Dominicanos e franciscanos celebram São Domingos de Gusmão
10/08/2026

No último dia 7 de agosto, na cidade de São Paulo, Dominicanos e Franciscanos celebraram juntos a Festa de São Domingos de Gusmão. A celebração foi um momento marcante de fraternidade, no qual os Frades do Pós-Noviciado tiveram a oportunidade de se encontrar com os Frades Estudantes Dominicanos, renovando e levando a cumprimento o abraço histórico de amizade entre Francisco e Domingos.
São Domingos e São Francisco: Homens apaixonados pela Verdade
Em torno do altar da Paróquia Sagrada Família, os frades do Santuário São Francisco, do Largo São Francisco, uniram-se à Família Dominicana para celebrar o seu Pai Fundador. A convite dos Dominicanos, a celebração foi presidida por Frei Gustavo Medella, OFM, pároco e reitor do Santuário São Francisco. Concelebraram o Prior Provincial Dominicano, Frei André Luiz Tavares, OP, o pároco Frei José Almy Gomes, OP, e também padres Jesuítas, Missionários da Consolata e Missionários Combonianos. O encontro ganhou ainda mais beleza e representatividade com a presença de diversas religiosas, entre elas as Irmãs Dominicanas de São José e as Irmãs Dominicanas do Santíssimo Sacramento.
Após a saudação inicial e as apresentações fraternas, a comunidade reunida rezou as Primeiras Vésperas de São Domingos de Gusmão, abrindo o coração para a escuta da Palavra e a reflexão.
A busca da Verdade em tempos de ruído
Em sua homilia, Frei Gustavo Medella dirigiu inicialmente uma carinhosa saudação a toda a Família Dominicana e à comunidade paroquial. Em seguida, aprofundou o tema da paixão sincera que uniu São Domingos e São Francisco em torno de Jesus Cristo.
“A paixão de São Domingos e de São Francisco pela Verdade não nasceu da prepotência intelectual nem de discriminações construídas na frieza de uma escrivaninha; a paixão pela Verdade em ambos se manifestou em um amor sincero por Nosso Senhor Jesus Cristo”, destacou Frei Gustavo.
Fazendo uma ponte histórica entre o século XII e o mundo atual, o pregador lembrou que o surgimento do mundo urbano na Idade Média trouxe uma aceleração da vida e uma profusão de ideias e ruídos — contexto no qual as heresias da época surgiram como respostas apressadas para a busca de sentido. Trazendo essa realidade para os dias de hoje, Frei Gustavo alertou sobre os riscos da era digital:
“Hoje corremos o grande risco de navegar sem norte em um oceano quase infinito de informações. A profusão de narrativas, a espontaneidade dos algoritmos digitais e o comércio das fake news criaram uma arquitetura de desorientação, onde a mentira não precisa ser genial: basta ser ruidosa e agradar ao nosso orgulho.”
Medo, estudo e caridade: O legado de Domingos e Francisco
Diante desse cenário, olhar para Domingos e Francisco é encontrar um farol seguro. Frei Gustavo sublinhou que São Domingos ensina que a busca da Verdade exige humildade, honestidade e estudo paciente. “Domingos percebeu que a desinformação do seu tempo não se combatia com a arrogância de quem tem status ou com tom de condenação, mas com a capacidade de sentar, escutar as objeções e estudar a realidade sem medo de perguntas difíceis”, refletiu.
Por sua vez, São Francisco ilumina a Verdade a partir do ato, da coerência e da humanidade. Para o Poverello de Assis, nenhuma Verdade pode caminhar desprovida de caridade. “A mentira se espalha no mundo contemporâneo precisamente porque nos desumaniza e nos divide em bolhas. Francisco combate a ilusão das aparências ao abraçar o leproso e tocar o irmão. Ele nos ensina que a Verdade tem corpo, tem gosto e se manifesta no encontro fraterno”, pontuou Frei Gustavo.
Ao concluir a reflexão, o frade ressaltou que o grande ponto de convergência entre o intelectual que estuda para pregar (Domingos) e o poeta místico que canta a criação (Francisco) está na desapropriação de si mesmos: ambos desceram de seus pedestais. “Em uma era de disputa por engajamento a qualquer custo, eles nos ensinam que o primeiro passo para encontrar a Verdade é renunciar ao desejo de sobressair-se. Quem ama a Verdade não busca ter razão sobre os outros, mas busca a honestidade dos fatos e o bem comum.”
Partilha e convivência fraterna
A celebração seguiu em clima de profunda oração e sintonia de ideais. Ao final da liturgia, todos os presentes foram acolhidos nas dependências do convento dominicano para um momento recreativo, alegre e festivo, selando com partilha a amizade que continua viva e gerando frutos entre a Ordem dos Pregadores e a Ordem dos Frades Menores.
Frei Cristian dos Santos Lopes












