O jeito cristão de acolher

Frei Gustavo Medella

Certa vez eu, petropolitano, ouvi uma crítica de uma capixaba que morava na Cidade Imperial: “Vocês, aqui de Petrópolis, são estranhos… Dizem: ‘passe lá em casa’, mas não dão o endereço; ou, então: ‘me ligue’, mas não passam o número do telefone”. Fiquei pensando sobre aquela consideração e se, de fato, procedia ou não. Certo é que a moça, em suas experiências, tinha sentido no povo de Petrópolis esta distância considerável entre o que afirmavam pelas palavras e realizavam com os gestos.

No Evangelho deste 15º Domingo do Tempo Comum, Jesus faz o envio missionário de seus discípulos, de dois em dois, recomendando-lhes o despojamento e a confiança na Providência. Jesus conta com a hospitalidade das pessoas e admite que podem também ocorrer experiências negativas, mas estas não deveriam ser a regra: “Se em algum lugar não vos receberem…” Neste caso, não era para criar escândalo, mas apenas seguir em frente.

O que Jesus não chegou a prever era a atitude “petropolitana” (brincadeira) de apresentar uma atitude de acolhida que, na realidade encobria um desejo de não receber o Senhor e seus mensageiros. Creio estar aí nesta contradição uma pergunta oportuna para medirmos a qualidade de nossa adesão a Cristo. Será que, às vezes, mesmo cantando: “Entra na minha casa, entra na minha vida”, não posso estar com as portas do coração fechadas para que o Senhor tenha acesso? Minha atitude de acolhida em relação aos que vêm a meu encontro têm sido sincera e disponível? Como as pessoas se sentem perto de mim? São algumas questões que podem nos ajudar a crescer em nosso testemunho de batizados e batizadas.

Quanto ao espírito de acolhida dos petropolitanos, posso garantir que, quem sobe a serra, vai se sentir bem entre o povo de Petrópolis. Além de ser turística, a cidade tem como vocação acolher pessoas de todos os cantos do Brasil que vêm para passear e comprar as famosas roupas de malha da Rua Teresa. Se você ainda não veio, pode vir que vai gostar. Se for no inverno, traga roupa de frio.

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Confira a reflexão em vídeo: