O CarismaNotícias › 11/06/2018

“No rosto do outro brilha o rosto de Deus”

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Frei Augusto Luiz Gabriel

São Paulo (SP) – Quem vive nas proximidades do Convento e Santuário São Francisco já sabe que, em determinadas horas do dia, o sino da Igreja, histórica e centenária, anuncia o início das missas. E, nesta segunda, 11 de junho, não foi diferente. Ao som das badaladas do sino teve início o 11º dia da Trezena de Santo Antônio. Frei Diego Melo, animador do Serviço de Animação Vocacional da Província Franciscana da Imaculada Conceição, foi o presidente da Celebração Eucarística do meio-dia e falou sobre o tema: “Santo Antônio, o Santo da Fraternidade”.

O pregador Frei Diego afirmou com convicção que o pão da fraternidade é de extrema importância e necessidade para todos. Fraternidade vem de frater, que significa irmão. Segundo ele, a fraternidade pode ser constituída por laços humanos sanguíneos, mas também espiritual. “É aquela fraternidade que conjuga e agrega pessoas que geram vínculos fraternos de irmãos e irmãs e que nasceram a partir de um espírito de fé de um carisma”, explicou.

ALÉM DOS LAÇOS SANGUÍNEOS

O celebrante também destacou que muitas pessoas têm outras que não são irmãos de sangue, mas que se consideram como se fossem. “Quase todos nós temos pessoas que não conviveram conosco desde crianças, que não vêm do mesmo seio familiar, mas que são tão irmãos como os de sangue. Isto é a fraternidade! Vai além dos laços de sangue”, ensinou o jovem frade.

Referindo-se ao Evangelho do 10º Domingo do Tempo Comum, onde Jesus diz que seus verdadeiros irmãos e irmãs são aqueles que fazem a vontade de Deus, o pregador acentuou que a fraternidade nasce do alto.

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“Santo Antônio, seguidor de São Francisco, sabia que existia outra fraternidade. Além do irmão de sangue e das pessoas que sempre estão ao nosso lado, existe a fraternidade cósmica. Por isso, os franciscanos chamam o pássaro de irmão pássaro, o sol de irmão sol. Por este motivo, São Francisco, no final da vida, criou o belíssimo ‘Cântico do Irmão’ sol dizendo: ‘Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão sol, irmã chuva, irmã terra, inclusive a irmã morte ele considerava também como bem vinda, porque ela era a chave de acesso a vida eterna. Olha só a beleza do carisma franciscano: fraternidade é o que nos liga e nos faz próximos, nos colocando assim em uma grande comunhão com os nossos semelhantes e inclusive com todas as criaturas”, ressaltou o frade.

NOSSO DIFERENCIAL

O pregador recordou que Santo Antônio não era franciscano, mas que ao ver os primeiros frades que iam até Marrocos anunciar a Palavra de Deus, e que depois voltaram mortos dentro de caixões como mártires, Frei Diego afirmou que Santo Antônio decidiu se tornar franciscano pelo diferencial da fraternidade.

Segundo ele, muitas pessoas dizem que os franciscanos são da pobreza. “Não! Nós temos evidentemente o nosso carisma voltado para os mais pobres, mas o que nos identifica é a fraternidade, é reconhecer que no outro também esta a presença de Cristo”, frisou Frei Diego. Segundo ele, é pelo amor dos frades aos pobres, excluídos e marginalizados que brilha o rosto de Deus. “E foi isso que encantou Santo Antônio, e por isso ele passou para a ordem franciscana, para obter fraternidade”, sublinhou.

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Para o pregador, é muito cômodo viver entre as pessoas que possuem o mesmo ideal e partilham da mesma fé, porém corre-se o risco de se acomodar, caindo muitas vezes na grande tentação do fechamento e isolamento. “O Evangelho de hoje nos ajuda a entender que a fraternidade não existe para si mesma, mas para os outros. Jesus disse: ‘Vão para o mundo de dois a dois e anunciem que o Reino dos Céus está próximo’, é para isso que existe a fraternidade, para ir ao encontro daqueles que estão necessitados”, enfatizou.

NO ROSTO DO OUTRO BRILHA O ROSTO DE DEUS

“Uma relação de fraternidade que se fecha em si mesmo, é autocentrada, autorreferencial e não esta na dinâmica do Evangelho. A verdadeira fraternidade sempre é aberta e inclusiva. Se você tem um irmão ou uma irmã, e são amigos, mas não há espaço para outras pessoas, reveja, porque pode ser que não exista fraternidade e sim exclusividade, dominação. E não é isso que o Evangelho de hoje propõe”, realçou.

Frei Diego revelou que nos dias atuais é um desafio estar próximo do irmão que pensa diferente, que reza diferente, que se relaciona diferente, é uma grande tentação, disse ele. Porém, é necessário dar abertura para a verdadeira fraternidade.

ORAÇÃO

“Ó querido Santo Antônio, eis-me diante de ti. Sei que tu falas aos homens com os exemplos da tua vida santa. Vim aqui para agradecer-te por todas as vezes que tu estiveste próximo a mim, principalmente nos momentos de provação e de dor, e por todas as vezes que intercedeste por mim e por aqueles que me são caros. Vim até aqui trazido pelas necessidades e confiante na tua bondade compassiva que a todos sabe consolar. Tu vês o meu coração e sabes daquilo que agora tenho necessidade.

Peço-te, encarecidamente, que fales, em meu nome, ao Pai das Misericórdias. Sei que sou fraco na fé, mas tu que possuis esta virtude de modo admirável e a suscitastes nas multidões com a pregação, faze com que ela seja reavivada mais forte e pura dentro de mim. Ó Santo Antônio, vem em socorro da minha pobreza e afaste o mal da minha alma e do meu corpo. Ajuda-me a colocar sempre a confiança em Deus, especialmente nos momentos de provação.

Abençoa o meu trabalho e a minha família. Obtém de todos a bondade do coração de modo que possam continuar hoje a tua compaixão para com os pobres e sofredores. Ó meu protetor, te peço que correspondas à confiança que sempre coloquei na tua intercessão diante de Deus.  Amém”.

Para o pregador é muito fácil dizer que somos devotos de Santo Antônio, e que comungamos do carisma franciscano. “Portanto, assumindo isso significa dizer que  somos abertos para todas as pessoas. Um exemplo bem concreto é a casa da família de vocês, se ela é bem visitada ou não, e se vocês estão vivendo uma verdadeira relação de fraternidade, que inclui e que agrega. Os nossos conventos são a mesma coisa. Uma fraternidade que possui uma boa relação, sempre incluirá e oferecerá amor àqueles que precisam e que estão próximos”, completou.

“Que Deus nos ajude a entendermos este grande dom da fraternidade tão necessário nos dias de hoje. Reconhecer que no rosto do outro brilha o rosto de Deus, seja ele de outra nacionalidade, crença ou até mesmo orientação sexual. Que saibamos reconhecer que todos formamos uma grande fraternidade, por que somos filhos de um mesmo Pai”, desejou o celebrante encerrando sua homilia.

Na oração dos fiéis, o frade que recentemente viajou à Itália, rezou a oração que se encontra diante da Tumba onde está o corpo de Santo Antônio, em Pádua (veja ao lado):

Após a comunhão, como de costume, o frade sorteou um brinde da Editora Vozes. Em seguida, abençoou a todos com a relíquia de Santo Antônio. Nesta, terça-feira, a Celebração Eucarística do 12º dia da Trezena de Santo Antônio será às 15 horas, e contará com o tema: “Santo Antônio o Pão da Vocação”. Por coincidência, a santa missa será presidida também por Frei Diego, que atualmente trabalha na Animação Vocacional da Província.

PADARIA DO CONVENTO A TODO VAPOR

Visando a grandiosa festa de Santo Antônio, os freis, somente nesta segunda (11/06), preparam mais de 400 pães. São muitas variedades e opções. Não deixe de conferir, você poderá adquirir na portaria do Convento que fica no Largo São Francisco em São Paulo (SP). Os pães tem um diferencial: o toque franciscano.

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