Um santo humilhado como Jesus

Frei Daniel P. Horan

A cruz foi fundamental no início da conversão de São Francisco.

No caso de Francisco de Assis, ele realmente tornou-se como Aquele a quem amava. Se a cruz foi fundamental no início de sua conversão, foi também formativa em sua vida diária e representada de maneira única no final de sua jornada terrena. A maioria das pessoas está familiarizada com seus estigmas, a recepção milagrosa das cinco chagas de Jesus, perto do fim da vida do santo.

Teólogos sugeriram que uma das maneiras pelas quais podemos entender as marcas da crucificação no corpo do santo é que ele conforma sua vida à de Jesus, pois ele estava tão comprometido em viver o Evangelho, tão aberto a ser transformado pelo amor de Deus, que o santo tornou-se como Aquele que amava: Jesus.

Esta manifestação, de maneira física, é rara, mas a forma exemplar de seu próprio modo de viver o Evangelho, visto até hoje pelos milhões de mulheres e homens que são inspirados por seu exemplo, demonstra a capacidade transformadora do amor em uma maneira muito poderosa.

Os primeiros biógrafos do santo observam que o dom dos estigmas era de fato bastante doloroso. Em outras palavras, um dos efeitos do poder transformador do amor de Deus visto fisicamente nas feridas em seu corpo, era o sofrimento.

Uma visão particularmente franciscana da cruz de Jesus e da Paixão do Senhor, requer que o amor e o sofrimento não estejam separados, mas, como o próprio significado da palavra  paixão sugere, esses dois lados da moeda permanecem conectados em nossas reflexões.

Em segundo lugar, devemos retornar à Encarnação e ao imenso amor que levou Deus a tornar-se como um de nós. Qualquer reflexão sobre a cruz não deve ser desconectada da Encarnação, ou seja, a Sexta-feira Santa tem tanto a ver com o Natal quanto com a Páscoa. Quando nos apegamos ao sofrimento sem nos lembrarmos do amor que fornecia a condição para a possibilidade da cruz, acabamos distorcendo o sentido de nossa fé.

Finalmente, devemos reconhecer o inseparável poder transformador do amor. Como em todos os relacionamentos, ambas as partes devem estar abertas para amar e serem amadas. Em Jesus, a abertura está sempre presente, é nossa responsabilidade corresponder a esse amor. Em nossa resposta, nossa abertura pode levar à transformação e mudar a maneira como vemos o mundo, a maneira como tratamos uns aos outros, a maneira como nos importamos com criação e a maneira como nos relacionamos com nosso Criador.

Via Franciscan Media