Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

A construção de pontes para o diálogo ecumênico

29/01/2021

                                                                                 Ilustração do cartaz da Campanha da Fraternidade

Robson Ribeiro de Oliveira Castro

 Um “mundo novo” só será possível se formos construtores de pontes e caminharmos ao encontro dos mais necessitados. A mudança deve começar em nós e na nossa realidade. O tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) deste ano é: “Fraternidade e Diálogo, compromisso de amor”. O lema é: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef, 2,14).

A proposta de uma unidade é o caminho de um autêntico servidor. Cristo foi exemplo de homem frente aos problemas de seu tempo e de sua sociedade. Viveu a vida com as dificuldades de qualquer pessoa de sua época e soube observar os desígnios de Deus e escutou o seu chamado. No texto base, página 10, há a proposta do “o diálogo e construção de pontes de amor e paz em lugar dos muros de ódio.” Assim, cabe a cada um de nós, membros de qualquer denominação religiosa ou movimento, que possamos seguir em frente na construção de pontes e não de muros.

A CFE 2021 usará o método da caminhada, como os discípulos de Emaús. VER: de que estamos falando; JULGAR: iluminação da Palavra; AGIR-CELEBRAR: Construção de pontes. Também está em harmonia a nova encíclica do Papa Francisco, Fratelli tutti (FT) sobre a fraternidade e a amizade social.

Atento às diversas realidades e situações vividas nos dias atuais, o Papa Francisco nos convoca a refletir sobre a nossa condição de vida em tempos de pandemia e descaso com os mais fragilizados. Assim esta convivência e este espírito fraterno são necessário para tentar responder a uma pergunta: Quem é o seu próximo? A resposta, ardente no coração de muitos, pode ser facilmente respondida, mas dificilmente aceita e colocada em prática. O meu próximo é todo aquele que precisa de mim.

Pra compreender o que é necessário nesta vida e viver de forma autêntica e consciente sua condição humana, é simples o que é necessário: seguir apenas o que Jesus nos convocou: “Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10, 27).

Para tanto, no Texto base da CFE 2021, temos a condição de novas formas de relações humanas e sociais. “Jesus nunca orientou seus discípulos e discípulas a criarem inimizades e perseguirem outras pessoas em seu nome. […] Jesus revela que a concentração de riquezas não é coerente cm a paz, porque toda a concentração de riqueza gera desigualdades, conflitos e segregação.” (Texto Base, n. 9).

Assim, diante desta realidade, é no caminho com um “estranho” que os discípulos de Emaús encontram o Cristo: “Foi ao redor da mesa, quando o estranho partiu o pão e o abençoou, que eles reconheceram que Aquele que lhes parecera estranho, na verdade, era Jesus” (Texto Base, n.17). Com esta passagem podemos nos questionar: “Quem é nosso estranho que encontramos todos os dias e não observamos nele a necessidade de construir pontes?”

Por isso, uma pergunta é feita logo no início do texto-base da CFE 2021: “Surgiu a discussão sobre o que seria essencial no papel desempenhado pelas igrejas: o templo aberto e as celebrações numerosas ou o serviço ao próximo e à próxima?” (texto base, n. 28). Assim, as igrejas-templos vazias responderam à pergunta de forma concreta: É necessário cuidar do próximo para que ele seja o templo vivo da nossa caminhada e vivência comunitária.

Desta forma, a CFE nos fara refletir a importância do diálogo com o outro e sua condição de indivíduo. Para tanto precisamos observar que essa realidade nos convida a um debate sobre a nossa condição humana e nossa conduta moral. Além disso, é necessário seguir em frente com os cuidados pastorais e atentos aos que nos procuram e buscam auxílio.

A nova Carta Encíclica de Francisco e o Exemplo do Bom Samaritano são a força motriz para nossa sociedade estagnada frente às dores de cada um. Francisco afirma que a parábola do Bom Samaritano “é um ícone iluminador, capaz de manifestar a opção fundamental que precisamos tomar para reconstruir este mundo que nos está a peito. Diante de tanta dor, à vista de tantas feridas, a única via de saída é ser como o bom samaritano.” (FT, n. 67)

Há esperança! Vivemos um período de transformações! Com a chegada da vacina, temos a expectativa de seguir em frente. É necessário se apegar a essa realidade e, de alguma maneira, buscar uma nova forma de viver: mais autêntica e humana. Que possamos ser propagadores da Justiça e da Paz, ou seja, construtores de pontes, ao invés de arautos do ódio ou de discursos vazios, ou ainda, sepulcros caiados, como Jesus criticava os fariseus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e toda podridão.” (Mt 23,27).

Enfim, ainda temos um caminho a percorrer. Que a caminhada não nos canse, mas revigore nossas forças, dando alento aos que estão no caminho e nos revigorando para seguir em frente, mesmo quando ainda estamos em distanciamento social!


Robson Ribeiro de Oliveira Castro  é leigo. Mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). Atualmente leciona no Instituto Teológico Franciscano (ITF). E-mail: robsonrcastro@yahoo.com.br.

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