Frei Alisson: Como Pedro, sejamos pedras vivas do amor
23/06/2026

Os fiéis reunidos na bela Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo, nesta segunda-feira (22/6) chuvosa e fria, conheceram Frei Alisson Zanetti, pároco da Paróquia Patrocínio de São José de Coronel Freitas, em Santa Catarina. Ele desenvolveu o tema – “Tira primeiro a trave do teu próprio olho” (Mt 7,5) – neste terceiro dia da Novena ao Padroeiro.
As pessoas que não puderam participar presencialmente acompanharam pela TV Celinauta, que transmite diariamente a Novena. Frei Evandro Balestrin acolheu a todos e agradeceu pela presença de Frei Alisson e dos aspirantes William Pereira Ramos e Richard Alfonso Gómez Ocón, que residem na Fraternidade de Coronel Freitas.
Frei Alisson, ao iniciar sua pregação sobre o tema, lembrou que olhando para a vida de São Pedro, a sua missão iniciou-se à beira do Mar de Tiberíades ao ser surpreendido pelo próprio Mestre Jesus, que com a sua voz terna, sublime, inesquecível, dirige-se a Pedro e o convoca: ‘Segue-me que eu o farei pescador de homens!’ Pedro era como nós. Em alguns momentos impulsivos, em outros um homem simples, humilde; em alguns momentos, preconceituosos; em outros muito sincero. E, em alguns também Pedro parece ser ingênuo. E o interessante é que ele passa por três momentos: O primeiro como pescador; o segundo que ele conviveu ao lado do Mestre; e o terceiro, depois da paixão, morte e ascensão de Jesus, também Pedro teve a sua fase de vida diferenciada. E, ao ser chamado por Jesus, ele mesmo não sonhava que um dia teria a missão de ser pedra, de ser a sustentação da Igreja e que passaria também por momentos de tropeços, de negação em relação Àquele que o chamava”, detalhou.

Segundo o frade, foi a sua coragem de ter aceitado o convite do Mestre, de ter deixado tudo, que o levou a fraquejar. “E o interessante é que nesse primeiro momento, Jesus não chamou homens preparados, homens que tinham forças extra-humanas. Jesus não chamou anjos. Jesus chamou pessoas humanas para que a sua missão, o Reino de Deus, pudesse ser instituído. E a partir daí é interessante olharmos com compreensão Pedro, escolhido exatamente para confirmar a fé. Em que sentido? Porque no coração de Pedro, Deus realizou o milagre de uma fé que não vinha das suas capacidades naturais. Basta recordarmos a profissão de Pedro. Em Mateus, no capítulo 16, Jesus vai dizer: ‘Bem-aventurado és tu, Simão, filho de João, porque não foi a carne e nem o sangue que te revelou isso. Mas o Pai que está nos céus’. Pedro estava sendo movido pelo Espírito Santo. E o Pai do céu o fez professar essa fé através dos lábios de Jesus. E através dos lábios de Pedro, disse com toda convicção a Jesus: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’. Uma profissão de fé profunda, uma profissão de fé bastante reveladora de Pedro”, explicitou.
Para Frei Alisson, a fé de Pedro, num primeiro momento, não estava arraigada no seu coração. “Ele era movido não somente pelo Espírito Santo, mas pelos seus pensamentos desordenados, pelos seus sentimentos passionais. Por exemplo, logo que Jesus começa a falar da paixão, Pedro O repreendeu. E, então, Jesus diz umas palavras aparentemente duras, severas, que ele jamais tinha pronunciado: ‘Afasta-te de mim, Satanás’. E aí, então, podemos vislumbrar Pedro movido pelo Espírito Santo e também movido pelas suas paixões carnais. Intimidado diante dessa ameaça, diante da perseguição, do sofrimento, ele também viveu a negação. E por causa do medo, no Evangelho de ontem, Jesus nos dizia por três vezes: ‘Não tenhais medo’. Pedro negou Jesus por três vezes, mas ele caiu em si e deparou-se com um olhar compassivo de Jesus. E com esse remorso, arrependimento profundo, ele chorou amargamente. Ele viveu aquele momento com um profundo olhar interior e iniciou a ressignificação para continuar a missão de anunciar o Evangelho, de propagar o Reino de Deus e a sua justiça. Como? O mestre era modelo de seguimento, modelo dessa instauração do reino de Deus. E a partir daí, esse olhar de Pedro, a partir do olhar compassivo de Jesus, é o olhar da humildade, é o olhar que gera uma nova vida, é o olhar da compaixão. A palavra compaixão vem do latim compassio, junção de cum (junto com) e passio (sofrimento), significando me colocar no lugar do outro que sofre, me colocar no sofrimento. E a partir desse olhar, uma nova vida desabrocha”, explicou.
“Nascemos a partir desse olhar, livres da hipocrisia, do autorreferenciamento, do nosso hedonismo. Nascemos sem que tudo isso aconteça. Nascemos a partir desse olhar interior, fora de um espetacularismo. Olhamos como Jesus olha. E o olhar de Jesus vai além das aparências, ele deve nos envolver, como envolveu Pedro às margens do mar. Ele deve nos seduzir, como o próprio profeta Jeremias vai dizer: ‘Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir. Numa luta desigual, dominaste-me e foi tua a vitória’. E assim também como diante do Mestre, por três vezes, Pedro foi interrogado. É com esse olhar e a partir dessa interrogação nós também devemos sentir enamorados e enamoradas por Jesus”, exortou.

“Pedro, Tu me amas’. E na terceira vez, Pedro respondeu: ‘Senhor, Tu sabes tudo. Tu bem sabes que eu te amo’. E ele nos ensina também, com essa afirmação, essa resposta eloquente, o quanto a trave do nosso coração deve ser tirada quando nós assumimos a nossa fraqueza. Quando sou fraco, então é que sou forte, vai nos dizer São Paulo. E se eu olho para mim compassivo e para o próximo com severidade, é sinal que eu já perdi o contato comigo mesmo. Por quê? Eu só estou olhando com a compaixão para mim e não para com o outro. Aquele que está diante de mim, que é o meu próximo, se eu olho com compaixão para mim e olho com compaixão para o meu próximo, eu estou nessa conexão profunda comigo e na conexão profunda com Deus”, continuou Frei Alisson.
Para ele, a compaixão não é estagnada, mas ela é ativa. “É a capacidade de compartilhar o nosso sentimento, compartilhar a nossa paixão com a paixão do outro. Então, trata-se de eu sair de mim, do nosso próprio círculo e entrar no universo do outro, para sofrer com Ele, para cuidar dele, para se alegrar com Ele e caminhar junto a ele, para construir uma vida em comunhão e solidariedade. E para terminar, que as traves do nosso passado não sejam entraves para o nosso presente. Como Pedro, possamos no dia da ressurreição entrar no sepulcro de Jesus e celebrar a vida. O sepulcro não é lugar da morte, mas é o lugar onde a vida é gerada a todo instante. Como Pedro, a nossa negação seja a razão da nossa afirmação e da nossa profissão de fé. E não seja razão da nossa frustração. Que como Pedro, sejamos os escolhidos e as escolhidas para sermos pedras vivas do amor, da misericórdia, da ternura e da compaixão do Pai. E quando nós imaginamos que Deus está nos amando, Ele nem começou a amar ainda. É apenas um prelúdio. Quando nós imaginamos que Deus está perdoando, Ele nem começou a perdoar. É apenas uma centelha do seu amor”, completou o frade.

Aspirantes à vida religiosa
Os aspirantes à vida religiosa franciscana na Província Franciscana da Imaculada Conceição iniciam sua caminhada nas Fraternidades de Acolhimento Vocacional (FAVs). Neste ano, num primeiro momento no Seminário Frei Galvão, ficaram por dois meses, e depois continuaram a experiência de convivência e vida fraterna nas Fraternidades escolhidas para acompanhar esses jovens. Williams e Richard fazem esse acompanhamento em Coronel Freitas, tendo Frei Alisson como mestre.
No final dos agradecimentos, o pároco Frei Evandro Balestrin pediu que eles se apresentassem. Richard contou que nasceu na Nicarágua e está com 31 anos. “Estou fazendo a primeira etapa da vida franciscana, que seria o ‘vinde e vende’. O Senhor nos chama a ver mais de perto, assim como chamou Pedro também, pescador de homens. Também ele chamou a cada um de nós, através da vocação. E nós temos que responder a esse chamado. Então, esse primeiro ano é uma introdução à vida comunitária, para conhecermos a fraternidade franciscana e aprendermos a viver em comunidade. Então, peço a todos vocês orações para que possa responder a esse chamado de Jesus e seguir também as pegadas de São Francisco de Assis”, contou.
“Boa noite a todos, paz e bem. Eu me chamo William, tenho 21 anos, nasci no Rio Grande do Sul, então eu sou um gaúcho mesmo, mas antes de eu iniciar essa etapa do aspirantado, vamos dizer, entrar no seminário, eu morava no Espírito Santo, na cidade de Vila Velha, muito próximo do Convento da Penha, possivelmente alguns conhecem lá. Então, nesse primeiro ano da nossa formação, estamos aqui literalmente vivendo com os frades: o que eles fazem, onde vivem, o que comem, vamos dizer assim. Trabalhamos e atuamos nas comunidades”, disse, pedindo orações pelas vocações, pois a “messe é grande, mas são poucos os operários”. “Deus tem uma vocação para cada um de nós, mas a gente tem que estar sempre de coração aberto para que a vontade de Deus seja feita em nossas vidas”, acrescentou.
No quarto dia (23/6), véspera da celebração de São João Batista, o pregador Frei Wilson Simão vem da Fraternidade de Chopinzinho, onde é guardião, para refletir sobre: “Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles” (Mt 7,12).
Além das delícias da gastronomia para esquentar o frio, com brodo, pinhão, pipoca, quentão, cachorro-quente, tem no Salão São Pedro a diversão do bingo comunitário. Participe desta confraternização nas festividades de São Pedro!
Pascom da Paróquia








