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Festa da Penha: manhã de sábado reúne romarias, inclusão, profecia, oração e apelo à paz

11/04/2026

Notícias

Vila Velha (ES) – O sétimo dia do Oitavário da Festa da Penha 2026, celebrado neste sábado, 11 de abril, foi marcado por uma manhã intensa de fé, acolhida e peregrinação no Convento da Penha e em outros pontos de Vila Velha. Com o tema “Onde houver trevas, que eu leve a luz”, o dia começou com missa às 7h na Capela do Convento, seguiu com a Romaria das Pessoas com Deficiência, que saiu às 8h do Santuário de Vila Velha em direção à Igreja do Rosário, na Prainha, onde foi celebrada a Eucaristia, e teve ainda a missa das 8h no Campinho do Convento com a Diocese de São Mateus, transmitida ao vivo por TVs, rádios e internet. A programação da manhã também incluiu, às 10h, a Romaria dos Adolescentes, com saída do Parque da Prainha, e às 11h, a missa com os adolescentes no Campinho do Convento.

Realizada em sua 19ª Edição, a Romaria das Pessoas com Deficiência reuniu centenas de participantes, dentro da Programação oficial da Festa da Penha 2026. Os romeiros vieram de todas as regiões do estado, mobilizados por diversas entidades que reúnem pessoas com vários tipos de deficiência e suas respectivas famílias. A caminhada, com percurso de pouco mais de um quilômetro, começou às 8h no Santuário do Divino Espírito Santo, de onde partiu em direção à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, na Prainha, bem próximo ao Pórtico de entrada do Convento. Com cartazes, bolas e camisas coloridas, a Romaria encheu de alegria e esperança Centro de Vila Velha.

Para o Vigário Provincial, Frei Gustavo Wayand Medella, que também participou da caminhada, a Romaria das pessoas com deficiência, além de ser um espaço legítimo de fé e devoção na forma mais espontânea e terna, tem se firmado como lugar de profecia e conscientização, “É muito importante percebermos esta ligação entre a fé e a vida. Reconhecer nosso carinho à Virgem das Alegrias é também percebê-la como mãe próxima, que sonha com um mundo melhor e mais inclusivo”, destacou Frei Gustavo.

O Prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, além de outros políticos e autoridades, estiveram presentes e puderam acompanhar as orações e reivindicações apresentadas durante o trajeto, todas elas elencadas na Carta que tradicionalmente é preparada para a Romaria das Pessoas com Deficiência. Dentre as principais dificuldades, foram citadas as barreiras urbanas e sociais, a saúde e a autonomia, com a excessiva demora no acesso aos tratamentos e insumos, a falta de adaptação no transporte público, a carência das redes de apoio para as mães e famílias cuidadoras, e a falta de condições básicas, como saneamento e moradia. Além de apresentar as dificuldades, o documento traz as reivindicações que poderiam responder a tais problemas, incluindo o compromisso de se combater todas as formas de violência.

Pelas 9h, a Romaria chegou à Igreja Nossa Senhora do Rosário, onde houve missa presidida pelo Padre Gilberto Roberto da Silva, da Diocese de Cachoeiro do Itapemirim, que é cadeirante e pelo segundo ano consecutivo preside a celebração. Representando a Fraternidade do Convento da Penha, Frei Robson Castro Guimarães acolheu a Romaria e também concelebrou missa, que contou com a participação de Frei Waldomiro Wastchuck, da Fraternidade do Santuário do Divino Espírito Santo, e do Padre Carlos Pinto Barbosa, Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, de Alfredo Chaves, e grande incentivador da Romaria das pessoas com Deficiência.

SOMOS A IGREJA DA PAZ, DA PAZ PARTILHADA, DO ABRAÇO E DO PÃO

Já no Campinho do Convento, a celebração das 8h reuniu a Diocese de São Mateus em clima de forte devoção e alegria. A acolhida feita pelo Guardião do Convento da Penha destacou a beleza do momento e a presença da romaria que abria uma sequência de manifestações populares ao longo do sábado. “É uma alegria para nós, do Convento da Penha, acolhermos cada um. Eu, como guardião do convento, me alegro muito em poder acolher a nossa querida Diocese de São Mateus”, afirmou. O frade ainda recordou que a imagem de Nossa Senhora da Penha, ao passar, “deixa um rastro de bênção, de luz e de alegria”, expressão que traduziu bem o espírito da manhã.

A saudação à Mãe das Alegrias deu o tom da celebração, que começou com a imagem sendo conduzida pelo corredor central e recebida com grande devoção. A assembleia rezou e cantou, repetindo o vigor mariano que atravessa toda a Festa da Penha.

Em sua acolhida inicial, o guardião também lembrou que a festa está profundamente ligada ao jubileu dos 800 anos de São Francisco de Assis. “A Festa da Penha 2026 tem como tema fazer de nós instrumentos da paz”, recordou, conectando o lema franciscano à missão cristã no tempo presente. Ao falar da Páscoa de Jesus, destacou que a vida cristã é chamada a uma paz “desarmada e desarmante”, capaz de romper “as barreiras do pecado e da violência” e de abrir caminhos de fraternidade.

Na homilia, o bispo de São Mateus, Dom Paulo Bosi Dal’Bó, conduziu uma reflexão profundamente marcada pela espiritualidade franciscana e pela missão de ser sinal de paz. Antes de iniciar a homilia, pediu que toda a assembleia repetisse o tema central da festa: “Fazer de nós instrumentos da paz”. Em seguida, explicou que a Igreja é chamada a viver uma paz que se faz partilha, abraço e pão. “Somos a Igreja da paz, da paz partilhada, do abraço e do pão”, afirmou, convidando os fiéis a se deixarem transformar pela Ressurreição.

Ao meditar sobre o tema do dia, Dom Paulo falou de uma verdadeira revolução iniciada por Cristo. “O tema de hoje é capaz de provocar em nós uma grande revolução, uma revolução iniciada há tanto tempo, a revolução do amor, a revolução do cristianismo, a revolução do bem”, disse, ao relacionar a Páscoa com a vitória de Jesus sobre a morte. Segundo ele, Deus não quer a saudade do Filho, mas a sua vida plena e eterna. “Eu não quero ter saudade de você, eu quero que você continue vivendo para sempre comigo”, recordou, destacando a novidade da Ressurreição como expressão do amor divino.

A partir da experiência da Ressurreição, o bispo mostrou que o cristão é chamado a levar adiante uma multidão de vidas tocadas por esse mesmo amor. “Quando Deus ressuscita Jesus, o seu Filho, no amor, Jesus olha para o Pai e fala assim: Pai querido, eu estou indo para junto do Senhor, mas eu não vou sozinho. Eu vou levar uma multidão comigo”, afirmou. Essa multidão, explicou, é formada por aqueles que amam, fazem o bem e praticam a caridade.

Na sequência, a homilia ligou o tema da luz ao Evangelho de Marcos, que narra as aparições do Ressuscitado. “Jesus aparece primeiro a Maria Madalena”, recordou o bispo, destacando que, mesmo diante do anúncio da ressurreição, muitos ainda não acreditaram. “A luz já brilhou, mas muitos ainda vivem como se estivessem nas trevas”, disse. Foi então que Dom Paulo convidou os fiéis a compreenderem a missão de ser instrumentos de luz no mundo. “Não somos a fonte da paz, mas nós somos instrumentos da paz”, afirmou, lembrando que um instrumento só cumpre sua missão quando se deixa conduzir.

A reflexão também abordou com clareza as realidades onde as trevas ainda insistem em permanecer: a violência nas famílias, as divisões nas comunidades, as disputas de poder e, de maneira especial, a violência contra a mulher. “Gostaria que na festa de Nossa Senhora fizesse um clamor aos céus pelo fim das agressões contra a mulher, principalmente feminicídio”, pediu Dom Paulo, em um dos trechos mais fortes da homilia. Ele também denunciou a violência contra crianças e adolescentes, alertando para a necessidade de proteger os mais frágeis e impedir que a maldade transforme a pureza em sofrimento.

Segundo o bispo, o chamado do Evangelho é claro: não esperar que os outros sejam luz, mas assumir esse papel no cotidiano. “Seja você primeiramente a luz da vida do outro”, exortou. Para ele, ser instrumento da paz começa dentro de si mesmo, passa pela família, pelas relações cotidianas, pela vida eclesial e alcança a sociedade inteira. “Não há paz externa sem paz interior”, completou, insistindo que a reconciliação consigo mesmo, com Deus e com os irmãos é o primeiro passo para a verdadeira unidade.

Dom Paulo também aprofundou a relação entre gerações no seio da Igreja, ao mencionar Pedro e João como imagem de uma comunidade onde o idoso e o jovem caminham juntos. “A Igreja de Cristo é caminho. O idoso e o menino, o mais jovem dos discípulos, aqui podem ter a Igreja petrina, os mais experientes na fé, mas se não olharmos atentos a figura de João, que pode ser as nossas crianças, adolescentes e jovens, a nossa Igreja Católica está fadada a morrer”, afirmou. O comentário reforçou a importância da criatividade pastoral e da abertura aos novos modos de evangelizar.

Ao final da homilia, o bispo retomou o apelo da festa com linguagem direta e pastoral. “Não basta celebrar a ressurreição, é preciso torná-la visível”, disse. “Não basta desejar a paz, é preciso ser instrumento da paz. Não basta reconhecer as trevas, é preciso levar a luz.” A assembleia respondeu com emoção, e a celebração seguiu em clima de forte participação, com a profissão de fé, a oração dos fiéis e o canto das preces.

ADOLESCENTES SOBEM A LADEIRA DA PENHA EM ROMARIA MARCADA POR ORAÇÃO E ALEGRIA

Ainda na manhã deste sábado, milhares de jovens participaram da tradicional Romaria dos Adolescentes, que tomou o Convento da Penha com entusiasmo, fé e espírito missionário. A programação do dia, reuniu diversos grupos de jovens desde as primeiras horas da manhã, culminando na expressiva presença juvenil no Campinho do Convento.

A caminhada teve início no Parque da Prainha, em Vila Velha, onde adolescentes de diferentes paróquias e regiões se reuniram para rezar e meditar os Mistérios Gozosos do Santo Terço. Ao longo da subida da ladeira do Convento, os jovens vivenciaram momentos de oração e reflexão, recordando episódios centrais da fé cristã, como a encarnação de Cristo, a visitação de Maria a Isabel e o nascimento de Jesus, em um clima de profunda espiritualidade e alegria.

A Celebração Eucarística, realizada no Campinho, foi presidida por Dom Andherson Franklin Lustosa de Souza, bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória. Em um gesto de proximidade com os jovens, o bispo percorreu a pé o trajeto da romaria, acompanhando os adolescentes e seus responsáveis até o local da missa.

Durante a homilia, Dom Andherson destacou a experiência do amor de Deus na vida dos jovens, recordando que cada um deles foi alcançado pela misericórdia divina. “Vocês estão aqui hoje porque foram alcançados por um amor que nos encontra onde estamos. Por isso, nunca larguem a mão de Cristo”, afirmou. O bispo também incentivou os adolescentes a discernirem suas vocações, lembrando que “um seminarista nasce de onde vocês estão”, e reforçou a importância de estarem atentos ao chamado de Deus.

A reflexão foi conduzida em três pontos centrais: a experiência de ser alcançado pela mão de Deus, a vivência da misericórdia em Cristo e o chamado missionário. Ao citar o envio de Jesus “Ide, anunciai o Evangelho”, Dom Andherson motivou os jovens a testemunharem a fé no cotidiano, não apenas com palavras, mas com a própria vida. “Tudo aquilo que recebemos é para oferecer. Anunciar Cristo é partilhar o que Deus realizou em nós”, destacou.

Em um dos momentos mais marcantes da homilia, o bispo comparou a Igreja a uma grande barca, aberta a todos: “A Igreja não é uma pequena tábua de salvação, mas uma grande barca onde todos têm lugar. E quem nos conduz é Cristo”. A imagem reforçou o convite à comunhão e à missão, especialmente entre os jovens que enfrentam desafios e incertezas no mundo atual.

A programação da tarde deste sábado na Festa da Penha 2026 segue intensa no Convento da Penha, reunindo momentos de oração, devoção e grandes romarias. A partir das 14h, os fiéis participam da acolhida com os frades franciscanos e da oração da Coroa Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora, no Campinho, seguida do momento devocional às 15h. Às 16h, será celebrada a Missa do 7º dia do Oitavário com a Romaria da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Já no fim da tarde, a tradicional Romaria dos Homens começa com a Missa de Envio na Catedral de Vitória, às 17h, e segue em caminhada até o Parque da Prainha, onde, às 18h, acontece uma programação especial com apresentações musicais e momento mariano. O dia se encerra às 23h, com a Missa de Encerramento da Romaria dos Homens, reunindo milhares de fiéis em um dos momentos mais aguardados da festa.


Equipe de Comunicação da Festa da Penha: Frei Augusto Luiz Gabriel, Frei Roger Strapazzon e Marcos Souza (Grupo Celinauta)