Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Cuidar do outro em meio à sociedade que descuida

21/09/2022

 

“O que fizer ao menor dos meus irmãos, é a mim o fazeis”. (Mt 25,40)

Robson Ribeiro de Oliveira Castro Chaves

Diante de tantos desafios e inúmeros problemas sociais, políticos econômicos e ambientais, o ser humano necessita escutar o próximo. Como seria nossa vida se não fosse o cuidado com o outro? Pais e responsáveis demonstram carinho e cuidado com a criança quando nasce e se colocam atentos às suas necessidades e fragilidades. Nós, ao crescermos, vamos moldando nossa personalidade e trilhando nossos próprios caminhos e destinos. Mas, infelizmente, diante de um modelo econômico excludente, estamos vivendo uma realidade em que o individuo não é respeitado e é apenas descartado.

Em tempos de relativismos e desrespeito, o cuidado com o planeta e todos os seres vivos é essencial para um futuro melhor. Desta forma, Papa Francisco nos apresenta a preocupação com o modo como a humanidade vive hoje sob o poder tecnológico e que o ser humano se tornou um mero objeto a ser possuído, dominado e consumido. (cf. Laudato Si’, 106).

Diante dos desafios, somos chamados a participar do processo de reinvenção do cotidiano. Para tanto, é necessário ter cuidado com a vida, respeitar o próximo e, principalmente, as gerações. O mês de setembro é destinado a Prevenção ao Suicídio, um tema delicado e bem complexo. O suicídio aparece entre as 20 principais causas de morte no mundo, para pessoas de todas as idades. E pode ser definido como um ato deliberado executado pelo próprio indivíduo, cuja intenção seja a morte, entendendo que o ato do suicídio não é uma busca de eliminação da vida, mas de eliminar o sofrimento.

A Organização Mundial da saúde (OMS) divulgou em 17 de junho deste ano a informação de que “a depressão e a ansiedade aumentaram mais de 25% apenas no primeiro ano da pandemia”; esse dado acende a luz de alerta para a condição de todos e todas ao longo de quase dois anos de pandemia. As pessoas com problemas psicológicos ou que passam por problemas como o suicídio precisam de apoio, com isso todos os 194 Estados Membros da OMS assinaram o Plano de Ação Integral de Saúde Mental 2013–2030, que os compromete com metas globais para transformar a saúde mental.

Para tanto, só será possível uma real mudança se mudarmos a nossa conduta ética e moral, pois uma conduta moral duvidosa, sem apreço à vida, nos leva a deixar de vivenciar os melhores momentos e, acima de tudo, desrespeitar aqueles que sofrem com algum problema e não darmos a devida importância ao sofrimento das pessoas.  Por isso, ter esperança, ou esperançar, é ter iniciativa, é ir ao encontro, é buscar ouvir os que mais precisam.

É preciso, urgentemente, se fazer ouvir e articular o maior crescimento da consciência humana sobre o que é ser humano. A forma como se trata o tema ainda é um tabu. Durante séculos de nossa história, por razões religiosas, morais e culturais, falar do tema do suicídio era algo proibido e, principalmente, um pecado, por esta razão, ainda temos medo e/ou certa vergonha de comentar o assunto.

De fato, ao falar desta realidade, estamos inseridos na sociedade que vive o problema forma global e não se deixa abrir ao debate consciente. O tabu sobre a questão do suicídio perdeu a força diante dos inúmeros casos de problemas oriundos da pandemia. Hoje, frente à realidade, é urgente refletir sobre o bem-estar do próximo e não apenas do nosso. É a partir desta concepção que devemos observar a realidade sem receios e entender como tratar o outro, principalmente na escuta enquanto membro da sociedade e no período pandêmico que vivemos e estamos ainda vivendo.

É preciso cultivar o caminho ético, sem preconceitos e comentários maldosos. Que a nossa conduta moral seja pautada por regras que devem ser respeitadas por cada um. Para tanto, é preciso se comprometer com a cultura do encontro e do diálogo para que possamos nos comprometer com a vida de cada um e ser mais solidários com a dor e a realidade do outro.

Assim, dotados dessa responsabilidade é urgente pensar que os projetos de formação da educação para o humanismo solidário têm por foco principal a ação consciente de cada um na construção de uma Educação para o humanismo solidário e que haja uma verdadeira inclusão de todos nesta realidade. O tema do mês de setembro é uma forma de falar com respeito da realidade do suicídio.

Nesse contexto, precisamos observar o caminho que seguimos e os exemplos que podemos dar em nossa realidade. Entre eles temos que alimentar o desejo de uma sociedade mais humana e exercitar o amor ao próximo por meio de gestos de solidariedade.

Devemos seguir o exemplo de Jesus: sua ética, seu comportamento, seu caráter, seu modo de ser e de agir. Ele assumiu uma conduta autêntica em uma sociedade contrária a tudo que ele pregava. Ele veio transformar o mundo, a começar pela sociedade de sua época. Assim, tratar o próximo com respeito é fazer valer o amor criador de Deus e sua proposta para o ser humano: “O que fizer ao menor dos meus irmãos, é a mim o fazeis”. (Mt 25,40). Por isso, cuidar do outro, escutá-lo e fazer um processo de encontro é a base das nossas relações.


Robson Ribeiro de Oliveira Castro Chaves é mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em BH, professor de teologia no Instituto Teológico Franciscano (ITF), em Petrópolis (RJ) e membro do Conselho Regional de Formação (CRF) – LESTE II do CNLB.

Download Premium WordPress Themes Free
Download WordPress Themes
Download Nulled WordPress Themes
Free Download WordPress Themes
free online course
download huawei firmware
Download Premium WordPress Themes Free
online free course

Conteúdo Relacionado