Frei Felipe: Jesus continua acreditando em nosso coração
28/06/2026

Mesmo com muita chuva e frio em Pato Branco, o povo não deixou de participar, neste sábado (27), de dois momentos devocionais por ocasião das festividades em honra a São Pedro Apóstolo. Frei Felipe Carretta, vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, de Nilópolis (RJ), presidiu a Adoração do Santíssimo Sacramento, às 18 horas, e em seguida, às 19h30, o oitavo dia da Novena do Padroeiro, com a Celebração Eucarística e a pregação tema: “Vai! E seja feito como tu creste” (Mt 8,13).
“Diante do Santíssimo Sacramento, deixemos que a pergunta de Jesus ressoe no mais profundo de nossa alma: ‘Tu me amas?’ E, no silêncio do coração, respondamos com toda a sinceridade de que somos capazes: ‘Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo’”, foi o pedido de Frei Felipe no final da reflexão da Adoração ao Santíssimo.
Na pregação deste 8º Dia, Frei Felipe explicou que ao longo desta novena temos olhado para a vida do nosso Padroeiro não como quem olha para a estátua de um santo perfeito, intocável no altar, como esta belíssima arte em mosaico que retrata a vida de Pedro, que retrata um homem com suas alegrias e dificuldades. “Olhar para Pedro é olhar para a nossa própria história: uma história feita de impulsos, de promessas bonitas, de quedas dolorosas, mas, acima de tudo, de um amor que nunca desiste de nós”, situou.

ACOMPANHE TODA A REFLEXÃO:
Hoje, a liturgia nos provoca com uma frase forte, dita por Jesus ao Centurião romano: “Vai! E seja feito como tu creste”.
Se pararmos para pensar, essa frase é quase um mistério. O que acontece quando Jesus olha para nós e diz: “Que seja feito segundo a sua fé”? Que tipo de fé Jesus encontra em nós hoje? Para responder a isso, a Igreja nos convida a olhar para o caminho de conversão de Pedro. Porque a conversão de Pedro, meus irmãos, não foi apenas uma mudança de comportamento. Foi, antes de tudo, o amadurecimento da sua fé. Foi a passagem de uma fé que estava na cabeça e no próprio orgulho, para uma fé que se tornou um encontro pessoal, vivo e definitivo com Jesus Cristo.
A Fé da Presunção: Quando cremos em nós mesmos
Vamos voltar um pouco no tempo e lembrar de como era a fé de Pedro no início. Pedro amava Jesus? Claro que sim! Ele deixou as redes, deixou o barco, deixou a família para seguir o Mestre. Mas a fé de Pedro tinha um problema: era uma fé que confiava demais no próprio Pedro.
Quantas vezes nós nos parecemos com ele? Nós rezamos, nós viemos à igreja, nós participamos da novena e, no fundo do coração, pensamos: “Eu sou um bom católico. Eu aguento firme. Minha fé é forte”. Pedro pensava exatamente assim.
Na Última Ceia, quando Jesus avisa que todos iam vacilar, Pedro bate no peito e diz: “Ainda que todos se escandalizem por tua causa, eu jamais me escandalizarei! Se for preciso morrer contigo, eu morrerei!”
Ali, Pedro não estava mentindo; ele estava sendo sincero. Mas a fé dele era baseada na sua própria força, na sua força humana. Ele achava que a fé era um escudo que ele segurava para proteger Jesus. Ele não tinha entendido que a fé, na verdade, é o contrário: é o escudo de Deus que nos protege da nossa própria fraqueza. Jesus, em sua infinita pedagogia e misericórdia, sabia que aquela fé orgulhosa precisava ser purificada. E, para ser purificada, Pedro precisou experimentar a queda. Ele precisou ver o castelo do seu próprio ego desmoronar no pátio do Sumo Sacerdote, sob o peso de três negações e o canto de um galo.

A Fé da Crise: O Encontro com o Olhar da Misericórdia
E no pior momento da vida de Pedro, que a conversão verdadeira começa. Não quando ele acerta, mas quando ele erra e se descobre fraco. O Evangelho de São Lucas nos traz um detalhe belíssimo: logo após a terceira negação, o galo cantou e, naquele exato momento, Jesus se voltou e olhou para Pedro.
Imagine aquele olhar. Não era um olhar de julgamento. Não era um olhar de quem dizia “Eu te avisei”. Era o olhar de quem dizia: “Pedro, eu já sabia. Mas eu continuo te amando”.
Aquele olhar quebrou o coração de Pedro. O texto diz que ele saiu dali e chorou amargamente. Mas prestem atenção: as lágrimas de Pedro foram diferentes das lágrimas de Judas. Judas chorou de remorso, porque olhou apenas para o seu próprio pecado e se desesperou. Pedro chorou de arrependimento, porque olhou para o seu pecado, mas olhou também para os olhos de Jesus.
Ali, a fé de Pedro amadureceu. Ele entendeu que o cristianismo não é a religião dos perfeitos que nunca caem, mas a comunidade dos pecadores que são perdoados e se levantam. A fé de Pedro deixou de ser uma ideia de vitória e passou a ser uma experiência profunda, dolorosa e curativa com a Misericórdia Divina. Ele descobriu que Jesus o amava não por causa das virtudes dele, mas apesar das fraquezas dele.
A Fé do Abandono: “Senhor, Tu sabes tudo”
Depois da Ressurreição, Jesus consolida esse amadurecimento. Naquela praia na Galileia, Jesus não faz um tribunal para condenar Pedro. Ele não pergunta: “Pedro, por que você mentiu? Por que me abandonou?”. Jesus faz apenas uma pergunta, três vezes: “Simão, filho de João, tu me amas?”
E vejam como a fé de Pedro mudou. Ele já não bate mais no peito. Ele já não diz que é melhor que os outros. Ele não diz “Eu te amo mais do que estes”. Humilde, curado do seu orgulho, ele responde: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”.
É como se Pedro dissesse: “Senhor, eu já não confio nas minhas promessas. Minhas forças falharam. Mas Tu conheces o meu coração. Tu sabes que, apesar da minha fraqueza, existe um amor sincero aqui dentro”.
E Jesus diz a Pedro, em termos práticos: “Vai! E seja feito como tu creste”. Jesus confia a ele a Sua Igreja. Não porque Pedro era o mais forte, mas porque Pedro agora era o mais humilde. A sua fé agora era madura, era puro abandono nas mãos de Deus.

O que Jesus encontra em nós hoje?
Meus irmãos e irmãs, tragamos essa lição para a nossa vida, para esta noite da novena. Se Jesus olhasse para cada um de nós agora e dissesse: “Vai, e seja feito como tu creste”, o que aconteceria na nossa vida?
Se a nossa fé for como a de Pedro antes da queda — uma fé morna, de conveniência, ou uma fé cheia de orgulho, onde achamos que Deus nos deve algo porque somos pessoas boas —, nós desmoronaremos na primeira tempestade, na primeira doença, na primeira crise familiar.
Mas se a nossa fé for uma fé que amadureceu na conversão; se nós tivermos a coragem de dizer a Jesus: “Senhor, eu sou fraco, eu tenho minhas falhas, mas eu confio na Tua palavra, eu me entrego ao Teu amor”, então o milagre vai acontecer. O milagre da paz no coração, o milagre da restauração das famílias, o milagre da força para carregar a cruz de cada dia, o milagre do pão partilhado.
Que São Pedro interceda por nós neste oitavo dia da novena. Que ele nos ensine o caminho da conversão que não tem medo das próprias fraquezas, mas que se lança, sem reservas, nos braços daquele que nos amou primeiro. Que a nossa fé deixe de ser um hábito e passe a ser um encontro pessoal e diário com Jesus Cristo.

Reflexão: Adoração ao Santíssimo Sacramento
Irmãos e irmãs, acabamos de ouvir um dos encontros mais belos do Evangelho. Diante de nós está Pedro, o discípulo que amava Jesus, mas que também havia experimentado a dor da fraqueza. Na noite da Paixão, por medo, negou o Mestre três vezes. Certamente carregava no coração a vergonha daquele momento. Mas Jesus, depois de ressuscitado, não o procura para acusá-lo, nem para recordar suas quedas. Procura-o para restaurar seu coração pelo amor.
Por isso, Jesus faz uma pergunta que mexeu com Pedro e mexe com a gente: “Simão, filho de João, tu me amas?” Não é uma pergunta dirigida apenas a Pedro. É uma pergunta dirigida a cada um de nós que estamos aqui diante do Santíssimo Sacramento.
Muitas vezes pensamos que Deus está preocupado com nossos fracassos, nossos erros e pecados. Mas o Evangelho nos mostra que o Senhor deseja antes de tudo o nosso amor. Jesus sabe das nossas limitações. Conhece nossas infidelidades. Conhece as vezes em que nos afastamos d’Ele, as vezes em que rezamos pouco, as vezes em que colocamos outras coisas acima da Sua presença. Mesmo assim, continua nos olhando com misericórdia e perguntando: “Tu me amas?”

São Francisco de Assis chorava ao contemplar este mistério e repetia: “O Amor não é amado.” O Filho de Deus entregou-se totalmente por nós. Fez-se pobre, caminhou entre os homens, carregou a cruz e derramou seu sangue pela nossa salvação. E, ainda hoje, permanece conosco na Eucaristia, esperando silenciosamente o nosso amor. Quantas vezes passamos diante da igreja sem entrar para visitá-Lo? Quantas vezes temos tempo para tantas coisas e tão pouco tempo para Deus? Quantas vezes o Amor continua sem ser amado?
Mas esta adoração não é um momento para nos sentirmos condenados. É um momento para nos deixarmos amar. Jesus não rejeitou Pedro. Jesus não desistiu de Pedro. E também não desiste de nós. Ele continua acreditando em nosso coração. Continua oferecendo uma nova oportunidade. Continua nos chamando para perto de Si.
Pedro, entristecido, já não confia em suas próprias forças. Por isso responde com humildade: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo.” Esta talvez seja também a nossa resposta nesta noite. Não uma resposta perfeita, mas sincera. Não uma resposta de quem nunca falhou, mas de quem deseja recomeçar.
E quando Pedro professa seu amor, Jesus lhe confia uma missão. O amor verdadeiro sempre se transforma em serviço. Quem ama Cristo aprende a amar os irmãos. Quem adora Jesus na Eucaristia deve reconhecê-Lo também nos pobres, nos doentes, nos que sofrem, nos esquecidos e abandonados.
Por fim, Jesus dirige a Pedro uma última palavra: “Segue-me.” Esta é a palavra que ecoa nesta adoração. Depois deste encontro com o Senhor, somos chamados a segui-Lo com mais fidelidade, mais generosidade e mais amor.
Diante do Santíssimo Sacramento, deixemos que a pergunta de Jesus ressoe no mais profundo de nossa alma: “Tu me amas?” E, no silêncio do coração, respondamos com toda a sinceridade de que somos capazes: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo.”
No encerramento da Novena (28/6), na Missa da Vigília, às 19h30, o Reitor do Santuário Frei Galvão, em Guaratinguetá (SP) e Definidor Provincial, Frei Diego Atalino de Melo, vai falar sobre o tema de uma das frases mais belas de São Pedro: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo” (Jo 21,17).
O pároco Frei Evandro Balestrin agradeceu a Frei Felipe, aos frades da Fraternidade, à Pascom, e lembrou que as missas neste domingo (28/6) serão, liturgicamente, as do 13º Domingo do Tempo Comum, ficando a solenidade para o Dia do Padroeiro. Ele disse que até o dia 29 de junho, o Pavilhão São Pedro oferecerá doces, bolos, pastéis, quentão, bingo, domingo: 16h às 19h e 19h30 às 22h, churrasco no dia 29 de junho a partir das 11h30. Neste domingo e segunda, Pavilhão São Pedro funciona a partir das 10h até 22h. Neta segunda, o jogo do Brasil e demais jogos da Copa do Mundo poderão ser vistos no telão do Pavilhão.
Pascom da Paróquia





















