Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

“Levar Jesus é a nossa maior riqueza”

31/01/2026

Notícias

2º dia da MFJ reforça missão, espiritualidade e fraternidade entre jovens franciscanos, do cotidiano às redes sociais

Santo Amaro da Imperatriz (SC) – Na última sexta-feira, 30 de janeiro, aconteceu o segundo dia das Missões Franciscanas da Juventude (MFJ 2026), que reúne jovens missionários para uma intensa programação marcada por fé, formação e espiritualidade.

A manhã teve início com cânticos, animação e momentos de oração, criando um ambiente de fraternidade e escuta que preparou os jovens missionários para mais um dia de preparação para as missões que irão acontecer neste sábado (31/01), nas comunidades da Paróquia de Santo Amaro da Imperatriz e Águas Mornas, em Santa Catarina.

Logo após a oração inicial, os jovens foram conduzidos a primeira atividade da programação, uma formação com o tema “Francisco e Carlo Acutis: jovens do Evangelho”, conduzida pelos freis Leandro Costa e Marx Rodrigues.

No início da sua fala, Frei Leandro destacou que a missão nasce do encontro pessoal com Cristo e se sustenta em uma espiritualidade encarnada, simples e coerente com o Evangelho. Reforçou que ser missionário não é apenas “fazer coisas”, mas ser presença, testemunhando com a própria vida valores como humildade, escuta, alegria e disponibilidade.

“Na medida em que a gente percebe que o outro nos completa, que o outro pode ir a um lugar onde meus pés não estão, não alcançam. As vistas dos outros alcançam horizontes que as minhas não alcançam. E assim a gente percebe que ainda que pensemos de formas diferentes, nós não somos oposição quando somos igreja. E aqui olhar para Francisco e Carlo é perceber o mesmo horizonte de caminhos que passam por pés e pegadas diferentes. Cada um ao seu modo, ao seu tempo, mas que complementa uma obra que nasce do sonho de Deus”, afirmou Frei Leandro.

Segundo o frade, a missão começa dentro de cada jovem, na conversão diária do coração, e se expressa no cuidado com as pessoas, especialmente aquelas que se encontram mais feridas e esquecidas pela sociedade.

Na sequência da formação, Frei Marx Rodrigues aprofundou a dimensão comunitária e fraterna da missão, lembrando que ninguém é missionário sozinho. Enfatizou que a experiência da MFJ é sinal de uma Igreja em saída, que caminha junto, acolhe as diferenças e constrói unidade. Destacou ainda o espírito franciscano como caminho de paz, reconciliação e diálogo, convidando os jovens a serem instrumentos de comunhão nos espaços onde forem enviados.

“Deus é amor, mas não é amor em vão. É amor encarnado, é amor que você toca. Se você diz que ama o teu irmão, mas a vida do outro não lhe importa, isso não é amor. Amor verdadeiro compromete. Amor real toca a gente. Mexe na fibra do nosso coração, mexe nas fibras da alma, como diz o poeta”, enfatizou o frei.

Ao longo da formação, os freis reforçaram que a missão não se limita aos dias vividos na missão, mas deve se prolongar na vida cotidiana de cada jovem. O envio missionário é permanente e se concretiza nas escolhas diárias, nas relações familiares, no trabalho, nos estudos e na atuação dentro e fora da Igreja.

Os jovens foram motivados a levar para o mundo tudo aquilo que experimentaram na missão: fé viva, fraternidade concreta, serviço generoso e esperança. A formação reafirmou que Deus age mesmo por meio de gestos simples e silenciosos, quando são realizados com amor e fidelidade, fortalecendo o compromisso dos jovens em viver a missão como um verdadeiro estilo de vida franciscano.

Dinâmica

Após o momento de formação, os jovens vivenciaram um momento de ambientação e espiritualidade a partir do carisma franciscano. Foram conduzidos a um momento de construir o seu propósito de vida, escrevendo em uma folha os seus projetos pessoais. Em seguida, os freis foram conduzindo um momento oracional com linhas, tecendo “nós” inspirados no cordão dos frades. A cada nó, refletiu-se uma oração e os jovens inspirados por este momento também faziam suas reflexões pessoais.

Ao final da dinâmica, eles foram convocados a construíram uma grande rede, interligando seus propósitos pessoais aos dos demais jovens, expressando, de forma concreta, a comunhão, a fraternidade e o compromisso coletivo com a missão.

Redes sociais como território de missão

Ainda na programação formativa da MFJ 2026, na parte da tarde, a juventude foi separada por oficinas temáticas. Três grandes grupos foram criados para aprofundar temas como: “JPIC”, “Música e Arte” e “Comunicação”. Dentre elas, a oficina conduzida por Frei Leandro Costa convidou os jovens a refletirem sobre o uso das plataformas digitais como espaço de evangelização e testemunho cristão. Com uma abordagem próxima e dinâmica, o frei destacou que a missão não começa nas atividades externas, mas no interior do coração, a partir de uma experiência verdadeira com Jesus Cristo.

Durante a partilha, Frei Leandro ressaltou que o missionário é chamado, antes de tudo, a ser presença também no ambiente digital, testemunhando o Evangelho com simplicidade, coerência de vida e disponibilidade para o serviço. Inspirado em São Francisco de Assis, recordou que evangelizar é anunciar com a vida, por meio de gestos concretos de cuidado, escuta e acolhida, especialmente junto aos mais vulneráveis.

A oficina provocou ainda reflexões sobre os desafios da missão nos dias atuais, reforçando que não são necessários grandes feitos para transformar realidades. Pequenas atitudes, quando vividas com amor e fidelidade, tornam-se sinais do Reino de Deus. Frei Leandro enfatizou que a missão exige conversão contínua, humildade e abertura para aprender com o outro.

Ao final, os participantes puderam colocar em prática uma dinâmica apresentada pelo frei com a oração de São Francisco de Assis, o chamado “stop motion”, uma técnica de animação a partir de gravuras com imagens e palavras. O resultado deste trabalho será publicado no Instagram @juventudesdaprovincia.

Missa de Envio recorda que a alegria nasce do encontro com Cristo

A programação desta sexta-feira (30), teve o seu ponto alto com a Celebração Eucarística, presidida pelo bispo-auxiliar da Arquidiocese de Florianópolis, Dom Onécimo Alberton. Em sua homilia, ele reforçou o sentido da missão. Destacou que a alegria do discípulo missionário nasce do encontro pessoal com Jesus, e não de um bem-estar superficial. Conhecer Jesus, segundo ele, é o maior presente que alguém pode receber, pois dá sentido à vida mesmo nos momentos mais difíceis.

Citando o Documento de Aparecida, o bispo lembrou que a alegria do discípulo e da discípula é antídoto diante de um mundo marcado pelo medo, pela violência e, muitas vezes, pelo ódio.

“Já diz o Documento de Aparecida, que alegria do discípulo e a alegria da discípula, é o antidoto frente a um mundo marcado pelo medo. Medo do futuro e oprimido pela violência, e as vezes marcado pelo ódio. A alegria do discípulo e da discípula não é um sentimento de bem-estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que nasce do coração. E capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus”, enfatizou.

Ao refletir sobre as leituras do dia, recordou que o pecado fecha o coração e gera morte, enquanto o amor abre à generosidade, ao serviço e à vida nova. A missão, portanto, é o caminho de voltar o coração para Deus e para o outro, levando não riquezas materiais, mas o maior dom: Jesus Cristo.

“Esse é o nosso maior presente, essa é a nossa maior riqueza, transmitir, levar Jesus. E ser um sinal da presença dele e do seu amor. Que o amor de Jesus nos ajude a ter sempre um coração missionário, que se importa, que é sensível, que se abre para o bem do outro, para a bondade e para o amor. Por isso ele é esta semente, que cresce, que dá sentido, que dá razão, fonte da nossa alegria, que às vezes não conseguimos nem descrever, mas sabemos que é Deus que está aí, que age em nós”, afirmou.

Inspirado no Evangelho do grão de mostarda, o bispo ressaltou que a missão é de Jesus, e que os frutos não dependem da grandeza das ações, mas da fidelidade em semear com simplicidade. Encorajou os jovens a serem “Artesãos da Paz e do Bem”, à luz do testemunho de São Francisco de Assis e do jovem Carlo Acutis, vivendo a fraternidade, a unidade e o serviço.

Ao final, reforçou que levar Jesus ao mundo é o maior presente e a maior riqueza do missionário, pedindo que os jovens mantenham sempre um coração missionário, sensível, aberto ao bem, à bondade e ao amor, confiantes de que Deus age em cada gesto oferecido com fidelidade.

No encerramento da Missa de Envio, os jovens foram presenteados com um boné com o tema das Missões Franciscanas da Juventude 2026 e receberam uma bênção especial conduzida pelo bispo e os frades presentes.

A programação da MFJ 2026 continua neste sábado (31), onde os 150 jovens, realizarão a vivência missionária em mais de 20 comunidades da Paróquia de Santo Amaro da Imperatriz e Águas Mornas. Será um momento de espiritualidade, comunhão e prática desses dois dias intensos de formação que eles puderam participar.


Equipe de Comunicação da MFJ