Teólogos e lideranças celebram saudação do Papa a Gutiérrez

Frei Gustavo Medella e Érika Augusto

São Paulo (SP) - A manifestação de carinho e gratidão do Papa Francisco ao teólogo e frade dominicano Gustavo Gutiérrez Merino foi celebrada como um gesto de reconhecimento do Santo Padre em relação à Teologia da Libertação por uma série de teólogos, intelectuais e lideranças ligadas a esta tradição que nasceu na América Latina. Para o teólogo e confrade de Frei Gutiérrez, Frei Betto, “Ao felicitar nosso confrade e meu dileto amigo Gustavo Gutiérrez por seus 90 anos, o Papa Francisco reconhece o valor da Teologia da Libertação e reforça na Igreja a opção pelos pobres”, declarou.

Na opinião do jornalista Mauro Lopes, do blog “Caminho para Casa”, a saudação tem duplo significado: “pessoal, de reconhecimento à trajetória de um homem que tem sido fiel a seu Mestre por anos a fio, mesmo sofrendo perseguições; e, do ponto de vista eclesial, é o reconhecimento da relevância essencial da teologia latino-americana, em especial da Teologia da Libertação, cujo nome inspira-se nas formulações do próprio Gutiérrez. Francisco repara injustiças de períodos sombrios na vida da Igreja”, escreve em mensagem enviada por WhatsApp.

Em sua página do Facebook, o Teólogo e Professor da PUC-SP, Fernando Altemeyer Junior, comemora: “Pensei que não viveria para ver o papa aplaudir e abençoar Gustavo Gutiérrez, por sua obra e amor à Igreja dos pobres. Viva a Teologia da Libertação. Viva a liberdade de pensar. Viva o compromisso da misericórdia e da justiça social feita cuidado do corpo dos empobrecidos. Aleluia! Parabéns pelos 90 anos de Gustavo. Pelos 50 anos da TdL [Teologia da Libertação]. Parabéns pelos teólogos e teólogas mergulhados/as no mundo e no submundo dos pobres e pequeninos, os amados de Deus. Meu coração rejubila. A teologia voltou a oxigenar-se. Aleluia”. A mensagem também foi recebida com festa pelo Vigário Episcopal para o Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo, Padre Julio Lancelotti: “É um presente para os povos latino americanos que lutam com fé pela libertação! É o reconhecimento de uma caminhada e ânimo frente a tantos desafios e injustiças. Senti-me comovido e animado. Viva a Teologia da Libertação”, comemorou..

O Coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo, Paulo Pedrini, também manifestou contentamento: “Gustavo Gutiérrez é considerado o pai da Teologia da Libertação. O gesto do Papa Francisco de mandar uma carta pelos seus 90 anos significa reafirmar o compromisso da Igreja de Cristo em libertar o seu povo”, afirmou.

A religiosa da Congregação Pias Discípulas do Divino Mestre e diretora da Revista de Liturgia, Ir. Penha Carpanedo, relembrou uma das obras de Gutiérrez e afirma que o gesto do Papa é um bálsamo. “Gustavo Gutiérrez é um ícone da Igreja e da teologia latino americana. Quem não se lembra do seu livro – “Beber no próprio poço, itinerário espiritual de um povo” – que tanto nos inspirou na vivência do evangelho em nossas comunidades? Certamente a palavra do papa Francisco significa uma confirmação do caminho que ele trilhou como teólogo da libertação, e um bálsamo, por quanto sofreu em consequência de sua opção pelos pobres”.

Em carta enviada ao amigo e companheiro de trabalho e militância eclesial, o teólogo Leonardo Boff assume tom emocionado para escrever: “Juntos, o Espírito nos permitiu articular o discurso pertinente da teologia com o universo dos pobres e excluídos de nosso Continente. Desse encontro nasceu uma espiritualidade dos olhos abertos e das mãos operativas. Pudemos participar dos dois mundos: o conhecimento teológico mais lúcido e a sabedoria dos humildes da Terra, nos quais nos encontramos e continuamos a encontrar o Cristo crucificado que quer ressuscitar. Você foi o primeiro a inaugurar este kairós de pensamento teológico e da prática que vem sob o nome de Teologia da Libertação”.

Frei Gustavo Gutiérrez Merino nasceu em Lima, no Peru, no dia 8 de junho de 1928. É considerado o Pai da Teologia da Libertação. Hoje, ele reside no convento dos dominicanos de Lima. Divide o seu tempo entre o seu trabalho pastoral, os retiros que prega, os cursos de teologia na Universidade de Notre Dame (Indiana, EUA) e no Studium Dominicano de Lille (França).

Foto: Gustavo Gutiérrez durante Assembleia dos Capuchinhos da América Latina e Caribe, em 2017.