Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

“Olhos fixos em Jesus Cristo”, pede Dom Edgar a Frei Gabriel

11/01/2020

Notícias

Moacir Beggo

 Pato Branco (PR) – Tendo a cena em que Jesus lava os pés de Pedro, no centro do belíssimo mosaico do presbitério da Igreja de São Pedro Apóstolo de Pato Branco (PR), Frei Gabriel Vargas Dias Alves recebeu a missão de amor-serviço do bispo da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão (PR), Dom Edgar Xaxier Ertl, neste sábado, 11 de janeiro, ao ser ordenado presbítero na Celebração Eucarística, às 18 horas, tendo como concelebrantes o Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella, representando o Ministro Provincial Frei César Külkamp, que está em Angola, e o pároco Frei Alex Sandro Ciarnoscki.

No final da celebração, Dom Edgar deixou uma mensagem especial ao novo presbítero: “Frei Gabriel, você foi ordenado sacerdote no início deste ano de 2020 sob o Pontificado do Papa Francisco, que escolheu como referência do seu ministério, da sua missão na Igreja, o nome de Francisco de Assis. Está vivendo exatamente esse desprendimento, essa reflexão profunda, incluindo todas as realidades sociais, políticas, econômicas, religiosas, inclusive ecológica, falando muito de paz, de misericórdia, de compaixão, de amor. Então, termino dizendo a você hoje: olhos fixos em Jesus Cristo, tendo como modelo esta samaritana do Evangelho, que encontra com o Senhor, tendo como modelo o seu fundador Francisco de Assis e o atual Papa, que assume no seu Pontificado o seu fundador como referência, um ícone de santidade, de apostolado”, incentivou. “Conte com a minha oração!”, enfatizou.

Paroquianos, familiares, confrades, entre eles o Definidor Frei Alexandre Magno, lotaram a grandiosa Matriz paranaense. Frei Alisson Zanetti, animador do Serviço Vocacional da Província (SAV), saudou a todos com caloroso “paz e bem”.

Frei Leandro, que proclamou o Evangelho fez a chamada do candidato ao presbiterato e Frei Gustavo Wayand Medella, Vigário Provincial, apresentou Frei Gabriel e deu o testemunho em nome da Província Franciscana e do povo de Deus. “Reverendíssimo D. Edgar, srs. pais, povo de Deus. Na quarta-feira, em Petrópolis, eu chamei o Uber para ir até o Sagrado Coração de Jesus, o nosso Convento. E vendo o destino, o motorista perguntou: ‘Você é frei?’ Eu respondi: ‘Sou’. Ele falou: ‘Olha, eu e minha esposa temos um grande amigo que passou por esse convento e agora parece que está lá pelas bandas do Sul. Ele se chama Frei Gabriel’. E continuou: ‘Olha que rapaz, generoso, bom e amigo’. E aí, então, falei que viria para a ordenação. Ele se chama André e a esposa Flávia. Este testemunho, bastante fidedigno porque é espontâneo, vem corroborar com atitudes muito humanas, a bondade, a generosidade, mas que tem como motivação uma busca por Deus. Uma busca teologal, que o Frei Gabriel procura cultivar por Deus, pela Igreja e pelo povo. Qualidades que apareceram nos testemunhos junto à pastoral, à Paróquia, junto aos irmãos do SOS Vida e aos confrades desta Fraternidade. É por essa razão que o Definitório Provincial, em nome dos frades, damos o testemunho de que Frei Gabriel foi considerado digno para o sacerdócio”, confessou Frei Medella. VEJA MAIS SOBRE O RITO DE ORDENAÇÃO PRESBITERAL 

Na sua homilia, Dom Edgar partiu da primeira leitura, narrando a missão profética de Isaías, para perguntar: “Num mundo cada vez mais secularizado, o profeta de hoje ainda pode revelar a presença de Deus e anunciar o Reino de justiça e verdade? Creio que sim! Trata-se, pois, da sua missão, caro Frei Gabriel, e de todos nós ministros ordenados”, disse.

Referindo-se ao Evangelho escolhido para a ordenação, disse que é altamente significativo para o início do sacerdócio. “Um encontro inesperado entre Jesus e a samaritana, no poço de Jacó, ao meio-dia. Este encontro não é reservado a uma elite ou a pessoas virtuosas; pelo contrário, este encontro só é possível para aqueles que têm sede: sede de justiça, sede de dignidade, sede de perdão, sede de paz, sede de amor, sede de Deus. Estes levam muitas vezes uma vida sofrida; os outros, os virtuosos e os perfeitos não têm, muitas vezes, sede de nada… Eles acreditam na bebida da própria fonte; e, além disso, eles estão prestes a morrer de sede”, explicou.

O mosaico no presbitério da Matriz é uma obra do artista Lorenz Johannes Heilmair.

Segundo o bispo, os samaritanos eram considerados bastardos pelos judeus. “E aqui, imagine, trata-se não simplesmente de um samaritano, mas de uma mulher samaritana…. Trata-se, pois, de uma dupla exclusão, e, pior ainda, esta mulher da Samaria vai procurar água no poço de Jacó ao meio-dia, na hora mais quente do dia. Normalmente é de manhã, muito cedo, que as mulheres fazem esse trabalho; portanto, se ela vai ao poço ao meio-dia é porque ela não quer ser julgada pelos outros samaritanos… É, sem dúvida, porque ela vive uma outra exclusão na sua própria comunidade. Trata-se, pois de uma tripla exclusão. É a esta mulher rejeitada, excluída, condenada, que Jesus pede para beber… É a ela que ele oferece a possibilidade de encontrar o Cristo e de tornar-se testemunha da gratuidade da salvação oferecida, da água viva que mata todas as sedes”, ensinou.

A samaritana, com sua vida sofrida, é transformada por seu encontro com o Ressuscitado; de sorte que ela pode agora integrar novamente seu povo, sem ser rejeitada pelos seus. “O que significa que a fé cura todas as nossas feridas e devolve-nos a dignidade humana”, destacou o bispo.

“Esta será sua missão de ora em diante, caro frei. As sedes são muitas. Que, com o seu sacerdócio, muitos sejam saciados e incorporados na vida de Cristo e da Igreja. Assim como Jesus rompe com as fronteiras culturais e religiosas, assenta-se junto ao poço de Jacó e, através de um diálogo provocativo, ajuda a mulher samaritana a encontrar, dentro dela mesma, esse centro de onde emana sem cessar uma água que mata a sede, e não buscá-la em tantos poços secos ou rachados, eis o que esperamos também da parte sua, no exercício sacerdotal. Disse Santo Inácio de Antioquia que ‘uma água viva murmura dentro de mim e me diz: Venha para o Pai’. Como a samaritana, também diante de nós se apresenta uma alternativa: continuar buscando água viva e a justificação em poços secos e esgotados ou eleger “vida eterna” e deixar-nos arrastar pela oferta de transformação proposta pelo Jesus, que nos busca porque deseja ampliar nossa existência e comunicar-nos alegria e plenitude. E Paulo lhe ajudará no seu dia a dia: ‘Ora, trazemos um tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós’. Ou melhor, trazemos o tesouro em ‘baldes de barro’, como o da Samaritana. E perguntemo-nos: De quê tenho sede? Onde busco saciar minha sede? Eis sua missão, meu irmão Gabriel: sentar-se ao meio-dia nos poços desta Paróquia e dialogar com os buscadores/as de água”, completou.

Após a homilia, em diálogo com Dom Edgar, Frei Gabriel prometeu desempenhar a missão de presbítero com fidelidade, sabedoria, devoção e oração, unindo-se cada vez mais ao Cristo, Sumo Sacerdote. Prometeu ainda obediência e respeito aos bispos. Logo em seguida, em sinal de humildade e reverência, Frei Gabriel prostrou-se por terra e todo o povo entoou a Ladainha de Todos os Santos para que Deus abençoasse, santificasse e consagrasse o seu serviço ministerial. A Igreja da terra se uniu à Igreja do céu, suplicando a força do Espírito.

Em seguida, a assembleia acompanhou em silêncio a Prece de Ordenação. Ajoelhado, Frei Gabriel sabia que através da silenciosa imposição das mãos do bispo e dos presbíteros era Deus mesmo que colocava sobre ele a mão.

Terminada a oração consecratória, os pais de Frei Gabriel – Fábio Vicente e Dª Elisabete –  trouxeram a estola e a casula, vestes que representam o trabalho assumido pelo neo-sacerdote. Os seus confrades de Pato Branco, Frei Alex Sandro Ciarnoscki e Frei Neuri Francisco Reinisch, ajudaram-no na paramentação. Em seguida, de joelhos diante do bispo, teve a palma das mãos ungida pelo bispo com o óleo do santo Crisma. “Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem o Pai ungiu com o Espírito Santo, e revestiu de poder, te guarde para a santificação do povo fiel e para oferecer a Deus o santo Sacrifício”, rezou o bispo. Logo após, Dom Edgar amarrou as mãos do ordenado com uma fita que foi desamarrada pelos seus pais, que tiveram a graça de receber a primeira bênção do filho agora presbítero.

As oferendas do Pão e do Vinho foram trazidas pelos fiéis da Paróquia. Depois de Frei Gabriel apresentar ao povo o Pão e o Vinho, Dom Edgar o acolheu com a saudação da paz e um abraço fraterno, gesto com a qual todos os presbíteros, frades e familiares também o acolheram, parabenizando-o pelo seu sim.

A Missa prosseguiu na forma habitual, presidida por D. Edgar e concelebrada por todos os padres presentes. O neo-sacerdote celebrará sua primeira Missa solene neste domingo, às 9h30, nesta mesma igreja.

AGRADECIMENTOS

“Esta celebração não é minha. Ela não pertence a mim, nem é a mim que estamos celebrando neste dia. Eu sou apenas uma sílaba numa vasta história que não se inicia, nem se finda comigo. Uma história na qual Deus é o autor e o protagonista”, explicou o neopresbítero ao fazer seus agradecimentos. “A Deus a minha gratidão infinita. Mas o Altíssimo e soberano Deus, o sumo Bem, o verdadeiro Bem quis precisar de muitas pessoas para que isso fosse possível, dessa maneira quero ainda fazer alguns agradecimentos”, disse, enumerando Dom Edgar e a Igreja, a sua família representada por seus pais nesta celebração, a sua família Franciscana, a Fraternidade  de Pato Branco, onde reside, especialmente pelos confrades mais experientes: Frei Policarpo Berri e Frei Felipe Gabriel Alves, “por serem a escola viva do presbiterato na qual espero ter ainda a graça de muito tempo aprender”. Não fez os agradecimentos sem se emocionar.

Por último, agradeceu ao povo pela hospitalidade, pelo carinho, por cada gesto e oração pela sua vocação. “Particularmente, agradeço por cada vida que se doa nesta Paróquia, seja sob as luzes do presbitério ou nas sombras do anonimato e do invisível. O reino de Deus jamais seria possível sem a devoção e entrega de vocês. Continuo contando com às vossas orações, pois não existe presbítero que não seja sustentado pela oração do povo. A todos, a minha mais profunda reverência e gratidão”, reconheceu.

O Definidor Frei Alexandre, falando em nome da Província, disse que Frei Gabriel teve a graça de ter feito um caminho em várias frentes de evangelização. Já Frei Alex Alex agradeceu pelo trabalho de todas as pessoas que ajudaram a preparar este grande encontro e pela presença de todos nesta celebração.

Frei Alex apresentou os pais de Frei Gabriel para a assembleia, que receberam uma grande salva de palmas. “Nesta semana, tínhamos a tão esperada ordenação e a tão esperada chuva. Elas chegaram juntas. Que a tua a presença junto ao povo de Pato Branco, junto à Diocese, seja como a chuva, que traz esperança, que renova, e que traz vida nova. Muito obrigado por você estar conosco! Termino agradecendo a Dom Edgar. Conte conosco no projeto de evangelização, no projeto de anúncio do reino de Deus”, disse Frei Alex.

Frei Marx, em nome da turma, fez uma homenagem ao neopresbítero. “Felicidade a nossa de te conhecer; felicidade a nossa de fazer parte de um grupo tão diverso, mas acima de tudo com uma sede de dar ao mundo Jesus. Obrigado por tudo. Frei Gabriel sempre é visto muito sério, mas na vida fraterna sempre faz muitas piadinhas e é muito brincalhão”, disse, juntando a turma para um abraço coletivo em Frei Gabriel.

Nos agradecimentos finais do bispo, ele falou especialmente de Frei Policarpo Berri e Frei Felipinho, que “são dois pilares nesta Diocese. Obrigado pelo bem que fazem a esta Paróquia e a esta Diocese!”, disse. E dirigindo-se à Dª Elisabete, mãe do ordenado, disse: “Santa Mãe, continue rezando por seu filho. Hoje começa a missão dele. Dobre o joelho por ele, dobre os joelhos pela vida dos sacerdotes, religiosos/as e pela santificação de nossas famílias”.

Natural do Rio de Janeiro, onde nasceu no dia 14 de outubro de 1985, Frei Gabriel ingressou na Ordem dos Frades Menores em 2009, quando vestiu o hábito franciscano em Rodeio. Em seguida, cursou Filosofia e Teologia. Para ele, as experiências missionárias em Angola, na Amazônia e na Rocinha marcaram sua vida. Foi ordenado diácono em 2018 e foi transferido para prestar serviço na Frente de Educação da Província, residindo na Fraternidade Bom Jesus da Aldeia. Reside atualmente na Fraternidade São Pedro Apóstolo de Pato Branco.


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