Vida CristãArtigos › 03/04/2018

A nossa ressurreição na morte

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Leonardo Boff

O fato maior para o cristianismo não é a cruz de Cristo mas sua ressurreição. Sem a ressurreição Cristo teria ficado no passado, no panteão dos mártires abnegados, sacrificados por uma grande causa, um sonho de um Reino de justiça, de amor incondicional e de total entrega a Deus. Mas nunca reuniria pessoas para celebrarem sua presença viva entre nós. A ressurreição significa exatamente essa presença inefável de toda a realidade de Jesus, chamado por São Paulo como o “novissimo Adão”, com um corpo transfigurado, corpo-espiritual, dentro da história humana.

A ressurreição não deve ser vista como a reanimação de um cadáver, como o de Lázaro, mas como a plena realização de todas as possibilidades inerentes à vida humana, dado que o ser humano é um projeto infinito, inteiro mas ainda incompleto. A ressurreição representa a vida do homem de Nazaré, elevado na cruz e depois introduzida dentro da realidade divina.

Pertence à fé cristã a convicção de que Cristo é o primeiro entre muitos irmãos e irmãs. Todos nós ressuscitaremos em seguimento dele. Mas quando? No fim do mundo que não sabemos quando vem? Ou no fim do mundo pessoal quando cada um de nós deixa este mundo espácio-temporal?

Seguindo a linha de reflexão dos melhores teólogos atuais, sustento a tese de que nós ressuscitamos quando para nós se realiza pessoalmente o fim do mundo, isto é, quando morrermos. Ao morrermos somos transfigurados e ressuscitados.

Esta é seguramente a mensagem mais esperançadora que o cristianismo pode oferecer para a humanidade e para cada pessoa humana. É a sua grandiosa colaboração antropológica. Não vivemos para morrer. Morremos para ressuscitar, para viver mais e melhor.

Leonardo Boff é teólogo e escreveu “A nossa ressurreição na morte”, Vozes 2005.