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A comunidade cristã, albergue do Ressuscitado

Posted By jovenal On 03/05/2014 @ 08:55 In Artigos,H – Destaque 6 | Comments Disabled

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Estamos vivendo o tempo pascal. Na Liturgia das Horas e na celebração cotidiana da Eucaristia  lemos textos que nos colocam diante do Ressuscitado e dos primeiros  discípulos de Cristo diante dos acontecimentos do primeiro dia  da semana após sua morte cruel no alto da cruz. Nós, cristãos de todos os tempos, vinculamo-nos a esse Crucificado-Ressuscitado.

 Não somos discípulos do Cristo da sepultura. Reunimo-nos em torno do Ressuscitado. Aquele que foi levantado na cruz atraiu todos os olhares. Nós também, com o olhar da fé, contemplamos aquele que foi traspassado.  Vivemos na Igreja que, de alguma forma, é albergue do Ressuscitado. Nesse tempo não nos cansamos de cantar os aleluias. A Vida venceu a morte.

Fr. Almir Ribeiro Guimarães, OFM
freialmir@gmail.com [1]

Somos companheiros do Ressuscitado

Exulte o céu do alto,
aplaudam terra e mar;
o Cristo ressurgindo,
a vida vem nos dar.

Hino do Ofício das leituras Liturgia das Horas

oracao

Estiveste inteiramente presente na terra,
sem te ausentares do céu,
quando voluntariamente sofreste por nós.
Por tua morte, venceste a morte.
Por tua ressurreição nos deste vida.

A ti cantamos:

Jesus, doçura do coração
Jesus vigor dos corpos
Jesus, claridade da alma
Jesus, agilidade do espírito
Jesus, alegria de meu coração
Jesus, minha única esperança
Jesus, lembrança eterna
Jesus, supremo louvor
Jesus, plenitude de minha alegria.

Jesus, meu desejo, não me rejeites.
Jesus, meu pastor, busca-me.
Jesus, meu salvador, salva-me.
Jesus, Filho de Deus, tem piedade de mim.

Hino acadista (sec, V)

texto 

a) Vida escondida em Cristo

Irmãos, se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado  à direita de Deus;  aspirai às coisas do alto, onde está Cristo sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes e a vossa vida está escondida, com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis  também com ele, revestidos de glória (Colossenses  3, 1-4).

b) A vida das primeiras comunidades

Eles frequentavam com perseverança a doutrina dos apóstolos, as reuniões em comum, o partir do pão e as orações. De todos apoderou-se o medo à vista dos muitos prodígios e sinais que os apóstolos faziam. E todos que tinham fé viviam unidos, tendo todos os bens em comum. Vendiam as propriedades e os bens e dividiam o dinheiro com todos, segundo necessidade de cada um. Todos os dias se reuniam unânimes, no Templo. Partiam o pão nas casas e comiam com alegria e simplicidade de coração. Louvavam  a Deus e gozavam da simpatia de todo o povo. Cada dia o Senhor lhes juntava outros a caminho da salvação (Atos 2,  42-47).

c) Um só coração e uma só alma

A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava propriedade sua o que possuía. Tudo entre eles era comum. Com grande eficácia os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus e todos os fiéis gozavam de grande estima. Não havia necessitados entre eles. Os proprietários dos campos ou casas vendiam tudo e iam depositar o preço da venda aos pés dos apóstolos. Repartia-se, então, a cada um segundo sua necessidade. José, chamado pelos apóstolos de Barnabé, que significa filhos da consolação, levita e natural de Chipre, possuía um terreno. Vendeu-o e foi depositar o  dinheiro aos pés dos apóstolos  (Atos 4, 32-37).

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● Somos cristãos. Cada um dos que somos discípulos do Senhor temos nossa vida, nossa história, nossa trajetória.  Temos a alegria de poder dizer que somos cristãos. Esse é um nome que nos honra e nos dignifica. Nossa vida gira em torno dele, do Senhor que vive. Ele não está mais na morte, mas foi arrancado do mundo dos mortos pelo Pai ao qual ele foi inteiramente fiel. Viveu ele, no alto da cruz, a síntese de sua vida. Uma existência completamente orientada para os outros e para o Outro, esse Pai que o amava e que, apesar de calado, não o largou um só instante. Ressoam aos nossos ouvidos essa entrega do Mártir do Calvário: “E inclinando a cabeça, entregou o Espirito”.  No momento do trespasse, da entrega irrestrita, no meio desse gesto de amor, já era dado o Espírito, do qual somos beneficiários.

 Ele vive não como um cadáver reanimado. Ao longo de nossa vida vamos tentando encontrá-lo e buscá-lo. Os que creem nele, nele renascem. Não basta contemplar à distância sua morte e ressurreição. Morremos e vivemos com ele. “Ontem pregado à cruz com Cristo, hoje sou glorificado com ele. Sepultado com ele ontem, hoje, com ele ressuscito. Aquele que hoje é ressuscitado dos mortos, o Cristo, ele me renova em espírito e me reveste do homem novo. Deus dá na pessoa do Cristo à criatura nova, a todos os que nasceram de Deus, um tutor e um guia. É ele que morre livremente com a criatura para ressuscitar com ela. Apresentemos, pois, nossas oferendas ao que sofreu por nós. Que cada um dê tudo ao que se deu a si mesmo como preço de nossa redenção. O que de melhor podemos lhe dar? Refazer em nossa vida tudo o que ele quis realizar por amor de nós. Sejamos como o Cristo, porque o Cristo quis ser como  nós. Sejamos deuses para ele, já que ele quis se tornar homem por nós.  Assumiu nossa baixeza para partilhar conosco sua grandeza.  Tornou-se pobre para nos enriquecer com sua indigência. Assumiu a forma de escravo para nos dar a liberdade. Abaixou-se para no soerguer, foi tentado para que fôssemos vitoriosos; foi desprezado para nossa glorificação. Morreu para nos salvar. Subiu ao céu para nos arrastar com ele os que jazíamos na terra vítima do pecado. Fez-se tudo para nós, para que sejamos tudo para ele”  (Gregório de Nazianzo, PG  36, col. 624-664).

● Cabe-nos, ao longo da vida, reconhecer sua misteriosa presença em nosso meio, no seio da Igreja e nesse mundo que também foi tocado por sua gloriosa ressurreição. Partimos dessa convicção de sua presença. Nascemos de novo. Não entramos no ventre da mãe. Nascemos do alto, da água e do Espírito. A Igreja não é uma organização qualquer, mas o espaço onde são recolhidas as graças da paixão e onde podemos vislumbrar a presença do Ressuscitado.  Morremos com ele na sexta-feira das dores e na economia sacramental nos lavamos com a água de seu lado aberto e nos alimentamos de seu sangue.  Já não somos mais da terra, mas do alto. Não levamos uma vida qualquer, vida banal, medíocre, interesseira, pequena, acanhada. Não aspiramos mais às competições tolas e aos êxitos epidérmicos.  Morremos com Cristo e nossa vida está escondida, com Cristo, em Deus.  Que ninguém nos incomode.  Somos criaturas novas.

● Nossa vida cristã é vida nova.  Passou o que era velho.  Mesmo com idade avançada temos o viço da novidade de Cristo em nós. José Antonio Pagola nos ajuda a compreender essa presença do Ressuscitado:  “A fé em Cristo ressuscitado não nasce hoje em nós de forma espontânea, só porque ouvimos desde crianças catequistas e pregadores. Para abrir-nos à fé na ressurreição de Jesus temos de fazer nosso próprio percurso.  É decisivo não esquecer Jesus, amá-lo com paixão e buscá-lo  com todas as nossas forças, mas não no mundo dos mortos. Aquele que vive deve ser buscado onde há vida.  Se quisermos encontrar com Cristo ressuscitado, cheio de vida e de força criadora, devemos buscá-lo não numa religião morta, reduzida ao cumprimento e observância externa de leis e normas, mas onde se vive segundo o Espírito de Jesus, acolhido com fé, com amor e com responsabilidade por seus seguidores (…). Não vamos encontrar aquele que vive numa fé estagnada e rotineira, gasta por todo tipo de lugares comuns  fórmulas vazias de experiência,  mas buscando uma qualidade nova em nossa relação com Ele e em nossa identificação com seu projeto.  Um Jesus apagado e inerte, que não apaixona nem seduz, que não toca os corações nem transmite sua liberdade, é um “Jesus morto”. Não é o Cristo vivo, ressuscitado pelo Pai. Não é aquele que vive e faz viver”  (O Caminho aberto por Jesus,  Vozes, p. 238).

● Os primeiros cristãos devem ter experimentado a presença do Ressuscitado intensamente. Talvez Lucas tenha, aqui e ali, nos textos acima transcritos, idealizado alguma coisa.  O caminho para encontrar o Ressuscitado está ali.
● Encontramos o Ressuscitado perseverando na doutrina dos apóstolos, na leitura e penetração do sentido das Escrituras. Comunidades sedentas do Senhor ouvem a Palavra na qual o Ressuscitado se esconde. Felizes os que podem participar de grupos em que se faz a Leitura orante da Bíblia.
● Quando pessoas límpidas e transparentes se reúnem em nome dele, ele se faz presente, não um fantasma, mas o Cristo Ressuscitado.  Ele se ausenta dessas assembleias em que a Palavra é lida por ser lida sem cair em corações que buscam o Senhor.  O Ressuscitado e seu Espirito não gostam de caminhos batidos.
Os primeiros cristãos aprenderam com os judeus a rezar e passaram a rezar ao Senhor e com o Senhor. Os primeiros cristãos perseveram na oração comum onde certamente  experimentavam a presença do Senhor.
● Os Atos dos Apóstolos falam fração do Pão. Lembram a partilha da caridade como lugar onde se manifesta o  Ressuscitado.  Os que cuidam dos outros sabem que cuidam do Cristo.  Essa partilha ou fração do pão lembra a Eucaristia. Ali está um espaço privilegiado de encontro com o Senhor. Não pensamos na materialidade dos ritos, feitos e vividos mecanicamente.  Pensamos em pessoas que se oferecem com o pão e vinho que é corpo dele, vida dele.  Ali está o Senhor. Os discípulos de Emaús não o encontraram no partir do pão?  Para nós não haverá de ser de outro modo.

● “Com grande eficácia os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor e todos os fiéis gozavam de grande estima”  (Atos 4, 33).

seleto

O caminho da glória

Aqui começa o caminho da glória  do Senhor Jesus Cristo, o Vivo.
Ressuscitado pelo Pai, no caminho, manifestou-se ele a homens que o reconheceram na fração do pão.

Deu a Tomé os sinais de sua glória e alimentou os seus com seu Amor.
Aos que haveria de enviar pelo mundo afora  declarou que não os abandonaria, que permaneceria com eles, mesmo quando fosse elevado. Não iria deixá-los órfãos.

Dando o Espírito abriu o caminho da glória e a partir de então por toda a terra a Boa Nova foi abrindo  caminho de salvação para  todas as línguas e nações.
Enquanto os homens caminham  ele se torna presente todas as vezes que dois ou três se reúnem em seu nome.

Ele voltará, iluminado pela glória, Cordeiro vitorioso, para conduzir a humanidade à ultima etapa da viagem  quando se estancarão todas as lágrimas e onde, se  Deus quiser, ele haverá de nos chamar de benditos de seu Pai, seus irmãos, convidados para o festim das núpcias eternas, convidados para contemplar  face a face o Deus três vezes santo.

Lecionário semanal  Emaús

final

Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes e fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou e o sangue que nos redimiu.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém.


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