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O papel do comunicador diante das Políticas Públicas

14/02/2019

Notícias

Érika Augusto

São Paulo (SP) – Retomando o Programa de Formação Permanente, a Frente da Comunicação da Província Franciscana da Imaculada Conceição realizou nesta quarta-feira (13) o primeiro encontro do ano, via videoconferência, reunindo os colaboradores da Rede Celinauta, de Pato Branco (PR); Fundação Frei Rogério, de Curitibanos (SC); Grupo Educacional Bom Jesus, de Curitiba (PR); Universidade São Francisco, de Bragança Paulista (SP); Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), de São Paulo (SP); Editora Vozes e os frades estudantes do tempo da Teologia, de Petrópolis (RJ) e Sede Provincial, em São Paulo (SP).

Neste ano, a CF apresenta o tema “Fraternidade e Políticas Públicas” e quer estimular a participação dos cristãos nas Políticas Públicas, tendo sempre no horizonte a Palavra de Deus e a Doutrina Social da Igreja. Para aprofundar este tema, os colaboradores contaram com a assessoria de Frei Gustavo Medella, Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província.

Segundo Frei Medella, muitas vezes, as pessoas não procuram saber como as Políticas Públicas funcionam, ocasionando uma visão distorcida sobre os direitos dos cidadãos. “Nós sabemos que, de fato, falta ao cidadão esta noção. Muitas vezes, todo direito é quase que encarado como um favor. Por exemplo, por que um paciente com uma doença grave tem o seu medicamento de alto custo oferecido gratuitamente? Primeiro que não é gratuito, é um direito, uma política que se construiu. Assim como a gratuidade para quem tem mais de 60 anos, os projetos de acessibilidade, o Bolsa-família, uma infinidade de serviços que foram sendo implantados e fazem parte das Políticas Públicas, com uma incidência central na vida das pessoas. Nem sempre, contudo, os cidadãos têm esta consciência”, alertou.

Com a ausência da participação popular, as Políticas Públicas tendem a refletir, como aponta o texto-base da CF, a força dos agentes de mercado, de um agente ou grupo político ou as burocracias estatais. “Quanto mais temos participação popular, menos manipulação, haverá menos sujeição a interesses particulares de grupos que, geralmente, mantêm a força pelo poder econômico e acabam sujeitando a população e as pessoas. Creio que os exemplos trágicos e tristes de Mariana e, mais recentemente de Brumadinho, revelam esta tensão entre o que é o interesse público, o bem-estar das pessoas e de uma região, a preservação do meio-ambiente e os interesses privados de uma empresa que atua a partir da ótica do mercado. A elaboração das Políticas Públicas visa equilibrar este jogo de forças”, acentuou o Vigário Provincial.

Papel do comunicador nas Políticas Públicas

Após a assessoria de Frei Gustavo, Frei Neuri Francisco Reinisch, diretor da Rede Celinauta de Comunicação e atual coordenador da Frente de Evangelização da Comunicação, convidou os participantes a partilharem observações sobre o tema apresentado e os trabalhos realizados em cada instituição na ótica da CF.

O jornalista Betto Rossatti, da TV Sudoeste, em Pato Branco, alertou para a necessidade de conscientizar os cidadãos a respeito de seu papel nas Políticas Públicas, atuando como agentes do direito. Para ele, o lema da CF deste ano, “Serás libertado pelo direito e pela justiça”, assume um caráter muito concreto na relação entre jornalistas e fontes. “Quando lançamos esta frase ao vento, parece um pouco abstrata, mas ela está presente, ligada à história das pessoas. Quando elas assumem uma face e se materializam através de direitos não observados pelas pessoas, percebemos a importância da CF deste ano”, relatou. O profissional contou que, na manhã deste mesmo dia, uma pessoa procurou a redação da emissora para pedir ajuda, pois precisava urgentemente ser atendida numa unidade de saúde, pois corria o risco de perder a visão e não conseguiu atendimento médico. “Somos o elo entre as pessoas que têm a expectativa de direito e as pessoas que possuem o poder para conceder aquele direito. Temos um papel de conscientização, de cobrança, de aplicação deste direito e justiça na prática, no mundo das pessoas que convivem conosco, que ouvem os nossos meios. Nós, enquanto veículos de comunicação inseridos neste contexto, temos que fazer valer tudo isso”, afirmou. Para ele, este tipo de denúncia não pode ser feita de forma sensacionalista, fazendo um linchamento virtual das autoridades responsáveis. “Isto não resolve nada, apenas diz aquilo que o povo quer ouvir, mas que não cumpre a função social da comunicação”, frisou Rossatti.

O jornalista Juliano Franco Zemuner, do Grupo Educacional Bom Jesus, alertou que é necessário que os cidadãos tomem consciência de seus direitos e os agentes da comunicação são fundamentais neste processo. “O acesso à informação é a base para que as pessoas se empoderem de seus direitos, saibam que os serviços oferecidos pelo Estado são direitos adquiridos. Nossa função é levar esta informação de maneira didática e ampla”, acrescentou.

Na Universidade São Francisco, o trabalho de fomento das Políticas Públicas é feito através do atendimento da população nos municípios em que a Universidade está presente. “Anualmente, atendemos mais de 200 mil pessoas dentro de programas sociais, de serviços na área da saúde, defensoria pública, entre outros”, afirmou Ana Paula Moreira.

Frei Gustavo Medella

Frei Neuri alertou que a política deve visar o bem-comum e que a missão dos meios de comunicação deve ser a de facilitar este diálogo entre sociedade e Estado. “Temos que ter cuidado para não jogar a sociedade contra o Poder Público instituído. A política é sempre a promoção do bem comum. Nossa missão, enquanto formadores de opinião, é encorajar as pessoas para participar dos Conselhos paritários. Não podemos ficar distantes dos Conselhos Municipais, que são grandes canais que reivindicam e acompanham o processo de promoção do ser humano dentro do meio social e de situações específicas e setoriais. Dentro daquilo que já fazemos, devemos ser os grandes promotores disso”, aconselhou o coordenador da Frente.

Iniciativas para divulgação da CF

Em seguida foram partilhadas iniciativas realizadas em cada local para divulgar e trabalhar a CF. Para Editora Vozes, o fomento ao tema das Políticas Públicas está presente desde a escolha do editorial, através de autores que incentivem a consciência social e crítica, “sobretudo neste momento histórico, em que se fala tanto em retirada de direitos e conquistas que a sociedade civil e o Estado tiveram nos últimos anos”, apontou Teobaldo Heidemann, coordenador nacional de Vendas da Editora.
Frei Gustavo Medella falou sobre a série de entrevistas sobre a CF, que está sendo produzida pela Frente da Comunicação. As entrevistas em áudio serão disponibilizadas em formato podcast no Soundcloud e na Rede Católica de Rádio (RCR). O material também estará disponível no site da Província Franciscana. Nesta semana, foi lançada a primeira entrevista, com Dom Leonardo Ulrich Steiner, Secretário-Geral da CNBB. (LEIA AQUI)

O próximo encontro de Formação Permanente da Frente da Comunicação acontecerá no dia 14 de março e trabalhará o tema dos discurso de ódio e ataques nas redes sociais, tema sugerido por Frei Edrian Pasini, da Editora Vozes.