Frei Florival: “Uma família feliz não é a que nunca cai. É a que nunca desiste de amar”
09/06/2026

As celebrações em honra a Santo Antônio, preparando-se para a grande Festa deste sábado no Convento e Santuário São Francisco, no centro de São Paulo, tiveram lugar na tarde nesta segunda-feira (8/6), com a Missa e Bênção de Santo Antônio às 15 horas, presidida por Frei Edvaldo Batista Soares, e o Momento Devocional, às 18 horas, com o orador Frei Florival Mariano de Toledo, pároco da Paróquia São Francisco de Assis, na Vila Clementino, que abordou o tema “Por uma vida feliz em família”.
Frei Florival é cantor e compositor. Conhecido por sua voz marcante e evangelização através da música, ele lançou o CD “Perfeita Alegria”. Além de ser o orador da noite, ele também mostrou um pouco do seu talento musical.
Ao iniciar sua reflexão, fez a seguinte pergunta: “Talvez a primeira pergunta que surja seja esta: O que é uma família feliz? Porque se formos sinceros, vivemos um tempo em que se fala muito de felicidade, mas parece que cada vez mais pessoas têm dificuldade de encontrá-la”, provocou.
Para ele, a sociedade nos diz que felicidade é ter sucesso, dinheiro, conforto, liberdade para fazer tudo o que se deseja. “Nunca tivemos tantos recursos, tanta tecnologia, tantas possibilidades. E, no entanto, nunca vimos tantas pessoas solitárias, ansiosas e feridas”, observou.
“Por isso, esta noite, a Palavra de Deus nos convida a fazer uma pergunta diferente: Onde nasce a verdadeira felicidade? São Paulo responde de forma surpreendente. Ele não fala de riqueza, não fala de poder, não fala de inteligência. Ele fala de amor. ‘A caridade é paciente, é bondosa, não guarda rancor, tudo suporta, tudo espera, tudo crê’. Em outras palavras, São Paulo está nos dizendo que a felicidade não nasce da perfeição. Ela nasce do amor. E isso muda tudo. Porque quando falamos de família, muitas vezes pensamos numa família perfeita. Mas ela não existe. Não existia na Bíblia, não existe hoje. Toda família tem suas alegrias e suas dores. Tem seus encontros e desencontros, tem seus acertos e seus erros. A felicidade não está em não ter problemas. A felicidade está em não deixar de amar quando os problemas aparecem”.
E Frei Florival questionou a todos: “Talvez a pergunta mais importante desta noite não seja: ‘Minha família é perfeita?’ Mas: ‘Minha família ainda sabe amar?’ Porque uma família feliz não é aquela que nunca discute. É aquela que aprende a dialogar. Não é aquela que nunca sofre. É aquela que permanece unida mesmo quando sofre. Não é aquela que tem tudo. É aquela que descobriu que o amor vale mais do que tudo”.
Segundo o frade, é aqui que Santo Antônio tem muito a nos ensinar. “O texto que ouvimos sobre a sua vida não fala de milagres que realizou nem das multidões que o ouviam. Fala de algo muito simples. Fala de um menino chamado Fernando, levado pelos pais à igreja desde pequeno. Antes de ser Santo Antônio, ele foi filho. Antes de ser pregador, foi uma criança educada na fé. Antes de ensinar o Evangelho ao mundo, alguém ensinou a ele”.
“Isso nos faz pensar um pouco. O que estamos deixando para as novas gerações? Estamos preocupados em deixar herança. Mas estamos deixando valores? Estamos ensinando a amar? Estamos preparando nossos filhos para ganhar a vida, ou para serem felizes? Porque são coisas diferentes. Há pessoas que ganharam muito dinheiro e perderam a família. Há pessoas que construíram patrimônio e perderam os vínculos. Há pessoas cercadas de seguidores nas redes sociais e profundamente sozinhas dentro de casa”, acrescentou Frei Florival.
Para ele, Santo Antônio aprendeu, dentro de sua família, algo que o acompanhou por toda a vida: Deus deve ocupar o centro de tudo. “E talvez aqui esteja um dos maiores desafios do nosso tempo. Temos casas cada vez mais conectadas à internet e cada vez menos conectadas umas às outras. Sentamos à mesma mesa, mas muitas vezes cada um está olhando para uma tela. Sabemos de notícias do mundo inteiro, mas às vezes desconhecemos a dor de quem mora conosco. Por isso, a felicidade familiar não depende apenas de morar sob o mesmo teto. Depende de construir comunhão, depende de encontrar tempo para escutar, tempo para perdoar, tempo para rezar juntos”.
Um momento que emocionou: “E eu gostaria de dizer uma palavra especial para aqueles que carregam alguma ferida familiar. Talvez você esteja vivendo uma separação, talvez tenha perdido alguém que amava, talvez exista um filho distante, talvez exista uma mágoa que ainda dói. Saiba de uma coisa: Você não está fora do amor de Deus. A Igreja não é uma reunião de famílias perfeitas. A Igreja é uma família de pecadores que acreditam na misericórdia. E é justamente por isso que estamos aqui. Porque todos nós precisamos aprender novamente a amar. Todos nós precisamos reaprender a perdoar. Todos nós precisamos reaprender a cuidar uns dos outros”.
“A felicidade que Deus sonha para nossas famílias não é uma felicidade de propaganda. É uma felicidade construída todos os dias. Na paciência, na fidelidade, no respeito, na partilha, na oração, no perdão. Porque, no final das contas, uma família feliz não é a que nunca cai. É a que sempre encontra forças para se levantar. Não é a que nunca erra. É a que nunca desiste de amar”, ensinou, encerrando sua pregação:
“Peçamos nesta noite a intercessão de Santo Antônio. Que ele proteja nossas famílias, as que vivem momentos felizes, as que atravessam dificuldades, as que estão feridas, as que choram, as que esperam. E que nos ensine o segredo da verdadeira felicidade: Colocar Deus no centro da casa e o amor no centro da vida. Porque onde existe amor verdadeiro, Deus está presente. E onde Deus está presente, sempre existe esperança. Santo Antônio, amigo das famílias, rogai por nós”.

Frei Edvaldo ensina o jeito de ser feliz em Deus
Até o dia do Santo mais querido dos brasileiros, temas que abordam a fé e o esporte farão parte das celebrações. O tema escolhido para esta segunda-feira foi “Família: a base do nosso time”. O tema geral é “Com Santo Antônio, vestindo a camisa da fé”, já que, neste ano, a Seleção Brasileira de Futebol estreia na Copa do Mundo no dia de Santo Antônio.
Segundo Frei Edvaldo, temos a oportunidade, nesta tarde, de ouvir as bem-aventuranças. “Ao mesmo tempo devemos estar com o coração aberto para acolher os ensinamentos do Senhor, aproximando de Jesus como fizeram os discípulos”, disse.
“Aproximar de Jesus significa que estou disponível para acolher seus ensinamentos. Estou aberto para a novidade de Deus e esta novidade hoje são as ‘bem-aventuranças”, que, para o frade, propõem um estilo de vida totalmente diferente da lógica do mundo atual. “Porque bem-aventurado é aquele que é feliz diante de Deus. O jeito de ser feliz em Deus é diferente do nosso jeito. Ninguém quer ser perseguido, mas Jesus vai dizer bem-aventurados os que forem perseguidos por causa de seus ensinamentos. Bem-aventurados os que promovem a paz. Jesus apresenta a paz para as divergências que existem entre nós”.
“Uma vez eu ouvi uma pregação de Dom Henrique Soares que dizia: nós, seres humanos, temos essa sede de felicidade. O problema é que buscamos a felicidade do nosso jeito. E assim é ilusão. Devemos buscar sermos felizes do jeito de Deus, colocando em prática os ensinamentos de Jesus. Então, vamos ser surpreendidos como pessoas realmente felizes, porque o Senhor nos apresenta o caminho da felicidade”, animou Frei Edvaldo.
E completou: “Que Santo Antônio nos ajude abrir o coração para os ensinamentos do Senhor e que sejamos felizes conforme a sua vontade!”
Nesta terça-feira (09), sempre dedicada a Santo Antônio nas Igrejas franciscanas, o tema do dia será “As regras do jogo: Santo Antônio Defensor da Justiça e do Direito”. A missa e bênção acontecerá às 15 horas e o Momento Devocional às 18 horas, quando a oradora Ana Elisa Bechara, diretora da Faculdade de Direito da USP, abordará o tema: “Por uma sociedade pautada na justiça e no Direito”.
Nesta segunda, das 15h30 às 20 horas, o povo pôde saborear torta e caldo de abóbora com frango.
Equipe de Comunicação do Santuário São Francisco



















