“A quem muito amamos, damos muitos títulos”: exposição revela a riqueza da devoção mariana
22/05/2026

Ao entrar na exposição “Maria: a quem muito amamos, damos muitos títulos”, localizada no Convento São Francisco (São Paulo/SP), o visitante se depara com dezenas de imagens, pinturas e representações da Virgem Maria vindas de diferentes épocas, culturas e tradições. Entre Nossa Senhora Aparecida, Guadalupe, Lourdes, Fátima, das Graças, do Carmo e tantos outros títulos, a mostra revela como cada invocação expressa a forma com que diferentes povos enxergam, vivem e se aproximam da figura materna de Maria.
Organizada pelo Frei Estêvão Ottenbreit, a exposição, que reúne mais de 50 imagens, nasceu de uma percepção simples, mas muito presente na religiosidade popular: muitas pessoas acreditam que cada título corresponde a “outra Nossa Senhora”.
“Muita gente acaba pensando que Nossa Senhora de Lourdes é uma, Nossa Senhora de Fátima é outra, Nossa Senhora Aparecida é outra. A ideia da exposição é justamente ajudar as pessoas a perceberem que se trata da mesma Maria, invocada de diferentes formas pelo povo”, explica.
A inspiração do nome da mostra vem da tradicional Ladainha Lauretana, antiga oração mariana composta por diversos títulos atribuídos à Virgem Maria, como “Rosa Mística”, “Arca da Aliança” e “Mãe de Deus”. O tema também foi retratado na música “Todas as Nossas Senhoras”, composição de Erasmo Carlos e Roberto Carlos.
Uma mãe com muitos rostos
Grande parte das peças expostas pertence ao acervo da Província Franciscana e foi reunida ao longo de anos de viagens e trabalhos pastorais. Durante esse período, imagens de Nossa Senhora encontradas em diferentes lugares acabaram, aos poucos, tornando-se parte do acervo histórico da Província.
A iniciativa surgiu inicialmente durante o período em que Frei Estevão estava no Rio de Janeiro. A ideia ganhou forma após sua transferência para São Paulo. “Percebi que as pessoas demonstravam muito interesse quando viam reunidas tantas representações diferentes de Maria. Isso motivou a ampliar a proposta da exposição”, recorda.
Para explicar por que Maria recebe tantos nomes e invocações, Frei Estêvão utiliza um exemplo próximo da experiência humana: a figura materna.
“A nossa própria mãe assume muitos papéis na vida da gente. Ela é protetora, conselheira, consoladora, cuidadora, entre outros tantos. Com Maria acontece algo semelhante: o povo recorre a ela nas mais diferentes situações da vida e, a partir disso, surgem os diversos títulos”, afirma.
É justamente dessa relação afetiva que nascem muitos títulos marianos. Alguns fazem referência ao lugar onde Maria é venerada, como Fátima, Lourdes, Guadalupe ou Luján, enquanto outros expressam experiências e situações adversas vividas pelo povo.
“As pessoas recorrem a Maria em momentos de doença, tristeza, insegurança, dificuldades familiares, necessidade de trabalho. Muitas vezes, o título nasce exatamente dessa experiência de fé e daquilo que o povo mais necessita”, resume.
A presença de Maria nas culturas populares
A exposição também revela como diferentes culturas representam Maria conforme suas próprias características e sensibilidades. Uma das imagens retrata Nossa Senhora junto aos povos indígenas da Amazônia.

Outra chama atenção por apresentar uma versão alada da Imaculada Conceição, inspirada numa tradição do Equador. “Lá, diziam que, se ela era santa, precisava ter asas para voar. É bonito perceber como cada cultura expressa sua devoção de maneira própria. O carinho a Nossa Senhora está presente praticamente em todos os lugares. Onde o povo está, Maria também está presente na fé e na devoção”, complementa o Frei.
Entre os destaques da exposição estão também representações ligadas às maiores romarias do Brasil, como Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Nazaré e Nossa Senhora da Penha, além de imagens históricas utilizadas em catequeses há mais de 120 anos.
Outro detalhe que costuma surpreender os visitantes é a imagem de Maria grávida, algo pouco comum no imaginário popular. “Muita gente estranha, mas ela recorda algo muito humano e natural: Maria, para se tornar mãe, também viveu a experiência da gestação”, comenta.
Na exposição também se encontra uma imagem da Imaculada Conceição na tradição franciscana, considerada padroeira da Ordem dos Frades Menores desde 1761, por decreto do Papa Clemente XIII. Nela, a figura de Maria é retratada sustentando o Menino Jesus, ressaltando sua missão de apresentar Cristo ao mundo.

A mostra ocupa atualmente o espaço utilizado anteriormente para a apresentação dos presépios, e já possui continuidade prevista: após agosto, o local receberá uma nova exposição dedicada aos 800 anos da morte de São Francisco de Assis.
A exposição “Maria: a quem muito amamos, damos muitos títulos” está localizada no Convento São Francisco (Largo São Francisco, 133), no centro de São Paulo. A mostra fica disponível até o dia 31 de agosto. A entrada é gratuita e aberta ao público, e pode ser realizada de segunda a sábado, das 7h às 19h, e aos domingos, das 7h às 14h
Guilherme Coutinho












