Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Frei Alan Maia inicia seu Ministério Presbiteral

01/10/2017

Notícias

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Moacir Beggo

 Bangu (RJ) – O sacerdote – como está escrito em Hebreus 5 – é “um homem tirado por Deus do meio do povo e colocado a serviço desse mesmo povo nas coisas de Deus”. É em tudo e em primeiro lugar um homem de Deus, alguém que foi escolhido por Ele para ser o sinal visível da Sua presença no meio do mundo, como dizia ontem o Cardeal Orani João Tempesta. Pois foi com muita alegria e solenidade que a Paróquia São Judas Tadeu, em Bangu, se reuniu neste domingo, às 9h30, para agradecer a Deus pelo início do Ministério Presbiteral de Frei Alan Maia.

O envolvimento da Comunidade Paroquial que se viu durante a ordenação ontem, sábado (30/9), começou cedo neste domingo de sol e céu azul. A comunidade corria pra lá e pra cá, todos preocupados com os detalhes da liturgia, das homenagens, do som. Não menos felizes estavam as crianças nas primeiras filas de um lado da igreja e, de outro, os familiares de Frei Alan: o pai Marinaldo e a mãe Anita Maria de França Victor; a irmã Aline e seu esposo Rodrigo.

Frei Alan presidiu a celebração tendo como concelebrantes o Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, o pároco Pe. Jorge Luiz, Frei Diego Melo, Frei Alexandre Magno e Frei Paulo Santana. Seus confrades, diáconos, seminaristas, religiosos também vieram celebrar com ele esta nova etapa em sua vida religiosa.

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A liturgia da palavra teve início com a entrada da Bíblia trazida pelo seu confrade Frei Camilo, que fez a primeira leitura e Frei José Raimundo fez a segunda. O diácono Frei Vanderlei Silva Neves, que hoje reside em Xaxim, leu o Evangelho. Ele será o próximo frade desta Província a ser ordenado sacerdote.

Frei Gabriel Dellandrea fez a animação da Missa e explicou que é costume na Província da Imaculada que, na Primeira Missa, o neo-sacerdote convide outro irmão para fazer a pregação. Frei Alan escolheu Frei Alexandre Magno, que é pároco e guardião em Curitiba, porque ele fez parte de seu processo de discernimento vocacional e também participou da equipe formativa na etapa da Filosofia.

Fazendo referência ao Evangelho do dia (Mt 21,28-32), Frei Alexandre explicou que o filho mais novo, que diz sim ao pai mas acaba não cumprindo a tarefa, lembra muito os sumo-sacerdotes que diziam sim à lei antiga, mas eram incapazes de dizer sim ao seguimento do Senhor. Segundo Frei Alexandre, a história se repete hoje. “Existe uma divisão entre o que celebramos e o que vivemos. E o que conta para nosso Deus é, sobretudo, uma vivência no dia a dia do seguimento. E o pior é que, muitas vezes, por pertencemos ao grupo daqueles que celebram o Senhor, chegamos a julgar aqueles irmãos que estão distantes. Para o Senhor é fundamental uma vida coerente”, disse Frei Alexandre.

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Segundo o pregador (FOTO ACIMA), o Papa Francisco nos chama a atenção que é tarefa da Igreja levar o Evangelho além das portas da igreja. “Esses dias, durante as Missões, ficou muito claro: a realidade do culto tem que ser transformada em missão. Tudo que nós celebramos aqui diante do Senhor deverá ser levado para o dia a dia de nossas vidas. É o comprometimento com a vida do irmão”, insistiu.

Ele lembrou que o Papa Francisco prefere uma Igreja acidentada, sofrida, por ter saído para anunciar Jesus a outras pessoas do que uma Igreja que ficou sempre em torno de si mesma. “É preferível o risco daqueles que saem”, acrescentou.

Falando para Frei Alan, disse que hoje ele é o agente da comunidade que sai em nome de Jesus. E deu algumas orientações para iluminar a caminhada de Frei Alan. Como primeiro ponto, indicou “a capacidade de dialogar com a realidade que nos cerca”. “E essa realidade hoje clama a centralidade da Palavra. É um processo longo e podemos dizer que Francisco tinha isso muito presente: o retorno ao Evangelho”, explicou.

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Depois, como segundo ponto, disse que a Igreja vive a partir da ministerialidade. “A Igreja do Senhor é uma Igreja ministerial. Aí vemos São Francisco que respeita e valoriza os diversos dons e virtudes dos irmãos na fraternidade”.

“Também o Concílio Vaticano II coloca a necessidade de uma Igreja ministerial. O Vaticano II chega a dizer que é tarefa urgente dos presbíteros despertar nas comunidades novas lideranças e ministros que ofereçam abundantemente o alimento da Palavra. Será tarefa sua, Frei Alan, lá onde estiver, ajudar o povo a Deus a se envolver no compromisso com a Palavra”, pediu, recordando que no próximo ano a Igreja do Brasil celebrará o Ano do Laicato.

Em terceiro lugar, lembrou que celebramos um mês missionário e franciscano. “Então temos a necessidade de uma Igreja em saída para realidades distantes. Uma Igreja que se compromete, mais e mais, com as periferias existenciais. Ser capaz de anunciar Jesus lá onde Ele não é anunciado”, indicou, destacando, porém, o trabalho evangelizador dos frades hoje na Rocinha, como instrumentos de paz.

 

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Frei Alan abraça o garoto João Miguel que lhe fez uma bela homenagem.

O pregador também ressaltou a importância do diálogo, que é próprio do carisma franciscano. “Aquele que é realmente discípulo, tem a capacidade de acreditar na Palavra e, como missionário, lá onde estiver, será um homem do diálogo, também para com aqueles que pensam diferente. Francisco fez isso quando visitou o sultão. A Igreja ia com armas defender os lugares santos e Francisco ia só com a sua túnica. Graças a esse respeito, a Igreja e os franciscanos até hoje cuidam dos lugares santos”, recordou.

Frei Alexandre encerrou falando da importância do Sínodo dos Jovens, convocado pelo Papa Francisco, com o tema “O jovem, a fé e o discernimento vocacional”. Para se preparar tendo em vista esse grande momento da Igreja, pediu para a Comunidade falar das vocações, rezar pelas vocações e convidar nossos jovens e leigos para as missões.

Do começo ao fim, Frei Alan conduziu a celebração com tanta segurança, tranquilidade, que nem parecia um neo-sacerdote. Apenas segurou a voz embargada em alguns momentos fortes da Eucaristia, como a consagração.

No final, depois do rito da Comunhão, a Comunidade prestou muitas homenagens a Frei Alan, demonstrando o carinho que têm pelo novo sacerdote. Pe. Jorge voltou a agradecer os paroquianos e os frades, assim como a Frei Alan, que recebeu homenagens e presentes da Comunidade, através do garotinho João Miguel, de Dª. Adélia, e da família, através de sua tia Sílvia. Ainda deu uma bênção especial à sua irmã Aline que está grávida e espera um menino que se chamará Afonso.

Neste domingo mesmo, às 18 horas, Frei Alan celebra na sua Comunidade da Rocinha.