Desafios pastorais a serem enfrentados pela Igreja em nossos tempos

Dioceses e paróquias, leigos, sacerdotes e agentes de pastoral, religiosos e religiosas haveremos de nos dedicar à pastoral e evangelização levando em consideração as transformações de nossos tempos. Diante de nós, desafios e provocações.

Salvador Valadez Fuentes, em seu livro Espiritualidade Pastoral – Como superar uma pastoral “sem alma”? (Paulinas, p. 173-174), oferece uma lista quase exaustiva dos problemas a serem enfrentados.

Diante da crise generalizada de civilização:

– a Igreja tem o desafio de oferecer motivações evangélicas, éticas, espirituais, para dar alento às sociedades e elementos e projetá-las para um futuro por construir.

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Diante da cultura de morte que caracteriza o atual processo globalizador:

– a Igreja é desafiada a incentivar a cultura da vida, optando com radicalidade pela vida dos excluídos e da natureza.

Diante da atual crise planetária, em que a maioria dos humanos está aprisionada na angústia, no desespero e na falta de sentido:

– a Igreja tem o desafio de recriar a utopia e alimentar a esperança.

Diante da situação generalizada de exclusão, de miséria e pobreza das maiorias ante o monopólio escandaloso de bens por parte de alguns poucos:

– a Igreja tem o desafio indubitável de viver com radicalidade sua opção pelos pobres e impulsionar a cultura da solidariedade e da cooperação.

Diante da visão redutora do ser humano, considerado apenas um ser de necessidades, capaz de produzir e consumir:

– a Igreja tem o desafio de proclamar e defender o ser humano como um ser “à imagem de Deus”.

Diante de uma comunidade planetária, mas fragmentada, marcada pelo individualismo:

– somos desafiados a viver e difundir o valor essencial da comunhão.

Diante do culto ao “deus” mercado:

– a Igreja tem o desafio de erguer com força sua voz profética de denúncia contra o ídolo e de anunciar o Deus Único e Verdadeiro.

Diante da ética do ter, fundada nos valores da eficiência e da competitividade, que transforma tudo em mercadoria:

– a Igreja tem o desafio de propor a ética do ser.

Diante da situação política mundial, carente de significado, irrelevante e corrupta:

– a Igreja tem o desafio de unir esforços com todos aqueles que lutam para construir uma nova ordem e impulsionar a formação de uma sociedade civil, forte vigorosa, que assuma os rumos da história.

Diante dos estragos contra identidades locais e culturais, por causa de uma constante tendência à homogeneização cultural:

– a Igreja tem o desafio de promover a valorização e o respeito pelas diversas culturas, para fortalecê-las. Isto exige dela o rompimento com o autoritarismo, o dogmatismo, o patriarcalismo, o clericalismo, bem como o centralismo romano e outros tipos de centralismo. Somente se responder a esses desafios, a Igreja poderá ser verdadeiramente significativa.

Diante da crescente deterioração da natureza e da destruição do meio ambiente:

– a Igreja possui uma rica doutrina para conscientizar, apoiar e promover toda forma de iniciativas em favor da ecologia.

Diante da crescente consciência planetária:

– a Igreja tem a possibilidade de lhe dar sentido, a partir da Verdade do Evangelho: há um só Deus e Pai de todos e um destino comum: somos todos irmãos que se encaminham para a casa do Pai.

Diante da sede de pertença provocada pelo individualismo feroz e a fragmentação de grupos e comunidades:

– a Igreja tem o desafio de desenvolver modelos alternativos de convivência, criando espaços de autêntica comunhão.

Diante do enorme desafio de conseguir uma democracia planetária, que seja verdadeiramente social e participativa:

– a Igreja é desafiada a colocar a própria compreensão do ser humano como um ser de relações; assim como a concepção da sociedade como subjetividade coletiva, que deve se comprometer na busca do bem comum.

Diante da grande crise de valores pela qual passa a humanidade e a urgência de se estabelecer um código de conduta com validade universal que impõe o desafio de uma nova ética:

– a Igreja é desafiada a rever sua própria ética e a somar esforços aos daqueles que procuram criar uma ética global.

Diante do vazio existencial e da sede espiritual, gerados por um mundo materialista e tecnificado:

– a Igreja tem o desafio de difundir uma espiritualidade que facilite um reencontro com o sentido central da vida e da história.