Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

João Batista, precursor e evangelizador

22/12/2021

                                          Imagem: “João, Pregador”, de Mattia Preti (wikipedia, domínio público)

Dentro do espaço do Ano Litúrgico, a Liturgia do Advento rememora três grandes personagens bíblicos: a mãe Maria, o profeta Isaías e o precursor João Batista.

A primeira assume o compromisso de mãe do Salvador – missão que nem sempre estava clara em sua vida – mas a acolheu e a “meditava em seu coração” (Lc 2,19).

Isaías profetizou que um pequeno grupo, o ‘resto de Israel’, retornaria do exílio babilônico (século V a.C) para reconstruir o país e o Templo. A pressa era tanta que dizia: endireitem um caminho no deserto, aterrem os vales e nivelem os montes (cf. Is 40,1-5).

João Batista assume estas palavras, dando-lhes um sentido similar ao gritar no deserto da Judeia: endireitem vossas vidas porque o Messias está às portas e o “Reino de Deus está próximo” (cf. Mt 3,1-2).

As multidões afluíam de todas as regiões (cf. Mt 3,5) e ele as conclamava: partilhem o pão e as vestes que tendes! Aos publicanos, orientava-os para que não ‘cobrassem além da taxa’ e aos soldados que agissem ‘sem violência ou denúncias falsas’ (cf. Lc 3,10-14).

Os que aderiam a este apelo, levava-os ao rio Jordão e dava-lhes um banho, como que ‘limpando suas vidas’ em vista da chegada do Messias. É o batismo ‘da penitência para o perdão dos pecados’ (Mc 1,4).

Aos que não se sujeitavam à mudança de vida, mandava-os embora com as duras palavras de ‘cobras venenosas’ porque, para acolherem o Messias, não basta ter a ‘descendência de Abraão’. É preciso produzir ‘dignos frutos de penitência’, caso contrário “o machado está posto à raiz da árvore e toda a árvore que não der fruto será cortada e lançada ao fogo (cf. Mt 3,1-10).

Diante deste personagem tão vibrante e seguro, muitos, no seu íntimo, ponderavam: ‘não ser ele o Messias’ (Lc 3,15)? João, categoricamente, o negava: “Eu não ou o Messias” (Jo 3,28). “Eu vos batizo com a água para o perdão dos pecados, mas Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo” (Mt 3,11). “Dele não sou digno de desatar suas sandálias” (Mc 1,7).

Estas breves considerações mostram as virtudes de um precursor consciente, bem como as de um evangelizador.

Zacarias, seu pai, era sacerdote, mas ele não exerce tal função. Desde cedo, retira-se para o deserto (cf. Lc 1,80), alimenta-se com ‘gafanhotos e mel silvestre’ e suas vestes são ‘peles de camelo’ (Mt 3,4).

Mesmo vivendo nesta frugalidade, era um homem forte e sadio, e sua voz ecoava pelo Jordão afora. Não morreu por causa de uma idade avançada ou por motivos de doença. Ele foi preso e decapitado por censurar, duramente, as veleidades adúlteras de Herodes Antipas (cf. Mc 6,14-29).

João Batista é um evangelizador que formou seus próprios discípulos, especialmente, no jejum e na oração (cf. Mc 2,18-22). Estando na prisão, enviou dois deles para certificar-se sobre as obras de Jesus (Mt 11,1-6).

Sua evangelização era tão forte que, até fora da Palestina, tinha discípulos, pois, na comunidade de Éfeso, havia doze deles que não conheciam o batismo de Jesus, apenas o de João (cf. At 19,1-6).

O próprio Jesus se rende à sua pessoa e o elogia. Por três vezes, ressalta sua forte personalidade que são verdadeiros requisitos para um missionário:

É um evangelizador convicto e não um caniço que pende conforme o vento sopra (cf. Mt 11,7).

É o novo Elias, muito maior que um profeta porque une, harmoniosamente, o Antigo com o Novo Testamento: “A Lei e os Profetas duraram até João; desde então, o Evangelho é anunciado a todos” (cf. Lc 16,16).

Finalmente, “entre os nascidos de mulher, não há ninguém maior que João Batista” (Mt 11,11).

Por fim, percebemos que João se faz presente no meio do povo, pelos muitos que se chamam ‘João ou Joana’ e pelas festas juninas. Ele, também, é festejado nas Igrejas Anglicana, Luterana e Ortodoxa. Esta última, o celebra no dia 24 de junho (solstício de verão) com festas durante o dia e à noite, uma vigília.

Não nos faltam exemplos para bem vivenciarmos o Advento e contagiarmo-nos por um maior ardor missionário. Através deles, poderemos concretizar nosso encontro pessoal com o Cristo pela meditação (deserto), jejum e penitência, bem como, por um renovado ânimo para encarnarmo-nos numa “Igreja em saída”.


Frei Luiz Iakovacz, OFM, frade desta Província da Imaculada, reside na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Concórdia, SC.

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