Carisma - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Santos franciscanos

junho/2024

  • Mês do Sagrado Coração de Jesus

    A devoção ao Sagrado Coração de Jesus foi sempre muito especial aos franciscanos, a exemplo de São Francisco de Assis, inflamado de seráfico amor por Jesus. Seu coração ardia de amor pelo coração do Mártir Crucificado.

    Escreveram e falaram do Coração de Jesus: São Boaventura, Santo Antônio de Pádua, São Bernardino de Sena e muitos outros santos franciscanos.

    A festa do Sagrado Coração de Jesus é complemento da do Corpo e Sangue de Cristo, reunindo todos os mistérios de Jesus em um só, que materialmente é o coração de carne de Jesus, espiritualmente quer expressar os infinitos tesouros do amor.

    É a festa do amor de Deus para conosco. A Igreja celebra a Festa do Sagrado Coração de Jesus na sexta-feira da semana seguinte à Festa de Corpus Christi. O coração é mostrado na Escritura como símbolo do amor de Deus. No Calvário o soldado abriu o lado de Cristo com a lança (Jo 19,34). Diz a Liturgia que “aberto o seu Coração divino, foi derramado sobre nós torrentes de graças e de misericórdia”. Jesus é a Encarnação viva do Amor de Deus, e seu Coração é o símbolo desse Amor. Por isso, encerrando um conjunto de grandes Festas (Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Santíssima Trindade, Corpus Christi), a liturgia nos leva a contemplar o Coração de Jesus.

    Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola 

  • João Pelingotto

    Bem-aventurado João Pelingotto

    Penitente da Terceira Ordem (1240-1304). Aprovou seu culto Bento XV no dia 13 de novembro de 1918

    João Pelingotto nasceu em Urbino em 1240, filho de um rico mercador de telas que bem cedo, contra a sua vontade, teve de dedicar-se livremente aos exercícios de piedade. Aos onze anos já o havia iniciado no comércio.

    Vestiu o hábito da Terceira Ordem da Penitência na Igreja de Santa Maria dos Anjos, a primeira igreja franciscana de Urbino, e como fiel imitador do Seráfico Pai, vivia austeramente. O amor pelos pobres o movia a privar-se ainda do necessário para socorrê-los; humilde, ao cair na conta de que seus concidadãos o tinham em grande estima, para despistá-los se fez louco. Mas quanto mais procurava ocultar-se, mais manifestava Deus suas virtudes.

    Em 1300 foi a Roma para ganhar o jubileu decretado por Bonifácio VIII. Era a primeira vez que ia à Cidade Eterna e não era conhecido por ninguém. Contudo, um desconhecido, ao encontrar-se com ele, indicou-o a seus companheiros, dizendo: “Não é este aquele santo homem de Urbino?”. Outros vários fatos manifestaram claramente que o Senhor queria fazer conhecer sua santidade. De regresso à sua cidade natal, intensificou sua vida espiritual desejando ardentemente a pátria celestial. Foi atacado por uma gravíssima doença que o reduziu de imediato às últimas, e o fez perder até a fala, que recuperou completamente só nos últimos dias de sua vida terrena. Soube ser imitador do Seráfico Pai, inclusive na dor.

    O demônio não cessava de importuná-lo com horríveis tentações a este penitente que sempre procurou guardar intata a pureza de sua alma. Andava repetindo: “Por que me molestas? Por que me joga na cara coisas que nunca cometi e nas quais nunca consenti?”. E abandonando-se nos braços da misericórdia divina, com voz forte, disse: “E agora, vamos com toda confiança!”. Um dos presentes disse: “Pai, onde vais?”. “Ao Paraíso!”, respondeu. Dito isto, seu rosto se iluminou, seus membros se distenderam e, pouco depois, expirou serenamente. Era o primeiro de junho de 1304; tinha 64 anos de idade.

    João havia pedido que o sepultassem na Igreja de São Francisco, mas num primeiro tempo não se cumpriu sua vontade: teve solenes funerais e foi sepultado num cemitério franciscano, no claustro do convento. Deus glorificou rapidamente a seu fiel servidor. Tantas foram as graças que se diziam obtidas por sua intercessão, tantas eram as visitas a seu túmulo que os irmãos exumaram seus restos e os levaram à igreja de São Francisco. Aumentando-se os prodígios, erigiu-se um altar sobre seu túmulo, onde se celebraram missas em sua honra. Seu culto continuou através dos séculos.

    Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola 

  • André Caccioli de Spello

    Bem-aventurado André Caccioli de Spello

    Sacerdote e discípulo de São Francisco, da Primeira Ordem (1194-1254). Aprovou seu culto Clemente XII no dia 25 de julho de 1738.

    André Caccioli nasceu em Spello, na Úmbria, em 1194. Logo, ele abraçou a vida eclesiástica e tornou-se padre. Em 1223, quis seguir a São Francisco e se tornou seu discípulo ao entrar na Ordem dos Frades Menores. De São Francisco imitou principalmente o espírito de pobreza, e em 3 de outubro de 1226 teve a sorte de assistir à gloriosa transição do Seráfico Pai. Em 1233, ele estava na Espanha, onde participou do capítulo de Soria e obteve com suas orações uma chuva providencial para aquela terra afetada por uma seca prolongada. O mesmo milagre fez em Spello.

    Também viveu no eremitério do Carceri em Assis, em grande penitência e austeridade. Tinha preocupação em contemplar as coisas celestiais, para as quais ele já estava próximo. As horas livres para a fraternidade ele passava numa caverna, separado do resto do mundo, dedicando-se unicamente à oração. Várias vezes ele foi favorecido com aparições celestiais e seu espírito provou de uma doçura indescritível. Um dia, Jesus apareceu para ele como uma criança, radiante com a beleza. As conversas eram agradáveis quando a campainha tocou, chamando-o para o ofício religioso das Vésperas. André, em espírito de obediência, parou a conversa para juntar a seus confrades. Terminado o ofício, ele regressou para o seu retiro e, com grande alegria, encontrou o menino Jesus, que lhe disse: “Você fez bem em obedecer: vou chamá-lo logo para mim!”. Era o feliz anúncio de sua morte que se aproximava.

    Em 1248, ele voltou ao convento de Santo André, em Spello, onde foi responsável pela direção espiritual das Clarissas. Pediu e obteve de Santa Clara a indicação para Abadessa de Spello a bem-aventurada Pacifica Guelfuccio, tia e uma das primeiras discípulas ilustres de Santa Clara. Com a ajuda e conselhos do Beato André a comunidade das Damas Pobres da Senhora Pobreza aumentou em número e fervor, renunciaram à Regra mitigada do Cardeal Ugolino para acompanhar a de São Francisco para as primeiras religiosas amantes da pobreza. Assim, o mosteiro de Spello tornou-se logo uma das casas mais florescentes da Ordem.

    Em Spello, André esperou sereno o convite para voltar à pátria celeste. Cheio de méritos e glorioso por seu ardente apostolado no meio das pessoas do povo, pela pregação de muitos anos, recebeu com edificante piedade os últimos sacramentos, e dormia placidamente no Senhor em 3 de junho de 1254, aos 60 anos idade. As antigas crônicas franciscanas o chamam de máximo pregador e taumaturgo, recordam a sua caridade e obediência exemplares. Foi eleito copadroeiro da cidade em 1360.

    Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola

  • Pacífico de Cerano

    Bem-aventurado Pacífico de Cerano

    Sacerdote da Primeira Ordem (1424-1482). Aprovou seu culto Bento XIV no dia 7 de julho de 1745

    Pacífico Ramati nasceu no ano de 1424 em Cerano, na cidade de Novara, Itália. Muito cedo ficou órfão dos pais, sendo educado e formado pelo Superior dos beneditinos do Mosteiro de São Lorenzo de Novara.

    Após a morte do seu benfeitor beneditino, ele decidiu seguir a vida religiosa, mas preferiu ingressar para a Ordem dos Frades Menores, no convento de São Nazário, dos ilustres João Capristano e Bernardino de Siena, hoje ambos santos da Igreja. Em 1444, com vinte e um anos de idade e no ano da morte de São Bernardino, tomou o hábito franciscano. Em seguida foi enviado para completar os estudos à Universidade de Sorbonne, em Paris, regressando para a Itália com o título de Doutor.

    Desde então, dedicou-se à pregação e percorreu inúmeras regiões da Itália entre os anos de 1445 e 1471, com tal êxito que era considerado “um novo São Bernardino”. O seu apostolado era combater a ignorância religiosa, tanto entre os leigos como no meio do clero, especialmente em relação ao Sacramento da Penitência. E não se contentou apenas com as pregações verbais. Escreveu com competência e clareza a “Suma Pacífica da Consciência”, publicada em 1474 na linguagem popular, para que todos tivessem acesso, fato raro e uma ousadia para a época.

    Pacífico amava a sua cidade natal, visitando-a sempre que podia, por isto mandou construir uma igreja em homenagem à Virgem para aumentar a devoção à Mãe de Deus. Entretanto, a sua principal ocupação foi com a pregação do Evangelho através de uma retórica veemente e clara, na qual se tornou famoso.

    Este foi um período de maravilhosa florescência, para a Ordem franciscana com os conventos se multiplicando, não somente na península italiana, mas também nas ilhas da Sicília e Sardenha. Como visitador e comissário geral da Ordem, Pacífico teve a tarefa de peregrinar por todos eles, como pregador da paz e do Evangelho de Cristo. Em 1471, o Papa Xisto IV o enviou em missão à Sardenha e depois, outra vez em 1480, durante a invasão dos árabes muçulmanos, a fim de organizar uma Cruzada especial para expulsá-los.

    Nesta ocasião, Pacífico sentiu que não tinha muito tempo de vida. De fato, logo no início da Cruzada caiu gravemente enfermo. Não resistindo, morreu, aos 58 anos, no dia 4 de junho de 1482, em Sassari, na Sardenha, longe de sua querida cidade natal. Porém, foi sepultado na igreja franciscana de Cerano, atendendo o desejo que expressara em vida.

    O Papa Bento XIV, o beatificou em 1746, indicando o dia 8 de junho para sua festa litúrgica. Beato Pacífico de Cerano é considerado pelos teólogos “insigne por sua doutrina e santidade, consolo e protetor de sua pátria”.

    Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola .

  • Zeferino Gimenez Malla

    Bem-aventurado Zeferino Gimenez Malla

    (1861-1936). Mártir da Terceira Ordem Franciscana. Beatificado por São João Paulo II no dia 4 de maio de 1997

    Zeferino Gimenez Malla nasceu na Catalunha, Espanha, aos 26 de agosto de 1861. Descendia do povo cigano daquela localidade, que chamava o menino de “El Pelé”. A família vivia na pobreza, que se intensificou quando o pai a abandonou, para ficar com outra mulher. Por isso, Zeferino não pôde ir à escola, precisou ajudar no sustento da casa, confeccionando e vendendo cestas de vime. Quando completou vinte anos, se transferiu para Barbastro e ali se casou com Teresa Gimenez Castro, ao modo cigano, sem rito religioso. O casal não pôde ter filhos, então resolveu adotar Pepita, uma sobrinha de Teresa.

    Zeferino não tinha uma profissão fixa, era habilidoso com cavalos e mulas, mas se tornou um comerciante autônomo depois de um episódio que encantou toda Barbastro. Um homem tuberculoso, vertendo sangue contaminado pela boca, estava agonizando na estrada. Todos tinham receio de ajuda-lo, afinal, a tuberculose era extremamente contagiosa. Porém, isto não intimidou Zeferino que o ajudou prontamente, abrigando-o em sua casa, tratou de sua doença. Quis o destino que a família daquele homem fosse uma das mais poderosas do local, que gratificou muito bem Zeferino pela sua boa ação. Com este dinheiro ele iniciou um pequeno negócio que rapidamente prosperou.

    Ele acabou enriquecendo, mas, mesmo assim, continuou praticando sua caridade. Com o sangue nômade nas veias, passou a pregar pelas estradas, munido do Rosário. Socorria aos mais pobres, especialmente os ciganos, seus irmãos de sangue. Porém, para ele todos eram o “próximo”, tornando-se a razão de sua existência e de seu trabalho caridoso.

    Cristão, devoto da Virgem Maria e da Eucaristia, frequentava a Santa Missa todos os dias, na qual fazia questão de receber a comunhão. Zeferino oficializou seu casamento pelo rito católico, em 1912. Nesta ocasião passou a frequentar a “Quarta-feira Eucarística”, da Ordem Terceira de São Francisco. Quando então todos os religiosos reconheceram naquele comunicativo cigano um grande modelo de virtude e santidade. Empenhou-se com grande generosidade nas Conferências de São Vicente de Paulo, porque desejava tornar sua caridade mais eficiente. Mesmo sendo analfabeto, também se dedicava à catequese das crianças, ciganas ou não. Era muito querido por elas, pois, conhecendo muitas passagens da Bíblia ele as contava com especial inspiração.

    Em 1936 explodiu a guerra civil espanhola. No dia 02 de agosto deste ano, Zeferino foi preso ao tentar libertar um padre que era prisioneiro de um grupo anarquista. Tinha então setenta e cinco anos de idade. Mesmo sob a mira das armas, Zeferino protestou de cabeça erguida. Todos puderam ouvir seu último grito, brandindo o Rosário, seu companheiro, antes do fuzilamento: “Viva Cristo Rei!”.

    Por ordem dos rebeldes, todos os fuzilados foram enterrados numa cova coletiva. Dentre eles estava Zeferino, cujo corpo nunca pôde ser encontrado. Em 1997, numa bela cerimônia solene celebrada pelo Papa São João Paulo II, em Roma, na presença de milhares de ciganos cristãos do mundo todo, Zeferino Gimenez Malla foi declarado Beato. Assim, ele se tornou o primeiro cigano a ser elevado aos altares pela Igreja, cuja festa foi marcada para o dia de sua morte.

  • Lourenço de Villamagna

    Bem-aventurado Lourenço de Villamagna

    Sacerdote da Primeira Ordem (1476-1535). Aprovou seu culto Pio XI no dia 28 de fevereiro de 1923.

    O Bem-aventurado Lourenço nasceu em Villamagna, província de Chieti, filho dos nobres Silverio de Mascoli e de Pippa D´Eletto, no dia 12 de maio de 1476.

    Ingressou muito jovem no convento franciscano de Santa Maria da Graça, perto de Ortona, e depois de sua ordenação tornou-se um dos maiores pregadores da época. Distinguiu-se pela oração constante e pelo amor divino, do qual era inflamado.

    Como pregador e profundo teólogo, apresentou-se em quase todos os púlpitos importantes da Itália. Costumava flagelar-se severamente antes de fazer os seus sermões, que eram tão arrebatadores, que muitas vezes ele e toda a assistência desfaziam-se em lágrimas.

    Caminhava sempre a pé e descalço em suas longas viagens por todas as partes da Itália. Um dia, enquanto pregava, inspirado pelo Senhor, exclamou com espírito profético: “Dentro de quinze dias estarei na eternidade, eu em primeiro lugar e depois me seguirão outros de vocês”. Efetivamente depois de alguns dias, foi cometido de fortes dores por causa de uma gota que obrigou a suspender as suas pregações e ficar em repouso. Purificado pela dor, que suportou pacificamente, morreu em Ortona, aos 6 de junho de 1535, aos 59 anos. Seu corpo, depois de alguns anos, foi encontrado incorrupto. Em 1829 foi colocado sob o altar da igreja franciscana de Santa Maria da Graça.

    Parece que não se conhece muita coisa a respeito de Lourenço de VilJamagna. “A Vita del Beato Lorenzo da Villamagna”, escrita pelo padre Giacinto d’Agostino (1923), contém extraordinariamente muito pouco com relação aos fatos históricos. Vejam-se também Mazzara, Leggendario Francescano (1676), vol. r, p. 679; Acta Ordinis Fratrum Minorum, 1906, p. 127-130; 1924, p. 21-24; e o decreto da contirmatio cultus [confirmação do culto] em Acta Apostolicae Sedis, vol. XV (1923), p. 170-173. 

  • Diego Oddi

    Bem-aventurado Diego Oddi

    Religioso da Primeira Ordem (1839-1919). Beatificado por São João Paulo II no dia 3 de outubro de 1999 (festa no dia 6 de junho)

    Diego Oddi nasceu em Vallinfreda (Roma) a 6 de junho de 1839, no seio de uma família pobre e muito religiosa. Durante uma peregrinação ao Retiro de São Francisco, em Bellegra, ficou impressionado com o lugar e a vida santa que levavam os frades que ali viviam. Alguns anos mais tarde, lembrando-se sempre da experiência vivida naquela visita ao convento franciscano, o jovem Diego retornou àquele lugar para pedir conselho a Frei Mariano, famoso religioso naquela época e hoje também beatificado. As palavras simples desse humilde porteiro do convento impressionaram- no a tal ponto, que Diego resolveu pensar a sério na sua vocação e aumentou o tempo de oração, entregando-se aos desígnios de Deus.

    Entrou no Retiro de Bellegra em 1871, superando a resistência dos seus pais. Foi acolhido como simples «terceiro oblato» e, em 1889, pronunciou os votos solenes. Durante quarenta anos percorreu os caminhos de Subiaco, pedindo esmola. Analfabeto, mas arguto e com facilidade de dialogar, surpreendia a todos com as suas palavras, brotadas de um coração habituado a pronunciá-las nos colóquios com Deus. Quando o sino indicava o silêncio da noite, Diego permanecia na capela a falar com o Senhor, e esse colóquio prolongava-se durante toda a noite, sabendo haurir desse momento de graça a sabedoria da fé e a força para a fidelidade ao espírito franciscano.

    A sua vida foi feita com nada de extraordinário, e por isso esta simplicidade, unida à austeridade e penitência, produzia grandes frutos de aperfeiçoamento cristão em quantos se encontravam com ele.

    Morreu a 3 de Junho de 1919, tendo consagrado totalmente a vida a Deus, pondo em prática a vontade dos superiores e sabendo interpretar os eventos quotidianos como sinais daquilo que Deus lhe pedia.

    O Papa São João Paulo II, quando beatificou também o Beato Mariano de Roccacasale, disse sobre este franciscano: “A mesma espiritualidade franciscana, centrada numa vida evangelicamente pobre e simples, distingue Frei Diego Oddi, que hoje contemplamos no coro dos Beatos. Na escola de São Francisco, ele aprendeu que nada pertence ao homem a não ser os vícios e os pecados e que tudo o que a pessoa humana possui, na realidade é dom de Deus” (cf. Regra não selada XVII, em Fontes Franciscanas, 48). Desta forma aprendeu a não se angustiar inutilmente, mas a expor a Deus “orações, súplicas e agradecimentos” por todas as necessidades, como escutamos do apóstolo Paulo na segunda Leitura (cf. Fl 4, 6). Durante o seu longo serviço de esmoleiro, foi autêntico anjo de paz e bem para todas as pessoas que o encontravam, sobretudo porque sabia ir ao encontro das necessidades dos mais pobres e provados. Com o seu testemunho jubiloso e sereno, com a sua fé genuína e convicta, com a sua oração e o seu incansável trabalho o Beato Diego indica as virtudes evangélicas, que são a via-mestra para alcançar a paz”.

  • Nicolás de Gésturi

    Bem-aventurado Nicolás de Gésturi

    Religioso da Primeira Ordem (1882-1958). Beatificado por São João Paulo II no dia 3 de outubro de 1999.

    Em Gésturi, cidadezinha Sardenha, Itália, com aproximadamente 1.500 habitantes, nasceu, no dia 4 de agosto de 1882, João Ângelo Salvador, filho de pais de posses modestas, mas religiosos.

    João era o quarto dentre cinco irmãos. Perdeu o pai aos cinco anos, e quando tinha treze, faleceu a mãe. Por isso, foi aceito como empregado não assalariado por um cidadão de razoáveis posses, sogro da sua irmã Rita, permanecendo aí mesmo após a morte deste seu parente. Curando-se de grave doença reumática, em março de 1911, vai a Cágliari, ao convento Santo Antônio, para ser aceito como religioso capuchinho.

    Traz a recomendação do seu pároco, Pe. Vicente Albana, em que diz ter se entristecido com a partida do jovem de sua paróquia onde sempre fora de edificação para todos, não só pela sua piedade, mas também pela sua vida ilibada e pela austeridade de seus costumes. Veste o hábito capuchinho no dia 30 de outubro de 1913 e troca seu nome de batismo pelo de religioso, Nicolau de Gésturi, nome pelo qual será definitivamente conhecido na ilha de Sardenha, iniciando assim o seu noviciado.

    Depois de oito meses, foi transferido para Sanluri, onde continuou o noviciado. Emitiu sua primeira profissão no dia 1º de novembro de 1914, confirmando sua consagração total a Deus no dia 16 de fevereiro de 1919 com a profissão perpétua. O primeiro trabalho como recém-professo é na cozinha do convento de Sassari, na Sardenha.

    Embora tentasse exercer com capricho seu encargo, não conseguia agradar a muitos. Foi transferido para Oristano, depois para Sanluri onde fizera o segundo momento do seu noviciado. Por fim, os superiores o enviaram para a capital da Sardenha, que será definitivamente o seu lugar, onde viverá a humildade e a obediência.

    Ali ele irá esmolar, batendo às portas, para o sustento dos freis que trabalhavam na pregação, ou atendiam outras urgências apostólicas. Frei Nicolau assumiu, como referência para sua vida e serviço fraterno de esmoleiro, a Santo Inácio de Láconi que vivera justamente naquele mesmo convento uns 150 anos antes.

    Ao longo de 34 anos, como testemunha silencioso, percorre as estradas a pé, sobe e desce pelas ruelas dos bairros de Castelo e Vilanuova, vai às vilas vizinhas de Campidano, para depois percorrer em todos os sentidos as ruas de Cágliari. Para de caminhar apenas quando encontra pela frente a irmã morte corporal, às 0h15m de 8 de junho de 1958. Foi beatificado por São João Paulo II aos 3 de outubro de 1999.

  • São Cornélio Wican

    Religioso e mártir em Gorcum, da Primeira Ordem (+ 1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867.

    Cornélio Wican nasceu em Dorestt, não muito longe de Utrecht. Quando jovem ele entrou para a Ordem dos Frades Menores como irmão leigo. Depois do noviciado e profissão religiosa se colocou à disposição da comunidade para os serviços mais humildes do convento.

    Sempre se distinguiu pela sua simplicidade e pronta obediência. Os confrades viram nele um retrato dos primeiros seguidores do Seráfico Pai, os doze discípulos, os cavaleiros da távola redonda. Várias histórias de sua vida são dignas de serem inseridas no livro “Fioretti” de São Francisco.

    Uma vez, quando morava no convento de pai Bois-le-Duc o guardião do convento ordenou que fosse imediatamente ao convento de Utrecht. O irmão piedoso curvou a cabeça em sinal de obediência e partiu. Ao chegar ali, o superior de Utrecht perguntou a ele o motivo da sua viagem. Frei Cornélio humildemente respondeu que o superior ordenou e ele obedeceu. Em seguida, o guardião de Utrecht, para colocar à prova ainda mais a obediência heroica do irmão virtuoso, mandou novamente, por santa obediência, retornar a Bois-le-Duc e pedir ao seu guardião quais eram as razões para a sua viagem e depois voltar a Utrecht. O irmão heroico desempenhou o seu mandato de forma diligente e célere, dando provas de uma obediência realmente admirável.

    Outro fato digno de nota, que projeta muita luz sobre o nosso mártir, é a resposta que deu no dia de seu martírio, ao feroz Lunay, que queria confundi-lo e fazê-lo renunciar à sua fé. Resolutamente respondeu: “Eu acredito e professo, e todo aquele que crê e professa, como ensinou o guardião. Por essa fé em Jesus Cristo, na Igreja e no Pontífice romano estou pronto para dar o meu sangue”.

    Simples e sublime profissão de fé, que garantiu a graça do martírio e glória eterna dos santos.

    Em junho 1572, os calvinistas tomaram a cidade de Gorcum, prenderam os Frades Menores do convento, expondo-os ao ridículo da população. Eles foram levados prisioneiros a Brielle, torturando-os de mil maneiras, para renunciassem à fé católica na Eucaristia e do primado do Romano Pontífice. Mas eles permaneceram firmes na fé. Em 9 de julho de 1572 os onze franciscanos, felizes, enfrentaram a morte para testemunhar a presença dupla de Cristo na terra: a sua presença invisível no sacramento do altar e visível na pessoa de seu Vigário, o Papa. Sofreram o martírio no cadafalso.

  • São Pedro de Assche

    Religioso e mártir em Gorcum, da Primeira Ordem (1530-1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867.

    Pedro nasceu em 1530 em Assche, pequena cidade da Bélgica, no território de Bruxelas. Quando jovem pediu e obteve autorização para ingressar na Ordem dos Frades Menores como irmão leigo. Sempre viveu em Gorcum, onde a fadiga diária dos trabalhos que encomendavam os superiores, unia com singular amor a oração, o silêncio e a penitência.

    Ele sofreu o martírio quando tinha 42 anos.

    Os Mártires Gorcumienses (ou mártires de Gorcum) foram um grupo de dezenove religiosos católicos mortos em 1572 na cidade holandesa de Gorcum.

    Em 1572, durante a guerra dos oitenta anos que os rebeldes holandeses mantinham contra a Espanha para realizar sua independência, a iconoclasia se estendia pelas dezessete Províncias dos Países Baixos; a luta entre luteranos e calvinistas mantinha o país em um estado de intransigência com a liberdade de culto religioso. Em abril de 1572, os mendigos do mar, corsários holandeses de confissão calvinista, tomaram Brielle, Flandres e outras cidades da zona, até então em poder da coroa espanhola. Em junho, Dordrecht e Gorcum caíram também em suas mãos.

    Nesta última cidade prenderam vários religiosos: Nicolás Pieck, franciscano; Jerónimo de Weert, vigário; Teodoro de Eem, de Amersfoort; Nicasio Janssen, de Heeze; Willehald da Dinamarca; Godofredo de Melveren; Antônio de Weer; Antônio de Hoornaert; Francisco van Rooy; Padre Guillermo; Pedro de Assche; Cornelio de Wyk de Duurnstende; Fray Enrique; João de Oisterwljk, agustinho; Pontus van Huyter, administrador da comunidade.

    A estes quinze se aderiram mais tarde outros quatro: João de Hoornaer, chamado João de Colônia, dominicano; Jacobo Lacops de Oudenaar, norbertino; Adriano Janssen de Hilvarenbeek e Andreas Wouters de Heynoord.

    Após serem torturados na prisão de Gorcum entre 26 de junho e 6 de julho foram trasladados a Brielle. No dia seguinte, Guilherme II de la Marck, líder dos mendigos do mar, ordenou o interrogatório do grupo.

    Foram instigados a abandonar a fé católica e a retirar sua obediência ao Papa, ao que eles se recusaram; só Pontus van Huyter e Andreas Wouters aceitaram, liberando-se assim da morte; Guilherme de Orange enviou uma carta em que pedia às autoridades competentes liberar os religiosos, mas a mesma chegou depois que tinham sido torturados e executados no dia 9 de julho de 1572.

    Foram beatificados pelo papa Clemente X em 1673 e canonizados por Pio IX em 29 de junho de 1865. Sua festividade se celebra em 9 de julho, data da morte do grupo.

    Sua história foi reconhecida por Guillermo Hessels van Esten em sua “Historia Martyrum Gorcomiensium”, publicada en Douai en 1603.

  • Guido de Cortona

    Bem-aventurado Guido de Cortona

    Sacerdote da Primeira Ordem (1190-1250). Seu culto e missa foram concedidos por Gregório XIII em 1583

    Nascido em Cortona em torno de 1187, talvez da família nobre dos Vagnotelli, durante o tempo da juventude pôde estudar, adquirindo boa cultura o que lhe facilitou mais tarde o acesso ao sacerdócio. Não possuímos muitas informações a respeito de sua vida, mas é certo que, como diz Wadding, Guido foi recebido na Ordem pelo próprio São Francisco em 1211. Pelo santo fundador, o piedoso jovem, que já se exercitara na oração e na ajuda aos pobres, foi aconselhado a distribuir todos os seus bens aos pobres e deixar o mundo. Assim recebeu o hábito da pobreza na igreja de Santa Maria de Cortona.

    Viveu boa parte de sua vida em eremitério não muito distante da cidade cultivando mais intensamente a vida de piedade e de mortificação. Naquele lugar foi construído um conventinho conhecido como “Le Celle” (foto acima) , um dos primeiros da Ordem Franciscana.

    Uma vez ordenado sacerdote, passou algum tempo em Assis com Francisco, do qual obteve a licença de entregar-se à pregação. Este ministério executou com muito zelo e produziu abundantes frutos. Foi também contemplado com o dom dos milagres. Por tudo isso, já em vida, Guido gozou de grande fama de santidade, sobretudo depois que Francisco passou por Cortona, elogiou seu confrade e pediu que os habitantes da cidade se confiassem à sua oração.

    Por esta razão, depois de sua morte, acontecida a 12 de junho de 1247, em torno de seu sepulcro floresceram graças e milagres favorecendo a todos os que buscavam sua intercessão.

    Seus despojos, conservados íntegros, em 1258 por causa da invasão aretina sofrida pela cidade foram levados para Santa Maria de Cortona e colocados num digno sarcófago romano. Nunca se soube com certeza o que aconteceu com este sarcófago.

    Gregório XIII, em 1583, confirmou o culto ao bem-aventurado Guido somente para a cidade de Cortona. Inocêncio XII o estendeu a toda a Ordem Franciscana. Guido foi lembrado por Pio XII em 1947 por ocasião do VII centenário de sua morte.

    (Tradução livre e adaptada da obra Frati Minori Santi e Beati, publicação pela Postulação Geral da Ordem dos Frades Menores, 2009, p. 49-50)

  • Bem-aventurada Yolanda

    Duquesa da Polônia. Viúva, religiosa da Segunda Ordem (1235-1298). Aprovou seu culto Leão XII no dia 26 de setembro de 1827.

    Iolanda, ou Helena, como foi chamada depois pelos súditos poloneses, nasceu no ano de 1235, era filha de Bela IV, rei da Hungria, que era terceiro franciscano, e irmã da bem-aventurada Cunegundes. Além disso, era sobrinha de Santa Isabel da Hungria, também da Ordem Terceira. Aliás, a tradição franciscana acompanhou a linhagem desde seus primórdios, pois a família descendia de Santa Edwiges, Santo Estêvão e São Ladislau.

    Porém é claro que Iolanda não se tornou Santa só porque vinha de toda esta tradição extremamente católica e repleta de Santos. Não basta ter o caminho da fé apontado para se entrar nele. É preciso que todo o ser o aceite e o corpo se disponha a caminhar por uma trilha de entrega total e muito árdua, como ela o fez.

    Iolanda foi educada desde muito pequena pela irmã, Cunegundes, que se casara então com um dos reis mais virtuosos da Polônia, Boleslau, “o Casto”. Por tradição familiar e social da época, Iolanda deveria também se casar com alguém da terra e, anos depois, escolheu outro Boleslau, o Duque de Kalisz, conhecido como “o Pio”. Foi uma época de muita alegria para o povo polonês, que viu nas duas estrangeiras, pessoas profundamente bondosas, cristãs, justas e caridosas. Pena que tenha sido uma época não muito longa, pois alguns anos depois o quarteto foi desmanchado pela fatalidade.

    Primeiro morreu o rei, ficando Cunegundes viúva. Logo o mesmo aconteceu com Iolanda. Ela já tinha então três filhas, das quais duas se casaram e uma terceira retirou-se para o convento das clarissas de Sandeck, onde já se encontrava Cunegundes. As duas logo seriam seguidas por Iolanda.

    Muitos anos se passaram e as três damas cristãs continuavam naquele lugar, fazendo do silêncio do claustro o terreno para um fecundo período de meditação e oração. Quando morreu Cunegundes, em 1292, Iolanda deixou aquele mosteiro e foi mais para o ocidente, ao convento das clarissas de Gniezno, fundado por seu marido. Ali terminou seus dias como superiora, no dia 14 de junho de 1298.

    Amada pela população, seu culto ganhou força entre os fiéis do Leste Europeu e se difundiu por todo o mundo católico, ao longo dos tempos. Seu túmulo tornou-se meta de romeiros, pelos milagres e graças atribuídos à sua intercessão. Em 1827, o Papa Urbano VIII autorizou a beatificação e marcou a festa litúrgica para o dia do seu trânsito.

  • Santo Antônio de Pádua e Lisboa

    Sacerdote, doutor Evangélico da Primeira Ordem (1191-1231). Canonizado por Gregório IX no dia 30 de maio de 1232

    Antônio de Pádua ou – como também é conhecido – de Lisboa, referindo-se à sua cidade natal. Trata-se de um dos santos mais populares de toda a Igreja Católica, venerado não somente em Pádua, onde se erigiu uma esplêndida basílica que recolhe seus restos mortais, mas no mundo inteiro. São queridas dos fiéis as imagens e estátuas que o representam com o lírio, símbolo da sua pureza, ou com o Menino Jesus nos braços, lembrando uma aparição milagrosa mencionada por algumas fontes literárias.

    Antônio contribuiu de maneira significativa para o desenvolvimento da espiritualidade franciscana, com seus fortes traços de inteligência, equilíbrio, zelo apostólico e, principalmente, fervor místico.

    Ele nasceu em Lisboa de uma família nobre, por volta de 1195, e foi batizado com o nome de Fernando. Começou a fazer parte dos cônegos que seguiam a regra monástica de Santo Agostinho, primeiro no mosteiro de São Vicente, em Lisboa, e depois no da Santa Cruz, em Coimbra, renomado centro cultural de Portugal. Dedicou-se com interesse e solicitude ao estudo da Bíblia e dos Padres da Igreja, adquirindo aquela ciência teológica que o fez frutificar nas atividades de ensino e na pregação.

    Em Coimbra, aconteceu um fato que marcou uma mudança decisiva em sua vida: em 1220, foram expostas as relíquias dos primeiros cinco missionários franciscanos que haviam se dirigido a Marrocos, onde encontraram o martírio. Este acontecimento fez nascer no jovem Fernando o desejo de imitá-los e de avançar no caminho da perfeição cristã: então ele pediu para deixar os cônegos agostinianos e converter-se em frade menor. Sua petição foi acolhida e, tomando o nome de Antônio, também ele partiu para Marrocos, mas a Providência divina dispôs outra coisa.

    Por causa de uma doença, ele se viu obrigado a voltar à Itália e, em 1221, participou do famoso “Capítulo das Esteiras” em Assis, onde também encontrou São Francisco. Depois disso, viveu por algum tempo escondido totalmente em um convento perto de Forlì, no norte da Itália, onde o Senhor o chamou para outra missão. Convidado, por circunstâncias totalmente casuais, a pregar por ocasião da uma ordenação sacerdotal, Antônio mostrou estar dotado de tal ciência e eloquência, que os superiores o destinaram à pregação. Ele começou assim, na Itália e na França, uma atividade apostólica tão intensa e eficaz, que levou muitas pessoas que haviam se separado da Igreja a voltar atrás. Esteve também entre os primeiros professores de teologia dos Frades menores, talvez inclusive o primeiro. Começou a lecionar em Bolonha, com a bênção de Francisco, o qual, reconhecendo as virtudes de Antônio, enviou-lhe uma breve carta com estas palavras: “Eu gostaria que você lecionasse teologia aos frades”. Antônio colocou as bases da teologia franciscana que, cultivada por outras insignes figuras de pensadores, teria conhecido seu zênite com São Boaventura de Bagnoregio e o beato Duns Scotus.

    Nomeado como superior provincial dos Frades Menores da Itália Setentrional, continuou com o ministério da pregação, alternando-o com as tarefas de governo. Concluído o mandato de provincial, retirou-se perto de Pádua, onde já havia estado outras vezes. Depois de apenas um ano, morreu nas portas da Cidade, no dia 13 de junho de 1231. Pádua, que o havia acolhido com afeto e veneração em vida, prestou-lhe sempre honra e devoção. O próprio Papa Gregório IX – que, depois de tê-lo escutado pregar, definiu-o como “Arca do Testamento” – canonizou-o em 1232, também a partir dos milagres ocorridos por sua intercessão.

    No último período da sua vida, Antônio escreveu dois ciclos de “Sermões”, intitulados, respectivamente, “Sermões dominicais” e “Sermões sobre os santos”, destinados aos pregadores e professores de estudos teológicos da ordem franciscana. Neles, comentou os textos da Sagrada Escritura apresentados pela liturgia, utilizando a interpretação patrístico-medieval dos quatro sentidos: o literal ou histórico, o alegórico ou cristológico, o tropológico ou moral e o analógico, que orienta à vida eterna. Trata-se de textos teológicos-homiléticos, que recolhem a pregação viva, na qual Antônio propõe um verdadeiro e próprio itinerário de vida cristã. É tanta a riqueza de ensinamentos espirituais contida nos “Sermões”, que o venerável Papa Pio XII, em 1946, proclamou Antônio como Doutor da Igreja, atribuindo-lhe o título de “Doutor Evangélico”, porque destes escritos surge a frescura e beleza do Evangelho; ainda hoje podemos lê-los com grande proveito espiritual.

    Nos “Sermões”, ele fala da oração como uma relação de amor, que conduz o homem a conversar docemente com o Senhor, criando uma alegria inefável, que envolve suavemente a alma em oração. Antônio nos recorda que a oração precisa de uma atmosfera de silêncio, que não coincide com o afastamento do barulho externo, mas é experiência interior, que procura evitar as distrações provocadas pelas preocupações da alma. Segundo o ensinamento deste insigne Doutor franciscano, a oração se compõe de quatro atitudes indispensáveis que, no latim de Antônio, definem-se como: obsecratio, oratio, postulatio, gratiarum actio. Poderíamos traduzi-las assim: abrir com confiança o próprio coração a Deus, conversar afetuosamente com Ele, apresentar-lhe as próprias necessidades, louvá-lo e agradecer-lhe.

    Neste ensinamento de Santo Antônio sobre a oração, conhecemos um dos traços específicos da teologia franciscana, da qual ele foi o iniciador, isto é, o papel designado ao amor divino, que entra na esfera dos afetos, da vontade, do coração, e que é também a fonte de onde brota um conhecimento espiritual que ultrapassa todo conhecimento. Antônio escreve: “A caridade é a alma da fé, é o que a torna viva; sem o amor, a fé morre” (Sermões Dominicais e Festivos II).

    Só uma alma que reza pode realizar progressos na vida espiritual: este foi o objeto privilegiado da pregação de Santo Antônio. Ele conhecia bem os defeitos da natureza humana, a tendência a cair no pecado; por isso, exortava continuamente a combater a inclinação à cobiça, ao orgulho, à impureza e a praticar as virtudes da pobreza e da generosidade, da humildade e da obediência, da castidade e da pureza.

    No começo do século XIII, no contexto do renascimento das cidades e do florescimento do comércio, crescia o número de pessoas insensíveis às necessidades dos pobres. Por este motivo, Antônio convidou os fiéis muitas vezes a pensar na verdadeira riqueza, a do coração, que, tornando-os bons e misericordiosos, leva-os a acumular tesouros para o céu. “Ó ricos – exorta – tornai-vos amigos (…); os pobres, acolhei-os em vossas casas: serão depois eles que os acolherão nos eternos tabernáculos, onde está a beleza da paz, a confiança da segurança e a opulenta quietude da saciedade eterna” (Ibid.).

    Antônio, na escola de Francisco, sempre coloca Cristo no centro da vida e do pensamento, da ação e da pregação. Este é outro traço típico da teologia franciscana: o cristocentrismo. Alegremente, ela contempla e convida a contemplar os mistérios da humanidade do Senhor, particularmente o do Natal, que suscitam sentimentos de amor e gratidão pela bondade divina.

    Também a visão do Crucificado lhe inspira pensamentos de reconhecimento a Deus e de estima pela dignidade da pessoa humana, de forma que todos, crentes e não crentes, possam encontrar um significado que enriquece a vida. Antônio escreve: “Cristo, que é a tua vida, está pregado diante de ti, porque tu vês a cruz como em um espelho. Nela poderás conhecer quão mortais foram tuas feridas, que nenhum remédio teria podido curar, a não ser o sangue do Filho de Deus. Se olhas bem, poderás perceber quão grandes são tua dignidade e teu valor (…). Em nenhum outro lugar o homem pode perceber melhor o quanto vale, a não ser no espelho da cruz” (Sermões Dominicais e Festivos III).

    Que Antônio de Pádua, tão venerado pelos fiéis, interceda pela Igreja inteira, sobretudo por aqueles que se dedicam à pregação. Que estes, inspirando-se em seu exemplo, procurem unir a doutrina sã e sólida, a piedade sincera e fervorosa e a incisividade da comunicação.

    Fonte: Catequese do Papa Bento XVI

  • São Francisco de Bruxelas

    Sacerdote e mártir de Gorcum, da Primeira Ordem (1548-1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867.

    Francisco Rhodes nasceu em 1548 em Bruxelas, capital da Bélgica. Muito jovem entrou para a Ordem dos Frades Menores. Depois do noviciado, e da profissão realizou seus estudos filosóficos, literários e teológicos e foi ordenado sacerdote depois de uma intensa preparação espiritual. Apenas ordenado Ministro do Senhor, associou-se ao seu confrade Santo Antônio Hoornaert para evangelizar a população rural. Havia muita esperança no futuro desses jovens, quando começou a perseguição calvinista em Gorcum.

    São Francisco Rhodes tinha apenas 24 anos quando sofreu o martírio junto com os seus confrades.

    Os Mártires Gorcumienses (ou mártires de Gorcum) foram um grupo de dezenove religiosos católicos mortos em 1572 na cidade holandesa de Gorcum.

    Em 1572, durante a guerra dos oitenta anos que os rebeldes holandeses mantinham contra a Espanha para realizar sua independência, a iconoclasia se estendia pelas dezessete Províncias dos Países Baixos; a luta entre luteranos e calvinistas mantinha o país em um estado de intransigência com a liberdade de culto religioso. Em abril de 1572, os mendigos do mar, corsários holandeses de confissão calvinista, tomaram Brielle, Flandres e outras cidades da zona, até então em poder da coroa espanhola. Em junho, Dordrecht e Gorcum caíram também em suas mãos.

    Nesta última cidade prenderam vários religiosos: Nicolás Pieck, franciscano; Jerónimo de Weert, vigário; Teodoro de Eem, de Amersfoort; Nicasio Janssen, de Heeze; Willehald da Dinamarca; Godofredo de Melveren; Antônio de Weer; Antônio de Hoornaert; Francisco van Rooy; Padre Guillermo; Pedro de Assche; Cornelio de Wyk de Duurnstende; Fray Enrique; João de Oisterwljk, agustinho; Pontus van Huyter, administrador da comunidade.

    A estes quinze se aderiram mais tarde outros quatro: João de Hoornaer, chamado João de Colônia, dominicano; Jacobo Lacops de Oudenaar, norbertino; Adriano Janssen de Hilvarenbeek e Andreas Wouters de Heynoord.

    Após serem torturados na prisão de Gorcum entre 26 de junho e 6 de julho foram trasladados a Brielle. No dia seguinte, Guilherme II de la Marck, líder dos mendigos do mar, ordenou o interrogatório do grupo.

    Foram instigados a abandonar a fé católica e a retirar sua obediência ao Papa, ao que eles se recusaram; só Pontus van Huyter e Andreas Wouters aceitaram, liberando-se assim da morte; Guilherme de Orange enviou uma carta em que pedia às autoridades competentes liberar os religiosos, mas a mesma chegou depois que tinham sido torturados e executados no dia 9 de julho de 1572.

    Foram beatificados pelo papa Clemente X em 1673 e canonizados por Pio IX em 29 de junho de 1865. Sua festividade se celebra em 9 de julho, data da morte do grupo.

    Sua história foi reconhecida por Guillermo Hessels van Esten em sua “Historia Martyrum Gorcomiensium”, publicada en Douai en 1603.

  • Santo Antônio de Hoornaert

    15Sacerdote e mártir de Gorcum, da Primeira Ordem (+ 1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867.

    Hoornaert, região do território de Gorcum, na Holanda, foi a pátria-mãe do glorioso mártir Santo Antônio. Seus pais eram muito pobres, mas ricos em virtudes, honestos e muitos apegados à fé católica.

    Recebido entre os Irmãos Menores do Convento de Gorcum, terminado o noviciado, fez a profissão, depois os estudos filosóficos e teológicos, foi ordenado sacerdote  e de imediato se dedicou à evangelização da gente no campo, percorrendo paróquias e pequenos povoados com a pregação, educação, confissão e atenção aos enfermos. Sua palavra ardente e o exemplo de uma vida autenticamente franciscana contribuíram para preservar muitas famílias dos erros calvinistas.

    Sofreu o martírio no dia 9 de julho de 1572.

    Os Mártires Gorcumienses (ou mártires de Gorcum) foram um grupo de dezenove religiosos católicos mortos em 1572 na cidade holandesa de Gorcum.

    Em 1572, durante a guerra dos oitenta anos que os rebeldes holandeses mantinham contra a Espanha para realizar sua independência, a iconoclasia se estendia pelas dezessete Províncias dos Países Baixos; a luta entre luteranos e calvinistas mantinha o país em um estado de intransigência com a liberdade de culto religioso. Em abril de 1572, os mendigos do mar, corsários holandeses de confissão calvinista, tomaram Brielle, Flandres e outras cidades da zona, até então em poder da coroa espanhola. Em junho, Dordrecht e Gorcum caíram também em suas mãos.

    Nesta última cidade prenderam vários religiosos: Nicolás Pieck, franciscano; Jerónimo de Weert, vigário; Teodoro de Eem, de Amersfoort; Nicasio Janssen, de Heeze; Willehald da Dinamarca; Godofredo de Melveren; Antônio de Weer; Antônio de Hoornaert; Francisco van Rooy; Padre Guillermo; Pedro de Assche; Cornelio de Wyk de Duurnstende; Fray Enrique; João de Oisterwljk, Agustinho; Pontus van Huyter, administrador da comunidade.

    A estes quinze se aderiram mais tarde outros quatro: João de Hoornaer, chamado João de Colônia, dominicano; Jacobo Lacops de Oudenaar, norbertino; Adriano Janssen de Hilvarenbeek e Andreas Wouters de Heynoord.

    Após serem torturados na prisão de Gorcum entre 26 de junho e 6 de julho foram trasladados a Brielle. No dia seguinte, Guilherme II de la Marck, líder dos mendigos do mar, ordenou o interrogatório do grupo.

    Foram instigados a abandonar a fé católica e a retirar sua obediência ao Papa, ao que eles se recusaram; só Pontus van Huyter e Andreas Wouters aceitaram, liberando-se assim da morte; Guilherme de Orange enviou uma carta em que pedia às autoridades competentes liberar os religiosos, mas a mesma chegou depois que tinham sido torturados e executados no dia 9 de julho de 1572.

    Foram beatificados pelo papa Clemente X em 1673 e canonizados por Pio IX em 29 de junho de 1865. Sua festividade se celebra em 9 de julho, data da morte do grupo.

    Sua história foi reconhecida por Guillermo Hessels van Esten em sua “Historia Martyrum Gorcomiensium”, publicada en Douai en 1603

  • Santo Antônio de Werten

    Sacerdote e mártir em Gorcum, da Primeira Ordem (1522-1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867.

    Antônio nasceu em 1522 na pequena cidade de Werten, na região de Horn, na Holanda setentrional, de família católica. Dotado de um coração generoso, de caráter extrovertido, de espírito franco e magnânimo, pediu e obteve admissão à Ordem dos Frades Menores. Depois do noviciado, fez a profissão solene e os estudos filosóficos e teológicos, foi ordenado sacerdote. Foi um grande pregador e em um de seus últimos discursos pronunciou estas solenes palavras: “Irmãos meus, perseverem na oração junto com Maria, a Mãe de Jesus. Amem a Igreja una, santa, católica, apostólica, romana, que nunca teve tanta necessidade de orações de seus filhos como hoje. Vigiem e permaneçam firmes na fé. A perseguição se avizinha e arruinará e desolará nossos campos”. Foi um verdadeira profeta.

    Antônio sofreu o martírio com seus confrades no dia 9 de julho de 1572 quando tinha 50 anos.

    Os Mártires Gorcumienses (ou mártires de Gorcum) foram um grupo de dezenove religiosos católicos mortos em 1572 na cidade holandesa de Gorcum.

    Em 1572, durante a guerra dos oitenta anos que os rebeldes holandeses mantinham contra a Espanha para realizar sua independência, a iconoclasia se estendia pelas dezessete Províncias dos Países Baixos; a luta entre luteranos e calvinistas mantinha o país em um estado de intransigência com a liberdade de culto religioso. Em abril de 1572, os mendigos do mar, corsários holandeses de confissão calvinista, tomaram Brielle, Flandres e outras cidades da zona, até então em poder da coroa espanhola. Em junho, Dordrecht e Gorcum caíram também em suas mãos.

    Nesta última cidade prenderam vários religiosos: Nicolás Pieck, franciscano; Jerónimo de Weert, vigário; Teodoro de Eem, de Amersfoort; Nicasio Janssen, de Heeze; Willehald da Dinamarca; Godofredo de Melveren; Antônio de Weer; Antônio de Hoornaert; Francisco van Rooy; Padre Guillermo; Pedro de Assche; Cornelio de Wyk de Duurnstende; Fray Enrique; João de Oisterwljk, agustinho; Pontus van Huyter, administrador da comunidade.

    A estes quinze se aderiram mais tarde outros quatro: João de Hoornaer, chamado João de Colônia, dominicano; Jacobo Lacops de Oudenaar, norbertino; Adriano Janssen de Hilvarenbeek e Andreas Wouters de Heynoord.

    Após serem torturados na prisão de Gorcum entre 26 de junho e 6 de julho foram trasladados a Brielle. No dia seguinte, Guilherme II de la Marck, líder dos mendigos do mar, ordenou o interrogatório do grupo.

    Foram instigados a abandonar a fé católica e a retirar sua obediencia ao Papa, ao que eles se recusaram; só Pontus van Huyter e Andreas Wouters aceitaram, liberando-se assim da morte; Guilherme de Orange enviou uma carta em que pedia às autoridades competentes liberar os religiosos, mas a mesma chegou depois que tinham sido torturados e executados no dia 9 de julho de 1572.

    Foram beatificados pelo papa Clemente X em 1673 e canonizados por Pio IX em 29 de junho de 1865. Sua festividade se celebra em 9 de julho, data da morte do grupo.

    Sua história foi reconhecida por Guillermo Hessels van Esten em sua “Historia Martyrum Gorcomiensium”, publicada en Douai en 1603.

  • Pedro de Gambacorta

    Bem-aventurado Pedro de Gambacorta

    Ermitão da Terceira Ordem Regular (1355-1435). Fundador da Ordem dos Girolaminis. Aprovou seu culto Inocêncio XII no dia 9 de dezembro de 1693.

    O fundador dos Eremitas ou Irmãos Pobres de São Jerônimo nasceu em Pisa, no ano de 1355, na época em que seu pai, cujo nome também lhe foi dado, governava aquela república. Aos vinte e cinco anos de idade deixou secretamente a corte, disfarçado de penitente, e se retirou para a solidão úmbria de Monte Bello, onde vestiu o hábito da Terceira Ordem de São Francisco e passou a viver de esmolas que recolhia nas aldeias mais próximas.

    Em 1380 conseguiu meios para fundar um oratório e celas para uma dezena de companheiros que se haviam juntado a ele (segundo uma tradição popular eram salteadores de estrada que ele havia convertido). Estabeleceu para a sua comunidade uma regra acrescentada de certas constituições extraídas das obras de São Jerônimo, que ele escolhera como padroeiro da nova congregação.

    Seus monges observavam quatro Quaresmas durante o ano, jejuavam às segundas, quartas e sextas-feiras, e todas as noites ficavam em oração durante duas horas depois das Matinas. Por sua parte, ele passava todo o seu tempo em oração ou em exercícios de penitência. Foram-lhe atribuídos muitos milagres.

    Quando seu pai e seus irmãos foram assassinados, em 1393, por Giacomo Appiano, ele se sentiu gravemente tentado a deixar seu retiro, para punir os autores do crime, mas venceu a tentação e, seguindo o exemplo de sua irmã, a Beata Clara Gambacorta (17 de abril), perdoou espontaneamente o assassino.

    Sua congregação, aprovada pelo papa Martinho V em 1421, logo se estabeleceu em diversas partes da Itália. O Beato Pedro sobreviveu até 1435, morrendo em Veneza aos otienta anos de idade, e foi beatificado em 1693. Durante certo tempo houve quarenta e seis casas dos Irmãos Pobres nas províncias de Ancona e Treviso.

    Pequenos grupos de eremitas e terceiros se filiaram a eles, e em 1668 o papa Clemente IX uniu à comunidade de São Jerônimo de Fiésole, que fora fundada por Carlos Montegranelli, à Ordem do Beato Pedro. Mas em 1933 seu número tinha se tornado tão pequeno, que ela foi supressa pela Santa Sé.

    Pedro morreu em Veneza no dia 17 de junho de 1435 com a idade de 80 anos.

  • São Godofredo de Merville

    Sacerdote e mártir em Gorcum, da Primeira Ordem (1512-1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867

    Godofredo nasceu em 1512 em Merville, cidade da França setentrional na margem esquerda do rio Lys. Quando ainda jovem abraçou a vida franciscana na Ordem dos Frades Menores. Fez o noviciado e cumpriu o processo formativo requerido, foi ordenado sacerdote. Exerceu o ministério sacerdotal com zelo e fervor. Foi logo enviado ao convento de Gorcum, onde dedicou sua vida ao ministério da penitência.

    Foi também sacristão e cuidou do culto divino e da devoção, sobretudo, à Eucaristia e à Virgem Maria. Outra coisa digna de observar na vida de São Godofredo era seu amor pela pintura. De seu pincel saíram numerosas imagens sacras que ele presenteava as famílias pobres.

    Sofreu o martírio em Gorcum no dia 9 de julho de 1572 quando tinha 60 anos.

    Os Mártires Gorcumienses (ou mártires de Gorcum) foram um grupo de dezenove religiosos católicos mortos em 1572 na cidade holandesa de Gorcum.

    Em 1572, durante a guerra dos oitenta anos que os rebeldes holandeses mantinham contra a Espanha para realizar sua independência, a iconoclasia se estendia pelas dezessete Províncias dos Países Baixos; a luta entre luteranos e calvinistas mantinha o país em um estado de intransigência com a liberdade de culto religioso. Em abril de 1572, os mendigos do mar, corsários holandeses de confissão calvinista, tomaram Brielle, Flandres e outras cidades da zona, até então em poder da coroa espanhola. Em junho, Dordrecht e Gorcum caíram também em suas mãos.

    Nesta última cidade prenderam vários religiosos: Nicolás Pieck, franciscano; Jerónimo de Weert, vigário; Teodoro de Eem, de Amersfoort; Nicasio Janssen, de Heeze; Willehald da Dinamarca; Godofredo de Melveren; Antônio de Weer; Antônio de Hoornaert; Francisco van Rooy; Padre Guillermo; Pedro de Assche; Cornelio de Wyk de Duurnstende; Fray Enrique; João de Oisterwljk, agustinho; Pontus van Huyter, administrador da comunidade.

    A estes quinze se aderiram mais tarde outros quatro: João de Hoornaer, chamado João de Colônia, dominicano; Jacobo Lacops de Oudenaar, norbertino; Adriano Janssen de Hilvarenbeek e Andreas Wouters de Heynoord.

    Após serem torturados na prisão de Gorcum entre 26 de junho e 6 de julho foram trasladados a Brielle. No dia seguinte, Guilherme II de la Marck, líder dos mendigos do mar, ordenou o interrogatório do grupo.

    Foram instigados a abandonar a fé católica e a retirar sua obediência ao Papa, ao que eles se recusaram; só Pontus van Huyter e Andreas Wouters aceitaram, liberando-se assim da morte; Guilherme de Orange enviou uma carta em que pedia às autoridades competentes liberar os religiosos, mas a mesma chegou depois que tinham sido torturados e executados no dia 9 de julho de 1572.

    Foram beatificados pelo papa Clemente X em 1673 e canonizados por Pio IX em 29 de junho de 1865. Sua festividade se celebra em 9 de julho, data da morte do grupo.

    Sua história foi reconhecida por Guillermo Hessels van Esten em sua “Historia Martyrum Gorcomiensium”, publicada en Douai en 1603.

  • Miquelina de Pesaro

    Bem-aventurada Miquelina de Pesaro

    Viúva da Terceira Ordem (1300-1356). Aprovou seu culto Clemente XII no dia 24 de abril de 1737.

    A cidade de Pesaro, na costa oriental da Itália, consagra uma devoção especial a esta viúva santa que foi um de seus membros. Nascida de pais ricos e ilustres, Miquelina Metellí se casou aos doze anos de idade com um membro da família Malatesta de Rimini. A união foi feliz, mas quando a morte de seu marido a deixou viúva aos vinte anos, com um único filho pequeno, parece que ela de modo nenhum ficou desolada. Sempre gostara dos prazeres da vida, e durante algum tempo continuou a levar a mesma vida de antes, dando pouca ou nenhuma atenção às práticas religiosas.

    Vivia em Pesara por essa época uma terceira franciscana de origem e antecedentes desconhecidos, que atendia pelo nome de Siríaca. Vivia de esmolas, passava a maior parte de seu tempo em oração, e, para se abrigar de noite, dependia da hospitalidade casual das pessoas caridosas. Miquelina, que era uma daquelas que abriam suas portas à estranha, pouco a pouco foi sendo influenciada por ela.

    Surgiu entre as duas uma familiaridade que resultou na conversão completa de Miquelina. Somente seu filho a prendia agora ao mundo, e quando ele foi vítima de certas queixas infantis, resolveu renunciar a tudo. Aconselhada por Siríaca, tomou o hábito de terceira franciscana, distribuiu seus bens aos pobres e passou a mendigar seu pão de porta em porta. Não era fácil para uma pessoa que sempre vivera no bem-estar e no conforto acostumar-se com restos de comida que ninguém mais queria. Certa vez, no início de sua nova vida, revelou a uma antiga colega que desejava muito saborear um pedaço de carne de porco assada de fresco. Ansiosa por lhe proporcionar este pequeno prazer, sua amiga convidou-a imediatamente para o jantar. Mas quando o prato com a carne foi trazido à mesa e o cheiro saboroso da iguaria lhe invadiu as narinas, Miquelina caiu repentinamente em si. Recusando-se a sentar-se à mesa, retirou-se da companhia da amiga e açoitou-se com uma corrente de ferro até o sangue escorrer.

    A cada golpe, ela se apostrofava irada, exclamando para si mesma: “Ainda queres carne de porco, Miquelina? Ainda queres mais?” Teve de suportar muitas outras provações interiores e exteriores. Seus parentes criticavam severamente sua conduta, e durante certo tempo chegaram até mesmo a metê-la numa prisão como lunática. Sua paciência e brandura, porém, desarmaram-nos: concluíram que, embora iludida, ela não representava nenhum perigo, e a puseram em liberdade. O resto de sua vida ela o passou na renúncia de si mesma e na prática das boas obras.

    Cuidava dos leprosos e de outros portadores de doenças repugnantes, exercendo os ofícios mais humildes em favor deles; e conta-se que curou vários deles, beíjando-lhes as chagas. No final de sua vida, Miquelina fez uma peregrinação a Roma, onde, em certa ocasião, lhe foi dada a graça de participar misticamente nos sofrimentos do Senhor. Morreu no Domingo da Santíssima Trindade de 1356, talvez aos cinquenta e seis anos de idade.

    Desde o instante de sua morte foi venerada pelos seus concidadãos, que mantinham uma lâmpada acesa dia e noite diante de seu túmulo na igreja franciscana. Em 1580, a casa em que ela vivera, em Pesaro, foi convertida em igreja, e seu culto foi aprovado em 1737.

    Encontra-se um breve relato de sua vida em “Acta sanctorum”, junho, voL IV, e em Wadding, “Annales Ordinis Minorum”, vol VIII, p. 140·143; diversas vidas foram publicadas no século XVIII por Bonuccí, Matthaei, Ermanno, Bagnocavallo e outros. Veja-se também Léon, “Auréole Séraphique” (traduzida para o inglês), voL II, p. 422·426.

  • São Willehad da Dinamarca

    Sacerdote e mártir em Gorcum, da Primeira Ordem (1482-1572). Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867.

    Willehad da Dinamarca nasceu em 1482, tinha 90 anos quando sofreu o martírio, depois de ter fugido uma vez da perseguição dos luteranos na Dinamarca. Muito jovem se consagrou ao serviço do Senhor tomando o hábito e seguindo a Regra de São Francisco de Assis da Ordem dos Frades Menores.

    No século XVI os Frades Menores da Dinamarca tinham 15 conventos e numerosos religiosos. O protestantismo se abateu como um raio sobre os católicos e em parte sobre o clero. Os franciscanos defenderam valentemente a fé católica, alguns deles sofreram perseguições e prisões, outros enfrentaram o martírio, outros foram expulsos brutalmente de seus conventos e tomaram o caminho do desterro, fixando-se na Noruega, Suécia, Finlândia, Lapônia e outras regiões nórdicas, onde exerceram um difícil ministério apostólico.

    Willehad se refugiou na Holanda, onde Deus o preparava para um novo campo de batalha e reservava a palma do martírio. Foi acolhido no Convento de Gorcum, onde viveu uma vida de penitência e oração. Vivia a “pão e água” e só tinha como bem o breviário para rezar o ofício divino.

    São Willehad era o mais antigo dos mártires de Gorcum.

    Os Mártires Gorcumienses (ou mártires de Gorcum) foram um grupo de dezenove religiosos católicos mortos em 1572 na cidade holandesa de Gorcum.

    Em 1572, durante a guerra dos oitenta anos que os rebeldes holandeses mantinham contra a Espanha para realizar sua independência, a iconoclasia se estendia pelas dezessete Províncias dos Países Baixos; a luta entre luteranos e calvinistas mantinha o país em um estado de intransigência com a liberdade de culto religioso. Em abril de 1572, os mendigos do mar, corsários holandeses de confissão calvinista, tomaram Brielle, Flandres e outras cidades da zona, até então em poder da coroa espanhola. Em junho, Dordrecht e Gorcum caíram também em suas mãos.

    Nesta última cidade prenderam vários religiosos: Nicolás Pieck, franciscano; Jerónimo de Weert, vigário; Teodoro de Eem, de Amersfoort; Nicasio Janssen, de Heeze; Willehald da Dinamarca; Godofredo de Melveren; Antônio de Weer; Antônio de Hoornaert; Francisco van Rooy; Padre Guillermo; Pedro de Assche; Cornelio de Wyk de Duurnstende; Fray Enrique; João de Oisterwljk, agustinho; Pontus van Huyter, administrador da comunidade.

    A estes quinze se aderiram mais tarde outros quatro: João de Hoornaer, chamado João de Colônia, dominicano; Jacobo Lacops de Oudenaar, norbertino; Adriano Janssen de Hilvarenbeek e Andreas Wouters de Heynoord.

    Após serem torturados na prisão de Gorcum entre 26 de junho e 6 de julho foram trasladados a Brielle. No dia seguinte, Guilherme II de la Marck, líder dos mendigos do mar, ordenou o interrogatório do grupo.

    Foram instigados a abandonar a fé católica e a retirar sua obediência ao Papa, ao que eles se recusaram; só Pontus van Huyter e Andreas Wouters aceitaram, liberando-se assim da morte; Guilherme de Orange enviou uma carta em que pedia às autoridades competentes liberar os religiosos, mas a mesma chegou depois que tinham sido torturados e executados no dia 9 de julho de 1572.

    Foram beatificados pelo papa Clemente X em 1673 e canonizados por Pio IX em 29 de junho de 1865. Sua festividade se celebra em 9 de julho, data da morte do grupo.

    Sua história foi reconhecida por Guillermo Hessels van Esten em sua “Historia Martyrum Gorcomiensium”, publicada en Douai en 1603.

  • São Nicásio Jonson

    Sacerdote da Primeira Ordem Franciscana (1522-1572), mártir em Gorcum, canonizado por Pio IX (29-06-1867).

    Nicásio Jonson nasceu no castelo de Heeze em 1522. Seu pai, Adriano, mais do que pela linhagem, era ilustre pela honestidade de vida e pela inflexibilidade na fé. Quando Nicásio terminou os estudos médios e alcançou a idade requerida, o pai enviou-o para a universidade de Lovaina, onde ele fez rápidos progressos nos estudos superiores e obteve o bacharelato em filosofia e teologia.

    Pôs-se então a pensar seriamente no rumo a dar à vida, e decidiu-se pela vida religiosa. Ingressou na Ordem dos Frades Menores, onde se distinguiu pela piedade e pela mortificação. Uma vez ordenado sacerdote, dedicou-se ao apostolado da evangelização e do ensino. Austeridade severa, contínuos jejuns, assídua oração, êxtases maravilhosos e doces colóquios com o Senhor, foram a síntese da sua vida.

    Como pregador, a convicção com que falava persuadia os ouvintes, e as explicações que fazia da bíblia, adaptadas à mentalidade do povo, eram facilmente compreendidas, embora profundas. Parecia inspirado pelo Espírito Santo. Via com imensa tristeza o calvinismo a expandir-se, com a difusão de libelos difamatórios contra a Igreja católica, contra o papa, contra a presença real de Cristo na Eucaristia. Para atacar esses erros decidiu divulgar a boa imprensa. Reuniu livros de devoção e catequese, ele mesmo compôs alguns, e outros traduziu-os para holandês. Com o subsídio generoso de benfeitores mandou-os imprimir e divulgar entre o povo, com imenso proveito espiritual de muitos, que abjuraram dos erros e voltaram à fé e à Igreja católica.

    Nicásio também foi adornado com o dom da profecia. Várias vezes predisse graves calamidades que vieram a assolar a pátria. Uma das desgraças que prognosticou foi a feroz perseguição dos calvinistas contra sacerdotes, religiosos e fiéis. Ninguém escaparia à perseguição se não renegasse a fé. Por isso aconselhava os mais débeis na fé a esconderem-se ou nas próprias casas ou nos bosques. Ele, porém, forte na fé e confiado na ajuda divina, não pensou em se esconder nem fugir. Foi manietado pelos hereges e conduzido com os demais confrades ao local do martírio. Mas o seu martírio foi mais prolongado e doloroso que o dos restantes, porque o laço mortal, em vez de lhe apertar a garganta e o estrangular, enredou-se lhe na cabeça, retardando assim por longas horas o momento de entregar a alma ao Criador. Contava 50 anos de idade.

  • Florida Cevoli

    Bem-aventurada Florida Cevoli (Lucrécia Helena)

    Virgem da Segunda Ordem Franciscana (1685-1767), beatificada por São João Paulo II em 16 de maio de 1993, comemorada a 12 de junho.

    Filha de família nobre, Lucrécia Helena nasceu em 11 de dezembro de 1685, e foi entregue às monjas de S. Martinho de Pisa para elas se encarregarem da sua educação. Entretanto começou a sentir cada vez mais forte a vocação para a vida religiosa, e aos 18 anos entrou no mosteiro das clarissas capuchinhas de Perúsia, Úmbria, com o nome de Sóror Florida.

    Orientada por Santa Verônica de Juliani, mestra de noviças, ambas ardiam no mesmo desejo de se conformarem inteiramente com Cristo crucificado. Desempenhou no mosteiro os mais variados ofícios, desde cozinheira a mestra de noviças e finalmente a abadessa, sempre com grande espírito de serviço, e com notável carisma de governo. O exemplo da própria vida era o mais eficaz convite à observância e à prática da virtude.

    As suas devoções prediletas foram à Eucaristia, a Cristo crucificado e à Senhora das Dores. Era solícita a socorrer os necessitados, e preocupava-se para que os trabalhadores do convento fossem tratados com toda a justiça. Com os trabalhos manuais das religiosas procurava ajudar as igrejas pobres. Duas intenções que nunca esquecia nas orações eram pela difusão da fé e pelos benfeitores. Morreu em 12 de junho de 1767, com 82 anos de idade.

  • São José Cafasso

    Sacerdote da Ordem Terceira de São Francisco (1811-1860), canonizado por Pio XII em 22 de junho de 1947. É considerado padroeiro dos presidiários, dos presídios e das pessoas condenadas à morte.

    José Cafasso nasceu a 15 de janeiro de 1811 em Castelnuovo de Asti. Foi mestre de Dom Bosco, modelo de sacerdote, guia do clero de Turim, ou antes, a “pérola do clero italiano”. Pela inocência e pureza de vida foi outro S. Luís Gonzaga; e outro S. Vicente de Paulo pela caridade para com todos, especialmente os presos e condenados à morte; um novo S. Carlos Borromeu pela austeridade de vida e reforma da Igreja; um Santo Afonso de Ligório pelo estudo da moral; um São Francisco de Sales pela doçura e bondade.

    Pelo aspecto não passava dum padre franzino e pálido, com uma cifose que o fazia andar um tanto encurvado, “uma meia criatura”, como ele mesmo se definia com humildade e humor. No entanto, na breve vida de 49 anos, esse padre enfermiço e frágil realizou um monte de trabalhos duma amplidão e profundidade incríveis.

    Tal como Dom Bosco, filho duma família rural, modesta e profundamente religiosa, desde criança mostrou desejo de ser padre, para se consagrar totalmente a Jesus e ao bem das almas. Com 21 anos foi ordenado sacerdote, e continuou em Turim os estudos teológicos. Poucos anos depois era assistente do teólogo Guala, e quando este se reformou, o delicado cargo passou para o jovem mestre. Cafasso foi professor de retórica e de teologia. Seguia as ideias e o exemplo de Santo Afonso de Ligório. A sua escola, além de instruir a inteligência, formava a alma, comunicando à sua volta o calor duma fé e dum entusiasmo insólitos.

    Quis fazer-se filho de São Francisco inscrevendo-se na Ordem Terceira de São Francisco, como tinham feito seus ilustres confrades S. João Bosco e S. José Cottolengo. Foi reitor do colégio de Turim, mas não limitava a sua atividade a lições e a estudantes. Passava longas horas no confessionário, assediado sempre por uma multidão de gente que o procurava para celebrar o sacramento da reconciliação ou simplesmente para esclarecer dúvidas, quando não para o provocarem e ridicularizarem. Mas o encontro com Cafasso, mesmo para esses incrédulos, redundava por vezes em mudança de vida. Tanto no confessionário como nas visitas a doentes realizou inúmeras conversões.

    Também foi capelão das cadeias de Turim, e dedicou a essa missão muito tempo e muito empenho. Entrava nas celas dos presos como um anjo da guarda ou como um irmão, sempre com uma palavra de consolação para todos. Nas execuções seguia o condenado no lúgubre cortejo para lhe falar e subir com ele ao patíbulo, até lhe dar o último e terno abraço antes de lhe dar a beijar o crucifixo. Por isso lhe chamaram o “santo dos condenados à morte” ou “o santo da forca”. No dia 23 de junho de 1860, com 49 anos de idade, morria serenamente esse “padrezinho” que fora mestre, benfeitor, professor, diretor espiritual, confessor abnegado, patrono das cadeias e dos condenados à morte.

  • Santa Vicenta Gerosa

    Virgem da Ordem Terceira de São Francisco (1784-1847), fundadora das Irmãs da Menina Maria, canonizada por Pio XII em 18 de maio de 1950.

    Vicenta Gerosa nasceu em Lovere, na Lombardia, de família de comerciantes abastados e prósperos. Passou num colégio parte da infância, pouco alegre por causa de perda de familiares e vicissitudes políticas. Também teve de se acostumar ao trabalho, e a sua ocupação preferida era recolher outras jovens e treiná-las em trabalhos domésticos e em oração em comum. Ajudaram-na muito dois santos sacerdotes, empenhados igualmente em obras de caridade. Conferiu-lhe novo impulso a chegada de Bartolomea Capitânio. Vicenta sentiu-se logo contagiada pelo seu entusiasmo, e resolveu fundar com ela uma Congregação consagrada à caridade para com os necessitados, especialmente os doentes. Já anteriormente se inscrevera na Ordem Terceira de São Francisco, e do franciscanismo recebera um espírito profundamente evangélico.

    Em 1833, apenas com 26 anos, morre Bartolomea. O seu desaparecimento parecia comprometer tudo. Mas Vicenta foi aconselhada a continuar a obra, e foi pouco a pouco superando as dificuldades burocráticas por parte do governo austríaco e da Igreja, até que foi possível em 25 de março de 1835 receber candidatas ao novo instituto. A partir daí, a obra crescia e as casas multiplicavam-se. A grande epidemia da cólera em 1836 mostrou ao povo aquelas irmãs como verdadeiros anjos de caridade. Em 1841 começaram a celebrar-se cerimônias de profissão religiosa.

    Vicenta era naturalmente o número um na congregação, mas não quis assumir o título de superiora; considerou-se apenas como a “irmã mais velha”. Redigiu para o Instituto umas Constituições apropriadas, orientadas à formação espiritual e intelectual das novas irmãs. Sem extraordinários dotes intelectuais e sem grande cultura, foi uma óptima diretora espiritual e uma hábil organizadora.

    Descobrira o Crucificado, ou seja, o secreto valor do sacrifício e da paciência, que lhe permitiam viver sempre em serenidade e confiança.

    Em 1840 uma carta apostólica de Gregório XVI aprovava o Instituto de Lovere. Quando a “irmã mais velha” faleceu em 20 de junho de 1847 com 63 anos de idade, já havia 24 casas das Irmãs da Menina Maria espalhadas pelo mundo desde a Palestina à América. Foi um dos motivos que levou Pio XII a proceder à canonização de Santa Vicenta, em 18 de maio de 1950.

  • Santos mártires chineses

    Santos João Tchang, Patrício Tong, Felipe Tchiang, João Tchiang e João Wang, seminaristas mártires de Tayuenfu (+ 9 de junho de 1900). Canonização: 1º de outubro de 2000, por São João Paulo II. A festa é celebrada em 8 de julho.

    A Igreja universal ratifica a santidade destes 120 mártires, que em diversas épocas e lugares deram a vida por fidelidade a Cristo: 32 deles foram martirizados entre 1814 e 1862; 86 morreram durante a revolta dos Boxers em 1900 e dois foram mortos em 1930. Entre eles, destacam-se seis bispos europeus, 23 sacerdotes, um irmão religioso, sete religiosas, sete seminaristas e 72 leigos, dos quais dois catecúmenos. Os mártires tinham entre 7 e 79 anos. Todos eles foram beatificados, uns em 1900 e outros em 1946. Muitos deles eram chineses das províncias de Guizhou, Hebei, Shanxi e Sichuan e 33 eram missionários europeus.

    A perseguição religiosa na China ocorreu em diversos períodos da sua história. A primeira perseguição deu-se na dinastia Yuan (1281-1367). Prosseguiu mais tarde na dinastia Ming (1606-1907), recrudescendo de forma especial em 1900 com a revolta dos Boxers. E continuou durante as cinco décadas de governo sem interrupção. Grande parte destes canonizados deram a vida durante a revolta dos Boxers em 1900, que foi como que uma premonição do que iria acontecer nas cinco décadas de governo comunista na China.

    Os missionários foram objeto de um édito imperial de 10 de julho de 1900, que fomentou e provocou o massacre de milhares de cristãos. Outros morreram durante as perseguições religiosas das dinastias Ming (1368-1644) e Qing (1644-1911). Ficaram de fora as centenas de mártires que durante o regime comunista foram perseguidos e deram a vida por fidelidade ao Evangelho e a Cristo. Para a Igreja da China, é um acontecimento importante pela magnitude e pelo contexto em que ocorre. É-o igualmente para a Igreja universal, bastante desconhecedora do que acontece com a Igreja da China. Eis algumas considerações sobre o significado do evento.

    O martírio tem assinalado a Igreja da China ao longo dos séculos, desde a chegada da mensagem cristã no século VII com a vinda do monge sírio Alopen e dos nestorianos até Xian, capital da dinastia Tang, no ano de 635. Os estudiosos da Igreja na China, que falam de cinco tentativas de evangelização do país, concordam em afirmar que cada tentativa em estabelecer a presença do Evangelho no Império do Centro acarretou perseguições e martírio. Umas vezes pelas discrepâncias de credos, porque o imperador era considerado o Filho do Céu; outras pelos contrastes de culturas ou por motivos políticos; outras vezes por divisões entre as congregações religiosas presentes no território. O fato é que estamos diante de uma Igreja martirial. Mesmo hoje em dia isso é uma realidade permanente tanto para as comunidades subterrâneas como para as que conseguem atuar mais às claras.

    O controle e a perseguição variam conforme os lugares e as situações, mas os cristãos continuam a ser abertamente perseguidos e, por vezes, encarcerados e torturados. Como São João Paulo II dizia na sua mensagem aos católicos da China por ocasião da celebração do ano jubilar: «O Jubileu será uma oportunidade para lembrar os trabalhos apostólicos, os sofrimentos, as dores e o derramamento de sangue que têm feito parte da peregrinação desta Igreja ao longo dos tempos. Também no meio de vós o sangue dos mártires se converteu em semente de uma multidão de autênticos discípulos de Jesus… E parece que este tempo de prova ainda prossegue nalgumas localidades.»

    Com esta canonização, a Igreja da China envia uma mensagem profética ao mundo de hoje. Tanto pela singeleza com que afirmaram a sua fé como pela valentia em recusar a apostasia que os libertaria dos tormentos, da tortura e das infindáveis humilhações, o testemunho destes 120 mártires é a palavra viva de Deus, clara e ao mesmo tempo misteriosa. É sem dúvida alguma um encorajamento para as gerações vindouras de cristãos. Para além deste grupo de cristãos, muitos mais haveria a canonizar, mas, por falta de provas e informação, não puderam ser reconhecidos, embora a Igreja autentique como valores de ontem e de hoje a fidelidade a Cristo acima de qualquer ideologia, sistema ou tirania.

    Os santos chineses espelham uma capacidade de doação e uma confiança ilimitada em Deus num contexto hostil à mensagem cristã. Se o autêntico tesouro do discípulo de Cristo é a cruz e se não há outra forma de seguimento de Cristo senão através da cruz, podemos dizer que a Igreja universal reconhece de forma pública o testemunho destes mártires como riqueza para toda a Igreja.

    Dos mártires pertencendo à família franciscana, estes onze foram seculares e todos chineses, são eles:

    São João Zhang Huan, seminarista
    São Patricio Dong Bodi, seminarista
    São João Wang Rui, seminarista
    São Filipe Zhang Zhihe, seminarista
    São João Zhang Jingguang, seminarista
    São Tomás Shen Jihe, leigo
    São Simão Qin Cunfu, leigo catequista
    São Pedro Wu Anbang, leigo
    São Francisco Zhang Rong, leigo
    São Mateus Feng De, leigo e neófito
    São Pedro Zhang Banniu, leigo.

  • Maria Teresa Kowalska

    Maria Teresa Kowalska e mártires poloneses

    Bem-aventurados: Maria Teresa Kowalska, clarissa capuchinha, P. Antonin Bajewski, sacerdote; P. Pius Bartosik, P. Inocencio Guz, P. Aquiles Puchala, P. Herman Stepien, Fr. Timoteo Trojanowski, Fr. Bonifacio Zukowski, mártires Irmãos Menores Conventuais (holocausto). Beatificados por São João Paulo II em sua viagem apostólica a Polônia no dia 13 de junho de 1999.

    A causa de beatificação dos 108 mártires, vítimas da perseguição na Polônia nos anos 1939-1945 por parte dos nazistas, foi introduzida formalmente só em 1992. Na realidade, nas suas origens, remonta aos primeiros anos após a 2ª Guerra Mundial. A fama da santidade e do martírio dos 108 novos beatos, as graças atribuídas à intercessão deles, despertou a atenção muitas vezes das dioceses e famílias religiosas sobre a necessidade de iniciar as causas de beatificação pelo martírio. Para lembrar, por exemplo, os casos do arcebispo Julian Antoni Nowowiejski, o bispo Leon Wetmanski, Dom Henryk Hlebowicz, Dom Henryk Kaczorowski com o grupo dos sacerdotes de Wloclawek, Dom Jozef Kowalski, salesiano, irmão Jozef Zaplata da Congregação dos Irmãos do Sagrado Coração de Jesus.

    Depois vem a beatificação do bispo Michal Kozal (Varsóvia, 1987), definido “um verdadeiro mestre dos mártires” pelo clero dos campos de concentração, especialmente de Dachau. Durante a discussão sobre o martírio do bispo Michal na Congregação para as causas dos santos, chegou até mesmo o pedido para começar um processo à parte referente a quantos foram os companheiros do Bispo Mártir no oferecer o sumo testemunho da fé.

    O processo, por parte da conferência dos bispos poloneses, foi aviado e presidido pelo bispo da diocese de Wloclawek, a qual durante a perseguição havia sofrido, em percentual, as mais expressivas perdas entre o clero diocesano na Polônia.

    No dia da abertura do processo em Wloclawek, dia 26 de janeiro de 1992, dia do aniversário de morte do beato mártir Michal Kozal, foram levados em consideração 92 mártires das diversas dioceses e famílias religiosas. O número dos candidatos foi depois mudando com a inserção de alguns novos candidatos e exclusão de alguns outros por motivo do não suficiente material de prova do martírio, considerado no sentido teológico. Enfim, o número dos mártires foi fixado em 108 pessoas, às quais foi infligida a morte por ódio à fé (in odium fidei) em diversas localidades e circunstâncias.

    Os documentos do processo chegaram a encher 96.000 páginas e foram entregues, em 1994, para exame da Congregação Vaticana para a Causa dos Santos. O sucessivo estudo, muito intenso, consentiu de chegar, já no dia 20 de novembro de 1998, à discussão teológica sobre o martírio. O resultado positivo, junto àquele do Congresso dos Cardeais e dos Bispos, dia 16 de fevereiro de 1999, abriram o caminho à beatificação, realizada pelo Santo Padre, dia 13 de junho de 1999, em Varsóvia, durante a sua viagem apostólica na Polônia.

    Os 108 mártires

    São provenientes de 18 dioceses, do ordinariado militar e das 22 famílias religiosas. Há sacerdotes, religiosos e leigos cuja vida, inteiramente dedicada à causa de Deus, e cuja morte, infligida por ódio à fé, levaram o selo do heroísmo. Entre eles estão três bispos, 52 sacerdotes diocesanos, 26 sacerdotes religiosos, 3 clérigos, 7 irmãos religiosos, 8 irmãs e 9 leigos. Estas proporções numéricas estão ligadas ao fato de o clero ter sido o principal objetivo do ódio à fé por parte dos nazistas de Hitler. Queriam calar a voz da Igreja considerada obstáculo na implantação de um regime fundado sobre uma visão do homem privada da dimensão sobrenatural e permeada de ódio violento.

    Maria Teresa Kowalska

    Maria Teresa Kowalska pertencia ao Convento das Irmãs Clarissas Capuchinhas de Przasnysz. Ainda que ela tenha passado a sua vida em silêncio, a recordação da sua morte corajosa, o que não aconteceu com nenhuma outra monja naquele mosteiro, ainda está muito viva.

    Mieczyslawa nasceu em Varsóvia em 1902. Desconhece-se o nome e a profissão dos seus pais. Recebeu a sua primeira Comunhão no dia 21 de junho de 1915, e o sacramento da Confirmação no dia 21 de maio de 1920. O seu pai, simpatizante socialista, foi para a União Soviética na década de 1920 com grande parte da família.

    Por uma nota escrita no seu livro religioso O Livro da Vida, sabemos que pertenceu a várias associações religiosas e fazia parte de várias confrarias. Tudo isto nos leva a supor que levava uma vida de piedade exemplar antes de entrar na Ordem das Capuchinhas.

    Aos 21 anos, Mieczyslawa recebe a graça da vocação religiosa. Ingressou no Mosteiro das Clarissas Capuchinhas de Przasnysz no dia 23 de janeiro de 1923. Tomou o hábito no dia 12 de agosto de 1923 e recebeu o nome de Maria Teresa do Menino Jesus. Emitiu a sua primeira profissão no dia 15 de agosto de 1924 e a profissão perpétua no dia 26 de julho de 1928.

    Era uma pessoa delicada e doente, mas disponível para todos e para tudo. No Mosteiro, servia a Deus com devoção e piedade. Com o seu modo de ser conquistava o carinho de todos, diz uma das irmãs. Gozava de grande respeito e consideração por parte das superioras e das outras irmãs. Exerceu vários ofícios: porteira, sacristã, bibliotecária, mestra de noviças e conselheira. Maria Teresa vive a sua vida religiosa em silêncio, totalmente dedicada a Deus, com grande entusiasmo. Um dia, este serviço a Deus foi posto a dura prova.

    No dia 2 de abril de 1941, os alemães entraram no Mosteiro e prenderam todas as irmãs, levando-as para o Campo de concentração de Dzialdowo. Entre elas, estava a Irmã Maria Teresa, doente com tuberculose. As 36 irmãs ficaram presas no mesmo local e suportaram condições de vida que ofendiam a dignidade humana: ambiente sujo, fome terrível, terror contínuo. As irmãs observavam com horror a tortura a que eram submetidas outras pessoas ao mesmo tempo, entre as quais se encontravam o Bispo de Plock, A. Nowowiejski e L. Wetmanski, e muitos outros sacerdotes. Depois de passar um mês naquelas condições de vida, a saúde das irmãs debilitou-se. A Irmã Maria Teresa foi uma das que mais se ressentiu, que pelo menos se mantinha de pé.

    Sobreveio-lhe uma hemorragia pulmonar. Faltava não só o serviço médico mas também a água para matar a sede e para a higiene. Suportou o sofrimento com coragem e, até onde lhe foi possível, rezou junto com as restantes irmãs. Outras vezes rezava ela sozinha. Durante a prova, e consciente da proximidade da morte, dizia: “Eu, daqui, não sairei; entrego a minha vida para que as irmãs possam regressar ao Mosteiro”. Isso mesmo dizia à abadessa: “Madre, ainda falta muito?”. Morreu na noite de 25 de julho de 1941. Desconhece-se o paradeiro dos seus restos mortais.

  • Mártires poloneses do Holocausto

    Irmãos Menores: bem-aventurados Pe. Cristian Gondek, Frei Marcin Oprzadek, Pe. Anastasio Pankiewicz, Pe. Narciso Turchan, Frei Bruno Zembol, Frei Fidel Chojnacki, Frei Sinforiano Ducki, Pe. Aniceto Koplin, Pe. Enrique Krzysztofik, Pe. Floriano Stepniak. Mártires da Primeira Ordem.

    A causa de beatificação dos 108 mártires, vítimas da perseguição da Igreja na Polônia nos anos 1939-1945 por parte dos nazistas, foi introduzida formalmente só em 1992. Na realidade, nas suas origens, remonta aos primeiros anos após a 2ª Guerra Mundial. A fama da santidade e do martírio dos 108 novos beatos, as graças atribuídas à intercessão deles, despertou a atenção muitas vezes das dioceses e famílias religiosas sobre a necessidade de iniciar as causas de beatificação pelo martírio. Para lembrar, por exemplo, os casos do arcebispo Julian Antoni Nowowiejski, o bispo Leon Wetmanski, Dom Henryk Hlebowicz, Dom Henryk Kaczorowski com o grupo dos sacerdotes de Wloclawek, Dom Jozef Kowalski, salesiano, irmão Jozef Zaplata da Congregação dos Irmãos do Sagrado Coração de Jesus.

    Depois vem a beatificação do bispo Michal Kozal (Varsóvia, 1987), definido “um verdadeiro mestre dos mártires” pelo clero dos campos de concentração, especialmente de Dachau. Durante a discussão sobre o martírio do bispo Michal na Congregação para as causas dos santos, chegou até mesmo o pedido para começar um processo à parte referente a quantos foram os companheiros do Bispo Mártir no oferecer o sumo testemunho da fé.

    O processo, por parte da conferência dos bispos poloneses, foi aviado e presidido pelo bispo da diocese de Wloclawek, a qual durante a perseguição havia sofrido, em percentual, as mais expressivas perdas entre o clero diocesano na Polônia.

    No dia da abertura do processo em Wloclawek, dia 26 de janeiro de 1992, dia do aniversário de morte do beato mártir Michal Kozal, foram levados em consideração 92 mártires das diversas dioceses e famílias religiosas. O número dos candidatos foi depois mudando com a inserção de alguns novos candidatos e exclusão de alguns outros por motivo do não suficiente material de prova do martírio, considerado no sentido teológico. Enfim, o número dos mártires foi fixado em 108 pessoas, às quais foi infligida a morte por ódio à fé (in odium fidei) em diversas localidades e circunstâncias.

    Os documentos do processo chegaram a encher 96.000 páginas e foram entregues, em 1994, para exame da Congregação Vaticana para a Causa dos Santos. O sucessivo estudo, muito intenso, consentiu de chegar, já no dia 20 de novembro de 1998, à discussão teológica sobre o martírio. O resultado positivo, junto àquele do Congresso dos Cardeais e dos Bispos, dia 16 de fevereiro de 1999, abriram o caminho à beatificação, realizada pelo Santo Padre, dia 13 de junho de 1999, em Varsóvia, durante a sua viagem apostólica na Polônia.

    Os 108 mártires

    São provenientes de 18 dioceses, do ordinariado militar e das 22 famílias religiosas. Há sacerdotes, religiosos e leigos cuja vida, inteiramente dedicada à causa de Deus, e cuja morte, infligida por ódio à fé, levaram o selo do heroísmo. Entre eles estão três bispos, 52 sacerdotes diocesanos, 26 sacerdotes religiosos, 3 clérigos, 7 irmãos religiosos, 8 irmãs e 9 leigos. Estas proporções numéricas estão ligadas ao fato de o clero ter sido o principal objetivo do ódio à fé por parte dos nazistas de Hitler. Queriam calar a voz da Igreja considerada obstáculo na implantação de um regime fundado sobre uma visão do homem privada da dimensão sobrenatural e permeada de ódio violento.

  • Franciscanas mártires na China

    Santa Maria Hermelina de Jesus, Maria da Paz, Maria Clara, Maria de Santa Natalia, Maria de São Justo, Maria Adolfina e Maria Amandina, Franciscanas Missionárias de Maria, Mártires de Tai-yuen-fu (+ 9 de julho de 1900). Canonização por São João Paulo II em 1º de outubro de 2000.

    Em 1900, sete religiosas franciscanas Missionárias de Maria são martirizadas na China durante a revolução dos Boxers, dando à fundadora a alegria de ter agora sete verdadeiras Franciscanas Missionárias de Maria. Elas foram para a China para trabalhar com doentes, órfãos e toda espécie de excluídos e fortificar a nova comunidade cristã do Chan-Si. Para substituí-las, a fundadora enviará um novo grupo e, entre elas, uma jovem, Irmã Maria Assunta, cuja generosidade silenciosa conquistou logo em seguida o afeto dos chineses, antes de morrer de tifo em 1905, aos 26 anos. Em 1954, Ir. Maria Assunta foi beatificada por Sua Santidade o Papa Pio XII.

    Palavras de Irmã Maria Hermínia, superiora da comunidade, que falou em nome de todas, quando o Bispo lhes propôs que partissem para outro lugar: “Por amor de Deus, não nos impeçais de morrer convosco. Se a nossa coragem é demasiada fraca para resistir à crueldade dos carrascos, acreditai que Deus, que nos envia a provação, nos dará também a força de sair vitoriosas. Não tememos nem a morte, nem os tormentos… Vivemos para praticar a caridade e derramar, se for necessário, o nosso sangue por amor de Jesus Cristo.”

    Sete mulheres decidiram ser fiéis à mensagem de Jesus e ao povo a quem foram enviadas. Pagaram sua fidelidade com a própria vida… mas a Boa Nova continua a espalhar alegria… Outras Missionárias passaram – e passam ainda hoje – a chama da fé.

    No dia 10 de março de 2000, o Santo Padre São João Paulo II, fixou para 1º de outubro de 2000 a canonização dos Mártires da China, entre eles, sete religiosas franciscanas Missionárias de Maria, que são reconhecidas pela Igreja pelo testemunho de suas vidas heróicas.

    Os mártires da China

    A Igreja universal ratifica a santidade destes 120 mártires, que em diversas épocas e lugares deram a vida por fidelidade a Cristo: 32 deles foram martirizados entre 1814 e 1862; 86 morreram durante a revolta dos Boxers em 1900 e dois foram mortos em 1930. Entre eles, destacam-se seis bispos europeus, 23 sacerdotes, um irmão religioso, sete religiosas, sete seminaristas e 72 leigos, dos quais dois catecúmenos. Os mártires tinham entre 7 e 79 anos. Todos eles foram beatificados, uns em 1900 e outros em 1946. Muitos deles eram chineses das províncias de Guizhou, Hebei, Shanxi e Sichuan e 33 eram missionários europeus.

    A perseguição religiosa na China ocorreu em diversos períodos da sua história. A primeira perseguição deu-se na dinastia Yuan (1281-1367). Prosseguiu mais tarde na dinastia Ming (1606-1907), recrudescendo de forma especial em 1900 com a revolta dos Boxers. E continuou durante as cinco décadas de governo sem interrupção. Grande parte destes canonizados deram a vida durante a revolta dos Boxers em 1900, que foi como que uma premonição do que iria acontecer nas cinco décadas de governo comunista na China.

    Os missionários foram objeto de um édito imperial de 10 de julho de 1900, que fomentou e provocou o massacre de milhares de cristãos. Outros morreram durante as perseguições religiosas das dinastias Ming (1368-1644) e Qing (1644-1911). Ficaram de fora as centenas de mártires que durante o regime comunista foram perseguidos e deram a vida por fidelidade ao Evangelho e a Cristo. Para a Igreja da China, é um acontecimento importante pela magnitude e pelo contexto em que ocorre. É-o igualmente para a Igreja universal, bastante desconhecedora do que acontece com a Igreja da China. Eis algumas considerações sobre o significado do evento.

    O martírio tem assinalado a Igreja da China ao longo dos séculos, desde a chegada da mensagem cristã no século VII com a vinda do monge sírio Alopen e dos nestorianos até Xian, capital da dinastia Tang, no ano de 635. Os estudiosos da Igreja na China, que falam de cinco tentativas de evangelização do país, concordam em afirmar que cada tentativa em estabelecer a presença do Evangelho no Império do Centro acarretou perseguições e martírio. Umas vezes pelas discrepâncias de credos, porque o imperador era considerado o Filho do Céu; outras pelos contrastes de culturas ou por motivos políticos; outras vezes por divisões entre as congregações religiosas presentes no território. O fato é que estamos diante de uma Igreja martirial. Mesmo hoje em dia isso é uma realidade permanente tanto para as comunidades subterrâneas como para as que conseguem atuar mais às claras.

    O controle e a perseguição variam conforme os lugares e as situações, mas os cristãos continuam a ser abertamente perseguidos e, por vezes, encarcerados e torturados. Como São João Paulo II dizia na sua mensagem aos católicos da China por ocasião da celebração do ano jubilar: «O Jubileu será uma oportunidade para lembrar os trabalhos apostólicos, os sofrimentos, as dores e o derramamento de sangue que têm feito parte da peregrinação desta Igreja ao longo dos tempos. Também no meio de vós o sangue dos mártires se converteu em semente de uma multidão de autênticos discípulos de Jesus… E parece que este tempo de prova ainda prossegue nalgumas localidades.»

    Com esta canonização, a Igreja da China envia uma mensagem profética ao mundo de hoje. Tanto pela singeleza com que afirmaram a sua fé como pela valentia em recusar a apostasia que os libertaria dos tormentos, da tortura e das infindáveis humilhações, o testemunho destes 120 mártires é a palavra viva de Deus, clara e ao mesmo tempo misteriosa. É, sem dúvida alguma, um encorajamento para as gerações vindouras de cristãos. Para além deste grupo de cristãos, muitos mais haveria a canonizar, mas, por falta de provas e informação, não puderam ser reconhecidos, embora a Igreja autentique como valores de ontem e de hoje a fidelidade a Cristo acima de qualquer ideologia, sistema ou tirania.

    Os santos chineses espelham uma capacidade de doação e uma confiança ilimitada em Deus num contexto hostil à mensagem cristã. Se o autêntico tesouro do discípulo de Cristo é a cruz e se não há outra forma de seguimento de Cristo senão através da cruz, podemos dizer que a Igreja universal reconhece de forma pública o testemunho destes mártires como riqueza para toda a Igreja.

  • Benvindo de Gúbio

    Bem-aventurado Benvindo de Gúbio

    Religioso da Primeira Ordem (+1232). Gregório IX e Inocêncio XII em 1697 concederam em sua honra ofício e Missa.

    Benvindo era natural de Gúbio, na Úmbria, e soldado de profissão e analfabeto. Sofreu a influência franciscana e tomou o hábito dos Menores em 1222. Desde o momento em que ingressou na Ordem, modelou sua vida inteiramente pela de São Francisco. Encarregado de cuidar dos leprosos, a seu próprio pedido, tratava-os como se fossem o Senhor, em pessoa, pensando-lhes as chagas, dando-lhes banho, e jamais evitando os casos mais repulsivos e os ofícios mais humildes. Ele os servia em tudo, sempre alegre, sempre afável. Sua compaixão por eles era tanto maior talvez, sobretudo, pelo fato de que ele próprio padecia de várias enfermidades, que suportava com inesgotável paciência. Passava grande parte da noite em oração, e, muitas vezes, durante a missa, teve a visão de uma criancinha linda, para a qual estendia os braços como se procurasse abraçá-la. Sua conduta era tão exemplar, que, ao que se sabe, nunca mereceu uma única censura. Ele teria podido viver ignorado do mundo exterior, no isolamento da vida religiosa, não fossem os dons sobrenaturais de natureza superior que Deus lhe concedera. Esses dons propagaram sua fama por toda a parte. Benvindo morreu em Corneto, na Apúlia, em 1232. Cinco anos depois de sua morte, os bispos de Veneza e de Amalfi se dirigiram à S. Sé, pedindo-lhe que aprovasse o seu culto, e citaram muitos milagres em apoio à sua petição. O papa Gregório IX concedeu-a para as duas dioceses.

    Parece que não se tem notícia de uma biografia independente, mas vejam-se Acta Sanctorum, junho, vol. VII; Wadding, Annales O.M.; e Léon, Auréole Séraphique (traduzida para o inglês), vol. lI, p, 427-429.

  • Raimundo Lulio

    Bem-aventurado Raimundo Lulio

    Mártir da Terceira Ordem (1235-1316). Aprovou seu culto Clemente XIII no dia 19 de fevereiro de 1763.

    Raimundo Lulio nasceu em Palma de Maiorca, entre os anos de 1232 e 1233 e morreu em 29 de junho de 1315. Também conhecido como Ramon Llull, foi o mais importante escritor, filósofo e poeta, missionário e teólogo da língua catalã. Foi um prolífico autor também em árabe e latim, bem como em Langue d’Oc (ocitano).

    Foi um leigo próximo aos franciscanos. É conhecido como “Doctor Illuminatus”, embora não seja um dos 33 doutores da igreja.

    Ramon era filho de uma família de boa situação financeira, eram seus pais Ramon Amat Llull e Isabel d’Erill.

    Dedicou-se ao apostolado entre os muçulmanos. Casou-se aos 22 anos com Blanca Picany, com quem teve dois filhos: Domingos e Madalena. Mais tarde, após converter-se, em 1262, tornou-se terciário franciscano. Em 1275, depois de uma experiência mística, da qual saiu com o duplo propósito de preparar-se para o Magistério e dedicar-se à conversão dos infiéis, e em vista das insistentes queixas de sua esposa, abandonou definitivamente a família.

    De acordo com Umberto Eco, o lugar do nascimento foi determinante para Lulio, pois Maiorca era uma encruzilhada, na época, das três culturas: cristã, islâmica e judia, até o ponto de que a maior parte de suas 280 obras conhecidas terem sido escritas inicialmente em árabe e catalão.

    Além de ser o primeiro autor que utilizou uma língua neolatina para expressar conhecimentos filosóficos, científicos e técnicos e de se destacar por uma aguda percepção que o permitiu antecipar muitos conceitos e descobrimentos, foi o criador do catalão literário, com um elevado domínio da língua e seu primeiro novelista.

    De família cristã, Llull conviveu com muçulmanos e judeus em sua ilha de origem. Lúlio converteu-se definitivamente ao cristianismo em 1263, no ano da famosa Disputa de Barcelona, entre um teólogo judeu, o mestre Mosé ben Nahman de Girona, e um judeu convertido, Pau Crestià. Nessa Disputa, foi utilizado o procedimento de partir das argumentações do livro revelado do opositor. A partir dessa época, os apologetas cristãos passaram a estudar em profundidade os textos islâmicos e judeus.

    Mas Lulio seguiu uma outra vertente. Em seu diálogo inter-religioso, motivado pela tentativa missionária de conversão do “infiel”, preferia partir do que chamava de “razões necessárias”. É o que desenvolve, por exemplo, em O Livro do Gentio e dos Três Sábios (1274-1276).

    Futuramente, criará uma forma de argumentação baseada na automatização do pensamento, na chamada Grande Arte, utilizando um procedimento baseado na Zairja.

    Conhecido em seu tempo pelos apelidos de Arabicus Christianus (árabe cristiano), Doctor Inspiratus (Doutor Inspirado) ou Doctor Illuminatus (Doutor Iluminado). Llull é uma das figuras mais fascinantes e avançadas dos campos espiritual, teológico, literário da Idade Média. Em alguns de seus trabalhos propôs métodos de escolha, que foram redescobertos séculos mais tarde por Condorcet (século XVIII).