Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Sínodo: 40 pontos-chave levantados nos grupos

14/10/2015

Notícias

O Padre Jesuíta e Teólogo Antonio Spadaro, SJ, é um dos peritos participantes do Sínodo da Família. No texto que segue, publicado em seu blog Cyberteologia.it, Pe. Spadaro lista 40 pontos de destaque que surgiram nas discussões em grupo realizadas a partir do texto de trabalho.


Aqui estão 40 breves pontos que apareceram nas apresentações dos Círculos Menores dos grupos. Tais pontos não representam uma síntese exaustiva nem substituem a leitura integral dos textos. Todavia, constituem uma apresentação de importantes elementos apontados, de maneira geral, em mais de um grupo. Juntos, eles dão uma boa noção do amplo trabalho realizado e das contribuições oferecidas. Podem ser aproveitados como uma espécie de guia para leitura ou ainda como uma síntese para se ter à disposição elementos-chave.

1. Mudanças para melhorar a incisividade, usar uma terminologia mais positiva e compreensível. Por exemplo: infelizmente, a indissolubilidade é apresentada apenas como um fardo; termos como “natureza” e “natural” são de difíceis compreensão e utilização em nível pastoral. Ocorre também buscar uma maior inspiração bíblica, especialmente nos livros poéticos e sapienciais.

2. “Não existe um único modo de se formar família”. Existem também as “famílias discipulares”, a vida religiosa…

3. A importância da missão da pastoral na transmissão da doutrina.

4. A comunidade cristã seja uma “família de famílias” e modele a sua pastoral ao estilo da família, com sua força humanizante.

5. Considerar a família em todas as suas etapas, também no tempo em que os filhos partem e os pais envelhecem.

6. Necessidade de harmonizar a atenção à sacralidade do matrimônio com o objetivo de levar a proposta evangélica a todos, também aos que não creem: o Senhor deposita no coração de cada ser humano o desejo de família.

7. A analogia marido-mulher/Cristo-Igreja é imperfeita, mas se deve colher dela o sentido espiritual.

8. As catequeses do Papa Francisco ajudam a harmonizar sacramentalidade e criaturalidade.

9. A Igreja deve ser sempre mestra, mas também mãe que leva um anúncio de esperança.

10. Recordar a ligação direta e importante entre o Sínodo sobre a Família e o Jubileu da Misericórdia.

11. É a certeza do perdão que permite a franqueza na confissão. A percepção do pecado se desperta diante do amor gratuito de Deus, cuja misericórdia não impõe qualquer condição.

12. Importância da orientação espiritual no acompanhamento dos esposos.

13. A expressão “Evangelho da Família” a alguns parece vaga. Haveria necessidade de se explicitar melhor o que significa.

14. Importância da oração, das devoções e da religiosidade popular na espiritualidade familiar.

15. Não se desconsiderar a violência na família, que recai sobretudo na agressão às mulheres.

16. É necessário compreender o que significa “vocação” à vida familiar em relação àquela à vida consagrada.

17. O documental ainda terá limitações. Imagina-se uma Exortação Apostólica do Santo Padre.

18. No documento existem expressões nas quais parece que se absolutizam o matrimônio e a família, enquanto Jesus os coloca em relação ao Reino de Deus.

19. Jesus sempre abre as portas e não joga pedras.

20. A fidelidade e a indissolubilidade são um mistério que inclui a fragilidade.

21. Temos uma teologia do matrimônio atenta prevalentemente à moral.

22. Seguindo a tese das “Sementes do Verbo”, não se pode desconsiderar que existem muitos valores positivos em outros tipos de família.

23. Fechamos o matrimônio dentro de excessivas formalidades, que os jovens rejeitam, identificando-as com a hipocrisia.

24. Jesus viveu a maior parte de sua vida dentro de uma vida ordinária de família.

25. Evitar falar de indissolubilidade de forma muito insistente que possa parecer que esta seja nossa única preocupação. Evitar também de falar sobre o assunto em termos de obrigação, mas também como dom.

26. A doutrina é conhecida, mas as exigências da realidade e os novos acenos da reflexão teológica devem ser levados em consideração para que o Sínodo dê um posicionamento verdadeiramente significativo.

27. Encorajamento aos casais que vivem um matrimônio cristão genuíno.

28. Confirma-se a necessidade de uma linguagem mais simbólica, experiencial, significativa, clara, convidativa, aberta, cheia e alegria e esperança, otimista.

29. Falando-se da família, também é necessário que se fale do sacrifício que a vida familiar implica, explorando melhor esta possibilidade.

30. Compreender melhor as motivações daqueles que preferem não se casar. Temos necessidade de compreendê-los melhor.

31. Misericórdia e verdade jamais estão em contradição. A justiça de Deus é uma misericórdia que nos faz justos. Não é necessário que se coloque limites humanos à misericórdia divina.

32. Pensamos de modo excessivamente estático e não de modo histórico. A doutrina é desenvolvida de modo histórico. Este processo também é verdadeiro na vida das pessoas.

33. O desenvolvimento histórico da doutrina faz entender que também a pastoral deve ser um processo gradual. Clareza da doutrina e gradualidade na pastoral não se opõem, mas exprimem a concretude do acompanhamento.

34. Importância da consciência e da responsabilidade. Existe uma lei que Deus escreve na pessoa, onde o ser humano pode ouvir a sua voz. Esta consciência precisa ser respeitada

35. O nosso magistério deve refletir a pedagogia divina que permanece hoje.

36. O Sínodo deve apoiar as escolas católicas para aprofundarem a educação religiosa que começa na família.

37. Não nos deixemos levar por falsas oposições que alimentam a confusão.

38. Jesus uniu indissoluvelmente a Trindade e a família, por sua encarnação na Família de Nazaré.

39. Que o Sínodo abra um tempo de paciente pesquisa da parte de teólogos e pastores e que possa delinear uma pastoral familiar num horizonte de comunhão.. Não temos necessidade de estruturas disciplinares universais

40. Como levar as pessoas, sobretudo os mais jovens, a compreenderem o sentido do matrimônio cristão, de maneira que a família se torne sujeito, e não só objeto da pastoral.