“Amar carregando a dor do outro”
09/02/2026
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Por ocasião do Dia Mundial do Doente (11 de fevereiro), neste ano de 2026, o Santo Padre “quis propor novamente a imagem, sempre atual e necessária, do bom samaritano, a fim de redescobrirmos a beleza da caridade e a dimensão social da compaixão e chamar a atenção para os necessitados e para os que sofrem, como são os doentes”.
“A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro” é o título de uma Mensagem que recorda a parábola do bom samaritano no texto de S. Lucas. O Papa recorda: “A um doutor da lei que lhe pergunta quem é o próximo a amar, Jesus responde contando uma história: um homem que viajava de Jerusalém para Jericó, assaltado por ladrões, foi abandonado quase morto; um sacerdote e um levita passaram ao largo, mas um samaritano encheu-se de compaixão, tratou-lhe as feridas, levou-o para uma hospedaria e pagou para que cuidassem dele”.
Leão XIV propõe uma reflexão sobre esta passagem bíblica com a “chave hermenêutica da Encíclica Fratelli tutti” do Papa Francisco. Uma leitura “na qual a compaixão e a misericórdia para com os necessitados não se reduzem a um mero esforço individual, mas realizam-se na relação: com o irmão necessitado, com aqueles que cuidam dele e, fundamentalmente, com Deus, que nos oferece o seu amor”.
O dom do encontro: a alegria de oferecer proximidade e presença
O Santo Padre divide a sua reflexão em três pontos. O primeiro fala-nos do dom do encontro e da alegria de oferecer proximidade. “Vivemos imersos na cultura do efémero, do imediato, da pressa, bem como do descarte e da indiferença, que impede de nos aproximarmos e pararmos no caminho para olhar as necessidades e os sofrimentos à nossa volta”, escreve Leão XIV.
Para o Papa “o amor não é passivo, mas vai ao encontro do outro; ser próximo não depende da proximidade física ou social, mas da decisão de amar”. E este amor tem que se alimentar “do encontro com Cristo, que por amor se entregou por nós”.
“O dom do encontro nasce do vínculo com Jesus Cristo, a quem identificamos como o bom samaritano que nos trouxe a saúde eterna e a quem tornamos presente quando nos inclinamos diante do irmão ferido”, afirma Leão XIV.
A missão partilhada no cuidado dos doentes
No segundo ponto da sua reflexão, o Papa afirma que “ter compaixão implica uma emoção profunda, que conduz à ação. É um sentimento que brota do interior e leva a assumir um compromisso com o sofrimento alheio.
O Santo Padre salienta a importância de que o cuidado dos doentes seja feito com outras pessoas procurando a construção de um “nós”. Recorda que nesta parábola “o samaritano procurou um estalajadeiro que pudesse cuidar daquele homem, como nós estamos chamados a convidar outros e a encontrar-nos num ‘nós’ mais forte do que a soma de pequenas individualidades”.
“Na minha experiência, como missionário e bispo no Peru, eu mesmo constatei como muitas pessoas partilham a misericórdia e a compaixão ao estilo do samaritano e do estalajadeiro. Familiares, vizinhos, profissionais e agentes pastorais da saúde e tantos outros que param, se aproximam, curam, carregam, acompanham e oferecem o que têm, dando à compaixão uma dimensão social. Esta experiência, que se realiza num entrelaçamento de relações, ultrapassa o mero compromisso individual”, escreve o Papa na sua Mensagem.
Movidos sempre pelo amor a Deus, para nos encontrarmos a nós mesmos e ao próximo
No terceiro e último ponto da sua Mensagem, o Papa Leão XIV recorda a necessidade de se cumprir o “duplo mandamento” de amar a Deus e ao próximo.
“A primazia do amor divino implica que a ação do homem seja realizada sem interesse pessoal ou recompensa, mas como manifestação de um amor que transcende as normas rituais e se traduz num culto autêntico: servir o próximo é amar a Deus na prática”, escreve o Santo Padre.
Para o Papa, o serviço ao próximo “implica afastar de nós o interesse de basear a nossa autoestima ou o sentido da nossa própria dignidade em estereótipos de sucesso, carreira, posição ou linhagem, recuperando pelo contrário, a nossa própria posição diante de Deus e do irmão”.
“Desejo vivamente que nunca falte no nosso estilo de vida cristão esta dimensão fraterna, ‘samaritana’, inclusiva, corajosa, comprometida e solidária, que tem a sua raiz mais íntima na nossa união com Deus, na fé em Jesus Cristo. Inflamados por esse amor divino, poderemos realmente entregar-nos em favor de todos os que sofrem, especialmente dos nossos irmãos doentes, idosos e aflitos”, escreve Leão XIV na conclusão da sua Mensagem para o Dia Mundial do Doente de 2026.
Por Rui Saraiva – Vatican News


