Carisma - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Santos franciscanos

agosto/2019

  • Francisco Pinazzo

    Bem-aventurado Francisco Pinazzo

    Religioso e mártir da Primeira Ordem (1812-1860). Beatificado por Pio XI no dia 10 de outubro de 1926.

    Francisco Pinazzo nasceu em Alpuente, província de Valência, Espanha, em 24 de agosto de 1812, de pais pobres, mas ricos em fé. Ele passou sua juventude nos campos e bosques pastoreando rebanhos. Seguindo o exemplo de São Pascoal Bailão, São Salvador de Horta, São Carlos de Sezze e muitos outros que entregaram sua vida a Deus, desde o grande livro da criação.

    Com doze anos, seu pai morreu, e a mãe, por necessidade familiar, se casou pela segunda vez. Felizmente, Francisco teve um novo pai, religioso e cordial. Aos 20 anos, decidiu renunciar ao mundo para se dedicar a Deus.

    No convento de Huelva tomou o hábito da Ordem dos Frades Menores como um irmão leigo. Durante 13 anos, ele desfrutou de uma grande paz com seus confrades. Um dos trabalhos que desempenhou foi o de sacristão no mosteiro de Gandia. Em 1843, ele obteve permissão para ir como missionário para o Oriente. Na Palestina, passou 17 anos em vários santuários, como Aim Karem, Haifa, Nazaré, Nicósia, em Chipre e, finalmente, em Damasco.

    Até que um dia sofreram o martírio. Ele e seu confrade João Santiago Fernandez foram perseguidos pelos muçulmanos e, no momento de perigo, procuraram refúgio no campanário da igreja. Foram encontrados pelos perseguidores, que não tiveram piedade nem quando eles se ajoelharam em oração, com as mãos levantadas para o céu. Os muçulmanos quebraram suas colunas vertebrais com golpes fortíssimos e os jogaram do campanário para o pátio. Os corpos permaneceram no solo, como objetos de desprezo pela multidão, cheia de ódio contra os cristãos mártires.

    O apostolado franciscano cresceu muito ao redor do convento franciscano, em Damasco, e outros massacres teriam acontecido se em favor dos cristãos não tivesse intervindo o mesmo Emir Abd-el-Kader. Embora muçulmano, ele apreciava o trabalho dos missionários franciscanos e estava muito triste por não poder impedir a matança de 10 de Julho.

    Reconhecendo sua boa fé, o francês Lavigerie, alguns meses depois, foi visitar Emir e deu-lhe estas palavras: “O Deus que eu sirvo é o mesmo, sem dúvida, do seu Alá, que tem inspirado tanta devoção e generosidade”. Palavras que hoje, depois do Vaticano II, tornaram-se mais claras, mas que a Igreja nunca deixou de proclamar, especialmente com o sangue de seus mártires. Francisco tinha 48 anos.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Santa Maria dos Anjos da Porciúncula

    Dedicação da Basílica patriarcal. Indulgência plenária do Perdão de Assis

    O Seráfico Pai São Francisco, por seu singular amor à Bem-aventurada Virgem Maria, teve sempre particular cuidado por esta capelinha dedicada a Santa Maria dos Anjos, chamada também de Porciúncula. Neste lugar, Francisco fundou a Ordem dos Frades Menores e fixou morada estável para seus confrades; neste lugar iniciou com Santa Clara a Segunda Ordem das Clarissas; neste lugar recebeu os irmãos e irmãs da penitência da Terceira Ordem que chegavam de todas as partes. Neste lugar concluiu o curso de sua vida admirável.

    Para esta capela, o Santo fundador obteve do Papa Honório III a célebre indulgência chamada também de Perdão de Assis, que os Sumos Pontífices confirmaram sucessivamente e estenderam a numerosas outras igrejas. Por estas gloriosas lembranças a Ordem Seráfica celebra com alegria a festa de Santa Maria dos Anjos.

    No calendário litúrgico franciscano, o dia 2 de agosto é dedicado à celebração da Festa de Nossa Senhora dos Anjos, popularmente conhecida como “Porciúncula”. Na introdução do texto litúrgico do missal e da liturgia das horas, se diz o seguinte: “O Seráfico Pai Francisco, por singular devoção à Santíssima Virgem, consagrou especial afeição à capela de Nossa Senhora dos Anjos ou da Porciúncula”.

  • João Santiago Fernández

    Bem-aventurado João Santiago Fernández

    Religioso e mártir da Primeira Ordem (1808-1860). Beatificado por Pio XI no dia 10 de outubro de 1926

    João Santiago Fernandez nasceu na Galícia (Espanha), filho de Benito e Maria Fernandez, em 25 de julho de 1808, o dia dedicado a São Tiago, padroeiro da Espanha. Passou sua infância e juventude no temor de Deus, dedicado ao estudo e, em seguida, ao trabalho manual. Ele tinha 22 anos quando, depois de ter conhecido o mundo, tomou o hábito dos Frades Menores. Depois do noviciado, fez a profissão religiosa de lutar pela perfeição seráfica. Eram anos difíceis para as ordens religiosas; muitos conventos foram fechados e os religiosos devolvidos ao mundo. João Santiago manteve sua vocação franciscana íntegra, mas convencido de que não é o hábito que faz o monge.

    Em 1859, ele solicitou e obteve permissão para ir como missionário à Palestina. Depois de apenas 16 meses sacrificaram suas vidas para o Senhor no convento de Damasco. Em 1860, a Síria sofreu um massacre terrível nas mãos dos drusos, que viviam no Líbano, e que destruíram aldeias e campos e vinhas e mataram todos os cristãos, que eram cerca de seis mil, sem mesmo poupar as crianças. Em Damasco, junto com os muçulmanos, os drusos encheram de sangue e fogo as igrejas e casas dos católicos.

    Entre os muitos mártires, sete foram franciscanos do convento de Damasco, que morreram heroicamente com seu guardião Manoel Ruiz Santíssima, tendo confiado a Maria e alimentados com o pão dos fortes, na noite entre 9 e 10 de julho de 1860.

    João Santiago, juntamente com o confrade Francisco Pinazzo, tinha procurado refúgio no campanário, mas foram descobertos pelos drusos, que escalaram a torre do sino. Sob as ordens para abandonar a fé e tornarem-se muçulmanos, eles disseram: “Temos uma só alma e nunca a perderemos negando nossa fé. Somos cristãos e religiosos franciscanos e, como tais, queremos viver e morrer”. A tão heroica resposta agrediu com golpes de martelo, quebrando sua espinha dorsal e, em seguida, atirou-o para o quintal. Ele sobreviveu até a manhã em meio a um sofrimento incalculável. Quando passou por ele um turco e percebeu que o frade ainda estava vivo, agonizante com os membros quebrados e banhados em seu sangue, ele o matou com sua cimitarra.

    Então, João Santiago Fernandez, a última vítima, alcançou o céu junto a seus irmãos que já estavam na glória de Deus. Toda a Fraternidade de Damasco havia sido imolada pela fé. A Custódia Franciscana da Terra Santa escrevia com caracteres de ouro uma nova página de sangue e de triunfos.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • São João Maria Batista Vianney

    Sacerdote pároco de Ars, da Terceira Ordem (1786-1859). Canonizado por Pio XI no dia 31 de maio de 1925.

    João Maria Batista Vianney nasceu em 8 de maio de 1786, no povoado de Dardilly, ao norte de Lyon, França. Seus pais, Mateus e Maria, tiveram sete filhos, ele foi o quarto. Gostava de frequentar a igreja e desde a infância dizia que desejava ser um sacerdote. Vianney só foi para a escola na adolescência, quando abriram uma na sua aldeia, escola que frequentou por dois anos apenas, porque tinha de trabalhar no campo. Foi quando se alfabetizou e aprendeu a ler e falar francês, pois em sua casa se falava um dialeto regional.

    Para seguir a vida religiosa, teve de enfrentar muita oposição de seu pai. Mas com a ajuda do pároco, aos vinte anos de idade ele foi para o Seminário de Écully, onde os obstáculos existiam por causa de sua falta de instrução. Foram poucos os que vislumbraram a sua capacidade de raciocínio. Para os professores e superiores, era considerado um rude camponês, que não tinha inteligência suficiente para acompanhar os companheiros nos estudos, especialmente de filosofia e teologia. Entretanto era um verdadeiro exemplo de obediência, caridade, piedade e perseverança na fé em Cristo.

    Em 1815, João Maria Batista Vianney foi ordenado sacerdote. Mas com um impedimento: não poderia ser confessor. Não era considerado capaz de guiar consciências. Porém para Deus ele era um homem extraordinário e foi por meio desse apostolado que o dom do Espírito Santo manifestou-se sobre ele. Transformou-se num dos mais famosos e competentes confessores que a Igreja já teve.

    Durante o seu aprendizado em Écully, o abade Malley havia percebido que ele era um homem especial e dotado de carismas de santidade. Assim, três anos depois, conseguiu a liberação para que pudesse exercer o apostolado plenamente. Foi então designado vigário geral na cidade de Ars-sur-Formans. Isso porque nenhum sacerdote aceitava aquela paróquia do norte de Lyon, que possuía apenas duzentos e trinta habitantes, todos não-praticantes e afamados pela violência. Por isso, a igreja ficava vazia e as tabernas lotadas.

    Ele chegou em fevereiro de 1818, numa carroça, transportando alguns pertences e o que mais precisava, seus livros. Conta a tradição que na estrada ele se dirigiu a um menino pastor dizendo: “Tu me mostraste o caminho de Ars: eu te mostrarei o caminho do céu”. Hoje, um monumento na entrada da cidade lembra esse encontro. Ele chegou como bom filho de São Francisco, humildemente, um pobre entre os pobres e pronto para conquistar almas. O espírito franciscano que havia assimilado ao entrar na Terceira Ordem da Penitência o guiou no ministério pastoral.

    Treze anos depois, com seu exemplo e postura caridosa, mas também severa, conseguiu mudar aquela triste realidade, invertendo a situação. O povo não ia mais para as tabernas, em vez disso lotava a igreja. Todos agora queriam confessar-se, para obter a reconciliação e os conselhos daquele homem que eles consideravam um santo.

    Na paróquia, fazia de tudo, inclusive os serviços da casa e suas refeições. Sempre em oração, comia muito pouco e dormia no máximo três horas por dia, fazendo tudo o que podia para os seus pobres. O dinheiro herdado com a morte do pai gastou com eles.

    A fama de seus dons e de sua santidade correu entre os fiéis de todas as partes da Europa. Muitos acorriam para paróquia de Ars com um só objetivo: ver o cura e, acima de tudo, confessar-se com ele. Mesmo que para isto tivessem que esperar horas ou dias inteiros. Assim, o local tornou-se um centro de peregrinações.

    O Cura de Ars, como era chamado, nunca pôde parar para descansar. Morreu serenamente, consumido pela fadiga, na noite de 4 de agosto de 1859, aos setenta e três anos de idade. Muito antes de ser canonizado pelo papa Pio XI, em 1925, já era venerado como santo. O seu corpo, incorrupto, encontra-se na igreja da paróquia de Ars, que se tornou um grande santuário de peregrinação. São João Maria Batista Vianney foi proclamado pela Igreja Padroeiro dos Sacerdotes e o dia de sua festa, 4 de agosto, escolhido para celebrar o Dia do Padre.

  • Bem-aventurado Federico Janssoone

    Missionário sacerdote da Primeira Ordem (1838-1916). Beatificado por São João Paulo II no dia 25 de setembro de 1988.

    Federico Janssoone é uma personalidade fora do comum. Ele se comprometeu totalmente ao Evangelho na fidelidade ao carisma franciscano. Foi todo de Deus e todo do próximo, desenvolvendo seu ministério em três áreas: em sua terra natal, França; na Terra Santa, em Belém, onde no lugar do berço de Jesus construiu a Basílica de Santa Catarina; e Canadá, a sua segunda terra natal, onde foi restaurador e promotor da Ordem Franciscana. Foi comparado a São Francisco pela austeridade de sua vida, sua extrema pobreza, o seu zelo apostólico, os milagres de conversões de pessoas a quem ele conduziu definitivamente a Cristo, e sua assiduidade na oração, mantendo-o sempre unido ao Senhor.

    São numerosas suas realizações, projeção de sua fé e de seu carisma sacerdotal. Entre elas estão o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Cap La Madeleine, convertido no templo de adoração perpétua de Quebec; as monumentais Vias-Sacras, erguidas por ele em vários lugares, a promoção da Ordem Franciscana Secular, divulgação e aumento da a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, de Maria, e São José e especialmente à Eucaristia com a Santa Missa e Adoração Eucarística.

    Federico nasceu em Ghuvelde, diocese de Lille, França, em 19 de outubro de 1838, filho de Pedro e Maria Isabel Bollenger, de boas condições econômicas e de sólida fé cristã. Com 14 anos recebeu a Primeira Comunhão, após longa preparação. Realizou brilhantemente os estudos de ginásio e liceu. Sentindo-se chamado ao sacerdócio entrou para o seminário. Após a morte de seu pai, a família chamou-o para casa por causa de dificuldades econômicas. Por algum tempo, ele foi vendedor de tecidos, de cidade em cidade.

    Em 1861, ao ficar órfão de mãe com a idade de 26 anos, entrou no noviciado dos Frades Menores, em Amiens, comprometendo-se a observar o Evangelho e a Regra franciscana. Em 7 de agosto de 1870 foi ordenado sacerdote. Primeiro foi um capelão militar durante a guerra entre a França e a Alemanha. Ele foi enviado para Bordeaux para fundar e dirigir um novo convento ali. Ele foi levado mais tarde para Paris, para assistir ao trabalho da Terra Santa, cujos santuários são confiados aos Franciscanos. Em 1876, ele foi para a terra de Jesus. Na Palestina, permaneceu até 1881 com o cargo de vigário da Custódia Franciscana. Depois ele foi enviado para o Canadá, onde se estabeleceu em Trois-Rivières. Em 4 de agosto de 1916, a irmã morte veio buscar seu espírito para levá-lo à visão radiante de Deus. Ele tinha 78 anos.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Maria Francisca de Jesus Rubatto

    Bem-aventurada Maria Francisca de Jesus Rubatto

    (1844-1904) Fundadora das Irmãs Capuchinhas de Madre Rubatto. Beatificada no dia 10 de outubro de 1993 por João Paulo II.

    Ana Maria Rubatto nasceu em Carmagnola, Itália, no dia 14 de fevereiro de 1844, penúltima de oito filhos de João Tomas Rubatto e Catarina Pavesio, pessoas notáveis pela piedade e de bons costumes cristãos. Quando tinha quatro anos, ficou órfã de pai.

    Dotada de uma grande inteligência, embora não tivesse estudos alcançou um notável grau de cultura, que harmonizou constantemente com a vida prática. Cultivou desde pequena uma profunda espiritualidade.

    Aos dezenove anos, em virtude do falecimento da mãe, Ana Maria se transferiu para Turim, para a casa de sua irmã mais velha, Madalena, onde ficou por cinco anos, dedicada as obras de caridade. Foi adotada por Mariana Scoffone, uma senhora riquíssima, de quem se tornou dama de companhia e colaboradora na administração de seu patrimônio, de 1864 até 1882. Nestes anos, visitava todos os dias o Cottolengo de Turim, servindo os doentes com alegria, ajudava os pobres, ensinava o catecismo às crianças. São João Bosco a teve entre seus colaboradores dos Oratórios.

    Quando sua mãe adotiva faleceu, voltou para junto de sua irmã. No verão ia para Loano, na Riviera da Ligúria, onde ajudava os pescadores e os doentes, se interessava pelas crianças abandonadas. Neste local se uniu a um grupo de piedosas senhoras dedicadas às obras de caridade e de apostolado, sob a direção dos padres Capuchinhos.

    No verão de 1883, ao sair da igreja, ouviu lamentos e prantos. Uma pedra havia caído de uma construção e havia ferido na cabeça um jovenzinho. Ana Maria socorreu o jovem, lavou e tratou a ferida e depois de lhe dar o equivalente a dois dias de trabalho, o enviou para casa para se recuperar.

    A construção devia albergar uma comunidade feminina para a qual estavam procurando uma diretora. O padre capuchinho Angélico de Sestri Ponente, que apoiava esta iniciativa, pensou que Ana Maria Rubatto podia ocupar o cargo. E foi ele próprio quem convidou Ana Maria a colocar-se na direção do novo Instituto.

    No dia 23 de janeiro de 1885, Ana Maria vestiu o hábito religioso franciscano, junto com algumas amigas, dando vida à família religiosa das Irmãs Terciárias Capuchinhas de Loano, depois chamada Irmãs Capuchinhas de Madre Rubatto, com o fim de prestar assistência aos doentes, especialmente nas casas, e a educação cristã da juventude.

    No dia 17 de setembro de 1886 emitiu os votos, ocasião em que adotou o nome de Maria Francisca de Jesus, tornando-se a primeira superiora do Instituto, cargo que manteve até a morte. Três anos depois, o Instituto estava presente em Gênova-Voltri, Sanremo, Gênova-Centro. Depois de organizar as casas da Itália, iniciou viagens para fundações na América.

    Desde 1892, Madre Francisca transpôs sete vezes o Oceano para fundar casas da sua Congregação no Uruguai e na Argentina. Abriu dezoito casas nos vinte anos de seu governo. Durante os oito anos que permaneceu na América, foram incontáveis as viagens do Uruguai a Argentina, e de uma casa a outra. Em 1899, ela acompanhou um grupo de Irmãs à Missão do Alto Alegre, Maranhão, no Brasil, onde em 1901 morreram assassinadas pelos índios sete de suas filhas, junto com missionários capuchinhos e muitos fiéis.

    Quando se encontrava em Montevidéu, adoeceu de câncer, ocasião que para todos foi um exemplo admirável de força católica e de plena resignação. Morreu naquela cidade no dia 6 de agosto de 1904, lamentada especialmente pelos doentes e pelos pobres.

    Seus despojos repousam no Uruguai, no Colégio de Belvedere por ela fundado em 1895, no meio de seus amados pobres, como desejava. Sua Congregação também está presente na Etiópia desde 1964. A causa para sua beatificação foi introduzida em 1965. O decreto sobre a heroicidade de suas virtudes foi promulgado no dia 1º de setembro de 1988. Em 10 de outubro de 1993 foi beatificada solenemente em Roma por João Paulo II.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Agatângelo de Vendome e Cassiano de Nantes

    Bem-aventurados Agatângelo de Vendome e Cassiano de Nantes

    Sacerdotes e mártires da Primeira Ordem (+1638). Beatificados por São Pio X no dia 1º de janeiro de 1905.

    O bem-aventurado Agatângelo Noury nasceu em Vendôme, na província de Tours, na França, aos 31 de julho de 1598. Conheceu os Capuchinhos, que tinham chegado, havia pouco tempo, à sua terra natal, onde o seu pai era presidente do tribunal e, ao mesmo tempo, administrador do Convento. Ainda jovem, mostrou ter vocação religiosa e foi recebido na Ordem dos Capuchinhos. Em 1620, fez a profissão religiosa. Depois, prosseguiu os estudos de humanidades, filosofia e teologia e foi ordenado sacerdote.

    Nos seus primeiros anos de sacerdote encontrou-se com o Padre José Leclerc, famoso conselheiro do Cardeal Richelieu, que tinha projetado grande plano de evangelização. Agatângelo foi escolhido como candidato para a Missão da Síria. Chegou a Aleppo em 1629. Ali encontrou muçulmanos, grego-ortodoxos, armênios e, em número muito reduzido, alguns católicos. Com obras de beneficência, encontros familiares e catequese elementar, conseguiu bom resultado no seu apostolado, combatido, bem depressa, pela inveja.

    Passou depois para a missão do Cairo, na qualidade de Superior. Aqui trabalhou com muita alegria para a união dos Coptas com a Igreja Católica. Destinado pela Providência a abrir o campo missionário a outros, a 27 de setembro, a Sagrada Congregação confiou-lhe a responsabilidade do grupo missionário destinado à Etiópia, composto por mais três sacerdotes capuchinhos: o Beato Cassiano de Nantes, Bento e Agatângelo Noury de Vendôme.

    Os quatros missionários dividiram-se em dois grupos. Agatângelo e Cassiano, quando chegaram à fronteira da Etiópia, foram descobertos e encarcerados em Débora, com o pretexto de serem espiões e opositores do imperador e do bispo Abissino Malaro. No processo, dominado pelo sectarismo religioso e pela perfídia do pseudônimo Pedro Leão, inimigo declarado de Agatângelo, os dois missionários foram condenados à morte.

    Os dois humildes filhos de São Francisco não perderam a calma. Mostraram os documentos do Patriarca Copta de Alexandria. Poucos dias depois, foram levados para Gondar, de mãos algemadas com cadeias e amarrados à cauda de um cavalo. Em Gondar, foi dura e penosa a sua prisão.

    Abuna Macário, fingindo-se amigo do beato Agatângelo e o luterano, Pedro Leão, que se fizera hipocritamente monge Copta, forçaram, com acusações e calúnias junto da corte imperial, a morte dos pobres e doentes missionários. Levados à presença do imperador, foram examinados na sua fé. O beato Agatângelo respondeu: “Estou pronto a morrer pela fé e nunca a renegarei”.

    A 7 de agosto de 1638, em Gondar, exposto ao escárnio da multidão, foi suspenso em cordas e apedrejado barbaramente pelo furor da multidão. Tinha 40 anos de idade. Foi beatificado a 1º de janeiro de 1905 pelo Papa Pio X.

    Beato Cassiano (1607-1638)

    O beato Cassiano Lopez Neto, nasceu em Nantes, aos 15 de janeiro de 1607, no seio de família portuguesa. Tinha feitio dócil, inclinado às práticas de devoção e fervor religioso admirável.

    Aos 17 anos foi recebido na Ordem dos Capuchinhos da Província de Paris. Fez a profissão religiosa em 1624. Concluiu os estudos teológicos em Rennes onde foi ordenado sacerdote. Aqui passou os primeiros anos do seu sacerdócio, socorrendo as pessoas atingidas pela peste que devastou a França em 1631. Pediu para ser enviado para as Missões.

    Os Superiores destinaram-no à Missão da Etiópia. No Cairo, encontrou-se com o beato Agatângelo e com ele partilhou preocupações e sofrimentos apostólicos. Dotado de temperamento franco, aberto, muito sensível aos sofrimentos dos outros, entregou-se ao apostolado, cultivando sobretudo especial devoção a Nossa Senhora, a quem rezava todos os dias o Rosário com o ofício divino.

    Desde o seu encontro com o beato Agatângelo até à sua heroica morte, os dois capuchinhos trabalharam juntos no Cairo, durante três anos, cuidando, especialmente, da conversão dos Coptas. Estenderam a sua atividade até aos longínquos mosteiros de Santo Antão Abade e de A. Macário, no Nitra.

    Na Etiópia, a Igreja Católica tinha conseguido extraordinário desenvolvimento que culminou na conversão do próprio imperador através dos missionários jesuítas. A fé de Roma expandiu-se também sob o governo de Seitan Sagad I. Conseguiram grandes conversões que foram quase destruídas por Atiè Fassil, cuja palavra de ordem era: “Antes súbditos de Meca dos muçulmanos do que da Roma dos católicos”.

    Os dois missionários decidiram, por isso, levar a sua ajuda a tantos irmãos na fé, perseguidos por aquele ímpio imperador. Obtiveram documentos do Patriarca Copta de Alexandria e, a 23 de dezembro de 1637, partiram para a Etiópia. A viagem durou três meses. Chegados às fronteiras da Etiópia foram metidos na prisão pelo Governador de Deboroa.

    No processo, os dois missionários católicos foram condenados à morte como violadores das ordens do imperador, que proibia os católicos de entrarem na Etiópia. Beato Cassiano sofreu o martírio, como o Beato Agatângelo, a 7 de agosto de 1638, com 31 anos de idade. No dia 1º de janeiro de 1905 foi beatificado pelo Papa Pio X.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • São Domingos de Gusmão

    Sacerdote fundador da Ordem dos Pregadores (Dominicanos). (1170-1221). Canonizado por Gregório IX no dia 3 de julho de 1234.

    Domingos (ou Dominique) nasceu no ano de 1170, em Caleruega, pequena localidade na Velha Castelha. O pai, Félix de Gusmão, pertencia a uma família de alta linhagem na Espanha; a mãe era Joana de Aza. Antes de Domingos nascer, sua mãe, em sonho misterioso, viu um cão que trazia na boca uma tocha acesa, de que irradiava luz sobre o mundo inteiro. Efetivamente, São Domingos  veio a ser uma luz extraordinária de caridade e de zelo apostólico, que dissipou grande parte das trevas das heresias e restabeleceu a verdade em milhares de corações vacilantes. Domingos, foi o nome dado à criança, devido à uma devoção que a mãe do santo tinha com São Domingos de Silos, do qual um dia teve uma aparição, comunicando-lhe os planos divinos em referência ao recém-nascido. A esse aviso extraordinário, os pais corresponderam com esmerada atenção na  educação do filho. Domingos, pequeno ainda, deu provas de inclinação declaradíssima às coisas de Deus.

    Seis anos contava o menino quando os pais o confiaram à direção de um tio, reitor de uma igreja em Gumyel. Sete anos passou Domingos na escola daquele  sacerdote, aprendendo, além das primeiras letras, como sejam, acolitar, enfeitar os altares e  cantar no coro. Terminado este curso prático, transferiu-se para Valência, cidade episcopal no reino de Leon, onde existia uma universidade que mais tarde, em 1217, passou para Salamanca.

    Durante o tempo dos estudos em Valência, isto é, durante seis anos, dedicou-se à arte retórica, além da filosofia e teologia. Acompanharam-lhe os trabalhos científicos às práticas da piedade, inclusive, severas penitências. Retraído por completo do mundo, visitava somente os pobres e doentes, protegia as viúvas e órfãos. Por ocasião de uma grande fome, vendeu os livros para poder socorrer os necessitados. Certa vez, ofereceu sua própria pessoa para resgatar um jovem que caíra nas mãos  dos mouros.

    A caridade de Domingos, não satisfeita com as obras corporais de misericórdia, estendia-se principalmente às necessidades espirituais do próximo. Para este fim, desenvolveu um zelo extraordinário, como pregador. O primeiro fruto deste labor apostólico, foi a conversão do amigo e companheiro dos estudos, Conrado, que mais tarde entrou para a ordem de Cister, elevado posteriormente à dignidade de Cardeal da Santa Igreja.

    Domingos contava apenas vinte e quatro anos e era considerado um dos mais competentes mestres da vida interior. Dom Diego de Asebes, bispo de Osma, conhecendo os brilhantes dotes de Domingos, convidou-o a incorporar-se ao cabido da diocese, esperando desta aquisição uma reforma salutar do clero. O prelado não se viu iludido nas suas previsões. Domingos, em pouco tempo, foi objeto da admiração de todos, como modelo exemplaríssimo em todas as virtudes cristãs.

    Como cônego de Osma, Domingos percorreu diversas províncias da Espanha, pregando por toda a parte a  palavra de Deus, pela conversão dos pecadores, cristãos e maometanos. Uma das conversões mais sensacionais que Deus operou por intermédio de Domingos foi a de Reiniers, célebre heresiarca, que mais tarde tomou o hábito dos frades dominicanos.

    Domingos não era ainda sacerdote. Do bispo de Osma recebeu a unção sacerdotal, continuando depois a missão apostólica de pregador. Quando, em 1224, por ordem do rei Afonso de Castelha, o bispo de Osma foi à França na qualidade de embaixador real, a fim de tratar dos negócios matrimoniais do príncipe herdeiro Fernando com a  princesa de Lussignan, Domingos acompanhou-o. Na província de Languedoc, puderam de perto observar as horríveis devastações feitas pelos albingenses. Numa segunda viagem que empreenderam, cujo fim era buscar a princesa e entregá-la ao esposo, tiveram o grande desgosto de não a encontrar entre os vivos. Chegaram ainda a tempo de  assistir-lhe ao enterro.

    Preferiram, então, ficar na  França, para dedicar-se à campanha contra os hereges. O bispo Diego, com o consentimento do Papa, ficou três anos na província de Languedoc. Passado este tempo, voltou à diocese.

    São Domingos, que foi nomeado superior da Missão, associaram-se doze abades cistercienses. Pouco tempo, porém, durou o trabalho coletivo. Dom Diego voltou à Espanha, os cistercienses retiraram-se para os seus claustros e o próprio Legado pontifício abandonou o solo francês.

    Domingos não desanimou, apesar da missão se tornar dificílima e perigosa. Com mais oito companheiros que lhe foram mandados, continuou os trabalhos apostólicos. A inconstância, porém, que encontrou nos coadjutores, fez nele  amadurecer a ideia de fundar uma nova Ordem, cujos membros, por um voto, se dedicassem à obra da pregação. Os primeiros que se lhe associaram foram Guilherme de Clairel e Domingos, o Espanhol. Em 1215, a nova comunidade contava já dezesseis religiosos, com seis espanhóis, oito franceses, um inglês e um português.

    Para assegurar-se da aprovação pontifícia, Domingos em companhia do bispo de Toulouse foi à Roma e apresentou-se ao Papa Inocêncio III. Coincidiu de ele chegar à capital da Cristandade na abertura do Concílio de Latrão. Opinaram os padres que em vez de aprovar as regras de novas ordens, devia o Concílio dirigir a atenção para as Ordens já existentes e aperfeiçoar-lhes as constituições. Inocêncio III, baseando-se nestas decisões, negou-se, por diversas vezes, em dar aprovação à regra da Ordem fundada por Domingos. Aconteceu, porém, que o Papa teve uma visão, quase idêntica à que lhe fez aprovar a Ordem de São Francisco de Assis, em 1209. Não querendo contrariar a obra do santo homem, deu consentimento à fundação da Ordem, prometendo a Domingos expedir a bula, logo que este tivesse adotado uma regra de ordem já aprovada pela Igreja. Domingos decidiu-se em favor da regra de Santo Agostinho, à qual acrescentou mais algumas constituições, como por exemplo, o silêncio, o jejum e a pobreza.

    Quando Domingos, pela segunda vez chegou a Roma, já não encontrou o Papa Inocêncio III, mas o sucessor deste, Honório III. Contrariamente ao que receava, obteve a aprovação da Ordem, que veio a ser chamada Ordem dos Pregadores. Nomeado o primeiro superior, fez a profissão nas mãos do Papa.

    Graças à generosidade do bispo de Toulouse e do conde Simão de Montfort, Domingos pode construir o primeiro convento em Toulouse. O número dos religiosos crescera consideravelmente, de modo que Domingos pode introduzir em a novel comunidade e regra recém-aprovada.

    Pouco tempo depois, Domingos voltou à Roma e fundou diversos conventos na Itália. Em Roma, conheceu São Francisco de Assis, a quem se tornou um grande amigo. Em 1218 foi a Bolonha fundar um convento, perto da Igreja de Nossa Senhora de Mascarella. Um ano depois, teve Domingos a satisfação de fundar outro na mesma cidade, sendo que este, tempos depois, veio a  ser um dos mais importantes da Ordem na Itália.

    O exemplo de São Francisco de Assis e o admirável desenvolvimento da Ordem por ele fundada, influiu grandemente no espírito de são Domingos. Como o Patriarca de Assis, introduziu S. Domingos na sua ordem o voto de pobreza em todo o rigor.

    São Domingos convocou três capítulos gerais e teve o prazer de ver a Ordem se estabelecer na Espanha, em Toulouse, na Provença e na França toda. Conventos surgiram na Itália, Alemanha e Inglaterra. O próprio fundador mandou emissários à Irlanda, Noruega, Ásia e Palestina.

    São Domingos morreu no dia 06 de agosto de 1221, na idade de 51 anos. Numerosos milagres por seu intermédio Deus se dignou de fazer. O Papa Gregório IX inseriu-lhe o nome no catálogo dos Santo, em 23 de julho de 1234. Muito concorreu para o culto de São Domingos na Igreja Católica, a devoção do Santíssimo Rosário, de quem era grande Apóstolo.

    A Ordem dos pregadores deu à Igreja,  muitos Santos, entre estes o grande São Tomás de Aquino, Santo Alberto Magno, Santa Catarina de Siena, São Vicente Ferrer, o Papa Pio V.

    Referências bibliográficas: 1. Na luz Perpétua,  5ª.  ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico – Juiz de Fora – Minas  Gerais,  1959.    2. Oração das Horas – Editora Vozes, Paulinas, Paulus e Ave-Maria, 1996. 

  • Vicente de Aquila

    Bem-aventurado Vicente de Aquila

    Religioso da Primeira Ordem (1435-1504). Aprovou seu culto Pio VI no dia 19 de setembro de 1787.

    Vicente nasceu em Aquila, em Abruzzo, por volta de 1435. Aos 14 anos ingressou na Ordem dos Frades Menores no convento de São Julião, fundado pelo beato Antonio de Stroncone, perto dos portões da cidade. Admitido ao noviciado e feita a profissão dos votos perpétuos passou os primeiros anos de sua vida conventual retirado em uma cabana no bosque do convento, que só o deixava para cumprir os serviços que lhe eram atribuídos, em especial, o de sapateiro, talvez, sua primeira profissão.

    Era tanta a sua aplicação na oração, que Frei Marcos de Lisboa escreveu sobre ele: “Vincente permanecia abstraído e elevado no ar, parecendo que seu corpo estava sem sentidos, como uma pessoa morta”. Os superiores ao vê-lo tão exemplar, para afastá-lo da mortificação excessiva, pediram a ele para mendigar. Entre as pessoas que se inspiraram em sua santidade, devemos lembrar da jovem Matía di Luculi, que depois se tornou religiosa agostiniana em Aquila, com o nome de Irmã Cristina, e hoje é venerada no altar com o título de bem-aventurada.

    Vincente foi enviado para o convento em Penne, em seguida para ficar 10 anos em Sulmona, de onde retornou para São Julião de Aquila. O príncipe de Cápua, a Rainha Joana, segunda esposa de Fernando I e irmã de Fernando o Católico, Rei da Espanha buscavam seus conselhos. Ele previu a coroa real para o Duque de Calabria, filho mais velho de Fernando I de Aragão.

    Um mal que afligia há algum tempo Vincente foi se agravando até não conseguir deixar mais sua cela. Ele suportou tudo com grande resignação e serenidade dos santos. Na noite de 7 de agosto de 1504 veio a falecer na paz no Senhor, amorosamente assistido por seus confrades. A Bem-aventurada Matia Ciccarelli, de sua janela viu a luz do convento de São Julião, com grande esplendor e a alma de seu diretor espiritual voar para o céu, acompanhada por uma multidão de anjos. Ele tinha 69 anos. Ele foi sepultado na igreja de São Julião de Aquila. Seu corpo incorrupto é preservado em uma urna artística. Seu culto foi aprovado por Pio VI no dia 19 de setembro de 1787.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • João do Monte Alverne

    Bem-aventurado João do Monte Alverne

    Sacerdote da Primeira Ordem (1259-1322). Leão XIII aprovou seu culto no dia 24 de junho de 1880.

    João era originário de Fermo, nas Marcas, na Itália. É chamado sobretudo de Alverne (em italiano della Verna), porque viveu vários anos e morreu na solidão onde São Francisco recebeu os estigmas.

    Nascido em 1259, teve uma infância dominada pelo mistério da Paixão. Mortificava-se quanto podia, batendo com ramos de urtigas na pele. Chegava a pôr os joelhos em sangue com rápidas genuflexões, batendo na terra dura. Entrou aos dez anos nos cônegos regulares.

    Tendo encontrado uma velha couraça, subiu à torre para ninguém o ver, e à força de cortes adaptou-a à sua juvenil estatura; usou-a debaixo do vestuário até que lhe descobriram a sua armadura insólita. Aos treze anos, passou para os Menores franciscanos. Habituara-se a andar olhando para o céu, o que fazia com que tropeçasse e se ferisse nos pés.

    A um companheiro, que lhe recomendava olhasse para os pés, respondeu: «Não devemos, para atender aos pés, não fazer caso do espírito». Mandado para o Monte Alverne, vivia lá em grandes austeridades, jejuando quaresmas em honra do Espírito Santo, de Nossa Senhora e dos anjos.

    Durante o inverno, não tinha senão um hábito grosseiro e polainas, e ainda uma capa, obrigatória no Alverne. Algumas vezes, no inverno, chegava ao coro, branco como boneco de neve, porque o seu eremitério estava longe. Esta habitação não tinha cama; deitava-se no chão duro. Tais austeridades não o impediam de pregar ao povo.

    Embora não tivesse estudado quase nada, dominava a Sagrada Escritura e sabia tirar dela o que precisava. “Quando prego, me persuado de que não sou eu quem fala e ensina as verdades divinas, senão Deus mesmo quem fala por mim”. Morreu aos 50 anos de vida franciscana, nas primeiras vésperas de São Lourenço, com seus irmãos do Monte Alverne (9 de Agosto de 1322). Tinha-os exortado a não viverem senão para Cristo – Caminho, Verdade e Vida. Conta-se que São Francisco veio ter com ele para lhe moderar as mortificações e que, por vezes, eram os anjos que lhe faziam companhia. O seu culto foi aprovado pelo papa Leão XIII, em 1880.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Santa Clara de Assis

    Fundadora da Segunda Ordem (1194-1253), ou Clarissas. Foi canonizada por Alexandre IV no dia 15 de agosto de 1265.

    Uma das santas mais amadas é, sem dúvida, Santa Clara de Assis, que viveu no século XIII, contemporânea de São Francisco. Seu testemunho mostra-nos o quanto a Igreja deve a mulheres corajosas e ricas na fé como ela, capazes de dar um impulso decisivo para a renovação da Igreja.

    Quem foi então Clara de Assis? Para responder a esta pergunta, temos fontes seguras, não apenas as antigas biografias, como a de Tomás de Celano, mas também os autos do processo de canonização promovido Papa já pouco depois da morte de Clara e que contêm o testemunho dos que viveram ao seu lado por muito tempo.

    Nascida em 1193, Clara pertencia a uma família aristocrática e rica. Renunciou à nobreza e à riqueza para viver pobre e humilde, adotando a forma de vida que Francisco de Assis propunha. Apesar de seus pais planejarem um casamento com algum personagem de relevo, Clara, aos 18 anos, com um gesto audaz, inspirado pelo profundo desejo de seguir a Cristo e pela admiração por Francisco, deixou a casa paterna e, em companhia de uma amiga sua, Bona di Guelfuccio, uniu-se secretamente aos frades menores junto da pequena igreja da Porciúncula. Era a tarde de Domingo de Ramos de 1211. Na comoção geral, realizou-se um gesto altamente simbólico: enquanto seus companheiros tinham nas mãos tochas acesas, Francisco cortou-lhe os cabelos e Clara vestiu o hábito penitencial. A partir daquele momento, tornava-se virgem esposa de Cristo, humilde e pobre, e a Ele totalmente se consagrava. Como Clara e suas companheiras, inumeráveis mulheres no curso da história ficaram fascinadas pelo amor de Cristo que, na beleza de sua Divina Pessoa, preencheu seus corações. E a Igreja toda, através da mística vocação nupcial das virgens consagradas,  demonstra aquilo que será para sempre: a Esposa bela e pura de Cristo.

    Em uma das quatro cartas que Clara enviou a Santa Inês de Praga, filha do rei da Bohemia, que queria seguir seus passos, ela fala de Cristo, seu amado esposo, com expressões nupciais, que podem surpreender, mas que comovem: “Amando-o, és casta, tocando-o, serás mais pura, deixando-se possuir por ele, és virgem. Seu poder é mais forte, sua generosidade, mais elevada, seu aspecto, mais belo, o amor mais suave e toda graça. Agora tu estás acolhida em seu abraço, que ornou teu peito com pedras preciosas… e te coroou com uma coroa de ouro gravada com o selo da santidade” (Lettera prima: FF, 2862).

    Sobretudo no início de sua experiência religiosa, Clara teve em Francisco de Assis não só um mestre a quem seguir os ensinamentos, mas também um amigo fraterno. A amizade entre estes dois santos constitui um aspecto muito belo e importante. Efetivamente, quando duas almas puras e inflamadas do mesmo amor por Deus se encontram, há na amizade recíproca um forte estímulo para percorrer o caminho da perfeição. A amizade é um dos sentimentos humanos mais nobres e elevados que a Graça divina purifica e transfigura. Como São Francisco e Santa Clara, outros santos vivenciaram uma profunda amizade no caminho para a perfeição cristã, como São Francisco de Sales e Santa Giovanna de Chantal. O próprio São Francisco de Sales escreve: “é belo poder amar na terra como se ama no céu, e aprender a amar-nos neste mundo como faremos eternamente no outro. Não falo aqui de simples amor de caridade, porque este devemos tê-lo todos os homens; falo do amor espiritual, no âmbito do qual, duas, três, quatro ou mais pessoas compartilham devoção, afeto espiritual e tornam-se realmente um só espírito” (Introduzione alla vita devota III, 19).

    Após ter transcorrido um período de alguns meses em outras comunidades monásticas, resistindo às pressões de seus familiares que no início não aprovavam sua escolha, Clara se estabeleceu com suas primeiras companheiras na igreja de São Damião, onde os frades menores tinham preparado um pequeno convento para elas. Nesse mosteiro, viveu durante mais de quarenta anos, até sua morte, ocorrida em 1253. Chegou-nos uma descrição de primeira mão de como estas mulheres viviam naqueles anos, nos inícios do movimento franciscano. Trata-se do informe cheio de admiração de um bispo flamengo em visita à Itália, Santiago de Vitry, que afirma ter encontrado um grande número de homens e mulheres, de toda classe social, que, “deixando tudo por Cristo, escapavam ao mundo. Chamavam-se frades menores e irmãs menores e são tidos em grande consideração pelo senhor Papa e pelos cardeais… As mulheres… moram juntas em diferentes abrigos não distantes das cidades. Não recebem nada; vivem do trabalho de suas mãos. E lhes dói e preocupa profundamente que sejam honradas mais do que gostariam, por clérigos e leigos” (Carta de outubro de 1216: FF, 2205.2207).

    Santiago de Vitry tinha captado com perspicácia um traço característico da espiritualidade franciscana, a que Clara foi muito sensível: a radicalidade da pobreza associada à confiança total na Providência divina. Por este motivo, ela atuou com grande determinação, obtendo do Papa Gregório IX ou, provavelmente, já do Papa Inocêncio III, o chamado Privilegium Paupertatis (cfr FF, 3279). Em base a este, Clara e suas companheiras de São Damião não podiam possuir nenhuma propriedade material. Tratava-se de uma exceção verdadeiramente extraordinária em relação ao direito canônico vigente, e as autoridades eclesiásticas daquele tempo o concederam apreciando os frutos de santidade evangélica que reconheciam na forma de viver de Clara e de suas irmãs. Isso demonstra também que nos séculos medievais, o papel das mulheres não era secundário, mas considerável. A propósito disso, é oportuno recordar que Clara foi a primeira mulher da história da Igreja que compôs uma Regra escrita, submetida à aprovação do Papa, para que o carisma de Francisco de Assis se conservasse em todas as comunidades femininas que iam se estabelecendo em grande número já em seus tempos, e que desejavam se inspirar no exemplo de Francisco e Clara.

    No convento de São Damião, Clara praticou de modo heroico as virtudes que deveriam distinguir cada cristão: a humildade, o espírito de piedade e de penitência, a caridade. Ainda sendo a superiora, ela queria servir em primeira pessoa as irmãs enfermas, submetendo-se também a tarefas muito humildes: a caridade, de fato, supera toda resistência e quem ama realiza todo sacrifício com alegria. Sua fé na presença real da Eucaristia era tão grande que em duas ocasiões se comprovou um fato prodigioso. Só com a ostensão do Santíssimo Sacramento, afastou os soldados mercenários sarracenos, que estavam a ponto de agredir o convento de São Damião e de devastar a cidade de Assis.

    Também esse episódio, como outros milagres, dos quais se conservava memorial, levaram o Papa Alexandre IV a canonizá-la só dois anos depois de sua morte, em 1255, traçando um elogio a ela na Bula de canonização, onde lemos: “Quão vívida é a força desta luz e quão forte é a claridade desta fonte luminosa. Na verdade, esta luz estava fechada no esconderijo da vida de clausura, e fora irradiava esplendores luminosos; recolhia-se em um pequeno monastério, e fora se expandia por todo vasto mundo. Guardava-se dentro e se difundia fora. Clara, de fato, se escondia; mas sua vida se revelava a todos. Clara calava, mas sua fama gritava” (FF, 3284). E é precisamente assim, queridos amigos: são os santos que mudam o mundo para melhor, transformam-no de forma duradoura, injetando-lhe as energias que só o amor inspirado pelo Evangelho pode suscitar. Os santos são os grandes benfeitores da humanidade!

    A espiritualidade de Santa Clara, a síntese de sua proposta de santidade está recolhida na quarta carta a Santa Inês de Praga. Santa Clara utiliza uma imagem muito difundida na Idade Média, de ascendências patrísticas, o espelho. E convida sua amiga de Praga a se olhar no espelho da perfeição de toda virtude, que é o próprio Senhor. Escreve: “feliz certamente aquela a quem se lhe concede gozar desta sagrada união, para aderir com o profundo do coração [a Cristo], àquele cuja beleza admiram incessantemente todas as beatas multidões dos céus, cujo afeto apaixona, cuja contemplação restaura, cuja benignidade sacia, cuja suavidade preenche, cuja recordação resplandece suavemente, a cujo perfume os mortos voltarão à vida e cuja visão gloriosa fará bem-aventurados todos os cidadãos da Jerusalém celeste. E dado que ele é esplendor da glória, candura da luz eterna e espelho sem mancha, olhe cada dia para este espelho, ó rainha esposa de Jesus Cristo, e perscruta nele continuamente teu rosto, para que possas te adornar assim toda por dentro e por fora… neste espelho resplandecem a bem-aventurada pobreza, a santa humildade e a inefável caridade” (Quarta carta: FF, 2901-2903).

    Agradecidos a Deus que nos dá os santos, que falam ao nosso coração e nos oferecem um exemplo de vida cristã a imitar, gostaria de concluir com as mesmas palavras de benção que Santa Clara compôs para suas irmãs e que ainda hoje as Clarissas, que desempenham um precioso papel na Igreja com sua oração e com sua obra, custodiam com grande devoção. São expressões das que surge toda a ternura de sua maternidade espiritual: “Bendigo-vos em minha vida e depois de minha morte, como posso e mais de quanto posso, com todas as bênçãos com as que o Pai de misericórdias abençoa e abençoará no céu e na terra seus filhos e filhas, e com as quais um pai e uma mãe espiritual abençoa e abençoará seus filhos e filhas espirituais. Amém” (FF, 2856).

    Papa Bento 16

  • Luís Sotello de Sevilha

    Bem-aventurado Luís Sotello de Sevilha

    Bispo eleito, mártir no Japão da Primeira Ordem (1574-1624). Foi beatificado por Pio IX no dia 7 de julho de 1867.

    Sotelo, filho de Diego e Catarina Niño,  nasceu em Sevilha, Espanha, no dia 6 de setembro de 1574, e estudou na Universidade de Salamanca antes de ingressar no convento “Calvário” dos Frades Menores. Ele foi enviado, em 1600, para as Filipinas, para suprir as necessidades espirituais do povoado filipino de Dilao, até sua destruição pelas forças espanholas e portuguesas em 1608, depois de uma luta intensa.

    Em 1608, o papa Paulo V autorizou ordens religiosas menores (dominicanos e franciscanos) para pregar no Japão, até então pelos jesuítas. Sotelo imediatamente foi para o Japão e assumiu um posto de liderança da sua comunidade.

    Sotelo então tentou fundar uma igreja franciscana na região de Tóquio. A igreja foi destruída em 1612, seguindo-se a interdição do cristianismo nos territórios dos Tokugawa em 21 de abril de 1612 (os editos de proibição foram uma reação a um escândalo de suborno entre um colaborador próximo do xogun, Okamoto Daihachi, e o daimyo cristão Arima Harunobu).

    Sotelo fugiu para a parte norte do Japão, na área controlada pelo daimyo de Sendai, Date Masamune, onde o cristianismo ainda era tolerado. Ele voltou para Tóquio no ano seguinte e construiu e inaugurou uma nova igreja em 12 de maio de 1613, na área de Asakusa Torigoe. O Bakufu reagiu prendendo os cristãos, e o próprio Sotelo foi colocado na prisão de Kodenma-chō. Sete japoneses cristãos, presos junto com Sotelo, foram executados em 1º de julho, mas Sotelo foi libertado por um pedido especial de Date Masamune.

    Sotelo planejou e acompanhou uma embaixada japonesa enviada por Date Masamune para a Espanha em 1613. A embaixada foi chefiada por Hasekura Tsunenaga e cruzou o Pacífico a bordo do galeão construído no Japão San Juan Bautista. Ele conduziu os japoneses para receberem o batismo em Madrid, antes de acompanhá-los para ver o papa Paulo V em Roma.

    A embaixada era um produto de ambições políticas de Sotelo e Date Masamune. Sotelo tentou estabelecer uma diocese no norte do Japão, independente da diocese de Funai (Nagasaki), controlada pelos jesuítas. Sua campanha foi obstruída pelos portugueses, apesar de que na altura estavam sob o jugo dos Filipes de Espanha, e falhou em conseguir apoio dos franciscanos por estar ligada à sua ambição pessoal pelo posto de bispo. Date Masamune queria fazer comércio com a Nova Espanha, (México), mas logo se percebeu que seria um comércio muito custoso.

    Sotelo acompanhou a embaixada japonesa de volta às Filipinas em 1618, onde ele ficou por algum tempo, devido à repressão do cristianismo no Japão. Ele teve problemas com a Igreja, porque ele tinha vendido suas posses no Japão. Entretanto, o Conselho Católico das Índias o mandou para a referida Nova Espanha, em 1620, para desempenhar lá suas atividades missionárias.

    Sotelo então tentou se infiltrar no Japão em 1622, a bordo de um barco chinês, mas foi descoberto e preso. Depois de dois anos na prisão, Luís Sotelo foi queimado vivo, junto com dois franciscanos, um jesuíta e um dominicano, aos 50 anos.  Ele foi beatificado pelo papa Pio IX em 1867.

    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Santos de Montebarocchio

    Bem-aventurado Santos de Montebarocchio

    Religioso da Primeira Ordem (1343-1392). Aprovou seu culto Clemente XIV no dia 18 de agosto de 1770.

    Santos Brancorsini, filho de João Domingo e Eleonora Ruggeri, nasceu em Montefabbri, perto de Urbino, em 1343, e foi batizado por João Santos. Ele estudou gramática e direito na Universidade de Urbino, mas não se formou porque resolveu dedicar-se à carreira militar.

    Aos 20 anos, agredido por um parente e forçado a defender sua própria vida, desembainhou a espada e o feriu mortalmente. Aflito por essa morte involuntária, Santos renunciou à vida militar, e em 1362 entrou na Ordem dos Frades Menores como irmão leigo no convento de Scotaneto, próximo de Montebarocchio. A penitência e humildade foram suas virtudes particulares. Suas devoções, à Eucaristia, com a participação devota na Santa Missa e à Bem-aventurada Virgem Maria. Além das funções inerentes ao seu estado, por sua cultura e virtudes que o distinguiam, exerceu o cargo de mestre de noviços dos irmãos leigos.

    Movido pelo espírito de expiação pediu a Deus para sofrer as dores que causou a seu parente no mesmo ponto que o havia ferido. Foi ouvido. Surgiu uma ferida ulcerada na perna direita, que nunca cicatrizou. Os biógrafos o atribuem muitos milagres e dons extraordinários.

    Uma vez, encarregado de cortar madeira na floresta próxima, o burro do convento foi morto por um lobo. Na parte da manhã, o bem-aventurado se deu conta do que aconteceu e chamou até ele o lobo e, colocando uma corda no pescoço, ordenou da parte de Deus para reparar o mal feito submetendo-o a transportar a madeira da floresta para o convento. O lobo se tornou dócil e obediente, e por muitos anos continuou a prestar serviço aos religiosos.

    Um dia, Francisco Malatesta, Duque de Urbino, encontrou-se com o bem-aventurado e pediu a ele que pedisse a intercessão do Senhor para livrar suas terras de uma verdadeira invasão de gafanhotos, ratos e outras pestes que devastavam os campos. O irmão dedicado ajoelhou, levantou os braços para o céu e rezou. E eis que estes insetos e pragas, em um curto espaço de tempo, foram mergulhar no mar vizinho.

    A santidade de Santos atraiu multidões ao convento de Scotoneto, ansiosas para ver o homem de Deus, para ouvir sua palavra inspirada, para pedir graças e favores. Para todos tinha uma palavra de encorajamento e conforto. Devoto da Virgem, durante toda a sua vida espalhou seu culto. Pediu e a Virgem Maria o chamou no dia de sua gloriosa Assunção ao céu. Na verdade, a noite de 14 a 15 de agosto de 1392, depois de ter recebido a última bênção de seu superior, aos 49 anos de idade, sua santa alma voou alegremente para a glória do céu.


    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • São Maximiliano Maria Kolbe

    Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (1894-1941). Canonizado por São João Paulo II em 10 de outubro de 1982.

    Raymond Kolbe, filho de Júlio Kolbe e Maria Dabrowska, nasceu aos 8 de janeiro de 1894, em Zdunska Wola, perto de Lódz, na Polônia. Sua família era pobre, de humildes operários, mas muito rica de religiosidade. Ingressou no Seminário franciscano da Ordem dos Frades Menores Conventuais aos treze anos de idade, logo demonstrando sua verdadeira vocação religiosa.

    Ao ser mandado para terminar sua formação em Roma, Maximiliano, inspirado pelo seu desejo de conquistar o mundo inteiro a Cristo por meio de Maria Imaculada, fundou o movimento de apostolado mariano chamado ‘Milícia da Imaculada’. Como sacerdote foi professor, mas em busca de ensinar o caminho da salvação, empenhou-se no apostolado através da imprensa e pôde, assim, evangelizar em muitos países, isto sempre na obediência às autoridades, tanto assim que deixou o fecundo trabalho no Japão para assumir a direção de um grande convento franciscano na Polônia.

    Com o início da Segunda Grande Guerra Mundial, a Polônia foi tomada por nazistas e, com isto, Frei Maximiliano foi preso duas vezes, sendo que a prisão definitiva, ocorrida em 1941, levou-o para Varsóvia, e posteriormente, para o campo de concentração em Auschwitz, onde no campo de extermínio heroicamente evangelizou com a vida e morte. Aconteceu que diante da fuga de um prisioneiro, dez pagariam com a morte, sendo que um, desesperadamente, caiu em prantos:

    “Minha mulher, meus filhinhos! Não os tornarei a ver!”. Movido pelo amor que vence a morte, São Maximiliano Maria Kolbe dirigiu-se ao Oficial com a decisão própria de um mártir da caridade, ou seja, substituir o pai de família e ajudar a morrer os outros nove e, foi aceita, pois se identificou: “Sou um Padre Católico”.

    Os 10 prisioneiros, despidos, foram empurrados numa pequena, úmida e totalmente escura cela dos subterrâneos, para morrer de fome. Durante 10 dias Frei Maximiliano conduziu os outros prisioneiros com cânticos e orações, e os consolou um a um na hora da morte. Após esses dias, como ainda estava vivo, recebeu uma injeção letal. Era o dia 14 de agosto de 1941.

    O corpo de Maximiliano Kolbe foi cremado e suas cinzas atiradas ao vento. Numa carta, quase prevendo seu fim, escrevera: “Quero ser reduzido a pó pela Imaculada e espalhado pelo vento do mundo”.

    Ao final da Guerra, começou um movimento pela beatificação do Frei Maximiliano Maria Kolbe, que ocorreu em 17 de outubro de 1971, pelo Papa Paulo VI. Em 1982, na presença de Franciszek Gajowniczek, que sobreviveu aos horrores do campo de concentração, São Maximiliano foi canonizado pelo Papa São João Paulo II, como mártir da caridade. Por seu intenso apostolado, é considerado o patrono da imprensa.

  • Cláudio Granzotto

    Bem-aventurado Cláudio Granzotto

    Religioso da Primeira Ordem (1900-1947). Beatificado por São João Paulo II no dia 18 de setembro de 1994.

    Claudio Granzotto (Ricardo no batismo) nasceu em S. Lucia di Piave (Treviso) em 23 de agosto de 1900, filho de Antônio Granzotto e Joana Scotta. Até 17 anos era um pedreiro, em seguida, durante três anos, foi militar, depois, por 7 anos, estudante na Academia de Belas Artes de Veneza, onde se especializou em escultura. Desde 1939, ao se tornar um franciscano, viveu nos conventos do Veneto. Ele morreu de um tumor cerebral na manhã da Assunção de 1947, no hospital de Pádua. Seu corpo repousa em Chiampo (Vicenza), ao lado da Gruta da Imaculada construída por ele.

    Quando brilhava em sua mente uma ideia elevada, nunca a deixava, agarrava-a e já a transformava em mármore. Aos 22 anos, levado por um instinto profundo, teve a coragem de se aprofundar na arte. Abandonou seus instrumentos de pedreiro e se matriculou na Academia de Belas Artes de Veneza, deixando de lado qualquer inclinação juvenil. Dedicou-se ao estudo durante sete anos até que em 1929 recebeu o diploma de escultor com qualificação máxima. Tornou-se um escultor conhecido e ganhou muitos prêmios, ajudando com seus ganhos os mais necessitados.

    Da mesma forma se comprometeu no campo da fé. A Ação Católica foi o primeiro terreno fértil: o incentivou várias iniciativas, como a comunhão frequente, a leitura de bons jornais, adoração noturna, várias formas de penitência, dormindo em terra e, finalmente, o voto privado de castidade.

    Assim, arte e virtude, ótimas irmãs, empreenderam juntas o caminho para realizar uma obra-prima. Aos 33 anos, em pleno vigor físico, gozando de fama, dinheiro, fortuna e amor terreno, tomou uma decisão: ingressou no convento de São Francisco do Deserto (Veneza). E ele se tornou um artista diáfano e um religioso de sua vocação.

    A arte sagrada se tornou para ele um meio de ação com todo o valor religioso de um apostolado espiritual. Construiu quatro Grutas de Lourdes, altares belos, anjos em adoração, santos em êxtase.

    Como um frade, de acordo com seu espírito corajoso de humildade, renunciou ao acesso proposto para o sacerdócio. Ele escolheu os ofícios humildes e escondidos, exercitou-se em fervorosas orações e penitências, dando especial atenção aos pobres e necessitados, especialmente durante a guerra. Passou para a eternidade na aurora da Festa da Assunção de 1947.


    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • São Roque de Montepellier

    Peregrino da Terceira Ordem (1295-1327). Concedeu em sua honra ofício e missa Urbano VIII no dia 4 de julho de 1629.

    Roque nasceu em 1295, em Montpellier, França. Sua família, profundamente católica, pertencia à nobreza e fazia parte do governo da cidade. O pai chamava-se João Rog (de onde vem o nome Roque) e a mãe, Líbera. Ele ficou órfão ainda jovem, e quando atingiu os 20 anos de idade, devia assumir a direção do palácio familiar e a administração de vastas terras. Lembrou-se da passagem do Evangelho sobre o moço rico, e do apelo que fizera Nosso Senhor quando lhe respondeu como deveria fazer para ser perfeito. Então, Rogue renunciou à sua nobreza e distribuiu aos pobres o seu rico patrimônio. Saiu ocultamente de sua cidade, dirigindo-se, como peregrino, a Roma, onde haveria de permanecer três anos, e à Terra Santa, em peregrinação penitencial.

    Inscreveu-se na Terceira Ordem Franciscana e foi peregrino por toda a sua vida.

    Seu percurso, entretanto, foi enormemente tumultuado, pois teve de interrompê-lo repetidas vezes para socorrer os acometidos pela peste negra em torno de Roma e em diversas localidades da Província da Romanha (Cesena, Rimini e Forli).

    Na própria Cidade Eterna, quando ali chegou, São Roque encontrou o povo da cidade sobressaltado por causa da peste, que ali grassava.

    Ao passar por Piacenza cuidando dos enfermos, também ele contraiu a peste negra. Para não molestar ninguém e poder tratar-se por si próprio, retirou-se para um bosque, habitando uma cabana situada à beira de uma nascente. Curado milagrosamente por um anjo, passou a ser alimentado por um cachorro que todos os dias lhe trazia um pedaço de pão.

    Assim, durante oito anos, a Itália tomar-se-á sua pátria de adoção, como santo protetor contra as epidemias. Ele chegou à sua cidade natal em trajes de peregrino, sem revelar sua identidade, e foi tomado por vagabundo e espião, pois Montpellier vivia momentos de grande agitação política. Por ordem do próprio tio, Bartolomeu Rog, foi encarcerado, sofrendo durante cinco anos os vexames da prisão, sua solidão e incômodos. E morreu no cárcere, no dia 16 de agosto de 1327, com 32 anos de idade. Só então é que se soube quem era ele, pois deixara sob sua cabeça uma tabuinha com o seu nome escrito.

    A notícia despertou entre os habitantes da cidade uma emoção profunda. Clero, nobreza e povo, também das cidades vizinhas, acorreram para venerar seus despojos expostos à visitação pública, primeiro no palácio da família, e depois na igreja de Nossa Senhora des Tables. Para reparar a injustiça, seu tio Bartolomeu mandou erigir, na cidade vizinha de Miguelone, artístico mausoléu em forma de capela. E o povo proclamou-o Santo Padroeiro contra epidemias e doenças graves.

    Em 1485, a maior parte de suas veneráveis relíquias foram transferidas para Veneza, onde a Irmandade, instituída sob seu patrocínio, construir-lhe-ia a mais célebre igreja. Após a morte de Gregório XI, em 1378, um Papa e dois antipapas disputavam a Cátedra de São Pedro: o Cardeal Pedro de Luna (Bento XII), Baltasar Cossa (João XXIII) e o Papa verdadeiro, Cardeal Ângelo Corai, que tomou o nome de Gregório XII. Era o cisma instalado uma vez mais na Igreja!

    Para dirimir a questão, reuniu-se um Concílio na cidade suíça de Constança, de 1414 a 1418. Cardeais, Arcebispos, Bispos, Teólogos, doutores, chefes de Estado e o próprio Imperador, entretanto, foram acometidos pela peste negra. Foi proposto que se fizesse uma procissão penitencial, invocando a proteção de São Roque. Assim foi feito, e antes de terminado aquele ato público de penitência, obtivesse a erradicação da peste pela gloriosa intercessão do Santo.


    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Santa Beatriz da Silva

    Virgem religiosa da Segunda Ordem (1424-1490). Fundadora das Monjas Concepcionistas Franciscanas, canonizada por São Paulo VI no dia 3 de outubro de 1976.

    Dona Beatriz da Silva nasceu na vila de Campo Maior, em Portugal, por volta de 1437. Ela foi da linhagem dos reis de Portugal, filha de Rui Gomes da Silva, alcaide-mor de Campo Maior, e de sua mulher dona Isabel de Meneses, filha natural de dom Pedro de Meneses, 1.º conde de Vila Real e 2.º conde de Viana do Alentejo. Teve pelo menos doze irmãos: Pedro Gomes da Silva (alcaide-mor de Campo Maior); Fernando da Silva de Meneses (alcaide-mor de Alter do Chão), dom Diogo da Silva de Meneses (aio do rei dom Manuel de Portugal, que o fez 1.º conde de Portalegre e senhor de Gouveia), Afonso Teles (alcaide-mor de Campo Maior), João de Meneses (chamado frei Amadeu Hispano ou Beato Amadeu, secretário e confessor do papa Sisto IV, e fundador da Congregação dos Amadeítas, da Ordem de São Francisco), Aires da Silva (cavaleiro em Ceuta, falecido com fama de santo de e mártir), dona Branca da Silva (donzela da corte régia), dona Guiomar de Meneses, dona Maria de Meneses (donzela da rainha dona Isabel, mulher do rei dom Afonso V de Portugal), dona Mécia de Meneses (donzela da infanta dona Joana, mulher do rei dom Henrique IV de Castela), dona Leonor de Meneses (donzela de Santa Joana Princesa) e dona Catarina de Meneses.

    Ainda pequena, dona Beatriz da Silva partiu para a corte régia de Castela, em 1447, como donzela da rainha Isabel, segunda mulher do rei João II de Castela. A presença de dona Beatriz na corte não passou despercebida. Sua formosura cativante encantou a todos. A rainha, dominada por uma mistura de ciúme e inveja, fechou dona Beatriz em um cofre, mas uma invisível proteção da Virgem Maria a salvou. Após este triste episódio deixa Tordesilhas, onde a corte régia então estava instalada, e vai para Toledo, onde se recolheu no Mosteiro de São Domingos, o Real, de monjas dominicanas. Por devoção, decidiu manter sempre seu rosto coberto com um véu branco, de forma que, enquanto viveu, nenhum homem e nenhuma mulher viu seu rosto. Permanece neste mosteiro por cerca de 30 anos.

    Em 1484, a rainha dona Isabel, a católica, doa-lhe os Palácios de Galiana onde existia uma Igreja antiga que tinha o nome de Santa Fé. Dona Beatriz, passada a esta casa, começou a adaptá-la para a forma de mosteiro. Levou consigo dona Filipa da Silva, sua sobrinha e outras onze mulheres, todas de hábito religioso e honesto embora não pertencessem a Ordem alguma. E, uma vez instalada na nova casa, querendo dar fim à sua determinação, estabeleceu a maneira de viver que queria e enviou-a a Roma, numa súplica conjunta com a rainha. Foi tudo aprovado e outorgado pelo Papa Inocêncio VIII pela bula “Inter Universa” em 1489. O Mosteiro já estava fundado e tudo já fora preparado para entregar o hábito a ela e às monjas que ela havia instruído, quando Nosso Senhor quis chamá-la. Morreu no ano de 1492. Na hora de sua morte, foram vistas duas coisas maravilhosas. Uma foi que, quando lhe levantaram o véu para administrar-lhe a unção foi tal o esplendor de seu rosto que todos ficaram admirados. A segunda, foi que em sua fronte viram uma estrela, que lá ficou até que ela expirou, e que emitia uma luz e um esplendor igual à luz quando mais brilha. Faleceu com fama de santidade.

    Em 1511 o Papa Júlio II atribui à ordem nascente Regra Própria.

    Dona Beatriz foi beatificada pelo Papa Pio XI em 26 de julho de 1926 e solenemente canonizada em 3 de outubro de 1976 pelo Papa São Paulo VI. Sua Festa é celebrada no dia 17 de agosto.

    Santa Beatriz da Silva se destacou por sua fé inquebrantável, por sua pureza, que lhe permitiu ser Lírio Alvíssimo escondida no coração de Jesus no Canteiro da Imaculada, por sua paciência alicerçada na esperança, por sua caridade, por sua simplicidade, pobreza, humildade, generosidade em oferecer um perdão sincero, enfim, adornada de todas as virtudes indica-nos o caminho mais curto, fácil e seguro para chegar a Cristo: Maria.

    CONFIRA O ESPECIAL DA TVFRANCISCANOS:

  • Margarida Maria Caiani

    Bem-aventurada Margarida Maria Caiani

    Virgem da Terceira Ordem Regular (1863-1921). Fundadora das Irmãs Mínimas do Sagrado Coração na Terceira Ordem Franciscana. Beatificada por São João Paulo II no dia 23 de abril de 1989.

    Natural de Poggio de Caiano (Itália), veio à luz do dia a 2 de Novembro de 1863. Na devida altura, seus pais matricularam-na numa escola particular, que ela frequentou com grande proveito durante três anos. A menina ia assim crescendo em idade, ciência e piedade, que se alimentava diariamente com a santa Missa e comunhão, apesar da igreja ficar longe de casa.

    Esta vida de genuína piedade cristã levou-a ao amor do próximo. Visitava os doentes e preparava os agonizantes para o desenlace final. A morte e a doença também bateram à porta da sua casa. Em 1884 perdeu repentinamente o pai. Sete anos depois, morreu-lhe a mãe. Seu irmão Gustavo foi vítima de prolongada doença que ela acompanhou com fraternal desvelo e caridade sobrenatural.

    Enriquecida com tão sólidas virtudes, era natural que sentisse vocação para a vida consagrada. E assim, em 1893, aos trinta anos, bateu às portas dum mosteiro de beneditinas, mas decorrido um mês regressou a casa, convencida de que não tinha vocação para a vida de clausura. O seu coração inclinava-a para o apostolado direto com as almas. Por esta razão entregou-se ao trabalho de ensinar e educar as crianças da sua terra.

    Com uma companheira, a 19 de Setembro de 1894, abriu uma escola onde se ensinava o catecismo e as letras. Dois anos depois, juntaram a elas mais duas jovens dispostas a levar o mesmo teor de vida. Desta forma, a obra, que nascera na pobreza e simplicidade, começou a crescer. Em 1901, a Serva de Deus redigiu umas Regras ou Constituições, que foram aprovadas pelo Bispo de Pistoia, e inscreveu a nascente família das Irmãs Mínimas do Sagrado Coração na Terceira Ordem Franciscana.

    A 15 de Dezembro de 1902 vestiu o hábito com cinco companheiras, tornando o nome de Irmã Maria Margarida do Sagrado Coração. A 17 de outubro de 1905 fez a profissão perpétua. Estavam, portanto, lançados os alicerces de uma nova família religiosa, que iria desenvolver-se prontamente. Em 1910 já se estendia por várias dioceses. Em Outubro de 1915 realizou-se o primeiro Capítulo Geral e a Irmã Maria Margarida foi eleita Superiora Geral vitalícia.

    Dotada de bondade, humildade, caridade e amor materno, governou o Instituto com sabedoria e prudência. Dizia às suas Filhas: «A glória é para Deus, a utilidade para o próximo e o trabalho para nós». Recomendava-lhes com frequência que rezassem muito pela santificação do clero.

    Preocupou-se mais com a solidez do Instituto do que com o seu crescimento, cuja finalidade é a educação da juventude, a assistência aos doentes nos hospitais e em casa, o cuidado dos anciãos em pensionatos e casas de repouso. As suas religiosas cooperam ainda nos trabalhos apostólicos das paróquias e nas obras sociais das missões. Em 1977, o Instituto contava 60 casas e 606 professas em Itália, Egito e Israel.

    A bem-aventurada teve de passar pelo cadinho das provações, mas nunca perdeu a paz interior. A 8 de Agosto de 1921, com 58 anos incompletos, partiu para os braços do Pai.

    Na homilia da beatificação, a 23 de Abril de 1989, o Santo Padre elogiou a Bem-aventurada com estas palavras:

    «O poder da mensagem da caridade foi compreendido por Maria Margarida Caiani, mediante a contemplação de Cristo e do seu Coração trespassado. À luz do amor divino, que se revelou no divino Salvador, Margarida aprendeu a servir os irmãos entre a gente humilde da sua terra da Toscana, e quis ocupar-se dos mais necessitados, dos últimos: as crianças marginalizadas, os meninos do campo, os anciãos e os soldados vítimas da guerra, internados nos hospitais militares…».

    No Brasil, a Congregação fundada pela bem-aventurada está presente em Teresina e Maranhão. As irmãs chegaram ao país em 1979, trazidas pelos frades Franciscanos Capuchinhos para a Região Nordeste.

  • São Luís de Tolosa

    Bispo da Primeira Ordem (1274-1297). Canonizado por João XXII no dia 7 de abril de 1317.

    Ludovico de Anjou, embora de descendência francesa, nasceu na Itália, provavelmente na Sardenha, em 1274. Era o mais velho entre os quatorze irmãos. Sua mãe era Maria, sobrinha de santa Isabel da Hungria e irmã de três príncipes que também chegaram a ser reis e santos: Estêvão, Ladislau e Henrique. Seu pai era Carlos II de Anjou, rei de Nápoles, Sicília, Jerusalém e Hungria, e filho do papa Inocêncio II. Ludovico também era sobrinho-neto de são Luiz IX, rei da França.

    Em 1284, começou a crise da Casa Real de Anjou, na Itália meridional. O pai de Ludovico tornou-se prisioneiro dos reis de Aragão da Espanha, e sua liberdade foi concedida, depois de três anos, mediante troca de reféns. O rei espanhol Afonso III exigiu que esses fossem os três sucessores diretos do rei Carlos II: Ludovico, Roberto e Raimundo.

    Eles foram muito maltratados e Ludovico em especial, pois era o mais velho e tinha treze anos de idade. Tratado com aspereza e crueldade, pagando pelo rancor que o rei de Aragão nutria pela política do papa e do rei de Anjou. Motivo que o levou a quebrar todos os acordos firmados antes da troca dos reféns. O cativeiro dos príncipes durou sete anos.

    Ludovico aceitou a longa prisão com abnegação e paciência. Mas já estava acostumado com a vida de penitência. Desde pequeno, ele não dormia na sua cama real, preferindo o chão duro e frio. Assim, aquele período no cárcere só cristalizou a santidade do jovem príncipe. Era tratado cruelmente e deixado junto com os leprosos, os quais cuidava com zelo e carinho. Não temia o contágio, que seria motivo de felicidade, pois poderia sofrer um pouco e imitar o sofrimento de Cristo.

    Esse seu período de cativeiro foi acompanhado pelos frades da Ordem de São Francisco, principalmente pelo frei Jacques Deuze, depois eleito papa. Foi ele que presenciou e registrou as curas prodigiosas feitas por intercessão de Ludovico. Também acompanhou o jovem príncipe quando ele adoeceu gravemente, testemunhando a sua milagrosa cura e a decisão de tornar-se um simples frade franciscano.

    Finalmente, a paz voltou entre as famílias reais de Aragão e Anjou. Em janeiro de 1296, os três príncipes foram libertados Assim que chegaram a Nápoles, Ludovico renunciou ao trono real em favor do seu irmão Roberto.

    Ingressou na vida religiosa no Convento de Ara Coeli, dos franciscanos, em Roma. Em maio do mesmo ano, voltou para Nápoles, onde recebeu as sagradas ordens. Mas foi chamado pelo papa Celestino V, que o queria bispo da diocese de Toulouse, na França, que estava vaga. Ludovico, devendo obediência, aceitou.

    Porém, sendo um frade franciscano, dispensou a luxuosa residência episcopal, preferindo a pobreza dos conventos da irmandade. Todavia, muito enfraquecido, pegou tuberculose. Apesar disso, foi a Roma assistir à canonização de Luiz IX, rei da França, seu tio-avô. A fadiga da viagem agravou a doença e ele acabou morrendo, no dia 19 de agosto de 1297, aos vinte e três anos de idade.

    O bispo Ludovico de Toulouse foi proclamado santo em 1317 pelo papa João XXII, frei Jacques Douze, que presenciou sua penitência e suas curas milagrosas durante o cativeiro. As famílias da realeza de Anjou e de Aragão, unidas, presenciaram a cerimônia.


    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Francisco Galvez

    Bem-aventurado Francisco Galvez

    Sacerdote e mártir no Japão, da Primeira Ordem (1576-1623).
    Beatificado por Pio IX no dia 7 de julho de 1867.

    Francisco Galvez, mártir no Japão, nasceu em Utiel, não muito longe de Valência, Espanha, filho de Tomás e Mariana Pellicer, em 1576. Após a graduação em filosofia e teologia e a ordenação diaconal, ele tomou o hábito franciscano no convento de São João Batista de Ribera.

    Em 1612, depois de três anos nas Filipinas, chegou como missionário no Japão, mas foi expulso em 1614, no início da grande perseguição. Então, refugiou-se em Manilla, nas Filipinas, onde compôs e publicou as obras “Flos Sanctorum” em três volumes, contendo as vidas dos Santos, traduzidas para o japonês. “A explicação da doutrina cristã” e outros opúsculos.

    Dois anos mais tarde, tingindo seu corpo para parecer um marinheiro negro, pôde novamente desembarcar no Japão e retomar com zelo a evangelização. Enquanto isso, procurava não ter residência fixa para fugir dos seus perseguidores. Mas foi traído por um renegado cristão e foi preso na cidade de Yedo.

    Com ele estavam 50 confessores da fé, condenados a serem queimados vivos em uma colina perto da cidade. Em 4 de dezembro, os executores conduziram amarrados os religiosos pelas ruas da cidade até o local da execução. Ao longo do caminho, o bem-aventurado Galvez e o bem-aventurado Gerônimo dos Anjos pregaram a fé a muitos cristãos e pagãos que os rodeavam.

    Um incidente memorável levou à comoção o povo na praça. No momento da execução, se apresentou na praça um senhor, seguido de numerosos servos: os juízes, crendo se tratar de um portador da mensagem imperial, pediram para o povo dar passagem a ele. Ele desceu do cavalo e, dirigindo-se ao chefe de justiça, perguntou por que aqueles homens estavam sendo cruelmente executados. A resposta foi simples: por serem cristãos. O senhor, disse, então: “Eu também sou cristão como eles, e peço para me associar ao grupo”. Os juízes consultaram o Imperador e o intrépido herói foi associado aos santos mártires. Trezentos cristãos comovidos por aquele heroico exemplo correram para ajoelhar-se perante os juízes e proclamar a sua fé, implorando a graça do martírio. Foram retirados à força. O santos mártires mostraram heroísmo no meio das chamas, enquanto seus olhos se voltaram para o céu e não cessaram de falar com a multidão e glorificar a Deus.


    Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

  • Sem eventos
  • Sem eventos
  • Sem eventos
  • Sem eventos
  • Sem eventos
  • Sem eventos
  • Sem eventos
  • Sem eventos
  • Sem eventos
  • Sem eventos
  • Sem eventos