A InstituiçãoNotícias › 08/04/2018

D. Dario: “Torne a sua vida uma expressão de amor”

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Frei Augusto Luiz Gabriel e Moacir Beggo

 Vila Velha (ES) – Uma das romarias mais participativas da Festa da Penha é a da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Neste ano, celebrando 60 anos de fundação, seus fiéis devotos lotaram cerca de 50 ônibus, vans e um grande número de veículos particulares para participar desta homenagem a Nossa Senhora da Penha.

O bispo franciscano Dom Dario Campos presidiu a Celebração Eucarística às 15 horas e fez uma reflexão, com base no tema da Campanha da Fraternidade deste ano, sobre o individualismo e desamor que imperam no nosso tempo. Para o povo, que não tinha como se locomover no Campinho lotado, brincou antes de fazer a homilia. “Eu conversei com o guardião da Penha, e ele disse que eu poderia fazer uma homilia até 9 horas” (risos). E emendou: “Só não poderia ficar depois da Romaria dos Homens, viu!” (mais risos). E fechando a brincadeira para riso geral, disse:  “E depois ele iria convidar todo mundo para jantar!” Ele agradeceu com carinho a acolhida dos seus confrades franciscanos do Convento e saudou o bispo  auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Juarez.

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A Diocese de Cachoeiro de Itapemirim foi erigida canonicamente pelo Papa Pio XII, por meio da Bula “Cum Territorium”, de 16 de fevereiro de 1958, a partir de território desmembrado da então Diocese do Espírito Santo, hoje Arquidiocese de Vitória.

Segundo D. Dario, vivemos num tempo em que muitos fizeram a opção por viver o individualismo. “Está muito marcada, hoje, essa questão do individualismo e que se agarra em instâncias muito tangíveis. Às vezes, causa tristeza, solidão, doença e morte. E cada vez mais temos que testemunhar o amor, porque o desamor impera nos nossos dias e na nossa vida. Ele vem, muitas vezes, disfarçado pela falta de acolhida que vai se estabelecendo os relacionamentos humanos. Corremos o risco de descaracterizar o humano que está dentro de cada um de nós”, alertou o bispo de Cachoeiro.

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Citando o tema “Fraternidade e superação da violência” da CF 2018, disse que quando falamos de violência, logo pensamos nas pessoas violentas e nas consequências que elas causam. “Acontece que a violência pode ser praticada em momentos e atitudes nossas que nem percebemos. Um destrato, um olhar indiferente, uma crítica maldosa, uma fofoca, um relacionamento familiar com pouca falta de amor, falta de atenção para com a esposa, para com o esposo ou os filhos. Muitas vezes falta de tempo dentro de casa”, lamentou, revelando uma confissão de um jovem. “Certa vez um jovem me contou que estava querendo conversar com o pai à noite, mas ele queria ver jornal, as novelas etc. Por mais que ele insistisse, o pai nunca tinha tempo.  “Deixa pra depois! Deixa para o intervalo!” Até que o menino ficou enfurecido, e disse: “O sr. só teve tempo para mim nove meses antes de eu nascer!”

“Essa falta de carinho, de ternura, muitas vezes assola o nosso lar. Quando abrimos nosso jornal ou ligamos a TV, o que vemos? Só manchetes desastrosas, que muitas vezes tiram o nosso sossego, já que estão tão carregadas de maldade e destruição da vida. Diante dessa nossa realidade, podemos perguntar: Onde vamos parar? Que mundo estamos construindo para nós e para nossos filhos?”, questionou.

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Para ele, a resposta a essas perguntas está em voltar ao ideal de Deus. “Qual é o ideal de nosso Deus? Qual é o ideal de Jesus de Nazaré? Ideal de Jesus de Nazaré é um Deus que tudo criou e viu que tudo era bom. Ele jamais desiste de nós. Durante toda a história do povo de Israel podemos perceber Deus se revelando enquanto não abandona seus filhos amados e prediletos. Mesmo quando o povo se revolta contra ele. Paciente e misericordioso, Ele se apresenta. Na ressurreição de Jesus dá essa prova máxima de amor. E na ressurreição que estamos celebrando, Deus proclama, Deus grita, pede que cada de um nós: tire de dentro de seu coração aquilo que é mau, aquilo que não é vida. Jogue, liberte-se disso, meu irmão e minha irmã, porque o espírito de amor vai renovando toda a face da Terra e nós somos testemunhas de Jesus de Nazaré. Hoje, aqui, agora, temos que fazer tudo novo, tudo com amor”, ensinou.

“O mundo que queremos para nós é o mundo que impera a vida. A violência e a morte não têm a palavra final. A palavra final é a misericórdia e o amor de Deus”, disse.

“Aqui presente, nesta tarde, ao constatar tamanha prova de amor de Deus por todos nós, faz-se importante voltar o nosso coração ao coração de Deus e entender que Ele nos dá oportunidade e aponta caminhos novos para cada um, para que torne a sua vida uma expressão de amor, que se prolongue pelo tempo, e que cada um, diante de um irmão e irmã, não saia correndo de medo, mas possa correr em sua direção para dar um abraço de eterna alegria”, completou.

No final, o guardião da Penha, Frei Paulo Pereira, deu os avisos e fez os agradecimentos.

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FREI MEDELLA TAMBÉM PEDE PELA VIDA

O sétimo dia do Oitavário, o Momento Devocional Franciscano e Mariano, foi presidido neste sábado (7/4), antes da Santa Missa, pelo Definidor da Província da Imaculada, Frei Gustavo Medella, que na sua reflexão, partindo do tema “Frei Palácios recebido por Nossa Senhora no céu”, pediu vida digna para todos.

“Frei Palácios teve uma morte, que podemos considerar, uma morte santa. Já de idade, debilitado, suas forças se foram e ele partiu para perto da Mãe”, disse Frei Gustavo, enquanto um leigo e uma jovem encenaram o frade sendo acolhido pela Mãe de Deus.

“Como cristãos nós devemos lutar e trabalhar para que maior número possível de pessoas tenham uma morte nessa situação. E como nós trabalhamos? Cuidando bem da vida”, ensinou Frei Medella.

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“A mulher engravidou, atenção a ela! Cuidado, exame, todo acompanhamento médico; nasceu a criança: hospital, alimento, carinho, família; cresceu, ficou maiorzinho: escola, atividades, valores, religião; ficou maior ainda: trabalho, orientação, ajuda, carinho; adoeceu: cuidado, todo cuidado possível, médico, remédio, atenção, olhos atentos da família, para que então, quando Deus chamar, possa, mansamente, tomar o rumo da eternidade. Nada de tiro, nada de morte violenta, nada de violência, nada de agressão, nada de malcriação, que machuca o coração de Deus e o nosso. Nós nascemos para viver e, quando Deus chamar, nós vamos na mansidão do coração. Ninguém nasce para ter a vida ceifada num ato de estupidez, ignorância, agressão, de uma bala, de uma faca, de uma arma, que fere e mata e nada constrói.  Trabalhemos para que o maior número de pessoas possível possa ter uma morte santa, abençoada, assistida e que seja essa pessoa acolhida na misericórdia do Pai”, pediu Frei Medella.

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A PROMESSA DE IGOR E PATRÍCIA

Em todas as Celebrações no Campinho, a devota Patrícia Eggert Daniel está acompanhada com seu filho, Igor, e uma imagem de pano de Nossa Senhora da Penha. Ela e o filho pagam uma promessa de sete anos. Este ano é o sexto desta peregrinação, coincidindo com o mês de nascimento do seu filho Igor.

“Depois de muito tempo fazendo tratamento para engravidar, a médica me disse que eu só poderia ter filhos fazendo inseminação artificial. Então, resolvi fazer uma promessa a Nossa Senhora da Penha: se eu conseguisse realizar o meu sonho, iria participar das missas no seu dia. Depois de 7 anos, consegui a graça de engravidar, e naturalmente”, conta Patrícia.

Mas uma nova provação surgiu no seu caminho: “Quando completei 12 semanas, fiz um exame de rotina gestacional. O médico não gostou do resultado e, com o parecer de outros médicos, informaram-me que meu bebê teria 50% de chances de nascer com síndrome de Down. Fiquei muito abalada mas não perdi a minha fé. Aos pés de Nossa Senhora da Penha, depois de muito choro, entreguei o meu bebê aos cuidados dela! E reforcei a promessa que tinha feito há 7 anos! Ainda não sabia o sexo do bebê, mas prometi que se nascesse com saúde, apesar da síndrome, iria fazer todo o Oitavário e Missa durante 7 anos. Se fosse menina, ela iria vestida de Nossa Senhora da Penha; se fosse menino, iria confeccionar uma imagem para ele levar em mãos durante os sete anos todos os dias do Oitavário. Fiz acompanhamento gestacional com ultrassom mensal, mas não quis realizar o exame que colhe líquido amniótico da placenta pelo risco de aborto. Com isso, só ao nascer conheceríamos suas condições físicas. Ao nascer, a emoção foi inimaginável! Pois, além de eu estar com meu pequeno nos braços, ele nasceu saudável e sem a síndrome. Eu tinha fé, e acreditava fielmente que a Mãe tinha me concedido a minha graça!”.

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