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Santo para os xaxienses, Frei Bruno é celebrado neste domingo

Moacir Beggo

Em Xaxim, cidade do Oeste Catarinense, um frade franciscano deixou sua marca de santidade. Por isso é muito comum encontrar seu nome em praça, no hospital, no comércio e em um dos bairros. Na praça da Matriz São Luiz Gonzaga, que leva seu nome, seu busto está num cantinho muito procurado e não é diferente com a imagem do lado da igreja. Frei Bruno Linden é esse frade venerado, um missionário alemão que chegou ao Brasil em 1894 e que hoje também ganhou a principal festa religiosa em sua memória. “Hoje é a maior festa religiosa da Paróquia”, explica o pároco Frei Gilson Kammer, lembrando que no ano outras duas festas são realizadas: a do Padroeiro e de Nossa Senhora da Saúde.

Neste ano, os paroquianos e os frades se desdobraram para garantir as festividades que começaram com as Missões Franciscanas da Juventude, no início de fevereiro, e continuarão com a Festa de Frei Bruno e com a ordenação presbiteral de Frei Evaldo Ludwig, de 13 a 16 de fevereiro na Matriz São Luiz Gonzaga. No domingo, a Missa Solene da Festa de Frei Bruno, às 10 horas, será também a Primeira Missa do novo presbítero. Esta celebração também será marcada pelo acolhimento de 110 novos coroinhas que servirão nas Comunidades da Paróquia. O diferencial será o uniforme deles que imita o hábito franciscano. Os novos “francisquinhos e frascisquinhas” serão acolhidos pelo pároco, abençoados e enviados em missão para as suas comunidades.

Último ensaio com os coroinhas no sábado passado para a festa deste domingo

“A festa e todas as grandes ações de evangelização deste ano estão no contexto do ano jubilar, nesse espírito de júbilo e gratidão, mas também de celebração e perspectiva de continuidade da evangelização na caminhada”, diz Frei Gilson, recordando que a Paróquia São Luiz Gonzaga celebra 80 anos de sua criação. Segundo o pároco, a oitava edição da festa de Frei Bruno também vem a ser um acontecimento importante neste jubileu para rememorar e partilhar esse carinho que todo o povo tem por Frei Bruno. “É muito comum a gente ouvir as famílias, principalmente as pessoas de mais idade, dizendo que fizeram a primeira Eucaristia, foram batizadas ou foram casadas por Frei Bruno. Além da grande festa social, vamos dizer assim, um dos objetivos da equipe organizadora é o de dar um enfoque à parte religiosa. Então, quando a parte religiosa é bem celebrada, a social e a financeira vêm como consequência disso”, avalia o frade.

Frei Gilson lembra também que este ano a memória de Frei Bruno terá dupla celebração: Os 60 anos da morte de Frei Bruno (ele faleceu no dia 25 de fevereiro de 1960) e os 30 anos da Caminhada Penitencial de Frei Bruno, em Joaçaba, onde foi sepultado o Servo de Deus. “Aqui, o Frei Bruno é lembrado pelas famílias como homem de oração, como homem que levou o Evangelho, viveu o Evangelho na sua própria vida e se tornou modelo para as famílias, para os paroquianos. As pessoas ainda guardam com muito carinho essa recordação. Falam de sua presença com muita gratidão. Nessa sintonia com Frei Bruno, a gente recorda todo o trabalho, toda a missão de tantos frades que passaram nesses oitenta anos da Paróquia. Com Frei Bruno e Frei Plácido, talvez os personagens principais dessa história, e que iniciaram essa caminhada, tantos frades vieram atrás. Então, queremos com esta festa lembrar isso e, para os mais novos, apresentar aquilo que talvez os seus pais e avós vivenciaram e continuam animando a vida de fé dessas pessoas”, acredita Frei Gilson.

Frei Gilson: “As crianças também evangelizam a partir do seu trabalho na catequese”.

OS “FRANCISQUINHOS”

Segundo o pároco, os coroinhas entram nessa dinâmica de motivação e inserção da história da presença franciscana em Xaxim. “As crianças também evangelizam a partir do seu trabalho na catequese. Então, não é uma pastoral nova ou uma pastoral que a gente está inventando do nada, mas é algo que vai contribuir para o crescimento humano dessas pessoas. Aquilo que elas vivenciam na catequese, poderão colocar em prática, principalmente, no serviço do altar, da Palavra, e da comunidade em si”, explica Frei Gilson.

Os postulantes Felipe e Samuel iniciaram a formação dos coroinhas

“Com toda certeza, estamos ainda repletos das lágrimas de emoção, de alegria e de contentamento pelos 800 jovens que estiveram aqui com a gente, com tantas outras famílias e jovens que se engajaram nas Missões Franciscanas da Juventude. Tudo isso mostra que dentro da festa temos condições de ser Igreja viva com as crianças, com os jovens, com os adultos. Ou seja, todo mundo forma a Igreja viva, a Igreja que está presente em todos os lugares, mesmo os mais distantes e com poucas famílias”, acrescentou o frade.

Segundo o pároco, há muitos anos não havia formação para novos coroinhas. “Então, no ano passado, a gente conversou entre nós, frades, e conversamos com algumas lideranças sobre a possibilidade de ativar essa Pastoral. Todo mundo aprovou. Com os dois aspirantes que fizeram o estágio aqui e que agora são postulantes, o Felipe Luiz Mendonça e Samuel Correa Ribeiro, demos início à formação em todas as comunidades, oferecendo informações básicas de como servir. Fizeram também um livreto como guia e entregaram para cada família. Várias comunidades ficaram felizes com esta ação evangelizadora que movimentou a criançada”, avaliou Frei Gilson.

Por ser uma paróquia franciscana, que está vivendo esse ano jubilar na Festa de Frei Bruno, os coroinhas usarão as vestes de São Francisco e de Santa Clara. “E aqui também, dentro dos 80 anos, é uma maneira de representar e mostrar o carisma franciscano. O hábito, diz o ditado, não faz o monge, mas mostra esse espírito com que Frei Bruno e tantos outros frades caminharam por essas terras. Essas crianças nos lembram isso a partir da veste”, esclareceu.

TESTEMUNHOS

O sr. Adelino Zanchet rezava diante da imagem de Frei Bruno na praça da Matriz no sábado de manhã (08/2). Aos 96 anos, lúcido, seu Adelino tem dificuldades de locomoção e a filha Ivete o trouxe. Ele gosta de rezar para aquele que já é “santo”, por tudo o que fez para as pessoas e para a Igreja de Xaxim.

Ele lembra que Frei Bruno era incansável na visita às famílias, não importasse os rincões rurais do município. Sr. Adelino gosta de ilustrar essa santidade de Frei Bruno com histórias, que correm de gerações em gerações. Segundo ele, antes de se casar, Frei Bruno curou uma jovem que estava possuída por um espírito mau. “Ela não deixava ele abençoá-la. Derrubava os bancos da igreja e não parava. Frei Bruno, então, foi para a sacristia, pediu que deixassem ela olhando para o sacrário e ele saiu da igreja para entrar por trás e chegar perto dela, podendo dar a bênção. A menina, que era de Rio Grande, ficou curada, casou-se e teve filhos”, recordou.

O sr. Adelino vem sempre fazer uma oração diante do busto de Frei Bruno. Boas lembranças do ‘frei santo’.

“Lembro sempre dele. Algumas vezes ele ia a cavalo, mas preferia mesmo caminhar”, recordou sr. Adelino. Segundo ele, uma vez, Frei Bruno precisava atravessar o rio para ir a uma comunidade e passou por um campo de futebol. “A ‘piazada’ disse para ele não chegar perto do rio porque estava cheio. Ele respondeu: ‘Eu vou ver se dá para passar, senão eu volto’. Ele foi lá e quando a ‘piazada’ olhou, ele estava do outro lado e nem tinha o sapato molhado”. Seu Adelino contou também que dois jagunços assaltaram Frei Bruno em uma de suas viagens. Ele pediu que não fizessem nada e que pegaria o dinheiro. Pegou um crucifixo do bolso e mostrou para os assaltantes, que saíram correndo”, disse com alegria. Frei Bruno casou seu Adelino, que viveu com sua esposa por 72 anos. Ela faleceu há sete meses, aos 94 anos. Para ele, o Vaticano vai “santificá-lo porque ele é santo”. E não tem dúvida.

No último dia 17 de dezembro, o Vaticano divulgou um comunicado assinado pelo Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Dom Giovanni Angelo Becciu, informando que a documentação enviada para processo diocesano da Causa de Frei Bruno Linden foi aprovada. Em breve Frei Bruno será declarado Venerável.

A aprovação da Congregação para as Causas dos Santos para a abertura do processo foi dada no dia 7 de maio de 2013. No dia 30 de outubro de 2013, o bispo diocesano de Joaçaba, D. Mário Marquez, nomeou e instalou o Tribunal Eclesiástico. Desde então, o Tribunal trabalhou na elaboração do processo, do qual constam os documentos oficiais necessários para a sua abertura: 33 depoimentos de pessoas que conheceram e conviveram com Frei Bruno; uma biografia completa, acompanhada de documentos históricos; os escritos de Frei Bruno, acompanhados de uma avaliação teológica. No total, foram anexadas 5.000 folhas aos autos do processo, que foi enviado à Congregação para as Causas dos Santos no dia 25 de fevereiro de 2018.

“A partir de agora, um encarregado vai ler e julgar se realmente esses depoimentos justificam que Frei Bruno tenha vivido as virtudes em grau heroico. Terminado isso, que vai levar certamente alguns meses, Frei Bruno será praticamente declarado Venerável, como espera o povo”, explicou o vice-postulador Frei Estêvão Ottenbreit. O passo seguinte, é fazer a Positio, um resumo de todo o processo diocesano em forma de livro. “Outro resumo será feito para os cardeais julgarem a causa. Tendo o reconhecimento de um milagre, o próximo passo será a beatificação”, diz Frei Estêvão.

Esse encontro de Frei Bruno com Xaxim começa em 1945, quando foi transferido para Esteves Junior. No final do mesmo ano, veio para Xaxim, onde, por 6 anos, foi superior e pároco. Ficou em Xaxim por mais 3 anos como coadjutor. Quando completou 80 anos, foi transferido para Joaçaba. Era o ano de 1956. O trabalho sem descanso, as longas caminhadas marcaram o velho frade e lhe deixaram sua saúde mais fragilizada. Por recomendação do provincial, foi para Luzerna para um repouso forçado. Jamais Frei Bruno pensou em descansar, estava sempre em busca de oportunidades de fazer o bem. Sentindo-se bem melhor, Frei Bruno retornou a Joaçaba, onde ficou seus últimos 4 anos de vida. Morreu com fama de santidade no dia 25 de fevereiro de 1960.