O compromisso de prosseguir no itinerário da Páscoa

Frei Gustavo Medella

Segue-se a atmosfera pascal. Os discípulos ainda estão “digerindo” tudo o que aconteceu com o Mestre e tentando compreender o significado daqueles recentes fatos. Na cena que vem narrada pelo Evangelista Lucas (Lc 24,35-48), algumas indicações que podem orientar a caminhada da Igreja ainda hoje.

1) Narrar a história da Salvação é tarefa central para a continuidade do projeto salvífico.

Os discípulos compartilhavam a experiência vivida com o Mestre na caminhada que faziam para Emaús. Ao descrever a cena, certamente reaqueciam o próprio coração e transmitiam força e vibração àqueles que os ouviam. A Palavra de Deus bem proclamada na Liturgia, uma homilia bem preparada, a dedicação fiel a círculos e estudos bíblicos, todos estes são expedientes importantes para manter vivo e atual o seguimento do Senhor. Cabe ressaltar que Jesus se faz presente entre eles justamente enquanto relatam sua experiência com o Ressuscitado.

2) O cristão é convidado a passar da escuta para a admiração, e desta para a alegria.

Durante a escuta da Palavra, os discípulos têm a experiência concreta com o Senhor. Ele os saúda. Espantam-se e chegam a sentir medo. Este espanto pode representar as interrogações que brotam de um aprofundamento da fé. A saudação de paz não serve para apaziguar a consciência do discípulo, lançando-o num possível comodismo, mas para provocá-lo a trabalhar na construção de um Reino que pressupõe a justiça e o respeito.

3) Da alegria ao testemunho.

Atendendo ao convite do Senhor, o discípulo se dá conta da grandeza do Amor que o Pai expressa em Cristo. O medo de não corresponder a este Amor pleno pode aparecer, assim como o receio das exigências próprias da missão. No entanto, tais sentimentos devem dar lugar à certeza de que Deus não desampara nenhum daqueles que abrem espaço para Ele em suas vidas. Tal certeza, construída a partir da escuta que gera espanto e alegria, é peça fundamental na engrenagem que leva a energia produzida no coração para os pés e as mãos daqueles que desejam transformar em obras o testemunho de transformação de toda e qualquer realidade marcada pela morte da vida nova nascida do Ressuscitado.

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