Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

De grão em grão…

20/03/2015

Notícias

Frei Gustavo Medella

“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo. Mas se morre, então produz muito fruto”. Nesta frase, que está no Evangelho de Jo 12,20-33, que compõe a liturgia deste quinto domingo da Quaresma, Jesus Cristo usa a metáfora do grão de trigo para falar de si mesmo. Ele queria desta forma mostrar que, sua morte, ainda que sofrida e injusta, seria fonte de vida para o mundo. E a principal garantia de Cristo era sua total fidelidade ao projeto do Reino de Deus. Ele foi fiel até o fim.

A dinâmica do grão de trigo também pode ser aplicada a toda vida humana. Todos os dias, mesmo sem perceber, agimos da mesma forma que o grão de trigo: morremos para gerar frutos. Todo sacrifício que fazemos em benefício do próximo não deixa de ser uma pequena morte, mas é morte que gera a vida.

Bom exemplo é o da mãe que, de madrugada, se levanta para acudir seu bebê que está chorando. Naquele momento ela morreu para seu sono, para sua preguiça, para a vontade de ficar dormindo. Foi capaz de sacrificar-se porque alguém que ela ama estava precisando de seu socorro.

Outra situação de “morte para si mesmo” é o casamento: mais uma vez se morre para gerar vida. Marido e mulher precisam se transformar mutuamente, um se adequando ao outro. Caminhando desta forma são capazes de construir uma união feliz.

Como vimos, a vida é um constante morrer, mas esta constatação não quer trazer medo ou tristeza a ninguém. Ela pretende apenas recordar que vida e morte caminham de mãos dadas, uma gerando a outra. Mesmo com toda dor e saudade, somos convidados a lançar este olhar de esperança também sobre as situações de perda e morte que enfrentamos. Sempre que a tristeza vier, pegue a Bíblia e leia mais uma vez a Palavra que Jesus: Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto.