Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Atos dos Apóstolos e o Espírito Santo

15/09/2021

Imagem: Pedro cura aleijado/Masolino 1338-1447 (Capela Museu Brancacci, Santa Maria del Carmine, Florença)

Frei Luiz Iakovacz

Na história da Igreja, até meados do Século II, o livro Atos dos Apóstolos teve vários nomes, entre eles, o de “Evangelho do Espírito Santo”. De fato, ele é citado 55 vezes, ora animando missionários e comunidades, ora iluminando os passos a serem dados e, outras vezes, tomando decisões com eles.

Logo após Pentecostes, membros do Sinédrio, intrigados com a cura de um coxo, prendem os apóstolos Pedro e João, questionando-os em ‘nome de quem realizaram o milagre’ (cf. 3,1-11). Respondem que foi em nome de Jesus e, ‘cheios do Espírito Santo’, os acusam de serem os autores da morte de Jesus, mas “Deus O ressuscitou e disso nós somos testemunhas” (Cf. 4,5-10). Vendo a firmeza de suas palavras e a estima que o povo lhes tinha (cf. 4,13ss), o Sinédrio, mediante severa ameaça, os proíbe de “ensinarem em nome de Jesus. Eles, porém, respondem: julgai-o vós mesmos se é justo obedecer mais aos homens que a Deus. Nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (cf. 4,13-22). Quando este fato foi contado à comunidade que estava em oração “tremeu o lugar onde estavam reunidos, ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam, com firmeza, a Palavra de Deus” (4,31). Assim, a comunidade inteira toma consciência de que ela é uma prolongação do Pentecostes das 120 pessoas (1,15; 2,4).

Por desacatarem a proibição de pregar, os apóstolos são, novamente, presos e a decisão do Sinédrio é de matá-los. Ouvindo, porém, o conselho de Gamaliel, deram-lhes a liberdade, mas, antes, os açoitaram. Saíram “contentes por sofrerem afrontas em nome de Jesus. E não cessavam de anunciar a Boa Nova no Templo e nas casas” (5,33-42).

Na escolha dos Sete Diáconos, o principal critério é que sejam “cheios do Espirito Santo e de sabedoria” (6,3). Estevão era um “homem cheio de fé e do Espírito Santo (6,5). As lideranças da sinagoga não resistiam “à sabedoria e ao Espírito que inspiravam suas palavras”. Por isso, levaram-no ao Sinédrio. Estevão não se intimidou e acusou seus membros de “cerviz dura, incircuncisos de coração e ouvidos. Vós sempre resistis ao Espírito” (7,51). A estas palavras “rangeram os dentes, taparam os ouvidos, levaram-no para fora da cidade e o apedrejaram”. Estêvão, cheio do Espírito Santo os perdoou e entregou seu espírito ao Pai (cf. 7,54-58), assim como Jesus fez, na cruz.

O Espírito Santo, também, ilumina as etapas da missão. É ele que impele Felipe a se aproximar do etíope que voltava de Jerusalém e, em seu carro, lia as Sagradas Escrituras. Após as explicações, pede e recebe o batismo (8,26-40).

O mesmo sucede com o centurião Cornélio e sua família, descrito pormenorizadamente nos capítulos 10 e 11.

Após os sonhos de Cornélio e Pedro, é o Espírito Santo que impele este último dizendo: “Estão à porta três homens enviados por Cornélio. Levanta-te, vá com eles, sem duvidar, porque fui Eu que os enviei” (10,20). Cornélio “reunira parentes e amigos íntimos” (10,24), recepcionou Pedro e pediu-lhe que lhes anunciasse ‘o que o Senhor lhe ordenara´ (v.34). Estando a pregar, “eis que o Espírito Santo desceu sobre eles. Os fiéis circuncisos, que tinham ido com Pedro, admiravam-se de ver que a graça do Espírito Santo também foi difundida sobre os gentios. E Pedro mandou que fossem batizados” (vv. 44-47).

Quando retornaram a Jerusalém, a comunidade os questionou severamente. Pedro relatou-lhe tudo e concluiu: “Quem sou eu para me opor a Deus, uma vez que o Espírito Santo desceu sobre eles, da mesma forma que a nós em Pentecostes” (11,15-17)? A comunidade, ouvindo isso, “aquietou-se e glorificava a Deus dizendo: Deus concedeu, também, aos gentios a penitência a fim de que tenham vida” (11,18). É o Pentecostes pagão!

O Espírito Santo também desperta a comunidade de Antioquia para a missão: ‘Separai-me Barnabé e Paulo para a obra que os destinei’ (13,1-3). Este último realizou quatro grandes viagens missionárias, sendo que na segunda o Espírito insistia para que, através da Macedônia, começasse a evangelizar o Ocidente. Paulo preferia ficar nas regiões da Ásia e, obstinadamente, resistia. Após muita insistência, consentiu (16,1-10). Para aqueles que lhe obedecem, o Espírito Santo os aguarda com surpresas. Filipos, a primeira cidade evangelizada do Ocidente, tornou-se a comunidade preferida de Paulo e só dela e de Tessalônica aceitava doações para prover suas necessidades (Fp 2,25; 4,15-18). Por opção pessoal, trabalhava com “suas mãos” (18,1-3) e não queria ser “pesado a ninguém” (2 Cor 11,9).

Por fim, no Concílio de Jerusalém (15,1-34), o Espirito Santo e todas as lideranças decidem que, para batizar os pagãos, não lhes será exigido a circuncisão e, consequentemente, a observância da Torá e suas tradições (613 preceitos). Porém, para uma melhor convivência entre os cristãos judeus e cristãos pagãos, propõem que estes se abstenham das carnes imoladas aos ídolos, dos casamentos ilegítimos e das carnes sufocadas (cf. 15,20). Na carta dirigida à comunidade de Antioquia e, automaticamente, às demais, escrevem: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor nenhuma outra exigência, além destas indispensáveis” (15.28).

O Espírito Santo sopra onde quer, quando e como quer (cf. Jo 3,8). Umas vezes sopra com rajadas fortes como fez no Monte Sinai e em Pentecostes (Ex 19,16; At 2,2). Outras, como brisa suave, como aconteceu com Elias (1Rs 19,12). Urge estarmos atentos, pois Santo Agostinho adverte-se a si mesmo e a nós: “Tenho medo que a graça de Deus passe por mim e eu não a perceba”.


Frei Luiz Iakovacz, OFM, frade desta Província da Imaculada, reside na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Concórdia, SC.

Download Premium WordPress Themes Free
Free Download WordPress Themes
Download WordPress Themes Free
Download WordPress Themes Free
udemy free download
download lava firmware
Download WordPress Themes
lynda course free download