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Casa de Assis completa 12 anos com mais de 4.500 pessoas acolhidas em sua história

28/08/2026

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Casa de Assis completa 12 anos com mais de 4.500 pessoas acolhidas em sua história

*confira a postagem original do Sefras

“A Casa de Assis é uma casa de acolhimento a imigrantes e refugiados que têm muitos sonhos a serem realizados aqui no nosso país, o Brasil. E esse é o nosso compromisso: acolher, cuidar e defender”, afirmou Frei Tiago Elias, vice-presidente do Sefras – Ação Social Franciscana, na noite de quinta-feira (27), durante a celebração dos 12 anos do serviço.

Com o tema “A casa que abraça com afetividade e acolhimento”, o evento reuniu quem está atualmente acolhido, ex-participantes e trabalhadores que construíram a trajetória da Casa de Assis ao longo desses anos. Mais do que uma data comemorativa, a noite foi sobre memória, sobre os caminhos que se abriram a partir de uma casa.

Hoje, 110 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, vivem no serviço. Ao todo, já foram mais de 4.500 pessoas passando pela Casa de Assis, que oferece moradia temporária e acompanhamento a migrantes e refugiados: documentação, acesso a direitos, saúde, aprendizado da língua portuguesa e inserção no mercado de trabalho.

O contexto é o de um país que recebe cada vez mais gente em busca de proteção. Segundo o Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil registrou 75.599 solicitações de refúgio em 2025, e até o fim daquele ano já eram 165.774 pessoas reconhecidas como refugiadas no país.

Uma casa feita de histórias

O ponto alto da celebração foi a mística preparada por participantes, ex-participantes e trabalhadores do Sefras: juntos, eles montaram uma réplica da fachada da Casa de Assis, peça por peça, cada uma remetendo a uma experiência vivida ali dentro. O alicerce, as paredes, o teto, a porta de entrada, tudo contado a partir de quem passou pelo serviço.

Ex-participantes dividiram suas trajetórias e relembraram o período em que foram acolhidos, contando como saíram de lá com trabalho, moradia e autonomia para seguir a vida em São Paulo.

Para quem chega ao Brasil em um momento de incerteza, a Casa de Assis funciona como ponto de partida. Não só um teto, mas um lugar de orientação, onde novos caminhos começam a ser traçados.

A mística foi embalada pela música “A Casa é Sua”, de Arnaldo Antunes, trazendo a ideia de que uma casa não se resume às paredes ou aos móveis, mas às pessoas que a habitam e aos laços que se formam ali dentro. Essa foi também a chave do tema escolhido para os 12 anos: uma casa que abraça porque reconhece cada pessoa em sua história, cultura, sonhos e planos de futuro.

A programação cultural da noite também contou com uma apresentação do Palhaços Sem Fronteiras, parceiros da Casa de Assis, que levaram humor e leveza ao encontro. A presença do grupo reforçou o clima de festa, misturando a emoção das histórias compartilhadas com momentos de descontração.

Do acolhimento à autonomia

Acolher, na Casa de Assis, é também abrir caminho para que cada pessoa siga com autonomia. O trabalho do serviço passa por regularização documental, acesso a políticas públicas, acompanhamento social, formação profissional e encaminhamento ao mercado de trabalho.

A empregabilidade é um dos eixos centrais dessa atuação, e o processo, muitas vezes, começa pela própria regularização dos documentos migratórios, sem os quais não há trabalho formal possível. Em 2026, mais de 70% das pessoas atendidas saem da Casa de Assis empregadas, prontas para seguir em frente.

Pelo Projeto Recomeço, realizado em parceria com o Cepema (Central de Penas e Medidas Alternativas da Justiça Federal de São Paulo), a casa já formou 1.629 pessoas, com 99% de conclusão e 50% de empregabilidade, o equivalente a cerca de 815 imigrantes e refugiados que conseguiram uma vaga no mercado de trabalho. As formações vão de técnicas de limpeza a camareira, copeiro, garçom e portaria.

É o que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) chama de trabalho decente, apoiado em quatro pilares: emprego produtivo, garantia de direitos, proteção social e diálogo social. Para o Sefras, esse conceito também passa por reconstruir a vida com autonomia, respeito e dignidade.

Irmã Margareth coordena a Casa de Assis há 11 anos e diz que acompanhar essa saída é uma das partes mais gratificantes do trabalho:

“É difícil, é. Mas também é gratificante ver a saída deles dessa casa. Para mim, nesses 11 anos, já vivenciei muita coisa com esse nosso povo, mas a maioria é de alegria e de esperança também.”

Para ela, o objetivo é que cada pessoa deixe o serviço com uma saída qualificada: documentos em dia, português consolidado, trabalho garantido e condições para conquistar a própria moradia.

“Eu fui realmente transformado aqui”

Mesmo depois de deixar a Casa de Assis, muita gente continua ligada à sua história. É o caso de Manuel da Silva, que chegou ao serviço em agosto de 2025 e ficou acolhido por três meses.

De volta à Casa de Assis para celebrar os 12 anos, ele relembrou o período que viveu ali e o quanto o acolhimento marcou sua trajetória:

“Para mim está sendo um momento muito maravilhoso, cheio de emoções. É algo inexplicável, porque eu fui realmente transformado aqui e tive um novo recomeço. Hoje, para mim, é uma grande alegria poder estar aqui e comemorar com outras pessoas que considero irmãos e que também estão tendo essa oportunidade.”

A presença de ex-participantes deu um sentido concreto à mística da noite: a Casa de Assis também é feita das histórias de quem passou por ela e, depois de conquistar trabalho, moradia e autonomia, virou parte da própria memória do serviço.

Uma casa que abraça

Em 12 anos, a Casa de Assis se tornou ponto de encontro entre culturas, idiomas e histórias de vida diferentes, gente que chega ao Brasil carregando experiências, saberes e sonhos, muitas vezes depois de atravessar longas distâncias em busca de segurança e uma vida melhor.

Na perspectiva franciscana do Sefras, acolher é reconhecer a dignidade de cada pessoa e caminhar ao lado dela na defesa de direitos e na construção de novas possibilidades. Por isso, os 12 anos também são uma celebração de quem dá sentido a essa casa: construída por muitas mãos, muitas nacionalidades, muitas histórias. Uma casa que acolhe, cuida e defende, e que, acima de tudo, transforma recomeços em caminhos de autonomia.

*confira a postagem original do Sefras


Melissa Galdino – Sefras