Carisma - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

OFS

O que andamos fazendo de nossas vidas?

 

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

Hoje não há ambiente protegido. Desde a sua infância, o homem é lançado no mundo onde todas as opiniões, todas as crenças e todos os sistemas de valores se combatem abertamente. Neste mundo pluralista, a fé não pode ser simplesmente uma lição aprendida. Ela exige a escolha de valores, aprofundamento na existência. Está, portanto, ligada ao caminhar do homem. E ninguém pode fazer esta experiência em nosso lugar.

1. Somos seres únicos, homem e mulher, nascidos numa família marcadamente carinhosa ou não, com exigências ou mais liberal, vivemos encontros, festas de aniversário, sepultamento de pessoas queridas, missas de sétimo dia, natal e carnaval. Aos poucos, fomos nos dando conta de que éramos gente. Poderosos e frágeis. Ora rindo, ora com apertos no coração, ora sonhado. Caniço sim, mas caniço que pensa. Gente. Com pernas, braços, sonhos, inteligência e coração. Gente projetada para o amanhã.

2. Inquietações… De onde venho? O que é viver? Que fazer de meus dias? Para onde vou? Somos mistérios ambulantes. Sentimos que precisaríamos aprender um jeito de viver que fosse respondendo a algumas destas perguntas. Pelo menos a algumas. Queremos ser seres decentes que possam e saibam conviver com outros mistérios ambulantes. Não queremos viver por viver. Não queremos gastar bobamente o tempo da vida.

3. “Passamos pelas coisas sem as habitar, falamos com os outros sem os ouvir, juntamos informações que nunca chegamos a aprofundar. Tudo transita num galope ruidoso, veemente e efêmero. Na verdade, a velocidade com que vivemos impede-nos de viver. Uma alternativa será resgatar a nossa relação com o tempo. Por tentativas, por pequenos passos. Ora, isso não acontece sem um abrandamento interno. Precisamente porque a pressão de decidir é enorme, necessitamos de uma lentidão que nos proteja das precipitações mecânicas, dos gestos cegamente compulsivos, das palavras repetidas e banais. Precisamente porque nos temos de desdobrar e multiplicar, necessitamos reaprender o aqui e agora, reaprender o inteiro, o intacto, o concentrado e o uno” (José Tolentino Mendonça).

4. Vivemos, não poucas vezes, uma misteriosa insatisfação existencial. Há um Tu a nos espreitar, a balbuciar dentro de nós e que, se bem entendemos, ele anda querendo viver intimidade conosco. Em certos momentos de nossa caminhada temos certeza da presença do Mistério. Agostinho de Hipona foi tocado por este Mistério. “Tarde te amei, beleza plena… estavas em mim e eu fora de ti”.

5. Um amigo, um retiro, um livro, um sucesso ou um fracasso, uma pessoa profundamente boa, uma página do Novo Testamento, o nascimento de um filho ou a morte de um ente muito querido podem nos acordar e sacudir interiormente. Sentimos claramente que não podemos apenas “ter um religião”, rezar e cumprir o preceito da missa dominical. Ouvimos mesmo com nitidez: “Vem e segue-me”. Olhamos para Jesus de maneira diferente e ele nos olha com insistência. Estávamos como que encurralados. Momento da graça. Uma escolha se nos impunha.

6. Tratava-se de operar uma transformação. Começamos a questionar nosso jeito de viver, de conviver, de trabalhar, nossa vida afetiva, o ser pai ou ser mãe, nosso posicionamento frente aos bens, ao dinheiro e nossos projetos do amanhã. Havia urgência de que tudo fosse diferente. Mudança. Doce tornando-se amargo e amargo, doce. Conversão ao Evangelho vivo.

7. Passamos a chamar Jesus de Mestre, Mestre da vida, Mestre que nos permite viver em plenitude. Mestre que passamos a amar, porque amados por ele. Uma alegria foi se apossando de nós. Veio o tempo colocar os pés nas passadas do Mestre. Mestre e discípulos. Se, nesse momento, alguém pedisse nossa carteira de identidade simplesmente diríamos: “Sou discípulo de Jesus vivo que me chamou para seu seguimento”. Nada mais de ritos automáticos e de comportamentos aparentemente correto. Busca da verdade de nós mesmos.

8. Os outros, os outros foram penetrando em nosso universo existencial… os de perto, os de casa, os colegas de trabalho, os companheiros de fé, as crianças, os jovens tatuados, as mulheres de roupa simples e chinelo de dedo… os idosos… os leprosos da pele e os de coração maculado. Estar com eles. Bondosa e gratuitamente. Com nosso olhar dizer-lhes que eles existem e valem muito. E nossa vida seria, então, dizer ao mundo, com companheiros de fé, que o Amor precisava ser amado. Nada de doutrinação. Proximidade. Presença.

9. De tanto ouvir falar de Francisco de Assis pode ser que nasça ou tenha nascido em nós o desejo de seguir a Jesus à maneira de Francisco de Assis. Francisco foi talvez um dos poucos ou o único que reescreveu o Evangelho em sua vida, um ser único, sem resquícios de vaidade, livre de amarras, liberto como um pássaro, amigo do Altíssimo, que ama ao Senhor como um serafim, alguém que tinha olhos atentos e bondosos para tudo que o cercava. Podemos querer ser cristãos franciscanos, segui-lo em companhia de irmãos e irmãs, deixando-nos impregnar de sua vida, seus escritos, as regras que escreveu e as exortações que deixou. Pode ser que sejamos profundamente tocados pelo seu Testamento.

10. Viver a fé à maneira de Francisco e de Clara, dessa carinhosa e firme mulher de Assis. Viver a vida com outras pessoas em encontros regules e suculentos. Reuniões cheias de verdade e de conteúdo. Nada de burocracia. Nada do espírito das antigas irmandades. Grupos de irmãos que sejam parábolas vivas do mundo novo de Jesus. Vida de oração pessoal, oração com os irmãos, meditação, intimidade com o Senhor. Preparando sempre os caminhos da paz. Não permitindo que seja maculada e destruída a obra do nosso Pai. Colocando-nos à disposição da causa e dos desejos de Jesus.

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