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Assembleia da Formação e Estudos, em Agudos, apresenta novo “Programa Provincial de Formação”

06/02/2026

Notícias

Quase quarenta frades reuniram-se entre os dias 3 e 6 de fevereiro, no Seminário Santo Antônio, em Agudos (SP), para a “Assembleia da Formação e dos Estudos” da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. A Assembleia é fruto da caminhada provincial realizada no triênio anterior, que culminou no mandato do Capítulo Provincial de 2024, o qual aprovou a revisão do itinerário formativo da Província. 

Estiveram presentes no encontro frades que desempenham serviço nas Casas de Formação, na Animação Vocacional e na Formação Permanente. Ao longo dos dias, os participantes puderam avaliar, refletir e projetar os caminhos da formação inicial e permanente, reafirmando o compromisso da Província com uma formação integral, fiel ao carisma franciscano e atenta aos desafios do tempo atual.

Na noite do dia 3 de fevereiro, durante a abertura da Assembleia, o Definidor e Coordenador da Formação Inicial, Frei Gilberto da Silva, entregou, aos frades, em primeira mão, o novo “Programa Provincial de Formação”. O Ministro Provincial, Frei Paulo Roberto, agradeceu a presença de todos e classificou como saudável essa metodologia de fóruns e assembleias, entendendo-os como espaços privilegiados para definir estratégias de ação para a Fraternidade Provincial. 

O Ministro também destacou como é enriquecedor que frades de diversas regiões, realidades e serviços possam dedicar-se a pensar e refletir sobre a dimensão formativa da vida franciscana, lembrando que a formação do frade menor é “do SAV ao Céu”, ou seja, para toda a vida.

Ao longo da quarta-feira, dia 4, os frades, reunidos no Salão São Francisco, aprofundaram a reflexão sobre o novo Programa Provincial de Formação. Nesse dia de trabalhos, frades que atuam em diversas instâncias da Província assumiram a função de facilitadores: Frei Sandro Roberto da Costa, pelo Secretariado da Formação e dos Estudos; Frei Jeâ Paulo Andrade, pela Animação Vocacional; Frei Gilberto da Silva, pela Formação Inicial; Frei Gustavo W. Medella, pelo Secretariado da Evangelização; e Frei Rodrigo da Silva Santos, pela Formação Permanente. 

O destaque do dia foi o novo itinerário formativo, aprovado no último Capítulo Provincial, que culminou com o início da etapa de formação dos frades de profissão temporária na Fraternidade São Francisco, histórico convento localizado no centro da cidade de São Paulo. O período da profissão temporária foi organizado em quatro anos, com ênfase na formação franciscana em suas múltiplas dimensões.

Na manhã do dia 5 de fevereiro, os frades realizaram trabalhos divididos em três grupos: 1) SAV; 2) Formação Inicial; e 3) Formação Permanente. Nas partilhas, foram apresentadas contribuições e impressões referentes a cada uma dessas instâncias. Ao final, os secretários dos grupos encaminharam o material produzido ao Secretariado da Formação. No período da tarde, ocorreu a assessoria do frade carmelita Vagner Sanagiotto, pesquisador das questões da vida religiosa e da formação. A assessoria se estendeu até o almoço da sexta-feira, dia 6, e teve como tema: “Pertencer para servir: formar para a identidade franciscana”.

Segundo Frei Vagner, “falar de vocação é, sobretudo, falar de identidade. Antes de ser uma escolha funcional, ser religioso consagrado é uma forma de ser, uma configuração interior da pessoa diante de si mesma, diante dos outros e diante de Deus. Por esta razão, é a expressão mais profunda da identidade humana quando ela se abre à transcendência. Formar-se em um carisma é abrir-se à transcendência”. 

Ele também recordou aos frades que “a identidade humana é o eixo que organiza a vida interior e dá coerência às experiências, às emoções e às decisões; é aquilo que permite ao sujeito dizer: ‘sou eu mesmo’, mesmo quando tudo em volta muda. Sem essa unidade, a pessoa vive fragmentada, reagindo às circunstâncias, buscando fora de si aquilo que perdeu dentro de si”. Ressaltou ainda que, “na vida consagrada, a identidade é constantemente posta à prova, porque o chamado vocacional não é apenas um evento do passado, mas um processo contínuo que exige que o ‘eu’ amadureça, se integre e se converta. A vocação, portanto, não suspende o humano, mas o leva à sua plenitude”, concluiu.

Frei Vagner apresentou aos frades aspectos dos estudos atuais acerca dos perfis vocacionais e pistas para uma formação capaz de incutir a dimensão do carisma e de promover uma identidade integrada e madura, aberta ao serviço e às ações evangelizadoras da instituição. Foi um rico momento de trocas de ideias e aprendizados. O assessor partilhou diversos exemplos concretos de sua experiência em outras realidades da Vida Religiosa e pôde esclarecer dúvidas e questionamentos levantados pelos frades.

Na tarde do último dia da Assembleia, realizou-se uma síntese dos trabalhos e estudos desenvolvidos ao longo da semana, bem como a avaliação do encontro por parte dos participantes. O Animador do SAV e Mestre do Postulantado, Frei Jeâ, deu um testemunho que resume bem o espírito do encontro: “Participar desta Assembleia da Formação e dos Estudos, aqui em Agudos, foi fundamental para relembrar nossa identidade enquanto Ordem e Província franciscana. Como Coordenador do Serviço de Animação Vocacional (SAV), vejo com grande esperança a apresentação do novo Programa Provincial de Formação, que materializa de forma concreta a visão de que a formação franciscana é um processo único de crescimento e amadurecimento. Este itinerário, construído com tanto diálogo ao longo do último triênio e ratificado pelo Capítulo, confirma essa vontade de pertencimento entre os frades”.

Em continuidade à reflexão, acrescentou: “Este encontro, mais uma vez, mostrou que a sinodalidade é o melhor caminho para organizar nossa vida. A presença dos animadores vocacionais, formadores e guardiães demonstra que a Província compreende que formar é um gesto fraterno e que o SAV não é um serviço isolado, mas o primeiro passo de um projeto de vida inteiro, que se enriquece no diálogo constante. Esperamos conseguir responder de forma adequada aos desafios do nosso tempo”.


Por Frei João Manoel Zechinatto, OFM