Profissão Solene de Frei Bruno encerra o terceiro dia do Capítulo das Esteiras
05/08/2026

O terceiro dia do Capítulo das Esteiras 2026 foi marcado por um dos momentos mais significativos da caminhada franciscana. Antes do almoço fraterno, reunido diante de toda a fraternidade, o então professando Frei Bruno Almeida de Mello realizou o tradicional pedido para ser admitido à Profissão Solene na Ordem dos Frades Menores.
Na ocasião, Frei Bruno rogou aos irmãos que o acolhessem para professar os votos perpétuos, comprometendo-se a “fazer penitência, emendar a vida e servir fielmente a Deus até a morte”, além de pedir perdão pelas faltas cometidas durante o tempo de formação e as orações da fraternidade para permanecer fiel ao ideal franciscano.
À noite, durante a celebração eucarística presidida pelo Ministro Provincial, Frei Paulo Roberto Pereira, e concelebrada por Frei César Külkamp, Definidor Geral da Ordem, e pelo Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella, o pedido encontrou sua plena realização. A liturgia contou ainda com a participação do Coral dos Frades de Petrópolis, cuja execução dos cantos conferiu à celebração um clima ainda mais grandioso.
Desde a procissão de entrada, acompanhada por velas e incenso, a celebração evidenciou o caráter festivo e espiritual da profissão solene, inserida no contexto dos 800 anos da Páscoa de São Francisco e dos 350 anos da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.
A primeira leitura, da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 12), recordou que a vida cristã é uma oferta permanente a Deus: “Oferecei-vos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”. O Evangelho (Mt 19,16-22) apresentou o encontro entre Jesus e o jovem rico que, ao ser interrogado sobre o caminho para alcançar a vida eterna, Cristo recorda os mandamentos e, diante do desejo do jovem por algo maior, faz o convite radical: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá aos pobres e depois vem e segue-me”.
Após a proclamação do Evangelho, teve início o rito da profissão solene. Chamado pelo Mestre de Formação, Frei Gilberto da Silva, Frei Bruno respondeu com firmeza: “Aqui estou”.
Natural de Lages (SC), onde nasceu em 8 de maio de 1999, Frei Bruno iniciou sua caminhada na Ordem dos Frades Menores em 2018, no Aspirantado em Ituporanga (SC). No ano seguinte, viveu o Postulantado, ingressando no Noviciado em 2020, professando seus primeiros votos no dia 29 de dezembro. Em 2024, ele realizou seu Ano Missionário na Paróquia São Pedro Apóstolo, em Pato Branco (PR) e desde 2025 reside na Fraternidade do Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis (RJ), onde cursa atualmente o 2º ano de Teologia.
Ao ser interrogado pelo Ministro Provincial sobre o que pedia ao Senhor e à Igreja, Frei Bruno manifestou publicamente seu desejo de ser admitido definitivamente na Ordem: “Reconhecendo na vossa fraternidade o valor da vida consagrada e humilde, peço para ser admitido na Ordem dos Frades Menores, para o louvor de Deus e serviço da Igreja.”
O pedido foi acolhido por Frei Paulo, que agradeceu a Deus pelo chamado e pela decisão do professando.
“Guardar os segredos do Senhor no coração”
Na homilia, Frei Paulo Roberto Pereira refletiu sobre o diálogo entre Jesus e o jovem rico, destacando que Cristo não oferece respostas prontas, mas indica um caminho de discernimento e liberdade.
Segundo o Ministro Provincial, a pergunta feita pelo jovem, “O que devo fazer para possuir a vida eterna?”, continua sendo a mesma inquietação que acompanha todo discípulo de Cristo. Recordando a conhecida imagem da “porta da agulha”, Frei Paulo reforçou que ela ilustra a necessidade de desprender-se de tudo aquilo que impede a passagem para uma vida plenamente entregue ao Senhor.
O Ministro Provincial relacionou esse convite diretamente à profissão solene de Frei Bruno, afirmando que todos os presentes eram convidados a refazer interiormente a pergunta do jovem rico: “O que devo deixar para que minha vida seja iluminada de sentido?”
Como resposta, apresentou o exemplo de São Francisco de Assis, que encontrou o verdadeiro tesouro, abandonando riquezas e reconhecimento para oferecer a própria vida aos pobres e ao Evangelho.
Frei Paulo também observou que, numa sociedade marcada pelo imediatismo e pela satisfação instantânea, a profissão recorda outra lógica: a das promessas feitas na perspectiva da eternidade.
Ao comentar o lema escolhido por Frei Bruno, “Guardar os segredos do Senhor no coração” (retirado das Admoestações de São Francisco), destacou que a intimidade com Deus constitui o caminho seguro para perseverar na vocação e permanecer fiel ao Evangelho.
Dirigindo-se ao professando, concluiu: “Obrigado pelo seu ‘sim’. Continue a ser, cada dia e sempre, nosso irmão necessário. Conte com a nossa amizade, com as nossas preces. Em nome da nossa fraternidade, o acolho para fazer penitência e, juntos, enchermos de eternidade a fragilidade dos nossos dias.”
O “sim” definitivo
Durante o rito da profissão, Frei Bruno respondeu afirmativamente a cada uma das perguntas da Igreja sobre sua disposição de viver definitivamente a castidade, a obediência e a pobreza segundo o espírito de São Francisco. Também confirmou seu desejo de dedicar-se inteiramente ao serviço de Deus, cultivar uma vida de oração, acolher os irmãos com amor, testemunhar Cristo com palavras e obras e abraçar a vida dos pobres e excluídos.
Na sequência, enquanto toda a assembleia entoava a Ladainha de Todos os Santos, o professando prostrou-se ao chão, simbolizando a entrega total da própria vida à vontade de Deus e da Igreja.
Depois, colocando as mãos entre as do Ministro Provincial, pronunciou a fórmula da profissão definitiva, comprometendo-se a viver, por toda a vida, a partir da Regra dos Frades Menores e as Constituições da Ordem. Em sua profissão, confiou seu caminho à ação do Espírito Santo, à proteção da Imaculada Conceição, à intercessão de São Francisco e ao auxílio fraterno dos irmãos, para seguir “a perfeita caridade no serviço a Deus, à Igreja e aos homens”.
A celebração prosseguiu com a oração de consagração, na qual Frei Paulo pediu que Deus concedesse ao novo professado a humildade, a menoridade, o amor fraterno, a fidelidade à pobreza, à simplicidade e à oração, tornando-o sinal do amor sem limites de Deus. Após receber a bênção solene, Frei Bruno foi acolhido pelos confrades com o abraço da paz, enquanto toda a assembleia cantava “Salve, Mestre e Pai Amado”. Em seguida, foi aplaudido de pé pelos presentes.
“Esta é a tua família agora”
Ao final da celebração, Frei Bruno dirigiu algumas palavras de agradecimento à assembleia. Recordou que imaginava realizar sua profissão em Petrópolis, mas recebeu com alegria o convite para vivê-la durante o Capítulo das Esteiras, em meio às celebrações do Jubileu dos 800 anos da Páscoa de São Francisco e dos 350 anos da Província.
Em sua fala, destacou a profunda ligação entre a história da Província e a história de sua própria família. Lembrou que seus pais foram evangelizados pelos frades no Planalto Catarinense e que sua vocação nasceu justamente desse testemunho missionário.
Emocionado, contou que seus pais não puderam estar presentes devido à distância, mas recordou uma frase dita por Frei Marcos durante um almoço recente: “Esta é a tua família agora” (apontando para o refeitório e para os confrades).
“Hoje, de fato, esta é a minha família. Vocês são os meus irmãos, são aqueles que estão caminhando comigo. Ou melhor, eu que estou, agora, caminhando com vocês”, concluiu.
Até quinta-feira (6), a programação do Capítulo das Esteiras reunirá momentos de oração e convivência fraterna, encerrando o tempo jubilar dos 350 anos da Província em sintonia com as celebrações dos 800 anos do Trânsito de São Francisco de Assis.
No site e nas redes sociais da Província será possível acompanhar, ao longo dos próximos dias, a cobertura completa do evento, com notícias, entrevistas, galerias de fotos e os principais momentos da celebração.
Clique aqui para conhecer um pouco da história do Capítulo das Esteiras na Província
Guilherme Coutinho

































