde deste tempo imemoriável não se tinha visto um Bispo. Por esta razão, ante a sua pastoral incansável, alguns diziam: “S. Carlos voltou”. A solicitude do Pastor foi expressa também na promoção de formas novas de assistência, adequadas às mudanças dos tempos eaos jovens abandonados, os trabalhadores e os pobres”.

    O bem-aventurado André Carlos Ferrari faleceu em Milão, no dia 2 de Fevereiro de 1921. Amou a São Francisco e o franciscanismo, apreciou a carismática figura de P. Lino Maupas, e animou o Padre Agustín Gemelli na fundação da Universidade Católica do Sagrado Coração de Milão. Tornou-se terceiro franciscano no dia 30 de junho de 1876 e um ano depois fez a sua profissão. Em 1965 foram exumados seus restos e se encontravam ainda intactos.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Cândido Barbieri

    Servo de Deus. Sacerdote da Primeira Ordem (1819-1907).
    Em processo de beatificação.

    O padre Cândido Barbieri nasceu em Nonantola, província de Modena, no dia 11 de agosto de 1819. No batismo foi chamado de José. Completou seus estudos elementares e ginasiais na abadia beneditina local e continuou no Colégio dos Jesuítas de Modena. Aos 21 anos, atraído pelo ideal franciscano, entrou para o convento de S. Cataldo no dia 24 de setembro de 1840. Sacerdote no dia 23 de setembro de 1843, dedicou-se com fervor juvenil à pregação com grande proveito dos fiéis. Em 1852 foi nomeado superior do convento de São Francisco de Mirándola, onde de destacou na assistência aos enfermos da peste asiática.

    Desejoso de salvar almas pediu para partir como missionário na América Latina. Esteve um ano em Roma no convento de São Pedro de Montorio para aprender espanhol e os costumes dos povos que haveria de evangelizar. No dia 18 de abril de 1856 embarcou com Frei Leonardo de Fanano, para iniciar a missão franciscana em Montevidéu.

    Uma terrível epidemia pouco depois o privou de todos os seus confrades, que, um a um morreram em seus braços. Sem desanimar-se regressou à Itália e pediu ao Provincial e ao Ministro Geral o envio de novos missionários. Conseguiu 10 sacerdotes e alguns irmãos, que depois de um difícil viagem, em que estiveram a ponto de naufragar, chegaram a Montevidéu e foram acolhidos com muita alegria por aqueles a quem ele havia ajudado.

    Depois de dois anos de intenso trabalho e dinâmica organização, viu-se no meio de uma guerra de calúnias, até ver-se obrigado a refugiar-se em Potosi, paternalmente acolhido e defendido pelo bispo, vigário apostólico do Uruguai. Em 1860 foi nomeado pároco de La Cruz, em Corrientes. Ali ergueu a nova igreja e durante 15 anos trabalho no meio dos silvícolas.

    A revolução capitaneada por Francisco Solano López, que agitou o Uruguai, Argentina e Brasil, provocou muitas privações e sofrimentos também ao Pe. Cândido, que a duras penas conseguiu salvar a sua vida e de seus fiéis. Os revolucionários o amarraram durante três dias e três noites a uma árvore, e um deles fez em seu rosto uma ferida, cuja cicatriz levou por toda a sua vida.

    No Brasil, sob a dependência do bispo do Rio Grande do Sul, que o encomendou o cuidado pastoral de São Luís das Missões em 1875, em 1876 S. Francisco de Borja, e em 1877 de São Patrício. Uma grave queda de um cavalo afetou sua saúde até o ponto de decidir regressar à Itália. Antes disso, o imperador do Brasil, Pedro II, o condecorou por seus méritos e lhe deu cidadania brasileira. Depois de 22 anos de apostolado missionário voltou em novembro de 1878 a Mirandola, onde voltou às suas pregações em povoados e cidades. Em 1885 foi nomeado pároco e superior em S. Cataldo de Modena, serviço que prestou durante 22 anos. Morreu aos 88 anos de idade no dia 9 de janeiro de 1907.
    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Mártires da Irlanda

    Bem-aventurados O’Devany Connor († 1612), Bispo e John Kearney (1619-1653),
    sacerdote da Primeira Ordem, Mártires da Irlanda.

    Bem-aventurados O’Devany Connor, Bispo de Primeira Ordem, nascido em Rapphoe, Condado de Donegal, na sua juventude, tornou-se franciscano em 1550. Em 1582, o Papa Gregório XIII o consagrou Bispo de Down y Connor, na igreja de Santa Maria dell’Anima, em Roma, em 13 de maio. Em 1588 ele foi preso e passou vários anos na prisão. Liberado, ele continuou seu ministério, ignorando as dificuldades crescentes. Preso junto com P. Patrik O’Loughran, foram julgados em conjunto. Foram enforcados em 1º de fevereiro de 1612. Beatificado por João Paulo II em um grupo de 17 mártires irlandeses.

    Beato John Kearney, sacerdote da Primeira Ordem, nascido em Cashel em 1619, filho de John e Elizabeth Creagh Nee. Killkenny tornou-se franciscano, estudou seis anos em Louvain, em Bruxelas, ordenou em 1642. Em 1644, ao voltar para a Irlanda, foi preso, torturado e condenado à morte. Ele escapou e voltou para a Irlanda através de Calais. Ele se dedicou ao ensino e à pregação. Preso na primavera de 1653, no processo em Clonmel, a acusação era que ele exerceu o ministério sacerdotal contra a lei. Enforcado em 21 de março de 1653. Beatificado por João Paulo II em um grupo de 17 mártires irlandeses.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • São Salvador de Horta

    Religioso da Primeira Ordem (1520-1567). Canonizado por Pio XI em 17 de abril de 1938.

    Este santo é realmente uma figura ímpar, um santo muito pobre, humilde, quase analfabeto, desprezado e até perseguido antes de ser reconhecido como o “grande taumaturgo do século XVI.”

    Nascido na Espanha, em Santa Colomba de Farnés, perto de Gerona, em dezembro de 1520, de uma família pobre, continuou pobre ao longo de sua vida. Ficou órfão quando era adolescente, deixou sua terra natal para procurar trabalho em Barcelona, onde aprendeu sapataria e poderia se sustentar e também ajudar no sustento de sua irmã mais nova, Blasia. Quando esta casou-se, Salvador finalmente foi capaz de seguir sua vocação religiosa. De Barcelona foi para a Abadia de Montserrat, onde foi recebido pelos beneditinos, que esperavam tê-lo como um dos seus convertidos, mas a vocação de Salvador foi de extrema pobreza e humildade, por isso não vestiu o hábito beneditino, mas retornou a Barcelona e tomou o hábito franciscano.

    Em 3 de maio de 1551 foi recebido no convento de Barcelona, onde ele rapidamente chamou a atenção dos religiosos para a sua grande piedade. A ele foram confiados os trabalhos mais simples e cansativos. Ao redor deste irmão humilde do convento, os milagres começaram a aparecer cada vez mais numerosos e barulhentos. Logo se viu diante da falta de compreensão de seus confrades e da hostilidade religiosa de seus superiores. Pensavam que o irmão estava endemoniado. Foi isolado e para liberar o demônio exorcizado. Mas os milagres continuaram e desconcertante caso foi levado para a Inquisição, que não se pronunciou. Ao contrário, o povo foi mais lúcido para reconhecer o sopro de santidade. Em torno do irmão desprezado se juntou uma multidão de carentes, doentes, aflitos, entre os quais se multiplicaram os feitos prodigiosos. Para removê-lo da curiosidade popular, Salvador foi transferido de convento para convento. Ele sempre manteve a calma em sua longa e humilhante peregrinação, feliz com seu trabalho e sua fervorosa oração.

    De Tortosa foi enviado para Bellpuig, e depois para Reus, onde esperava por ele novas perseguição. Foi enviado a Barcelona, sede da Inquisição. Foi enviado para a Ilha da Sardenha, ao mosteiro de Santa Maria de Jesus, última estação de seu doloroso calvário, onde encontrou por fim um refúgio de paz. Morreu aos 47 anos de idade em Cagliari, em 18 de março de 1567. Seu túmulo tornou-se famoso por seus milagres.

    Frei Salvador foi beatificado sob pedido do Rei Felipe III, em 15 de fevereiro de 1606, pelo Papa Paulo V. Em 17 de abril de 1938 foi canonizado pelo Papa Pio XI. As relíquias do santo foram conservadas inicialmente no Convento Santa Maria de Jesus, em Cagliari. Em 1607, foi extraído seu coração, que foi levado ao Convento São Pedro de Silki. Em 1718, em consequência da demolição do Convento Santa Maria de Jesus, os restos do santo foram trasladados à igreja de São Mauro, em Cagliari. Em 1758 o corpo foi trasladado para a igreja Santa Rosalia, na mesma cidade. Santa Rosalia de Cagliari é o principal santuário de San Salvador, onde o corpo de Frei Salvador é exposto em uma caixa de cristal sob o altar.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • São José

    Esposo da Virgem Maria, pai legal de Jesus, patrono da Igreja, dos carpinteiros e dos doentes.

    Festa para toda a Igreja, para os carpinteiros,  para os pais e suas famílias, para os doentes que honram São José como seu patrono. O nome de José é muito comum e por isso mesmo são muitos os que hoje festejam seu onomástico. Também é festa para a Ordem Franciscana, pois São José é um dos seus protetores: muitos santos religiosos têm por ele uma terna devoção. Muitos membros da Ordem difundiram amplamente seu culto.

    São raros os dados sobre as origens, a infância e a juventude de José, o humilde carpinteiro de Nazaré, pai terrestre e adotivo de Jesus Cristo, e esposo da Virgem de todas as virgens, Maria. Sabemos apenas que era descendente da casa de David. Mas, a parte de sua vida da qual temos todo o conhecimento basta para que sua canonização seja justificada. José é, praticamente, o último elo de ligação entre o Velho e o Novo Testamento, o derradeiro patriarca que recebeu a comunicação de Deus vivo, através do caminho simples dos sonhos. Sobretudo escutou a palavra de Deus vivo. Escutando no silêncio.

    Nas Sagradas Escrituras não há uma palavra sequer pronunciada por José. Mas, sua missão na História da Salvação Humana é das mais importantes: dar um nome a Jesus e fazê-lo descendente de David, necessário para que as profecias se cumprissem. Por isso, na Igreja, José recebeu o título de “homem justo”. A palavra “justo” recorda a sua retidão moral, a sua sincera adesão ao exercício da lei e a sua atitude de abertura total à vontade do Pai celestial. Também nos momentos difíceis e às vezes dramáticos, o humilde carpinteiro de Nazaré nunca arrogou para si mesmo o direito de pôr em discussão o projeto de Deus. Esperou a chamada do Senhor e em silêncio respeitou o mistério, deixando-se orientar pelo Altíssimo.

    Quando recebeu a tarefa, cumpriu-a com dócil responsabilidade: escutou solícito o anjo, quando se tratou de tomar como esposa a Virgem de Nazaré, na fuga para o Egito e no regresso para Israel (Mt 1 e 2, 18-25 e13-23). Com poucos mas significativos traços, os evangelistas o descreveram como cuidadoso guardião de Jesus, esposo atento e fiel, que exerceu a autoridade familiar numa constante atitude de serviço. As Sagradas Escrituras nada mais nos dizem sobre ele, mas neste silêncio está encerrado o próprio estilo da sua missão: uma existência vivida no anonimato de todos os dias, mas com uma fé segura na Providência.

    Somente uma fé profunda poderia fazer com que alguém se mostrasse tão disponível à vontade de Deus. José amou, acreditou, confiou em Deus e no Messias, com toda sua esperança. Apesar da grande importância de José na vida de Jesus Cristo não há referências da data de sua morte. Os teólogos acreditam que José tenha morrido três anos antes da crucificação de Jesus, ou seja quanto Ele tinha trinta anos.

    Por isso, hoje é dia de festa para a Fé. O culto a São José começou no Egito, passando mais tarde para o Ocidente, onde hoje alcança grande popularidade. Em 1870, o Papa Pio IX o proclamou São José, padroeiro universal da Igreja e, a partir de então, passou a ser venerado no dia 19 de março. Porém, em 1955, o Papa Pio XII fixou também, o dia primeiro de maio para celebrar São José, o trabalhador. Enquanto, o Papa João XXIII, inseriu o nome de São José no Cânone romano, durante o seu pontificado.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Ippolito Galantini

    Bem-aventurado Ippolito Galantini

    Religioso da Ordem Terceira (1565-1619). Fundador da Congregação da Doutrina Cristã. Beatificado por Leão XII em 12 de julho de 1825.

    Ippolito Galantini nasceu em Florença de uma família de trabalhadores muito honesta. Ele era um tecelão de pano e seguia a antiga tradição florentina. Sério, atencioso, dedicava as horas de folga no trabalho para a educação religiosa das crianças, especialmente as crianças de rua. Ele se juntou a outros artesãos também honestos. No ensino catequético, mostrou aptidão de tal forma que o Cardeal Alessandro Medici, depois o Papa Leão XI, nomeou-o professor da doutrina cristã da Arquidiocese de Florença.

    Desejoso de uma maior perfeição, pediu para ser admitido entre os Capuchinhos, mas devido a sua saúde não pôde realizar seu sonho. Ele retomou sua atividade de ensino religioso com renovado vigor, enquanto ajudava seu pai no trabalho manual.

    Em 14 de outubro de 1602, em um oratório doado por seus concidadãos, tomou o hábito como terceiro franciscano e fundou a Congregação de São Francisco de Assis para a Doutrina Cristã. Em outras cidades, fundou congregações iguais, como em Lucca, Pistoia, Modena, Volterra e em outros lugares, onde permaneceu por algum tempo. Verdadeiro filho do povo, Ippolito foi inteiramente dedicado ao apostolado da instrução religiosa para as classes mais baixas. No campo prático do apostolado é, sem dúvida, uma das principais figuras. Pertenceram à sua Congregação personagens de posição social elevada, que não se sentiam humilhados em se juntar a ele, um trabalhador pobre, para se tornarem professores de catequese do povo.

    Por 14 anos ele sofreu de uma enfermidade atroz, que suportou com grande espírito de sacrifício e renúncia. Ele morreu em Florença, em 20 de março de 1619, aos 54 anos, chorado por todos. Tal era sua fama de santidade, que seu túmulo se tornou uma rota de peregrinações devotas. Pessoas de todas as classes sociais pediam graças a Deus pelos méritos do bem-aventurado servo.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • João de Parma

    Bem-aventurado João de Parma

    João nasceu em Parma, na Itália, em torno de 1208 de Alberto Buralli e Antonia Bertani. Tendo se tornado órfão de pai e de mãe ainda muito pequeno foi confiado a um tio padre diretor de uma hospedaria em São Lázaro, nos arredores da cidade de Parma, casa esta que acolhia peregrinos em trânsito, mendigos sem casa, leprosos afastados do convívio social, e pessoas pobres necessitadas de cuidados de saúde e abrigo. O tio cuidou muito de sua educação e o sobrinho freqüentou escolas que tinham eminentes professores, entre outros Sinibaldo Fieschi, futuro Inocêncio IV. Depois de terminar os anos de estudo João obteve o título de Mestre e foi encarregado do ensino da Lógica tornando-se conhecido pela cultura e espírito religioso.

    Tendo ingressado na Ordem dos Frades Menores em 1223, devido a seus talentos e maturidade espiritual, foi logo encarregado pelo Ministro Geral, Frei Elias, pelo setor dos estudos e do ensino. Em pouco tempo tornou-se muito conhecido na Ordem e na Igreja como douto em letras, teologia e música. Ensinou em Bolonha, Nápoles e Paris e em 1245 participou como teólogo perito no I Concílio de Lião.

    No Capítulo Geral de 1247 foi eleito Ministro Geral como sucessor de Frei Haymon de Farversham e Crescêncio de Iesi que dirigiram a Ordem depois de Frei Elias. A corrente dos ditos “espirituais” era favorável à sua ascensão ao governo da Ordem porque ele defendia a rígida observância da Regra. Estes, pois, acolheram com alegria sua eleição. Sendo uma pessoa reta e desejando o bem de toda a Ordem, seu governo foi marcado por programas muito claros: anulou as punições e limites impostos aos frades condenados por seu zelo julgado exagerado na fiel observância da Regra, resolveu fazer visitas pessoais a todas as Províncias da Ordem sem servir-se dos visitadores delegados, determinou que os Capítulos Gerais fossem convocados alternadamente aquém e além dos Alpes, colocou em destaque o carisma franciscano da simplicidade das origens revalorizando os serviços fraternos e o trabalho manual. Um tal zelo foi reconhecido por todos tanto na Ordem quanto na Igreja.

    Teve ocasião de encontrar-se com Luís IX, rei de França, ao qual se ligou por fraterna amizade. Foi encarregado de missões diplomáticas da Santa Sé na Grecia e em Constantinopla junto ao Imperador do Oriente e os patriarcas com o intuito de pôr fim ao cisma e fazer a unidade de Roma com Constantinopla. Esta missão durou um ano, mas sem êxito. Inocêncio IV apreciou muito a obra de João que ele qualificou de “anjo da paz”. Os próprios ortodoxos o definiram como “homem de Deus, mensageiro do Senhor, sagaz diplomata, mas probo e sensível. O imperador Vatatze o cobriu de presentes e lhe reservou um tratamento digno de personagens dos mais destacados.

    Tendo voltado ao pleno serviço da Ordem Franciscana, João se ocupou dos problemas decorrentes de sua rápida expansão e das dificuldades internas entre os espirituais e os laxistas.

    Em 1254, em Paris, desencadeou-se a batalha entre mestres leigos da universidade contra as Ordens Dominicana e Franciscana: o corpo acadêmico do antigo e célebre Studio se insurgiu contra os professores dos mendicantes que, com suas aulas, atraíam muitos estudantes. O embate teve ásperos contornos até o ponto de tornar-se da parte da Universidade contestação tanto dos franciscanos como dominicanos. Estes fizeram frente comum:o Buralli e Frei Umberto de Romans, Mestre Geral dos Frades Pregadores enviaram às suas respectivas Ordens uma carta comum na qual, chamando atenção para os relacionamentos fraternos entre os dois santos fundadores, convidavam Dominicanos e Franciscanos à concórdia e à coesão. Frei João ficou encarregado de representar as duas ordens diante da assembléia geral dos docentes e dos estudantes da universidade onde a habilidade dialética da defesa do Buralli e sua peroração final, apaixonada e persuasiva deram legitimidade das duas ordens e o reconhecimento que não seria mais discutido.

    A obra de Frei João é testemunhado por numerosos documentos da Ordem e da Igreja. A pessoa, o caráter, o temperamento por meio de numerosas páginas escritas com vivacidade por seu contemporâneo e conterrâneo Frei Salimbene de Parma. De João ficaram os traços no seguinte escrito de Salimbene: “Tinha estatura média que mais tendia para pequeno que para grande porte. Era formoso em todos os seus membros. De boa compleição e de boa saúde, e bem forte para suportar fadigas, tanto para andar quanto para estudar. Tinha rosto angelical, gracioso e alegre. Era generoso, liberal, cortês, caridoso, humilde, manso, benigno e paciente. Homem devoto a Deus e de grande oração, piedoso, clemente e compassivo. Cada dia, ele celebrava com tanta devoção, que os que assistiam sentiam alguma graça. Pregava tão fervorosamente e tão bem ao clero e aos irmãos que levava muitos ouvintes às lágrimas, como muitas vezes eu vi. Tinha uma língua muito eloqüente e nunca complicada. Tinha ótima ciência porque era bom gramático e foi mestre de lógica (…). Lecionou as Sentenças em Paris. No convento de Bolonha e naquele de Nápoles foi professor por muitos anos. Quando passava por Roma, os irmãos mandavam-no pregar ou disputar com os cardeais que o ouviam: era considerado por eles grande filósofo. Era espelho e modelo para todos os que o olhavam porque toda a sua vida era cheia de santidade e perfeitos bons costumes (Salimbene, n. 41).

    Na seqüela de acusações infundadas de aderir às teorias de Joaquim de Fiore, Frei João soube afastar-se, retirando-se antecipadamente do governo da Ordem. Convocou o Capítulo Geral de Ara Coeli em Roma para 2 de fevereiro de 1257, também por ocasião de Pentecostes e assembléia capitular indicou como seu sucessor o desconhecido Frei Boaventura de Bagnoregio, com quarenta anos e também professor da universidade de Paris João se retirou para o eremitério de Greccio, famoso por ser sido cenário, da celebração do presépio por parte de São Francisco e que tinha acontecido trinta anos atrás.

    O novo ministro Boaventura para mostrar claramente a estranheza da Ordem para com a doutrina joaquimista, convocou Frei João Buralli publicamente acusado de desvio doutrinal e suspeita de simpatia para com as doutrinas de Joaquim de Fiore acolhidas por muitos frades “espirituais”. Na cidade de Pieve de João foi submetido a um processo canônico ao qual se submeteu humildemente e diante do Cardeala protetor da Ordem Caetano Orsini pronunciou a fórmula de adesão aos artigos de fé do cncilio lateranense que condenavam as doutrinas joaquimistas. Em sua defesa interveio o Cardela Ottobono Fieschi, que anos depois seria eleito Papa com nome de Adriano V.

    Concluído o processo, João voltou a Greccio onde viveu em solidão e austeridade por trinta anos com uns poucos frades, dedicando ao estudo e à oração e à redação de obras ascético-místicas. Houve quem atribuísse a João de Parma o Sacrum commercium sancti Francisci cum Domina Paupertae.

    Depois em 22 de fevereiro seu confrade Frei Jerônimo de Ascoli foa eleito Papa com o nome de Nicolau IV, Frei João de Parma já na quadra de seus oitenta anos pediu autorização para retornar ao Oriente para tentar novamente terminar com o cisma. Tendo conseguido a licença se pôs a caminho até Ancona, onde deveria embarcar. Na cidade de Camerino foi acometido pela morte a 19 de março de 1289, sendo hóspede do convento local dos frades menores.

    Toda a cidade participou de seus funerais que se demonstraram como apoteose tributada ao santo. Os restos foram transladados da igreja os frades em Camerino para a catedral da cidade. A ininterrupta veneração na Ordem, na cidade de Camerino, na cidade natal do frade em Parma foi reconhecida por Pio VI a 1º de março de 177 que aprovou seu culto e conferiu-lhe o título de beato.

    (Tradução livre da obra Frati Minori Santi e Beati, publicação feita pela Postulação Gral da Ordem dos Frades Menores, 2009, p. 78-81)

  • São Benvindo de Osimo

    Bispo de Osimo, Primeira Ordem (1188-1282). Martin IV aprovou seu culto como um santo em 1284.

    Benvindo Scotívoli, nascido em Ancona, em 1188, estudou direito em Bolonha, sob a orientação de São Silvestre Guzzolini, cânone de Osimo, mais tarde fundador dos monges Silvestrinos. Foi nomeado capelão papal em Ancona. Em 1º de agosto de 1263, foi nomeado administrador da diocese de Osimo, que havia sido anexada a Numana por Gregório IX em punição devido à sua adesão ao partido de Frederico II. Restabelecida a sua sede no dia 13 março de 1264, Urbano IV confiou seu governo para Benvindo, que em 1267 também foi encarregado por Clemente IV para o governo de Ancona. Durante este período, foi ordenado sacerdote em São Nicolau de Tolentino. Ele era muito devoto de São Francisco de Assis, por isso acolheu em sua diocese os Frades Menores e pediu para ingressar na Primeira Ordem. Vestiu com o fervor o hábito e insistiu em viver o espírito seráfico.

    Benvindo foi um grande reformador. Por uma disposição de 15 de janeiro de 1270 proibiu o mosteiro de San Florencio Pescivalle, do qual era administrador, de vender os bens. Em um sínodo no dia 07 fevereiro de 1273 proibiu a venda das propriedades da igreja e em 1274 colocou em ação as reformas do capítulo da catedral e defendeu os direitos da Diocese sobre a cidade de Cingoli.

    Em seu ministério episcopal sempre teve como único objetivo promover a glória de Deus, desprezar as riquezas e as coisas mundanas, trabalhar duro para o bem da sua alma e as almas confiadas aos seus cuidados. Ele combinou sua performance em força e suavidade de costumes, para o triunfo da justiça e da paz no vínculo do amor. Foi um verdadeiro e bom pastor do seu rebanho e guardião vigilante das leis de Deus e da Igreja. Zeloso na pregação evangélica e instrução catequética, muitas vezes visitou a diocese, realizou um Sínodo diocesano em que ditou sábias regras para promover a disciplina eclesiástica. Promoveu a cultura e a formação dos novos diáconos, que estavam se preparando para o sacerdócio, com a palavra inspirada e com o bom exemplo, e com sua vida santa.

    Benvindo morreu em 02 de março de 1282, aos 94 anos de idade. Ele foi enterrado na catedral de Osimo em um mausoléu nobre, por ordem do clero e do povo. Sobre seu túmulo tiveram milagres e graças.

  • Marcos de Montegallo

    Bem-aventurado Marcos de Montegallo

    Sacerdote da Primeira Ordem (1425-1496). Gregório XVI aprovou seu culto em 20 de setembro de 1839.

    Marcos nasceu em 1425 em Fonditore, povoado de Montegallo, onde seu pai Claro de Marchio, havia se retirado há alguns anos para fugir das facções violentas que assolaram o Ascoli Piceno. Ele retornou a esta cidade para facilitar os estudos de Marcos, que logo ingressou na Universidade de Perugia, e daí para Bolonha, onde obteve o doutorado em Direito e Medicina. Em Ascoli exerceu durante um tempo a profissão médica. Para atender aos desejos de seu pai em 1451 ele se casou com Clara Tibaldeschi, mulher nobre, com quem viveu em continência. Com a morte de seu pai no ano seguinte, por acordo comum, o casal abraçou a vida religiosa. Ela foi recebida pelas Irmãs Clarissas do Mosteiro de Santa Clara das Damas Pobres em Ascoli e ele ingressou no Convento dos Frades Menores da Fabriano.

    Fez o noviciado em Fabriano, foi superior em San Severino, logo começou a missão de pregador, sob a orientação do grande confrade e companheiro São João de Marcas. As feridas principais de seu século foram a guerra civil e da usura (agiotagem), praticada principalmente por judeus. Marcos, com fervorosa pregação, trouxe a paz e harmonia e acalmou as facções em Ascoli, Camerino, Fabriano e outras cidades. Contra o abuso dos agiotas estabeleceu-se casa de penhores em Ascoli (1458), Fabriano (1470), Fano (1471), em Acervia (1483), em Vicenza (1486), em Ancona, Camerino, Fermo e Ripatransone (1478).

    Em 1480, juntamente com outros confrades, foi nomeado pelo Papa Sisto IV pregador e coletor para a cruzada. Ele também foi diretor espiritual da recém-canonizada Camilla Batista Varano. Também encontrou tempo para escrever vários livros, incluindo “La Tavola della Salvezza”, que publicou em Florença, em 1494.

    Em 19 de março de 1496, em Vicenza, onde ele estava pregando, foi surpreendido pela morte e foi sepultado na igreja franciscana de San Biagio Vecchio, que era objeto de culto público. Em Ascoli Piceno, na igreja franciscana, há uma pintura do bem-aventurado, datada de 1506. Em Montegallo foram erguidos altares em sua honra. Não muito tempo depois de sua morte foi feito a um rito latino que exalta louvores sua vida santa.

    Marcos de Montegallo pertence ao grande grupo de pregadores do Evangelho e da penitência, inatingível para o seu equilíbrio sobrenatural, como São Bernardino de Siena. Eles produziram uma primavera de vida cristã, um extraordinário florescimento de santidade.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Diego José de Cádiz

    Bem-aventurado Diego José de Cádiz

    Sacerdote da Primeira Ordem (1743-1801) foi beatificado por Leão XIII em 23 de abril de 1894.

    O Beato Diogo José de Cádiz nasceu em Cádiz, Espanha, a 30 de março de 1743. Filho de família nobre e ilustre ficou órfão de mãe aos nove anos. Pediu e foi admitido no noviciado dos Capuchinhos em Sevilha, a 30 de março de 1758. Ali fez sua profissão em 31 de março de 1759. Depois de sete anos, durante os quais fez seus estudos de Filosofia e Teologia, recebeu a ordenação sacerdotal em Carmona. Atraído, por temperamento e vocação, para o apostolado ativo, trabalhou intensamente, com a palavra e com a escrita difusão da fé, em promover o entusiasmo religioso no meio do povo espanhol, lançando uma cruzada contra os revolucionários franceses de 1793 a 1795.

    Desta sua luta, deixou como testemunho, o livro “El soldado católico en guerra de religión”, redigido em forma de carta ao sobrinho Antônio inscrito voluntariamente no exército. Difundiu eficazmente a devoção à Santíssima Trindade e a Nossa Senhora sob a invocação de Mãe do Divino Pastor. Foi escolhido para consultor e teólogo em várias dioceses e constituíram- no cônego honorário em muitos cabidos de catedrais.

    Foi sócio de várias Universidades e Institutos de cultura. Mostrou-se modelo de capelão militar. Sua apurada educação clássica, seu bom senso intuitivo e a tradição franciscana salvaram-no do intelectualismo que predominava no seu tempo, mantendo-o na linha da pregação evangélica recomendada por São Francisco que, pelo fato de ser a mais simples, é também a mais sóbria e a mais eficaz.

    Dotado por Deus de inteligência fora de série, converteu-se no grande apóstolo da Espanha que ele percorreu a pé, coberto com seu hábito e agarrado ao seu crucifixo. Dotado de amor ardente à Igreja, entregava-se longamente ao estudo da Sagrada Escritura para depois poder comba ter os erros do seu tempo em pregações ao povo e também à gente da cultura e das letras.

    A oração, a penitência, a austeridade tornaram fecunda sua admirável vida tão ativa e enriquecida também com milagres. O Senhor chamou-o, em Ronda, junto a Málaga, a 24 de março de 1801, com 58 anos de idade, depois de 32 anos de intensa atividade missionária. Deixou-nos, além de três mil sermões já mencionados, numerosos escritos, entre os quais, preciosas cartas espirituais. Foi sepultado no santuário de Nossa Senhora da Paz, em Ronda, onde faleceu. O Papa Leão XIII, a 1º de abril de 1894, beatificou-o na Basílica de São Pedro, em Roma.

    ORAÇÃO

    Senhor, que concedestes ao Beato Diogo José de Cádiz a sabedoria dos santos, e fizestes dele guia e modelo para o seu povo, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de sabermos discernir o que é bom e justo, a fim de anunciarmos a todos os homens a riqueza insondável da verdade que é Cristo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

  • O que é ser Santo?

    Neste dia, não há uma biografia no Santoral Franciscano. Oferecemos, então, uma reflexão do Papa Bento XVI sobre “O que é ser santo?”

    O que significa dizer ser santos? Quem é chamado a ser santo? Muitas vezes, somos levados ainda a pensar que a santidade seja uma meta reservada a poucos eleitos. […] A santidade, a plenitude da vida cristã, não consiste em cumprir ações extraordinárias, mas em unir-se a Cristo, em viver os seus mistérios, em fazer nossas as suas atitudes, seus pensamentos, seus comportamentos. A medida da santidade é dada pela estatura que Cristo alcança em nós, através da qual, com a força do Espírito Santo, modelamos toda a nossa vida sobre a sua. É o ser conforme a Jesus. Todos somos chamados à santidade: é a medida mesma da vida cristã”, ressaltou.

    O Sucessor de Pedro propôs dois questionamentos fundamentais: Como podemos percorrer a estrada da santidade, responder a esse chamado? É possível apenas com nossas próprias forças? “A respota é clara: uma vida santa não é fruto principalmente do nosso esforço, das nossas ações, porque é Deus que nos torna santos, é a ação do Espírito Santo que nos anima a partir de dentro, é a vida mesma de Cristo Ressuscitado que nos é comunicada e que nos transforma”.

    A santidade tem sua raiz última na graça batismal, pois é devido a ela que nosso destino é ligado indissoluvelmente ao seu. “Mas Deus respeita sempre a nossa liberdade e pede que aceitemos esse dom e vivamos as exigências que ele comporta, pede que nos deixemos transformar pela ação do Espírito Santo, conformando a nossa vontade à vontade de Deus”, explicou.

    Como viver? O que é essencial? É possível?

    Aqui surgem duas outras indagações importantes: Como pode acontecer que o nosso modo de pensar e as nossas ações tornem-se o pensar e o agir com Cristo e de Cristo? Qual é a alma da santidade? “De novo o Concílio Vaticano II precisa; diz-nos que a santidade cristã não é nada mais que a caridade plenamente vivida, o dom primeiro e mais necessário. Mas, para que a caridade cresça na alma e ali frutifique, cada fiel deve escutar voluntariamente a Palavra de Deus e, com o auxílio da sua graça, realizar as obras de sua vontade, participar frequentemente dos sacramentos, sobretudo da Eucaristia e da santa liturgia; aplicar-se constantemente à oração, à abnegação de si mesmo, ao serviço ativo dos irmãos e ao exercício de toda a virtude. A caridade dirige todos os meios de santificação, lhes dá forma e condu-los ao seu objetivo”, definiu Bento XVI.

    Frente à possível dificuldade de compreensão dos marcos pastorais do Concílio, o Papa diz que talvez seja preciso dizer as coisas de modo mais simples. “O que é essencial?”, pergunta, e indica não deixar nunca de participar do encontro com Cristo Ressuscitado na Eucaristia aos domingos, não começar e não terminar o dia sem ao menos um breve contato com Deus e seguir os indicadores que ele coloca à beira do caminho de nosso vida. “Essa é a verdadeira simplicidade, grandeza e profundidade da vida cristã, do ser santos”, frisou.

    O Papa lança ainda outro questionamento: Podemos nós, com os nossos limites, buscar a uma meta tão alta? Bento XVI explica que a Igreja convida, durante todo o Ano Litúrgico, a fazer memória de uma legião de Santos que viveram plenamente a santidade na sua vida cotidiana, os quais dizem-nos que é possível percorrer essa estrada.

    “Na realidade, devo dizer que também para a minha fé pessoal muitos santos, não todos, são verdadeiras estrelas no firmamento da história. E gostaria de complementar que, para mim, não somente alguns grandes santos que amo e que conheço bem são ‘indicadores do caminho’, mas propriamente também os santos simples, isto é, as pessoas boas que vejo na minha vida, que não serão nunca canonizadas. São pessoas normais, por assim dizer, sem heroísmo visível, mas na sua bondade de todo dia vejo a verdade da fé. Essa bondade, que amadureceram na fé da Igreja, é para mim a mais segura apologia do cristianismo e o sinal de onde esteja a verdade”, ressaltou.

  • João Batista de Borgonha

    Venerável João Batista de Borgonha

    Sacerdote da Primeira Ordem (1700-1726). Em processo de beatificação.

    Nascido em Borgonha, França, viveu em Roma e morreu em Nápoles. Parece ter voado sobre a terra respirando o ar do céu. Ele viveu em silêncio numa serena fortaleza, sacrificando-se para o Senhor em uma doença longa e contínua. Com a sua morte começou uma chuva de graças e favores. Era chamado de anjo pela pureza, mártir pelos sofrimentos, serafim do amor a Deus e ao próximo.

    Nascido 30 de julho de 1700, em Nozerly, muito pequeno perdeu seu pai e mãe. Ele recebeu sua primeira comunhão e confirmação na igreja franciscana do lugar. Aos 12 anos, por interesse em seu irmão mais velho, camareiro de Clemente XI, foi para Roma e frequentou o Roman College dos Jesuítas. Seu diretor espiritual o definiu como “um anjo em tudo semelhante a São Luís Gonzaga”. Fascinado com o retiro de São Boaventura no Palatino, São Pio X definiu como “viveiro de santos e de sábios”, apesar da oposição de seus familiares, ingressou na comunidade, embora soubesse dos rigores do convento.

    Fez o noviciado no santuário de Santa Maria delle Grazie, em Ponticelli Sabino (Rieti), imitando os santos que viveram lá: São Carlos de Sezze, São Leonardo de Porto Maurício, o Beato Boaventura de Barcelona, e assim por diante. Com uma queda fatal enquanto regava o jardim, ele começou o seu calvário doloroso. Ele estudou filosofia no Retiro em San Cosimato Vicovaro (Roma), a teologia no Palatino de Roma, sempre com a saúde debilitada.

    Feliz por juntar-se às dores da Paixão de Jesus, alegremente enfrentou um sofrimento indescritível, repetindo muitas vezes: “O Senhor me faz sofrer, porque me quer!”. “Desde a cruz para o céu há um só passo!”. Admirando a sua resignação, seus superiores queriam que ele se ordenasse padre. No Ano Santo de 1725, em São João de Latrão, o Papa Clemente XIII o ordenou presbítero. Ao impor as mãos sobre a sua cabeça, edificado pelo seu rosto angelical, exclamou: “Meu filho, em breve se tornarás santo!”. Para curar uma doença misteriosa que o incomodava, foi enviado por um tempo para os conventos de Lazio: Montorio Romano, Fara Sabina, Vallecorsa e finalmente a Nápoles na enfermaria interprovincial de Santa Cruz. Apesar dos muitos cuidados dos confrades e de médicos ilustres, após 10 meses morreu santamente no dia 22 de Março de 1726, com a idade de 26 anos. Hoje ainda é um modelo para os jovens e os órfãos, um exemplo para o doente, uma pérola sacerdotal. Sua glorificação é solicitada pela França, Alemanha e a Ordem dos Frades Menores.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Santo Alberto Chmielowski

    Religioso da Terceira Ordem Regular (1843-1916). Fundados dos Servos e Servas dos Pobres de São Francisco. Canonizado por São João Paulo II no dia 12 de novembro de 1989.

    Nasceu a 20 de agosto de 1845, como primogênito de Alberto Chmielowki e de Josefa Borzylawska. Foi batizado a 26 desse mês, com o nome de Adão Hilário Bernardo. A família era abastada, detentora de enormes propriedades.

    Aos sete anos, perdeu o pai. A mãe mudou-se para Varsóvia, onde Adão prosseguiu os estudos, primeiro na escola de cadetes, depois no instituto de agronomia, para melhor se dedicar à sua lavoura.

    Por volta dos 18 anos, participou na insurreição contra o domínio do Czar. Foi ferido, na batalha de Melchow e levado prisioneiro. No cárcere, foi-lhe amputada uma das pernas, operação que aguentou com heroica valentia. Após um ano, conseguiu fugir. Matriculou-se em Paris, numa academia de pintura. Foi para a Bélgica e, posteriormente, para Mônaco, regressando depois a Varsóvia, onde formou-se em pintura e arquitetura. As suas telas tornaram-no muito popular e conhecido. Entretanto, começou a preocupar-se e a afligir-se com os necessitados e pobres.

    Em 1880, entrou para a Companhia de Jesus cujo noviciado abandonou, atormentado por escrúpulos e acometido por uma séria enfermidade. Refeito da doença, hospedou-se em Cracóvia, fazendo-se pobre com os pobres, à semelhança de Cristo, que de tudo Se despojou em favor dos outros. Ia distribuindo os haveres, ganhos com os trabalhos de pintor notável, entre os mais necessitados, que reunia nos albergues públicos, onde também ele dormia.

    Tornou-se franciscano da Ordem Terceira. Portando o hábito de burel, prosseguiu na sua caridade para com os indigentes. Como não se sentisse capaz de sozinho socorrer tantos pobres, com a aprovação do bispo de Cracóvia, reuniu alguns companheiros e lançou os fundamentos de uma nova congregação, os Servos dos Pobres, mudando o seu nome para Alberto, ao fazer os seus votos de pobreza, castidade e obediência. Não escreveu nenhuma Regra, mas o seu exemplo e proceder foram incentivo e modelo inédito de viver à maneira de Cristo.

    Construiu oficinas várias, para os necessitados poderem ganhar alguma coisa e reconstituírem a vida. Jamais aceitou bens imóveis ou auxílios econômicos estáveis. Vivendo em casas do Estado ou da Diocese, limitava-se a receber o que lhe iam dando, dia a dia. Nos albergues acolhia todos os infelizes, sem querer saber suas origens, raça, etnia ou religião.

    A 15 de Janeiro de 1891, ao reparar nas necessidades de tantas mulheres, com a cooperação de Ana Francisca Lubanska e Maria Cunegundes Silokowka, seduzidas pelo seu exemplo, fundou um ramo feminino da sua associação, para que alimentassem as famintas e as acolhessem em abrigos decentes, sobretudo nos casos de epidemias.

    Com palavras de ânimo e conselhos apropriados, com pregações sobre os desajustamentos sociais, ressaltando a obrigação de todos, sobretudo os mais favorecidos em riquezas, de ajudarem os ignorantes e miseráveis, Santo Alberto não só formava os seus seguidores como suscitava nos ricos um desprendimento que os impulsionasse a uma generosa caridade.

    Em 25 de dezembro de 1916, já com várias comunidades ao serviço dos pobres e com mais de uma centena de discípulos, entregou a sua alma a Deus.

  • Joana Maria de Maillé

    Bem-aventurada Joana Maria de Maillé

    Relutante em casar aos 16 anos, viúva com um pouco mais de 30, expulsa de casa pelos parentes do marido, nos restantes 50 anos de sua vida foi obrigada a viver sem abrigo. Tantos percalços estão concentrados na vida da Beata Joana Maria de Maillé que nasceu rica e mimada no Castelo de La Roche, perto de Saint-Quentin, Touraine, em 14 de abril de 1331. Seus pais eram o Barão de Maillé Hardoin e Joana, filha dos Duques de Montbazon.

    Sua família se destacava pela devoção. Ela cresceu sob a orientação espiritual de um franciscano, mostrando uma particular devoção a Maria. Dedicava-se a orações prolongadas e fez precocemente o voto de virgindade. Aos onze anos, no dia de Natal, pela primeira vez teve um êxtase: Maria Santíssima lhe apareceu segurando em seus braços o Menino Jesus. Uma doença que quase a levou à morte serviu para desprendê-la mais e mais da terra e torná-la mais próxima de Deus.

    Na idade de dezesseis anos, aparece no cenário de sua vida um parente da mãe que se tornou seu tutor, o que sugere que os pais morreram prematuramente. O tutor combina, de acordo com o costume da época, o casamento de Joana com o Barão Roberto II de Sillé, um bom jovem, não muito mais velho do que ela, seu companheiro de brincadeiras na infância. E isto apesar de estar ciente da inclinação de Joana para a vida religiosa e de seu voto de castidade. Portanto, é um casamento contra a vontade da jovem.

    Providencialmente, o tutor morreu repentinamente na manhã do dia do casamento, e a impressão no noivo foi tão grande, que propôs a Joana viverem em perfeita continência, isto é, como irmão e irmã. Seu consentimento é imediato, já que estava preparada para isto pelo seu voto de virgindade.

    Apesar das premissas, o casamento funcionou e bem: como base da união eles colocaram o Evangelho, e viveram-no plenamente, resultando em muitas boas obras, como: adotar algumas crianças abandonadas, alimentar e cuidar dos pobres, ajudar os empestados… Na verdade, tinham muito que fazer. Nunca se viu tanto movimento no castelo desde que se espalhou a notícia de o casal ser extremamente caridoso.

    E pensar que não faltavam problemas para eles, como quando Roberto teve que ir para a guerra (estamos na época da Guerra dos Cem Anos), foi ferido e preso pelos britânicos. Para libertá-lo Joana pagou um resgate elevado, o que afetou fortemente o patrimônio do casal. No entanto, eles não perderam a fé, e uma vez instalados, marido e mulher, lado a lado, primeiro tratam dos contagiados pela peste negra, depois, dos leprosos.

    Roberto morreu em 1362 e Joana, viúva aos 30 anos, vê toda a família de seu marido se voltar contra ela. A principal acusação: ter esbanjado a fortuna da família. Assim, ela foi expulsa do Castelo de Silly e ficou sem casa, sem um tostão, forçada a viver da caridade. Mas, mesmo na rua, os parentes ricos continuavam a persegui-la: enviavam seus serviçais para lançar-lhe insultos quando ela passava, porque não queriam rebaixar-se para fazê-lo pessoalmente.

    Ela renunciou a todos os seus bens e foi morar em um casebre construído junto ao convento dos Frades Menores Franciscanos de Tours, onde levava uma vida de penitência, contemplação e pobreza contínua, a mendigar o pão. Ela gozava de várias aparições da Virgem Maria, de São Francisco e de Santo Ivo, o qual recomendou que ela ingressasse na Ordem Terceira de São Francisco.

    Joana sofria e, com um amor sem limites, não tinha um mínimo de ressentimento. E para sabermos onde ela encontrava tal força e tanta bondade, olhemos para suas longas horas de oração, sua grande penitência, seus sacrifícios. Escolheu para vestir uma túnica grosseira e rude, muito semelhante à roupa de seus amados franciscanos, de cuja intensa espiritualidade vive.

    Continuou a fazer caridade com os doentes e os prisioneiros condenados à morte, se não mais com dinheiro, com a sua presença e seus humildes serviços, consolando-os quando não podia fazer nada melhor, e intercedendo por sua libertação quando atingiu popularidade e pode usá-la em proveito do próximo.

    Devido a sua reputação como uma mulher de Deus ter se espalhado pela França, muitos a procuravam pedindo conselhos, e entre aqueles que bateram à sua porta havia também alguns daqueles que a tinham insultado antigamente e que ela recebe com amor e paciência.

    O rei de França, Carlos VI, que estava em Tours, foi visitar a penitente famosa que lhe pediu para libertar alguns prisioneiros e dar a outros a ajuda de um capelão.

    Em 1395, Joana mudou-se para Paris onde se encontrou outra vez com o rei da França, Carlos VI e sua esposa, Isabel da Baviera. Ela aproveitou a oportunidade para criticar o luxo da corte e a vida licenciosa dos cortesãos. Em Paris, ela visitou a Saint-Chapelle para venerar as relíquias da Paixão de Cristo.

    Apesar da frágil saúde e das dificuldades de sua vida penitente, Joana atingiu a idade de 82 anos e morreu em 28 de março de 1414 cercada de uma sólida reputação de santidade e foi sepultado na igreja franciscana. Infelizmente o seu túmulo foi profanado pelos calvinistas nas guerras de religião.

    Sua fama de santidade era tão difundida, que os fiéis a veneravam espontaneamente. Como resultado, em apenas 12 meses foi instaurado o processo diocesano informativo para sua canonização. Mas, mesmo após a morte Joana tem que esperar: sua beatificação só ocorreu muito mais tarde, em 1871, pelo Papa Pio IX.
    Aparição de Santo Ivo a Beata Joana Maria de Maillé.

    A Beata relatou uma visão de Santo Ivo em uma época difícil de sua vida. A jovem baronesa tinha ficado viúva e fora expulsa do seu castelo pelos parentes, que alegavam que ela tinha encorajado a excessiva caridade de seu esposo, em detrimento do novo herdeiro. Após ser maltratada, inclusive pelo serviçal a quem tinha dado refúgio, ela retornou a sua família em Tours.

    A aparição é contada por dois historiadores da Ordem Terceira. Santo Ivo “aconselhou-a a deixar o mundo e a tomar o hábito que ele estava usando”. Outro biógrafo diz: “Se vós deixardes o mundo, gozareis, mesmo aqui na Terra, as alegrias do Paraíso”.

    Os mesmos autores especulam se Joana não hesitou diante da perspectiva de renunciar a tudo. “Pobre pequena baronesa! Ela ficou amedrontada diante da prometida liberdade da pobreza e acreditou que poderia desfrutar da paz no último refúgio, seu lar. Mas a vontade de Deus era outra”.

    Joana deve mesmo ter hesitado, pois somente depois de uma visão de Nossa Senhora, que repetiu o mesmo conselho, é que ela tomou o hábito da Ordem Terceira de São Francisco.

    Fonte: Cecily Hallack e Peter F. Anson, em “Estes fizeram a paz: Estudos dos Santos e Beatos da Ordem Terceira de São Francisco”, cap. VI, p. 152-3

  • São Luís de Casoria

    Sacerdote da Primeira Ordem (1814-1885). Fundador das Filhas de Santa Isabel. Beatificado por São João Paulo II em 1993 e canonizado pelo Papa Francisco em 2014.

    Luís nasceu em 11 de março de 1814 em Casoria (Nápoles), filho de Vicente e Palmentieri Candida Zegna, uma família muito humilde. Logo cedo se interessou pela vida religiosa e, em 1832, foi recebido na Ordem dos Frades Menores. Enviado como noviço a Lauro, perto de Nola, permaneceu ali até sua ordenação. Em 1841 foi pedido a ele o ensino da Filosofia, matemática, física e química. Enquanto orava na igreja de San José dei Ruffi em Nápoles, ele desmaiou, caindo no chão inconsciente. Posteriormente, dedicou-se às mais variadas obras sociais e caritativas. Instituiu uma enfermaria e uma farmácia para os franciscanos pacientes. Ele se dedicou à divulgação da Ordem Terceira em Campania e dizia: “A Ordem Terceira sem uma obra de caridade, não me agrada nem a desejo.”

    Em 1854, o genovês padre Juan Bautista Olivieri o inspirou com o trabalho destinado a resgatar e formar cristãmente as crianças negras africanas, vendidas como escravas. A esta obra dedicou Luis com entusiasmo apaixonado e começou a acolher em 8 de novembro de 1854 no convento que morava, na chamada Escudillo de Palma, os dois primeiros negros encomendados pelo P. Olivieri, que os educou em casa, obtendo resultados animadores. Esta primeira experiência levou Luis a promover o envio de missionários para a África, porque “a África deve converter a África.” Em agosto de 1856 em La Palma, Luis conheceu nove crianças negras, dos quais cinco foram batizadas pelo cardeal de Nápoles. Em 09 de abril de 1857, ele embarcou para o Cairo, visitou os lugares santos e voltou para Alexandria com 12 outras crianças negras. Esta pequena família de futuros missionários cresceu tanto que em 1858 já eram 38 e em 1859 eram 45 e, em seguida, chegou a 64.

    Igual projeto realizou Luís para as meninas negras. Com a ajuda de Anna Maria Santíssima Lapini, fundadora da Irmãs Stigmatinas, fundou uma escola para negras em Florença e outro em Capodimonte, em Nápoles. Em 1864, em Nápoles, fundou uma academia de religião e ciência, que ganhou o apoio de escritores ilustres. Ele fundou também o jornal “La Caritá”. Estes esforços generosos atraiu a admiração de muitos, inclusive anticlericais e foi condecorado com a Cruz da Ordem do Santos Maurício e Lázaro.

    Também promoveu numerosas obras de caridade para órfãos, surdos, deficientes e doentes em geral. Fundou vários institutos que se baseavam principalmente em duas congregações fundadas por ele: os terceiros franciscanos regulares, chamados Frati Bigi da caridade, e a Congregação da Irmãs Bigie ou Elisabetinas para as mulheres. Para a residência de seus missionários obteve da Congregação de Propaganda e Fé a estação africana de Scellal, onde esteve pessoalmente e tomou posse em 12 de novembro de 1875.

    Encomendou aos seus Frati Bigi a obra de educar os jovens negros. Ele então se dedicou com maior intensidade à vida espiritual de oração e íntima união com Deus que sempre conseguiu conciliar com o seu apostolado de caridade maravilhoso. Cansado e triste com algumas dificuldades em seu trabalho evangélico, a morte o surpreendeu aos 71 anos, na manhã de 30 de março de 1885. Seu corpo repousa no hospício de Posillipo. Sua memória é celebrada no dia 30 de março.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • São Pedro Regalado

    Pedro Regalado nasceu em Valladolid em 1390. Aos nove anos seu pai morreu. A mãe o educou piedosamente. Muito jovem ingressou na Ordem dos Frades Menores e logo se distinguiu por sua piedade, mortificação e pobreza, bem como pelo amor de silêncio e solidão. Começava na Espanha a Reforma franciscana buscando o florescimento da primitiva austeridade de vida religiosa.

    Pedro, ao estudar a Regra franciscana, convenceu-se de que a vida real dos frades não correspondiam às suas exigências. Enquanto na Itália São Bernardino de Sena promoveu reformas, na Espanha Pedro Villacreces fazia o mesmo no eremitério de Aguilera. Em 1405 ele se uniu a Pedro Regalado, um colaborador eficaz. Em 1415 rezou a sua primeira Missa. Em Abrojo fundou uma nova ermida, onde Pedro Regalado era mestre superior dos noviços. Os dois eremitérios de Abrojo e de Aguilera logo adquiriram grande fama pelo zelo de seus fundadores e pelos estatutos contendo prescrições extremamente severas. Isso só fez aumentar as vocações na Espanha, florescendo a vida franciscana e de santidade.

    Quando Villacreces morreu, ele o substitui, tomando a frente da reforma empreendida. Promoveu a observância da Regra e distinguiu-se por sua austeridade e altíssima contemplação. Gozou de extraordinários dons místicos e o foco principal de sua devoção foram a Eucaristia, a Santíssima Virgem e a Paixão do Senhor.

    Padroeiro dos toureiros

    São Francisco de Assis foi o padroeiro dos lobos e São Pedro Regalado o padroeiro dos toureiros. Dele se conta que indo um dia por um caminho, encontrou um enorme e bravo touro que havia escapado ferido de uma corrida em Valladolid, atacando e ferindo viajantes e todos aqueles que por ali passavam e se punham à sua frente, fazendo jus à sua herança natural.

    Passava por ali São Pedro Regalado com um discípulo quando o touro bravo os atacou, correndo e investindo na sua direção, refugiando-se o seu acompanhante por de trás dele com enorme e natural receio.  São Pedro, olhando e implorando ao céu, mostrou-lhe o seu bastão e disse-lhe: ”pare touro”.

    O touro bravo e ferido, deteve-se e São Pedro acariciou-o e curou as suas feridas, depois benzeu-o e mandou de volta para o campo. São Pedro Regalado foi a partir deste episódio considerado o “padroeiro dos toureiros”.

    Morreu em 30 de março de 1456, em La Aguilera. Sua festa é celebrada em 13 de maio.

    Foi canonizado em 1746 pelo Papa Bento XIV e é desde então patrono de Valladolid e todas as suas dioceses.

  • Isabel Vendramini

    Bem-aventurada Isabel Vendramini

    Em Pádua, no território de Veneza, beata Isabel Vendramini, virgem, que dedicou sua vida aos pobres e, após superar muitas adversidades, fundou o Instituto de Irmãs Isabelas da Terceira Ordem de São Francisco (1860).

    Etimologicamente: Isabel = Aquela a quem Deus dá saúde, é de origem hebraica. A beata Isabel, fundadora das Religiosas Terciárias Franciscanas Isabelinas de Pádua, família religiosa consagrada a servir aos pobres, centrou sua vida na contemplação de Cristo pobre e crucificado, a que reconhecia e servia depois nos pobres seus irmãos.

    Isabel (Elisabetta) Vendramini nasceu em Bassano del Grappa (Itália) em 9 de Abril de 1790. Era de índole dócil e muito caritativa. Nas religiosas agostinhas recebeu a educação própria daquele tempo, com uma intensa vida espiritual. Jovem brilhante, gostava de vestir bem e era centro de interesse. Era amante da solidão e se retirava a miúdo ao campo para orar.

    Depois de seis anos de noivado, em vésperas da boda, o Senhor lhe deu a conhecer com claridade sua chamada, e para Isabel constituiu uma verdadeira conversão. No ano 1821 vestiu o hábito de Terciaria Franciscana com o nome de Margarita, em Fassano. Logo foi a Pádua e ali fundou, em 4 de outubro de 1830, uma família religiosa consagrada a Deus na observância da Terceira Ordem Franciscana para servir os pobres. No ano seguinte fizeram a profissão as primeiras religiosas. Se dedicaram à educação da juventude e a atender às senhoras anciãs, sãs e enfermas.

    Faleceu em Pádua em 2 de abril de 1860. Foi beatificada por São João Paulo II em 4 de novembro de 1990.