Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

A noite de gratidão de Frei Marx

11/05/2019

Notícias

Por Moacir Beggo

Nilópolis (RJ) – Sob as bênçãos do Bom Pastor, Frei Marx Rodrigues iniciou solenemente o seu ‘pastoreio’ neste sábado (11/5), ao ser ordenado presbítero por Dom Luciano Bergamin, CRL, bispo da Diocese de Nova Iguaçu, durante a Celebração Eucarística na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Nilópolis (RJ). A celebração, que teve início às 17 horas e só terminou depois de 3h10, mesclou alegria, fraternidade, a descontração de Dom Luciano, emoção, entrega e fé.

Segundo Dom Luciano, Frei Marx foi muito feliz ao escolher a data de sua ordenação no 4º Domingo da Páscoa, chamado “Domingo do Bom Pastor”. A bela igreja de Nossa Senhora Aparecida, de ‘roupa nova’ com a pintura e a reforma do telhado, lotou para vivenciar esse momento histórico. Ao lado do bispo estavam como concelebrantes o confrade de Frei Marx, Dom Frei Evaristo Spengler, bispo da Prelazia de Marajó; o Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella, representando o Ministro Provincial, Frei César Külkamp; o pároco de Nossa Senhora Aparecida, Frei Walter Ferreira Júnior, sacerdotes de toda a Província, da Diocese, além dos religiosos e religiosas e seminaristas. Além dos familiares e amigos, o povo veio de todas as Paróquias que conheceram o ordenando, inclusive de longas distâncias como os de São Paulo, onde o frade reside atualmente.

Após a proclamação do Evangelho, a convite do diácono Frei Gabriel Vargas, o ordenando se apresentou para o rito de eleição e foi confirmado pelo testemunho do Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella, que destacou três características do ordenando: “Frei Marx traz consigo três características muito importantes no presbítero franciscano: disponibilidade, disposição e um amor muito sincero e devotado pelos pobres”, disse o Vigário Provincial, frisando que Frei Marx era digno de abraçar esse ministério. Dom Luciano, perguntou aos pais, aos familiares e ao povo de Deus se estavam de acordo. Ouviu um sonoro “sim” de toda a assembleia. “Com o auxílio de Deus e de Jesus Cristo, nosso Salvador, escolhemos este nosso irmão para a Ordem do Presbiterado”, completou o bispo.

Segundo o bispo diocesano, esta imagem de Deus representada por um pastor e o povo de Deus pelas ovelhas perpassa todo o Antigo e Novo Testamento. “Jesus, como nós ouvimos, reassume esta imagem, quando diz ‘Eu sou o bom pastor’. E nós, então, somos as ovelhas do Senhor. E o que as ovelhas têm que fazer? Escutar o pastor”, disse.

“Nós somos sempre ovelhas, mas ao mesmo tempo podemos assumir a missão de pastores em nossa vida. Vocês, queridos pais, são pastores; as catequistas, os professores são pastores. Nós, também, a exemplo de Cristo, podemos ser bons pastores”, disse, lembrando o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. “Nós precisamos muito de padres, precisamos muito de consagrados e consagradas, como precisamos muito de bons pais. Rezemos pelas vocações, de maneira muito especial pelas vocações sacerdotais e pelas vocações consagradas”, pediu.

Durante a homilia, Dom Luciano chamou Frei Diego Melo, animador vocacional da Província, para dar um testemunho de como foi a Semana Vocacional em preparação para a ordenação presbiteral de Frei Marx. Segundo Frei Diego, com uma equipe de cerca de 30 missionários e missionárias, dois pontos a marcaram essa Missão Vocacional: as visitas às comunidades e famílias durante o dia e o bonito trabalho que existe nas Paróquias Nossa Senhora Aparecida e Santíssima Trindade de ir ao encontro das pessoas em situação de rua.

“Não foi só uma ‘quentinha’ que levamos, mas o calor do amor de Deus que levamos e recebemos”, disse. O frade contou que outro momento marcante foi quando uma senhora o chamou e disse que, por circunstâncias da vida, tinha deixado de ser católica. “E aí ela olhou para os lados e disse: ‘Mas eu vou confessar uma coisa, Frei: de Nossa Senhora não me esqueci. Quando meus filhos saem de casa e vão trabalhar, porque todos são evangélicos, eu ligo a TV na Missa da TV Aparecida e me consagro a Nossa Senhora todos os dias”, explicou.

Dom Evaristo disse que Frei Marx será uma força para a Igreja para a  Província. “O coração dele pertence a Deus e pertence ao povo. Caminhe, Frei Marx, sempre nesse ideal que você vem construindo ao longo da sua vida”.

Quando frade, Dom Evaristo viveu muitos anos na Baixada Fluminense e falou com carinho dessa convivência e partilha do povo com os frades. Lembrou que a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) fará uma missão na Prelazia do Marajó e disse que já guardou duas vagas para os frades em formação. “No Marajó tem um rio famoso, o Rio Tajapuru, onde vivem muitas comunidades ribeirinhas pobres. O povo está abandonado na saúde e, às vezes, passa fome. As meninas de 10 e 12 anos vão vender castanhas nas balsas e ali são abusadas sexualmente por 5 ou 10 reais. Nós queremos chegar mais perto dessas comunidades e dizer: ‘Vocês não estão sozinhos. A Igreja está com vocês. E essa aproximação da Igreja se dará nessa missão'”, adiantou, pedindo as bênçãos de Deus abençoe na vida e missão de Frei Marx.

Na sequência, no diálogo com D. Luciano, Frei Marx disse sim ao ministério presbiteral, suas funções e seu modo de vida. Então, ele se prostrou ao chão, enquanto a assembleia cantou a Ladainha de Todos os Santos.

A parte central do rito veio em seguida com a imposição das mãos de D. Luciano e a Prece de Ordenação, conferindo ao eleito o dom do Espírito Santo para o múnus de presbítero. A assembleia ficou em silêncio enquanto o mesmo gesto foi repetido pelos presbíteros, um a um, para significar a admissão do eleito na Ordem Presbiteral.

Acolhido entre os presbíteros, Frei Marx foi revestido com as vestes litúrgicas, trazida pelos pais Heloíza e Marco Aurélio Ribeiro dos Reis. Frei José Francisco dos Santos, guardião da Fraternidade do Pari, onde Frei Marx reside, com Frei Carlos Guimarães, da Fraternidade Nossa Senhora Aparecida, ajudaram o neopresbítero a retirar as vestes de diácono e a colocar a estola, sinal de seu serviço, e a casula, a veste própria do pastor.

Depois de ungir as mãos com o óleo do Crisma, Dom Luciano as amarrou com uma fita – simbolizando um compromisso assumido perpetuamente – e foi em direção de seus pais, Heloíza e Marco Aurélio, para desatarem a fita e receberem a primeira bênção do neopresbítero. Foi um momento de muita emoção para os familiares de Frei Marx e que naturalmente contagiou a assembleia. Frei Marx foi abraçado, então, pelos familiares, sacerdotes e confrades.

Dois jovens da Paróquia Santíssima Trindade carregaram em procissão o cálice e a patena para serem entregues a Frei Marx. O rito terminou com o abraço do bispo, dos sacerdotes e religiosos e da família. Na sequência, teve início da liturgia eucarística, quando Frei Marx se colocou ao lado do bispo no altar.

Depois da comunhão, um momento de devoção mariana. Dom Luciano pediu a Frei Marx que se ajoelhasse diante de Nossa Senhora para pedir suas bênçãos. Um grupo de bailarinas fez uma bela coreografia para homenagear a Padroeira do Brasil.

 

Agradecimentos

Frei Gustavo Medella, falando em nome da Província da Imaculada, agradeceu a acolhida do povo e lembrou que 80 famílias se apresentaram rapidamente para acolher todos os leigos e frades que vieram para a ordenação. “Eu fiquei pensando qual é o espírito dessas famílias que se dispuseram a acolher? Eles devem pensar, certamente: eu não sei quem vem, mas quem vem eu acolho porque é meu irmão, minha irmã, em Cristo Jesus. E fica a lição deles para nós termos esse coração generoso para acolher quem quer que seja por causa de Cristo. Muito obrigado, Dom Luciano, pelo modo fraternal e terno com que conduziu esta celebração. Muito obrigado a esta Paróquia de fé, Nossa Senhora Aparecida, também à Paróquia Santíssima Trindade, à Fraternidade Franciscana, e todo esse povo que não mediu esforços para tudo fosse bonito, para que sentíssemos acolhidos. Deus lhes pague. Muito, muito obrigado!”, disse, estendendo os agradecimentos à equipe missionária, a Frei Diego, à toda Família Franciscana e carinhosamente à família de Frei Marx. “Obrigado, porque vocês, no berço, conseguiram transmitir valores que deram a Frei Marx maturidade e segurança para abraçar essa vida de entrega e generosidade. Nós, da Província Franciscana da Imaculada Conceição, todos os nossos frades, podemos resumir num só sentimento: gratidão!”, completou Frei Medella.

Frei Marx, nos seus agradecimentos, não economizou nas palavras e emoções. “Caro Dom Luciano, meu irmão e pastor, a minha gratidão. Tu que derramaste óleo sobre a minha cabeça e hoje sobre as minhas mãos, também tem dedicado sua vida no pastoreio do povo dessa Diocese onde a minha cidade se encontra. Tu amaste o povo da Baixada Fluminense e seu amor deixou marcas em nossa santa cara de pau e em nossas solas de sapatos gastas. Em cada anúncio, de acalanto e de profetismo, que nessa terra se ressoa, há um pouco de sua voz”, disse. “Eu, embora reconheça toda a sua grandeza, te chamarei apenas de meu bispo e buscarei seguir os seus conselhos”, acrescentou.

Depois agradeceu a seus confrades e a Província da Imaculada Conceição, família “que me acolheu e me oportunizou tantas alegrias, mas sobretudo me permitiu ter a oportunidade de vivenciar a vida fraterna”.

Sua família mereceu carinhosos afagos. “Ser membro dessa família e filho dessa terra é como ser capaz de vislumbrar voos rasantes e transformadores, como de minha mãe reinventando na cozinha, na sala e nossa história a forma de viver”, disse.

Agradeceu ainda a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, a sua paróquia de origem, a Santíssima Trindade, onde neste domingo celebra a sua Primeira Missa, e todas as paróquias e fraternidades por onde passou. “Por fim, agradeço a Deus pelo seu plano de amor”.

“Quando celebramos uma ordenação, o eleito é interrogado sobre sua dignidade para assumir tal ministério. Eu tenho total ciência de que não sou merecedor de tal função, que sou um servo realmente muito inútil, mas também tenho certeza de que é o serviço ao Reino que me faz despertar a cada manhã, é por ele que tenho a alegria de viver e de esquadrinhar os melhores sonhos. Agradeço a Deus e me silencio, para que ressoe a voz de que nos diz: ‘Tu me amas? Então apascenta as minhas ovelhas’”, completou Frei Marx, natural de São João de Meriti (RJ), onde nasceu no dia 28 de setembro de 1989. Os pais, Heloíza e Marco Aurélio, tiveram mais duas filhas: Amanda Rodrigues dos Reis (34 anos) e Yolanda Rodrigues dos Reis (32 anos).

Sua formação franciscana teve início quando ingressou no Aspirantado de Ituporanga em 2008 e vestiu o hábito franciscano em 2010 ao ingressar no Noviciado Franciscano da Província da Imaculada Conceição. Cursou Filosofia em Curitiba e Teologia em Petrópolis. Em 2014 e 2015 morou no Convento do Sagrado Coração de Jesus e depois foi transferido para Imbariê – Duque de Caxias, onde morou por dois anos. Em 2018, foi transferido para o Convento São Francisco de Assis (SP) para trabalhar no Serviço de Animação Vocacional da Província e, nesse ano, foi transferido para o Convento Santo Antônio do Pari, onde está a serviço do SEFRAS -Serviço Franciscano de Solidariedade.


VEJA MAIS IMAGENS DA CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA