Carisma - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Santos franciscanos

junho/2019

  • Mês do Sagrado Coração de Jesus

    A devoção ao Sagrado Coração de Jesus foi sempre muito especial aos franciscanos, a exemplo de São Francisco de Assis, inflamado de seráfico amor por Jesus. Seu coração ardia de amor pelo coração do Mártir Crucificado.

    Escreveram e falaram do Coração de Jesus: São Boaventura, Santo Antônio de Pádua, São Bernardino de Sena e muitos outros santos franciscanos.

    A festa do Sagrado Coração de Jesus é complemento da do Corpo e Sangue de Cristo, reunindo todos os mistérios de Jesus em um só, que materialmente é o coração de carne de Jesus, espiritualmente quer expressar os infinitos tesouros do amor.

    É a festa do amor de Deus para conosco. A Igreja celebra a Festa do Sagrado Coração de Jesus na sexta-feira da semana seguinte à Festa de Corpus Christi. O coração é mostrado na Escritura como símbolo do amor de Deus. No Calvário o soldado abriu o lado de Cristo com a lança (Jo 19,34). Diz a Liturgia que “aberto o seu Coração divino, foi derramado sobre nós torrentes de graças e de misericórdia”. Jesus é a Encarnação viva do Amor de Deus, e seu Coração é o símbolo desse Amor. Por isso, encerrando um conjunto de grandes Festas (Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Santíssima Trindade, Corpus Christi), a liturgia nos leva a contemplar o Coração de Jesus.

    Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola 

  • João Pelingotto

    Bem-aventurado João Pelingotto

    Penitente da Terceira Ordem (1240-1304). Aprovou seu culto Bento XV no dia 13 de novembro de 1918

    João Pelingotto nasceu em Urbino em 1240, filho de um rico mercador de telas que bem cedo, contra a sua vontade, teve de dedicar-se livremente aos exercícios de piedade. Aos onze anos já o havia iniciado no comércio.

    Vestiu o hábito da Terceira Ordem da Penitência na Igreja de Santa Maria dos Anjos, a primeira igreja franciscana de Urbino, e como fiel imitador do Seráfico Pai, vivia austeramente. O amor pelos pobres o movia a privar-se ainda do necessário para socorrê-los; humilde, ao cair na conta de que seus concidadãos o tinham em grande estima, para despistá-los se fez louco. Mas quanto mais procurava ocultar-se, mais manifestava Deus suas virtudes.

    Em 1300 foi a Roma para ganhar o jubileu decretado por Bonifácio VIII. Era a primeira vez que ia à Cidade Eterna e não era conhecido por ninguém. Contudo, um desconhecido, ao encontrar-se com ele, indicou-o a seus companheiros, dizendo: “Não é este aquele santo homem de Urbino?”. Outros vários fatos manifestaram claramente que o Senhor queria fazer conhecer sua santidade. De regresso à sua cidade natal, intensificou sua vida espiritual desejando ardentemente a pátria celestial. Foi atacado por uma gravíssima doença que o reduziu de imediato às últimas, e o fez perder até a fala, que recuperou completamente só nos últimos dias de sua vida terrena. Soube ser imitador do Seráfico Pai, inclusive na dor.

    O demônio não cessava de importuná-lo com horríveis tentações a este penitente que sempre procurou guardar intata a pureza de sua alma. Andava repetindo: “Por que me molestas? Por que me joga na cara coisas que nunca cometi e nas quais nunca consenti?”. E abandonando-se nos braços da misericórdia divina, com voz forte, disse: “E agora, vamos com toda confiança!”. Um dos presentes disse: “Pai, onde vais?”. “Ao Paraíso!”, respondeu. Dito isto, seu rosto se iluminou, seus membros se distenderam e, pouco depois, expirou serenamente. Era o primeiro de junho de 1304; tinha 64 anos de idade.

    João havia pedido que o sepultassem na Igreja de São Francisco, mas num primeiro tempo não se cumpriu sua vontade: teve solenes funerais e foi sepultado num cemitério franciscano, no claustro do convento. Deus glorificou rapidamente a seu fiel servidor. Tantas foram as graças que se diziam obtidas por sua intercessão, tantas eram as visitas a seu túmulo que os irmãos exumaram seus restos e os levaram à igreja de São Francisco. Aumentando-se os prodígios, erigiu-se um altar sobre seu túmulo, onde se celebraram missas em sua honra. Seu culto continuou através dos séculos.

    Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola 

  • André Caccioli de Spello

    Bem-aventurado André Caccioli de Spello

    Sacerdote e discípulo de São Francisco, da Primeira Ordem (1194-1254). Aprovou seu culto Clemente XII no dia 25 de julho de 1738.

    André Caccioli nasceu em Spello, na Úmbria, em 1194. Logo, ele abraçou a vida eclesiástica e tornou-se padre. Em 1223, quis seguir a São Francisco e se tornou seu discípulo ao entrar na Ordem dos Frades Menores. De São Francisco imitou principalmente o espírito de pobreza, e em 3 de outubro de 1226 teve a sorte de assistir à gloriosa transição do Seráfico Pai. Em 1233, ele estava na Espanha, onde participou do capítulo de Soria e obteve com suas orações uma chuva providencial para aquela terra afetada por uma seca prolongada. O mesmo milagre fez em Spello.

    Também viveu no eremitério do Carceri em Assis, em grande penitência e austeridade. Tinha preocupação em contemplar as coisas celestiais, para as quais ele já estava próximo. As horas livres para a fraternidade ele passava numa caverna, separado do resto do mundo, dedicando-se unicamente à oração. Várias vezes ele foi favorecido com aparições celestiais e seu espírito provou de uma doçura indescritível. Um dia, Jesus apareceu para ele como uma criança, radiante com a beleza. As conversas eram agradáveis quando a campainha tocou, chamando-o para o ofício religioso das Vésperas. André, em espírito de obediência, parou a conversa para juntar a seus confrades. Terminado o ofício, ele regressou para o seu retiro e, com grande alegria, encontrou o menino Jesus, que lhe disse: “Você fez bem em obedecer: vou chamá-lo logo para mim!”. Era o feliz anúncio de sua morte que se aproximava.

    Em 1248, ele voltou ao convento de Santo André, em Spello, onde foi responsável pela direção espiritual das Clarissas. Pediu e obteve de Santa Clara a indicação para Abadessa de Spello a bem-aventurada Pacifica Guelfuccio, tia e uma das primeiras discípulas ilustres de Santa Clara. Com a ajuda e conselhos do Beato André a comunidade das Damas Pobres da Senhora Pobreza aumentou em número e fervor, renunciaram à Regra mitigada do Cardeal Ugolino para acompanhar a de São Francisco para as primeiras religiosas amantes da pobreza. Assim, o mosteiro de Spello tornou-se logo uma das casas mais florescentes da Ordem.

    Em Spello, André esperou sereno o convite para voltar à pátria celeste. Cheio de méritos e glorioso por seu ardente apostolado no meio das pessoas do povo, pela pregação de muitos anos, recebeu com edificante piedade os últimos sacramentos, e dormia placidamente no Senhor em 3 de junho de 1254, aos 60 anos idade. As antigas crônicas franciscanas o chamam de máximo pregador e taumaturgo, recordam a sua caridade e obediência exemplares. Foi eleito copadroeiro da cidade em 1360.

    Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola

  • Pacífico de Cerano

    Bem-aventurado Pacífico de Cerano

    Sacerdote da Primeira Ordem (1424-1482). Aprovou seu culto Bento XIV no dia 7 de julho de 1745

    Pacífico Ramati nasceu no ano de 1424 em Cerano, na cidade de Novara, Itália. Muito cedo ficou órfão dos pais, sendo educado e formado pelo Superior dos beneditinos do Mosteiro de São Lorenzo de Novara.

    Após a morte do seu benfeitor beneditino, ele decidiu seguir a vida religiosa, mas preferiu ingressar para a Ordem dos Frades Menores, no convento de São Nazário, dos ilustres João Capristano e Bernardino de Siena, hoje ambos santos da Igreja. Em 1444, com vinte e um anos de idade e no ano da morte de São Bernardino, tomou o hábito franciscano. Em seguida foi enviado para completar os estudos à Universidade de Sorbonne, em Paris, regressando para a Itália com o título de Doutor.

    Desde então, dedicou-se à pregação e percorreu inúmeras regiões da Itália entre os anos de 1445 e 1471, com tal êxito que era considerado “um novo São Bernardino”. O seu apostolado era combater a ignorância religiosa, tanto entre os leigos como no meio do clero, especialmente em relação ao Sacramento da Penitência. E não se contentou apenas com as pregações verbais. Escreveu com competência e clareza a “Suma Pacífica da Consciência”, publicada em 1474 na linguagem popular, para que todos tivessem acesso, fato raro e uma ousadia para a época.

    Pacífico amava a sua cidade natal, visitando-a sempre que podia, por isto mandou construir uma igreja em homenagem à Virgem para aumentar a devoção à Mãe de Deus. Entretanto, a sua principal ocupação foi com a pregação do Evangelho através de uma retórica veemente e clara, na qual se tornou famoso.

    Este foi um período de maravilhosa florescência, para a Ordem franciscana com os conventos se multiplicando, não somente na península italiana, mas também nas ilhas da Sicília e Sardenha. Como visitador e comissário geral da Ordem, Pacífico teve a tarefa de peregrinar por todos eles, como pregador da paz e do Evangelho de Cristo. Em 1471, o Papa Xisto IV o enviou em missão à Sardenha e depois, outra vez em 1480, durante a invasão dos árabes muçulmanos, a fim de organizar uma Cruzada especial para expulsá-los.

    Nesta ocasião, Pacífico sentiu que não tinha muito tempo de vida. De fato, logo no início da Cruzada caiu gravemente enfermo. Não resistindo, morreu, aos 58 anos, no dia 4 de junho de 1482, em Sassari, na Sardenha, longe de sua querida cidade natal. Porém, foi sepultado na igreja franciscana de Cerano, atendendo o desejo que expressara em vida.

    O Papa Bento XIV, o beatificou em 1746, indicando o dia 8 de junho para sua festa litúrgica. Beato Pacífico de Cerano é considerado pelos teólogos “insigne por sua doutrina e santidade, consolo e protetor de sua pátria”.

    Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola .

  • Zeferino Gimenez Malla

    Bem-aventurado Zeferino Gimenez Malla

    (1861-1936). Mártir da Terceira Ordem Franciscana. Beatificado por São João Paulo II no dia 4 de maio de 1997

    Zeferino Gimenez Malla nasceu na Catalunha, Espanha, aos 26 de agosto de 1861. Descendia do povo cigano daquela localidade, que chamava o menino de “El Pelé”. A família vivia na pobreza, que se intensificou quando o pai a abandonou, para ficar com outra mulher. Por isso, Zeferino não pôde ir à escola, precisou ajudar no sustento da casa, confeccionando e vendendo cestas de vime. Quando completou vinte anos, se transferiu para Barbastro e ali se casou com Teresa Gimenez Castro, ao modo cigano, sem rito religioso. O casal não pôde ter filhos, então resolveu adotar Pepita, uma sobrinha de Teresa.

    Zeferino não tinha uma profissão fixa, era habilidoso com cavalos e mulas, mas se tornou um comerciante autônomo depois de um episódio que encantou toda Barbastro. Um homem tuberculoso, vertendo sangue contaminado pela boca, estava agonizando na estrada. Todos tinham receio de ajuda-lo, afinal, a tuberculose era extremamente contagiosa. Porém, isto não intimidou Zeferino que o ajudou prontamente, abrigando-o em sua casa, tratou de sua doença. Quis o destino que a família daquele homem fosse uma das mais poderosas do local, que gratificou muito bem Zeferino pela sua boa ação. Com este dinheiro ele iniciou um pequeno negócio que rapidamente prosperou.

    Ele acabou enriquecendo, mas, mesmo assim, continuou praticando sua caridade. Com o sangue nômade nas veias, passou a pregar pelas estradas, munido do Rosário. Socorria aos mais pobres, especialmente os ciganos, seus irmãos de sangue. Porém, para ele todos eram o “próximo”, tornando-se a razão de sua existência e de seu trabalho caridoso.

    Cristão, devoto da Virgem Maria e da Eucaristia, frequentava a Santa Missa todos os dias, na qual fazia questão de receber a comunhão. Zeferino oficializou seu casamento pelo rito católico, em 1912. Nesta ocasião passou a frequentar a “Quarta-feira Eucarística”, da Ordem Terceira de São Francisco. Quando então todos os religiosos reconheceram naquele comunicativo cigano um grande modelo de virtude e santidade. Empenhou-se com grande generosidade nas Conferências de São Vicente de Paulo, porque desejava tornar sua caridade mais eficiente. Mesmo sendo analfabeto, também se dedicava à catequese das crianças, ciganas ou não. Era muito querido por elas, pois, conhecendo muitas passagens da Bíblia ele as contava com especial inspiração.

    Em 1936 explodiu a guerra civil espanhola. No dia 02 de agosto deste ano, Zeferino foi preso ao tentar libertar um padre que era prisioneiro de um grupo anarquista. Tinha então setenta e cinco anos de idade. Mesmo sob a mira das armas, Zeferino protestou de cabeça erguida. Todos puderam ouvir seu último grito, brandindo o Rosário, seu companheiro, antes do fuzilamento: “Viva Cristo Rei!”.

    Por ordem dos rebeldes, todos os fuzilados foram enterrados numa cova coletiva. Dentre eles estava Zeferino, cujo corpo nunca pôde ser encontrado. Em 1997, numa bela cerimônia solene celebrada pelo Papa São João Paulo II, em Roma, na presença de milhares de ciganos cristãos do mundo todo, Zeferino Gimenez Malla foi declarado Beato. Assim, ele se tornou o primeiro cigano a ser elevado aos altares pela Igreja, cuja festa foi marcada para o dia de sua morte.

  • Lourenço de Villamagna

    Bem-aventurado Lourenço de Villamagna

    Sacerdote da Primeira Ordem (1476-1535). Aprovou seu culto Pio XI no dia 28 de fevereiro de 1923.

    O Bem-aventurado Lourenço nasceu em Villamagna, província de Chieti, filho dos nobres Silverio de Mascoli e de Pippa D´Eletto, no dia 12 de maio de 1476.

    Ingressou muito jovem no convento franciscano de Santa Maria da Graça, perto de Ortona, e depois de sua ordenação tornou-se um dos maiores pregadores da época. Distinguiu-se pela oração constante e pelo amor divino, do qual era inflamado.

    Como pregador e profundo teólogo, apresentou-se em quase todos os púlpitos importantes da Itália. Costumava flagelar-se severamente antes de fazer os seus sermões, que eram tão arrebatadores, que muitas vezes ele e toda a assistência desfaziam-se em lágrimas.

    Caminhava sempre a pé e descalço em suas longas viagens por todas as partes da Itália. Um dia, enquanto pregava, inspirado pelo Senhor, exclamou com espírito profético: “Dentro de quinze dias estarei na eternidade, eu em primeiro lugar e depois me seguirão outros de vocês”. Efetivamente depois de alguns dias, foi cometido de fortes dores por causa de uma gota que obrigou a suspender as suas pregações e ficar em repouso. Purificado pela dor, que suportou pacificamente, morreu em Ortona, aos 6 de junho de 1535, aos 59 anos. Seu corpo, depois de alguns anos, foi encontrado incorrupto. Em 1829 foi colocado sob o altar da igreja franciscana de Santa Maria da Graça.

    Parece que não se conhece muita coisa a respeito de Lourenço de VilJamagna. “A Vita del Beato Lorenzo da Villamagna”, escrita pelo padre Giacinto d’Agostino (1923), contém extraordinariamente muito pouco com relação aos fatos históricos. Vejam-se também Mazzara, Leggendario Francescano (1676), vol. r, p. 679; Acta Ordinis Fratrum Minorum, 1906, p. 127-130; 1924, p. 21-24; e o decreto da contirmatio cultus [confirmação do culto] em Acta Apostolicae Sedis, vol. XV (1923), p. 170-173. 

  • Diego Oddi

    Bem-aventurado Diego Oddi

    Religioso da Primeira Ordem (1839-1919). Beatificado por São João Paulo II no dia 3 de outubro de 1999 (festa no dia 6 de junho)

    Diego Oddi nasceu em Vallinfreda (Roma) a 6 de junho de 1839, no seio de uma família pobre e muito religiosa. Durante uma peregrinação ao Retiro de São Francisco, em Bellegra, ficou impressionado com o lugar e a vida santa que levavam os frades que ali viviam. Alguns anos mais tarde, lembrando-se sempre da experiência vivida naquela visita ao convento franciscano, o jovem Diego retornou àquele lugar para pedir conselho a Frei Mariano, famoso religioso naquela época e hoje também beatificado. As palavras simples desse humilde porteiro do convento impressionaram- no a tal ponto, que Diego resolveu pensar a sério na sua vocação e aumentou o tempo de oração, entregando-se aos desígnios de Deus.

    Entrou no Retiro de Bellegra em 1871, superando a resistência dos seus pais. Foi acolhido como simples «terceiro oblato» e, em 1889, pronunciou os votos solenes. Durante quarenta anos percorreu os caminhos de Subiaco, pedindo esmola. Analfabeto, mas arguto e com facilidade de dialogar, surpreendia a todos com as suas palavras, brotadas de um coração habituado a pronunciá-las nos colóquios com Deus. Quando o sino indicava o silêncio da noite, Diego permanecia na capela a falar com o Senhor, e esse colóquio prolongava-se durante toda a noite, sabendo haurir desse momento de graça a sabedoria da fé e a força para a fidelidade ao espírito franciscano.

    A sua vida foi feita com nada de extraordinário, e por isso esta simplicidade, unida à austeridade e penitência, produzia grandes frutos de aperfeiçoamento cristão em quantos se encontravam com ele.

    Morreu a 3 de Junho de 1919, tendo consagrado totalmente a vida a Deus, pondo em prática a vontade dos superiores e sabendo interpretar os eventos quotidianos como sinais daquilo que Deus lhe pedia.

    O Papa São João Paulo II, quando beatificou também o Beato Mariano de Roccacasale, disse sobre este franciscano: “A mesma espiritualidade franciscana, centrada numa vida evangelicamente pobre e simples, distingue Frei Diego Oddi, que hoje contemplamos no coro dos Beatos. Na escola de São Francisco, ele aprendeu que nada pertence ao homem a não ser os vícios e os pecados e que tudo o que a pessoa humana possui, na realidade é dom de Deus” (cf. Regra não selada XVII, em Fontes Franciscanas, 48). Desta forma aprendeu a não se angustiar inutilmente, mas a expor a Deus “orações, súplicas e agradecimentos” por todas as necessidades, como escutamos do apóstolo Paulo na segunda Leitura (cf. Fl 4, 6). Durante o seu longo serviço de esmoleiro, foi autêntico anjo de paz e bem para todas as pessoas que o encontravam, sobretudo porque sabia ir ao encontro das necessidades dos mais pobres e provados. Com o seu testemunho jubiloso e sereno, com a sua fé genuína e convicta, com a sua oração e o seu incansável trabalho o Beato Diego indica as virtudes evangélicas, que são a via-mestra para alcançar a paz”.

  • Nicolás de Gésturi

    Bem-aventurado Nicolás de Gésturi

    Religioso da Primeira Ordem (1882-1958). Beatificado por São João Paulo II no dia 3 de outubro de 1999.

    Em Gésturi, cidadezinha Sardenha, Itália, com aproximadamente 1.500 habitantes, nasceu, no dia 4 de agosto de 1882, João Ângelo Salvador, filho de pais de posses modestas, mas religiosos.

    João era o quarto dentre cinco irmãos. Perdeu o pai aos cinco anos, e quando tinha treze, faleceu a mãe. Por isso, foi aceito como empregado não assalariado por um cidadão de razoáveis posses, sogro da sua irmã Rita, permanecendo aí mesmo após a morte deste seu parente. Curando-se de grave doença reumática, em março de 1911, vai a Cágliari, ao convento Santo Antônio, para ser aceito como religioso capuchinho.

    Traz a recomendação do seu pároco, Pe. Vicente Albana, em que diz ter se entristecido com a partida do jovem de sua paróquia onde sempre fora de edificação para todos, não só pela sua piedade, mas também pela sua vida ilibada e pela austeridade de seus costumes. Veste o hábito capuchinho no dia 30 de outubro de 1913 e troca seu nome de batismo pelo de religioso, Nicolau de Gésturi, nome pelo qual será definitivamente conhecido na ilha de Sardenha, iniciando assim o seu noviciado.

    Depois de oito meses, foi transferido para Sanluri, onde continuou o noviciado. Emitiu sua primeira profissão no dia 1º de novembro de 1914, confirmando sua consagração total a Deus no dia 16 de fevereiro de 1919 com a profissão perpétua. O primeiro trabalho como recém-professo é na cozinha do convento de Sassari, na Sardenha.

    Embora tentasse exercer com capricho seu encargo, não conseguia agradar a muitos. Foi transferido para Oristano, depois para Sanluri onde fizera o segundo momento do seu noviciado. Por fim, os superiores o enviaram para a capital da Sardenha, que será definitivamente o seu lugar, onde viverá a humildade e a obediência.

    Ali ele irá esmolar, batendo às portas, para o sustento dos freis que trabalhavam na pregação, ou atendiam outras urgências apostólicas. Frei Nicolau assumiu, como referência para sua vida e serviço fraterno de esmoleiro, a Santo Inácio de Láconi que vivera justamente naquele mesmo convento uns 150 anos antes.

    Ao longo de 34 anos, como testemunha silencioso, percorre as estradas a pé, sobe e desce pelas ruelas dos bairros de Castelo e Vilanuova, vai às vilas vizinhas de Campidano, para depois percorrer em todos os sentidos as ruas de Cágliari. Para de caminhar apenas quando encontra pela frente a irmã morte corporal, às 0h15m de 8 de junho de 1958. Foi beatificado por São João Paulo II aos 3 de outubro de 1999.

  • São Cornélio Wican

    Religioso e mártir em Gorcum, da Primeira Ordem (+ 1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867.

    Cornélio Wican nasceu em Dorestt, não muito longe de Utrecht. Quando jovem ele entrou para a Ordem dos Frades Menores como irmão leigo. Depois do noviciado e profissão religiosa se colocou à disposição da comunidade para os serviços mais humildes do convento.

    Sempre se distinguiu pela sua simplicidade e pronta obediência. Os confrades viram nele um retrato dos primeiros seguidores do Seráfico Pai, os doze discípulos, os cavaleiros da távola redonda. Várias histórias de sua vida são dignas de serem inseridas no livro “Fioretti” de São Francisco.

    Uma vez, quando morava no convento de pai Bois-le-Duc o guardião do convento ordenou que fosse imediatamente ao convento de Utrecht. O irmão piedoso curvou a cabeça em sinal de obediência e partiu. Ao chegar ali, o superior de Utrecht perguntou a ele o motivo da sua viagem. Frei Cornélio humildemente respondeu que o superior ordenou e ele obedeceu. Em seguida, o guardião de Utrecht, para colocar à prova ainda mais a obediência heroica do irmão virtuoso, mandou novamente, por santa obediência, retornar a Bois-le-Duc e pedir ao seu guardião quais eram as razões para a sua viagem e depois voltar a Utrecht. O irmão heroico desempenhou o seu mandato de forma diligente e célere, dando provas de uma obediência realmente admirável.

    Outro fato digno de nota, que projeta muita luz sobre o nosso mártir, é a resposta que deu no dia de seu martírio, ao feroz Lunay, que queria confundi-lo e fazê-lo renunciar à sua fé. Resolutamente respondeu: “Eu acredito e professo, e todo aquele que crê e professa, como ensinou o guardião. Por essa fé em Jesus Cristo, na Igreja e no Pontífice romano estou pronto para dar o meu sangue”.

    Simples e sublime profissão de fé, que garantiu a graça do martírio e glória eterna dos santos.

    Em junho 1572, os calvinistas tomaram a cidade de Gorcum, prenderam os Frades Menores do convento, expondo-os ao ridículo da população. Eles foram levados prisioneiros a Brielle, torturando-os de mil maneiras, para renunciassem à fé católica na Eucaristia e do primado do Romano Pontífice. Mas eles permaneceram firmes na fé. Em 9 de julho de 1572 os onze franciscanos, felizes, enfrentaram a morte para testemunhar a presença dupla de Cristo na terra: a sua presença invisível no sacramento do altar e visível na pessoa de seu Vigário, o Papa. Sofreram o martírio no cadafalso.

  • São Pedro de Assche

    Religioso e mártir em Gorcum, da Primeira Ordem (1530-1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867.

    Pedro nasceu em 1530 em Assche, pequena cidade da Bélgica, no território de Bruxelas. Quando jovem pediu e obteve autorização para ingressar na Ordem dos Frades Menores como irmão leigo. Sempre viveu em Gorcum, onde a fadiga diária dos trabalhos que encomendavam os superiores, unia com singular amor a oração, o silêncio e a penitência.

    Ele sofreu o martírio quando tinha 42 anos.

    Os Mártires Gorcumienses (ou mártires de Gorcum) foram um grupo de dezenove religiosos católicos mortos em 1572 na cidade holandesa de Gorcum.

    Em 1572, durante a guerra dos oitenta anos que os rebeldes holandeses mantinham contra a Espanha para realizar sua independência, a iconoclasia se estendia pelas dezessete Províncias dos Países Baixos; a luta entre luteranos e calvinistas mantinha o país em um estado de intransigência com a liberdade de culto religioso. Em abril de 1572, os mendigos do mar, corsários holandeses de confissão calvinista, tomaram Brielle, Flandres e outras cidades da zona, até então em poder da coroa espanhola. Em junho, Dordrecht e Gorcum caíram também em suas mãos.

    Nesta última cidade prenderam vários religiosos: Nicolás Pieck, franciscano; Jerónimo de Weert, vigário; Teodoro de Eem, de Amersfoort; Nicasio Janssen, de Heeze; Willehald da Dinamarca; Godofredo de Melveren; Antônio de Weer; Antônio de Hoornaert; Francisco van Rooy; Padre Guillermo; Pedro de Assche; Cornelio de Wyk de Duurnstende; Fray Enrique; João de Oisterwljk, agustinho; Pontus van Huyter, administrador da comunidade.

    A estes quinze se aderiram mais tarde outros quatro: João de Hoornaer, chamado João de Colônia, dominicano; Jacobo Lacops de Oudenaar, norbertino; Adriano Janssen de Hilvarenbeek e Andreas Wouters de Heynoord.

    Após serem torturados na prisão de Gorcum entre 26 de junho e 6 de julho foram trasladados a Brielle. No dia seguinte, Guilherme II de la Marck, líder dos mendigos do mar, ordenou o interrogatório do grupo.

    Foram instigados a abandonar a fé católica e a retirar sua obediência ao Papa, ao que eles se recusaram; só Pontus van Huyter e Andreas Wouters aceitaram, liberando-se assim da morte; Guilherme de Orange enviou uma carta em que pedia às autoridades competentes liberar os religiosos, mas a mesma chegou depois que tinham sido torturados e executados no dia 9 de julho de 1572.

    Foram beatificados pelo papa Clemente X em 1673 e canonizados por Pio IX em 29 de junho de 1865. Sua festividade se celebra em 9 de julho, data da morte do grupo.

    Sua história foi reconhecida por Guillermo Hessels van Esten em sua “Historia Martyrum Gorcomiensium”, publicada en Douai en 1603.

  • Guido de Cortona

    Bem-aventurado Guido de Cortona

    Sacerdote da Primeira Ordem (1190-1250). Seu culto e missa foram concedidos por Gregório XIII em 1583

    Nascido em Cortona em torno de 1187, talvez da família nobre dos Vagnotelli, durante o tempo da juventude pôde estudar, adquirindo boa cultura o que lhe facilitou mais tarde o acesso ao sacerdócio. Não possuímos muitas informações a respeito de sua vida, mas é certo que, como diz Wadding, Guido foi recebido na Ordem pelo próprio São Francisco em 1211. Pelo santo fundador, o piedoso jovem, que já se exercitara na oração e na ajuda aos pobres, foi aconselhado a distribuir todos os seus bens aos pobres e deixar o mundo. Assim recebeu o hábito da pobreza na igreja de Santa Maria de Cortona.

    Viveu boa parte de sua vida em eremitério não muito distante da cidade cultivando mais intensamente a vida de piedade e de mortificação. Naquele lugar foi construído um conventinho conhecido como “Le Celle” (foto acima) , um dos primeiros da Ordem Franciscana.

    Uma vez ordenado sacerdote, passou algum tempo em Assis com Francisco, do qual obteve a licença de entregar-se à pregação. Este ministério executou com muito zelo e produziu abundantes frutos. Foi também contemplado com o dom dos milagres. Por tudo isso, já em vida, Guido gozou de grande fama de santidade, sobretudo depois que Francisco passou por Cortona, elogiou seu confrade e pediu que os habitantes da cidade se confiassem à sua oração.

    Por esta razão, depois de sua morte, acontecida a 12 de junho de 1247, em torno de seu sepulcro floresceram graças e milagres favorecendo a todos os que buscavam sua intercessão.

    Seus despojos, conservados íntegros, em 1258 por causa da invasão aretina sofrida pela cidade foram levados para Santa Maria de Cortona e colocados num digno sarcófago romano. Nunca se soube com certeza o que aconteceu com este sarcófago.

    Gregório XIII, em 1583, confirmou o culto ao bem-aventurado Guido somente para a cidade de Cortona. Inocêncio XII o estendeu a toda a Ordem Franciscana. Guido foi lembrado por Pio XII em 1947 por ocasião do VII centenário de sua morte.

    (Tradução livre e adaptada da obra Frati Minori Santi e Beati, publicação pela Postulação Geral da Ordem dos Frades Menores, 2009, p. 49-50)

  • Bem-aventurada Yolanda

    Duquesa da Polônia. Viúva, religiosa da Segunda Ordem (1235-1298). Aprovou seu culto Leão XII no dia 26 de setembro de 1827.

    Iolanda, ou Helena, como foi chamada depois pelos súditos poloneses, nasceu no ano de 1235, era filha de Bela IV, rei da Hungria, que era terceiro franciscano, e irmã da bem-aventurada Cunegundes. Além disso, era sobrinha de Santa Isabel da Hungria, também da Ordem Terceira. Aliás, a tradição franciscana acompanhou a linhagem desde seus primórdios, pois a família descendia de Santa Edwiges, Santo Estêvão e São Ladislau.

    Porém é claro que Iolanda não se tornou Santa só porque vinha de toda esta tradição extremamente católica e repleta de Santos. Não basta ter o caminho da fé apontado para se entrar nele. É preciso que todo o ser o aceite e o corpo se disponha a caminhar por uma trilha de entrega total e muito árdua, como ela o fez.

    Iolanda foi educada desde muito pequena pela irmã, Cunegundes, que se casara então com um dos reis mais virtuosos da Polônia, Boleslau, “o Casto”. Por tradição familiar e social da época, Iolanda deveria também se casar com alguém da terra e, anos depois, escolheu outro Boleslau, o Duque de Kalisz, conhecido como “o Pio”. Foi uma época de muita alegria para o povo polonês, que viu nas duas estrangeiras, pessoas profundamente bondosas, cristãs, justas e caridosas. Pena que tenha sido uma época não muito longa, pois alguns anos depois o quarteto foi desmanchado pela fatalidade.

    Primeiro morreu o rei, ficando Cunegundes viúva. Logo o mesmo aconteceu com Iolanda. Ela já tinha então três filhas, das quais duas se casaram e uma terceira retirou-se para o convento das clarissas de Sandeck, onde já se encontrava Cunegundes. As duas logo seriam seguidas por Iolanda.

    Muitos anos se passaram e as três damas cristãs continuavam naquele lugar, fazendo do silêncio do claustro o terreno para um fecundo período de meditação e oração. Quando morreu Cunegundes, em 1292, Iolanda deixou aquele mosteiro e foi mais para o ocidente, ao convento das clarissas de Gniezno, fundado por seu marido. Ali terminou seus dias como superiora, no dia 14 de junho de 1298.

    Amada pela população, seu culto ganhou força entre os fiéis do Leste Europeu e se difundiu por todo o mundo católico, ao longo dos tempos. Seu túmulo tornou-se meta de romeiros, pelos milagres e graças atribuídos à sua intercessão. Em 1827, o Papa Urbano VIII autorizou a beatificação e marcou a festa litúrgica para o dia do seu trânsito.

  • Santo Antônio de Pádua e Lisboa

    Sacerdote, doutor Evangélico da Primeira Ordem (1191-1231). Canonizado por Gregório IX no dia 30 de maio de 1232

    Antônio de Pádua ou – como também é conhecido – de Lisboa, referindo-se à sua cidade natal. Trata-se de um dos santos mais populares de toda a Igreja Católica, venerado não somente em Pádua, onde se erigiu uma esplêndida basílica que recolhe seus restos mortais, mas no mundo inteiro. São queridas dos fiéis as imagens e estátuas que o representam com o lírio, símbolo da sua pureza, ou com o Menino Jesus nos braços, lembrando uma aparição milagrosa mencionada por algumas fontes literárias.

    Antônio contribuiu de maneira significativa para o desenvolvimento da espiritualidade franciscana, com seus fortes traços de inteligência, equilíbrio, zelo apostólico e, principalmente, fervor místico.

    Ele nasceu em Lisboa de uma família nobre, por volta de 1195, e foi batizado com o nome de Fernando. Começou a fazer parte dos cônegos que seguiam a regra monástica de Santo Agostinho, primeiro no mosteiro de São Vicente, em Lisboa, e depois no da Santa Cruz, em Coimbra, renomado centro cultural de Portugal. Dedicou-se com interesse e solicitude ao estudo da Bíblia e dos Padres da Igreja, adquirindo aquela ciência teológica que o fez frutificar nas atividades de ensino e na pregação.

    Em Coimbra, aconteceu um fato que marcou uma mudança decisiva em sua vida: em 1220, foram expostas as relíquias dos primeiros cinco missionários franciscanos que haviam se dirigido a Marrocos, onde encontraram o martírio. Este acontecimento fez nascer no jovem Fernando o desejo de imitá-los e de avançar no caminho da perfeição cristã: então ele pediu para deixar os cônegos agostinianos e converter-se em frade menor. Sua petição foi acolhida e, tomando o nome de Antônio, também ele partiu para Marrocos, mas a Providência divina dispôs outra coisa.

    Por causa de uma doença, ele se viu obrigado a voltar à Itália e, em 1221, participou do famoso “Capítulo das Esteiras” em Assis, onde também encontrou São Francisco. Depois disso, viveu por algum tempo escondido totalmente em um convento perto de Forlì, no norte da Itália, onde o Senhor o chamou para outra missão. Convidado, por circunstâncias totalmente casuais, a pregar por ocasião da uma ordenação sacerdotal, Antônio mostrou estar dotado de tal ciência e eloquência, que os superiores o destinaram à pregação. Ele começou assim, na Itália e na França, uma atividade apostólica tão intensa e eficaz, que levou muitas pessoas que haviam se separado da Igreja a voltar atrás. Esteve também entre os primeiros professores de teologia dos Frades menores, talvez inclusive o primeiro. Começou a lecionar em Bolonha, com a bênção de Francisco, o qual, reconhecendo as virtudes de Antônio, enviou-lhe uma breve carta com estas palavras: “Eu gostaria que você lecionasse teologia aos frades”. Antônio colocou as bases da teologia franciscana que, cultivada por outras insignes figuras de pensadores, teria conhecido seu zênite com São Boaventura de Bagnoregio e o beato Duns Scotus.

    Nomeado como superior provincial dos Frades Menores da Itália Setentrional, continuou com o ministério da pregação, alternando-o com as tarefas de governo. Concluído o mandato de provincial, retirou-se perto de Pádua, onde já havia estado outras vezes. Depois de apenas um ano, morreu nas portas da Cidade, no dia 13 de junho de 1231. Pádua, que o havia acolhido com afeto e veneração em vida, prestou-lhe sempre honra e devoção. O próprio Papa Gregório IX – que, depois de tê-lo escutado pregar, definiu-o como “Arca do Testamento” – canonizou-o em 1232, também a partir dos milagres ocorridos por sua intercessão.

    No último período da sua vida, Antônio escreveu dois ciclos de “Sermões”, intitulados, respectivamente, “Sermões dominicais” e “Sermões sobre os santos”, destinados aos pregadores e professores de estudos teológicos da ordem franciscana. Neles, comentou os textos da Sagrada Escritura apresentados pela liturgia, utilizando a interpretação patrístico-medieval dos quatro sentidos: o literal ou histórico, o alegórico ou cristológico, o tropológico ou moral e o analógico, que orienta à vida eterna. Trata-se de textos teológicos-homiléticos, que recolhem a pregação viva, na qual Antônio propõe um verdadeiro e próprio itinerário de vida cristã. É tanta a riqueza de ensinamentos espirituais contida nos “Sermões”, que o venerável Papa Pio XII, em 1946, proclamou Antônio como Doutor da Igreja, atribuindo-lhe o título de “Doutor Evangélico”, porque destes escritos surge a frescura e beleza do Evangelho; ainda hoje podemos lê-los com grande proveito espiritual.

    Nos “Sermões”, ele fala da oração como uma relação de amor, que conduz o homem a conversar docemente com o Senhor, criando uma alegria inefável, que envolve suavemente a alma em oração. Antônio nos recorda que a oração precisa de uma atmosfera de silêncio, que não coincide com o afastamento do barulho externo, mas é experiência interior, que procura evitar as distrações provocadas pelas preocupações da alma. Segundo o ensinamento deste insigne Doutor franciscano, a oração se compõe de quatro atitudes indispensáveis que, no latim de Antônio, definem-se como: obsecratio, oratio, postulatio, gratiarum actio. Poderíamos traduzi-las assim: abrir com confiança o próprio coração a Deus, conversar afetuosamente com Ele, apresentar-lhe as próprias necessidades, louvá-lo e agradecer-lhe.

    Neste ensinamento de Santo Antônio sobre a oração, conhecemos um dos traços específicos da teologia franciscana, da qual ele foi o iniciador, isto é, o papel designado ao amor divino, que entra na esfera dos afetos, da vontade, do coração, e que é também a fonte de onde brota um conhecimento espiritual que ultrapassa todo conhecimento. Antônio escreve: “A caridade é a alma da fé, é o que a torna viva; sem o amor, a fé morre” (Sermões Dominicais e Festivos II).

    Só uma alma que reza pode realizar progressos na vida espiritual: este foi o objeto privilegiado da pregação de Santo Antônio. Ele conhecia bem os defeitos da natureza humana, a tendência a cair no pecado; por isso, exortava continuamente a combater a inclinação à cobiça, ao orgulho, à impureza e a praticar as virtudes da pobreza e da generosidade, da humildade e da obediência, da castidade e da pureza.

    No começo do século XIII, no contexto do renascimento das cidades e do florescimento do comércio, crescia o número de pessoas insensíveis às necessidades dos pobres. Por este motivo, Antônio convidou os fiéis muitas vezes a pensar na verdadeira riqueza, a do coração, que, tornando-os bons e misericordiosos, leva-os a acumular tesouros para o céu. “Ó ricos – exorta – tornai-vos amigos (…); os pobres, acolhei-os em vossas casas: serão depois eles que os acolherão nos eternos tabernáculos, onde está a beleza da paz, a confiança da segurança e a opulenta quietude da saciedade eterna” (Ibid.).

    Antônio, na escola de Francisco, sempre coloca Cristo no centro da vida e do pensamento, da ação e da pregação. Este é outro traço típico da teologia franciscana: o cristocentrismo. Alegremente, ela contempla e convida a contemplar os mistérios da humanidade do Senhor, particularmente o do Natal, que suscitam sentimentos de amor e gratidão pela bondade divina.

    Também a visão do Crucificado lhe inspira pensamentos de reconhecimento a Deus e de estima pela dignidade da pessoa humana, de forma que todos, crentes e não crentes, possam encontrar um significado que enriquece a vida. Antônio escreve: “Cristo, que é a tua vida, está pregado diante de ti, porque tu vês a cruz como em um espelho. Nela poderás conhecer quão mortais foram tuas feridas, que nenhum remédio teria podido curar, a não ser o sangue do Filho de Deus. Se olhas bem, poderás perceber quão grandes são tua dignidade e teu valor (…). Em nenhum outro lugar o homem pode perceber melhor o quanto vale, a não ser no espelho da cruz” (Sermões Dominicais e Festivos III).

    Que Antônio de Pádua, tão venerado pelos fiéis, interceda pela Igreja inteira, sobretudo por aqueles que se dedicam à pregação. Que estes, inspirando-se em seu exemplo, procurem unir a doutrina sã e sólida, a piedade sincera e fervorosa e a incisividade da comunicação.

    Fonte: Catequese do Papa Bento XVI

  • São Francisco de Bruxelas

    Sacerdote e mártir de Gorcum, da Primeira Ordem (1548-1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867.

    Francisco Rhodes nasceu em 1548 em Bruxelas, capital da Bélgica. Muito jovem entrou para a Ordem dos Frades Menores. Depois do noviciado, e da profissão realizou seus estudos filosóficos, literários e teológicos e foi ordenado sacerdote depois de uma intensa preparação espiritual. Apenas ordenado Ministro do Senhor, associou-se ao seu confrade Santo Antônio Hoornaert para evangelizar a população rural. Havia muita esperança no futuro desses jovens, quando começou a perseguição calvinista em Gorcum.

    São Francisco Rhodes tinha apenas 24 anos quando sofreu o martírio junto com os seus confrades.

    Os Mártires Gorcumienses (ou mártires de Gorcum) foram um grupo de dezenove religiosos católicos mortos em 1572 na cidade holandesa de Gorcum.

    Em 1572, durante a guerra dos oitenta anos que os rebeldes holandeses mantinham contra a Espanha para realizar sua independência, a iconoclasia se estendia pelas dezessete Províncias dos Países Baixos; a luta entre luteranos e calvinistas mantinha o país em um estado de intransigência com a liberdade de culto religioso. Em abril de 1572, os mendigos do mar, corsários holandeses de confissão calvinista, tomaram Brielle, Flandres e outras cidades da zona, até então em poder da coroa espanhola. Em junho, Dordrecht e Gorcum caíram também em suas mãos.

    Nesta última cidade prenderam vários religiosos: Nicolás Pieck, franciscano; Jerónimo de Weert, vigário; Teodoro de Eem, de Amersfoort; Nicasio Janssen, de Heeze; Willehald da Dinamarca; Godofredo de Melveren; Antônio de Weer; Antônio de Hoornaert; Francisco van Rooy; Padre Guillermo; Pedro de Assche; Cornelio de Wyk de Duurnstende; Fray Enrique; João de Oisterwljk, agustinho; Pontus van Huyter, administrador da comunidade.

    A estes quinze se aderiram mais tarde outros quatro: João de Hoornaer, chamado João de Colônia, dominicano; Jacobo Lacops de Oudenaar, norbertino; Adriano Janssen de Hilvarenbeek e Andreas Wouters de Heynoord.

    Após serem torturados na prisão de Gorcum entre 26 de junho e 6 de julho foram trasladados a Brielle. No dia seguinte, Guilherme II de la Marck, líder dos mendigos do mar, ordenou o interrogatório do grupo.

    Foram instigados a abandonar a fé católica e a retirar sua obediência ao Papa, ao que eles se recusaram; só Pontus van Huyter e Andreas Wouters aceitaram, liberando-se assim da morte; Guilherme de Orange enviou uma carta em que pedia às autoridades competentes liberar os religiosos, mas a mesma chegou depois que tinham sido torturados e executados no dia 9 de julho de 1572.

    Foram beatificados pelo papa Clemente X em 1673 e canonizados por Pio IX em 29 de junho de 1865. Sua festividade se celebra em 9 de julho, data da morte do grupo.

    Sua história foi reconhecida por Guillermo Hessels van Esten em sua “Historia Martyrum Gorcomiensium”, publicada en Douai en 1603.

  • Santo Antônio de Hoornaert

    Sacerdote e mártir de Gorcum, da Primeira Ordem (+ 1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867.

    Hoornaert, região do território de Gorcum, na Holanda, foi a pátria-mãe do glorioso mártir Santo Antônio. Seus pais eram muito pobres, mas ricos em virtudes, honestos e muitos apegados à fé católica.

    Recebido entre os Irmãos Menores do Convento de Gorcum, terminado o noviciado, fez a profissão, depois os estudos filosóficos e teológicos, foi ordenado sacerdote  e de imediato se dedicou à evangelização da gente no campo, percorrendo paróquias e pequenos povoados com a pregação, educação, confissão e atenção aos enfermos. Sua palavra ardente e o exemplo de uma vida autenticamente franciscana contribuíram para preservar muitas famílias dos erros calvinistas.

    Sofreu o martírio no dia 9 de julho de 1572.

    Os Mártires Gorcumienses (ou mártires de Gorcum) foram um grupo de dezenove religiosos católicos mortos em 1572 na cidade holandesa de Gorcum.

    Em 1572, durante a guerra dos oitenta anos que os rebeldes holandeses mantinham contra a Espanha para realizar sua independência, a iconoclasia se estendia pelas dezessete Províncias dos Países Baixos; a luta entre luteranos e calvinistas mantinha o país em um estado de intransigência com a liberdade de culto religioso. Em abril de 1572, os mendigos do mar, corsários holandeses de confissão calvinista, tomaram Brielle, Flandres e outras cidades da zona, até então em poder da coroa espanhola. Em junho, Dordrecht e Gorcum caíram também em suas mãos.

    Nesta última cidade prenderam vários religiosos: Nicolás Pieck, franciscano; Jerónimo de Weert, vigário; Teodoro de Eem, de Amersfoort; Nicasio Janssen, de Heeze; Willehald da Dinamarca; Godofredo de Melveren; Antônio de Weer; Antônio de Hoornaert; Francisco van Rooy; Padre Guillermo; Pedro de Assche; Cornelio de Wyk de Duurnstende; Fray Enrique; João de Oisterwljk, Agustinho; Pontus van Huyter, administrador da comunidade.

    A estes quinze se aderiram mais tarde outros quatro: João de Hoornaer, chamado João de Colônia, dominicano; Jacobo Lacops de Oudenaar, norbertino; Adriano Janssen de Hilvarenbeek e Andreas Wouters de Heynoord.

    Após serem torturados na prisão de Gorcum entre 26 de junho e 6 de julho foram trasladados a Brielle. No dia seguinte, Guilherme II de la Marck, líder dos mendigos do mar, ordenou o interrogatório do grupo.

    Foram instigados a abandonar a fé católica e a retirar sua obediência ao Papa, ao que eles se recusaram; só Pontus van Huyter e Andreas Wouters aceitaram, liberando-se assim da morte; Guilherme de Orange enviou uma carta em que pedia às autoridades competentes liberar os religiosos, mas a mesma chegou depois que tinham sido torturados e executados no dia 9 de julho de 1572.

    Foram beatificados pelo papa Clemente X em 1673 e canonizados por Pio IX em 29 de junho de 1865. Sua festividade se celebra em 9 de julho, data da morte do grupo.

    Sua história foi reconhecida por Guillermo Hessels van Esten em sua “Historia Martyrum Gorcomiensium”, publicada en Douai en 1603

  • Santo Antônio de Werten

    Sacerdote e mártir em Gorcum, da Primeira Ordem (1522-1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867.

    Antônio nasceu em 1522 na pequena cidade de Werten, na região de Horn, na Holanda setentrional, de família católica. Dotado de um coração generoso, de caráter extrovertido, de espírito franco e magnânimo, pediu e obteve admissão à Ordem dos Frades Menores. Depois do noviciado, fez a profissão solene e os estudos filosóficos e teológicos, foi ordenado sacerdote. Foi um grande pregador e em um de seus últimos discursos pronunciou estas solenes palavras: “Irmãos meus, perseverem na oração junto com Maria, a Mãe de Jesus. Amem a Igreja una, santa, católica, apostólica, romana, que nunca teve tanta necessidade de orações de seus filhos como hoje. Vigiem e permaneçam firmes na fé. A perseguição se avizinha e arruinará e desolará nossos campos”. Foi um verdadeira profeta.

    Antônio sofreu o martírio com seus confrades no dia 9 de julho de 1572 quando tinha 50 anos.

    Os Mártires Gorcumienses (ou mártires de Gorcum) foram um grupo de dezenove religiosos católicos mortos em 1572 na cidade holandesa de Gorcum.

    Em 1572, durante a guerra dos oitenta anos que os rebeldes holandeses mantinham contra a Espanha para realizar sua independência, a iconoclasia se estendia pelas dezessete Províncias dos Países Baixos; a luta entre luteranos e calvinistas mantinha o país em um estado de intransigência com a liberdade de culto religioso. Em abril de 1572, os mendigos do mar, corsários holandeses de confissão calvinista, tomaram Brielle, Flandres e outras cidades da zona, até então em poder da coroa espanhola. Em junho, Dordrecht e Gorcum caíram também em suas mãos.

    Nesta última cidade prenderam vários religiosos: Nicolás Pieck, franciscano; Jerónimo de Weert, vigário; Teodoro de Eem, de Amersfoort; Nicasio Janssen, de Heeze; Willehald da Dinamarca; Godofredo de Melveren; Antônio de Weer; Antônio de Hoornaert; Francisco van Rooy; Padre Guillermo; Pedro de Assche; Cornelio de Wyk de Duurnstende; Fray Enrique; João de Oisterwljk, agustinho; Pontus van Huyter, administrador da comunidade.

    A estes quinze se aderiram mais tarde outros quatro: João de Hoornaer, chamado João de Colônia, dominicano; Jacobo Lacops de Oudenaar, norbertino; Adriano Janssen de Hilvarenbeek e Andreas Wouters de Heynoord.

    Após serem torturados na prisão de Gorcum entre 26 de junho e 6 de julho foram trasladados a Brielle. No dia seguinte, Guilherme II de la Marck, líder dos mendigos do mar, ordenou o interrogatório do grupo.

    Foram instigados a abandonar a fé católica e a retirar sua obediencia ao Papa, ao que eles se recusaram; só Pontus van Huyter e Andreas Wouters aceitaram, liberando-se assim da morte; Guilherme de Orange enviou uma carta em que pedia às autoridades competentes liberar os religiosos, mas a mesma chegou depois que tinham sido torturados e executados no dia 9 de julho de 1572.

    Foram beatificados pelo papa Clemente X em 1673 e canonizados por Pio IX em 29 de junho de 1865. Sua festividade se celebra em 9 de julho, data da morte do grupo.

    Sua história foi reconhecida por Guillermo Hessels van Esten em sua “Historia Martyrum Gorcomiensium”, publicada en Douai en 1603.

  • Pedro de Gambacorta

    Bem-aventurado Pedro de Gambacorta

    Ermitão da Terceira Ordem Regular (1355-1435). Fundador da Ordem dos Girolaminis. Aprovou seu culto Inocêncio XII no dia 9 de dezembro de 1693.

    O fundador dos Eremitas ou Irmãos Pobres de São Jerônimo nasceu em Pisa, no ano de 1355, na época em que seu pai, cujo nome também lhe foi dado, governava aquela república. Aos vinte e cinco anos de idade deixou secretamente a corte, disfarçado de penitente, e se retirou para a solidão úmbria de Monte Bello, onde vestiu o hábito da Terceira Ordem de São Francisco e passou a viver de esmolas que recolhia nas aldeias mais próximas.

    Em 1380 conseguiu meios para fundar um oratório e celas para uma dezena de companheiros que se haviam juntado a ele (segundo uma tradição popular eram salteadores de estrada que ele havia convertido). Estabeleceu para a sua comunidade uma regra acrescentada de certas constituições extraídas das obras de São Jerônimo, que ele escolhera como padroeiro da nova congregação.

    Seus monges observavam quatro Quaresmas durante o ano, jejuavam às segundas, quartas e sextas-feiras, e todas as noites ficavam em oração durante duas horas depois das Matinas. Por sua parte, ele passava todo o seu tempo em oração ou em exercícios de penitência. Foram-lhe atribuídos muitos milagres.

    Quando seu pai e seus irmãos foram assassinados, em 1393, por Giacomo Appiano, ele se sentiu gravemente tentado a deixar seu retiro, para punir os autores do crime, mas venceu a tentação e, seguindo o exemplo de sua irmã, a Beata Clara Gambacorta (17 de abril), perdoou espontaneamente o assassino.

    Sua congregação, aprovada pelo papa Martinho V em 1421, logo se estabeleceu em diversas partes da Itália. O Beato Pedro sobreviveu até 1435, morrendo em Veneza aos otienta anos de idade, e foi beatificado em 1693. Durante certo tempo houve quarenta e seis casas dos Irmãos Pobres nas províncias de Ancona e Treviso.

    Pequenos grupos de eremitas e terceiros se filiaram a eles, e em 1668 o papa Clemente IX uniu à comunidade de São Jerônimo de Fiésole, que fora fundada por Carlos Montegranelli, à Ordem do Beato Pedro. Mas em 1933 seu número tinha se tornado tão pequeno, que ela foi supressa pela Santa Sé.

    Pedro morreu em Veneza no dia 17 de junho de 1435 com a idade de 80 anos.

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