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Família Franciscana inicia celebrações em homenagem aos 800 anos da morte de São Francisco

12/01/2026

Notícias

No último sábado, 10 de janeiro, na Basílica de Santa Maria dos Anjos em Porziuncola, a Família Franciscana deu início às comemorações do 800º aniversário da morte de São Francisco de Assis, a etapa final da jornada empreendida em 2023, que nos permitiu reviver os últimos anos da vida terrena do Pobrezinho.

A cerimônia de abertura teve início com um gesto concebido como uma ponte simbólica e espiritual entre o Centenário da composição do Cântico das Criaturas (2025) e o Centenário do Transitus (2026). Recordando as duas últimas estrofes do Cântico (aquelas dedicadas à reconciliação e à irmã morte corporal), o Bispo de Assis-Nocera, Umbra-Gualdo Tadino, e de Foligno, Dom Domenico Sorrentino, e o prefeito da cidade de Assis, Valter Stoppini, entraram na Basílica carregando uma vela apagada, que depois foi acesa na Vela Pascal, símbolo de Cristo ressuscitado. A partir daí, a luz foi levada às seis estações laterais da basílica, cada uma delas confiada a um dos seis ramos da família franciscana.

Em cada parada, um texto das Fontes Franciscanas ou do Evangelho era proclamado, acompanhado de uma reflexão de um dos seis representantes da Família Franciscana. Em seguida, era apresentado um sinal simbólico ou um testemunho, para dar vida à mensagem franciscana no mundo de hoje.

A procissão quis recordar a reconciliação entre o bispo Guido II e o podestà de Assis, Carsedonio, cantada por Francisco como profecia de paz. Para a ocasião, a Penitenciaria Apostólica concedeu a indulgência plenária. O Papa Leão XIV quis saudar o evento com uma mensagem aos ministros gerais da Conferência da Família Franciscana, na qual escreve: “a paz é a soma de todos os bens de Deus, um dom que desce do Alto. Que ilusão seria pensar em construí-la apenas com as forças humanas”. O Pontífice assegurou que se uniria a todos aqueles que participariam das manifestações comemorativas e, em seguida, entregou uma oração dedicada ao Pobrezinho.

Estiveram presentes o padre Massimo Fusarelli, Ministro Geral da OFM, o padre Carlos Alberto Trovarelli, Ministro Geral da OFMConv, o padre Roberto Genuin, Ministro Geral da OFMCap, Tibor Kauser, Ministro Geral da OFS, o padre Amando Trujillo Cano, Ministro Geral da TOR e a irmã Daisy Kalamparamban, Presidente da Conferência Internacional Franciscana dos Irmãos e Irmãs da Ordem Terceira Regular.

Alcançar as chagas dolorosas

Por turnos, os ministros gerais dirigiram-se às seis estações laterais da basílica, percorrendo idealmente os passos cruciais do Testamento que São Francisco deixou aos seus frades antes de morrer, a sua herança espiritual. Misericórdia, oração, fraternidade, trabalho, paz e bênção foram os temas das meditações, acompanhadas por um texto das Fontes Franciscanas ou do Evangelho e pela escuta de um testemunho. Como o Senhor convidou São Francisco a iniciar um caminho de penitência e conversão “com um coração capaz de abraçar a humanidade sofredora, em vez de ignorá-la ou rejeitá-la”, disse frei Trujillo Cano, assim hoje ele nos exorta a “superar as resistências pessoais e comunitárias para poder alcançar aqueles que carregam feridas dolorosas no corpo e no espírito, excluídos do bem-estar material, cultural e espiritual, para compartilhar com eles a consolação de Deus e o amor de uma comunidade capaz de se tornar próxima”.

Olhar o mundo com novos olhos

Francisco, a oração e a Igreja: foi o que disse frei Trovarelli, destacando a importância do lugar teológico da experiência de fé do Pobrezinho. Nesses espaços, “antes mesmo de uma plena consciência eucarística, seu coração aprende a orar, e dessa oração brota sua forma de crer: lex orandi, lex credendi”. Onde se ergue uma Igreja ou uma cruz, “ele reconhece uma humilde epifania do Mistério e um convite à adoração. Assim, a oração na, com e da Igreja torna-se para Francisco o princípio hermenêutico da fé e um chamado a renovar nossa vida no Espírito”. Então Francisco e a fraternidade que ele é, explicou a irmã Daisy, “entrar em relação com Cristo numa multiplicidade de relações interpessoais”; seu exemplo “nos ajuda a olhar o mundo com novos olhos, reconhecendo em cada criatura o reflexo de um amor maior e a redescobrir a fraternidade universal e a viver em harmonia com todos”.

Um testamento de reconciliação e fraternidade

Kauser deteve-se no significado do trabalho para São Francisco, como dom, graça, realização de uma vida digna. Frei Genuin recordou que no Testamento o “Pobrezinho” encontra a chave para construir a paz: a coragem do perdão, da reconciliação, da misericórdia. Por fim, a bênção, “testamento espiritual que Francisco nos entrega”, disse frei Fusarelli, “dom do alto que pede para se tornar carne através da prática do bem”, do Sumo Bem. “Eis, Pai, que deixo o mundo e vou para Cristo”, depositado “nu sobre a terra nua”. Com coração livre e humilde, acolheu a “irmã morte corporal” como amiga. E seu Testamento permaneceu como legado de reconciliação e profecia de fraternidade.

Um Ano Jubilar Franciscano especial

Ao final da cerimônia, foi lida a mensagem enviada por Leão XIV e dom Sorrentino, visivelmente emocionado, anunciou seu sucessor à frente da diocese, na pessoa do arcebispo dom Felice Accrocca. Foi também comunicada a promulgação do decreto pelo qual o Papa institui um Ano Jubilar Franciscano especial, de 10 de janeiro de 2026 a 10 de janeiro de 2027, durante o qual todos os fiéis cristãos são convidados a seguir o exemplo do Santo de Assis, tornando-se modelos de santidade de vida e testemunhas incansáveis da paz. A Penitenciaria Apostólica concede a indulgência plenária, nas condições habituais, a todos aqueles que participarem devotamente deste Jubileu extraordinário, que representa uma continuação ideal do Jubileu Ordinário de 2025. Este Ano Jubilar é dirigido de modo particular aos membros das Famílias Franciscanas da Primeira, Segunda e Terceira Ordens Regulares e Seculares, bem como aos Institutos de vida consagrada, às Sociedades de vida apostólica e às Associações que observam a Regra de São Francisco ou se inspiram na sua espiritualidade. No entanto, a graça deste ano especial se estende também a todos os fiéis, sem distinção, que, com o coração desligado do pecado, visitarem em forma de peregrinação qualquer igreja conventual franciscana ou local de culto dedicado a São Francisco em qualquer parte do mundo. Os idosos, os doentes e aqueles que, por motivos graves, não podem sair de casa, poderão igualmente obter a indulgência plenária unindo-se espiritualmente às celebrações jubilares e oferecendo a Deus suas orações, suas dores e seus sofrimentos.

 

Formação e reflexão

Para aprofundar a vivência deste Centenário do Trânsito e do Ano Jubilar Franciscano em sua comunidade, disponibilizamos três subsídios para motivar encontros de formação e momentos de oração. Estes materiais foram desenvolvidos para ajudar cada irmão e irmã a percorrer o caminho de conversão e renovação proposto por São Francisco. Utilize estes materiais em seus capítulos locais, grupos de jovens ou encontros de formação permanente para que a mensagem do Pobrezinho continue a ser uma “lâmpada para o mundo”. Confira abaixo:

Tema 1: Testamento – Gratidão pelo dom da Vida e da Vocação

Um convite para contemplar a história pessoal e da Família Franciscana com gratidão, inspirando-se no Testamento de Francisco para renovar o seguimento de Cristo.

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Tema 2: Subida à montanha – Peregrinação rumo à meta

Reflete sobre a caminhada de santidade de Francisco, comparando sua entrega à de Abraão e explorando os ensinamentos bíblicos dos “montes” do Evangelho de Mateus.

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Tema 3: Trânsito de São Francisco – Atualidade de sua mensagem

Foca na necessidade de “recomeçar” o serviço ao Senhor, convidando as fraternidades a serem luz no mundo e a lavarem os pés uns dos outros em gestos de profecia e paz.

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Por Vatican News e Ordo Fratrum Minorum (Rome)