Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Missa de Ação de Graças no Mosteiro das Clarissas de Guaratinguetá dá inícia ao ano jubilar clariano

13/08/2011

Notícias


Por Moacir Beggo

No belo mosteiro Mater Christi, no interior da Fazenda da Esperança, em Guaratinguetá, a Província Franciscana da Imaculada Conceição deu início às celebrações do 8º centenário da consagração de Santa Clara na Porciúncula e, consequentemente, do 8º centenário de fundação da Segunda Ordem Franciscana, a das Irmãs Clarissas. O Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, presidiu a Missa de Ação de Graças e lembrou que esta mesma celebração, com gestos e formas diferentes, está se repetindo em todo o mundo, para exatamente mostrar à Igreja de Deus e ao mundo a grandeza desta “figura tão importante, tão bonita, que nós carinhosamente chamamos de Plantinha de São Francisco de Assis. Uma plantinha que não cresceu à sombra de São Francisco, mas que cresceu com São Francisco, no mesmo vigor e entusiasmo no seguimento de Jesus Cristo”.

Frei Fidêncio teve como concelebrantes Frei Raimundo Justiniano de Oliveira Castro, que é assistente nacional da Federação das Irmãs Clarissas; Frei Hans Stapel, um dos fundadores da Fazenda da Esperança; Frei Marco Antônio dos Santos, mestre dos postulantes do Seminário Frei Galvão e assistentes das Clarissas de Guaratinguetá; e Frei Wilson Steiner, vice-mestre dos postulantes. Da cidade, participaram religiosos e religiosas, os postulantes, a Ordem Terceira Franciscana, as Irmãs de Siessen e todos os jovens atendidos no projeto da Fazenda da Esperança, Centro Masculino, que lotaram a capela.

Para o mosteiro e suas 22 irmãs foi um momento de júbilo e muita alegria. A celebração teve início às 17 horas, do sábado (16/04), e foi marcada por muito simbolismo. Todo o altar foi decorado com ramos de palmeiras, que foram abençoadas pelo celebrante e entregues pelos frades a cada uma das irmãs clarissas. Mas para uma delas, o momento foi especial: a jovem Débora Alice foi acolhida pelo mosteiro para iniciar a experiência que fez Santa Clara há 800 anos. Frei Fidêncio chamou-a para o altar, deu a bênção e lhe entregou um ramo. Em seguida, ela foi se juntar com as irmãs no claustro. Já as irmãs professas fizeram a renovação dos votos.

Na sua homilia, Frei Fidêncio explicou o significado daquele momento especial para as Clarissas e para a família franciscana. “Santa Clara, bem no finalzinho de sua vida, retomou a historia da sua vida e recordou a origem da sua própria vocação. Por isso, ela escreve no seu Testamento: entre tantos benefícios que diariamente recebemos do Deus da Misericórdia está a nossa vocação. A vocação é o dom, a dádiva mais preciosa que recebemos de Deus. E, na sequência, ela diz que, quanto mais vivermos com intensidade e aperfeiçoarmos dentro de nós o dom da vocação, tanto mais necessitamos restituir esta dádiva a Deus. Se Deus nos deu o dom da vocação, nós somos devedores dessa dádiva divina”, explicou Frei Fidêncio.
“Mas como Clara descobriu essa vocação?”, perguntou. “Eu diria que, como São Francisco, ela deixou-se inquietar pelo Evangelho, isto é, pela própria pessoa de Jesus Cristo”, acrescenta o Ministro Provincial que passa a narrar o momento da celebração litúrgica do Domingo de Ramos em que Clara recebe do bispo Guido a palma benta, gesto que pode ser interpretado como o consentimento da Igreja para com a decisão Clara. Decisão que vai ser ratificada no anoitecer daquele Domingo da Paixão: Clara foge da casa paterna para abraçar com toda a radicalidade o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Na noite do Domingo de Ramos de 1212, a jovem nobre de Assis deixou a casa paterna para chegar às escondidas à pequena igreja da Porciúncula (Assis), onde vivia Francisco com seus irmãos, com o desejo de seguir seu ideal evangélico. Segundo Frei Fidêncio, Clara, então, humildemente prostrada faz a tonsura dos seus cabelos e, mais humildemente ainda, reveste-se com o hábito da penitência, ou seja, o pano pobre. “Clara, mulher leiga, se consagra a Deus pela mediação de outro leigo, São Francisco de Assis! Um gesto de ousadia, porque quem podia receber naquele tempo uma virgem consagrada era só o bispo”, conta o Ministro. A partir daquele momento, com o cabelo tonsurado, Clara começou a viver sua vida de penitência, primeiro no Mosteiro das Beneditinas de São Paulo e depois na Igreja de Santo Angelo de Panzo para, finalmente, terminar o seu projeto de vida no Conventinho de São Damião, em Assis.

“Hoje, 800 anos depois, simplesmente queremos recordar e trazer para o presente, aquele gesto tão importante: Clara rompe com o mundo para colocar sua inteira existência dentro do sonho de Deus”, frisou Frei Fidêncio.

Segundo ele, não foi um gesto fácil, mas de muito amor: “Há oitocentos anos, Clara fez este gesto para dizer que todos nós também temos uma vocação e precisamos ser responsáveis por ela. Nós, frades menores, as irmãs clarissas, as irmãs e irmãos da Terceira Ordem Secular, as Irmãs de Siessen, a Família da Fazenda da Esperança, os nossos postulantes que estão iniciando a perfazer esse caminho, todos precisamos tomar nossa decisão na vida cristã: seguir com radicalidade o Evangelho de Nosso Senhor”.

Frei Fidêncio lembra que a decisão de Clara não teve mais volta. “Ela abraçou essa causa. E foi se recolher no silêncio da clausura de São Damião. Não para fugir do mundo, mas para, a partir da clausura, lembrar a todos nós  grandeza da dimensão orante”, completou.

A Ordem de Santa Clara no Brasil
A partir daquele domingo de Ramos, nascia a Segunda Ordem Franciscana. Clara acolherá imediatamente várias jovens da região, animadas por seu mesmo desejo, e muito rápido o movimento envolverá mulheres de diversas classes sociais de todo o continente europeu. A originalidade da instituição evangélica de Santa Clara impressiona entre outras coisas que haja sido a primeira mulher medieval a redigir uma regra para mulheres.

Essa mesma originalidade faz com que a Segunda Ordem Franciscana continue atraindo jovens para seguir esta forma de vida. No Brasil, segundo a presidente da Federação da Sagrada Família, Ir. Maria José da Rosa Mística, a Ordem tem muitas vocações. No Mosteiro de Guaratinguetá, a sede da Federação, vivem 22 irmãs. No Brasil, são cerca de 300 religiosas, espalhadas em 20 mosteiros. Atualmente as Clarissas chegam a vinte mil no mundo, em 986 Mosteiros.

Mas por que essa vida de clausura e pobreza atraem as jovens? Segundo Ir. Maria José, não há segredo de animação vocacional: “É o modo pelo qual abraçamos nossa forma de vida na radicalidade do Santo Evangelho”. As irmãs vivem sem nada de próprio e o seu sustento depende de doações aos mosteiros. A maioria faz trabalhos artesanais e manuais para ajudar neste sustento.

As festividades do Ano Jubilar apenas se iniciaram. Serão mais intensas a partir do início de agosto, quando se celebra o Dia de Santa Clara de Assis, em 11 de agosto.