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Postulantes vivenciam no SEFRAS o encontro que transforma e fortalece a vocação

03/08/2026

Notícias

Postulantes vivenciam no SEFRAS o encontro que transforma e fortalece a vocação

Durante o mês de julho, os postulantes da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil viveram uma intensa experiência de estágio, convivência e partilha junto ao Serviço Franciscano de Solidariedade (SEFRAS), em São Paulo (SP). Entre os dias 6 e 31 de julho, os jovens deram uma pausa na rotina formativa do Postulantado, em Guaratinguetá (SP), para conhecer de perto os diferentes projetos e serviços desenvolvidos pela Ação Social Franciscana.

Realizada todos os anos, a experiência integra o itinerário formativo do Postulantado e procura favorecer o movimento de sair de si para ir ao encontro do outro, especialmente daqueles que vivem situações de vulnerabilidade e exclusão. Mais do que uma atividade complementar, o período no SEFRAS constitui uma oportunidade concreta de aprofundar a compreensão da vocação franciscana a partir do serviço, da solidariedade e da proximidade com os irmãos e irmãs que mais necessitam de cuidado e atenção.

A proposta encontra inspiração na experiência de São Francisco de Assis, que, ao permitir-se ser tocado pela realidade dos leprosos, superou seus medos e resistências e foi ao encontro daqueles que viviam à margem da sociedade. O abraço ao leproso tornou-se, para Francisco, um caminho de conversão e de transformação. Da mesma forma, a experiência vivida pelos postulantes procurou ajudá-los a olhar para as diferentes realidades humanas com maior abertura, sensibilidade e disposição para servir.

Ao chegarem a São Paulo, os postulantes foram acolhidos pelos frades da Fraternidade Santo Antônio do Pari. Durante o período de convivência, receberam orientações e foram motivados a viver a experiência com disponibilidade e espírito fraterno, sob o acompanhamento do vice-mestre da etapa, Frei Jefferson Max Maciel. A acolhida da fraternidade ofereceu aos jovens o apoio necessário para conhecer a dinâmica dos projetos e inserir-se nas diferentes atividades desenvolvidas pelo SEFRAS.

A experiência possibilitou aos postulantes não apenas oferecer sua colaboração, mas também deixar-se tocar pelas histórias, pelos desafios e pelas manifestações de vida encontradas ao longo do caminho. O contato com pessoas de diferentes idades e contextos sociais ampliou a percepção sobre a realidade e ajudou os jovens a reconhecer que o serviço também transforma aquele que se dispõe a servir.

Durante o estágio, os postulantes tiveram a oportunidade de conhecer e participar dos diferentes projetos atualmente desenvolvidos pelo SEFRAS. Cada grupo foi inserido em uma realidade específica, acompanhando as atividades e partilhando o cotidiano das pessoas atendidas e dos trabalhadores envolvidos nas ações sociais.

Os postulantes Vinícius Bazzo e Rodrigo Reali acompanharam as atividades da Casa de Clara, no bairro do Belém, em São Paulo (SP), convivendo com pessoas idosas e participando das iniciativas voltadas ao cuidado, à convivência e ao fortalecimento dos vínculos.

No Centro para Crianças e Adolescentes (CCA) Perfeita Alegria, localizado no Jardim Peri Alto, em São Paulo (SP), Fernando Andrade e Igor Sposito vivenciaram o cotidiano das crianças e adolescentes atendidos pelo projeto, participando das atividades desenvolvidas no contraturno escolar.

Os irmãos Matheus Battisti e Matheus Tavares passaram o período junto aos trabalhadores do RECIFRAN, no bairro da Liberdade, em São Paulo (SP). A experiência permitiu acompanhar uma realidade que une trabalho, inclusão social e cuidado com o meio ambiente, reconhecendo a dignidade e a importância das pessoas envolvidas no projeto.

Já os postulantes Mateus Porcatt, Nicolas Baraldo e João Lucas Almeida atuaram no Chá do Padre, no Largo São Francisco, participando do serviço e do acolhimento às pessoas em situação de rua. A convivência com essa realidade possibilitou uma aproximação mais concreta das histórias e das necessidades daqueles que enfrentam diariamente as consequências da vulnerabilidade social.

Embora inseridos em projetos diferentes, todos os postulantes puderam perceber que o serviço franciscano se constrói a partir da proximidade, da escuta e do reconhecimento da dignidade de cada pessoa. A experiência favoreceu um encontro que ultrapassou a realização de tarefas e permitiu compreender que a solidariedade exige presença, disponibilidade e capacidade de deixar-se transformar pelo outro.

Para Mateus Porcatt, a vivência no SEFRAS contribuiu de maneira significativa para a compreensão do sentido concreto da vocação franciscana:

“A experiência no SEFRAS foi algo essencial em minha caminhada durante este ano de Postulantado, pois me mostrou que posso viver o Evangelho na prática. Tive contato com a realidade das pessoas em situação de rua, dos idosos que não têm seus filhos por perto e das crianças que vivem em contextos de periferia. Essa experiência é importante porque me revela, de maneira concreta, o verdadeiro sentido da vocação religiosa franciscana.”

O testemunho evidencia uma dimensão fundamental do processo formativo: a vocação religiosa não se limita à vida de oração, ao estudo ou à convivência fraterna, mas se expressa também na capacidade de reconhecer Cristo presente nas pessoas e nas realidades que interpelam a sociedade. A experiência social ajuda a integrar a formação com a prática do Evangelho e a compreender o serviço como parte essencial do seguimento de Jesus à maneira de São Francisco.

Também João Lucas Almeida destacou a importância do trabalho desenvolvido pelo SEFRAS e a responsabilidade assumida pelos cristãos e franciscanos diante das pessoas que vivem em situações de maior fragilidade:

“Ver o impacto positivo que o SEFRAS gera para tantas pessoas, de participantes a voluntários e educadores, é inspirador e serve como lembrete à sociedade de que o compromisso cristão e franciscano é fazer a opção preferencial pelos menores dela. Quem está com os menores também deve ser um menor, o que significa perceber-se frágil, complexo, dependente e necessitado dos outros e da graça para viver.”

As palavras do postulante recordam que o compromisso com os mais vulneráveis não se realiza a partir de uma posição de superioridade, mas no reconhecimento de uma humanidade compartilhada. Aproximar-se dos menores significa também reconhecer a própria fragilidade, acolher a necessidade do outro e compreender que todos dependem da fraternidade e da graça para viver.

Ao longo do mês, a experiência permitiu aos postulantes conhecer diferentes rostos da realidade social e perceber a diversidade de formas pelas quais o carisma franciscano se faz presente no cuidado com as pessoas. Nas atividades com idosos, crianças e adolescentes, trabalhadores e pessoas em situação de rua, os jovens encontraram histórias que desafiam, ensinam e convidam a uma compreensão mais profunda da solidariedade.

Ao concluir essa etapa, os postulantes retornam ao Seminário Frei Galvão com o ânimo renovado e com novos elementos para a continuidade do itinerário formativo. A experiência no SEFRAS passa a integrar a caminhada vivida ao longo deste ano, contribuindo para que a formação franciscana seja cada vez mais aberta à realidade, sensível às necessidades humanas e comprometida com a construção da fraternidade.

Mais do que um período de estágio, convivência e partilha, o mês vivido em São Paulo tornou-se uma oportunidade de aprender com aqueles que foram encontrados no caminho. Ao oferecer ajuda, os postulantes também receberam ensinamentos, gestos de acolhida e testemunhos que marcaram profundamente sua percepção da vida e fortaleceram o desejo de se doar.

Assim, a experiência chega ao fim, mas seus frutos continuam presentes na caminhada de cada postulante. O retorno à rotina formativa acontece com a certeza de que o caminho franciscano exige disponibilidade para sair de si, acolher, cuidar e defender a vida, especialmente onde ela se encontra mais fragilizada.


Postulante Igor Matheus Sposito