Sínodo dos Bispos sobre a Juventude

Frei Luiz Iakovacz

De 3 a 28 de outubro próximo, no Vaticano, acontecerá o XV Sínodo dos Bispos sobre a Juventude. Historicamente, a realização de um Sínodo (= caminhar juntos) remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Seu objetivo era analisar questões circunstanciais e dar-lhes as devidas decisões.

O Concílio Vaticano II (1962 -1965) resgatou este “caminhar juntos”. Convocado pelo Papa, juntamente com representantes de todas as Conferências Episcopais e outros convidados, o Sínodo reflete temas atuais, cujos encaminhamentos são entregues ao Papa para que, em seguida, publique uma Carta/Encíclica. É um órgão consultivo, mas de grande importância.

Ressalte-se que faz parte do processo sinodal um antes, um durante e um depois.

No caso da Juventude, que passos foram dados em vista de seu êxito?!

Para a elaboração do Instrumentum Laboris – material que todos os sinodais terão em mãos – foram disponibilizadas muitas informações, entre as quais, duas merecem destaque: o Documento Preparatório e a consulta aos próprios jovens.

O primeiro foi enviado a todas as Dioceses e Organismos Eclesiais. A introdução mostra uma explícita abertura: “A Igreja decidiu interrogar-se sobre o modo de acompanhar os jovens”.

A seguir, no corpo do Documento, há constantes apelos de como relacionar-se com os jovens e as novas tecnologias, o que eles pensam da política, da família, da escola e da formação religiosa. Não faltam pedidos para que sejam enviadas propostas ou experiências feitas com jovens afastados da Igreja, com aqueles que dela participam e com os que se apresentam como vocacionados.

Na conclusão, são apresentadas quinze perguntas em nível global e três direcionadas à realidade de cada continente. Tudo isso é solicitado no Documento Preparatório.

Quanto ao “escutar os jovens”, o Vaticano disponibilizou um “site”. Nele, os próprios jovens podem dizer “quem são, o que querem e o que os outros devem saber sobre eles”. Também pede opinião pessoal sobre certas questões, como: qual é a idade certa para ter filhos e quantos; o que pensam sobre o fato de ter que deixar a casa dos pais e com que idade; se praticam algum tipo de religião e que influências as redes sociais têm em suas vidas.

Deste site, vieram mais de 221.000 respostas, das quais 20% eram de não-católicos.

No dia 13 de janeiro de 2017, o Papa enviou uma carta pessoal a todos os jovens. Nela, reflete o apelo feito a Abraão de “sair da sua terra” – não para fugir dos parentes e do mundo – mas como um convite/ provação em busca da “terra que Eu te mostrar” (Gn 12,1). A única segurança é: “Não temas, Eu estarei contigo” (Jr 1,8).

Para os dias 19 a 24 de março de 2018, no Vaticano, o próprio Papa convocou a inédita “reunião pré-sinodal de Jovens”. Foram convidados 300 deles entre católicos, evangélicos, não-cristãos e ateus. Cinco eram brasileiros. Durante esses dias aconteceram cerca de 15.000 postagens no Facebook. Na abertura, numa linguagem coloquial/juvenil, o Papa abordou e refletiu os mais variados problemas que os jovens enfrentam. Insistiu para que, a partir dos trabalhos em grupos, “escrevessem seus sonhos e problemas, e no que a Igreja os deve escutar e levar a sério”.

Selecionou e respondeu a cinco perguntas vindas de uma jovem nigeriana, de um ateu francês, de uma argentina, de um seminarista ucraniano e de uma religiosa chinesa.

Como fruto desses dias, os jovens escreveram um documento final de 16 páginas que foi entregue ao Papa, no dia 25, Domingo de Ramos, Dia Mundial da Juventude.

Tudo está preparado. Que nossas orações/sacrifícios sejam adubo/ água para concretizarem uma Igreja Jovem!