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Grupo Educacional Bom Jesus: 130 anos sob a luz do carisma franciscano

21/05/2026

Notícias

A Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e a comunidade educativa celebraram um marco de relevância histórica, educacional e espiritual: os 130 anos do Bom Jesus. Mais do que uma data institucional, o aniversário recorda uma trajetória iniciada em 1896, quando o padre Franz Äuling fundou a Escola Popular Alemã Católica, em Curitiba-PR. Seis anos depois, com a volta do Padre Auling para a Alemanha, os frades franciscanos passam a dirigir a escola. Aquele pequeno passo, voltado ao atendimento de filhos de imigrantes que se instalavam na capital paranaense, lançou as sementes de uma obra que, décadas depois, se tornaria o Grupo Educacional Bom Jesus. 

Atualmente, o Bom Jesus está presente em cinco estados brasileiros, contando com 38 colégios, a FAE Centro Universitário e outras marcas que abrangem desde a produção editorial até a promoção cultural por meio de teatro e centro de línguas, atendendo mais de 33 mil alunos. No entanto, para além dos números expressivos, o que define a identidade do Grupo é o seu DNA confessional. Como escola franciscana, o Bom Jesus não se limita a transmitir conhecimento científico; ele propõe um projeto de vida.

De acordo com o presidente do Grupo, Frei João Mannes, o Bom Jesus pratica uma pedagogia baseada nos valores e nas virtudes de São Francisco de Assis, não por uma escolha ideológica ou tendência passageira, mas porque são inerentes ao carisma franciscano da instituição. “Para nós, ensinar é mais do que transmitir conteúdos, é tocar almas, é despertar consciência e ajudar cada estudante a reconhecer-se como protagonista de sua própria história. Assim, por meio de uma educação humanizada, promovemos um novo humanismo baseado na escuta ativa, na empatia, no respeito à diversidade, no diálogo, na inclusão dos diferentes, na solidariedade e no cuidado com a natureza”, destacou. 

Presente na celebração comemorativa, o ministro provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil – da qual o Grupo Educacional Bom Jesus faz parte –  Frei Paulo Roberto Pereira, enfatizou que a atuação dos franciscanos na educação partiu de uma necessidade da comunidade. “Nossos colégios nasceram da carência de um determinado grupo de pessoas que chegou a um país estrangeiro. A emergência de atender os filhos dos colonos, que se instalaram aqui em Curitiba, fez surgir a escola. Essa inserção, que começou a partir do diálogo com a sociedade, segue até hoje. Isso é bem franciscano, é relacionamento. O Bom Jesus fala, vive isso no cotidiano por meio da sua Amorografia”, enfatizou. 

Amorografia: o jeito franciscano de ser ensinar e inspirar

No cerne das celebrações de aniversário está a Amorografia, conceito criado pela instituição para traduzir sua metodologia própria. Ela representa a síntese entre a educação de excelência, os valores franciscanos e a formação socioemocional. Essa visão humanista alinha-se diretamente ao Pacto Educativo Global, convocado pelo Papa Francisco. Como signatário desta iniciativa, o Bom Jesus coloca a pessoa no centro do processo educativo, promovendo uma “ecologia integral” que dialoga com as necessidades contemporâneas. 

“Francisco de Assis inspira uma prática pedagógica que promove o desenvolvimento integral da pessoa humana em suas múltiplas dimensões e relacionamentos”, acrescentou Frei João Mannes. Esse pensamento global é reforçado pela participação do colégio na Rede de Escolas Associadas da Unesco (Rede PEA), onde, desde 2008, promove a cultura da paz, a justiça social e a cidadania consciente em sintonia com mais de 180 países.

Para o Grupo Bom Jesus, a formação integral é uma herança direta de São Francisco de Assis. Por isso, a proposta pedagógica é estruturada em quatro dimensões fundamentais que norteiam o cotidiano das salas de aula: dimensão cognitiva (o saber); dimensão humana e espiritual (o ser); dimensão socioemocional (o conviver) e a dimensão social e ambiental (o agir). 

“O trabalho do Bom Jesus é diferenciado, porque vai muito além dos seus limites e dos seus espaços. Dentro da Anec, o Bom Jesus nunca se omite na apresentação de profissionais qualificados, espaços qualificados, presença qualificada e, sobretudo, de uma acolhida incondicional de todas as escolas católicas de Curitiba” destacou a coordenadora do conselho paranaense da Associação Nacional de Educação Católica (Anec), Irmã Marisa Aquino. 

Comemorar e recordar

As treze décadas do Bom Jesus foram comemoradas com uma missa solene, realizada no dia 11 de maio, na paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões, em Curitiba. A celebração foi marcada por homenagens e pela valorização histórica do Grupo. Um dos homenageados foi o ex-aluno Dirceu Pangrassio. Ele ingressou no colégio em 1955. Durante a procissão do ofertório, representou todos os alunos que passaram pela instituição ao longo da sua história. “Tenho lembranças muito boas, da escola, dos frades que estavam sempre com a gente e de tudo que aprendi e que levo até hoje na minha vida. Todos os valores que aprendi no Bom Jesus repassei para meus filhos e eles para meus netos. Para mim é uma graça muito grande poder participar desse momento”, destacou. 

Outra homenageada foi Marcia Terezinha Schmidt, primeira aluna mulher da instituição. “Ter sido a mulher que abriu a porta para tantas outras é muito significativo e gratificante. Eu vivi o Bom Jesus dentro da minha casa. Meu pai era diretor, quando só existia uma escola. Meu sonho era me tornar professora e esse sonho se realizou graças ao Bom Jesus. Este ano, completo 46 anos de casa. A minha história e a história do meu pai dentro do Grupo são motivos de muito orgulho para mim e toda nossa família”, declarou Márcia, que hoje é coordenadora da Editora Bom Jesus. 

“Entrei na FAE em 1964 e me formei em 1968, dando início a uma relação que atravessaria gerações. Meus filhos estudaram na instituição e, atualmente, minha filha tem orgulho de trabalhar no Grupo. Mais do que uma escola, o Bom Jesus faz parte da identidade da minha família e da história paranaense. São 130 anos dedicados a formar cidadãos e a prestar serviços relevantes ao Brasil. Acredito firmemente que a força e a prosperidade que fazem do Paraná a quarta economia da federação são reflexos de uma educação sólida, na qual o Bom Jesus desempenha um papel de absoluto protagonismo”, enfatizou o vice-governador do Paraná, Darci Piana. 

O diretor-geral do Grupo, Jorge Siarcos, destacou o crescimento contínuo e sólido de todas as marcas que fazem parte da instituição. “Nossa história foi construída sobre uma rocha e não sobre a areia. Acompanhamos as transformações da sociedade desde o século XIX: duas guerras mundiais, crises financeiras, crises de saúde, transformação industrial e transformação digital. O Bom Jesus acompanhou tudo isso, sem perder a sua essência, que é o carisma franciscano. Os anos se passaram e, além das nossas unidades próprias, somamos forças com outros colégios franciscanos e de outras províncias religiosas, formando a grande rede que temos hoje. Temos orgulho do nosso passado e, ao mesmo tempo, temos os olhos voltados para o futuro”, avaliou. 

“Este ano celebramos 10 anos de uma parceria que representou esperança para nossa congregação e que esperamos que se renove por muitos anos. Estamos muito contentes, porque é um grupo muito eficiente e que traz os seus valores junto com toda sua história. Não é só conteúdo, mas sim vivência e tradição”, destacou a provincial das Irmãs Palotinas, Salete Alves da Silva. 

O futuro, mencionado anteriormente por Jorge Siarcos, mira a continuidade de um crescimento sólido e sustentável. Um exemplo disso é a projeção da implantação da 39ª unidade do Colégio Bom Jesus, no Parc Autódromo, bairro planejado que está sendo construído em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. “Para nós é um orgulho gigantesco trazer uma unidade para dentro do empreendimento. Nós, hoje, somos o bairro mais sustentável do mundo. Nossa proposta tem tudo a ver com o Bom Jesus, que oferece uma formação integral para o ser humano e valores que são muito caros para nós: o respeito ao meio ambiente, a integração com a sociedade, a convivência harmoniosa, além, é claro, de uma educação de excelência. É tudo que queremos para o nosso empreendimento, por isso o colégio será uma das âncoras do novo bairro”, enfatizou o sócio-diretor de desenvolvimento urbano da Bairro Urbanismo, responsável pela implantação do Parc Autódromo, Carlos Eduardo Rodrigues. 

Ao olhar para os próximos anos, o Bom Jesus reafirma sua missão de promover a formação do ser humano e a construção de sua cidadania, de forma integral, guiado pelas virtudes e pelos valores de São Francisco de Assis, garantindo que o legado iniciado por Franz Äuling continue a iluminar os caminhos da educação brasileira. 

“Olhamos o presente com compromisso e com responsabilidade por aquilo que fomos e somos chamados a fazer pela educação, voltados para a espiritualidade cristã e franciscana, e olhamos para o futuro  com esperança de que, por meio da educação, nós possamos ter dias melhores para o nosso país, para a nossa sociedade”, concluiu o vice-presidente do Grupo Educacional Bom Jesus, Frei Walter de Carvalho.


Assessoria – Grupo Educacional Bom Jesus