Frades da Província participam do 3º Congresso de Comunicação da CRB Nacional
14/09/2026

Entre os dias 10 e 11 de setembro, na Faculdade Santa Marcelina, na cidade de São Paulo, ocorreu o 3º Congresso de Comunicação da Conferência dos Religiosos do Brasil Nacional (CRB), com o tema “Inovação, Tecnologias Emergentes, Humanidades e Comunicação”. Fizeram-se presentes os frades Frei Roger Strapazon, Frei Jhones Lucas Martins, Frei Cristian dos Santos Lopes, Frei Gustavo Wayand Medella e Frei Leandro Costa Santos.
O evento reuniu especialistas nacionais e internacionais para refletir sobre os impactos da cultura digital, da inteligência artificial e das novas tecnologias na sociedade e, de modo especial, na vida religiosa.
As reflexões sobre comunicação, inteligência artificial e os desafios do mundo contemporâneo destacaram a necessidade de preservar a humanidade diante do avanço acelerado das tecnologias. A programação contou com subtemas densos, coerentes e necessários, e incluiu incluiu painéis internacionais, mesas de diálogo e apresentação de experiências práticas, promovendo um espaço de reflexão crítica, partilha e construção coletiva do conhecimento.
Abaixo, algumas ideias dos muitos assessores desta edição:
A professora Lucia Santaella chamou atenção para os riscos da IA generativa, especialmente para a autonomia, a capacidade crítica, a criatividade e a própria cognição humana, alertando para uma possível “dívida cognitiva” provocada pela dependência de sistemas que oferecem atalhos em lugar de processos que exigem reflexão e esforço. Para ela, a educação é uma das áreas mais impactadas e é necessário pensar eticamente os limites da IA, sem perder de vista a capacidade humana de interpretar, criar e produzir conhecimento.
Irmã Nina Benedikta Krapić destacou a importância de uma comunicação religiosa coerente com a identidade e a missão das instituições, alertando para os riscos da personalização excessiva, da cultura das celebridades religiosas e da transformação do sagrado em objeto de visibilidade e monetização.
Natasha Govekar, por sua vez, refletiu sobre a cultura da eterna juventude e a dificuldade contemporânea de acolher os limites e a realidade da condição humana.
Os demais participantes aprofundaram a reflexão sobre como habitar de maneira responsável o ambiente digital. Matheus Jacon Pereira propôs três perguntas para o uso consciente da IA: “O que esse sistema otimiza? Quem paga por ele? O que acontece comigo se eu sair?”.

Marcello Zanluchi reforçou que, diante das transformações tecnológicas, não se trata de inventar novas respostas para cada época, mas de redescobrir e atualizar a resposta cristã já oferecida, comunicando com intencionalidade e com o coração.
O professor Lindolfo Alexandre de Souza abordou a vida “on-life”, marcada pela integração entre mundo físico e digital, alertando para a dependência tecnológica, a perda de atenção e os impactos sociais, psicológicos, ecológicos e éticos da IA.
O professor Eugênio Trivinho propôs a ruptura com as compulsões digitais e a recuperação da cultura do encontro, enquanto o professor Padre Antônio Iraildo Alves de Brito recordou que a comunicação nasce do corpo e da presença.
Dom Valdir José de Castro, destacou que a comunicação deve gerar comunhão, tendo o Bom Samaritano como referência para “se fazer próximo” do outro. Em meio à chamada fase de hibridez e à lógica performática das redes, a grande provocação que atravessou as exposições foi a necessidade de recuperar o sentido, o silêncio, a atenção, a sensibilidade e a capacidade de encontro, para que a tecnologia permaneça instrumento e não substitua a humanidade.

Se faz necessário uma reflexão crítica em relação às tecnologias e a Inteligência Artificial e os religiosos e religiosas precisam atualizar-se, observando os meandros de realidade presente na vida e na missão dos consagrados e das pessoas que somos responsáveis por orientar seja pelo exemplo e ou pelas obras. Em todas as explanações houve a reivindicação pela humanidade, a postura crítica e responsável frente aos algoritmos, plataformas digitais.
Segundo o organismo da CRB Nacional, o congresso se consolida como um espaço privilegiado de formação e articulação, reafirmando o compromisso da Vida Religiosa com uma comunicação que humaniza, promove a dignidade e contribui para a transformação da sociedade.
Frei Leandro Costa Santos


