Um dia de fé e gratidão a São Pedro
30/06/2026

Depois de muita chuva e frio em Pato Branco (PR), o tempo nublado e a temperatura mais amena garantiram um dia propício para as festividades da Solenidade de São Pedro Apóstolo, nesta segunda-feira (29). A solene Celebração Eucarística das 9h30 envolveu todas as comunidades e pastorais neste momento de fé e devoção ao Padroeiro.
A presidência da celebração ficou a cargo do pároco Frei Evandro Balestrin, que teve como concelebrantes os frades da Fraternidade e Frei Felipe Carretta, que é vigário paroquial na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Nilópolis (RJ). A Santa Missa foi transmitida pela Rádio e TV Celinauta e mídias da Paróquia.
Depois de saudar os seus confrades, o povo todo, Frei Evandro fez questão de enfatizar a presença dos trabalhadores no Pavilhão São Pedro, que durante nove dias se dedicaram com afinco para que a Festa de São Pedro continue sendo um elo de unidade e comunhão na cidade. “Com o celular ligado, estamos trabalhando para que a gente possa celebrar dignamente, com grande alegria, o dia da nossa solidariedade, do nosso Padroeiro São Pedro Apóstolo”, disse.
Frei Evandro lembrou que a Igreja celebra hoje São Pedro e São Paulo. “Por que duas pessoas, duas figuras no caminho da conversão, vão da negação ao amor? O único objetivo dos dois era Jesus Cristo. Eram duas pessoas distintas, mas unidos em Cristo Jesus, na fé e no amor. Por isso que a Igreja talvez celebre os dois juntos. Porque a Igreja não é feita de uma pessoa só, mas nasceu de pessoas, de uma comunidade cristã. Talvez são os Pedros e Paulos dos dias de hoje. Tantas figuras que representam essas duas grandes pilastras da igreja, como vimos nas leituras”, observou.

“Pedro é liberto da prisão e Paulo chega ao final da vida e diz: ‘Combati o bom combate. Completei a minha missão de anunciar Cristo e o Evangelho”. O salmo de hoje exprime bem essas duas figuras: ‘De todos os temores, o Senhor Deus me livrou. De todos os temores, o Senhor Deus me livrou’. E dentro desse contexto todo temos o tema de hoje: ‘Com São Pedro, no caminho da conversão: da negação ao amor’. Quantas vezes vemos as dificuldades batendo à porta de muita gente! Mas vemos um Deus que é totalmente, como o Frei Diego falou ontem, amor. Quem ama, perdoa. Quem ama, cura. Quem ama, quer estar ao lado. Quem ama, não vê o erro, mas vê o amor. Está acima de qualquer coisa. Por isso, Jesus vai a Pedro e poderia cobrá-lo, mas Jesus disse: ‘Pedro, tu me amas?’. Por isso, da negação ao amor. Três vezes. A terceira vez Pedro sentiu realmente que Jesus estava querendo confirmar se realmente ele o amava. E o amor fez com que Pedro conduzisse esta Igreja. Aí podemos até trazer para a nossa vida e para a nossa realidade: Quem são os Pedros? Quem são os Paulos da nossa vida? Na Paróquia São Pedro, quanta gente passou aqui nesses 94 anos de festa?”, perguntou.

O pároco se virou para o grande mosaico no presbitério e lembrou que ali está retratada toda a história de Pedro. “Mas também não tem só a história de Pedro. Tem a história de cada um de nós, de cada membro, de cada pessoa. Que de uma forma ou de outra participava da vida da comunidade. Na evangelização, nos momentos celebrativos e festivos, no momento de convívio, nós somos um pouquinho também Pedro e Paulo. Porque é nós que construímos a nossa vida e a nossa história. Na centralidade do nosso Papa e também dos nossos bispos, a Igreja está alicerçada na sucessão dos apóstolos. Mas o que é mais interessante de tudo isso é a gente olhar também para dentro de nós e percebermos a nossa vida, o nosso dia a dia, as nossas fragilidades”, constatou.
Para o frade, na realidade de hoje vemos o povo sem muita paciência. “Por qualquer coisa se está brigando, discutindo. Talvez a gente tenha que entender um pouquinho de Pedro e Paulo, mas também entender mais o amor de Jesus por nós. O amor que Deus tem na nossa vida e nos conduz como seres humanos, conduz como igreja. Celebrar Pedro e Paulo é celebrar a história da Igreja. Mas é celebrar também, cada um de nós, a construção do alicerce do amor. E dentro da figura do nosso Padroeiro. Ao receber o amor de Jesus, deixar o amor de Jesus permanecer. Assim como o poder que Pedro recebe de Jesus ao dizer ‘Senhor eu te amo”, ensinou.

“Depois de Pedro dizer: ‘Tu és o Messias, o Filho de Deus’ e professar a sua fé e o seu amor em Jesus, ele, como pedra, recebe a missão de edificar a ‘minha Igreja’, e recebeu as chaves do reino dos céus. Tudo que ligares aqui no céu, na terra, será ligado no céu. E tudo que desligares aqui da terra, será desligado do céu. Como diz o evangelho de hoje, olha o poder que Pedro ganhou”, destacou.
“Jesus confiou no sim de Pedro e nós temos alegria de tê-lo como Padroeiro e tê-lo como a centralidade da nossa vida e nossa fé. Que a Igreja permaneça firme, principalmente no amor a Jesus. Quem ama a Deus, só faz o bem. E Pedro nos dá esse caminho, nos dá essa lição. Cuidemos de nossas vidas. Sejamos um pouquinho mais de Pedro e Paulo e que possamos nos evangelizarmos uns aos outros, no cuidado, no carinho, na dedicação e no amor. Talvez a festa de São Pedro mostre um pouco da unidade da comunidade”, completou.
No final da Missa, Frei Evandro agradeceu enfaticamente todas as pessoas voluntárias que trabalharam para que a festa tivesse um bom êxito, seja na Liturgia ou nos trabalhos de gastronomia. Elogiou a figura da Ir. Odícia, que é coordenadora da liturgia, e que, junto com toda a equipe, trabalharam durante nove dias para bem celebrar São Pedro. Na procissão do Ofertório, os símbolos das sandálias do Pescador, da rede, da pedra e da chave foram trazidos com o Pão e o Vinho.
Frei Evandro destacou não só a presença de adultos na Festa “Eu já vi crianças ajudando. Que bonito ver isso. Já vi lá o avô, avó ensinando os netos e assim por diante nesse serviço, no trabalho junto à nossa Paróquia São Pedro Apóstolo”, animou-se o pároco.
Missa de Ação de Graças pela 94ª Festa de São Pedro

“São Pedro e São Paulo nos oferecem uma mesma lição de amor a Deus”. Foi com essa mensagem que terminou nesta segunda-feira, Solenidade de São Pedro e São Paulo, as festividades em honra ao Padroeiro São Pedro Apóstolo, durante a Missa e Ação de Graças, às 19h30. Frei Mário Tagliari presidiu a Celebração Eucarística, tendo como concelebrante Frei Raimundo Justiniano de Oliveira Castro, que fez a homilia.
O dia nublado em Pato Branco (PR) animou o povo para a Missa das 9h30 e, em seguida, pôde saborear um delicioso almoço com churrasco e festejar a vitória do Brasil contra o Japão. Mas à noite, a chuva voltou com força, como nos dias anteriores. Mesmo assim o povo veio celebrar esse momento de graça e devoção. Frei Mário saudou a todos no início da celebração, especialmente as equipes de liturgia e os voluntários que se debruçaram para oferecer o melhor da cultura e da vida comunitária.

ÍNTEGRA DA HOMILIA DE FREI RAIMUNDO
Queridos irmãos e irmãs, o Senhor lhes dê a sua paz. A Igreja celebra hoje a solenidade de São Pedro e São Paulo. Nós também, em Pato Branco, na nossa igreja Matriz, damos destaque a São Pedro, mas nunca esquecendo esse grande apóstolo que foi São Paulo. A igreja era perseguida e Pedro que estava na prisão. A igreja rezava continuamente a Deus por Pedro. O anjo do Senhor acordou-o e lhe diz: Levanta-te depressa, as correntes caem, e o Anjo pede a Pedro – coloca depressa o cinto e calça as tuas sandálias, a capa e vem comigo. Passam pelas portas da prisão e saem por uma rua e o anjo o deixou. E Pedro exclama:’ Agora sei que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes’.
Queridos irmãos e irmãs, celebramos com grande alegria a solenidade dos santos Apóstolos Pedro e Paulo. Dois homens muito diferentes. Pedro, o pescador da região da Galileia. Paulo, um intelectual formado na grande escola de Gamaliel, de grande conceito na formação judaica. Pedro caminhou com Jesus desde o início. Paulo encontra-se com Jesus somente após a ressurreição. Ambos se tornaram colunas da Igreja. O que os une não é o temperamento, nem a história de cada um deles, nem seus talentos, mas sobretudo a graça e a bondade de Deus.
O Evangelho de hoje nos convida precisamente a contemplar a bondade e a graça que transformam a vida e faz homens frágeis em testemunhas do Evangelho. Jesus, no Evangelho, dirige a seus discípulos uma pergunta fundamental e decisiva a seu respeito: ‘E vós, quem dizeis que eu sou?’ Essa pergunta atravessa séculos e chega até os nossos dias. Quem é Jesus para mim? Que lugar Ele ocupa na minha vida? E Pedro é o primeiro a responder:’ Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo’. Jesus declara: ‘Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja’. Poderíamos imaginar que Pedro foi escolhido porque era forte, firme e inabalável. Mas o Evangelho mostra exatamente o contrário. Pedro conheceu o medo, Pedro vacilou, Pedro afundou nas águas, Pedro negou o Senhor três vezes, Pedro chorou. Por isso, a grandeza de Pedro não está em sua aparência de perfeição.

Sua grandeza está em ter permitido que a misericórdia de Deus o transformasse. Há um teólogo italiano, Bruno Forte, que observa que a verdadeira maturidade espiritual de Pedro não acontece quando ele faz sua profissão de fé em Cesareia de Filipe, como nos relata o Evangelho de hoje. Depois da Páscoa, depois da queda, depois das lágrimas, depois da experiência dolorosa da própria fragilidade, às margens do lago quando o ressuscitado procura por Pedro. Não para condená-lo, não para recordar os seus fracassos, mas para perguntar: “Simão, filho de João, tu me amas?’ Pedro já não é autoconfiante como antes, agora conhece a sua pobreza humana, conhece seus limites, por isso responde com humildade: ‘Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo’. Nesse momento nasce o verdadeiro São Pedro.
Pedro não é um homem que confia em si mesmo, mas o homem que confia na misericórdia de Deus. E talvez seja uma das mais belas mensagens desta solenidade. O Senhor não espera de nós uma perfeição impossível. Ele espera que lhe entreguemos sinceramente o amor de que somos capazes de lhe dar. Mesmo pequeno, mesmo ferido, mesmo incompleto é sempre a graça de Deus que transforma o nosso pobre amor em santidade.
Celebramos também hoje o nosso apóstolo das gentes, São Paulo. Se São Pedro nos ensina que a misericórdia que reergue o discípulo, São Paulo vai nos ensinar que a graça transforma uma história inteira. Paulo começou como perseguidor dos cristãos, convencido de estar servindo a Deus quando perseguia a própria Igreja. No caminho de Damasco aconteceu algo inesperado. Cristo veio ao seu encontro e aquele que perseguia tornou-se Aquele em quem depositou toda a sua confiança, Jesus Cristo, pobre e crucificado. Aquele que destruía, tornou-se construtor. Aquele que combatia a fé, tornou-se o maior missionário.

São Paulo aprendeu algo essencial. Não era ele quem procurava a Deus, mas sobretudo Deus o procurava. Toda a sua vida tornou-se resposta a um amor que o havia precedido. Por isso pôde afirmar, ao final da sua existência humana: ‘Combati o bom combate, completei a corrida e guardei a fé.
Essas palavras expressam não o orgulho, mas a gratidão de São Paulo. O combate de São Paulo não foi tão somente contra perseguições ou sofrimentos. O verdadeiro combate de São Paulo foi permanecer fiel ao amor que o havia alcançado. Foi deixar que Cristo vencesse dentro dele o orgulho, a autossuficiência e o medo. A corrida que completou não foi apenas as somas das viagens missionárias, mas principalmente a peregrinação de toda uma vida em direção àquele que o chamou.
E guardar a fé não significou para ele apenas conservar uma doutrina, mas guardar uma relação viva com Cristo. A fé que guardou foi sim a memória viva em seu coração do encontro com Jesus no caminho de Damasco, que mudou toda a sua existência.

São Pedro e São Paulo nos oferecem uma mesma lição de amor a Deus: São Pedro descobriu que a misericórdia é maior que a fraqueza; São Paulo nos ensinou que a graça é mais forte que o passado. Ambos nos ensinam que Deus não escolhe os perfeitos, mas sobretudo que Ele tem um desejo grandioso de transformar aqueles que se deixam encontrar por Ele.
Vivemos num mundo em que muitas vezes as pessoas são medidas pelos seus erros, fracassos e limitações. Jesus, em São Pedro e São Paulo, revela para nós, hoje, que nenhuma derrota que sofremos é definitiva quando abrimos à graça e à misericórdia que Deus, nosso Pai, pediu a seu Filho para ser conosco samaritano em nossa caminhada. São Pedro e São Paulo, intercedam por nós, nossas famílias, nossas comunidades e por toda a Igreja, de modo particular, por nosso Papa Leão XIV e seus sucessores, os nossos irmãos, os bispos, os cardeais, formando a unidade da Igreja.
Até a edição da 95ª Festa de São Pedro 2027!
Pascom da Paróquia





























