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História e Inovação: Frades do Pós-Noviciado participam de formação sobre os 125 anos da Editora Vozes

21/05/2026

Notícias

Na manhã do dia 20, quarta-feira, o dinamismo da caminhada formativa dos Frades do Pós-Noviciado ganhou um capítulo especial de profundo resgate histórico e projeção de futuro. O Convento sediou um momento muito rico ao receber a visita de uma comitiva especial da Editora Vozes, liderada pelo diretor da instituição, Frei Volney Berkenbrock. O encontro teve como objetivo apresentar a trajetória de 125 anos da editora e refletir sobre a atualidade de sua missão evangelizadora e cultural diretamente com os jovens frades.

Além de Frei Volney, a equipe da Vozes contou com a participação de Ananisa de Souza (Gestora de Recursos Humanos), Leonardo Queiroz (colaborador do almoxarifado) e Teobaldo Heidemann (coordenador nacional de vendas). A presença dessa comitiva expressou muito bem a sinergia e a corresponsabilidade entre frades e leigos que movem e sustentam a instituição no dia a dia.

Origens: Educação e inclusão social na Cidade Imperial

A primeira parte da formação recuperou a rica contextualização histórica da Vozes, cujas raízes remontam à chegada dos frades a Petrópolis em 1896. Já no ano seguinte, em 1897, nascia a Escola Gratuita São José — uma expressão concreta do compromisso franciscano com a educação e a inclusão social da época. Sob o cuidado e a técnica do tipógrafo Frei Inácio Hinte, essa iniciativa educacional lançou as sementes da Typographia da Escola Gratuita São José, que daria origem à futura editora.

Em 1907, movidos pelo desejo de dialogar com a sociedade e com a intelectualidade da época, os frades criaram a Revista Vozes de Petrópolis. O sucesso da publicação foi tamanho que o nome “Vozes” ganhou as ruas, caiu no gosto popular e acabou rebatizando a própria obra. Desde a sua gênese, o objetivo da editora sempre foi muito claro: produzir um material de alta qualidade cultural e doutrinária, mas que mantivesse uma grande acessibilidade entre o povo mais simples.

Vultos marcantes: Frei Pedro Sinzig e Frei Luiz Reinke

Durante a apresentação, a história ganhou rostos por meio de frades emblemáticos que marcaram a Editora Vozes e a própria cultura brasileira. Em 1908, Frei Pedro Sinzig assumiu a Typographia, tornando-se uma figura central. Homem de inteligência fulgurante e múltiplos talentos, além de jornalista e escritor, ele se destacou como um grande compositor musical. Frei Pedro também ficou conhecido por sua coragem profética: utilizando um pseudônimo, ele escreveu um livro denunciando fortemente as atrocidades do nazismo, criticando inclusive as posturas de simpatia ou apoio àquela ideologia que começavam a ecoar no Brasil.

Outro nome recordado com muita reverência foi o de Frei Luiz Reinke, intelectual dedicado e autor da célebre obra “A Vida e o Culto de Santo Antônio”. Frei Luiz foi um dos grandes impulsionadores da consolidação da editora no segmento de “livros de edificação cristã” a partir da década de 1920.

Sob o eco do trabalho desses pioneiros, a Editora Vozes se consolidou no mercado com grandes sucessos editoriais e devocionais que atravessaram gerações e se mantêm firmes até hoje no coração do povo católico. É o caso da tradicionalíssima Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, presente em incontáveis lares brasileiros, e do livro Minuto de Sabedoria, de C. Torres Pastorino, um dos maiores fenômenos de vendas e de aconselhamento espiritual do país. Foi nesse período também que a editora publicou o primeiro Catecismo da Doutrina Cristã e a História Sagrada do Antigo e Novo Testamento.

Um catálogo robusto para os desafios de hoje

Para além dos livros devocionais, os frades puderam compreender como a Editora Vozes se profissionalizou ao longo das décadas mantendo sempre três frentes firmes de trabalho: a Editorial, a Gráfica e a Comercial. Ficou evidente a importância histórica de se construir um catálogo robusto e forte, que foi capaz de publicar desde os documentos oficiais do Concílio Vaticano II até grandes nomes do pensamento nacional e internacional, como Leonardo Boff, Mario Sergio Cortella e Carl Jung.

Provocando os Pós-Noviços a refletirem sobre os dias de hoje e as novas formas de comunicar, Frei Volney abordou a diversificação e a atualidade dos selos editoriais. O exemplo citado foi a publicação de obras de filosofia contemporânea que se tornaram grandes best-sellers, como A Sociedade do Cansaço, do pensador Byung-Chul Han. Explicou-se que cada tipo de produto comunica com um público específico, e por isso a especialização e a atualização constante do catálogo são fundamentais para responder às profundas inquietações do homem moderno. 

Identidade, Valores e a Realidade de Mercado

Na segunda metade do encontro, o Senhor Teobaldo Heidemann tomou a palavra para aprofundar a Identidade e o Propósito da instituição, propondo uma reflexão sobre a missão, a visão e os valores que funcionam como os pilares que guiam as tomadas de decisão diárias da editora.

Mais do que a teoria, Teobaldo trouxe dados práticos e muito realistas para contextualizar o tamanho do desafio e da estrutura atual da Vozes. Ele apresentou o expressivo quadro de colaboradores que fazem a engrenagem rodar, trouxe números impressionantes de impressões de livros e dinâmica de vendas, além de mapear a capilaridade da editora através de suas diversas filiais espalhadas pelo Brasil. Com isso, os frades puderam enxergar a Vozes não apenas como uma memória bonita, mas como uma potência evangelizadora e comercial ativa no mercado editorial. 

Ao final, os frades foram presenteados pela editora com a obra Falando sobre Deus, do autor Byung-Chul Han. Uma rica tradução que oferece profunda reflexão filosófica e teológica sobre a transcendência no mundo contemporâneo, servindo como um excelente alimento intelectual e espiritual para os estudos e a vida pastoral.

Encerramento e Fraternidade à Mesa

Ao final das apresentações, o espaço foi aberto para perguntas, debates e uma rica troca de experiências entre a comitiva e os frades em formação. Na sequência, Frei Gustavo Medella, guardião e pároco, explanou aos convidados com o objetivo de contextualizar a missão e a dimensão evangelizadora daquela fraternidade específica.

Para coroar essa manhã de forte comunhão, aprendizado e orgulho pela nossa história franciscana, o encontro não poderia terminar de outra forma: todos os presentes se reuniram e encerraram o dia em torno da mesa, partilhando um delicioso almoço fraterno, celebrando a unidade e o caminhar juntos.


Frei Cristian dos Santos Lopes