Vida CristãNotícias › 12/07/2018

Trabalho missionário não é filantropia

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O trabalho missionário não é filantropia nem nasce das nossas obras de boa vontade, mas antes de tudo é uma bênção para todos aqueles a quem o Evangelho é anunciado. Foi o que disse o Cardeal Fernando Filoni na Santa Missa inaugural do 5º Congresso Americano Missionário, o chamado CAM 5, em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. O enviado especial do Papa Francisco para este evento, que teve início no dia 10 e vai até dia 14, recordou que as obras de bem, de preferência para os pobres, isto é, para “todas as periferias existenciais”, têm como ligação indissolúvel o nome de Jesus e, portanto, tudo é bênção.

O que é o trabalho missionário?, perguntou o Cardeal no início de sua homilia. Concretamente, o ser missionário é jogar em dois campos fundamentais: o da proclamação de Jesus, do seu carregar-se dos nossos pecados, do perdão. Sem a consciência do que Deus fez “em minha vida”, permanecemos “superficiais” e não somos “críveis”, sublinha o cardeal. A outra frente é, portanto, o testemunho para o qual é essencial ser crível.

Autêntica “missionária do nosso tempo” foi a bem-aventurada Madre Maria Ignazia di Gesù, cujas relíquias estiveram presentes na Missa. A mulher espanhola, que viveu entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX, na Bolívia, descobriu um imenso amor pelo apostolado missionário e fundou um novo Instituto, o das Missionárias Cruzadas da Igreja, dedicado aos pobres e marginalizados. A religiosa – recordou o Cardeal- será canonizada em 14 de outubro próximo pelo Papa Francisco.

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O CRISTÃO NÃO É TRISTE

“Pode um cristão ser triste? “Nossas eucaristias dominicais refletem a alegria apaixonante do evangelho? Como é nossa cara ao sair do templo: triste ou alegre?”. Essas provocações foram feitas pelo bispo de Choluteca (Honduras), Dom Guido Charbonneo, na conferência desta quarta no ginásio coberto do Colégio Dom Bosco. “A missão não é algo frio. Ela toca as fibras mais profundas da pessoa do missionário”, disse dom Guido, que falou sobre “A alegria apaixonante do Evangelho”, a primeira das cinco grandes conferências que abordarão o tema geral do CAM 5.

“Em nosso mundo cheio de más notícias, o anúncio do evangelho é o anúncio gozoso da morte e ressurreição de Cristo”, sublinhou o conferencista. Em sua opinião, a alegria do evangelho tem origem em Deus e se manifesta no encontro da pessoa com Cristo ressuscitado. “A alegria é fruto da experiência de um encontro pessoal com Cristo e nos leva a Deus. Logo, estamos convidados à renovação de nossa vida de discipulado ou seguimento de Cristo Jesus para viver a comunhão com o Pai”, explicou.

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CAM 5

Segundo os organizadores, o 5º Congresso Missionário Americano (CAM 5) reúne 2.509 missionários de 24 países. Além de cinco grandes conferências, o Congresso oferece também 12 oficinas sobre vários temas ligados à missão, cinco sub-assembleias e quatro conversatórios. Estas atividades, que começaram na tarde desta quarta-feira, 11, se estendem até sexta-feira, dia 13, sempre de 14h30 às 18h, horário local. No centro, o tema: “América em missão, o Evangelho é alegria”. Do Brasil, estão no evento que vai até 14 de julho, cerca de 200 missionários de todos os 18 regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Com os bispos de Crateús (CE), Dom Ailton Menegussi; de São Gabriel da Cachoeira (AM), Dom Edson Damian; o bispo auxiliar de São Luís do Maranhão (MA), Dom Esmeraldo Barreto Farias; de Estância (SE), Dom Giovanni Crippa; de Osório (RS), Dom Jaime Pedro Kohl; de Ponto Grossa (PR), Dom Sérgio Arthur Braschi e o arcebispo de Campo Grande (MS), Dom Janusz Marian Danecki. O diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias (POM), Pe. Maurício da Silva Jardim, integra a delegação brasileira leigos e leigas, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas e seminaristas.

O objetivo geral do CAM 5 é fortalecer, nas Igrejas das Américas, a identidade e o compromisso missionário Ad Agentes, anunciando a Alegria do Evangelho a todos os povos, com particular atenção às periferias do mundo de hoje, a serviço de uma sociedade mais justa, solidária e fraterna.

Os congressos missionários americanos tiveram origem em congressos missionários diocesanos e nacionais que, a partir do concilio Vaticano II, foram aprofundando o sentido missionário da Igreja, como encontramos no decreto Ad Gentes. A Conferência Episcopal Mexicana realizou belas iniciativas no sentido de refletir sobre esse tema. Em 1977, retomando a riqueza da exortação apostólica Evangelii Nuntiandi, publicada pelo Papa Paulo VI em 1975, aconteceu o primeiro Congresso Missionário Latino-americano (COMLA) em Terreón, México. A partir de 1999, os congressos missionários passaram a ser em nível de toda a América. Daí nasceu o 1º Congresso Missionário Americano (CAM). O último Congresso foi realizado em Maracaibo, Venezuela, em 2013.

PONTIFÍCIAS OBRAS MISSIONÁRIAS

As Pontifícias Obras Missionárias (POM) são organismos oficiais da Igreja Católica que trabalham para intensificar a animação, a formação e a cooperação missionária em todo o mundo. Para este serviço a Congregação para a Evangelização dos Povos se serve especialmente das quatro Obras Missionárias, a saber:

➢ Pontifícia Obra Missionária para a Propagação da Fé, fundada por Pauline Marie Jaricot em 1822, visa suscitar o compromisso pela evangelização universal em todo o povo de Deus e promover nas Igrejas locais, a ajuda tanto espiritual como material;

➢ Pontifícia Obra da Infância e Adolescência Missionária, fundada pelo Bispo de Nancy (França), Dom Carlos de Forbin-Janson em 1843, auxilia os educadores a despertar gradualmente a consciência missionária nas crianças e adolescentes, animando-as a partilhar a fé e os seus bens materiais com as crianças das regiões mais necessitadas; ajuda também promover as vocações missionárias desde a infância;

➢ Pontifícia Obra Missionária de São Pedro Apóstolo, fundada por Joana Bigard e sua mãe, Stephanie em 1889, visa sensibilizar o povo cristão acerca da importância do clero local nos territórios de missão, convidando-o a colaborar espiritual e materialmente na formação dos candidatos ao sacerdócio e à vida consagrada;

➢ Pontifícia União Missionária, fundada pelo Beato Padre Paolo Manna em 1916, visa a sensibilização missionária dos sacerdotes, dos seminaristas e da vida consagrada masculina e feminina. Esta Obra é como que a alma das outras Obras, porque ocupa-se especificamente com a formação missionária.

As três primeiras obras nasceram na França e, para se tornarem universais, foram declaradas Pontifícias em 3 de maio de 1922, com o Motu Proprio Romanorum Pontificum do Papa Pio XI. Elas convidam o Povo de Deus a expressar seu testemunho missionário por meio de cooperação espiritual, engajamento pessoal e ofertas materiais para a evangelização, criando fundos de solidariedade para sustentar programas de evangelização em todo o mundo. A quarta obra, União Missionária do Clero, nasceu na Itália, e foi declarada Pontifícia em 28 de outubro de 1956, com o Decreto do Papa Pio XII.

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