Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

“Francisco encarnou a viúva”

11/11/2012

Notícias

Moacir Beggo

Agudos (SP) – Neste domingo, os 103 capitulares presentes no Seminário Santo Antônio, em Agudos, participaram da celebração Eucarística das 9 horas, como é feita tradicionalmente aos domingos.  Neste 32º domingo, a liturgia da Palavra fez um convite para olhar o exemplo de duas pobres viúvas: a hospitalidade da primeira é recompensada pelo milagre do profeta Elias; e a generosidade da segunda merece o elogio de Jesus.

O comentarista Frei Gilson Kammer lembrava que “nós, frades aqui presentes, animados e motivados pelo lema do Capítulo: ‘Para onde nos conduz o Espírito?’ – procuramos luz e clareza, para melhor evangelizar e servir o povo que nos é confiado”.

Frei Clarêncio Neotti presidiu a celebração, tendo como primeiro concelebrante Frei Angelo José Luiz, presidente da Fundação Imaculada Mãe de Deus, e segundo celebrante Frei Antônio Boaventura Zovo Baza, o primeiro presbítero ordenado da Missão Franciscana em Angola.

Na sua homilia, Frei Clarêncio lembrou que Jesus traz os últimos ensinamentos de Jesus antes de sua prisão e paixão. “Às exterioridades dos escribas, Jesus contrapõe a generosidade e o desapego de uma viúva, pobre, humilde, anônima e, na mentalidade daquele tempo, amaldiçoada. A lição se acentua e se completa com o exemplo, o gesto da viúva que dá tudo o que tem, o que significa dar a própria vida, sem nada prender para si, sem nada pedir para si. Observe que a viúva não pede nada”.

Segundo Frei Clarêncio, crer e amar implicam nesse desapego e doação. “Crer e amar significam nada reter, nada exigir”, observou, lembrando que essa atitude interior São Francisco chamou de coração puro e mente limpa. “Volta o tema da entrega total a Deus, sem nada pedir em troca. Porque quando pedimos, em troca, alguma coisa, estamos na Teologia do Antigo Testamento. Jesus, o Novo Testamento, insiste em nada pedir em troca do que nós damos, porque não é moeda de câmbio que nós damos a Deus”, disse, recordando que os últimos documentos da Ordem insistem nesse ponto e chamam a isso de restituição.

“A lição de hoje vai além, muito além, da boa obra que é a esmola. A lição de Jesus é radical”, disse o celebrante.

Segundo Frei Clarêncio, o verdadeiro discípulo de Jesus não dá alguma coisa entre as que tem, nem a Deus nem ao próximo, mas o verdadeiro discípulo renuncia a tudo, em benefício de Deus e do próximo. “Francisco entendeu e viveu essa renúncia”, reforçou.

“Francisco encarnou a viúva. Deu tudo e se deu por inteiro. O carisma franciscano passa pela viúva, não pela multidão, que deposita esmolas. Na 19ª admoestação, Francisco nos adverte exatamente como nos advertiu Jesus no Evangelho de hoje. Bem-aventurado o servo que entrega todos os seus bens ao Senhor, seu Deus”, completou Frei Clarêncio.

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