Perdão, chuva e emoção marcam Romaria das Mulheres 2026
12/04/2026

Vila Velha (ES) – Momento de destaque e muito esperado na Programação da Festa da Penha, a Romaria das Mulheres ocorreu na tarde deste domingo. A concentração foi no Santuário do Divino Espírito Santo, de onde as mulheres partiram em romaria rumo ao Parque da Prainha às 15h30. Durante o percurso, o tempo estava nublado com um leve mormaço e temperatura agradável. No entanto, pouco depois da chegada ao destino e da subida da imagem ao palco, recebida com honras reais e toques de clarins, bem no momento da reflexão do último dia do oitavário, uma chuva constante começou a cair, engrossando aos poucos, transformando o Parque da Prainha num imenso mosaico colorido de guarda-chuvas.

O tema do dia foi “Onde houver ódio que eu leve o amor”. Na reflexão sobre a temática, o Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella, pediu a todos que repetissem o tema e recordou: “Para levarmos algo, precisamos tê-lo ou ganhá-lo. E, para tê-lo ou ganhá-lo, precisamos pedi-lo. Se quisermos levar o perdão onde houver ofensa, precisamos aprender a pedi-lo: a Deus, a nós mesmos e ao próximo”. Também destacou a capacidade curativa do perdão: “Perdão é remédio. Se existe o costume de se tomar remédio para baixar a pressão, o açúcar no sangue, para fortalecer os ossos etc., o remédio que vou indicar pode ser utilizado diariamente e faz um bem imenso: chama-se ‘perdonal’, nossa dose diária de perdão”, brincou. “Não precisa de receita, é de graça e também não precisa ser buscado na farmácia. O próprio Deus o aplica diretamente em nosso coração”, completou.

Prosseguindo a reflexão, recordou a necessidade de os homens realizarem um grande pedido de perdão às mulheres, por toda violência e injustiça praticada contra elas ainda hoje. E, para expressar simbolicamente a súplica dos homens pelo perdão de Deus, convidou todos os frades a se colocarem junto com ele de joelhos diante de Nossa Senhora. “Para vivermos bem o perdão, precisamos nos converter do individualismo para a Comunhão, da competição para a colaboração e do sentimento de posse para o Sentido de Pertença”, explicou. “Uma das frases mais escandalosas e absurdas que podemos ouvir da boca de um homem é: ‘ela e minha e, se não for minha, não será de mais ninguém!’ Esta frase deve ser abolida de todo coração e de toda boca. Todos pertencemos a Deus e ninguém é de ninguém”, concluiu. Seguindo a tradição de abençoar um objeto diferente a cada dia do oitavário, o Guardião, Frei Gabiel Dellandrea, abençoou os guarda-chuvas abertos, mencionandos como sinal da proteção de Deus na vida de seus filhos e filhas.

O tempo todo sob chuva, a celebração prosseguiu com a missa, presidida pelo Bispo Auxiliar da Arquidiocesa, Dom Andherson Franklin Lustosa de Souza, concelebrada pelo Guardião do Convento e a presença de diversos frades. Na homilia, o presidente destacou o Domingo da Divina Misericórdia como data mais que oportuna para a celebração da Romaria das Mulheres: “Hoje, caríssimos irmãos e irmãs e de maneira especial, queridas irmãs, celebramos o Domingo da Misericórdia, momento em que Deus abre as portas do coração para os seus filhos e filhas. A palavra misericórdia é sempre associada ao amor de mãe, capaz de dar a vida pela criatura que gerou. E por isso, não poderíamos ter um dia melhor para celebrarmos esta Romaria tão bonita, tão cheia de vida e esperanças. No meio da violência ainda que sofrem as mulheres em nosso país, em nosso Estado. Queremos dizer paz, queremos dizer compromisso, queremos dizer misericórdia”, aclamou.

Referindo-se ao Evangelho do Dia, Dom Andherson destacou a origem e o significado da Paz que Jesus oferece a seus discípulos: “Jesus repete: ‘a paz esteja com vocês’. Esta palavra, que tem uma esperança de eternidade, tem nela uma vitória. Do Cristo na cruz sobre a morte, o pecado e o mal. A paz que queremos é construída no diálogo dos grandes governantes, das grandes instituições, é construída assim por diplomacia e por muitos modos e meios, como disse o nosso amado Papa Leão. Mas a paz verdadeira, que em Cristo reside, é comunicada aos corações daqueles que não se contentam, se não na construção da paz, se não na promoção da justiça”, explicou.

Após a comunhão, Frei Felipe Carreta, frade capixaba, em nome de todos os frades e rodeado por um grupo de sete mulheres vestidas de branco e com velas acesas, apresentou o quadro com a gravura de Nossa Senhora das Alegrias, trazido por Frei Pedro Palácios nos primórdios da história do Convento. No texto da homenagem um agradecimento e um apelo feitos por uma mulher em nome de todas as mulheres: “O sonho de tantas e tantas Marias entregamos ao Pai, na força do Filho, com a luz do Espírito e a proteção da Mãe que caminha conosco. Ela conhece nossas lágrimas, mas também nos ensina a reconhecer os sinais da vida nova. Em seu silêncio fecundo, aprendemos que o perdão é um milagre cotidiano e discreto, mas capaz de mudar destinos. Que, inspiradas por Maria, a Virgem da Penha, e fortalecidas pelo exemplo de Francisco e Clara, possamos sair daqui como quem carrega luz nas mãos: levando o perdão onde houver ofensa, a luz onde houver escuridão, a ternura onde houver dureza, a escuta onde houver gritos, e o amor onde ele ainda não é conhecido. Que a Mãe das Alegrias abençoe cada mulher, cada família, cada coração peregrino e todo o povo capixaba, hoje e sempre”. Após a missa, houve momento oracional conduzido pelo Movimento Mães que oram pelos filhos e show com a cantora Eliana Ribeiro.
Equipe de Comunicação da Festa da Penha: Frei Augusto Luiz Gabriel, Frei Gustavo Medella, Frei Roger Strapazzon e Marcos Souza (Grupo Celinauta)



























