Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Relembre a CF de 1993, que também reivindicou o direito à moradia digna

26/02/2026

Notícias

A Campanha da Fraternidade (CF) deste ano tem como tema principal “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). O objetivo é mobilizar comunidades em todo o país, propondo reflexões e ações concretas com relação à moradia digna e a necessidade de enfrentar as desigualdades que marcam a realidade brasileira. 

Em 1993, a temática também foi utilizada na CF com o lema “Onde moras?”. Na época, o objetivo central foi afirmar o direito à terra e à moradia como condição básica para o desenvolvimento de uma vida plena. 

A campanha teve como foco quatro eixos fundamentais: do Indivíduo (subjetividade, inviolabilidade), da Família (acolher, gerar, defender e promover a vida), da Fraternidade (solidariedade) e do Exercício da Cidadania (condições para viver e morar saudável e dignamente – infraestrutura, equipamentos sociais e meio ambiente –, além de participar e decidir a vida da cidade).

Relembre abaixo a música da CF 1993 e a carta do Papa João Paulo II sobre a Campanha! 

Música utilizada durante a CF 1993: Onde moras? 

Letra: Maria Luiza P. Ricciardi
Música: Pe. Expedito B. de Macedo SCJ

Ó Senhor, chegando vamos com alegre coração,
mas irmãos estão ausentes a sofrer sem lar, nem pão.
Desejamos confiantes expressar o seu clamor:
“Nosso Deus, escuta a prece do teu povo sofredor!”

“Onde moras”? É o grito que a nós todos desafia.
|:“Vem e vê”, Senhor, a luta pra ter pão e moradia:

Deus amigo, bem conheces a dureza do penar
de quem vive procurando uma casa pra morar.
Sorte igual teve o teu Filho, sem poder nascer num lar,
só na gruta, escura e fria, encontrou, enfim, lugar.

Deus vivente, nosso abrigo, nós queremos partilhar
com o irmão empobrecido, que não tem ainda um lar.
Celebrando tua Páscoa, vamos dar-nos sempre as mãos
pra teu reino de justiça construir em mutirão.

Carta do Papa João Paulo II para a CF 1993

Amadíssimos Irmãos e Irmãs do Brasil!

Como venho fazendo todos os anos, à convite da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na Quarta-Feira de Cinzas dou por iniciada a CAMPANHA DA FRATERNIDADE com uma mensagem quaresmal, que se destina a transmitir-vos aquilo que vai pelo coração do Papa, e para caminhar no sentido indicado por Cristo Nosso Senhor que, com a sua morte e ressurreição, deu-nos a Vida e no-la deu em abundância.

A Quaresma é, como todos sabem, tempo de penitência e de renovação interior para nos preparar à Páscoa do Senhor, procurando ouvir a voz do Alto, que chega a cada um, na intimidade do coração: Convertei-vos. Voltai-vos para mim de todo o coração (cf. Jl 2,12).

Hoje a Igreja, com o lançamento desta Campanha que, com razão, é dita da Fraternidade, nos quer propor o tema “ONDE MORAS?”, para indicar uma das exigências essenciais do homem, enquanto peregrina sobre a terra, de possuir os meios necessários para ter uma vida digna de filhos de Deus. Deste modo, ela nos convida a não nos esquecer que a nossa fé intima-nos a nunca eludir o compromisso pessoal de sair em defesa da justiça particularmente no âmbito dos direitos fundamentais da pessoa. Cumpre-nos defender o direito, que todos têm, de viver, de possuir o necessário para desenvolver uma existência digna, de trabalhar e descansar, de formar um lar, de passar serenamente o tempo da doença ou da velhice, mas sobretudo de conhecer e de amar a Deus.

Quando alguns dos discípulos encontram a Jesus pela primeira vez, eles perguntam espontaneamente: “Mestre, onde moras?” E o Senhor lhes responde: “Vinde e vede” (Jo 1,37-38).

Nós também, que fomos chamados “familiares de Deus” (Ef 2,19), Lhe perguntamos: Aonde vives Senhor? Aonde estás, para que nós possamos estar junto de Ti, e viver na condição de filhos de Deus, criados à Tua Imagem e semelhança? A Igreja – e com ela os seus Pastores – assume a grave responsabilidade de responder, em nome de Deus, vinde e vede! Ela tem o dever inalienável de exigir o respeito da pessoa humana, que tem origem nos direitos derivados da sua dignidade de criatura.

Cristo, o Deus feito Homem, veio à terra nos redimir, sem se afastar minimamente das condições de vida que qualquer pessoa se submete neste mundo. A situação do lar de Nazaré, não era distinta à de tanta gente que experimenta a pobreza, o abandono e a privação. Não lhe faltou, porém, o carinho e o desvelo de Nossa Senhora e de São José que se prodigavam pelo Menino numa vida de doação, de trabalho e de alegria, para que nada Lhe faltasse. E o Senhor certamente hoje no-lo mostraria, tal como o fez aos primeiros discípulos: “Vinde e vede.” Ele nos quer mostrar aquele “lar modelo” de todos os lares cristãos: o abrigo protetor, o espaço da família, o lugar onde se necessita projetar a própria intimidade. O ser humano tem necessidade desse lugar, que não é apenas físico, mas também afetivo, integrador e educativo. A moradia é direito pessoal e familiar. E também importante fator de estabilidade social.

“Se me invocardes, Eu vos escutarei” (Intr. Missa 1″ Dom. Quaresma). Vamos pedir a Deus, para que sejam encontradas as soluções destinadas a resolver o problema da moradia no Brasil. Que ao apelo de cada brasileiro, corresponda uma resposta cheia de solidariedade, de justiça e de caridade. Que todos possam responder com paz e alegria à pergunta: Aonde vives?: Vinde e Vede!

E QUE DEUS VOS ABENÇOE E VOS PROTEJA, EM UNIÃO COM NOSSA SENHORA APARECIDA E COM O GLORIOSO SÃO JOSÉ!

Campanha da Fraternidade 2026

Todos os anos, somos chamados a viver a Quaresma como um tempo de conversão pessoal e comunitária através da Campanha da Fraternidade (CF). Mais do que uma ação pontual, a CF é expressão viva da missão evangelizadora da Igreja, comprometendo-se com a transformação social, especialmente em favor dos mais vulneráveis.

Em 2026, a Campanha da Fraternidade traz como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Inspirada no mistério da Encarnação, a campanha convida toda a sociedade a refletir sobre a realidade da moradia no Brasil, marcada por profundas desigualdades. A falta de um teto digno não é apenas uma carência material, mas um sinal da exclusão social que atinge milhões de pessoas.

Clique aqui para saber mais sobre a Campanha da Fraternidade 2026


Por Guilherme Coutinho