A InstituiçãoNotícias › 09/04/2018

Congo na alegria de Nossa Senhora da Penha

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Frei Augusto Luiz Gabriel e Moacir Beggo

Vila Velha (ES) -  O congo é uma manifestação cultural e musical tipicamente capixaba. E não poderia faltar na festa de Nossa Senhora da Penha. Reunidas no segundo ano da Romaria dos Conguistas, as bandas foram recebidas no dia da Padroeira pelo guardião do Convento, Frei Paulo Pereira e Frei Gílson Kammer, que rezaram com eles e deram a bênção.

Hoje, no Espírito Santo existem 65 bandas. É o único estado brasileiro com esta tradição musical, embora no Maranhão e Minas exista a tradição das congadas. A mais próxima do congo capixaba é a do Maranhão. As Bandas de Congo têm seu ritmo marcado por tambores e a casaca.

“Os tambores e as casacas ficaram em silêncio esperando o grande momento da Páscoa e da ressurreição. Quando esse tempo pascal chegou, eles voltaram a tocar traduzindo a alegria do anúncio da ressurreição de Jesus. Tambor anuncia vida nova, vida plena, vida para todos. Isso que nós celebramos nessa hora nesse Campinho”, explicou Frei Paulo.

“Tambor, casaca, palma e dança revelam a nossa esperança em um mundo novo, sem morte, sem dor. Um mundo novo onde todos somos irmãos em Jesus Cristo Ressuscitado.  Por isso, as bandas de congo do nosso Estado vêm hoje aqui para renovar o compromisso de continuar a ser resistência, a ser luta, a ser cultura boa, nova,  transformada”, disse Frei Paulo.

congo_090418_3“As bandas de congo vêm aqui para manifestar que queremos e podemos construir mundo novo, de inclusão, de fraternidade, de acolhimento. Um mundo sem violência, um mundo sem morte trágica”, destacou Frei Paulo.

“Tambores, casacas, palma e dança falam disso. E nós queremos que as bandas de congo sejam instrumentos desse sonho, sejam canais desse sonho. É possível criar mundo novo. É possível criar esperança renovada porque Jesus Cristo está do nosso lado”, insistiu o guardião.

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Os aprendizes de marinheiro trouxeram o mastro até o Campinho para receber a bênção e ser fincado na Prainha, no portão do Convento. “Ele recorda que Deus nos salva de muitos naufrágios desta vida. O maestro é sinal do salvamento de Deus. O cuidado que ele tem por cada um de nós”, explicou o guardião Frei Paulo, que pediu para que os instrumentos tocassem um de cada vez (casacas, pandeiros e tambores) para homenagear a Virgem da Penha. Após a bênção, os Conguistas acompanharam o mastro até a Prainha.

O congo do Espírito Santo foi oficializado como o primeiro patrimônio imaterial do estado em uma cerimônia realizada em novembro do ano passado em Vitória. Mas segundo o mestre Valdemiro Salles, da banda Panela de Barro, de Goiabeira, os grupos vivem com “nosso sacrifício”. Para ele, são muitas as barreiras para divulgar essa cultura capixaba. “A gente necessita ser mais olhado pelo poder público. De qualquer maneira, nós caminhamos com os nossos próprios pés. Nós estamos lutando e conseguindo manter viva essa tradição. Não descansamos. Fazemos isso porque gostamos do congo. Nascemos e crescemos com essa tradição e ela vai continuar”, explica o Valdemiro, que é mestre há 18 anos.

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congo_090418_2Para ele, o poder público valorizar essa cultura típica do Estado. “Ainda assim estamos buscando caminhos alternativos. Eu, por exemplo, estou com minha banda nas escolas, dando aulas, vou a universidades e escolas de música. Felizmente, existe um público que tem vontade de fazer com que nossa cultura resplandeça e está nos ajudando nisso. Eu até vejo com otimismo porque acredito que daqui para frente a coisa vai melhorar muito”, espera o mestre.

Para ele, a Romaria dos Conguistas trouxe mais visibilidade para o congo. “Nós somos católicos, por isso louvamos São Benedito e São Sebastião. Não se trata somente de uma manifestação folclórica, mas temos fé também. Queremos fazer a nossa homenagem aqui”, explicou. Segundo ele, em algumas escolas não podem cantar músicas com temas religiosos porque existem pessoas de outras religiões e denominações de fé. O congo está muito próximo das festas católicas. E o Convento abriu as portas para nós e isso é muito gratificante”, comemora Valdemiro, que comanda um grupo de 35 pessoas que desde 1938 mantém a tradição do “Panela de Barro”.

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