Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Depois de 40 anos, Frei José Ariovaldo se despede de Petrópolis

17/01/2022

Notícias

Grande liturgista e membro fundador da Associação dos Liturgistas do Brasil (ASLI), da qual foi o primeiro presidente, Frei José Ariovaldo se despediu neste domingo (16/01), depois de quarenta anos, da Fraternidade do Sagrado Coração de Jesus, do Instituto Teológico Franciscano (ITF), onde formou gerações de frades, da Paróquia do Sagrado e de suas comunidades, como a Manuel Torres, onde atuou por quinze anos. Frei José, agora, vai fazer parte da Fraternidade Franciscana do Postulantado Frei Galvão, em Guaratinguetá (SP).

Sempre atencioso e conhecido por seu sorriso largo, Frei José repetiu várias vezes, na Celebração Eucarística, às 18 horas, que só tinha gratidão por esse tempo que viveu na cidade imperial. Ele teve como concelebrante o guardião Frei Jorge Paulo Schiavini.

Tomando o Evangelho das Bodas de Caná deste domingo, Frei José disse que nesse momento de celebração queria agradecer a Deus “por esse vinho bom, saudável, que recupera a nossa vida, que é Jesus, o nosso salvador. Ele é aquele que recupera e resgata a beleza de viver”.

“E ao mesmo tempo, junto com vocês, eu quero pedir a Deus que a gente tenha sempre essa clareza, essa consciência de que nós não estamos sozinhos e que existe Alguém muito especial que acompanha a cada um de nós. Em particular, na família, na comunidade. Alguém caminha com a gente. Jesus marca presença sempre na festa da nossa vida. Que Jesus nos ajude, que o Espírito Santo nos ilumine para que a gente tenha sempre clareza desta presença na história de cada um de nós. E dessa forma a vida da gente fica diferente, muito mais leve e até divertida”, ensinou.

Frei José é natural de Canoinhas (SC), onde nasceu no dia 1º de janeiro de 1945. Em 1968 vestiu o hábito franciscano. Foi ordenado presbítero no dia 30 de dezembro de 1973 e se doutorou em Liturgia pelo Pontificio Ateneo S. Anselmo (1981), em Roma. Professor no ITF desde 1981, quando retornou de Roma; foi também professor no Instituto Teológico de Juiz de Fora, na Pós-graduação da Faculdade de Teologia N. Sra. da Assunção, em SP, mais tarde membro do Centro de Liturgia “Dom Clemente Isnard”, ligado ao Instituto Pio XI (UNISAL – São Paulo), deu aulas também na Pontifícia Universidade Antonianum de Roma.

Depois da Comunhão, fez a seguinte oração:

Obrigado Deus, muito obrigado.

Gratidão, gratidão, gratidão.

Porque Tu marcas presença na festa da vida,

também quando falta vinho, quando vêm as dificuldades,

os vazios, os sofrimentos e também nos momentos de alegria.

Tu marcas presença, Senhor, e cuidas direitinho da gente, como uma mãe cuida do seu filho.

Obrigado, Deus, porque Tu marcas presença e te pedimos clareza, consciência dessa realidade, que Tu és o nosso companheiro, o nosso esposo, que fizestes dos nossos corpos o teu espaço, a tua morada.

E a comunhão que acabamos de receber expressa bem isso: nós somos a Morada de Deus Altíssimo que veio nos habitar!

A comunidade de Manuel Torres presenteou Frei Ariovaldo com um quadro, pintado pela paroquiana Viviane, em agradecimento pelos quinze anos de ação pastoral ali: “Esperamos que venha decorar a sua nova casa, onde desejamos que seja muito feliz. Em nossa memória ficará sempre guardado o seu sorriso largo, que nos oxigenava e fortalecia”.

A Paróquia do Sagrado também homenageou o liturgista: “É um momento de agradecer a Deus pela sua presença marcante em nossa Paróquia, dedicando e deixando marcas indeléveis que jamais se apagarão. Sua caminhada aqui se estendeu por vários anos de muita dedicação em tudo dirigiu, participou e formou. Atingiu muitos segmentos sempre como grande professor e orientador. Não teve quem não aproveitasse de tão ricos ensinamentos. O seu jeito carismático e atencioso com todos nós, sempre teve uma palavra amiga, um conselho, um gesto de amor e uma atitude firme e sábia. Aprendemos muito com suas homilias, sempre ricas em sabedoria e conhecimento, nos ensinando bem o que Cristo quer nos comunicar. Mas o que mais nos marcou foi o seu amor forte, contagiante e entusiasmado pela Eucaristia. Um apóstolo fiel que serve a Deus servindo aos irmãos. É instrumento nas mãos Daquele que criou e viveu uma vocação maravilhosa. E agora mais uma vez, atendendo ao chamado de Cristo, parte para uma nova missão, uma nova caminhada, mas deixando seu marco aqui com todas as pessoas conviveram. Todos os segmentos e pastorais de nossa Paróquia têm muito o que agradecer por sua participação. E nós, que participamos das liturgias, dos movimentos paroquiais e das equipes de Frei Galvão queremos externar a nossa felicidade em tê-lo tão pertinho da obra e da vida do nosso santo tão querido.  Desejamos que o Sagrado Coração de Jesus lhes conceda muita saúde, muita força e paz. E o cubra de bênçãos. Leve consigo a saudade de todos nós, que sempre o admiramos e que jamais esqueceremos do convívio e do bem que recebemos durante toda a sua permanência aqui”, disse a paroquiana Fátima.

“A minha imensa gratidão é para Deus, que cuidou tão bem de mim nesses 40 anos de vida aqui em Petrópolis”, ressaltou Frei José. “Dificuldades, a gente enfrentou, mas também tive muitos momentos lindos nesses 40 anos. Foi maravilhoso. Olhando para trás, eu vejo assim: Deus cuidou de nós”, repetiu o homenageado.

“Já brinquei aqui nesses tempos: ‘Vocês sabiam da maior? Estamos vivos’. Depois de dois anos de pandemia, estamos vivos. Estamos aqui! E quanta gente cuidou de nós, criou contextos para a gente ter segurança. E aqui a minha gratidão muito grande para a Fraternidade do Sagrado, na pessoa do guardião Frei Jorge. Nós atravessamos esses dois anos de pandemia com muito cuidado, muitas reuniões fizemos na igreja, com máscara, para ter os frades espalhados. Com muito cuidado. Nos nossos capítulos discutíamos como viver nessa realidade e atuar pastoralmente. E quem liderou esse trabalho para preservação da saúde dos frades, dos nossos paroquianos, foi nosso guardião. E que a gente possa garantir a festa da vida. Gratidão”, disse, citando um poema seu com o título “Deo gratias”, onde conclui assim: “Sou um vazio bem cheio só de pura gratidão”.


Frei Evaristo Seque Joaquim (fotos) e Moacir Beggo